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Capítulo 05 | Se Eu Quiser Falar Com Deus – A Nossa Canção

Daqui um ano…

[CENA 01 – HOSPITAL (NOVA YORK)/ SALA DE ESPERA/ NOITE]
(uma enfermeira entra correndo na sala de espera, se aproxima do médico, cochicha algo em seu ouvido, que o faz ficar sério. No mesmo instante, ele pede licença para o grupo e segue a enfermeira)
SAMUKA – O que está acontecendo? Por que o médico saiu daquele jeito?
MÔNICA – Será que o Pedro piorou? (olha para Elisa, que havia parado de chorar. Samuka continua olhando em direção ao médico, sério)
LIA – Eu acho que deveríamos avisar a família dele, gente.
SAMUKA – Não. (senta-se, ainda sério) Embora o médico tenha tido que ele está bem, quero esperar um pouco.
MÔNICA – Só que eu concordo com a Lia, Sam. Acho que a família dele devia saber do que está acontecendo. Afinal, cedo ou tarde eles irão saber mesmo.
LIA – Isso. É bom que saibam agora, quem sabe podem até ajudar Pedro a se recuperar. (Samuka olha para as duas, fica pensativo)
SAMUKA – (levanta-se) Está bem. Eu vou avisar a tia de Pedro. (caminha em direção a recepção, as meninas se entreolham)

Agora…

[CENA 02 – EVENTO/ PALCO – SALA RESERVADA/ NOITE]
(Órbita Três está cantando a sua última música, Ivo continua detrás do palco, observando os garotos. Em seu celular, continuam chegando mensagens, que o faz dividir sua atenção. Ramon encerra a música no centro do palco, sendo aplaudido e aclamado pelo público. Os garotos se reúnem, agradecem a participação no evento, saem do palco em seguida. No caminho, são parabenizados por Ivo, que o acompanha até a sala)
RAMON – (entrando na sala, senta-se no sofá um pouco cansado) Uau, isso foi demais.
IVO – Vocês arrebentaram, meninos.
RAMON – Vocês viram? Cantamos apenas cinco músicas e todos sabiam as letras delas.
IVO – É bom vocês irem se acostumando com o sucesso, garotos. Quanto mais vocês ficarem famosos, mais conhecidos pelo público vocês serão.
RAMON – (levanta-se, caminha até Ivo) Temos que agradecer isso tudo a você, Ivo. Valeu! (o abraça. A moça que os chamou minutos atrás entra na sala novamente)
MOÇA – Olá, meninos. Eu vim parabenizá-los, a participação de vocês foi um máximo. Ivo… antes de vocês irem embora, a Jô quer conversar com você.
IVO – Ok. Vamos passar lá.
MOÇA – Ok. Tchau, meninos. (saí da sala)
RAMON – (sentando-se novamente) Será que essa Jô quer marcar outro show com a gente?
IVO – Vamos torcer para que sim! (fica esperançoso, junto com os garotos)

[CENA 03 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ NOITE]
(Gaspar e Nathaniel continuam um de frente para o outro. Nathaniel ainda está com aquela sensação de que o conhece de algum lugar)
NATHANIEL – A gente se conhece?
GASPAR – Não, acho que não. (estende a mão para cumprimentá-lo) Me chamo Gaspar.
NATHANIEL – Prazer. Nathaniel, mas pode me chamar de…
GASPAR – (o interrompe, sorri) Nathan. Combina mais. (os dois sentam-se, um de frente para o outro)
NATHANIEL – Quer beber alguma coisa?
GASPAR – (olha em direção ao palco, observa a meninas dançando) Não, obrigado.
NATHANIEL – Está de olho em alguma menina então?
GASPAR – (sorri) Também não.
NATHANIEL – Em um menino… (fazendo carinho na perna dele)
GASPAR – Não, não. Na verdade, só vim conversar.
NATHANIEL – (retira sua mão da perna de Gaspar) Conversar?
GASPAR – Sim. Já tem algumas noites que tenho vindo aqui neste lugar, tenho observado o ambiente. (diz baixinho) Observado um velho amigo.
NATHANIEL – Olha, eu não sei se você entrou no lugar certo. Mas, aqui é um cabaré e não um…
GASPAR – Eu sei! (foca-se nele) Mas achei que nesta sua nova vida, você pudesse me ouvir como antes. (Nathaniel olha para ele, confuso)
NATHANIEL – Confesso que não estou entendo o rumo desta conversa. (Gaspar o observa por alguns segundos, desvia sua atenção para as garotas no palco)
GASPAR – Talvez neste novo plano você tenha mudado. (levanta-se) A gente se ver por aí, Nathan. (caminha em direção a saída, Nathaniel levanta-se, sem entender nada. Salete aparece ao lado dele)
SALETE – Quem era aquele rapaz que estava aqui conversando com você?
NATHANIEL – Não sei. Nunca o vi aqui. Confesso que eu o achei muito estranho.
SALETE – Estranho?
NATHANIEL – Sim. Os caras normalmente vêm para cá em busca de diversão, alegria com as garotas ou com os garotos. Agora, este aí queria conversar. E parecia que queria conversar comigo.
SALETE – Que estranho.
NATHANIEL – Né. E o pior, é que por um momento eu tive a leve impressão de que o conhecia. (os dois continuam olhando em direção a saída)

Amanhecendo…

[CENA 04 – LANCHONETE DO IVO/ DIA]
(Pedro está sentado com Ramon, estão conversando sobre o show da noite anterior)
RAMON – Cara, eu não sei o que dizer. Foi incrível ouvir todos cantando nossas músicas. Você devia ter visto.
PEDRO – (feliz) Eu imagino.
RAMON – Ivo ficou de combinar um outro show no próximo evento. Eles precisam acertar algumas coisas, mas parece que vamos voltar a cantar naquele lugar novamente.
PEDRO – E a turnê de vocês?
RAMON – Pois é. Ivo tinha conversado com alguns empresários e tal, conseguiu marcar algumas datas e locais para a gente cantar, no entanto, devido alguns integrantes da banda não estarem muito bem no colégio, Ivo achou melhor deixarmos está turnê para quando terminamos o ensino médio.
PEDRO – Melhor, né?!
RAMON – Sim. Dessa forma o pessoal vai conseguir focar na escola, e ninguém ficará reprovado. Por enquanto, vamos ficar fazendo alguns shows por aqui mesmo. Iremos gravar algumas músicas com a gravadora.
PEDRO – Fico feliz por vocês. De verdade!
RAMON – Que desligado que eu sou. Eu aqui falando da banda e nem te parabenizei por ter conseguido entrar naquela universidade. (levanta-se e o abraça, os dois sentam-se novamente)
PEDRO – Valeu.
RAMON – Começa quando?
PEDRO – Tá previsto para iniciar em Janeiro do ano que vem. Mas primeiro, também preciso terminar o Ensino Médio.
RAMON – Isso aí vai ser fácil. Tuas notas estão boas.
PEDRO – É. (brinca) Preciso aproveitar meus últimos meses no Rio de Janeiro, né.
RAMON – (ri) Né. Quem diria. Que aquele cara que fez amizade com o esquisito da sala, hoje estaria um passo de criar uma carreira fora do país.
PEDRO – Calma, eu não sei ainda se quero fazer uma carreira fora do país.
RAMON – Ué, você está indo estudar música fora pra que então?
PEDRO – Não sei. Quer dizer, eu gosto de cantar, gosto de estar em cima do palco, mas não sei se quero ser um artista assim.
RAMON – Pode anotar o que eu vou dizer aqui. Daqui alguns anos, o mundo inteiro estará comentando o seu nome por aí.
PEDRO – (ri) Também não viaja, Ramon. O mundo inteiro é exagero demais.
RAMON – Tá, talvez não o mundo inteiro. Mas uma boa parte dele.
PEDRO – Tá bom! (Ivo se aproxima da mesa)
IVO – Olha aqui, garotos. Sobremesa especial, por conta da casa.
RAMON – Pô, Ivo. Você é o cara! (recebe a sobremesa que Ivo deixou)
PEDRO – Valeu.
IVO – Isso é por você ter conseguido entrar, Pedro. Parabéns.
PEDRO – Obrigado.
RAMON – Eu estava aqui comentando com ele, Ivo… que daqui alguns anos estaremos ouvindo o sucesso estrondoso que ele estará fazendo pelo mundo.
PEDRO – Não liga para o que o Ramon diz, Ivo. Este aí é exagerado por natureza.
IVO – Eu acredito no Ramon. Eu tenho certeza que você tem uma carreira brilhante pela frente, eu mesmo já te disse isso uma vez.
PEDRO – (fica sem jeito) Qual é gente?! Acabo ficando sem jeito com isso.
RAMON – Ivo, no próximo show que a gente fizer, quero que Pedro faça uma participação com a gente. Afinal de contas, você foi um integrante da Órbita Três, merece.
PEDRO – Não, não é necessário.
IVO – Eu vou providenciar isso. Ah, tenho uma novidade. Acho que vocês irão gostar.
RAMON – O que é?
IVO – Ainda estou esperando uma confirmação, mas estou conseguindo uma entrevista para vocês.
RAMON – Uma entrevista? Onde? Quando?
IVO – Calma, calma. Quando estiver tudo definido, eu envio os detalhes para vocês no grupo.
RAMON – Qual é, Ivo? Você e está mania de lançar a bomba e nos deixar na curiosidade.
IVO – Relaxa, viu. (um cliente da mesa próximo ao palco o chama) Licença, pessoal. (saí da mesa, Ramon olha para Pedro)
RAMON – Sério, Pedro… quando você for procurar um empresário para você, que seja um que não queira te matar de curiosidade. (Pedro ri, os dois começam a comer suas sobremesas)

[CENA 05 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ DIA]
(Alice está mexendo em seu computador, Viviane bate na porta)
VIVIANE – Oi, querida. Tem uma visita esperando você lá embaixo. Deixo subir?
ALICE – Visita? Ah sim, acho que eu sei que é. Pode deixar sim, vó.
VIVIANE – Ok. (Viviane saí do estúdio, segundos depois Marcelo entra)
MARCELO – Oi.
ALICE – (levanta-se e o cumprimenta) Oi, Marcelo. (senta-se em seguida, Marcelo continua em pé)
MARCELO – (um pouco sem jeito) Pensei que estava com raiva de mim.
ALICE – Por enquanto preciso de seu trabalho.
MARCELO – Claro. (senta-se na cadeira ao lado, retira seu notebook da mochila)
ALICE – Acabei de compor uma música, e quero dar um estilo eletrônico a ela. Por isso te chamei aqui.
MARCELO – Posso ver a música?
ALICE – Claro. (entrega a letra para ele, que analisa. Alice apenas o observa)

[CENA 06 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ DIA]
(Nathaniel está sentado na borda do palco, pensativo. Lembra da noite anterior quando Gaspar apareceu para conversar com ele. Larissa aparece ao lado dele, senta-se em seguida)
LARISSA – Voando, Nathan?
NATHANIEL – Quase isso. Estava aqui pensando apenas.
LARISSA – Hum.
NATHANIEL – Mas não se preocupa, está bem?! (levanta-se) Eu lembro do que prometi para você hoje.
LARISSA – Eu sei que lembra.
NATHANIEL – Precisamos ensaiar para a fase do programa ao vivo.
LARISSA – Eu também parei de esperar um retorno deles. Prefiro me preparar, do que ficar esperando uma resposta.
NATHANIEL – É assim que se fala. (caminha até o piano que estava no palco, Larissa levanta-se, se aproxima dele)
LARISSA – Qual música preparou para mi?
NATHANIEL – (senta-se, começa a tocar algumas notas aleatórias, sorri) Vamos ver se você adivinha. (começa a tocar a música correta)

[CENA DE MÚSICA – SE EU QUISER FALAR COM DEUS (ELIS REGINA)]

Se eu quiser falar com Deus 1
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus 2
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

E se eu quiser falar com Deus 3
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas prá segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar!

Se eu quiser falar com Deus!

1. Nathaniel fica repetindo o verso inicial da música, até Larissa reconhecer a música. Ela caminha para o centro do palco, pega o microfone e começa a cantar. Está versão é acompanhada somente ao piano.
2. Gaspar aparece no centro do salão, ninguém o ver porque aparece em sua forma de anjo. Foca-se por um tempo em Nathaniel, que está tocando o piano. Larissa continua cantando, focando-se para as mesas vazias do salão. Gaspar olha para Larissa, fica pensativo.
3. Nathaniel foca-se em Larissa por um tempo. Ela continua cantando, imaginando uma multidão a sua frente. Gaspar volta a olhar para Nathaniel, desaparece em seguida. Larissa encerra a canção, olha para Nathaniel e sorri.

Mais Tarde…

[CENA 07 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ TARDE]
(após passarem o dia trabalhando na música que Alice compôs, ambos parecem que terminaram)
ALICE – (sentada ao lado de Marcelo, ouvindo a música pronta) Ficou incrível, Marcelo.
MARCELO – Valeu. A canção que você escreveu também é boa. Creio que virá mais um sucesso por aí.
ALICE – (retira os fones, foca-se em Marcelo) Obrigado, Marcelo. (levanta-se, caminha até sua bolsa que estava em uma mesa no fundo do estúdio) Acho que não preciso mais de seus serviços. (retira algumas notas de dinheiro, se aproxima de Marcelo) Quanto lhe devo?
MARCELO – O que?
ALICE – Quanto custou o serviço?
MARCELO – Não, não precisa.
ALICE – Qual é? Eu quero agradecer de alguma forma. Você passou o dia comigo, batemos muito a cabeça para encontrar uma composição para está música. Anda, quanto que eu lhe devo?
MARCELO – (levanta-se, fica de frente para ele) De verdade, não custa nada. (os dois se entreolham por alguns segundos) Mas… (se aproxima dela) … se você quer tanto assim encontrar uma forma para me agradecer. Acho que eu sei como. (a puxa pela a cintura e a beija)

[CENA 08 – CASA DE PEDRO/ SALA/ TARDE]
(Pedro chega em casa, caminha até o sofá, deita-se e começa a mexer no celular. Lembra-se de Carol. Entra em uma rede social, procura pelo nome dela novamente, e como das outras vezes não a encontra)
PEDRO – Por que você fez isso, Carol? (desliga o celular, coloca-o em seu peito, olha para o teto) Queria tanto saber como você estar! Contar das últimas novidades. (sorri, campainha toca neste momento) Quem será? (levanta-se, coloca seu celular no bolso da calça, caminha até porta, abrindo-a em seguida) Felipe?!
FELIPE – (sorrindo) Parabéns, filho! (o surpreende e o abraça. Pedro tem um certo receio de retribuir, mas no fim, acaba abraçando Felipe também)

[CENA 09 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ NOITE]
(Larissa e Nathaniel estão lanchando algo em uma das mesas, Ione e Salete estão juntos deles também)
IONE – Quando a casa terá um novo musical, Nathan?
NATHANIEL – Confesso que não sei ainda, Ione. Mas será em breve.
IONE – Sabem? Eu gostei dessa área de atuação. Confesso que me inspirou a tentar uma carreira de atriz.
NATHANIEL – E eu posso saber como você irá fazer isso?
IONE – Meu querido, posso muito bem ir com calma. Pra começar, quero fazer algum curso de teatro.
SALETE – Muito bem, Ione.
IONE – Em seguida, fazer o maior número de papeis possíveis em peças de teatro. Em seguida, meu foco será a TV.
NATHANIEL – Uau, está levando isso a sério mesmo, hein.
IONE – É claro que estou. E sou grata a você, por ter me mostrado esse meu lado artístico.
NATHANIEL – Tá, não tem de que. (ri)
LARISSA – (se surpreende ao ver Otávio e Eduardo entrando no salão, levanta-se) O que vocês estão fazendo aqui? (todos olham para trás e também se surpreendem com Otávio e Eduardo no meio do salão)

[CENA 10 – LANCHONETE DO IVO/ COZINHA/ TARDE]
(Ivo está preparando um pranto sozinho na cozinha. Um de seus amigos fantasmas aparecem ao lado dele)
JORGE – Olá, Ivo!
IVO – Ah, não. Vocês de novo.
JORGE – Dessa vez sou só eu.
IVO – O que você quer? Veio me alertar de algum outro incidente?
JORGE – Na verdade não. Só vim conversar.
IVO – Conversar?! Sei.
JORGE – É, sério. Preciso que você preste atenção. (Ivo para de preparar o prato, olha para Jorge e o percebe sério)

[CENA 11 – EM ALGUM LUGAR/ TARDE]
(Gaspar está em pé em um lugar bastante iluminado. Arael entra nesse mesmo ambiente e se aproxima dele)
ARAEL – Você me chamou!
GASPAR – Sim. (fica de frente para ele, sério) Eu quero pedir autorização para poder conversar com Ele.
ARAEL – Você não precisa de autorização para falar com Ele. Ele escuta a todos em qualquer lugar.
GASPAR – Eu sei. Mesmo assim, eu quero que você esteja ciente do que eu irei pedir. (Arael o observa sério) Eu quero voltar para terra como ser humano!

Contínua no Capítulo 06…

POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.

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