Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

A Candidata: Episódio 7 – Luftschloss (penúltimo episódio)

POR: LUNA ARAÚJO

*

– E o que você acha do seu avô? – Álvaro perguntou enquanto enchia o copo de Antônia com uísque e gelo.

– Sinceramente? – a moça já estava começando a tropeçar nas palavras.

Álvaro sorriu e lhe entregou o copo, ela bebeu de vez.

– Sinceramente.

Antônia girou o copo nos dedos e deu um sorriso sombrio.

– Um psicopata – respondeu a moça. – Ele não ama ninguém além de si mesmo e tem um dom infernal, diga-se de passagem, de manipular as pessoas para fazerem o trabalho sujo dele.

Álvaro bebeu um pouco da sua dose de vodca enquanto ouvia atentamente.

– Esse rapaz que foi assassinado, o Henrique, todo mundo sabe que a morte dele tem o dedo do Coronel, mas, talvez ele nem tenha precisado pagar para que fizessem o serviço imundo dele.

– Como assim? – Álvaro parou o copo no ar.

– Toda pessoa louca que consegue um espaço, por mínimo que seja, consegue seguidores também. Tem gente que, na falta de coragem de assumir a verdadeira essência, procura um espelho para a maldade que há dentro dela mesma e age em nome desse espelho, como se isso expiasse os pecados que se cometeu.

Álvaro demorou um pouco para entender o que Antônia queria dizer. Compreendeu que ela falava sobre o séquito do Coronel, as pessoas que o enxergavam como o detentor da verdade absoluta para se livrar da culpa pelos atos que cometiam, pois, estavam agindo em nome do Coronel Juca.

– Sabe, Álvaro, eu acredito em karma – Antônia lhe estendeu o copo para que ele o enchesse novamente. – Não sou uma pessoa muito espiritualizada, odeio seguir ritos e regras que me dizem como devo falar, me vestir, como eu devo ser. Acima de tudo, aliás, sempre questionei o fato de o grande salvador ser sempre um homem – ela pegou o copo de volta e bebeu a dose, novamente, em um só gole. – Enfim, eu não acredito nessas coisas, mas acredito naquele axioma: aqui se faz, aqui se paga. O meu avô já fez muita coisa ruim nessa vida e o maior castigo para ele é viver. Por isso que ele está aí, vivo até hoje, porque precisa conviver com tudo de mal, de monstruoso que fez.

Antônia parou de falar abruptamente e sorriu.

– Se bem que ele não deve ter muitas emoções – disse. – Aquele coração é uma pasta nuclear – ela sorriu novamente, a bebida já fazia efeito há muito tempo. – Sou ligada em astronomia também, uma pessoa de vários interesses. Sabe o que é pasta nuclear?

– Não – Álvaro acompanhou o sorriso dela.

– É o material mais duro do universo. Para cortar a pasta nuclear é preciso uma dez bilhões de vezes mais força do que a usada para cortar o aço.

Álvaro fez uma cara de surpresa.

– Pessoas inteligentes me excitam.

– Que nada! – brincou Antônia, tornando-se séria logo em seguida. – Você deve me achar uma idiota, bêbada, falando mal da própria família.

– Família vai além de laços sanguíneos, Antônia.

Ela olhou para seu copo vazio. Pareceu se afundar em pensamentos e, por um milésimo de segundo, Álvaro se sentiu culpado em usá-la daquela maneira.

– Às vezes eu me sinto mais vazia do que esse copo, Álvaro. Tenho a certeza de que, se fosse politicamente necessário, meus parentes não hesitariam em me dar um tiro ou me fazer sumir do mapa – lamentou Antônia. – É uma sensação esquisita, como se eu não devesse confiar em ninguém, como se eu estivesse sozinha contra o mundo. Quando eu era criança, invejava os meus coleguinhas do jardim de infância porque eles tinham tudo o que eu mais queria: o carinho de uma mãe. Nunca me faltou nada, materialmente falando: educação particular, um apartamento perto da universidade, mesada, festas estupendas de aniversário, tudo o que uma pessoa mais deseja. Só que eu nunca soube o que é amor, e olha que eu já cheguei muito perto de me casar – ela deu um triste sorriso. – Minha mãe nunca me abraçou ou me olhou do jeito que as mães dos meus colegas olhavam para eles. Até minha prima, Jurema, que sempre foi quase uma irmã para mim, com certeza me jogaria para escanteio de assim fosse necessário para ela escalar até o topo. A Geralda foi a única pessoa que teve algum carinho por mim, mas ela era paga para isso – Antônia deu um longo suspiro. – Eu nunca soube o que era amor… até conhecer você.

De todas as expressões que Álvaro poderia ter escolhido para descrever o que sentiu ao ouvir aquilo, a que mais se encaixava era “luftschloss” (o alemão sempre tem uma palavra para tudo, ele pensou): um castelo de ar. Seu plano era gravar um depoimento de Antônia e utilizá-lo para escrever uma reportagem, sem citá-lo, mas com todo o arcabouço necessário para destruir o império Pinheiro. Entretanto, ali estava ela, bêbada e Álvaro sabia que o álcool era uma espécie de pentotal: abaixa a guarda das pessoas e as deixa mais vulneráveis, mais susceptíveis a falarem a verdade.

E Antônia estava sendo completamente sincera. Não tinha como mentir, não naquela situação. Álvaro se sentiu arrependido por não ter cortado o sentimento quando ele ainda era uma semente. Não, não deveria se sentir daquele jeito. Como ele iria saber que Antônia estava se envolvendo tanto?

Ele deveria imaginar. Uma garota que foi obrigada a abandonar os sonhos e ser trancada na casa do mal iria se agarrar em qualquer oportunidade, qualquer chance, que tivesse para se sentir melhor. Para afastar os fantasmas, a tristeza, a dor, o sentimento de culpa por coisas que não fez.

Diante do silêncio de Álvaro, Antônia se sentiu estúpida. Quem a amaria depois de saber de onde ela veio?

– Você não vai dizer nada? – perguntou.

Álvaro pareceu sair de um devaneio profundo.

– Oh… me desculpa. Não é muito comum para mim ouvir coisas tão sinceras.

– Acho que eu fui longe demais, culpa do uísque – Antônia tentou disfarçar sua vergonha. – Creio que já passou da minha hora de ir para casa.

– Não! – disse Álvaro em um impulso.

Os dois trocaram olhares por um momento.

– Você não precisa ir se não quiser.

Antônia levantou-se cambaleando, se apoiou na cômoda para não cair.

– Não é uma questão de querer, Álvaro – ela foi firme. – Nós dois não estamos na mesma sintonia e, para minimizar os impactos, eu acho melhor me afastar de você por um tempo.

Álvaro queria falar algo, mas, não queria ser leviano. Não queria falar o que Antônia queria ouvir porque, simplesmente, estaria mentindo.

– Desculpa por encher a sua noite com as histórias da minha família, ninguém deveria ouvir isso.

Antônia recobrou rapidamente o controle de si enquanto calçava seus sapatos. Parou na porta, antes de sair, e virou-se para Álvaro.

– É uma droga não ser correspondida.

Álvaro desviou-se do olhar dela, que foi embora, infeliz. Ele pôs seu copo sobre o rack da televisão e o encheu com uma mistura de vodca, uísque e conhaque. Pegou um cigarro do maço, em seu bolso, e acendeu. Sentia raiva, nojo, decepção e, o pior de tudo, incerteza. O gravador estava escondido entre a TV e um arranjo de flores artificiais, a única decoração do quarto. Ele o pegou. Deu play. A voz bêbada de Antônia invadiu o quarto.

Um psicopata. Ele não ama ninguém além de si mesmo e tem um dom infernal, diga-se de passagem, de manipular as pessoas para fazerem o trabalho sujo dele.

Até que ponto ele era diferente do Coronel? Suas mãos não estavam sujas de sangue, como as dele, mas a sua consciência estava.

Domingos de Carvalho se parecia com uma pintura de Andy Warhol. A legítima pop-art com braços, pernas e um bigode estilo Freddie Mercury. O seu carro, um modelo seminovo pintado de amarelo-ouro, estacionou em frente a Camila, que estava parada na calçada da Prefeitura.

– Foram tantas horas de viagem que eu comecei a achar que Cronos fez o tempo rodar ao contrário – disse ele enquanto abraçava Camila.

Ela riu.

– Eu adoro o seu senso de humor, Domingos.

Mon cher, como eu iria aguentar esse mundo caótico sem uma pitada de graciosidade?

Camila admirou o blazer azul-claro que Domingos trajava, combinando perfeitamente com uma calça preta e uma boina cinza. Ela imaginava que todos os diretores de Hollywood se vestiam exatamente daquele jeito.

– Onde está a nossa estrela?

Jurema o aguardava ansiosamente em seu gabinete. Se ela soube disfarçar a surpresa ao ver Domingos entrando pela porta, Miguel e Silvero não fizeram o mesmo. Os dois observaram o cineasta com um ar de ojeriza. O progresso chegava a passos lentos em Timbaúba.

– Jurema Pinheiro, de quem tanto se fala nos últimos dias – disse Domingos.

– Não por um bom motivo, infelizmente – Jurema lhe estendeu a mão e Domingos a apertou.

– O mundo está cada vez mais violento – Domingos lançou um olhar debochado para Miguel e Silvero, parados logo atrás de Jurema. – Timbaúba não é muito diferente.

– Uma mancha sombria em meu currículo pessoal, espero que os eleitores baianos não me vejam com maus olhos por causa desse fatídico acontecimento.

– As pessoas sabem separar as coisas, Jurema – atalhou Silvero.

– Nem todas – comentou, com um tom casual, Domingos, enquanto observava Jurema com olhos de diretor de cinema.

– A Camila fez uma excelente propaganda sobre seu trabalho. Formado em Cinema e em Artes Cênicas, CEO de uma produtora independente de cinema conhecida na região de Salvador – disse Jurema.

– Minha produtora, a Apolo, está muito interessada em participar da sua campanha – respondeu Domingos. – À exceção do crime recente, você tem uma reputação interessante na minha região. Principalmente depois daquela entrevista bombástica.

Alguns meses antes, já em preparação para se candidatar ao Congresso, Jurema dera uma entrevista longa para o telejornal do horário nobre da principal emissora baiana. Suas gestões como prefeita, bem como sua posição em defesa dos direitos humanos e como uma força feminina dentro do machista ambiente político, reverberaram em toda a Bahia e lhe trouxeram novos holofotes.

– Foi um prazer ter me tornado referência para as mulheres baianas.

– Chegaram até a supor a sua candidatura ao governo do estado, mas você quer ir muito mais longe – Domingos deu um sorrisinho.

– Já passou da hora das mulheres terem seu espaço, certo, Camila?

– Com toda a certeza, Jurema!

Silvero e Miguel assistiam à cena apáticos, com total descrença na figura – que eles consideravam estranha – em sua frente. Imaginaram que Domingos seria um homem sério, de porte, centrado. E não…

– Homossexual – sussurrou Miguel.

As atenções voltaram-se para ele, que se aprumou e limpou a garganta.

– Perdão.

– Qual o seu nome mesmo? – Domingos apontou para ele.

– O meu marqueteiro Miguel e, ao seu lado, o vice-prefeito Silvero – respondeu Jurema.

– Não pensem que eu não estou reparando no olhar de nojo e de repulsa que vocês estão me lançando, porque eu estou vendo – Domingos se impôs. – Deve ser muito difícil para a masculinidade frágil ver um homossexual em posição de prestígio – ele finalizou com uma piscada de olho debochada.

Miguel e Silvero ficaram embatucados. Domingos voltou-se novamente para Jurema.

– Enfim, prefeita, a Camila comentou sobre o seu plano de criar conteúdos para as redes sociais, uma ótima jogada de marketing se você souber exatamente o que falar.

Jurema se inclinou em direção a ele, interessada no assunto.

– Suas palavras têm que ser potentes e certeiras. Qualquer deslize e a internet te faz desaparecer tão rápido quanto apareceu.

A prefeita balançou a cabeça em concordância.

– Já imaginei alguns takes aqui em seu gabinete, mas, a maioria no meio da sua gente, da sua cidade, principalmente, das mulheres.

Jurema sorriu, feliz, para Camila.

– Tenho até um nome para a sua série de vídeos em mente: “Caleidoscópio”. Com um olhar, você fará refletir a diversidade e a pluralidade da mulher baiana.

– Perfeito! – exclamou Jurema. – Quando começamos a gravar?

Antônia não sabia o que lhe doía mais: a cabeça ou o coração. Ressaca de álcool e sobriedade de amor. Era óbvio que Álvaro não a amava e ela se sentia patética por tê-lo revelado seus sentimentos. Deveria ter aprendido com a família a não ter nenhum, seria melhor.

Sua cabeça estava pesada, a dor era como um machado entrando e saindo. Os seus membros não lhe respondiam e ela não conseguia se levantar para tomar um analgésico ou pelo menos chamar alguém para trazer um comprimido até ela. Sobrou a sua consciência inquieta, o desejo de voltar no tempo e pensar antes de falar.

O amor é ridículo. Álvaro de Campos, infeliz coincidência, dizia que “todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas”. Antônia gostaria de adicionar seu nome e sobrenome naquele verso. Onde ela estava com a cabeça para pensar que era digna de amar e ser amada? O destino reservara para a sua família apenas sofrimento, tragédias e traição. O que havia de bom fora assassinado junto aos inocentes que morreram nas mãos do Coronel ou de algum dos seus seguidores.

A dor de cabeça aumentava cada vez mais, deixando-a enjoada e desconfiada sobre a qualidade das bebidas de Álvaro. Sozinha, decepcionada, ridícula. Decidiu que nunca mais iria ver Álvaro ou se envolver com outro homem. Ninguém ficaria quando ouvisse o seu sobrenome. Deveria trocá-lo?

Uma sombra apareceu na porta. Um fantasma. Salete. Sua mãe. Antônia quis pergunta-la se ela já havia sofrido alguma decepção amorosa, mas ela não iria responde-la. Salete se aproximou dela, causando um sentimento revoltante em Antônia. Tocou a cabeça da filha como se soubesse onde doía e saiu. Minutos depois, voltou com um comprimido e um copo d’água.

Antônia a agradeceu em pensamento.

E quis perder a voz como a mãe perdera. A vida seria mais fácil sem precisar pronunciar seu sobrenome em público. Seria por esse motivo que Salete optara por se calar para sempre?

Antônia engoliu o remédio e devolveu o copo a mãe. Salete a observou por um instante e, surpreendendo-a, alisou o seu cabelo. Um gesto maternal. Algo que ela nunca fizera antes. Passou a mão delicadamente nos olhos da filha, como um recado para ela ir dormir.

Antônia a obedeceu e pela primeira vez em sua vida se sentiu uma criança.

– Este foi o primeiro e último contato que eu tive com o Henrique em toda a minha vida.

Olavo Gusmão tinha certeza que Juca havia mandado aquele investigador em sua casa para puni-lo pela situação no cemitério.

– Qual foi o assunto do encontro de vocês?

Olavo encheu o peito de ar e segurou a bengala para que ela não caísse no chão.

– Parabenizá-lo pela aprovação no concurso público e dar boas-vindas em nome do povo de Timbaúba – respondeu o bom e velho Olavo tentando demonstrar calma e paciência.

O Coronel achava mesmo que tinha o poder divino de condenar as pessoas com base em seu falho código moral?, pensou Olavo.

– Então o senhor não queria conversar com ele sobre o incidente que havia acontecido, pouco antes, na Câmara Municipal? – o investigador encarou Olavo como um inquisidor.

Henrique se levantou e caminhou até o meio da tribuna a passos calmos e comedidos, provocando o silêncio dos edis.

– Perdão, rapaz – alertou Olavo. – A sessão é pública, estamos em uma democracia, mas, os ouvintes precisam ter um mínimo de bom senso e, porque não dizer, educação.

– Não vejo motivos para tratar desta transgressão com ele, acreditei que foi um episódio excepcional e que eu não tinha o direito de julgá-lo.

O investigador arqueou as sobrancelhas.

– O senhor não admite que possui uma longa rixa pessoal com o senhor Juca Pinheiro?

– Já tenho idade suficiente para distinguir o pessoal do profissional, senhor – Olavo apertou os olhos miúdos para se lembrar do nome do investigador. – Senhor Guedes.

– E quanto a discussão pública, registrada pelos jornais presentes, entre o senhor e o senhor Juca?

A paciência de Olavo Gusmão estava sendo testada e ele precisava ser aprovado na avaliação.

– Toda a população estava abalada diante da morte prematura de um concidadão e eu sou uma pessoa mais emocional do que pareço – respondeu.

– O senhor entende que o rapaz foi assassinado com requintes de crueldade e nós estamos em busca do responsável?

Se realmente estivessem, pensou Olavo Gusmão, estariam em outro endereço.

– Sim – respondeu. – Porém, não estou entendendo em qual momento eu me tornei um suspeito.

– Por ora, todos são suspeitos.

– Nem todos – resmungou Olavo.

– Perdão?

– O senhor tem outras perguntas? Eu tenho uma reunião com a Associação de Produtores Rurais de Malhada, meu estimado povoado em que nasci, em uma hora.

O inspetor Guedes levantou-se da confortável poltrona em que estava sentado.

– Não. Peço perdão pelo incômodo, porém, acredito que o senhor me entende e quer tanto quanto eu encontrar o assassino do jovem Henrique.

– Com toda a certeza.

Os dois se despediram friamente e o inspetor foi embora. Olavo Gusmão afundou no sofá, profundamente irritado, profundamente contrariado. Seu desejo de ver Juca pagando pelas vidas que tirou aumentava cada vez mais.

A Família Pinheiro se ergueu sobre segredos, mortes, mistérios e muito sangue inocente derramado para molhar a semente política que o Coronel Juca Pinheiro plantara e desejava avidamente ver florescer. Henrique e sua mãe, Ester, não foram os únicos a se perderem na luta para mostrar ao mundo as perversidades que tinham espaço em Timbaúba.

Ter opinião naquela cidade era um pecado capital. E, o pior de tudo, Timbaúba sempre reclamava seus filhos de volta, quer onde eles estivessem. Se nasceram ali, é ali que morrerão.

O mal corre debaixo da terra da cidadezinha.

Aliás, se o ser humano é o único dotado de consciência, a maldade não é exclusivamente humana?

E se a maldade decidiu de tornar humana, ela nasceu sob a forma de Juca Pinheiro. Sua implacabilidade em aplicar nos seus réus a pena de morte era temida por quem o conhecesse e capaz de silenciar todos os seus adversários. Até o mais poderoso.

Entretanto, nenhum silêncio é eterno e alguém sempre irá falar em nome de muitos outros.

Finalmente, o Coronel Juca Pinheiro experimentou o doce gosto da fúria de outra pessoa. A fúria lhe perfurou o peito e o pescoço, espalhou o seu sangue por todo o carpete do seu quarto retangular em sua casa colonial.

E seu sangue ainda estava fresco quando Jurema o encontrou no escuro, sentado em sua poltrona.

– Vô?

Ela achou que ele estivesse dormindo até acender a luz.

CONTINUA…

POSTADO POR

Luna Araújo

Luna Araújo

Luna Araújo é um pseudônimo para escrever histórias que misturam mistério e ação, cujo objetivo é - tendo como pano de fundo algum acontecimento marcante - fazer um estudo da condição humana e da existência ou não de limites para nossos atos. É a autora de A CANDIDATA, minissérie exibida aqui na Cyber TV.

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr
  • >
    Rolar para o topo