ANJOS DE METAL – Grimório 3: Capitulo 20 Vida real

5 min


Diante deles o grande cristal brilhava, uma porta aberta entre mundos que os levaria de volta para casa. Por um momento ele se viu preso em um desenho animado, como um personagem de D&D em sua tentativa desenfreada de voltar para casa.

Será que o Vingador apareceria para impedi-los de voltar no ultimo segundo, Albert seria capaz de usar seus poderes de mago e salvar a situação?

Talvez sim, talvez nao?

Presto nunca se mostrara talentoso no desenho, assim como ele nunca se dera bem na vida real. O que o mago nunca notara na verdade é que suas habilidade eram perfeitas, sua arma funcionava perfeitamente bem., nao havia se quer um defeito com ele, ou com o chapeu magico dado pelo mestre dos magos. O chapeu lhe dava o que ele precisava naquela situação e nao o que ele queria.

Ter o que se precisa e nao o que se quer, essa era a lição que Presto teria de aprender para entender a natureza de seus poderes, e pelo visto Lucca tambem teria de aprender a mesma lição ou seria derrotado novamente.

Subestimar o inimigo foi um erro que ele jamais repetiria novamente. O multiverso dependia dele.

— Voce nao esta sozinho! — Alice pareceu ler sua mente, apertando sua mao para mostrar que estava ao seu lado.

— Estao todos prontos? — Lucca perguntou esperançoso pela primeira vez desde que aquilo tudo começara.

— Cuidem-se — Aredhel olhou para eles com carinho.

— Siga o plano. — Lucca lançou-lhe um olhar de preocupação.

— E quando foi que eu nao fiz isso. — Ela rebeteu rapida.

Um sorriso formou-se em ambas as faces.

— Nos vamos consegui. — Icaro estava ao seu lado. — Tomem cuidado.

O anjo agora voltara sua atenção para a irmã a seu lado.

— Eu estarei esperendo.

— Vou aparecer. — Rebateu.

— Pronta?

Olhando com carinho para ele, Alice se deixou consumir pela energia do portal a sua frente, desaparecendo em seguida. Um a um, os anjos adentraram o portal partindo rumo a uma nova jornada.

Antes de ir o ultimo anjo se permitiu abraçar os novos amigos. Seguro de que Vingador nao apareceria para impedi-los de voltar ele sorriu.

— Obrigado. — Ele sussurrou entrando no portal de volta para casa.

 

***

 

Abrindo os olhos com certa dificuldade Alice nao reconheceu o lugar de imediato. As lembranças invadiram sua mente num turbilhao de emoçoes as lagrimas teimavam em rolar descontroladas.

Quase sem forças a vampira tentou se livrar das amarras que a mantinha presa a mesa e conectada a um estranho aparelho monitorando sua atividade cerebral, ao seu lado estava o corpo de Angelo Azuos, o monstro que a aprisionara em um sonho. Caminhando vagarozamente ate ele constatou o inevitavel Angelo jazia ao seu lado conectado a aparelhos assim como ela estivera.

“Nao foi um sonho!” a mente teimava, ao relembrar de tudo.

O sangue de homem morto injetado em suas veias ainda se fazia presente em seu organismo, um veneno paralizante capaz de causar dores intensas por todo o corpo, nauzeada Alice se segurou para nao cair. Ela vasculhou o local buscando qualquer coisa que a ajudasse a se apoiar, cambaleante foi ate a porta.

Ao toca-la sua mao ardeu como se estivesse pegando fogo. sua primera reação foi retirar a mao o mais rapido possivel e sacudi-la rapidamente para aliviar a queimação que sentia.

“Verbena!” O desgraçado pensara em tudo.

Seu pensamento voltou a velha terra, onde ela fora um mero fantoche nas maos deles. Usada cmo um brinquedo, caçada como um monstro. Ela estava cançada.

Tudo parecia estar bem agora, nada mais que uma mera lembrança triste do que ocorrera em um lugar distante. Az havia morrido pelas maos dele, maldizer seu nome nao parecia uma coisa a se fazer.

Az havia pago o preço por seus atos.

Alice permaneceu ali por um bom tempo, precisava digerir tudo aquilo, como se ja nao bastesse toda uma vida de reclusao, medo e raiva. tudo estava acontecendo tao rapido.

Ela precisava sair daquele lugar o mais rapido possivel. Vasculhando o lugar com mais calma a procura de ferramentas Alice remecheu no corpo de Az. Remecger em um corpo a fez estremesser de medo pela primeira vez A ideia lhe pareceu maluca mas plausivel, visto que ele era o unico que poderia tira-la dali.

Como esperado a chave estava em um de seus bolsos. Pela primeira vez ela o viu com ternura.

— Nos poderiamos ter sido amigos se voce tivesse sido menos babaca. — Ela sorriu por um segundo. — Descance em paz.

Dando uma ultima olhada em tudo a garota saiu apressada em busca da liberdade.

A casa estava completamente vazia.

Alice subiu a escada que dava acesso a cozinha da casa, procurando por qualquer indicio de vida naquele lugar. – nao havia ninguem. – Nao que o senhor e a senhora Azuos ja nao tivessem feito isso antes, Az ja vivia sozinho ha muito tempo mas nao deixaxa de ser estranho.

Como uma mae pode ser capaz de abandonar um filho a propria sorte? Que tipo de monstros ela esconde em seu passado?

Mesmo entendendo sobre monstros, sendo um monstro na verdade, Alice nao era capaz de compreender. Desistindo de entender seus proprios monstros ela saiu pela porta. deixando para traz tudo de ruim que acontecera em sua vida. Ela tinha novos motivos para ser feliz, mesmo que por um curto espaço de tempo, Lucca era sua prioridade agora.

 

***

 

Os bips metalicos o acordaram de um sono profundo, imagens de um sonho distante bruxuleavam em sua mente lhe causando uma dor de cabeça insuportavel. Lucca fora o primeiro a acordar, retirando o capacete neural e desconectando os fios que o ligavam ao pequeno robo ainda em funcionamento.

– Bom trabalho velho amigo. – Disse fazendo carinho no aço frio da maquina ainda ligada.

Sem tempo a perder, enquanto esperava os anjos acordarem por conta propria o nerd começou a vasculhar os dados captados por Rob enquanto estavam presos em Ezius.

Era dever dele agora protege-los e cuidar para que eles voltassem em segurança. Ligando o pequeno celular a rede sem fio de Rob Lucca realizou uma rapida pesquisa na rede para avaliar o tamanho estrago feito por Az e seu mentor do mal.

Apenas trinta por cento da cidade tinha energia eletrica, aquelas que tinham um gerador trabalhando a todo vapor, e apenas em dois lugares a conecção com a internet ainda existia, ele nao precisou pensar muito para saber onde era o outro local.

Radio, TV, telefone, todo e qualquer meio de comunicação que dependesse de energia eletrica estava inoperante. Por sorte o pequeno mascote manteve tudo funcionando perfeitamente enquanto os cinco estavam em tranze.

Enquanto Rob trabalhava em novas probabilidades o garoto deu um pulo no banheiro tomou banho e preparou algo rapido para aplacar a fome dele e dos amigos. Por sorte encontrou as velhas gulozeimas e jogos antigos ainda esperando por eles. Preparou alguns sanduiches, um suco, frutas e salgadinhos levou tudo para a sala para esperar por eles.

— Oi! — Ele saudou ao ve-los retirar os capacetetes ao mesmo tempo. — Voces estao bem.

— O que foi que eu tomei? — Perguntou Adam ainda cambaleando.

— A dor é devido a carga intensa de trabalho neural. — Ele respondeu indicando a refeição para que eles comessem. — Vai passar logo.

— Aconteceu mesmo nao foi? — Jimmy abocanhava um sanduiche inteiro de uma vez.

— Sim e vai ficar pior! — Lucca mantinha o olhar vidrado no computador.

— Pior como? — Tony tinha medo nos olhos.

— A cidade esta cheia de zumbis.

— Fala serio, ainda dizem que eu sou o piadista! — Retrucou Adam indo em direção a cozinha. — Voce precisa melhorar as suas piadas Lucca, urgente!

O semblante de Lucca nao havia mudado, ele permanecia serio em frente a tela do computador, os garotos trocaram olhares apreensivos mais uma vez.

— Péara, o momento para o qual eu me preparei minha vida toda finalmente esta acontecendo? — Adam tinha um brilho diferente no olhar.

— Para de falar besteira seu tonto. — Drew rebateu com um sorriso.

— Receio que sim!

— Voce ainda da trela Lucca! — Tonny se mantivera calado ate entao.

— Nao é brincadeira. — Ele rebateu cirando o notebook para que os amigos pudessem constatar por eles mesmos o que acontecera.

— O apocalipse Zumbi começou!


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Apollo Souza

Hélio Soares de Souza, desenhista e escritor, sob o pseudônimo de Apollo Souza, nasceu em 09 de dezembro de 1986 na cidade de Natal— RN. Formou— se em pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú no ano de 2012 na cidade de Santo Antônio do Salto da Onça, onde mora desde os 09 anos de idade. Leitor assíduo prefere temas que envolvam mitologia, magia e desenhos animados, sempre gostou de criar suas próprias histórias e desenhar os personagens que fizeram parte de sua infância. Decidiu escrever seu primeiro romance/ ficção após ler A arma Escarlate de Renata Ventura e se apaixonar por muitos de seus personagens cativantes e incertos.
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