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Nova Chance Para Amar – Capítulo 11

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

MULHER e SECRETÁRIA

CENA 01. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. DIA.

Beatriz no banco de trás e Rick ao volante.

BEATRIZ           —    (Aflita) Esses carros que não andam! (Pega o cel.) A essa hora a Viviane já deve ter chegado e nós ainda estamos aqui presos neste maldito engarrafamento!

RICK                  —    Calma, dona Beatriz! Desse jeito a senhora vai receber a Viviane estressada!

BEATRIZ           —    Já estou uma pilha de nervos desde ontem quando a Viviane me ligou dizendo que estavam vindo.

RICK                  —    (P/si, entredentes) Desse jeito a véia vai ter um piripaque.

Atenção Sonoplastia: cel. de beatriz começa a tocar.

BEATRIZ           —    Olha aí. É a Viviane. (Ao cel.) Filha?

VIVIANE            —    (OFF) Cadê a senhora, mãe? Nós já chegamos.

BEATRIZ           —    (Ao cel.) Sabe o que que é, filha? Está um engarrafamento desgraçado hoje. Essa cidade tá uma loucura.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 02. AEROPORTO SANTOS DUMONT. SAGUÃO. INT. DIA.

Viviane ao cel. e Rodrigo olhando a sua volta. Duas malas perto deles.

VIVIANE            —    (Ao cel.) Então acho melhor pegarmos um táxi.

BEATRIZ           —    (OFF) Nada disso, filha! Me espera aí que já estamos chegando!

VIVIANE            —    (Ao cel.) E enquanto isso a gente fica aqui tomando chá de cadeira?

BEATRIZ           —    (OFF) Me espera, filha. Não vou demorar.

VIVIANE            —    (Ao cel.) Tá! Vou esperar no máximo mais uma hora. Se a senhora não chegar aqui, nós vamos de táxi.

Ela desliga.

RODRIGO         —    Por que ainda não chegaram?

VIVIANE            —    Estão presos no trânsito.

RODRIGO         —    É, em todas as cidades é assim mesmo.

VIVIANE            —    Ah, para, Rodrigo! Paris não tinha esse transito todo de jeito nenhum!

RODRIGO         —    É, minha querida. Mas agora voltamos a um país emergente. Conforme-se.

VIVIANE            —    Vamos comer alguma coisa. Mamãe vai demorar!

Eles se afastam arrastando as malas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. MANSÃO VIEIRA. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Mesa farta. Ramiro e Marcelo sentados à mesa a tomar o café da manhã. Edileusa vem da cozinha com uma jarra de suco e coloca sobre a mesa.

EDILEUSA        —    Aqui está o seu suco de laranja, seu Ramiro.

RAMIRO            —    Obrigado, Edileusa.

MARCELO        —    Tia fofoca não vai descer pra tomar café?

EDILEUSA        —    Verdade. Dona Beatriz é uma das primeiras a descer.

RAMIRO            —    À uma hora dessas, Beatriz está a caminho do aeroporto.

EDILEUSA        —    Desculpa me meter, seu Ramiro. Mas por que ela está indo para o aeroporto?

RAMIRO            —    (Firme) Tá se metendo mesmo! Lugar de serviçal é na cozinha, e não aqui na mesa se intrometendo na conversa de seus superiores!

EDILEUSA        —    Desculpe, seu Ramiro!

MARCELO        —    Você não vai a lugar algum, Edileusa! Pode ficar aqui. (P/Ramiro) O senhor acha mesmo que tem necessidade de tratar a Edileusa desse jeito? Hein?! Ela está nesta família há mais de dez anos!

RAMIRO            —    Impressionante como é a Maristela dos pés a cabeça! Vou escovar os dentes e depois vamos para o escritório, portanto, não enrole para terminar esse café!

Ramiro sai.

EDILEUSA        —    Não precisa encarar o seu pai desse jeito por minha causa, Marcelo. Ela tá certo, eu sou uma serviçal!

MARCELO        —    Jamais repita uma coisa dessas na minha frente, Edi! Você é mais do que empregada. Aqui você é amiga, companheira desta família. Todos esses anos cuidando de todos aqui. Não consigo ver uma pessoa que eu gosto ser destratada desse jeito e ficar calado!

CORTA PARA:

CENA 04. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA

Severo, Maurício e Nandão ali.

NANDÃO           —    Eu tô te falando, Severão! O cara tava lá todo nos papos com o Jô.

SEVERO           —    Tinha que ser um canalha Garcia mesmo!

MAURÍCIO        —    Tava lá com aquela cara de boa pessoa. Canalha! Deu vontade de ir lá e comer ele na porrada!

NANDÃO           —    (Sorrir) Esse daqui não sabe nem disfarçar! Ficou encarando o cara!

MAURÍCIO            É que o sangue ferveu!

SEVERO           —    Na boa rapaziada… Podem deixar que eu ainda vou acertar as contas com o canalha!

NANDÃO           —    Vai que tu enfarta na troca dos socos, Severo?!

SEVERO               Tá doido que eu morra, né, Nandão?!

NANDÃO           —    Claro que não, cara! Só não quero que a Elisa e a dona Laura sofram por causa desse canalha!

MAURÍCIO        —    Não vale a pena, Severo! Nandão e eu junta nele e resolve tudo pra você, véio!

Eles continuam a discordar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina e Kléber sentados.

KLÉBER           —    Será que eu entendi bem? Pera aí. A empresa está se expandindo e eles querem mais mão de obra?

REGINA             —    Exatamente! E você sabe mais do que ninguém aonde tem gente que cresce o olho na nossa proposta.

KLÉBER           —    Sei mesmo. Tem um bairro na zona oeste que tem alguns nordestinos e cariocas também, que eu tenho certeza que viriam pensando que é uma coisa boa!

REGINA             —    Carioca não! Você sabe muito bem quanto ao nosso procedimento com cariocas. Tem que ser gente de fora do estado do Rio e que a família não more por aqui.

KLÉBER           —    Tá certo. Você precisa de homens e mulheres?

REGINA             —    A princípio mais mulheres com a mão na massa é o que eu estou precisando!

KLÉBER           —    Vou hoje mesmo ver isso.

REGINA             —    Então vá agora que na parte da tarde chegará mais um carregamento de insumos.

KLÉBER           —    Beleza. Me deseje sorte.

REGINA             —    Não acho que seja necessário. Estou lidando aqui com o maior vendedor de sonhos de emprego perfeito do mundo, mesmo que falso. Mas já que pedes… Boa sorte!

Kléber sorrir e sai.

CORTA PARA:

CENA 06. FÁBRICA FABRISTILO. BANHEIRO FEMININO. INT. DIA.

Banheiro todo sucateado. Espelho quebrado, chão preto de tão sujo, portas, pias quebradas. Amanda e Belinha entram.

BELINHA          —    Ai, mãe! A senhora tá machucando meu braço!

AMANDA           —    Eu já falei pra você ficar concentrada no trabalho, não foi?

BELINHA          —    Mas eu só fui dar a tesoura pra dona Hilda que pediu emprestado.

AMANDA           —    Não interessa! Aprenda uma coisa, filha. Pra Regina e o Kléber não cismarem com a nossa cara, o que a gente tem que fazer é trabalhar e pronto! Você me entendeu?

BELINHA          —    Quer dizer então que eu não posso ser humana? Não posso falar, sorrir nem nada? Tenho quer ser um robô escravo, é isso?!

AMANDA           —    Minha filha, tenta entender que não tem jeito de mudar isso!

BELINHA          —    Mas a gente não pode morrer nisso aqui, mãe! A senhora fala que não tem jeito, mas a senhora mesmo diz que pra tudo tem um jeito!

AMANDA           —    Não nesse caso! Essa fábrica é vigiada a cada canto por um segurança! Impossível fugir, minha filha!

BELINHA          —    (Invocada) Não concordo com isso! Eu quero ser como as outras crianças, quero estudar, brincar!

AMANDA           —    Minha filha, você não sabe o quanto a mamãe fica com o coração apertado de te ver perdendo a sua infância aqui neste lugar… Mas pela nossa vida, temos que aceitar caladas. Vamos voltar?

Amanda sai na frente. Belinha indignada vai logo depois.

CORTA PARA:

CENA 07. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Elisa sentada a olhar para o tel. Fixo. Laura vem do quarto com sua caixa de costura e uma capa de botijão nos ombros.

LAURA              —    Ainda olhando pra esse telefone, minha filha?

ELISA                —    Ai, mãe. Eu fico aqui na expectativa de que vão me ligar dizendo que tem uma entrevista de emprego pra mim!

LAURA              —    Minha filha… Você sabe que hoje em dia emprego tá difícil. Você precisa ter paciência.

ELISA                —    O problema é que ter paciência é o que eu não tenho! Não quero ficar muito tempo sem trabalhar. A sensação que eu tenho é que estou sendo um estorvo pra senhora e pro seu Severinho.

LAURA              —    Que isso, minha filha?! Jamais fale uma coisa dessas! Eu, hein! Você é nossa filha, é nossa obrigação te amparar num momento como esse! Principalmente diante de uma separação.

ELISA                —    Obrigada, mãe. Olha, eu sinceramente não sei o que seria de mim sem vocês aqui.

LAURA              —    Afinal, para que servem os pais se não para amparar, aconselhar os filhos?

ELISA                —    Verdade. Espero que Gustavinho quando crescer também venha me procurar quando tiver com a corda no pescoço.

LAURA              —    (Brinca) Assim como você faz com seu pai e eu, né?!

Fecha em Elisa que dá um sorrisinho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. AEROPORTO SANTOS DUMONT. FRENTE. EXT. DIA.

Rick perto do carro ali estacionado. Viviane, Rodrigo e Beatriz saem do aeroporto. Ao ver Viviane saindo, nos pensamentos de Rick, ela desfila em sua direção em SLOW MOTION, com os cabelos voando ao vento. Rick fica hipnotizado.

BEATRIZ           —    (Chama) Rick? (Firme) Rick!

RICK                  —    (Cai na real) Pois não, dona Beatriz?

BEATRIZ           —    Para de ficar com essa cara de idiota e coloque as malas no carro!

RICK                  —    Sim, senhora.

Beatriz e Viviane entram no carro. Rick coloca uma mala no porta malas e Rodrigo o ajuda a colocar a outra.

RICK                  —    Obrigado pela ajuda, senhor.

RODRIGO         —    Só me chame de Rodrigo mesmo.

Rodrigo estica a mão a Rick, que estranha, mas o cumprimenta.

RODRIGO         —    Agora vamos que as duas parecem estar apressadas!

Rick sorrir e os dois entram no carro, que dá a partida e vai se afastando. CAM abre o plano no carro se afastando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. RIO DE JANEIRO. ZONA OESTE. BAIRRO INDETERMINADO. EXT. DIA.

Rua movimentada. CAM acompanha o carro de Kléber vindo em baixa velocidade, ele a analisar a movimentação de pessoas. Estaciona o carro ao ver a jovem Camila passando. Ele atravessa a rua e a aborda.

KLÉBER           —    Oi.

CAMILA             —    (Desconfiada) Oi.

KLÉBER           —    Eu estava passando de carro agora e quando te vi, não pensei duas vezes e decidi pra vim falar contigo.

CAMILA             —    (Não entende) Ah, que legal. Mas quem é você?

KLÉBER           —    Ah, me desculpe. Com tudo isso eu nem me apresentei. Eu sou Cristian, um caçador de talentos.

CAMILA             —    Ah, sim. Lamento informar, mas eu não tenho talento algum! Com licença!

KLÉBER           —    Ei. Espere. Você é linda! Eu trabalho para uma agência de modelos. Não quer se aventurar pelo mundo da moda?

CAMILA             —    Não faz muito o meu perfil.

KLÉBER           —    Você pelo que me parece é uma moça humilde. Com certeza marcas disputariam você para estrelar campanhas publicitárias. Consequentemente, você vai ganhar bastante dinheiro.

CAMILA             —    Me conte mais que eu fiquei interessada!

KLÉBER           —    Aceita tomar um café? Eu pago.

CAMILA             —    Pode ser.

Os dois seguem caminhando. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 10. BARRA DA TIJUCA. AVENIDA BEIRA MAR. EXT./ INT. DIA.

CAM vai se aproximando do carro da família Vieira. Rodrigo no banco da frente a olhar todas as paisagens paradisíacas da orla da praia da Barra. Corta para dentro do carro:

BEATRIZ           —    Rodrigo parece encantado com tudo que ver!

VIVIANE            —    Também, né, mamãe! Faz muito tempo que ele não convido e ele não vem.

RODRIGO         —    Pra falar a verdade nem sabia o que poderia encontrar depois de tantos anos longe da cidade maravilhosa!

BEATRIZ           —    Não sabe o que ia encontrar, meu filho?! Eu te digo: violência, falta de segurança! Isso aqui tem de sobra.

RODRIGO         —    Mas mesmo com tantos problemas, o Rio não perde o seu encanto.

BEATRIZ           —    Bom, isso é verdade. A beleza do nosso Rio de Janeiro ninguém pode nos tirar!

VIVIANE            —    Doida pra dá um mergulho no mar!

BEATRIZ           —    Filha, esses dias eu fui naquela loja que você adora e comprei um biquíni maravilhoso.

VIVIANE            —    (Soberba) Hum… Vejamos se ele é maravilhoso mesmo. Eu dou o veredito!

BEATRIZ           —    Então você vai ver que a sua mãe aqui tem bom gosto!

CAM mostra Rick a olhar para Viviane pelo retrovisor central, ela percebe está sendo observada e ele disfarça desviando o olhar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. PRÉDIO FABRISTILO. ANTESSALA. INT. DIA.

Secretária ali trabalhando. Marcelo revoltado sai da sala de Ramiro.

MARCELO        —    (P/si, revoltado) Se faz questão que eu venha pra cá todos os dias, porque não me dá uma sala?! Toda vez que vai atender telefonema importante eu tenho que tomar chá de cadeira aqui.

Secretária olha para Marcelo. Ele a olha, ela disfarça voltando ao trabalho.

MARCELO        —    Vem cá… Queria lhe fazer uma pergunta, mas não sei se posso confiar em você.

SECRETÁRIA  —    (Não entende) Como?

MARCELO        —    Deixa pra lá. Já mostrou que fica com o bico calado. Como você aguenta isso aqui com o Ramiro diariamente?

SECRETÁRIA  —    Bom, ele é meu chefe… E chefes são assim.

MARCELO        —    Não precisa ter medo de falar a verdade só porque sou filho dele! Sei que ele é insuportável!

SECRETÁRIA  —    Olha, Marcelo, não é isso?

MARCELO        —    É.

SECRETÁRIA  —    Confesso que fiquei surpresa por você chegar aqui e me dar bom dia. As vezes eu até acho que sou invisível aqui, sabe?

MARCELO        —    Sei, sei bem como ele é. Mas não liga não. Pode ter certeza que agora você arrumou um bom e agradável colega de trabalho…

Eles continuam a conversar e sorrir fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. CAFETERIA. INT. DIA.

Local cheio. CAM vai passando por todas as mesas e para na de Kléber e Camila.

CAMILA             —    Espera aí. Deixa eu ver se entendi direito. Eu vou ter que viver afastada da cidade do Rio?

KLÉBER           —    Provavelmente sim. Mas não se preocupe com isso que é coisa pouca. No máximo uma semana.

CAMILA             —    (Impressionada) Nossa! Parece tudo um sonho! Você tá enxergando em mim um talento que eu nunca imaginei.

KLÉBER           —    Esse é o meu trabalho.

CAMILA             —    E quando seria isso?

KLÉBER           —    Bom, eu tenho que ver primeiro na agência. Teria como você deixar um contato comigo? Assim fica mais fácil.

CAMILA             —    Claro.

Camila pega seu cel., um guardanapo da mesa. Kléber lhe dá a caneta e ela escreve o número.

KLÉBER           —    Ok. Assim que eu tiver uma posição da agência eu entro em contato. Mas antes… Deixa eu tirar uma foto sua?

CAMILA             —    Mas desse jeito? Assim eles nunca vão me querer!

KLÉBER           —    Aprenda uma coisa, garota: quando se tem beleza, você pode tá até careca que adoraríamos do mesmo jeito. Se ajeita aí que eu vou tirar a foto.

Camila arruma os cabelos e sorrir para a foto. Kléber posiciona o celular e tira algumas fotos dela.

KLÉBER           —    Perfeito.

CAMILA             —    Agora eu preciso ir. Tchau, seu Cristian.

KLÉBER           —    Tchau.

Camila toda feliz, sorridente sai do estabelecimento. CAM dá um close em Kléber sorrindo. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Todas as mulheres trabalhando a todo vapor nas máquinas de costura. Belinha a cortar os tecidos. Regina desce a escada.

REGINA             —    (Tom alto) Vamos lá mulheres com força e garra! Produção! Produção! Produção é o que interessa!

CAM mostra dona Hilda (65) suando muito, passando mal. Belinha aflita a olhar para Hilda.

REGINA                 O que você tá fazendo parada mocinha? Corte esse tecido!

BELINHA          —    (Aponta) Será que você não tá vendo que ela tá morrendo?

AMANDA               (Repreendendo-a)  Belinha!

REGINA             —    Dona Hilda? Ela tá bem. Agora faça o seu!

Regina volta a caminhar pela produção. CAM mostra dona Hilda desmaiando. Todas as mulheres começam a fazer comentários entre si. Belinha corre até Hilda, que está espumando pela boca.

AMANDA           —    (Chama) Belinha, volte aqui!

BELINHA          —    (Sacode a blusa de dona Hilda) Dona Hilda? Fala comigo dona Hilda!

Regina se aproxima e puxa Belinha pela roupa.

REGINA             —    O que você pensa que tá fazendo garota?

BELINHA          —    Tem que levar ela pro hospital!

REGINA             —    (Firme) Não seja uma menina inconveniente e faça apenas o seu, praga! (Grita) Volta pro serviço! Aliás, todas voltem ao serviço!

Todas seguem o que foi mandado.

AMANDA           —    Lembra da nossa conversa, Belinha?

BELINHA          —    Mas mãe, ela tava/

AMANDA           —    (Corta) Cala a boca! Você tá errada e ponto final! Agora volte a fazer o seu trabalho!

Regina se agacha perto de dona Hilda espumando e arremata para o corpo de Hilda.

REGINA             —    É velha… Por isso deu um piripaque! (Debocha) Hildinha você terá um enterro digno não se preocupe… Virando comida de urubu!

Ela sorrir olhando o corpo de Hilda. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Elisa sentada mexendo no cel. Laura vem do quarto arrumada para sair.

ELISA                —    Hum… Aonde a senhora pensa que vai toda perfumada desse jeito?

LAURA              —    Indo ao mercado oras!

ELISA                —    Toda perfumada pra carregar peso?

LAURA              —    Nada disso! Depois que eu terminar, ligo pro seu pai me buscar. Até falei pra ele não inventar de ir pra o centro do Rio rodar hoje.

ELISA                —    Logo que a senhora tá saindo, vou pegar uma carona.

LAURA                  Aonde você vai?

ELISA                —    Buscar o Gustavinho no colégio.

LAURA              —    Então vamos logo que eu quero voltar cedo.

As duas saem para a rua.

CORTA PARA:

CENA 15. CASA LAURA E SEVERO. FRENTE. EXT. DIA.

Elisa sai na calçada e encara Marcos que está na porta do bar de Jô, em frente. Laura tranca o portão.

LAURA              —    Vamos filha. (Vê Marcos) Esse canalha só vive no bar do Jô agora.

ELISA                —    Claro. Um mala entende outro mala.

LAURA              —    (Sorrir) Verdade, minha filha!

As duas seguem caminhando. CAM mostra Marcos a olhar as duas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.

Elisa e Laura atravessando a praça

LAURA              —    Essa hora você já não devia ter ido buscar o Gustavinho?

ELISA                —    Devia. Mas a verdade é que com essa história de estar desempregada eu tenho andado tão desanimada ultimamente.

LAURA              —    Desanima não, minha filha. Breve, breve você tá em outro emprego.

ELISA                —    Ah lá o seu Severinho.

As duas acenam pra Severo, que está junto de Maurício. Nandão conversando com uma mulher à parte.

LAURA              —    Nandão galinhando de novo! Coitada da Edileusa!

ELISA                —    Será que ela não percebe o marido mulherengo que tem, não?

LAURA              —    Sei lá, filha. Mas pelo visto não.

CORTA PARA:

CENA 17. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Maurício e Severo encostados no táxi a conversar. Ao fundo, Nandão conversando com uma mulher.

MAURÍCIO        —    Laura e Elisa saindo e você nem pra levar elas, hein, ‘Severão’, como diz o Nandão!

SEVERO           —    Elisa deve tá indo buscar Gustavinho no colégio, que é aqui perto e a Laura tá indo no mercado. Eu que não vou com ela. A mulher demora demais pra escolher um shampoo.

MAURÍCIO        —    (Sorrir) A minha também é assim. (Olha p/Nandão) Olha como fica.

SEVERO           —    Gosto do Nandão, ele é gente boa. Mas essas sem-vergonhices dele ainda vai acabar mal.

Corta para Nandão e a mulher:

MULHER           —    Ah, vai Nandão. Me leva a rodoviária.

NANDÃO           —    Mas esse valor que você pode pagar é muito pouco!

MULHER           —    (Provocante) Você sabe que pode contar comigo, né, seu gostosão?! Quando tiver a fim de aliviar a tensão ou se cansar da baranga da Edileusa, é só me procurar.

NANDÃO           —    Vê lá como fala da minha Edi!

MULHER               Tudo bem, Nandão! Se você não vai me levar, eu vou com o Maurício!

NANDÃO           —    Espera aí, mulher! Eu te levo, vai!

MULHER           —    Sabia que você não ia negar fogo!

Ela entra no táxi de Nandão.

NANDÃO           —    Rapaziada, tô indo ali a rodoviária levar ela, volto já.

MAURÍCIO        —    Beleza.

SEVERO           —    Vê se não desvia o caminho para um estabelecimento com o letreio: MOTEL!

NANDÃO           —    Me respeita, Severão! Só um cara direito!

Nandão entra no carro, dá a partida e se afasta.

MAURÍCIO        —    Cara tão direito que tá torto ultimamente!

SEVERO           —    Torto? Esse daí de tanto que faz coisas erradas, devia tá se arrastando no chão mesmo!

Os dois sorriem. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Marcos ainda na porta do bar. Josias vem da cozinha.

JOSIAS              —    Bom que agora arrumei um segurança para o bar.

MARCOS          —    (Sorrir) Verdade. Do jeito que tô aqui, tô resguardando o seu bar Jô.

JOSIAS              —    Que bom. Mas tá aí olhando a casa da Elisa, né?

MARCOS          —    Ela acabou de sair com a mãe. Olhou pra mim de um jeito…

JOSIAS              —    Mas ela quer o tempo dela, Marcos! Com você aí parado, olhando pra casa dela, quer o quê? É evidente que ela vai agir assim!

MARCOS          —    Não vou mentir pra você não, Jô. Tá sendo difícil!

JOSIAS              —    Dê tempo ao tempo que as coisas vão se resolver.

Fecha em Marcos. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. FRENTE. EXT. DIA.

Elisa e Gustavinho se aproximam.

GUSTAVINHO —    Por que eu não posso ir sozinho?

ELISA                —    Porque você ainda é muito novo pra isso, meu filho! Eu não ficaria em paz de pensar que você tá indo sozinho pro colégio.

GUSTAVINHO —    Mas eu queria ir sozinho.

ELISA                —    Nem pensar mocinho!

GUSTAVINHO —    Mas mãe/

ELISA                    (Corta) Chega! Sem argumentação, mocinho! Entra, vai.

Elisa abre o portão e Gustavinho entra. Ela fecha o portão, olha por um instante e olha para o bar de Jô. CAM mostra que não há ninguém. Ela entra.

CORTA PARA:

CENA 20. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. DIA.

Beatriz, Rodrigo e Viviane ali. Rick entra com a última mala.

RICK                  —    Pronto, dona Beatriz. As duas malas já estão aqui.

BEATRIZ           —    Tá ok, Rick. Agora pode sair.

Rick olha para Viviane, sorrir e sai.

RODRIGO         —    Bela mansão do Ramiro.

VIVIANE            —    Verdade. Neste condomínio só tem mansões maravilhosas.

BEATRIZ           —    Vou deixar vocês a vontade para se instalarem. Qualquer coisa é só chamar as empregadas.

VIVIANE            —    Obrigado, mamãe.

Beatriz sai e fecha a porta.

VIVIANE            —    Então, meu amor… Gostou de voltar ao Rio depois de quinze anos?

RODRIGO         —    (Sério) Gostei sim.

Rodrigo sai do quarto, deixando Viviane sem entender nada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Gustavinho sentado a jogar no cel. A campainha toca. Elisa vem da cozinha.

ELISA                —    Deve ser a dona Laura que esqueceu as chaves.

Ela abre a porta e é Marcos.

MARCOS          —    Oi, Elisa.

ELISA                —    Marcos? O que você tá fazendo aqui? Achei que tinha sido bem clara quando disse pra você me deixar em paz!

Elisa tenta fechar a porta. Marcos a impede, forçando-a.

MARCOS          —    (Firme) Não tente me impedir! Eu vim até aqui e você vai ter que me ouvir!

Fecha em Marcos sério a olhar a ex. instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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