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ANJOS DE METAL – Grimório 3 Capitulo 2: O pacifico povo de Airo

Jonas conhecia cada canto daquele lugar, ele parecia ter vivido ali desde muito novo, ou talvez desde o nascimento. O garoto mostrou a ele cada planta e animal existente naquele bioma magnífico. A floresta, os rios, lagos, folhas, flores e frutos convivendo em perfeito equilíbrio, isso pelo menos até onde era possível. Jonas acabou lhe explicando, que assim como Drew ele viera de outra dimensão, e que ele também lutara em prol de um reino distante, mas por uma razão desconhecida ele tinha vindo parar naquele lugar por engano. Ali conheceram o povo frágil de Zéfiro e desde então ele os vem ajudando a população local e treinar para combater as harpias e os saqueadores que vem a mando do rei Artur.

— Arthur é um tirano que vêm explorando esta terra há muito tempo, obrigou as pessoas desta região a se esconderem nas montanhas, e para piorar as harpias têm atacado cada vez mais nos últimos meses. — Explicou ele por fim.

— Isso é impossível. — Disse Drew após ouvir toda a história. — Arthur é um grande homem que vem protegendo essa terra a todo custo. A cidade do início tem prosperado graças a ele, fui mandado aqui para encontrar a magia antiga para assim conseguirmos derrotar as feras reis de uma vez por todas. Precisamos de toda a ajuda possível para derrota-lãs.

Airo é pacifica, e continuará assim. — Disse ele com uma voz triste — Esse homem nunca moveu um dedo que seja para ajudar, ao contrário uma vez a cada ciclo lunar ele manda um velho asqueroso cheio de capangas tirar de nos tudo o que produzimos para levar para a cidade do início em nome do rei.

— Nada disso faz sentido Jonas, — interrompeu o garoto — Pelo pouco que vi deles Arthur e a filha são pessoas valorosas e cuidam como ninguém de seu povo, protegendo-os dos ataques como se fosse uma família.

— Você verá com seus próprios olhos tudo o que lhe disse e me dará razão.

— Tenho certeza que através do diálogo poderemos resolver as desavenças entre os povos, e assim como tudo o que me mostrou aqui, conviver em harmonia.

— Veja, — Jonas disse mostrando a montanha mais alta. — Estamos chegando a Zéfiro.

Ao vislumbrar o horizonte uma montanha rodeada por nuvens brancas apareceu em seu campo de visão, abaixo dela uma densa floresta servia como viveiro para uma infinidade de aves de todos os tipos, tamanhos, formas, cores e plumas, elas voavam em todas as direções e piavam todas ao mesmo tempo, como em uma grande festa.

— Isso é lindo! — Admirou-se Drew em voz alta.
— Um oásis no meio da floresta permite que eles vivam protegidos de qualquer coisa.

Os dois adentraram a mata fechada, arvores de todos os tipos e tamanhos abrigavam os mais variados categorias de aves que usavam as copas das árvores, troncos, galhos e folhas para construir seus ninhos em uma completa simbiose com o meio, usando e protegendo as árvores das pragas que as maltratavam e em troca recebiam a proteção necessária contra os predadores naturais.

— Se os homens prestassem mais atenção na natureza saberiam como viver em harmonia com ela, e receberiam dela todo o necessário para sobreviver. — Continuou Jonas.

— Sim, isso seria incrível, homem e natureza vivendo juntos, assim a energia elementar estaria salva.

— Salva não meu caro, viva! — Disse Jonas parando diante de uma grande montanha. — Bem-vindo ao reino de airo.

 

***

 

Jonas o levou ao pé de uma grande montanha, segundo ele a maior que já havia visto, comparado apenas ao Everest. Por quase meio-dia Drew e Jonas escalaram a rocha com as próprias mãos, à medida que avançavam o ar ficava cada vez mais rarefeito, dificultando a respiração e a movimentação, a cada movimento era como se o peso do mundo estivesse puxando-os para baixo.

Ao fim daquela subida Drew pode contemplar a imensidão de todo o reino, os cinco continentes podiam ser vistos dali por inteiro, banhado pela luz do sol a cima das nuvens.

— A subida vale a pena, não é? — Perguntou Jonas ao ver a cara de felicidade de Drew ao se deparar com a vista.

— Cada detalhe. — Respondeu ele maravilhado.

— Venha, você tem um mundo para conhecer.

Jonas seguiu por um caminho de terra batida que levava a uma caverna rudimentar, seguido de perto por Drew, que observava a tudo sem dizer uma única palavra. Ao fim daquele pequeno trajeto o garoto descobrira que a montanha continuava rumo ao céu.

— Como isso pode ser possível? — Questionou Drew ao vislumbrar a montanha.

— Da mesma forma que você controla o ar, — retrucou Jonas, — magia. Vamos entre.

Ele seguiu por um caminho iluminado por tochas acesas até se deparar com uma segunda abertura que dava acesso a uma câmara gigantesca cheia de buracos no que parecia ser as paredes da caverna.

— Podem sair pessoal. — Ordenou Jonas, levando ambas as mãos a boca para poder ampliar o som de sua voz.

De cada um dos buracos das paredes de pedra saíram um número incontável de pessoas, pulando de um lado para outro, em cordas e uma espécie de Airo planador rudimentar feito de folhas de árvores.

Pessoas estavam vivendo ali dentro, como aquilo podia ser possível?

— A resposta para essa pergunta se chama, sustentabilidade. — Respondeu Jonas lendo seus pensamentos.

As pessoas ali dentro saltavam de um lado para outro sem se preocupar com nada, elas pareciam bailar no ar com passos graciosos e leves, em pouco tempo o grande salão estava cheio de homens mulheres, crianças e idosos, curiosos para saber quem era o novo visitante.

— Este é Drew e ele vem a mando do Rei Arthur em uma missão! — Disse Jonas a plenos pulmões.

Todos ali presentes trocaram olhares preocupados, a expressão no rosto de todos mudou numa mistura de raiva e medo, Drew tinha certeza de que nada de bom poderia sair dali, pelo menos não naquele momento. Uma voz no meio da multidão respondeu em tom ofensivo.

— Nova Tecuns não é bem-vinda aqui!

 

 

***

 

— Acalmem-se meus amigos — Jonas iniciou temendo o pior, — O garoto vem em paz, eu lhes asseguro.

— Ninguém que venha a mando do rei tem boas intenções, — continuou um homem de meia-idade vindo na direção deles. — O outro já nos tirou tudo, não temos dinheiro, o que produzimos mal dá para nos manter vivos.

— Vim em paz! — Ele aumentou o tom de sua voz. — Ezius passa por um grande perigo, eu e meus amigos estamos aqui para ajudar.

— Mentira! — Vociferou o homem. — Nós corremos perigo se deixarmos que ele fique.

As mulheres abraçavam as crianças para que essas não se aproximassem dele, Drew entendera aquele gesto, afinal todos ali estavam com medo dele — um desconhecido. O garoto tentou sorrir para elas de modo acolhedor, mas a tentativa acabou não surtindo efeito.

— Entendo que todos aqui estejam preocupados com tudo que está acontecendo, muitos aqui não entendam o que está acontecendo. — Iniciou ele — Eu também não entendo, mas tenho uma missão a cumprir. Prometi a um amigo que o ajudaria a trazer seu pai de volta vivo, e para isso eu preciso encontrar a fonte da magia deste território e leva-lá em segurança até a cidade do início. Só assim poderemos pôr um fim a tudo isso. Me ajudem a acabar com isso.

— O que me diz Jonas? — O homem perguntou.

— Confio nele, se quisesse já nos teria feito mal, — Respondeu Jonas se colocando entre ele e o homem.

— Palavras bonitas podem trazer desgraça garoto. Muitas civilizações caíram por causa de palavras, ideais jogados ao vento — Disse o homem ao lado dele. — Se Jonas acredita, acredito em você. O que precisar de nos você terá.

— Obrigado! — Ele sorriu, pela primeira vez desde que chegara aquele lugar.

— Venha, vou leva-ló ao templo do ar, lá você Lina dirá a você o que precisa saber para ter o que deseja, meu nome é Hilo, bem-vindo a Zéfiro. — Disse ele pondo a mão em volta de seu pescoço.

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POSTADO POR

Apollo Souza

Apollo Souza

Hélio Soares de Souza, desenhista e escritor, sob o pseudônimo de Apollo Souza, nasceu em 09 de dezembro de 1986 na cidade de Natal— RN. Formou— se em pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú no ano de 2012 na cidade de Santo Antônio do Salto da Onça, onde mora desde os 09 anos de idade. Leitor assíduo prefere temas que envolvam mitologia, magia e desenhos animados, sempre gostou de criar suas próprias histórias e desenhar os personagens que fizeram parte de sua infância. Decidiu escrever seu primeiro romance/ ficção após ler A arma Escarlate de Renata Ventura e se apaixonar por muitos de seus personagens cativantes e incertos.

Estreia dia 19 de Outubro

Estreia dia 20 de Outubro

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