Anjos de Metal: Capitulo 25 – Duvida e incerteza

Ele estava acorrentado a uma cadeira, Um garoto sorria, mostrando a ela um tabuleiro de xadrez preparado para o jogo.

Onde eu estou?”

Seja bem vinda meu anjo. Disse o garoto sentado a sua frente. Preparei este jogo especialmente para você.

O que você quer comigo? Perguntou ele tentando se livrar das correntes. “ Como eu vim parar aqui?”

Não adianta tentar se soltar, ele disse pondo-se de pé, isso é prata pura, minha linda vampirinha.

Então foi você quem me mandou aquela mensagem? “ O que eu estou dizendo?”

Você não esta aqui para ter respostas e sim para responder as minhas perguntas. Ele disse pegando uma seringa com sangue que estava por trás do tabuleiro. O jogo apenas começou.

Sem cerimônia, o garoto injetou uma pequena quantidade do conteúdo da seringa no braço dele. Lucca sentiu suas veias queimarem, seus olhos apresentavam manchas negras que dificultavam ainda mais sua visão, ela estava começando a perder a consciência.

O que é isso? Perguntou ele com a voz embargada.

Isso minha querida, é um veneno para os seres de sua espécie. Respondeu ele retirando a corrente de um dos braços.

Sangue de um homem morto. Disse ele quase sem forças, vendo ele espirrar um pequeno jato para testar a agulha.

Como ele poderia sabia daquilo? Seu copo já não obedecia mais as suas vontades.

O que você quer com ele? — Perguntou o garoto próximo ao seu ouvido.

Ele quem? Ele perguntou.

Não tente me enganar meu amor. Eu venho vigiando vocês em segredo. Ele disse beijando os lábios dele. O que há entre você e o Lucca?

Eu não sei do que você ta falando. Quem é você? “ O que você quer comigo?”

Você não faz ideia de quem sou eu? Ele perguntou acariciando sua mão.

Sinceramente, não. Ele respondeu.

Lucca não conseguia distinguir a figura que estava a sua frente, seu rosto era apenas um borrão distorcido.

Ela esta mentindo. Disse uma voz em sua cabeça. Pergunte sobre o guardião.

O garoto se afastou um pouco, deu alguns passos para traz, olhando para as peças do xadrez ele estudava uma estratégia para fazê-la falar.

Sou eu minha querida, o Ângelo. Disse ele finalmente.

Ângelo… Eu não sei estou reconhecendo você. Ela respondeu. “ A pior pessoa que eu já vi na minha vida, para não dizer a mais burra também.”

As primeiras peças foram jogadas, logo, logo meu vírus estará em todos os lugares da rede e ninguém poderá me impedir de destruir o mundo. Nem mesmo você Lucca Souza.

O garoto viu-se cara a cara com Az, sua única vontade era de saltar em seu pescoço e drenar dele todo o sangue.

Em um piscar de olhos toda aquela cena havia mudado, toda a cena se repetia mais uma vez, agora ele era um mero espectador dos fatos. Ele via Alice sentada tentando se livrar das correntes. Ele viu Az injetar nela o sangue de homem morto mais uma vez.

Ela estava sofrendo.

Lucca foi tomado por um ódio imensurável, ele queria tira-la de lá, mas era como se ele fosse apenas um espírito, um ser sem corpo físico, sem capacidade alguma para defendê-la dele.

Eu preciso fazer alguma coisa para ajuda-la. Pensou ele.

Você não pode. — Az respondeu olhando fixo nos olhos dele. Você é um mero reflexo.

Vamos Lucca, faça alguma coisa! Disse ele a si mesmo.

O que um garoto magrelo como você é capaz de fazer contra mim? Az desafiou. Vejamos do que você é capaz filho de Orfeu.

Lucca fechou os olhos por um instante.

Ele nunca havia desejado na vida matar alguém, ao ver aquela cena se repetindo inúmeras vezes ele cedeu ao desejo. Ele queria matar, tomado pela fúria ele sentiu uma força descomunal invadindo seu corpo, ele queria arrancar o coração de Az com as próprias mãos.

Seus olhos brilhavam de excitação, Lucca se entregou ao momento. Em questão de segundos ele estava diante do carcereiro de Alice pronto para estrangular seu pescoço.

Não me provoque. Ele disse mostrando os dentes pontudos.

Sem pensar duas vezes Lucca cravou os dentes no pescoço de Az que atordoado apenas ficou imóvel esperando pela morte.

Ele acordou atordoado, aquilo tinha sido apenas um sonho. Seu coração estava tão acelerado que parecia que iria saltar pela boca, seu estomago ainda parecia revirado.

O bater de asas de um morcego ecoava pelo quarto, como se quisesse acorda-lo. Lucca abriu a janela para respirar o ar noturno.

Um homem observava a noite sentado num banco em frente a casa. Lucca o observou por um tempo, ate se dar conta de uma coisa.

Ele ainda podia sentir o gosto do sangue em sua boca.

 

***

 

Lucca acordou atordoado, sem fôlego e ensopado com de suor. O gosto de sangue fresco ainda em sua boca fez com que ele duvidasse se aquilo era realmente um sonho.

Em seu sonho ela estava presa a uma mesa enquanto um garoto mascarado conectava a uma maquina os vários eletrodos colados ao corpo da garota. Ver a Alice ser torturada fez crescer em Lucca a vontade de mata-lo, seus olhos castanhos contemplavam a fragilidade da garota que antes fora torturada por Az.

Ela era mantida em um estado de coma induzido, duas pequenas bolsas estavam penduradas, uma de cada lado da mesa ligadas a um frasco no topo de sua cabeça onde o sangue coagulado de um homem morto se misturava ao soro fisiológico e assim seguia para a corrente sanguínea da garota.

A sensação de impotência tomou conta dele por completo, suas pupilas se dilataram e o corpo magro tremia devido à queimação que ele sentia em suas veias, era como se aquela mistura diabólica percorresse cada centímetro do seu corpo.

O garoto colocou os óculos que estavam na escrivaninha do lado da cama. Ele estava sentado na frente do computador com uma coberta em volta do corpo. Lucca havia simplesmente dormido na frente do computador mais uma vez, porem alguém havia tomado o cuidado de colocar uma coberta em volta dele. O relógio marcava exatamente 03:00h da madrugada, ele havia dormido pouco porem se sentia bem disposto, pronto para qualquer coisa que viesse. Despreocupado ele observou a rua, onde havia um homem de boa aparência parado na frente da sua casa olhando para a rua deserta.

Lucca desceu as escadas que davam acesso a parte inferior da casa, os amigos ainda dormiam amontoados na sala onde haviam afastado os moveis para dar espaço para os colchonetes, num canto mais a direita a mesa de centro estava cheia de jogos de cartas, tabelas, livros, caixas de pizza e latas de refrigerante.

Ele cruzou a sala tentando não fazer barulho, o que foi impossível, pois no caminho o garoto pisou no controle universal, que fez a TV ligar num canal de radio local quebrando o silencio do ambiente.

Uma voz sedutora melancólica e triste porem um tanto forçada fazia declarações amorosas para suas possíveis ouvintes com uma trilha sonora romântica ao fundo. O rompante sonoro fez Tonny se mexer nas cobertas, dando a impressão de que ele havia acordado, o que fez Lucca abaixar o volume rapidamente ate restituir o silencio mais uma vez ao local. Para a sua sorte aquele foi apenas um movimento involuntário por parte dele, o garoto continuava a dormir como um bebe.

Lucca jogou o controle em cima do sofá e simplesmente saiu pela porta da frente, tomando o cuidado de tranca-la ao sair.

Ele ansiava por respostas e apenas uma pessoa entre eles era capaz de responder todas elas.

 

***

 

Ele continuava lá parado, olhando para a rua deserta.

Lucca se aproximou cauteloso, com a varinha em punho temendo que por alguma razão o homem tentasse algo contra ele.

Guarde essa porcaria garoto. Disse ele sem alterar a voz. — Você não precisa disso.

Ah… Certo. Lucca limitou-se a responder, guardando a varinha retrátil no bolso da calça.

Eu sei que você tem muitas perguntas para me fazer.

Tenho sim… Ele disse de repente. Como você sabe?

Digamos que eu tinha as mesmas perguntas que você vai fazer agora.

O garoto não parecia surpreso com aquela resposta, era de se esperar que aquele homem de 1,70 de altura já estivesse acostumado a responder as mesmas perguntas sempre.

Lucca fitou o horizonte por um momento pensando na melhor forma de fazer a primeira pergunta que vinha a sua mente, sem parecer rude ou indelicado com o visitante.

O home não parecia ter mais que 30 anos, seus olhos castanhos irradiavam uma paz tremenda, apesar de tudo o que aconteceu com ele o garoto tinha certeza de que ele era um homem de bem, seu rosto apesar de jovem transparecia preocupação e ao mesmo tempo sabedoria, estava tão calmo que parecia ponderar sobre um assunto procurando por uma solução adequada.

Quantos anos você tem? Ele perguntou por fim.

Com tantas coisas estranhas acontecendo nessa cidade, você me faz uma pergunta como essa. Samuel estava sorrindo.

De alguma maneira o homem via em Lucca uma personificação de si mesmo muitos anos antes, um garoto simples do interior com um dom extremamente fora do comum e incompreendido por todos.

Muito bem então. Disse ele estendendo a mão para o garoto. Vamos começar as apresentações oficiais então.

Ok. — Disse ele estendendo a mão.

Eu sou Samuel Walmon e tenho mais idade do que você consegue contar. Disse ele com um sorriso ainda mais largo no rosto.

O que era aquela coisa na reserva há três dias?

três dias?… Seus olhos transpareciam um misto de preocupação e medo. Você esta me dizendo que eu fiquei desacordado por três dias?

Cara, você simplesmente capotou depois que a Alice te mordeu. Nos te trouxemos pra cá a três noites.

Então ele já deve ter encontrado outro hospedeiro, o que significa que não temos muito tempo.

Tempo para que? Lucca perguntou assustado.

Aquela coisa que tentou me matar era um antigo guardião que se distanciou do caminho correto e quer a todo custo destruir a humanidade.

Como assim?

Vocês precisam detê-lo a todo custo ou a magia antiga desaparecerá para sempre.

padrao


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