Anjos de Metal 2: Capitulo 9 – Uma grande surpresa

O festival da colheita havia começado sem grandes imprevistos, houveram alguns atrasos que já eram esperados pela comissão real mas, tudo dentro do programado há algumas semanas atrás.

Para a princesa Aredhel, no entanto, aquela seria a noite do inicio de seu sofrimento, onde a moça de 16 anos daria adeus a uma vida de trivialidades adolescentes sem sentido. A garota doce e delicada estava sendo obrigada a assumir um compromisso que ela não queria, compromisso selado por seu pai no dia de seu nascimento. O de se casar com o filho do asqueroso Lorde Leon, unicamente para proteger o reino de algo em que poucos acreditavam, a grande profecia, passada geração após geração. Sendo assim, essa seria uma noite de celebração, não havia tempo para se preocupar com as trivialidades do dia a dia

— Isso tem que ser feito. — Disse o rei em uma conversa a alguns meses atrás. — Você deve colocar o dever a cima de seus sentimentos.

Aquelas palavras não saiam de sua cabeça, “Você deve colocar o dever a cima de seus sentimentos.” Será que ela deveria abdicar realmente de seus sonhos pelo bem de seu povo, ou deixar tudo aquilo para viver do jeito que ela sempre quis.

Viver em uma casa simples em algum dos vilarejos da regiao, sem tantos empregados, quem sabe com um mascote ao seu lado. Poder andar livremente sem toda a ponpa que a coroa exigia, correr descalça por ai, ou ate nadar sem roupas no lago. Ou quem sabe ainda, encontrar alguem, se apaixonar casar e ter filhos, — sem o peso da obrigação em seus ombros e com o homem que ela mesmo escolhesse para tanto.

Casar-se por interesse com um homem que ela nunca viu na vida era a coisa mais estranha que ela presenciara em seus 16 anos. Desde o dia de seu nascimento as familias trocavam visitas mas, essas visitas não incluiam nem Aredhel nem M’icelus, filho de lorde Leon.

Era uma decisão difícil a ser tomada, a garota já havia pensado diversas vezes em fugir do palacio e viver como uma relis camponesa, desde que não tivesse que se casar com ninguem que não amasse, esse fardo corroia seu coração, e a culpa lhe consumia todos os dias. Ela queria abandonar o trono, mas tinha medo de faze-lo por algum motivo.

Queria apenas dar o fora daquele lugar deixando tudo e todos para trás, queria ser apenas Arhedel, uma garota simples e de bom coração, sem o peso de ter quê sacrificar sua vida pelo bem da coroa.

— É pelo bem de Ézius. — Ela disse a si mesma baixinho pela enésima vez.

— O que disse querida? — Perguntou a dama de companhia.

— Não é nada. — Ela disse tentando parecer animada.

— Eu sei o que você esta pensando minha querida. — Respondeu a mulher com um olhar doce. — As necessidades de do reino estão a cima das suas. Não torne as coisas mais difíceis do que elas são.

A garota apenas sorriu.

Era um sorriso forçado para esconder a amargura que ela carregava em seu coração. Se sua mae estivesse viva, jamais aceitaria o que estava prestes a acontecer. De alguma forma convenseria o pai que aquilo era alguma idiotosse sem sentido.

— Você não precisa ficar assim. — Ana pediu acariciando sua mão com afeto. — Um dia você ira amar o jovem M’icelus, e ira respeita-lo como o rei de Ézius.

Ana sempre estivera ao seu lado, desde que ela se entendia por gente. Aquela mulher a criou como mãe desde seu nascimento, cuidou de cada machucado, cada resfriado, esteve ao seu lado em todos os momentos de sua vida, aconselhado-a como uma mãe deve fazer com uma filha.

A garota queria abraça-la e simplesmente chorar em seus braços acolhedores, mas a vida como princesa negava a ela esse privilegio.

Casais dançavam alegres ao som de uma orquestra de violinos, os senhores da alta sociedade estavam presentes espalhados pelo salão bebendo e rindo em rodas de conversas animadas sobre as futilidades do reino.

— Ah dinda! — Disse ela carinhosamente com lagrima nos olhos. — Pelo menos uma vez na vida eu queria poder escolher o que fazer.

— Você escolheu se casar com o senhor M’icelus. — Ela disse segurando sua mão com força.

— Eu queria fazer minhas próprias escolhas. Escolhas boas para mim e não as escolhas boas para Ezius.

— Não tenha medo criança. — Ela disse levantando seu rosto. — Isso é mais comum do que você imagina. Sua mãe, sua avó e ate mesmo sua bisavó se casou dessa maneira. Você vai aprender a amá-lo com o tempo.

— Porque?

— Não sonhe com cavaleiros em armaduras reluzentes minha querida. Eles não existem.

— Eu não sonho com um belo cavaleiro de armadura reluzente. — Ela disse olhando por todo aquele salão arrumado. — Sonho com o dia em que serei dona do meu próprio destino. Quando eu poderei ser feliz de verdade?

 — Algum dia. — Disse ela por fim.

Essa era uma pergunta da qual Ana não sabia a resposta.

O banquete estava sendo servido aos convidados em comemoração ao noivado da princesa de Ezius, que acabara por aceitar forçadamente o pedido do Lorde Leon para unir as duas famílias, com aquela união seria possível aumentar os exércitos das duas casas para assegurar aos reinos mais segurança e assim dar um fim aquela temida profecia.

Mesas dispostas num grande salão arejado por grandes janelas abertas para o anoitecer, decoradas com cortinas brancas e detalhes dourados.

A frente do grande salão diante de todos três cadeiras imponentes em ouro maciço estavam vazias a espera de seus ocupantes, uma para o rei, outra para a rainha e a terceira para um convidado especial que ainda não havia chegado por algum motivo. Serviçais andavam de um lado para outro servindo bebidas e petiscos aos convidados, uma musica suave animava o ambiente.

Ela sorriu ao ver o pai adentrar o salão acompanhado por seus inúmeros assessores, e em um solavanco ela viu entrar as pressas um soldado tremendo de medo.

 

***

 

— Meu senhor, estamos sob ataque! — Interrompeu o guarda entrando as pressas na sala do trono.

— O que está acontecendo? — O homem perguntou surpreso.

Encarando a figura do rei diante dele e ainda em choque o guarda real não conseguia pronunciar coisa com coisa, com a voz ainda tremula e a respiração ofegante ele prosseguiu.

— Criaturas… — Ele disse tomando folego — criaturas estranhas estão tentando invadir o castelo.

— Que tipo de criaturas soldado. — Perguntou o rei preocupado.

— Parecem ser meio homem meio animal senhor. Nossos homens estão fazendo o possível para detê-los. — Disse o soldado ofegante agarrado a mão do rei. Eles são muitos meu senhor.

O rompante foi total, o caus tomou conta do que era para ser uma festa de noivado. Todos os homens, mulheres e crianças na sala se desesperaram ao receber a notícia. Aos gritos, levantaram-se às pressas em busca de um abrigo seguro.

— O que faremos meu rei? — Indagou alguém no meio da multidão.

— Calma meus amigos! — Ele gritou levantando-se de seu trono. — Peço a todos que mantenham a calma. Ao que tudo indica, a grande profecia está para se cumprir.

A reação de espanto em todos na sala era claramente visível, o medo tomava conta do lugar. As crianças choravam desesperadas, mulheres abraçavam seus maridos em busca de consolo para aquele momento difícil.

— Guardas, acompanhem nossos convidados em segurança para os túneis de fuga. — Ordenou o rei calmamente. – Depois nos encontrem do lado de fora.

Em questão de segundos um grupo de 12 guardas armados fecharam aquele grande salão pondo duas pesadas travas nas portas pondo-se a organizar o grupo para leva-los a um local seguro.

— Aos homens nesse recinto, — Ele continuou imponente, aqueles que quiserem peço que se voluntariem na investida contra as criaturas. Reúnam os todas as armas possíveis, e se preparem para a batalha.

Um estrondo do lado de fora fez com que toda a estrutura do lugar tremesse.

— RAPIDO. — Ordenou ele enérgico. — Nós não temos muito tempo.

A porta de entrada do castelo, antes receptiva aos visitantes agora estava fechada com pesadas travas de metal na esperança de proteger aquele lugar do perigo que os aguardava.

— Era como eu temia… — Disse Alexander ao se deparar com as criaturas escalando as paredes do castelo. — O dia para o qual nós viemos nos preparando finalmente chegou.

— Papai, o que faremos. — Disse a princesa ainda agarrada a ele.

— Nós temos que lutar minha filha. — Ele respondeu com os olhos fixos no lado de fora. — Tudo o que fizemos foi para este momento.

Criaturas aladas pareciam se materializar do nada em meio ao céu noturno. Monstros pegajosos meio peixes meio homens, cobertos por um lodo pegajoso tentavam subir as paredes usando apenas as mãos.

— Eu estou com medo. — Ela disse com lagrimas nos olhos.

— ARQUEIROS! — Alexander gritou com toda força de seus pulmões.

Imediatamente uma horda de flechas voou na direção das criaturas.

Essa seria uma intensa batalha.

De um lado esquadrões especializados em diversos tipos de armas: lanças, espadas, arco e flecha, canhoneiros e sacerdotes dotados de poderes místicos.

Do outro seres grotescos, a espera de uma chance para reaver Ézius a qualquer custo.

— Quero que você saia daqui… — Disse ele encarando-a nos olhos. — Vá para a cidade do início no centro de Ézius e procure por Anakin, ele saberá o que fazer.

— Mas…

— Não discuta. — Disse ele com a voz firme. — Eu preciso da ajuda dele.

Ouviu-se um BUM abafado e em seguida a terra tremeu, fazendo todo o castelo sacudir, alguns homens não conseguiram se manter de pé e apesar dos esforços para manter as criaturas longe, não foi possível.

Aquela batalha estava por todo o castelo. Apesar da pouca ou quase nenhuma experiência os homens da corte resistiam bravamente.

Aredhel pode ver M’icelus se defendendo do ataque de uma mulher pássaro, — tinha um corpo feminino porem seus braços e pernas eram cobertos por penas, os olhos amarelos o encaravam com ódio, como se ele não merecesse viver.

— AREDHEL CORRA! — M’icelus gritou.

Antes que ela se desse conta uma das mulheres pássaro em um voo rasante a pegou pela cintura. Ela pode sentir as unhas afiadas do monstro rasgar seu vestido e furar sua pele.

A garota se debatia, esmurrava com toda a força as patas que tinham o formato dos pés de um falcão em proporções gigantescas daquele ser enquanto sentia o vento frio de um bater de asas frenético. Ela estava sendo suspensa por uma galinha gigante.

E o pior de tudo. Estava indo de encontro a morte.

 

***

 

Do alto Aredhel pode ter uma maior noção do que estava acontecendo, ela viu vários grupos em formação lutando contra aquelas estranhas criaturas vindas sabe-se lá de onde.

 Os seres meio homens meio peixes continuavam a subir pela parede cuspindo uma espécie de gosma pegajosa verde fazendo os poucos homens ainda de pé ficarem presos a ela. Viu também as mulheres águias capturar homens — assim como fizeram com ela — separarem as cabeças dos corpos com as garras dos pés, isso quando não os levavam no voo rasante para depois soltá-lo em queda livre fazendo-os se esborrachar no chão. Quando não encontravam a morte, ficavam simplesmente paralisados e assim, impossibilitados de lutar.

Aquele também seria seu destino se ela não fizesse alguma coisa rápido. Sentindo os ombros queimar, ela mal podia acreditar no que via se não estivesse tão perto da morte à garota teria aproveitado um pouco mais aquele voo inesperado.

Lá estava diante de seus olhos uma bela noite, com uma lua esplendorosa num céu coberto por estrelas brilhantes. Uma baforada de ar fria vinda de várias direções diferentes dificultava o pensamento, a criatura subia e descia, ia da direita para a esquerda e depois voltava a subir novamente em busca certamente das correntes de ar para mantê-la no ar.

“— Elas estão apenas planando, seguindo um fluxo continuo de vento” — Ela pensou.

De repente uma ideia lhe rompeu o pensamento. Essa ideia talvez não tivesse o efeito esperado, mas era melhor tentar algo do que simplesmente esperar pela morte.

Como um último recurso para se livrar das garras daquela mulher pássaro e voltar ao chão, a garota segurou o que pareciam ser os calcanhares do bicho e apertou com toda a força que ela podia depositar em um ataque torcendo a única unha traseira.

— AAAAARCK! — Ouviu-se de repente.

Um grito rouco e meio abafado e meio rouco tomou conta de seus ouvidos. Por mais incrível que pudesse parecer aquele ser grotesco estava sentindo dor.

Tomada pela esperança de liberdade Aredhel tornou a apertar a unha do bicho, dessa vez com um pouco mais de força e sem perceber acabou soltando as garras da garota. Ela despencou alguns poucos metros em queda livre até se esborrachar no chão rolando alguns metros até bater em alguma coisa.

Meio zonza a garota tentou levantar e correr, porem suas pernas não obedeciam, devido ao impacto com o chão seus pés formigavam e ela sentia uma dor insuportável nos tornozelos.

Atordoada pela dor ela simplesmente apagou.

padrao


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