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Aprisionados

TEASER

FADE IN:

EXT. MATAGAL – DIA

Uma mata fechada vista do alto. Está nublado e ventando bastante, fazendo o topo das árvores balançarem.

INT. MATAGAL – DIA

AGNES (jovem negro de 24 anos e cabelos Black Power). Ele usa  calça jeans rasgada, camiseta suja e pés descalços. Corre desesperado, enquanto carrega uma câmera fotográfica pendurada ao pescoço. RUÍDOS de tiros. OFEGANTE, ele olha para trás deparando-se com três homens mascarados e armados correndo intensamente.

Agnes tropeça em um tronco no meio do caminho. Se levanta. Confere a lente da câmera.

CLOSE na lente da câmera, trincada.

Agnes continua seu trajeto. Os três mascarados saltam por sobre os troncos e galhos parecendo já familiariazados com o lugar.

EXT. LAGO – DIA

Em meio às águas calmas OUVE-SE TIROS. TROVÕES rasgam o céu nublado. Alguns pássaros sobrevoam o topo das árvores da mata.

Agnes surge correndo OFEGANTE do meio mata e fica estagnado na beira do lago por alguns instantes.

CLOSE nos olhos esverdeados de Agnes fixado nas águas do lago.

ATRAVÉS DA SUA VISÃO uma imensidão de águas e lá adiante a continuação da mata.

ESCUTA-SE passos que se aproximam. Agnes se vira devagar e se depara com os três mascarados com as armas apontadas para ele.

MASCARADO 1
– Fim da linha, seu negro filho da puta!

Dois mascarados permanecem com as armas apontadas e o outro baixa a arma. Se aproxima de Agnes, que coloca ambas as mãos sobre a cabeça.

O homem mascarado dá uma coronhada no supercílio esquerdo do jovem negro, que cai desacordado. ele se agacha e retira a câmera fotográfica do pescoço de Agnes.

CORTA PARA:

FIM DO TEASER

TELA ESCURA

Surgem os caracteres: APRISIONADOS
Início da TRILHA SONORA com MÚSICA de SUSPENSE

CENA I

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

FLASHES de luzes amareladas revelam aos poucos um ambiente hostil. Um porão de terra batida com folhas de jornais jogadas pelo chão, uma mesa velha carcomida com o tempo e um banco caindo aos pedaços.

A CAM percorre o ambiente, as paredes de tábuas largas amareladas e avermelhadas, todas com a pintura descascando.

Um FLASH mais forte revela uma porta cinza de metal e na sua frente está AGNES, 21 anos, negro de cabelo Black Power, calça jeans toda suja e camisa branca com um grande rasgo na frente. Deitado de barriga para cima, ele mantém os olhos fechados. Nos seus braços marcas de seringa. Na sua testa um corte por onde escorre um sangue escuro.

A TRILHA SONORA é interrompida quando Agnes ABRE os seus olhos ASSUSTADO.

CORTA PARA:

CENA II

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

CLOSE nos olhos esverdeados de Agnes.

Os FLASHES de luzes são interrompidos dando lugar à uma luz fraca que deixa o lugar em uma penumbra.

Agnes revira os olhos olhando para o teto. ATRAVÉS DA SUA VISÃO se vê as teias de aranha nas tesouras do alicerce.

Agnes SUSPIRA, levanta com dificuldades. Passa a mão na testa notando o corte. Limpa a mão suja de sangue na camisa rasgada.

AGNES
– Que merda de lugar é este?

Agnes OLHA as marcas de seringa em ambos os braços.

AGNES
– Mas que porcaria é essa?

Agnes sente uma ferroada na nuca. Coloca a mão com expressão de DOR. Está tonto. Com ambas as mãos na cabeça ele VÊ tudo GIRAR RAPIDAMENTE, até avistar uma MULHER careca de pele morena, 40 anos, sentada escorada com a cabeça na parede, desacordada. Ela usa uma camiseta preta com manchas de sangue seco e uma calça jeans rasgada.

Agnes caminha com dificuldade até onde ela está. Se agacha e a cutuca.

AGNES
– Ei, acorda!

Ele põe dois dedos aferindo seus batimentos na carótida.

AGNES
– Acorda…ei, ei.

Ele acaricia a cabeça daquela mulher. Ela começa se mexer lentamente.

AGNES
– Você está bem?

CLOSE nos olhos castanhos da mulher, que pisca várias vezes e se ASSUSTA quando vê o jovem na sua frente.

MULHER
– Quem é você? Onde eu estou?

Agnes se levanta afastando-se um pouco.

AGNES
– Calma, calma. Eu também não sei. Eu acabei de acordar aqui. Estamos no mesmo barco.

A mulher não acredita nas palavras de Agnes. Faz cara feia e com dificuldade se levanta.

MULHER
– Impossível. A última coisa que me lembro é de estar indo pro banho…e não me recordo de ter entrado no chuveiro.

Ela TONTEIA e é amparada pelo jovem, que lhe coloca sentada sobre o banco velho. Ela encara os seus braços com marcas de seringa.

MULHER
– O que você fez comigo?

Agnes estende os dois braços mostrando as mesmas marcas.

AGNES
– Eu fiz? Olha aqui. Tenho igual. Alguém fez isso com a gente.

A mulher coloca a mão na nuca e faz cara de DOR.

AGNES
– Dói né? É uma dor insuportável…logo vai sentir enjôo e mais tontura.

A mulher lança um olhar de ESPANTO para Agnes, que senta-se escorado nas tábuas largas.

ESCUTA-SE LATIDOS de cães e BERROS de vacas e ovelhas vindo do lado de fora.

MULHER
– Que lugar é este?

AGNES
– Pelos sons eu apostaria em uma fazenda.

MULHER
– E quem nos traria pra cá? Com que propósito? Será que fomos sequestrados?

AGNES
– Esta é uma das hipóteses em que acredito.

Agnes respira fundo e rápido.

MULHER
– Você tá bem?

Agnes não responde. Parece estar ficando sem ar.

MULHER
– Droga!

Ela se levanta com dificuldade.

MULHER (gritando)
– Alguém aí, por favor? Ele tá passando mal.

AGNES (respirando com muita dificuldade)
– Eu…não posso ficar num lugar assim…eu…eu, sou esquizofrênico, eu não sei o que pode acontecer.

Agnes abraça as próprias pernas e CHORA.

A mulher sente uma forte ferroada na nuca. Coloca a mão. Desmaia próxima ao jovem.

A luz se APAGA e fica se OUVINDO o CHORO do jovem por alguns longos segundos.

CORTA PARA:

CENA III

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

CLOSE no corpo da mulher DESMAIADA.

Agnes está de pé, de frente para a parede de tábuas largas socando-a sem parar. Ele CHORA. Um misto de choro de DOR e de RAIVA.

Ele está transtornado. Corre para o outro lado. BATE novamente com os punhos cerrados diversas vezes até que suas mãos começam a sangrar.

A mulher começa a se mexer no chão. Vai despertando lentamente. Vê o estado crítico de Agnes e se senta.

MULHER
– Calma…isso não vai ajudar.

Agnes se vira para ela. Rosto corado de tanto chorar. Se encosta na parede e deixa seu corpo deslizar até permanecer sentado.

MULHER
– Você se machucou. Não devia ter feito isso.

Agnes põe a mão no estômago. Faz ânsia. Vira pro lado e vomita. Deita em posição fetal ao lado do próprio vômito. Revira os olhos em direção ao teto e parece entrar em transe.

Início de TRILHA SONORA – BATIDAS DE SUSPENSE

A CAM foca no corpo do jovem posição fetal. Vai se aproximando até entrar em seus olhos esbugalhados.

CORTA PARA:

CENA IV

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

Agnes está sem camisa sentado no banco. A mulher está agachada ao seu lado enrolando a camisa nas mãos ensanguentadas dele.

MULHER
– Você tá melhor?

Ela levanta o olhar e vê o jovem suando frio.

AGNES
– Eu tô melhor. Estas crises vem e vão…e você, tá melhor?

MULHER
– Tentando estar. Mas tá difícil.

A mulher está pálida. Seus olhos reviram. Ela coloca ambas as mãos sobre o estômago e vomita.

MULHER
– Eu não aguento mais ficar aqui!

Agnes sorri.

MULHER
– Tá rindo? Qual é a graça?

AGNES
– Eu posso te ajudar.

A mulher olha com ESPANTO.

Agnes estende ambas as mãos com pedaços da camiseta amarrados na direção da mulher. Tenta estrangular ela, que se debate ,se desvencilha e vai para o outro canto. Agnes vai atrás. Travam uma luta: ele tentando agarrar o pescoço dela e ela tentando fugir.

Ela o empurra e ele resvala nos jornais caindo.

TUDO SILENCIA.

CORTA PARA:

CENA V

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

CLOSE na porta cinza de metal.

Escuta-se SONS de SIRENES policiais e de bombeiros ao longe e se aproximando.

Agnes, sem camisa, aparece batendo com ambas as mãos na porta.

AGNES
– Ei, ei. Estamos aqui!

A mulher, bastante debilitada, levanta se apoiando na fechadura.

As SIRENES cessam. ESCUTA-SE portas sendo abertas e passos se aproximando.

AGNES
– Aqui! Nos tira daqui, por favor!

MULHER
– Meu jovem, eu tô muito mal.

AGNES
– A mulher aqui tá muito mal. Ela precisa de ajuda!

VOZ DO OUTRO LADO
– Aqui é o capitão Reis do segundo batalhão de bombeiros. Afastem-se da porta, por gentileza.

ESCUTA-SE GRITOS vindo do outro lado.

VOZ POLICIAL
– Polícia, polícia. Parados aí! Todos pro chão!

Agnes e a mulher se olham ASSUSTADOS. Ele a ajuda a se afastar da porta.

Algo está forçando a fechadura e as dobradiças.

VOZ CAPITÃO REIS
– ALEXANDRE, calma. Já vamos abrir.

VOZ ALEXANDRE
– Meu filho, vai ficar tudo bem. Você e sua mãe logo vão sair daí!

Agnes encara a mulher com um olhar de SURPRESO. Recebe o mesmo olhar.

TUDO ESCURECE

CORTA PARA:

CENA VI

INT. PORÃO ABANDONADO – DIA/NOITE

A porta é aberta. Alexandre, 45 anos, negro bem apresentado, de terno cinza e gravata, entra antes mesmo dos bombeiros e policiais. Corre e puxa para um abraço o seu filho Agnes, que fica sem entender nada.

ALEXANDRE
– Meu filho!

Dois bombeiros equipados passam por pai e filho abraçados e vão atender a mulher deitada no chão.

BOMBEIRO
– Traz a maca.

Um outro bombeiro chega com a maca. Colocam a mulher sobre a maca e a carregam para fora.

AGNES
– Ela é minha mãe? Eu não tô entendendo nada.

Um policial se aproxima deles.

POLICIAL
– CABO NOVAES, com licença. Podem nos acompanhar.

Um dos bombeiros retorna e afere os batimentos de Agnes enquanto saem pela porta cinza de metal.

Início da TRILHA SONORA – INTRODUÇÃO DE UMA CANÇÃO SUAVE

CORTA PARA:

CENA VII

EXT. PORÃO ABANDONADO – AMANHECER

O sol nasce atrás das montanhas. Cabo Novaes, Alexandre, Agnes e o bombeiro saem pela porta principal da casa grande da fazenda.

CABO NOVAES
– Conseguimos pegar os quatro responsáveis pelo sequestro. Um deles nos confirmou que doparam seu filho e sua esposa com uma substância que inibe as proteínas do cérebro. Algo pensado para que eles não se lembrassem de nada e, como dois desconhecidos, fossem levados à loucura lá dentro.

ALEXANDRE
– Sério? Que substância? Que gente maluca…

AGNES
– Ela é minha mãe? E ela vai ficar bem?

Os quatro param em frente à um lance de cinco degraus. Observam a maca do lado de fora da ambulância. Vêem que a mulher começa se debater. Um bombeiro corre para atender.

BOMBEIRO
– AMÉLIA! Amélia!

Alexandre desce os degraus correndo em direção à ambulância. Agnes o segue deixando o cabo Novaes e o bombeiro parados diante da escada.

BOMBEIRO
– Seu Alexandre, sua esposa toma algum medicamento?

ALEXANDRE (nervoso vendo o estado da esposa)
– Ela está tratando de um tumor estomacal. Em fase final da quimioterapia.

Agnes se surpreende com a declaração. Se vira de costas.

CLOSE em seus olhos esverdeados, de onde começam escorrer algumas lágrimas.

Amélia vai diminuindo seus movimentos.

ALEXANDRE
– Meu amor…

Ele agarra a mão da esposa.

CLOSE nas mãos agarradas. A mão de Amélia desliza sob a mão do marido.

ALEXANDRE
– Nãaaaaaaaooo!

Ele deita sua cabeça sobre o ventre de Amélia CHORANDO.

Agnes, DESOLADO, se vira e observa a cena também CHORANDO.

Início da TRILHA SONORA – CANÇÃO TRISTE

A CAM se afasta e sobe lentamente.

FADE OUT

POSTADO POR

Marcos Vinicius Silva

Marcos Vinicius Silva

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