Capítulo 02 | Entrelaços – Minha Canção

Amanhecendo…

[CENA 01 – CASA DE OTÁVIO/ Q. DE OTÁVIO – COZINHA/ DIA]
(Otávio acorda, abre os olhos, só que infelizmente para ele tudo ainda é escuro, e sempre foi. Sabe que é dia, por sentir uma breve faixa de luz do sol refletido pela janela tocando em seu rosto, que o aquece. Otávio levanta de sua cama e caminha pelo seu quarto, por ser um lugar familiar, toca pouco em alguns objetos e móveis. Vai até o banheiro, escova os dentes, volta para o quarto, troca de roupa, fica sentado por alguns segundos na cama, e ouve alguns sons vindo da rua. Minutos depois de ouvi-los, levanta da cama, pega seu bastão e sai do quarto. Silvana está na cozinha preparando a mesa, assim que termina, caminha até o armário, pega seu remédio e o toma. Otávio entra nesse momento)
SILVANA – (terminando de tomar seu remédio) Bom dia, filho.
OTÁVIO – (caminha até a mesa, puxa uma cadeira, senta-se) Bom dia. (escuta-a guardando o copo e o remédio no armário)
SILVANA – (coloca algumas coisas na mesa, enquanto Otávio começa a se servir, calmamente) Hoje à tarde irei sair novamente com a Meire. Não se preocupa, que volto para fazer o jantar.
OTÁVIO – Sem problema. Eu faço qualquer coisa se sentir fome.
SILVANA – Sei que você gosta de ser independente, mas sabe que eu não gosto muito que você fique sozinho pela cozinha…
OTÁVIO – Eu acho que ainda consigo fazer um misto quente sem tocar fogo na casa.
SILVANA – Eu sei que você consegue fazer muita coisa sozinho, e isso me orgulha muito. Só que eu me preocupo. (caminha até ele, faz um carinho em sua cabeça) Não irei demorar, só vou…
OTÁVIO – Procurar meu pai! (se Otávio conseguisse ver, veria a cara de surpresa que sua mãe fez agora) Não precisamos dele, da mesma forma que ele não precisa da gente.
SILVANA – Eu não sei de onde você tirou isso, filho.
OTÁVIO – A senhora está morrendo, mãe! E a senhora tem medo que depois que se for, eu fique sozinho.
SILVANA – Eu quero apenas ter certeza que depois que eu não estiver aqui, terá alguém para cuidar de você.
OTÁVIO – Ele não me quis uma vez, quem garante que vai me querer agora?
SILVANA – Só saberemos se o encontrá-lo. (Otávio fica em silêncio, acha a ideia da mãe um absurdo, mas não quer discutir)

[CENA 02 – CASA DE ALICE/ COZINHA/ DIA]
(Felipe e Viviane estão tomando café, Alice entra na cozinha)
VIVIANE – Estava pensando em convidar o Miguel para jantar aqui com a gente.
FELIPE – É uma boa ideia.
ALICE – (entrando na cozinha, mexendo no celular) Bom dia, família. (senta-se, e continua mexendo)
VIVIANE – Bom dia.
FELIPE – Bom dia.
ALICE – O pessoal da gravadora querem marcar uma reunião com o senhor.
FELIPE – Quando?
ALICE – Quando o senhor quiser.
FELIPE – Tá, vou ver na agendar e vejo uma data.
ALICE – Eu até suspeito qual o motivo desta reunião. Querem acertar as datas dos shows que irei fazer ano que vem.
VIVIANE – Estes shows não irão atrapalhar sua escola não, né Alice? Lembre-se que por pouco você não reprova este ano.
ALICE – Não se preocupa, vó. Vou conseguir equilibrar a escola e minha carreira profissional. (diz baixinho) Nem que para isso, eu tenho que largar um. E não será minha carreira…
VIVIANE – Você ao menos poderia largar esse celular quando estiver falando com a gente.
FELIPE – Guarda esse celular, Alice.
ALICE – É já, estou conversando com o pessoal da gravadora.
FELIPE – Você conversa depois que tomar café. (Alice continua digitando em seu celular, Viviane olha para Felipe, perguntando-se cadê a autoridade de pai dele) Alice!
ALICE – É já.
FELIPE – Se você não aguardar esse celular agora, vou tomá-lo de você.
ALICE – Está bem. (guarda o celular, um pouco irritada) Estou sem fome. (pega uma maça e começa a comê-la)
FELIPE – Coma alguma coisa ao menos. Bem, tenho que ir agora. (levanta) E eu acho uma boa ideia convidar o Miguel para jantar com a gente.
ALICE – Também acho.
FELIPE – Até mais tarde. (sai da cozinha, segundos depois, Alice volta a mexer no celular, levanta da mesa com sua maça)
ALICE – Vou compor músicas. (sai da cozinha, Viviane fica sozinha, pensativa)

[CENA 03 – CASA DE PEDRO/ COZINHA/ DIA]
(Frederico e Miguel estão tomando café, Pedro ainda não desceu)
FREDERICO – Amanhã volto para Minas, só que não estou à vontade em deixá-lo sozinho.
MIGUEL – Eu tô aqui com ele, pode ir tranquilo, Frederico.
FREDERICO – Eu vou, mas volto em poucos dias. Irei passar o ano novo aqui com vocês.
PEDRO – (entrando na cozinha) Eu quero voltar com o senhor.
FREDERICO – Oi, filho. Eu não vou demorar em Minas…
PEDRO – Eu esqueci algumas coisas lá.
FREDERICO – Eu trago para você.
PEDRO – Eu quero ir, vô. Também preciso ver a Carol.
FREDERICO – Ok, está bem.
PEDRO – Eu estou indo para o cemitério.
FREDERICO – (levanta, preocupado) Você não quer comer nada antes?
PEDRO – Estou sem fome.
FREDERICO – (fica em frente para ele) Filho, eu sei que você sente falta da sua mãe, e talvez tenha encontrado uma forma de matar essa saudade fazendo essas visitas no cemitério. Eu entendo, de verdade… só que isso não faz bem. Nem para você, e nem para a memória dela.
PEDRO – Eu estou bem, vô.
FREDERICO – Eu sei, só que você precisa deixar sua mãe partir. E ir vê-la todo dia não irá te ajudar nisso.
PEDRO – O senhor tá querendo dizer que eu tenho que esquecer minha mãe?
FREDERICO – Não, jamais te pediria isso. Sua mãe sempre será lembrada em nossos corações. Mas você indo sempre no cemitério…
MIGUEL – O que seu avô quer dizer Pedro, é que você precisa deixar sua mãe descansar. Ela se foi, precisamos aceitar e continuar nossas vidas sem ela aqui com a gente.
PEDRO – Eu já aceitei, Miguel… e você? (sai da cozinha, direto para a rua)

[CENA 04 – CASA DELLE ROSE/ Q. DE LARISSA/ DIA]
(Larissa está sentada em sua cama, contando algumas notas de dinheiro que a mesma vem juntando dentro de uma caixa, Nathaniel bate na porta)
NATHANIEL – (entrando) Larissa, está acordada?
LARISSA – Sim, Nathan… (guarda o dinheiro rapidamente, enquanto ele fechava a porta)
NATHANIEL – Desculpa tá vindo essa hora te perturbar… (senta-se ao lado dela, que havia guardado a caixa em baixo da cama) …te atrapalhei em alguma coisa?
LARISSA – Estava só vendo uma coisa, nada demais. Mas o que você quer? Para ter vindo no meu quarto essa hora, deve ser importante.
NATHANIEL – Sim… quero uma dica. Eu quem irei abrir a casa hoje, e estou com dúvida em duas músicas.
LARISSA – Me mostre quais são, eu te ajudo a decidir qual a melhor.
NATHANIEL – Na verdade, queria cantá-las com você. Por isso, vim te chamar quando as outras estão dormindo, para que fossemos agora para o palco.
LARISSA – Está bem. A Salete já acordou?
NATHANIEL – Creio que já. Mas ela não saiu do quarto ainda.
LARISSA – Então vamos fazer assim, você vai indo para o palco. Vou escovar, trocar de roupa, e em 15 minutos te encontro lá.
NATHANIEL – Está bem, e obrigado. Você é demais, Larissa. (a abraça)
LARISSSA – Você que é demais, Nathan. Depois da Salete, você é a pessoa quem eu mais confio e me ajudou aqui.
NATHANIEL – Somos parecidos, querida! (ao ouvir isso, por um breve momento, Larissa lembra de seu passado) Vou indo, então. Estarei te esperando. (sai do quarto, Larissa continua sentada na cama, olha para debaixo da cama a caixa de dinheiro, pensativa)

[CENA 05 – PIZZARIA/ DIA]
(Eduardo chega de mais outra entrega, e ultimamente sem a animação de costume)
EDUARDO – (colocando a mochila de entregas em cima do balcão, desanimado) Mais uma!
HIAGO – Eu acho que você tá precisando tirar umas férias.
EDUARDO – Eu tô bem. E mesmo assim, o trabalho faz minha mente ficar ocupada.
LEILA – Que bom ouvir isso. (saindo da cozinha) Aqui está mais entregas.
EDUARDO – Que bom. (pega as pizzas, as coloca na mochila, e sai logo em seguida)
HIAGO – Você devia dar umas férias para ele. Não ver como ele ficou pra baixo depois de perder a namorada.
LEILA – Pra mim ele está bem. E agora trate de voltar ao trabalho, aquelas mesas ali não serão atendidas sozinhas. (volta para a cozinha, Hiago vai atender uma das mesas)

Mais Tarde…

[CENA 06 – CASA DE OTÁVIO/ Q. DE OTÁVIO – COZINHA/ TARDE]
(Otávio está deitado em seu quarto, ouvindo música clássica. Sua barriga começa a roncar e como sua mãe não havia chegado, ele decide fazer algo para comer. Levanta da sua cama, pega seu bastão e sai do quarto. Entra na cozinha e caminha até a geladeira. Abre e começa a tocar nos alimentos que têm lá. Ao tocar em alguns, acaba escolhendo um pratinho de mortadela e outro de queijo. Com eles em mãos, caminha até a mesa e os coloca em cima. Pela mesa, Otávio procura a sacola com as fatias de pães. A encontra, abre e retira duas fatias, pega o queijo e mortadela, e os coloca entre as fatias. Caminha até o armário e começa a tocar nos objetos a procura da máquina de fazer misto. A encontra, segura o cabo e vai passando a mão até o final. Com a outra mão vai tocando a parede ao armário, procurando pela tomada. A encontra, analisa a ponta do cabo, e na posição correta, o conecta na tomada. Volta para a mesa, pega seu misto, o coloca na máquina e a fecha. Aguarda, até ouvir o som que ela emite quando o alimento aqueceu o suficiente. Após ouvi-lo, puxa o cabo da tomada, coloca a mão sobre a máquina e a sente quente. Puxa a trava e abre, espera alguns segundos antes de pegar o misto. Depois de verificar que pode pegá-lo, Otávio o coloca em um pratinho, guarda os demais materiais na geladeira e volta para o quarto)

[CENA 07 – CASA DE DÁCIO/ Q. DE DÁCIO/ TARDE]
(Dácio está mexendo em alguma coisa em seu computador, seu celular toca)
DÁCIO – (ver que é o Daniel, pensa em não atender, mas acaba atendendo) Oi! (o percebe chorando do outro lado) Daniel? Você está chorando?
DANIEL AO TELEFONE – Preciso conversar com alguém de me entenda. Preciso de você, Dácio! (Dácio fica preocupado e lembra do problema que ele está passando)

[CENA 08 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Dácio e Daniel foram para a lanchonete do Ivo, lá os dois poderiam conversar à vontade)
DANIEL – (tentando não chorar) Meu pai não tem mais falado comigo, ele acha que eu estou com alguma doença, alguns dos meus amigos se afastaram, enfim… me sinto sozinho, na minha própria casa!
DÁCIO – (segura a mão dele, não ligando mais para o que os outros fossem pensar) Desculpa, Daniel. Eu devia estar do seu lado, te ajudando nesse momento. É que depois da morte da minha prima…
DANIEL – (tirando a mão da dele) Não, eu que peço desculpas… por colocar os meus problemas assim para você, sendo que você também está passando por um.
DÁCIO – O meu eu já superei. Sei que a Letícia finalmente deve estar feliz, ao lado do pai dela. Você quer que eu divulgue o que descobrimos do Henrique?
DANIEL – Não vale a pena. Depois que ele mesmo divulgou o vídeo original…
DÁCIO – O que mostra a cara dele?
DANIEL – Esse mesmo. Ele se auto revelou publicamente. O que ele queria era apenas destruir a minha relação com o meu pai. Agora meu pai nem olha mais para a minha cara, me achando anormal…
DÁCIO – Com todos o respeito sobre o seu pai, mas anormal aqui é ele, que não quer aceitar o filho como ele é. Não muda nada se você é gay ou é hétero. Você continua sendo filho dele, tem o mesmo sangue.
DANIEL – Você não conhece meu pai o suficiente para saber o quanto ele é preconceituoso. Ele mesmo me disse que preferia mil vezes que eu tivesse nascido morto. Talvez assim a mamãe estivesse viva e eles teriam o filho ideal.
DÁCIO – Você acha mesmo que sua mãe iria te odiar igual seu pai?
DANIEL – Do jeito que ele falou ontem, dos planos de família perfeita que eles estavam fazendo…
DÁCIO – Os pais são engraçados. Fazem uma criança e dizem que irão protegê-los, e na primeira oportunidade os machucam. Minha mãe apareceu.
DANIEL – Sério?
DÁCIO – Ao menos, a mulher que diz ser minha mãe apareceu. Porque se fosse minha mãe mesmo, não teria me abandonado.
DANIEL – Vocês conversaram?
DÁCIO – Não. Ela apareceu no dia que a Letícia morreu, não tinha cabeça para escutá-la.
DANIEL – Mas você não à procurou depois disso? Não era você que vivia dizendo que queria encontrá-la. Queria saber o motivo dela ter te abandonado.
DÁCIO – Era, mas agora… tenho medo, sabe? Tenho medo de que ela conte que nunca me quis de verdade. Que nunca me amou.
DANIEL – É meio difícil acreditar que uma mãe, tenha esperando um filho por nove meses, para depois dizer que nunca o quis.
DÁCIO – Sabe-se lá os motivos que a fizeram continuar essa gestação. Talvez meu pai, impediu que ela fizesse algo que interrompesse.
DANIEL – É, pode ser… (os dois ficam em silêncio por alguns segundos, Daniel observa Dácio e sorri)
DÁCIO – O que você está rindo?
DANIEL – Como dois adolescentes bonitos, legais, sentados em uma mesa de lanchonete, que poderiam está falando de inúmeros assuntos da nossa idade, estão trocando um com o outro problemas pessoais?! Será que viramos adultos antes do tempo? (Dácio dá uma leve risada)
DÁCIO – Talvez.
DANIEL – (olhando para a máquina de karaokê) Ainda bem que sempre existe algum jeito de aliviar. Seja conversando com alguém que te entende ou… (levanta e caminha em direção ao karaokê) …colocando tudo para fora com uma boa música. (seleciona uma música, sobe para o palco e começa a cantar)

[CENA DE MÚSICA – ENTRELAÇOS (SCALENE)]

Raro encontrar alguém 1
Que raramente faz questionar
Se encontrar alguém na minha idade
É fantasiar

Tem vezes que parece
Que ela já viveu tantas versões
De histórias de mulheres
Que criei na mente com adições

Gestos e olhares delicados 2
Que até fazem enganar
O bobo que não vê debaixo disso
Sua força

Ó meu bem quero estar ao seu lado
Quando amanhecer, quero estar ao seu lado
Quando florescer o de melhor em nós dois
Quero percorrer o seu corpo inteiro

Logo se fez necessário, lugar e horário 3
Espaço e tempo pra nós dois
É tanto tempo na estrada, adianta nada
Deixar pra acertar depois
Sabe, quando
Não cabe dentro do corpo?

Surge um sentimento
Um crescimento, uma vontade de ser
Algo bem maior
Pois é isso que merece

Ó meu bem quero estar ao seu lado 4
Quando amanhecer, quero estar ao seu lado
Quando florescer o de melhor em nós dois
Quero percorrer o seu corpo inteiro

Em seus braços eu me perco
Entrelaços perigosos?
Mas me entrego tão sem medo
Se há risco, é de eterno ser

1. Daniel sobe até o palco, começa a cantar olhando para Dácio. Das poucas pessoas que estão na lanchonete, poucas olham para Daniel cantando.
2. Daniel foca-se para o pessoal da lanchonete, fecha os olhos por alguns segundos, os abre e volta a focar em Dácio.
3. Como poucas pessoas estão olhando para ele, Daniel passa o resto da música olhando para a mesa de Dácio. Não se importando com o que os outros possam pensar, Dácio faz o mesmo.
4. Daniel fecha os olhos novamente, sorri para Dácio, abre e o ver sorrindo também. Encerra a música, poucas pessoas batem palma, Daniel desce do palco, volta para a mesa.

[CENA 09 – CASA DELLE ROSE/ Q. DE SALETE – Q. DAS MENINAS/ TARDE]
(Larissa bate no quarto de Salete, mas ela havia saído)
LARISSA – (entrando no quarto) Salete, o Nathan quer te apresentar o número de abertura de hoje à noite. (caminha pelo quarto) Salete? (sai do quarto e vai até o quarto de algumas meninas) Alguma de vocês viram a Salete?
IONE – Não. Ela não está no quarto?
LARISSA – Não, acabei de sair de lá. Onde será que ela foi?

[CENA 10 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ TARDE]
(Horácio vem descendo as escadas apressado, já que havia alguém exagerando na campainha)
HORÁCIO – Já vai, já vai. Estou indo. (abre a porta e se surpreende com Salete a sua frente)
SALETE – Eu quero falar com meu filho, Horácio. E eu não vou sair daqui até falar com ele!

[CENA 11 – PIZZARIA/ TARDE]
(Samuka está comendo uma pizza, esperando Eduardo chegar de suas entregas, mexe no celular)
SAMUKA – (rindo do vídeo que estava vendo, repara a moto de Eduardo estacionando em frente da lanchonete, guarda o celular e o aguarda entrar) Entrega demorada essa que você fez, hein. (levanta e o cumprimenta) Como você está, irmão?
EDUARDO – (desanimado) Bem… na medida do possível.
SAMUKA – (brinca) E este desanimo é por fazer entrega demais?
EDUARDO – Eu me distraio fazendo as entregas.
SAMUKA – Bom que você tocou nesse assunto. Vamos sair hoje à noite.
EDUARDO – Não estou muito afim, cara.
SAMUKA – Você não tem que querer. Vou tá na sua casa, hoje à noite e espero que você esteja pronto. E se não estiver vou te levar de qualquer forma, independente da roupa que você estiver vestindo.
EDUARDO – Não posso ficar conversando com os clientes.
SAMUKA – Eu sei, eu sei. Não quero atrapalhar seu trabalho. Só vim te fazer um convite. Iria te chamar por telefone, mas precisava te ver pessoalmente, saber como é que você estava.
EDUARDO – E como você ver, estou bem, cheio de trabalho. (caminha até o balcão)
SAMUKA – Mais um motivo para sair comigo hoje à noite. Vou estar na sua casa às 19h, hein. (sorri, volta a se sentar e termina sua pizza)

[CENA 12 – CASA DE RAMON/ GARAGEM/ TARDE]
(Ramon, Pedro e o pessoal da banda estão lanchando, após visitar o túmulo de sua mãe, Pedro ligou para o velho amigo)
PEDRO – Meu avô acha que eu não estou bem. Só que eu estou melhor que ele e o Miguel.
RAMON – É, aparentemente…
PEDRO – Até você, Ramon?
RAMON – Eu não estou duvidando, sério… só que para quem perdeu a mãe não tem muito tempo, você está bem…
PEDRO – Eu conheço minha mãe mais do que qualquer um, e eu sei que ela não gostaria que eu ficasse lamentando a morte dela. E outra, tenho objetivos para o ano que vem.
RAMON – Um deles é a competição das bandas. Estava esperando essa situação passar, para começarmos a falar disso. Temos que fazer uma playlist de algumas músicas, começarmos a ensaiar…
PEDRO – Não se preocupa que ano que vem darei atenção total a você e ao programa. Antes, preciso parar um pouco e me concentrar em outro motivo.
RAMON – Qual?
PEDRO – Encontrar meu pai!

Contínua no Capítulo 03…

 

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padrao


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