ANJOS DE METAL – Grimório 3: Capitulo 6 O herdeiro dos mares

A viagem dele pode ter sido considerada a mais rápida de todas, visto que Tonny foi o primeiro a deixar o barco, mas não a mais fácil delas. Se ele soubesse para onde estava indo com certeza teria trazido roupas mais quentes. 

– Bem-vindo ao continente gelado. – Arthur o avisou, assim que eles atracaram no continente. – Este é o lar do perverso Kraken. Tenha cuidado.

Eles tiveram pouco tempo para revisar o plano e se despedir, antes de se separarem e seguir cada um deles o caminho traçado por Lucca no mapa.

Até onde ele sabia aquela poderia ser a última vez que os cinco se reuniriam.

– Isso vai dar certo não vai. – Ele perguntou aos amigos temeroso pelo que podia lhes acontecer.

– Relaxa, é so um jogo. – Brincou Adam enquanto lhe dava um tapinha nas costas.

– RPG lembra! – Rebateu Jimmy.

Tonny forçou um sorriso, mas alguma coisa dentro dele o advertira que algo ruim aconteceria. Ele olhou o mapa mais uma vez antes de se despedir para ter certeza de que estava seguindo o caminho certo. 

“Na dúvida, siga o leito do rio. ” – Ele disse a si mesmo.

– Você sabe o que fazer, então aproveita a aventura. – Rebateu Lucca sério.

O garoto caminhou por alguns minutos antes de voltar-se para traz e ver seus amigos partirem rumo aos outros continentes 

A verdade é que isso não o ajudou muito, ver seus amigos partirem sem ele foi como ter levado um soco no estomago, “e se algo acontecesse com eles? ”

A resposta ele não sabia, a única coisa que ele podia fazer era confiar nos instintos de Lucca e seguir o plano a risca: encontrar o tridente de Posseidon, restaurar a energia de Atlântida e seguir para a arvore do conhecimento.

Aquela simples tarefa estava se tornando a mais difícil. Mesmo seguindo o leito do rio a paisagem era sempre a mesma, gelo, frio e muita neve, mesmo as poucas arvores que ele encontrou pelo caminho estavam cobertas de neve. 

Sem muita escolha ele continuou andando, mesmo que isso significasse morrer congelado. De tempos em tempos Tonny acabou construindo pequenos iglus para se manter aquecido e descansar os músculos recuperando suas emergias com as provisões que trouxera em sua bolsa de folhas improvisada.

O frio extremo acabara drenando sua energia cada vez mais rápido, e o fator “pouca roupa” contribuía muito para o seu esgotamento físico e mental, naquele momento ele se dera conta que na TV os programas de sobrevivência são bem mais fáceis do que na vida real. ”

 

***

 

Depois de horas a fio seguindo o leito do rio, Tonny finalmente encontrou o que parecia ser um pequeno vilarejo abandonada há muito tempo. O lugar havia sido tragado pela neve, as construções antigas indicavam que aqueles que residiam ali, já tinham ido embora a muito tempo, ou estavam mortos. 

As casas eram simples, construções rudimentares feitas a partir de troncos e folhas de arvores e pedras que certamente serviam para conservar o calor das residências.

Tonny vasculhou todo o vilarejo com cuidado em busca de pistas de onde o tridente de Posseidon poderia estar, as lendas não eram muito especificas sobre o local onde as armas ou as feras estavam localizadas.

Andando mais um pouco o garoto deu da cara com um templo antigo, cuja entrada era guardada por duas estatuas de pedra com lanças longas cruzados, impedindo a passagem de pessoas indesejadas.

– TEM ALGUEM AI! – Ele chamou enquanto observava de perto os dois hominídeos.

Aqueles eram tritões, criatura meio homem e meio peixe, que em nada se pareciam com os contos de fadas contados para ele quando mais jovem .

A alta estatura e o corpo definido e coberto de escamas, davam a eles um ar imponente, as expressões duras porem delicadas indicavam que aquele era um povo guerreiro, porem pacifista, assim como a própria agua.

Guelras longas saiam dos braços e pernas o que – ele supôs – serviriam para lhes dar agilidade enquanto estivessem em baixo da agua.

O garoto adentrou o local, seguindo pelo corredor observando cada detalhe daquela construção magnifica. A construção se abria em um grande salão circular, ali dentro uma fonte de agua límpida jorrava abundantemente em todas as direções formando um lago cristalino. Ao lado dele, estatuas de homens ajoelhados em oração, e no centro um homem peixe lutava sozinho contra uma lula gigante com um tridente de ouro.  

Inscrições em uma língua estranha estavam marcadas no cabo, uma língua que ele entendia perfeitamente bem. Os símbolos se mexiam e mudavam de forma para formar palavras tão nítidas para ele quanto o seu idioma nativo.

– O tridente de Posseidon!

Tonny continuou olhando em volta, ali dentro as paredes eram transparentes, feitas de cristais de gelo. Os estados da matéria se misturavam de maneira natural ali dentro. Do meio da fonte se erguia um pilar que se estendia até o teto abobadado do lugar, no topo o cristal azul irradiava a luz que tornava visível todas as coisas ali dentro.

O garoto sentiu um misto de frio e calor vindo de todas as partes, era como se todo o lugar estivesse reagindo a sua presença. Seu corpo permanecera a alerta, algo dentro dele ainda lhe dizia que ele estava correndo perigo.

– SÓ O HERDEIRO DO REI DOS MARES TEM O DIREITO DE RECLAMAR O PODER DO TRIDENTE PARA SI.

Um arrepio frio lhe percorreu a espinha, diante dele a agua da fonte começou a jorrar com mais força se espalhando por todo o piso, dele as possas de agua revolviam no chão, parecendo se solidificar em seres humanoides iguais aos que ele vira na entrada armados com tridentes dourados, prontos para ataca-lo caso ele não obedecesse a ordem.

– Va embora, ou sofra as consequências. – O sereano diante dele lhe apontava o tridente de modo ameaçador. 

Ele tinha o corpo coberto de escamas, trajava uma malha dourada no peitoral, nos braços e pernas guelras se contraiam e relaxavam indicando que ele estava preparado para qualquer movimento.

– Mais um passo e você encontrará a morte. – Disseram os cinco guerreiros ao mesmo tempo. 

– Se é para ser assim, que assim seja.

Com um movimento de suas mãos Tonny trouxe para si um pouco da agua da fonte, fazendo com que os sereanos a sua frente se desviassem de forma ágil.

Seus movimentos eram ágeis e graciosos, os cinco se posicionaram ao redor dele, apontando suas armas para o garoto.

– Va embora.  – Disse um deles. – Este será o nosso último aviso.

Moldando um tridente de gelo a partir da fonte Tonny se pôs em posição de ataque esperando que eles dessem o primeiro passo.

 

***

 

Tonny estava cercado, para onde quer que ele olhasse os cinco pares de olhos amarelos o seguiam apontando para ele os tridentes de ouro.  Em um movimento circular o garoto agitou sua arma de encontro as armas de seus inimigos, fazendo com que eles se afastassem um pouco dando-lhe espaço para sair daquela emboscada.

A medida que o garoto se movia para frente ou para traz era atingido por um dos tridentes, a agilidade dos sereanos era tamanha que ele quase não conseguia se defender das investidas. A troca de olhares constantes e as mudanças de posição e ritmo de luta, indicavam que eles o estudavam e se moldavam as reações do garoto agindo em sincronia.

O perfeito trabalho de equipe fazia Tonny perder espaço naquela brincadeira de ataque e defesa, à medida que avançavam contra ele aquelas criaturas atavam cada vez mais rápido, sem dar tempo para que ele pensasse em uma estratégia.

O cansaço tomava conta de seus músculos, ele usava seus poderes para moldar a agua a sua vontade, congelando e liquefazendo a agua para aprisionar, atacar e defender das criaturas a sua volta. A cada ataque bem-sucedido as criaturas se regeneravam e atacavam com cada vez mais força, nesse processo destruíam a estrutura do templo a sua volta.

Paredes eram destruídas, fontes milenares quebradas, blocos de gelo caindo e se despedaçando, diminuindo o espaço para a movimentação.

Se ele não pensasse em algo rápido  esse seria seu fim.

– Reclamar o poder do tridente para si… – ele repetiu para si mesmo. – É isso!

Só o tridente de Posseidon o tiraria daquela enrascada, mas onde ele poderia estar?

Ele olhou em volta a procura do que parecia ser sua ultima esperança de sair daquela situação vivo. Só o tridente de Posseidon seria capaz de tira-lo daquela enrascada. Se seu palpite estivesse errado aquele seria seu fim. Tonny se concentrou no monumento central no templo, estendeu sua mão e ordenou com todas as suas forças que a arma do senhor dos mares viesse em seu auxilio.

A cima deles o teto estremeceu, o cristal direcionou toda a luz do lugar para a estátua da batalha entre o sereano e o Kraken, revelando a ele o local da arma sagrada.

Em poucos segundos, o tridente de pedra brilhou, vindo parar em suas mãos. No instante seguinte as cinco criaturas se ajoelharam perante Tonny baixando a cabeça em sinal de respeito.

Diante deles estava o herdeiro dos mares.

Um tremor inesperado faz todos ali presentes voltarem sua atenção para a fonte no centro do tempo, o cristal no topo do pilar central perdera seu brilho, agora gigantescos tentáculos tentavam sair de dentro da fonte. Antes que qualquer um ali se desse conta um par de tentáculos gigantes se aproximou rapidamente deles. Dois dos sereanos haviam sido capturados e agora gritavam em agonia, sendo esmagados pelas ventosas da criatura.

Tonny e os outros quase não tiveram tempo hábil de reação, saltando para longe dos tentáculos, ouvindo o bum que veio em seguida, fazendo tudo ao redor tremer. A cena não era das mais belas de se ver, depois de destroçados os corpos dos dois guerreiros, a criatura os arrastou para dentro da fonte agora destruída, um rastro de sangue se seguiu.

Tonny avançou contra ele espetando o tridente de ouro contra um dos tentáculos.

– O que é essa coisa? – Perguntou ele em uma língua estranha, enquanto golpeava a criatura sem sucesso.

– Este é o Kraken, meu senhor. – Respondeu o sereano a seu lado. – Era ele quem estava sob o controle de nossas ações. 

– Nós temos de fazer alguma coisa antes que ele recobre suas forças. – Disse o outro. – Ele é forte demais.

Antes que pudessem pensar em uma estratégia, os tentáculos da criatura apareceram novamente, desta vez indo em direção ao pilar central.

Tonny arremessou contra ela o tridente dourado, impedindo-a de alcançar seu objetivo. 

– O monstro quer o cristal. – Disse ele aos outros. – Temos de protege-lo

Os dois sereanos moveram-se rapidamente para junto dos tentáculos da criatura, cravando suas armas nele e segurando seus tentáculos para que Tonny chegasse primeiro ao cristal.

O garoto faz com que o gelo derreta rapidamente e se solidifique em lugares específicos, deixando os tentáculos da criatura imóveis. Num salto ele se projeta para o alto  fazendo com que uma onda gigante se forme impulsionando-o para cima.

Suas mãos hábeis seguraram o tridente com força enquanto a onda se solidificava, ele fez surgir ponteiras de gelo por toda parte impedindo que a fera movimentasse seus tentáculos.

– Eu não deixarei que você o leve! – Disse o garoto num salto para a morte.

Seu objetivo naquele momento não era mais proteger o cristal, ele queria agora aniquilar de uma vez por todas a criatura para que tudo voltasse ao normal. Tonny guiou uma onda de energia azulada por toda a extensão do tridente fazendo com que ele brilhasse. Num salto o garoto levou a arma a frente do corpo sendo abocanhado pelo monstro.

O monstro se contorceu por alguns instantes enquanto a onda de energia dominava seu corpo até ser reduzido a pedacinhos em uma explosão de pura energia. O garoto saiu em meio ao caus segurando o cristal elemental. Depositando-o no meio da fonte ele se afastou vendo um feixe de luz azul romper o céu.

Sua missão estava concluída.

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