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A Cesareia – Episódio 5 (Verdade ou consequência?)

                  EPISÓDIO 5
           VERDADE OU CONSEQUÊNCIA?
CENA 1. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE.
Sra. Martine levanta a taça.
SRA. MARTINE: Um brinde ao futuro rei de Atenas.
Mirtes se aproxima e entrega uma taça para o rei. Ambos brindam e tomam. CLOSE no rei aproximando a taça à boca. Corta para: Sra. Martine, ansiosa. CLOSE em Petrus tomando. Corta para: Sra. Martine olha para a CAM.
SRA. MARTINE (Irônica): Vida longa ao rei.
CONTINUAÇÃO DIRETA DO EPISÓDIO ANTERIOR:
O rei engasga. Todos se apavoram.
AGATHA (Preocupada): Pai?
O rei joga a taça ao chão.
REI PETRUS II (Sussurrando/Angustiado): Fui envenenado! Traz o leite de cabra.
Agatha apavorada olha para Mirtes.
AGATHA: Vá buscar o leite, Mirtes. Vá.
Sra. Martine se levanta abruptamente.
SRA. MARTINE (Apavorada): Eu busco! Fiquem à serviço do rei.
Sra. Martine sai. Todos se reúnem ao redor do rei.
                                        CORTE DESCONTÍNUO:

CENA 2. INT. PALÁCIO. COZINHA. NOITE.
Sra. Martine olha para os lados, desconfiada, enquanto põe um pozinho no copo. CLOSE numa mão tocando os ombros dela. Sra. Martine grita assustada, derrubando o copo.
CENA 3. EXT. MAR EGEU. NOITE.
Escuridão. Aquiles nada, ofegante. CLOSE numa embarcação ao longe. Aquiles acena, desesperado. A embarcação se aproxima. Aquiles alegre, descansa. Ao se aproximar de Aquiles, um homem posiciona um arpão na direção dele.
ESDRAS: Se renda, miliciano.
Aquiles desesperado levanta as mãos.

CENA 4. INT. PALÁCIO. COZINHA. NOITE.
A Sra. Martine se vira e se depara com Urias, encarando-a.
URIAS: Não vim acusá-la, senhora. Mas preciso de vossa ajuda.
SRA. MARTINE: Acusar-me de que? Deverias está morto à essa altura, medíocre.
URIAS: Acusá-la de envenenamento ou achas que não sei que isso é veneno? Foi para o rei, não foi? O vi agonizando.
SRA. MARTINE: Exijo cautela! (TEMPO/Ouve-se passos) Vá para a alcova, mais tarde, conversaremos.
Urias se afasta, sorrateiro. Mirtes entra abruptamente e observa o chão, sujo.
MIRTES: O que houve, senhora? Ouvi vossos esperneios.
SRA. MARTINE: Nada! Apenas me distrai.
MIRTES (Sussurrando): Não sentes clemência dele?
SRA. MARTINE (Sarcástica): Acho justo! Muito justo! Justíssimo!
Sra. Martine sai. Mirtes a observa, abismada.
CENA 5. INT. EMBARCAÇÃO. CONVÉS. NOITE.
Aquiles sentado degusta. Esdras o observa, sorridente.
ESDRAS: Então és um enviado do rei?
AQUILES: Fui em missão à Atenas mas já estou de regresso.
ESDRAS: Se não tivesse visto vosso pergaminho, não deduziria.
AQUILES: Pelo modo como nadava?
ESDRAS: Por tudo. Pelas vestes, pelo jeito maltrapilho, com todo o respeito.
AQUILES: As missões são assim mesmo, seguimos como indigentes e se conseguirmos regressar, nos tornamos grandes nobres.
ESDRAS: Interessante! Quando fores descansar, deite-se em minha alcova, adiantarei nossa viagem para que quando acordares, estejas em Esparta.
AQUILES: Grato pela gentileza prestada, senhor.
ESDRAS: Não é nada, reverendo. Nada! Se pudesse faria mais pelo nobre.
Esdras se levanta e segue para a sala de comando. Aquiles reflexivo, sorri.
CENA 6. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE.
Sra. Martine entra, afoita. O rei agonizando deitado no colo de Agatha. Apolo abanando-o.
SRA. MARTINE (Fingindo desespero): Perdoe-me mas derrubei o leite, esse desespero me desconcerta. Peço-lhe que vá ao celeiro, Apolo, já é noite e está escuro por demasiado.
O rei levanta a mão. Todos o olham.
REI PETRUS II (Sussurrando): Não vá, Apolo. (TEMPO/Ele respira fundo) Preciso dizer-lhe algo.
Apolo se ajoelha ao seu lado. O rei toca a mão dele, acariciando.
REI PETRUS II (Sussurrando): Sei que fui duro convosco, duro ao ponto de desconfiar de vós à cada dialeto e morrerei, desconfiando. (TEMPO/Apolo segura o riso, desconcertado) Mas não posso ir sem dizê-lo o que fiz.
Apolo curioso, o olha fixamente.
REI PETRUS II: Vossos pais não morreram de tifo.
SRA. MARTINE (Preocupada): Não é hora de reviver emoções tão fortes, Petrus.
REI PETRUS II: Eles morreram queimados. E sim, eu permiti a invasão de vossas terras.
Apolo chora.
REI PETRUS II: Mas não fui eu quem executei tal ideologia. A idealização veio de (TEMPO/Ele tossi)
Todos se apavoram. Apolo pressiona sua mão.
APOLO (Chorando): E de quem foi? Fala!
Ele olha para Agatha, aflito.
REI PETRUS II (Sussurrando): Honre meu nome!
O rei desfalece. Agatha desesperada, o abraça forte. Sra. Martine se aproxima e consola Agatha. Apolo chora, desesperado. Agatha se afasta.
AGATHA (Revoltada): Alguém envenenou meu pai. Quem envenenou-o merece a morte.
Sra. Martine olha para Agatha.
SRA. MARTINE: Matarias vossa avó?
Todos se espantam.

ESPARTA

CENA 7. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE.
REI HERMES: O que o motivou à tomar uma decisão tão repentina?
Heros se senta ao lado de Anastácia.
HEROS: Tive uma conversa com o Ciro e ele convenceu-me de que estavas certo.
REI HERMES: Tinha noção de que tal idéia não poderia ter vindo de vós.
HEROS: Não seja inconviniente, meu pai. Uma refeição não precisa ter o amargo de vossa prosa.
O rei se abisma. Anastácia olha para Heros, confusa.
REI HERMES: Não há a possibilidade desse enlace acontecer, por enquanto. Pelo menos até a chegada de Eládio.
HEROS: És uma incógnita. Um dia exige-me um enlace e no outro desfaz as probabilidades.
REI HERMES: Peço-lhe apenas mais uns dias. Caso, Eládio não regresse, se casarás na mesma e outro sábio fará a pederastia em vós.
Ariadne olha para Heros e Anastácia.
RAINHA ARIADNE: E será bom para vós se conhecerem melhor, como planejara, Heros.
HEROS: Eu poderia me recusar mas aguardo. Uns dias, apenas. É o meu prazo.
Heros degusta. Anastácia decepcionada olha para Heros.
ANASTÁCIA (Sussurrando): Fui tapeada!
Heros pisca para ela.
CENA 8. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. NOITE.
Ciro entra abrupto. Damásia teando, se espanta.
DAMÁSIA: Não entres assim. Jurei que era um ladrão.
CIRO: Mamã, a tia Leônidas ainda habita em Atenas?
DAMÁSIA (Confusa): Sim! Não a vejo desde sua fuga mas acredito que sim. Qual o motivo da indagação?
CIRO: Desejo ir viver com ela.
DAMÁSIA: O que deu em vós? Ela é uma pervertida, uma meretriz, preferes morar com uma cortesã do que com vossa mamã?
CIRO: Prefiro migrar do que aturar o enlace matrimonial entre Heros e Anastácia.
DAMÁSIA: Por que? O que eles te fizeram?
CIRO: Nada! Mas é arranjado demais, não há sentimento, é terrível.
DAMÁSIA: Acho viável! Deverias procurar uma esposa de valor para si também. Não serás beato pelo resto de sua vida. Jamais permitirei.
CIRO: Vou descansar. O dia foi tosco.
DAMÁSIA: Não degustará ao meu lado?
CIRO: Perdi o apetite.
Ciro sai, revoltado.
DAMÁSIA: Estranho demais! Essa mocidade é esquisita.

ATENAS

CENA 9. INT. PALÁCIO. SALÃO. NOITE.
Agatha olha furiosa para Sra. Martine.
AGATHA: Não fizeste isso comigo, não foi vó?
SRA. MARTINE: Ele assassinou a sua mãe e eu o assassinei. É justo, minha filha. Fui justa!
AGATHA: Mas era meu pai. (TEMPO/Agatha geme) Sou órfã por vossa causa, vossa. Qual o conselho que me dá, conselheira de Atenas?
SRA. MARTINE: Envie-me para a forca e perca o único ente-querido que lhe resta.
Agatha chora desesperada.
AGATHA: Quero a morte. Prefiro morrer!
Agatha corre, enlouquecida. Apolo a alcança, abraçando-a.
APOLO (Sussurrando no ouvido dela): Vai ficartudo bem. Eu prometo! Vai ficar tudo bem.
Mirtes olha para Sra. Martine.
MIRTES (Chorando): O que faço eu com o corpo?
SRA. MARTINE: Mandem chamar procópio para o funeral. Ele saberá realizar a cerimônia.
Mirtes se afasta.
SRA. MARTINE: E que comece o matriarcado.
Agatha furiosa, sai, escorada em Apolo.
CENA 10. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE SRA. MARTINE. NOITE.
A Sra. Martine entra e encontra Urias adormecido no leito. Ela se aproxima e desfere-lhe uma bofetada. Ele acorda, desnorteado.
URIAS: O que houve?
SRA. MARTINE: Não admito que adormeçam em meu leito. Afinal, o que queres de mim?
URIAS: Desejo que vós arranjes uma fuga, preciso fugir de Atenas antes que seja pego.
SRA. MARTINE: E por que devo fazer isso?
URIAS: Esqueceste que te vi envenenando o leite do rei?
Sra. Martine gargalha. Urias a observa, confuso.
URIAS: No teu lugar, eu não riria.
SRA. MARTINE: És um fracote mesmo! Achaste que eu ficaria à mercê de vós? Na-na-ni-na-não. Já confessei para Agatha. Todos no salão já sabem do que fiz, portanto, vós é que estás em minhas mãos e farás tudo o que lhe disser.
URIAS (Decepcionado): Lástima! E o que desejas?
SRA. MARTINE: Desejo que vós me diga onde ficam os registros de Petrus.
URIAS: Para que deseja?
SRA. MARTINE: Não devo-lhe satisfações, querido. Lembre-se disso! Vais dizer-me?
URIAS: No tribunal, do lado esquerda do trono.
SRA. MARTINE: Espero que não esteja enganando-me, Urias. O preço da traição é a morte, sabes disso.
URIAS: Já estou morto, senhora. Os carcereiros forjaram minha morte e a senhora manterá tal sigilo. Não vais?
SRA. MARTINE: Corruptos! Caso, encontre o que desejo, livro-o. Minha palavra é honrada, mantenho até as últimas consequências. Durma bem!
Sra. Martine olha friamente para Urias. Ele ríspido, se deita no chão.

 

ESPARTA

CENA 11. INT. EMBARCAÇÃO. ALCOVA. MANHÃ.
Aquiles dormia. Esdras assobia e o acorda.
ESDRAS: Senhor? Chegamos!
Aquiles se levanta.
AQUILES: Mais uma vez, agradeço-lhe pelo acolhimento.
Aquiles aperta a mão de Esdras, saudando-o.
ESDRAS: Não esqueça de mim, mande saudações ao rei desse pobre pescador.
AQUILES: Darei. E o convocarei para uma degustação no palácio. Aguarde.
Esdras entusiasmado, sorri.

ATENAS

CENA 12. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MANHÃ.
O corpo de Petrus sob uma plataforma de madeira. Os súditos choram. Agatha entra, escorada em Apolo. Procópio se aproxima dela.
PROCÓPIO: Meus pesares pelo que houve. A tristeza é um sentimento realmente fatal.
AGATHA: A que se refere, general?
PROCÓPIO: Soube que vosso pai faleceu de tristeza. Ele realmente amava Minerva, independente de qualquer incidente.
AGATHA: Quem disse-lhe isso?
APOLO: Não o encha de interrogações, querida. Com licença, senhor.
Apolo leva Agatha até o corpo de Petrus. Procópio os segue. Agatha chora.
PROCÓPIO: Perdoe a indelicadeza mas vosso pai precisa ser levado.
AGATHA: Não pode ser! Ele faleceu à noite, o dia amanheceu à pouco.
PROCÓPIO: Até a tarde vai cheirar mal. O corpo dele apodreceu antes do previsto. Acontece em alguns casos.
Agatha respira fundo.
AGATHA: Eu tenho um pedido, Procópio.
PROCÓPIO: Claro, alteza. Peça-me e o farei.
AGATHA: Desejo que meu pai seja posto na mesma tumba que a minha mamã.
Todos olham-na revoltados.
PROCÓPIO (Sussurrando): É contra a ética, alteza.
AGATHA (Gritando): Eu exijo que seja assim. Sou a futura rainha de Atenas e quem desafiar-me considere-se morto.
Agatha se afasta. Apolo a acompanha. Todos ficam abismados.
CENA 13. INT. TEATRO. ARQUIBANCADA. MANHÃ
ARISTIDES: Já vais?
Melina acena positivamente.
ARISTIDES: Confesso que sentirei falta de vós. Pena que sequer tivemos a oportunidade de nos apresentar, nosso espetáculo teria mui êxito.
MELINA: Fostes magnífico para comigo. Se não tivesses me acolhido, nem sei o que seria de mim. Grata sou por tudo!
Aristides se emociona.
MELINA: Não chores, se não choro também.
ARISTIDES: E quem disse que eu choro, um cisco caiu em meus olhos. Tu te achas.
Melina ri e o abraça. Aristides acaricia o rosto dela.
ARISTIDES: Se cuida, querida. Se cuida!
Ouve-se cavalos trotando. Aristides e Melina se desesperam. Soldados entram abruptamente no teatro e se deparam.
SOLDADO: O que fazem agarrados, homens?
ARISTIDES: Meu companheiro segue para a cidade, estamos nos despedindo. Mas o que os trouxe aqui?
SOLDADO: Enviaram-me para anunciar a morte do rei.
Aristides abismado se escora na parede.
SOLDADO: Venha conosco!  Vosso nome está no pergaminho do sacramento, senhor Aristides.
Aristides e Melina seguem os soldados.
CENA 14. EXT. QUÉBER. MANHÃ.
Os tocadores tocam a harpa. Os soldados posicionam o corpo de Petrus coberto na tumba. Agatha chora. Apolo a consola. Os soldados rolam a pedra e fecham a tumba. Sra. Martine emocionada se aproxima com um ramalhete de flores. Agatha desfere um tapa na mão dela, derrubando as flores.
AGATHA (Furiosa): Não és digna disso.
Sra. Martine decepcionada se afasta.  A CAM foca em Aristides e Melina entrando. Dimitri e Leônidas os observa ao fundo. Dimitri olha para Melina. A CAM mostra a cicatriz no rosto de Melina.
FLASHBACK:
Melina com o rosto sangrando permanece sentada. Dimitri lava-a.
DIMITRI: Olha o que sua teimosia fez. Essa cicatriz nunca vai sair do seu rosto. Nunca!
VOLTA À CENA
Num rompante, Dimitri se aproxima abruptamente de Melina.
DIMITRI (Esperançoso): Melina?
Melina o olha, desesperada.

ESPARTA

CENA 15. EXT. RUA. MANHÃ.
Aquiles caminha, desorientado. Damásia caminha com um saco na mão. Aquiles a segue.
AQUILES: Senhora?
Damásia espantada, corre. Aquiles a persegue. Damásia se aproxima de um soldado. Aquiles estagna.
DAMÁSIA: Esse louco persistiu em falar comigo.
Aquiles se aproxima do soldado.
AQUILES: Perdoe-me senhora. Desejo apenas uma informação.
SOLDADO: Não seja impetuoso, homem. Diga-me o que deseja.
AQUILES: Aonde posso encontrar o rei Petrus?
O soldado o olha estranho. Aquiles envergonhado, sorri.
AQUILES: Perdoe-me! Desejo saber sobre o rei Hermes.
SOLDADO: Venha! Te levo comigo!
CENA 16. INT. PALÁCIO. SALÃO. MANHÃ.
REI HERMES: 
O Heros está amadurecendo. Já o vejo como um verdadeiro líder.
RAINHA ARIADNE: Graças à Ciro. É um jovem sábio.
REI HERMES: Sim! Reconheço a influência do jovem Ciro, seu pai se orgulharia.
Um soldado entra. O rei revoltado se levanta.
SOLDADO: Majestade, desculpe o incômodo mas há um homem desejando falar convosco.
REI HERMES (Revoltado): Prenda-o! Esses súditos não podem incomodar-me em plena manhã.
SOLDADO: Ele traz consigo um pergaminho em nome do rei.
O rei entusiasmado, sorri.
REI HERMES: Por que não disseste antes? Mande-o entrar.
O soldado sai.
RAINHA ARIADNE (Confusa): Quem será?
REI HERMES: Eládio, provavelmente. Agora, o enlace de Heros sai e a pederastia será hoje ainda.

ATENAS

CENA 17. EXT. QUÉBER. MANHÃ.
Melina o esnoba e segue. Leônidas segura Dimitri.
LEÔNIDAS: Estás louco? Não vês que é um homem? É desajeitado mas é um homem.
DIMITRI: A cicatriz. Aquela cicatriz perto do olho é familiar demais. Só pode ser ela.
Dimitri se solta e se aproxima de Melina, tocando-a. Aristides se vira e olha friamente.
ARISTIDES: O que deseja com meu amigo?
DIMITRI: Não seja patético! Sei bem que é minha filha, Melina.
Melina se vira, revoltada.
MELINA (Voz grossa): O que queres?
Dimitri arregala os olhos.
DIMITRI (Emocionado): Até sem cabelos, a reconheço e a reconheceria em qualquer condição. Eu criei-a, a vi desde pequenina e a reconhecerei eternamente.
Melina chora. Dimitri emocionado tenta abraçá-la, porém, Aristides se impõe à frente.
ARISTIDES: És um covarde. Egoísta! És o pior pai que já conheci, Dimitri, o pior de toda a espécie.
DIMITRI: Quem acha que és, espevitado? És um erro social! Um afeminado.
ARISTIDES: Posso ser afeminado, extravagante, exacerbado, enfim, posso ser conhecido por qualquer nome pejorativo que der-me mas jamais venderia a minha própria filha à uma cortesã como fizeste.
DIMITRI: Não venderia, pois, jamais será pai. Não entenderás o real sentido da vida.
ARISTIDES: E não quero entender. A ética e a moral basta para mim. Se afaste de Melina, ela não será levada por vós.
DIMITRI: E quem vai impedir-me? Ela é minha filha, propriedade minha.
ARISTIDES: O futuro rei de Atenas. Apolo a protegerá. (TEMPO/Ele revira os olhos) Que ódio em dizer isso mas Apolo vai libertá-la.
Agatha olha para trás, furiosa.
AGATHA: Respeitem o meu luto.
Aristides envergonhado puxa Melina pelo braço. Dimitri se aproxima dela, abruptamente.
DIMITRI (Sussurrando): Já sei vosso endereço, Melina. Te buscarei!
Dimitri e Leônidas se afastam. Melina treme, nervosa.

ESPARTA

CENA 18. INT. PALÁCIO. SALÃO. MANHÃ.
Aquiles entra. O rei confuso se levanta.
REI HERMES: Dondevens?
AQUILES: Eládio enviou-me.
REI HERMES: Então ele…
AQUILES: Infelizmente.
REI HERMES: Sente-se, rapaz. Desejo saber toda a história.
AQUILES: Não achas inviável um maltrapilho como eu, assentares ao vosso lado, majestade?
REI HERMES: O que Eládio disse-lhe? Ele não enviou-te para ser honrado?
AQUILES: Não o deixei concluir os preceitos. Ele estava mui debilitado, não queria deixá-lo falar tanto para que não agravasse vosso estado.
REI HERMES: Sensato!
O rei acena para Elfos. Ariadne observa Aquiles. Elfos se aproxima e o reverencia.
REI HERMES: Elfos, eis aí vosso senhor. Trates dele como se cuidasses de mim.
ELFOS: Vosso desejo é uma ordem, majestade.
Aquiles acompanha Elfos. Ariadne abismada olha para Hermes.
RAINHA ARIADNE: O que fizeste à pouco? Como sabes se esse é o enviado de Eládio?
REI HERMES: Eu e Eládio tínhamos um pacto, um elo, ele jamais entregaria aquele pergaminho à um qualquer.
RAINHA ARIADNE: E se o pobre furtou ou matou-o para assumi o pergaminho?
REI HERMES: Me achas um imbecil, Ariadne? Respeite-me como esposo e acima de tudo, como rei.
RAINHA ARIADNE: Perdoe-me, majestade. A questão é que me preocupo convosco.
REI HERMES: Trates de preocupar-se com Heros. Prepare-o para a pederastia.
RAINHA ARIADNE: Esse jovem fará a pederastia?
REI HERMES: Fará. A sabedoria de Eládio o consumiu, sinto isso em cada frase dita.
RAINHA ARIADNE: Mas…
REI HERMES: Vá, esposa. Vá, antes que trato-a com rispidez.
Ariadne sai, revoltada. Uma lágrima cai na mesa. Hermes enxuga-a com o braço.
REI HERMES (Pensando): Farás muita falta, meu amigo. Eterno Eládio.
CENA 19. INT. VIVENDA DE CIRO. SALA. MANHÃ.
Damásia entra, afoita. Ciro a observa.
CIRO: 
O que houve? Aparentas suor.
DAMÁSIA: Um louco, imigrante talvez, pedindo-me informação na rua. Na rua, Ciro. Senti-me desolada.
CIRO: E onde está o medíocre?
DAMÁSIA: Provavelmente no palácio. Ele tem um vínculo com o rei, foi o que deixou claro.
CIRO: Não será um golpista?
DAMÁSIA: Não sei. Ele tem um pergaminho.
CIRO: Vou ao palácio à tarde, descobri o desfecho do tal homem.
DAMÁSIA: Vê se não arranjes furdunço no palácio. Não quero que o rei o maltrate.
CIRO: Não se preocupe! Sou eficiente!
CENA 20. INT. PALÁCIO. ALCOVA DE HEROS. MANHÃ.
Ariadne entra. Heros adormecido, roncava. Ariadne assobia e o desperta.
RAINHA ARIADNE: Heros?
Heros atordoado, se assenta.
HEROS: O que há, mamã?
RAINHA ARIADNE: Vá para o lavabo.
HEROS: Qual o motivo?
RAINHA ARIADNE: A pederastia.
HEROS (Entusiasmado): O Eládio voltou?
RAINHA ARIADNE: Não! Morreu, provavelmente. Um enviado fará a pederastia em vós.
HEROS: O que?
A CAM em Heros, confuso.

ATENAS

CENA 21. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA.
Agatha entra, escorada em Apolo.
AGATHA: Sou grata pelo teu cuidado nesses dias turbulentos. Não achei que serias capaz!
APOLO: Nunca me subestime.
Agatha abre um sorriso singelo.
AGATHA: Preciso descansar. Com vossa licença.
APOLO: Sei que não é o momento adequado mas precisamos falar sobre o enlace matrimonial. Esse governo precisa de um líder, vosso pai contava com isso.
AGATHA: Tudo bem! (TEMPO/Ela pensa) Aproveitamos a presença de Procópio e realizamos a cerimônia. Pela manhã, anunciaremos ao povo vosso reinado.
APOLO: Incrível! Acho viável!
AGATHA: Se veres a vovó peça para que vá à minha alcova. A Mirtes me fará companhia.
Agatha sai. Mirtes a acompanha. Os soldados olham desconfiados para Apolo.
APOLO: O que querem? Sumam daqui, palhermas!
Os soldados saem. Apolo sozinho, gargalha. Urias se aproxima, sorrateiramente.
URIAS (Sussurrando): Rei?
Apolo assustado se vira, deparando-se com Urias.
APOLO (Gaguejando/Abismado): Urias?
URIAS: O próprio.
CLOSE em Apolo, temeroso.
CENA 22. INT. TABERNA. MEIO-DIA.
Aristides e Melina degustam.
ARISTIDES: Achas mesmo que Apolo o salvará?
MELINA: Ele é o meu primo! Jamais quererá o meu mal. Mas qual o motivo de tantas intrigas entre vós e ele?
ARISTIDES: Nada demais! Brigas territoriais.
MELINA: Eu jamais compreendi essa história. Assumiste as terras de meus tios e pronto.
ARISTIDES (Preocupado): Não se envolva nisso, Melina. Já há pessoas demais envolvidas.
MELINA: Se abra comigo, Aristides. Somos amigos!
ARISTIDES: Olha, Melina, eu te ajudei e tudo, mas não temos vínculo algum, somos apenas conhecidos que o destino uniu.
MELINA (Decepcionada): Voltastes à ser o mesmo esnobe de sempre.
ARISTIDES: Comas logo que levarei-a ao palácio. E não toquemos mais nesse assunto.
Melina degusta, chateada. Aristides a observa, preocupado.
CENA 23.INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA.
A Sra. Martine entra e tranca a porta. Ela caminha rapidamente em direção ao trono. Enquanto vasculha, a CAM vai se afastando e mostra a janela entreaberta.
CENA 24. INT. PALÁCIO. SALÃO. MEIO-DIA.
Apolo se afasta. Urias o acompanha.
URIAS: Não fujas de mim, Apolo. Não o quero mal.
APOLO: 
E o queres comigo? Não estavas preso, homem?
URIAS: Pois, fugi. Agora, peço-lhe que dê-me a alforria. Mereço isso após vossa traição.
APOLO: Infelizmente, nem como rei poderia fazer tal pergaminho. As leis não me permitiriam.
URIAS: Imaginei que vós não me ajudaria sem recompensa mas precisamente a trouxe.
APOLO: O que queres dizer com isso?
URIAS: A senhora Martine está nesse exato momento procurando provas no tribunal.
APOLO: E o que tem? Ela é a conselheira de Atenas, tem acesso livre.
URIAS: Pelo que me consta, ela está tentando apagá-las, queimá-las, enfim, há algo de estranho nisso. Por que ela deseja apagar pergaminhos, se não há culpa?
APOLO: Vou averiguar! Sei que não mentes mas é minha função. Farei o possível para entregar-lhe a alforria.
URIAS: Vá e veja. Estarei pelos arredores, aguardando por si, majestade.
Apolo sai, apressado. Urias se afasta, sorrateiramente.
CENA 25. EXT. TRIBUNAL. MEIO-DIA.
Apolo força a porta, tentando abri-la. Após algumas tentativas, ele caminha pelo beco ao lado e encontra a janela aberta. Apolo pula-a.
CENA 26. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MEIO-DIA.
A Sra. Martine ouve o ruído e se espanta. Apolo caminha e se depara com Sra. Martine com a vela acesa ateando fogo nos pergaminhos.
APOLO (Confuso): Senhora Martine?
Sra. Martine assustada, arregala os olhos.

CONTINUA…







 


A CESAREIA - ABERTURA

POSTADO POR

Samuel Brito

Samuel Brito

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