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Bordel

Meu casamento já não estava bom há algum tempo. Mal consigo me lembrar quando foi a última vez que… Bom, me deitei com a minha esposa. Lembro que, quando as coisas começaram a piorar, cheguei a conversar sobre o assunto com um grupo de amigos que encontrava todas as manhãs, quando eu saia para correr no calçadão da praia. Claro que, na época, não fiz questão de detalhar que já não transava com minha esposa há alguns meses. Tentando manter o assunto da forma mais superficial e menos constrangedora possível, obtive sugestões que, em sua grande maioria, eram inúteis: “ah, relaxa, é normal mulher fazer greve” ou “deixa ela enciumada e logo, logo ela abre as pernas”.

Depois de incontáveis meses tendo que me satisfazer sozinho, me toquei que já não lembrava mais o que havia levado meu casamento a passar por uma seca tão aterradora – que casal, relativamente jovem como nós, ficaria há quase três anos sem sexo? Decidi, pela primeira vez em todo esse tempo, falar sobre o assunto com minha esposa.

–Acho que é meio tarde para falarmos sobre isso — ela disse enquanto, com os olhos presos ao espelho, terminava, como fazia todos os fins de tarde, de se arrumar para ir à faculdade. — Já não temos nem mais jeito para falarmos sobre o assunto. É mais fácil aceitar que viramos colegas. Colegas que dormem juntos.

Depois que ela pegou as chaves do carro, a bolsa e uma pequena mochila, ela saiu, fechando a porta do quarto e me deixando boquiaberto, sentado na beirada da cama. Eu finalmente via o óbvio, depois de aproximadamente três anos. Fiquei tonto.

Aproximadamente uma hora se passou e eu ainda estava sentado na beirada da cama. O vibrar do meu celular me puxou de volta à realidade. Marcos. Todos temos aquele amigo sacana. Atendi depois do aparelho vibrar mais algumas vezes.

–Você ainda tá a fim de conhecer aquele novo bordel lá no centro? — perguntei assim que atendi.

Apesar de um tanto surpreso com a minha iniciativa, mas sem questionar muito, Marcos passou para me buscar e em menos de uma hora chegamos ao bordel. Para a minha surpresa, o lugar era muito discreto e em nada se assemelhava ao estereótipo que eu havia criado em minha mente sobre os lugares que caras como Marcos frequentavam. Na verdade, as partes principais do lugar, onde ficavam o bar, a pista de dança e a entrada muito se assemelhavam a um elegante bar vintage. Garotas que trabalhavam no local surgiam no bar e na pista de dança ao passo que mais clientes chegavam. Uma delas, vestindo um vestido que marcava suas curvas, mas não de forma vulgar, chegou a se apresentar e insinuar que, se quiséssemos, poderíamos, os três, ir para uma área mais íntima do local. Tomamos alguns drinks juntos, mas ela logo entendeu que não estávamos ali para…”aproveitar ao máximo o lugar”. Bom, pelo menos eu não estava.

–Eu não sei o que te trouxe aqui, meu amigo. Tenho certeza que não foi minha insistência. — Marcos disse, se levantando e virando o resto de vodka que o copo que segurava ainda continha. — Mas acho que você precisa ficar um pouco sozinho. Se não quiser me esperar, tem um ponto de taxi na rua de trás.

Depois disso, o vi caminhar dançando meio desengonçado em direção à pista de dança. Talvez eu devesse voltar para casa e tentar organizar meus pensamentos sem mais copos de vodka – apesar de já estar acostumado a beber, posso jurar que havia visto Marcos ir para a ala dos quartos com uma mulher idêntica à minha esposa.

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POSTADO POR

Lucas Ramos de Araujo

Lucas Ramos de Araujo

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