Anti-Herói – Episódio 04

CONTINUAÇÃO DO EPISÓDIO ANTERIOR

NILO
(V.O)
Enquanto eu me sentia morto por dentro, Vince tinha morrido de verdade.

FADE IN

CENA 15 INT. – BAR 94 / VALQUÍRIA – DIA

Homens bebendo, jogando sinuca; riem de qualquer coisa. Algumas mulheres fumando à mesa também jogam conversa fora.

Corta para uma SALETA

Na tela do PC, o Google Maps está aberto exibindo as proximidades da Carioca News. Butuca aponta para uma construção inacabada.

BUTUCA
Aqui ó. Dá pra fazer uma boa mira. Tem como errar não. Ninguém nem vai sacar que tamo dentro dessa casa.

Branco deposita um pó branco no copo de cerveja.

BRANCO
Mó doideira isso. Né mais fácil meter uma bala nas fuças daquele Vinnie?

BANDIDO #1
Já tentamos isso da outra vez. Tá com o tio Alzheimer, pow? Perdemos quatro na operação, cumpadi.

BUTUCA
É, por causa disso, neguinho ligou o Russo ao esquema.

BRANCO
Joga uma bomba naquele restaurante dele, ué.

BUTUCA
Falou o cara. Se mirar no loiro lá, capaz de acertar o guarda-costas dele, que ninguém liga.

RISOS, inclusive do Branco. Moni, por alí, bebendo uma skol beats.

MONI
Não quero desperdiçar munição, amigos. A minha ideia é brilhante. Se não posso pegar um tubarão, pego o peixe pequeno.

BUTUCA
Já é!

No sorriso malicioso de Moni /

Na fachada da Redação NOVO DIA

THALES
(V.O)
Foi isso mesmo que ouvi…

CENA 16 INT. – REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Corta diretamente em Thales, de pé, mãos na cintura, aquela pose de nervosinho e metido a sabichão.

THALES
Ele disse que tem uma bomba…alguma coisa a ver com a morte de João Víthor (se atrapalha)…que ele fez uma escolha, algo assim.

Amora, sentada diante dele, cotovelos sobre a mesa, mãos apoiando o queixo.

AMORA
Escolha, é? Interessante…
Bom, a polícia arquivou o caso desse ator, mas…(pensativa) será que houve uma reviravolta? (ansiosa) Será que descobriram que o Nilo o matou mesmo?

THALES
Bem provável. Quer que eu chame o Murilo aqui?

AMORA
Sim, sim. Como ele planeja uma pauta sem falar comigo antes? Chame-o agora!

Thales faz que sim.

CENA 17 INT. – REDAÇÃO CARIOCA NEWS / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Movimentação típica. Roger conversa com um colega e, em segundo plano, surge Nilo, adentrando o local, meio cabisbaixo.

NILO
Fala aí, gente! Oi, Roger.

O colega sai dalí, Roger dá uma olhada rápida para Nilo, mas nada diz. Vai para a sua mesa e senta.

NILO
Algum problema, Roger?

Roger disfarça, se atrapalha na hora de arrumar a mesa; deixa cair algumas canetas.

ROGER
Não…Por quê? Você tem algum que queira compartilhar comigo?

NILO
Ahn…Eu? Não…

ROGER
Então, ótimo.

Roger não o encara. Lila aparece alí e abraça Nilo, desconcertado com a recepção de Roger.

LILA
(para Nilo)
To precisando de você. Quero saber o nome da vítima do laboratório, e eu tenho certeza de que o delegado Moreira não hesitaria em dá-lo a você primeiro.

ROGER
Coisa de privilegiado, né não?

Nilo e Roger se fitam. Lila observa ambos, enquanto Nilo se mostra cercado pela desconfiança.

NILO
Ok. Deixa comigo.

Nilo SAI. Roger dá um sorriso amarelo para Lila.

CENA 18 INT. – REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Em Amora, com uma caneta em mãos e o olhar maquiavélico.

AMORA
Suponho que a informação seja segura, né? Veio da própria polícia?

MURILO
A informação é segura, sim, Amora. Será um choque pra todos.

THALES
Tem a ver com aquela morte lá…?

MURILO
Sim /

Amora bate na mesa, eufórica.

AMORA
Eu sabia! Nilo matou o ator, né?

Murilo saca a confusão, tenta desfazer o mau entendido, mas /

AMORA
(cont.)
Quero nomes de todos os envolvidos neste jornal, hen. (pensativa) Os amiguinhos deles vão todos pagar por esse crime, e a Carioca News é bem capaz de fechar as portas (ri, animada), agora sim eu acabo com eles.

MURILO
Mas o que os amigos teriam a ver com isso?

AMORA
Não seja ingênuo, Murilo. Obviamente que ele teve ajuda. Você não espera que ele seja o justiceiro fantasma, né? Quem estava com ele, e não impediu, é tão bandido quanto ele.

Murilo emudece, olha para Thales, que sorri, ávido pelo que está por vir.

CENA 19 EXT. – REDAÇÃO CARIOCA NEWS – DIA

No vai e vem das pessoas e dos carros. CAM percorre rapidamente pela via e encontra um carro preto, estacionado junto a tantos outros.

Corta para o seu interior

O motorista, com uma tatuagem de teia de aranha no rosto, e ao lado de Branco, olha para o banco de trás. Moni passa batom vermelho, ajeita os cabelos e averígua o decote. Butuca ri.

BUTUCA
Nunca vi ninguém se produzir pra levar pipoco nas fuças.

Os outros riem. Moni também ri, mas de surpresa, agarra o queixo de Butuca, séria.

MONI
É bom tu lembrar que a bala é de raspão, seu Zé ruela! Se eu me machucar feio, puxo o teu porrete e transformo em vara de pescar! (solta seu queixo).

BUTUCA
Que isso…Tu acha que sou homi de vacilar a mira, mulé?

BRANCO
Bora com isso, gente? O cara já deve tá chegando.

CORTE DESCONTÍNUO

CAM dá um flagra em Butuca, no alto da janela de um prédio inacabado, posicionando uma pistola de um lado e com um celular na outra mão.

…Nilo vem numa rua próxima, falando ao celular. Ele para diante de uma banca de jornal.

…Butuca diz algo no celular. Corta diretamente para o carro preto. Dele, sai Moni Vasco, toda produzida; ajeita o decote e joga os cabelos nos ombros. Branco, no banco de carona, faz sinal de positivo.

…em contrapartida, Roger vem pela calçada da Carioca News com o seu lanche e um copo de guaraná.

…Moni atravessa a rua, toda pomposa. Apanha o celular do decote.

MONI
E aí? Qual a visão? Nilo tá vindo? (T) Ok.

Neste instante, Roger avista Butuca na janela, mirando em Moni. Roger corre em sua direção, larga o lanche e pula na bandida.

ROGER
Cuidado!

Roger agarra Moni e ambos batem de contra um furgão, saindo da mira de Butuca. Olho no olho. Em Roger, admirado.

ROGER
Você tá bem?

MONI
(atordoada)
O que você fez?

ROGER
Tentaram te matar. Cê…cê tá bem mesmo?

MONI
Aham…Preciso ir.

Moni sai batida, deixando Roger com cara de bobo apaixonado.

ROGER
Ei! Qual o teu nome! Que mulherão…

CENA 20 INT. – BAR 94 / VALQUÍRIA – DIA

Bar cheio. Os caras bebendo cerveja, assistem ao noticiário. Moni, Butuca e Branco atravessam o local, chateados.

CENA 21 INT. – BAR 94 / CASA DE MONI / SALA – DIA

Uma cerveja é colocada sobre o balcão de um minibar. Branco apanha os copos e vai servindo a todos.

Local amplo, equipado com home theater, TV grande na parede, móveis seminovos. Cenário típico de quem tem grana.

Moni bebe a cerveja num gole só, irada.

MONI
Mas que merda, hen! Tinha que ter um otário no caminho? Tinha?

BUTUCA
Cumé que o maluco me viu escondido ali, caralho?

BRANCO
(ri) Cê devia ter usado óculos. O mané deve ter visto esse seu olho branco na escuridão.

Butuca mete um safanão em sua nuca.

BUTUCA
Ó o respeito, caralho!

MONI
Com a vontade que eu tenho de meter um pipoco na cara de alguém, esse malandro deu foi sorte.

BRANCO
Coitado, gente. Ele largou até o lanche do Bob’s pra salvar a donzela da Moni.

RISOS.

MONI
Filho de uma puta, isso sim. (larga o copo) Cara, era só eu dar uma seduzida no herói Nilo, contar uma historinha pra boi dormir e levar um teco de raspão pra dramatizar o meu enredo. (joga-se no sofá) O cara ficaria na minha mão. Era só isso.

BUTUCA
To vendo que vai ser dureza trazer esse carinha pro teu lado, hen, Moni.

BRANCO
Traz à força. (todos o encaram) É, gente, qualé? Rapta e abre o jogo logo.

Butuca analisa a possibilidade, enquanto Moni, deitada no sofá, pensa um pouco.

BUTUCA
E aí, Moni? Qual vai ser?

MONI
Branco tá certo (Butuca nem crê). Porque inventar uma história, se posso contar a verdade?

BRANCO
Sério?

MONI
Acho que esse Nilo precisa saber de umas coisinhas…

Butuca e Branco entreolham-se, curiosos. Fecha em Moni, misteriosa.

CENA 22 INT. – NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Paulinha acaba de sentar, passada com o que Murilo acaba de lhe dizer.

PAULINHA
Você tava lá? E você vai detonar o cara que salvou sua vida?

MURILO
Fala baixo, garota! (olha ao redor) Nilo é um assassino e ponto. Essa é a bomba que a Novo Dia tá esperando há anos.

PAULINHA
Murilo, quem vai comprar a história de que ele matou um inocente, quando poderia ter matado o assassino da própria esposa?

MURILO
Isso tem anos, Paulinha, anos! E quem garante que ele não matou aquele assassino? Alguém viu o que aconteceu naquela igreja? Não viu. Tu viu? Não viu também. Mas agora com essa bomba, o povo vai começar a questionar.

Paulinha abaixa a cabeça, pensa um pouco.

PAULINHA
(incrédula)
Você acha mesmo que ele matou porque quis? Não foi em legítima defesa?

MURILO
Paulinha, ele matou, grave isso. Só o fato de ter matado, já mancha a reputação de herói.

PAULINHA
Você que sabe, Murilo. Só não se esqueça de que ele salvou a sua vida pra que agora você pudesse jogar o nome dele na lama.

Paulinha se levanta, quase sai, mas toca no ombro do colega.

PAULINHA
Ah, arrume um advogado. A polícia vai querer saber como você conseguiu a gravação.

Murilo não esconde a cara de preocupado.

CENA 23 INT. – CARIOCA NEWS / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Nilo redigindo um artigo. Roger, mais a frente, deixa escapar uma olhada para o colega, que faz o mesmo. Fingem não se importar.

O celular de Nilo vibra. Número desconhecido. Nilo atende mesmo assim.

NILO
Fala.

THALES
(V.O)
Fala, grande falso herói! Tá preparado pra hoje?

NILO
Thales? Como sabe o meu número?

CENA INTERCALA COM

CENA 24 INT. – NOVO DIA / SALA DE REDAÇÃO – DIA

Thales, ao celular, no canto da parede.

THALES
Gosta de se esconder, né? Acho que o seu joguinho acabou.

NILO
Escuta, Thales, ninguém liga pra o que tu acha, tá? Me esquece.

THALES
Peraí! Antes quero te convidar a acessar o site da Novo Dia, daqui a pouco. Cê vai curtir o título: Nilo Rodrigues é um assassino! (risos).

Nilo, paralisado com a bomba.

THALES
(cont. / V.O)
Curtiu a manchete ou você acha que devemos acrescentar suas fotos de antes e depois da fama de herói, hen?

Ouvimos a risada dele. Nilo desliga o celular lentamente. Percebe que Lila, do outro lado, o espia. Roger também. Como se todos tivessem escutado a conversa. Mas é só impressão.

FADE OUT

FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL

FADE IN

Pessoas surpresas, olhando para seus celulares. Outros, para seus computadores, passados com alguma notícia.

A tela de um PC exibe o site da NOVO DIA com uma grande manchete: “Homem que cuidava da comunidade Valquíria é morto em laboratório — Vince Lemos era sócio de um hospital veterinário, caridoso, mas com uma triste história: sua família fora assassinada no bairro Valquíria, sem solução”.

AMORA
(O.S)
É isso que tu chama de bomba, Murilo?

CENA 25 INT. – REDAÇÃO NOVO DIA / ESCRITÓRIO – DIA

Amora contorna Murilo, este bastante desconcertado. Thales espia, de braços cruzados, frustrado.

AMORA
Cadê a acusação contra Nilo pela morte de João Víthor? Cadê?

MURILO
Amora, eu nunca disse que a bomba era essa.

AMORA
Como não? (para Thales) E aí, Thales? Tem nada a dizer não?

THALES
Eu to tão chocado quanto você, Amora. Eu ouvi ele dizendo que a bomba era referente ao assassinato do ator.

MURILO
Gente, a polícia já encerrou o caso. Aquilo foi acidente.

Amora chega bem perto de Murilo, quase encostado a cara, revoltadíssima.

AMORA
Acidente eu vou promover aqui se você não me convencer de que essa bomba vai ser útil pra mim.

MURILO
(pressionado)
O cara era benevolente e foi morto num laboratório como bandido. O mesmo laboratório em que o Nilo frequenta. Só isso já tá causando nas redes.

AMORA
Então trate de encontrar uma relação entre esses dois. E rápido!

Em Murilo, sem saída.

CORTE DESCONTÍNUO

Murilo atravessando o corredor. Vê Paulinha, sentada, fazendo um gesto positivo com as mãos. Murilo abaixa a cabeça e segue.

CENA 26 RUA DA CIDADE – NOITE

Roger se apressa, quase correndo. Nilo atrás.

NILO
Ei, ei!

Nilo pega Roger pelo braço.

ROGER
Que é, Nilo?

NILO
Eu que pergunto. Tá assim por quê?

ROGER
Assim, como? Eu to do mesmo jeito.

NILO
Cê tá chateado. O que aconteceu?

ROGER
Nada, Nilo, eu hen. Eu to ótimo! Quem viu, viu e quem não viu, tá vendo bem.

Roger quase vai dando as costas, mas Nilo insiste.

NILO
A gente mora no mesmo prédio, Roger. Posso te levar de carro, cê sabe.

ROGER
Minha mãe sempre dizia pra não pegar carona com estranhos.

Nilo cruza os braços, aguardando Roger abrir o coração. O jornalista respira fundo. Ainda hesita, mas /

ROGER
Por que não me contou?

Nilo não é bobo; meneia a cabeça, faz que entendeu, mas disfarça.

NILO
Como soube?

ROGER
(magoado)
Eu tive que ouvir a sua conversa com a Emília, porque você mesmo não confiou no teu brother aqui.

NILO
Não tá sendo fácil pra mim, Roger. Eu matei Vince Lemos, o cara considerado um cidadão de bem, que lutava por justiça em sua comunidade. (suspira, sentimental) O que pode ser pior que isso?

ROGER
Você não confiar na gente. (Nilo desvia o olhar, envergonhado) Eu tenho certeza de que foi em legítima defesa.

NILO
Ele tava drogado, Roger.

ROGER
Um bom motivo /

NILO
(corta) Um bom motivo pra eu me sentir um bandido. (T) Pessoas drogadas não sabem o que estão fazendo. Eu sabia o que fazia. E não to nada bem, meu amigo. Eu o vi agonizar no…(tampa a boca, sofrido).

Roger o encara, tocado pelas palavras. Um instante de silêncio e Roger o abraça.

ROGER
Eu estarei sempre contigo, brother.

Com a cabeça no ombro de Roger, Nilo avista Murilo do outro lado da calçada, que nem continua; para, sem graça, e vai embora.

CENA 27 RUA DA CIDADE – NOITE

SONOPLASTIA: Lamb – Wise Enough

VISTA AÉREA da cidade. As luzes da Candelária; a Presidente Vargas com poucos transeuntes, perigosa; becos sendo ocupados por moleques /

SÉRIE DE PLANOS

  1. Vinnie, em sua CASA, sentado no sofá e segurando um copo de vodca. Fala ao celular.

VINNIE
Fala, meu querido Raul! To precisando de você mais do que nunca em Valquíria…

  1. Moni sela um envelope com a língua. Depois, espirra um perfume no ar e envolve o envelope. Sorri, sapeca.

  2. Na capa do livro “Nilo – Na Inquisição dos Novos Tempos, de Lila Machado” sendo lido por alguém de mãos negras. CAM CORTA para uma mensagem no prólogo do livro:

    Para a pessoa que transformou o meu jeito de escrever, de contar histórias. Para essa pessoa que me permitiu chegar o mais perto de um justiceiro. Você é meu herói, Danilo!

    CAM, enfim, revela o leitor: Murilo, sério e pensativo.

FUSÃO PARA

A vista aérea da cidade. CAM BUSCA garotos fumando; mendigos se recolhendo com seus jornais e papelões; jovens saindo da balada, rindo, entrando em carros finos. O trânsito na Linha Amarela. CAM sai por cima, algumas luzes se apagam. A tela escurece.

FIM DA SONOPLASTIA

FADE OUT

FADE IN

CENA 28 INT. – APTº de NILO E LILA / SALA – DIA

Nilo mal se senta e a campainha toca.

NILO
Deixa comigo, Lila!

Assim que abre a porta, dá com o porteiro, estendendo um envelope a Nilo.

NILO
Obrigado.

Nilo fecha a porta, olha para o envelope sem remetente. Abre.

Pelo seu ponto de vista, Nilo puxa uma fotografia. Nela, a imagem de Vince Lemos abraçado a Vinnie Ludwig, em algum passado distante. A fotografia é virada do avesso, onde há uma inscrição: “Estou chegando ao Rio, meu querido irmão. Espero vê-lo em breve. Ass.: Vinnie Ludwig. Março de 2015”.

LILA
Era o quê, Nilo?

CAM dá um close dramático em Nilo. Até que /

FADE TO BLACK

FIM DO EPISÓDIO

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padrao


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