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Capítulo 04 | Relicário – Minha Canção

[CENA 01 – CASA DE PEDRO/ SALA/ NOITE]
(Miguel continua olhando para Pedro, esperando a resposta dele)
PEDRO – Eu só não tô a fim de jantar, só isso.
FREDERICO – Você prefere ficar aqui sozinho então?
PEDRO – Sinceramente, prefiro sim.
FREDERICO – Está bem, filho! Iremos voltar cedo do jantar.
PEDRO – Não se preocupem comigo. Estou bem. (sobe para o quarto)
MIGUEL – Você acha que ele tá bem?
FREDERICO – (não responde, caminha até a mesa da sala, pega sua carteira) Vamos, sua tia deve está nos esperando já. (caminha até a porta, Miguel logo atrás)

[CENA 02 – PRAIA/ NOITE]
(Dácio continua olhando para Daniel, levanta-se da areia)
DÁCIO – É sério isso?
DANIEL – Sim. Vem comigo. Nossos pais não nos entendem, então para que ficar morando com eles?
DÁCIO – São nossos pais, Daniel! Apesar tudo, são a nossa família.
DANIEL – Família de verdade apoia a decisão que seus integrantes tomam. Tanto o meu pai, como o seu não nos apoiam, querem que tomemos as decisões que eles mesmo decidiram.
DÁCIO – E você acha que saindo de casa irá ajudar?
DANIEL – Para mim irá, pois finalmente poderei viver como eu sou de verdade. Sem ter que fingir ser uma pessoa que eu não sou. (se aproxima dele, segura sua mão) Eu sei que é muita loucura o que estou te pedindo. Mas com você ao meu lado, eu acredito que conseguirei ter forças para prosseguir. (se aproxima lentamente de Dácio) Também não quero que você faça algo que não esteja a fim. É a sua vida, são as suas escolhas e eu vou entender. (segura a outra mão, os dois estão bem próximos, Dácio acha essa ideia de fuga maluca, mesmo não entendendo os motivos de seu pai, ele acredita que não é necessária essa atitude. Mas, ao ver Daniel sendo verdadeiro a sua frente, uma parte dentro dele quer dizer sim. Daniel se aproxima dele e o beija)

[CENA 03 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO – QUARTO/ NOITE]
(Samuka e Eduardo continuam andando pelo cabaré, após ver algumas cenas intrigantes, Samuka começa a achar que trouxe Eduardo para o lugar errado)
SAMUKA – Acho que me enganei com este local.
EDUARDO – Você acha?
SAMUKA – Bem, ao menos tem um palco e apresentações. De certa forma é entretenimento.
EDUARDO – Pelo visto este não é o único entretenimento. (aponta para um cara levando uma garota para o corredor dos quartos) Melhor a gente ir, Samuka. Não estou muito no clima mesmo.
SAMUKA – Você tem razão, devia ter pesquisado melhor este local. (os dois caminham em direção à saída)
[QUARTO]
(Larissa e seu cliente, Júlio, estão conversando em cima da cama, Larissa está com a cabeça sobre o peito de Júlio)
JÚLIO – (fazendo carinhos na cabeça dela) Pensei que você fosse abrir a casa hoje?
LARISSA – Aqui a gente reversa. Salete tem quase um cronograma com os dias que cada um abre a casa.
JÚLIO – É mesmo? E eu posso saber quando será seu próximo show?
LARISSA – Gostou tanto de me ver cantar assim? (vira-se, ficando de frente para ele)
JÚLIO – Gostei. Você tem uma linda voz. Poderia ser cantora.
LARISSA – Não tive essa oportunidade. (levanta-se da cama, começa a se vestir)
JÚLIO – Ainda pode ter.
LARISSA – Como assim?
JÚLIO – (levanta-se e também começa a se vestir) Bem, eu sou produtor musical. Tenho uma pequena gravadora no centro da cidade. (Larissa observa-o, animada)
LARISSA – Sério?
JÚLIO – Sim. A gravadora não tá muito bem no momento, mas… (se aproxima dela, ainda sem camisa) …se eu encontrasse uma voz talentosa, para gravar umas músicas… (a puxa pela cintura) …talvez ajudasse ela a se alavancar no mercado novamente.
LARISSA – Você acha que eu sou essa voz?
JÚLIO – Bem, você é linda, canta bem, tem talento. Tenho certeza que faria sucesso.
LARISSA – (se afasta, ri) Você não tá falando sério. Olha só pra mim? Trabalho em um cabaré, não tenho ninguém, não tenho dinheiro. Gravar uma música deve ser caro.
JÚLIO – Eu não falei em valores! (pega sua camisa e a veste) Eu só acho injusto uma voz tão boa quanto a sua, sendo ouvida em um lugar desse. Eu vejo em você uma estrela, pronta para brilhar no mundo. (se aproxima dela) Esperando apenas que alguém a ajude brilhar. (a puxa pela cintura novamente) Se você quiser, eu te levo amanhã na gravadora para você conhecê-la!
LARISSA – (ainda não estava acreditando que alguém estava lhe dando a oportunidade de gravar uma música) E você não vai querer nada em troca?
JÚLIO – Obviamente se a música for um sucesso, o que eu imagino que vai ser, já ajudará a mim e minha gravadora. Seremos parceiros. Eu te ajudo na sua carreira, e vice-versa.
LARISSA – Preciso pensar! (apesar dela está vislumbrada com esta oportunidade) Amanhã eu te dou uma resposta.
JÚLIO – Ok, eu espero com prazer até amanhã. (a beija)

[CENA 04 – CASA DE OTÁVIO/ SALA/ NOITE]
(Silva está na sala vendo TV, Otávio entra na sala, em direção ao sofá)
SILVANA – Quer alguma coisa meu filho?
OTÁVIO – Não estava conseguindo dormir. Vim tocar alguma coisa, mas como a senhora está vendo TV, não quero incomodá-la.
SILVANA – Imagina, filho. (pega o controle e desliga a TV) Prefiro ouvir meu filho tocando, que o som dessa TV que não tem nada de bom. (Otávio sorri e caminha até o piano, senta-se, coloca seu bastão ao lado e começa a tocar algumas notas. Silvana levanta do sofá e caminha até o piano)

[CENA DE MÚSICA INSTRUMENTAL (piano) – HALLELUJAH (LEONARD COHEN)]

* A versão desta música é apenas instrumental, por isso não terá letra.

Otávio está em frente ao piano tocando. Por ter memorizado bem as teclas do piano, sabe muito bem onde posicionar sua mão e quais teclas pressionar. Silvana está ao lado dele, orgulhosa de ver o filho tocar tão bem. No meio da música, emocionada demais e ao lembrar que logo não estará mais ao lado do filho, Silvana começa a chorar. Sabendo que o filho tem uma ótima audição, se afasta um pouco de Otávio indo para o sofá, limpar suas lágrimas. Otávio termina de tocar sua música, Silvana bate palma.

[CENA 05 – CASA DE ALICE/ COZINHA – SALA – ESCRITÓRIO/ NOITE]
(Frederico e Miguel estão jantando com a família de Viviane. O objetivo do jantar era para descontrair, porém todos a mesa estão em um constante silêncio)
VIVIANE – Pena que o Pedro não quis vim.
FELIPE – Ele realmente está bem?
FREDERICO – Está sim. Passou o dia com os amigos, ficou cansado apenas.
ALICE – Se ele quiser alguém para conversar, digam que estou à disposição, a qualquer hora.
FREDERICO – Pode deixar, que direi sim. (um curto silêncio fica na sala, que é quebrado com o celular de Alice tocando)
VIVIANE – O que falei sobre o celular na mesa?
ALICE – (levanta, animada) Desculpa, mas tenho que atender essa ligação. É o organizador que eu contratei para a social que estou organizado, para comemorar a minha vitória do programa. Licença. (sai da sala, direto para o quarto)
VIVIANE – (olha para Felipe, séria) Você deixou a Alice fazer uma social?
FELIPE – É só uma festa, mãe. Ela merece por ter ganhado o programa.
VIVIANE – Sério que você não ver que a Alice está voltando a ser como era antes? (Felipe se sente um pouco incomodado por sua mãe está reclamando com ele na frente de Frederico. Viviane logo encerra o assunto, todos voltam a ficar em silêncio)
FREDERICO – O jantar estava ótimo, Viviane.
VIVIANE – Obrigada. Bem, vocês querem ir para sala? Conversamos um pouco.
FREDERICO – Claro.
[SALA]
(Frederico e Viviane decidiram ir até o escritório, Miguel e Felipe ficaram na sala)
FELIPE – E você? Como estar? (Miguel começa a chorar do nada, Felipe se aproxima dele, toca em seu ombro)
MIGUEL – Eu perdi a mulher da minha vida. Agora eu não sei o que fazer. Estou sem rumo, sem direção.
FELIPE – Perder quem a gente ama não é fácil. É uma dor que fica nos apertando por dentro, eu sei. Fica só as lembranças dessa pessoa, e com tempo aprendemos a conviver com elas.
MIGUEL – Eu preciso me manter forte. (limpa as lágrimas) Preciso ajudar o garoto, prometi que o ajudaria.
FELIPE – Eu fiquei sabendo que a Carla contou para ele antes de morrer, que o pai dele está vivo. Você tem alguma ideia de quem seja?
MIGUEL – Não. Frederico também não sabe de nada. A única pessoa que talvez tenha essa resposta é a Paula, só que ela está em coma, então.
FELIPE – Talvez a Carla tenha guardado alguma coisa desse cara? Alguma foto, endereço, algo que possa ajudar. Vocês já procuraram nas coisas dela?
MIGUEL – Não. Eu e o Pedro ainda não tivemos coragem para fazer isso. Mas o Frederico até que guardou algumas coisas dela, junto com a da mãe, mas não conseguiu encontrar nada.
FELIPE – Quanto mistério nesse cara, hein?! Por que será que a Carla quis tanto escondê-lo de Pedro? (Miguel dar de ombros)
[ESCRITÓRIO]
FREDERICO – Obrigado pelo jantar. Conseguimos nos distrair um pouco, saímos daquela casa.
VIVIANE – Imagino o quanto deve estar sendo difícil para o Miguel. Percebi pelo silêncio dele no jantar. Mas e você? Tá conseguindo segurar tudo isso mesmo ou toda essa sua armadura, é para ninguém ver o quanto você também está sofrendo por dentro?
FREDERICO – Eu meio que perdi minhas duas filhas na mesma noite, Viviane. A Paula está em coma no hospital, sem previsão de quando possa acordar. A Carla se foi, me deixando o Pedro para cuidar. Eu preciso ser forte. Preciso ser esse refúgio para o meu neto.
VIVIANE – E isso é admirável em você. Desde que te conheço, você tenta segurar a barra sozinho, para ajudar todos que estão a sua volta. Decidiu se vai voltar para Minas de vez ou ficará aqui?
FREDERICO – Estou decidindo ainda. Posso deixar alguém cuidado do sítio e passar um tempo aqui, não sei.
VIVIANE – Felipe está precisando de ajuda na empresa, se optar por morar aqui, saiba que já terá uma vaga de emprego a sua espera. (Frederico ri)
FREDERICO – Não sei se aguento voltar a ficar preso dentro um escritório, rodeado de papeis. Mesmo assim, agradeço pela a ajuda. (segura nas mãos dela, ambos se olham, sorriem)

Amanhecendo…

[CENA 06 – CASA DE DÁCIO/ Q. DE DÁCIO – COZINHA/ DIA]
(Dácio está sentado na cama, pensa na conversa que teve com Daniel ontem e imagina onde ele passou à noite. Pega seu celular e digita uma mensagem)
DÁCIO – “Bom dia! Espero que você não tenha dormindo em nenhuma rua por aí. Eu ainda não pensei sobre o que você disse ontem, mas se precisar de qualquer coisa, estou aqui.” (envia a mensagem, aguarda alguns segundos por alguma resposta. Como não chega nada, levanta da cama e sai do quarto, desce as escadas em direção à cozinha)
[COZINHA]
HORÁCIO – Bom dia, filho!
REGINA – Bom dia.
DÁCIO – (sentando-se) Bom dia.
HORÁCIO – Engraçado esses jovens. De férias e acordam cedo. Na minha época, eu fazia questão de dormir até tarde.
DÁCIO – Não tô curtindo mais ficar o dia inteiro no quarto.
REGINA – Sério? Para o garoto que mal saia do quarto, você está bem aventureiro. Deixa eu adivinhar, vai sair daqui a pouco com aquele amigo. Amigo esse que você nunca apresentou para sua família. O que será que vocês andam fazendo até tarde?
DÁCIO – Prefiro mil vezes ficar na rua, do que ficar em casa olhando para a sua cara.
REGINA – Olha aqui, garoto…
HORÁCIO – Cuidado com o que você vai dizer para o meu filho, Regina.
REGINA – Peça para o seu filho me respeitar.
HORÁCIO – Se você quer respeito, para que provocou ele? (Regina fica em silêncio, irritada levanta da mesa e sai da cozinha)
DÁCIO – Obrigado por me defender, pai. Mas, eu não tenho mais medo dela.
HORÁCIO – Regina nunca deu medo a ninguém. Você apenas era pequeno, mas vejo agora que está amadurecendo. (sorri para Dácio, volta a comer. Dácio começa a se servir, refletindo o que o pai acabou de dizer)

[CENA 07 – CASA DELLE ROSE/ Q. DE LARISSA/ DIA]
(Larissa está deitada em sua cama, olhando para o teto ainda pensando na proposta que Júlio fez para ela ontem à noite. Nathaniel bate na porta do quarto e entra)
NATHANIEL – Acordada?
LARISSA – Sim.
NATHANIEL – Que bom. Quero a sua ajuda hoje. (senta-se ao lado dela) Quero que você venha comigo na rua, vamos comprar algumas coisas para a festa de ano novo para hoje à noite.
LARISSA – Eu recebi uma proposta!
NATHANIEL – Que proposta?
LARISSA – Sabe aquele cliente que me procurou novamente ontem à noite?
NATHANIEL – Difícil esquecer aqueles ombros largos. Ele é jogador, né?
LARISSA – Jogador? (ri) De onde você tirou isso?
NATHANIEL – Ah, sei lá. Alto daquele jeito, com aqueles ombros, eu imaginei.
LARISSA – Não, não é. Ele é produtor musical e tem uma gravadora no centro da cidade.
NATHANIEL – Uau, um produtor musical.
LARISSA – Ele me convidou para ir hoje na gravadora dele. Ele disse que se eu quisesse, gravaria uma música minha.
NATHANIEL – Olha só, você aceitou, né?
LARISSA – Não. Na verdade, disse que iria pensar.
NATHANIEL – E o que você está esperando para aceitar logo isso? Larissa, Larissa… não vai me perder essa oportunidade.
LARISSA – Eu não quero e não vou. Só estou preocupada com uma coisa. Se um dia eu me tornar uma grande cantora, terei que sair da casa! Terei que abandonar a Salete.
NATHANIEL – Conhecendo bem a Salete, como eu conheço, ela ficaria feliz por você está indo atrás de seu sonho!
LARISSA – Mesmo assim eu quero falar com ela.
NATHANIEL – Sim, mas antes… você tem que ir até essa gravadora. Então trate de se levantar… (a puxa da cama)… se arrume e vamos! Não podemos deixar o cara de ombros largos esperando. (Larissa ri, e corre para o banheiro. Nathaniel senta-se na cama, feliz)

[CENA 08 – LANCHONETE DO IVO/ DIA]
(Pedro, Ramon e banda entram na lanchonete do Ivo. Os colegas de banda caminham até o palco, junto com Ramon. Pedro vai até o balcão, falar com seu velho amigo)
IVO – Pedro! (sai do balcão em direção ao Pedro, o abraça) Quanto tempo. Eu soube o que houve com sua mãe, meus pêsames.
PEDRO – Valeu.
IVO – Se precisar conversar, de um amigo…
PEDRO – Todo mundo pensa que eu preciso conversar com alguém. Eu estou bem, de verdade.
IVO – Eu sei. Você é um garoto forte. (olha para o palco) Opa, parece que vão cantar hoje pra gente.
PEDRO – Vamos sim. Precisamos ensaiar para o programa de bandas daqui algumas semanas. Pensamos que nada melhor do que ensaiarmos aqui, na sua lanchonete com um palco, um público.
IVO – Podem ficar à vontade. Minha lanchonete é toda de vocês.
PEDRO – Valeu.
IVO – (segura no ombro dele, sorri) Que bom que você voltou! (se afasta de Pedro e volta para o balcão) Se precisarem de qualquer coisa, só chamar.
PEDRO – Beleza. (fica feliz por está em um lugar que o entretém, vai em direção ao palco. Ivo o observa, feliz)

[CENA 09 – CASA DE PEDRO/ COZINHA/ DIA]
(Miguel entra na cozinha e encontra Frederico tomando café sozinho)
MIGUEL – Bom dia. (senta-se) Pedro está dormindo ainda?
FREDERICO – Saiu com os amigos. Disse que iria ensaiar para o programa de banda que ele vai participar ano que vem.
MIGUEL – Que bom que ao menos ele tem isso aí para distrai-lo.
FREDERICO – Você não acha que também precisa de algo para se distrair?
MIGUEL – Realmente tenho pensado o que fazer daqui pra frente. Minha tia me ofereceu um emprego na empresa, junto com o Felipe, mas não sei se é isso que eu quero fazer. Enfim, algo vai surgir para mim. Sempre surge! Você vai visitar a Paula hoje?
FREDERICO – Vou. Quero ver se ela tem apresentado algum sinal de melhoria.

[CENA 10 – HOSPITAL/ Q. DE PAULA/ DIA]
(Frederico está ao lado de sua filha, segurando a mão dela)
FREDERICO – Sente minha mão, filha! Por favor, eu estou aqui. (fecha os olhos, apertando um pouco a mão dela, seu celular toca) Alô? Oi, Beatriz. Não imagina como estou feliz em ouvir sua voz. (se afasta um pouco da cama de Paula) A minha programação para a véspera de ano novo é ficar em casa com meu neto e genro. Eu agradeço o convite, mas não sei. Está bem, irei conversar com eles e lhe darei um retorno. Obrigado velha amiga! (sorri, desliga e volta a olhar para Paula)

[CENA 11 – LANCHONETE DO IVO/ DIA]
(Pedro e pessoal da banda estão prontos para cantar. Pedro dar sinal para Ramon, que começa a tocar)

[CENA DE MÚSICA – PURO EXTÂSE (BARÃO VERMELHO)]

Toda brincadeira 1
Não devia ter hora pra acabar
E toda quarta-feira
Ela sai sem pressa pra voltar

Esmalte vermelho
Tinta no cabelo
Os pés num salto alto
Cheios de desejo

Vontade de dançar 2
Até o amanhecer
Ela está suada
Pronta pra se derreter

Ela é puro êxtase
Êcstasy!
Barbies, Betty Boops
Puro êxtase

Galo cantou 3
Se encantou, deixa cantar
Se o galo cantou
É que tá na hora de chegar

De tão alucinada
Já tá rindo à toa
Quando olha para os lados
A todos atordoa

A sua roupa montada 4
Parece divertir
Os olhos gulosos
De quem quer lhe despir

Ela é puro êxtase
Êcstasy!
Barbies, Betty Boops
Puro êxtase

Vontade de dançar 5
Até o amanhecer
Ela está suada
Pronta pra se derreter

Ela é puro êxtase
Êcstasy!
Barbies, Betty Boops
Puro êxtase

Ela é puro êxtase
Êcstasy!
Barbies, Betty Boops
Puro êxtase

1. Assim que a banda começa a tocar, as pessoas que estavam na lanchonete prestam atenção no palco. Alguns se animam, levantam e começam a se reunir ao redor dele.
2. Pedro caminha um pouco pelo palco, vai até seus companheiros e depois retorna para onde estava inicialmente.
3. As pessoas que estão ao redor do palco estão dançando, Alice entra na lanchonete e ao ver Pedro cantando sorri e caminha em direção ao palco.
4. Ivo que estava trazendo um pedido, deixa-o no balcão e presta atenção na apresentação dos meninos, feliz que Pedro voltou e por parecer que chegou o tal momento que seus amigos fantasmas tanto falaram.
5. Alice está bem em frente ao palco, não está dançando igual as outras pessoas ao seu redor. Pedro logo a reconhece, fica sério, mesmo assim não estraga o final da música. Ao encerrar a apresentação, Pedro desce do palco e fica de frente para Alice.

ALICE – (sorri) Olá, Pedro!

[CENA 12 – GRAVADORA DE JÚLIO/ DIA]
(Júlio mostra sua gravadora para Larissa, que aliás não é uma grande gravadora assim. Mas, Larissa como nunca tinha entrado em uma, fica fascinada)
JÚLIO – E é aqui onde as músicas são gravadas, e faço toda a mixagem de som, adiciona os efeitos, enfim, é aqui que a mágica acontece.
LARISSA – Adorei sua gravadora, Júlio.
JÚLIO – Quer cantar?
LARISSA – O que? Não, não planejei nada. Só vim visitar mesmo.
JÚLIO – Que é isso. (abre a sala de som) Vai lá, estou louco para te ouvir.
LARISSA – Qualquer música?
JÚLIO – Você escolhe! (Larissa pensa em alguma, pega seu celular e mostra para Júlio. Entra na sala animada, caminha até o microfone, coloca os fones e olha para Júlio que está na mesa de som, dar sinal para ela começa a cantar. Ao longo da música serão mostrado outros personagens)

[CENA DE MÚSICA – RELICÁRIO (NANDO REIS)]

É uma índia com colar 1
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar 2
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai? 3
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Por que está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar 4
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo? 5
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?

Desde que você chegou
O meu coração se abriu
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio

E o que os olhos não vêm
O coração pressente
Mesmo na saudade
Você não está ausente

E em cada beijo seu 6
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel

Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
De Esmael, Esmael

1. Larissa fechas os olhos e começa a cantar, Júlio está na outra sala, e começa a gravar Larissa cantando.
2. Júlio hora ou outra mexe na mesa de som, fazendo alguns ajustes na música.
3. Daniel está sentado na areia da praia, observando o mar, pensativo.
4. Eduardo está encostado em sua moto em frente a casa de um dos clientes, está com o celular nas mãos olhando uma foto de Letícia.
5. Larissa olha para Júlio pelo vidro, e o ver curtindo a música. Júlio faz sinal de joinha para ela.
6. Larissa volta a fechar os olhos e encerra a música assim. Retira os fones, sorrindo e sai da sala.

JÚLIO – (caminha até ela e a abraça) Você cantou muito bem.
LARISSA – Você achou?
JÚLIO – Claro. Quero que você assine um contrato com a minha gravadora. Quero que você seja minha. (Larissa se afasta um pouco dele, surpresa)

Contínua no Capítulo 05…

padrao


Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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