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Capítulo 09 | Chão de Giz – A Nossa Canção

Daqui seis meses…

[CENA 01 – CENTRO DE REABILITAÇÃO/ Q. DE ALICE/ DIA]
(Gaspar se aproxima de Alice, a encara)
GASPAR – Eu estou aqui para te ajudar, Alice. No entanto, eu sozinho não consigo fazer você voltar a andar. Você precisar ser forte e acreditar que suas pernas irão se mover novamente.
ALICE – (olha para suas pernas) Como se um dia eu fosse voltar a andar.
GASPAR – Talvez, por você continuar com este pensamento, você não ficará curada tão cedo. (se afasta da cama) Vou verificar se está tudo pronto. Quando voltar, irei te levar para os exercícios. (Gaspar saí da sala, Alice continua olhando para as suas pernas, séria)

[CENA 02 – UNIVERSIDADE DE MÚSICA (NOVA YORK)/ REFEITÓRIO/ DIA]
(Arthur e Elisa se juntou com o pessoal na mesa, após encerrarem sua apresentação)
MÔNICA – Confesso que foi legalzinho. Parabéns por ter escolhido está música de Grease, Arthur.
PEDRO – Eu também gostei muito. Vocês arrebentaram.
MAYA – (olhando a gravação no celular) Meus seguidores irão amar este vídeo. (Arthur olha em direção a ela, assim como Elisa, ambos se perguntando que era aquela sentada junto com eles)
ARTHUR – E você é…?
MAYA – Olá. Eu me chamo Maya. Sou da turma do Pedro.
ARTHUR – Ah, estuda com você Pedro?!
MAYA – Devo dizer que é uma honra está conversando com você. Você está quase sendo uma lenda aqui. Ficou 7 vezes em primeiro lugar no ranking dos melhores alunos.
ARTHUR – Em busca da 8°.
MAYA – Então você irá se apresentar nesta sexta?
ARTHUR – Claro que irei.
MAYA – (comemora) Maravilha!
MÔNICA – Você também vai Pedro?
PEDRO – Eu acho que não.
MÔNICA – Qual é? Dentre todos aqui, acho que você é o único que tem potencial para derrotar o Arthur. (olha para Arthur, que o percebe ficar sério)
ARTHUR – (tenta incentivá-lo a não participar) Não assuste o garoto. Além do mais, Pedro não veio para Nova York para competir. (foca-se em Mônica) Se você quer me superar, tem que ser nesse semestre.
MÔNICA – Eu não vou cantar.
SAMUKA – Como não?
MÔNICA – Esse semestre eu não decidi cantar, amor. Se você quiser, fique à vontade.
SAMUKA – Mas e o nosso dueto de cada semestre?
MÔNICA – Dessa vez será um solo, sinto muito. (foca-se em Pedro novamente, que estava nem aí para está conversa) Então, Pedro? Você vai participar ou não? (Pedro olha para ela, todos focam-se nele, que fica sem saber o que dizer)

Agora…

[CENA 03 – CASA DE ALICE/ SALA/ NOITE]
(Alice vem descendo as escadas, caminha direto ao sofá, onde está seu pai mexendo no celular)
ALICE – Pedro está chegando?
FELIPE – Sim. Eles já estão a caminho.
ALICE – (senta-se ao lado dele) Que bom. Não vejo a hora de mostrar para ele a versão nacional da música que a gente compôs.
FELIPE – (surpreso) Versão nacional?
ALICE – É, é. Isso foi ideia dele. Se eu não gravasse uma versão nacional, ele não aceitaria compor a música comigo.
FELIPE – Também quero ouvir está versão nacional, viu. (ri) Nunca te ouvi cantar uma música brasileira, essa será a minha primeira vez.
ALICE – (ri) Agradeça ao seu filho! (campainha)
FELIPE – Oh, deve ser eles. (levanta-se animado, caminha até a porta)
PAULA – Oi! Boa noite, Felipe! (o cumprimenta)
FELIPE – Boa noite! Entrem, por favor. (os dois entram e caminham direto para a sala)
PAULA – Boa noite, Alice.
ALICE – Boa noite.
VIVIANE – (entrando na sala) Eu ouvi a campainha toca… (repara que seus convidados haviam chegado) Olá, meus queridos. (caminha até cada um deles e o cumprimentam) Sejam bem-vindos.
PAULA – Obrigada.
VIVIANE – O jantar logo estará pronto. Enquanto isso, porque não nos sentamos um pouquinho e conversarmos.
PAULA – Por mim tudo bem. (todos sentam-se. Felipe, Paula e Viviane em um sofá, Alice e Pedro em outro, ambos pegam seus celulares)
VIVIANE – E o Frederico? Como ele está?
PAULA – O papai está bem. Conseguiu se recuperar após o incêndio criminoso em suas plantações.
VIVIANE – Que bom. Mas ele já descobriu quem fez isso?
PAULA – Ainda não. Ele também não quis envolver a polícia. Ele suspeita que seja algum fazendeiro vizinho. (enquanto Viviane e Paula conversavam, Pedro e Alice trocavam mensagens pelo celular, ambos com um leve sorriso no rosto. Felipe os observa)

[CENA 04 – CASA DE OTÁVIO/ COZINHA/ NOITE]
(Otávio está terminando de arrumar a mesa para o jantar, enquanto Eduardo lavava algumas louças)
OTÁVIO – Só espero que esse lance de vocês não me prejudique na competição.
EDUARDO – Não começa, Otávio. Eu e a Larissa não temos nada. Pelo menos nada ainda.
OTÁVIO – Eu quero ganhar este programa, então nada de trocar informações com sua namorada.
EDUARDO – (ri) Relaxa, eu tô contigo. Prometi que iria te ajudar. E mesmo assim, Larissa é talentosa o suficiente para não precisar de ajuda.
OTÁVIO – O pior que é mesmo! (sorri, termina de colocar os últimos utensílios na mesa)

[CENA 05 – CASA DE ALICE/ COZINHA/ NOITE]
(todos estão reunidos na cozinha, ambos felizes)
VIVIANE – (sorri) É tão bom ter uma refeição assim, com toda a família reunida.
FELIPE – (olha para a mesa cheia) Agora eu entendo o que a senhora sente, mamãe.
PAULA – A comida está maravilhosa, Viviane.
VIVIANE – Fiz questão que preparassem um jantar especial para gente. Afinal, isso é em comemoração ao meu neto ter conseguido entrar para a universidade de Música.
ALICE – Terei um irmão famoso. Olhe lá para não querer roubar meu brilho, hein? Não queira eu como sua rival. (Felipe ri)
PEDRO – Não, pode ficar tranquila. E também não busco assim tanto a fama. Quero apenas fazer aquilo que eu gosto.
FELIPE – E está certo, Pedro. Você realmente tem que fazer o que gosta.
ALICE – Se é assim, porque então o senhor não está seguindo a carreira de músico também? Já que é isso que você gosta.
FELIPE – (fica um pouco sério) Infelizmente eu percebi que a minha família precisava mais de mim, do que a música.
PEDRO – (percebe que ele ficou incomodado) Não deve ter sido uma decisão fácil, né?!
FELIPE – Não foi. Porém eu fui feliz nos meus poucos momentos de músico. (sorri) Fiz algumas amizades inesquecíveis.
PEDRO – Bem que você poderia nos contar um pouco dessa sua vida de cantor?! Claro, se você quiser.
ALICE – É, pai. Conta. Também não conheço.
FELIPE – (olha para todos um pouco envergonhado por querer compartilhar algo de seu passado) Ok. Deixe me ver. Ah, sim. Tem uma pessoa, que até hoje eu me lembro dela e que me ajudou muito.
ALICE – Quem é?
FELIPE – O nome dela é Camila!
PAULA – Camila? A mesma Camila, melhor amiga da Carla?
FELIPE – Não, não. Essa é uma outra Camila.
PAULA – Ah, sim. Continue.
FELIPE – Bem. (olha um pouco para seu prato, tentando lembrar de seu passado) Eu ainda não tinha montado a minha banda… (fica em silêncio por alguns segundos, lembra-se de seu passado)

17 anos atrás…

[CENA 06 – CLUBE/ RESTAURANTE/ NOITE]
(Felipe foi convidado a cantar em um clube conhecido na cidade. Frequentemente, vários cantores e empresários visitam este ambiente, então acredita que ali seja o lugar para procurar parcerias novas. Ele está sentado no meio do palco, com seu violão nas pernas. O ambiente está um pouco movimentado, fecha os olhos e pensa no amor da sua vida. Começa a cantar)

[CENA DE MÚSICA – SENTIMENTAL (LOS HERMANOS)]

O quanto eu te falei 1
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar

De tanto eu te falar 2
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais

(Se ela te fala assim, com tantos rodeios) 3
É pra te seduzir e te ver buscando o sentido
Daquilo que você ouviria displicentemente
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim 4
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir

1. Felipe começa a cantar de olhos fechados. Sorri, ao lembrar de Carla. Abre os olhos, foca-se em seu violão. Aos poucos, os clientes que estavam no restaurante, vão prestando atenção nele.
2. Camila entra no restaurante, fica na entrada a espera de Bruno que ainda não havia chegado. Ao ouvir Felipe cantar, presta atenção nele, encantada com sua voz.
3. Felipe passa a maior parte da música focado em seu violão. Das poucas vezes que olha para os clientes, repara em um ou outro prestando atenção na música. Volta a fechar os olhos e lembra-se de Carla.
4. Camila vai se aproximando do palco, apaixonada pela voz de Felipe. Felipe abre os olhos, que vão em direção ao de Camila. Os dois ficam se encarando, até o fim da música.

CAMILA – (batendo palmas) Nossa, que bela voz. Parabéns! Como você se chama?
FELIPE – Obrigado. Me chamo Felipe. Eu te conheço. Você é a Camila Oliveira!
CAMILA – Sim, sou eu! Já me ouviu cantar então?
FELIPE – Sim, muito!
CAMILA – Eu estava te vendo ali cantar e posso dizer que você canta muito. Você é daqui do Rio mesmo?
FELIPE – Sou.
CAMILA – E toca em algum lugar? É cantor profissional?
FELIPE – Não, não. Sou amador. Na verdade, estou tentando criar uma carreira profissional. (três garotas se aproximam dela)
GAROTA 01 – Oi, Camila! Somos muito suas fãs! Será que você podia nos dar um autógrafo?
CAMILA – Claro, meus amores. (recebe uma caneta, começa a autografar algumas fotos. Felipe coloca seu violão ao lado, observa tudo, um pouco envergonhado)
GAROTA 02 – Obrigada!
CAMILA – De nada. Eu que agradeço o carinho de vocês.
GAROTA 01 – Será que eu posso te dar um abraço?
CAMILA – Claro, querida. (a abraça, as três garotas saem felizes. Camila foca-se em Felipe)
FELIPE – Parece que você é muito famosa, hein.
CAMILA – (brinca) Digamos que um pouquinho. (sobe no palco, fica ao lado dele, que se levanta) Que tal cantar uma música comigo? (Bruno aparece na entrada do restaurante, procura por Camila)
FELIPE – Sério?
CAMILA – Sim. (Felipe sorri, não acredita naquela oportunidade) Fique à vontade para escolher qualquer música.
FELIPE – Tá. É… pode ser uma sua? Não Chore Assim! É a minha favorita.
CAMILA – (sorri) A de todo mundo. Fique à vontade. (pega um microfone no outro suporte disponível, Felipe pega seu violão, fica de frente para ela e começa a tocar)

[CENA DE MÚSICA – NÃO CHORE ASSIM (CAMILA OLIVEIRA)]

(Camila e Felipe começam a cantar um de frente para o outro. Ao reconhecer a voz dela, Bruno olha em direção ao palco e não gosta de vê-los juntinhos. Ainda mais, que ela está cantando a música deles. No palco, Camila e Felipe se afastam um pouco. Ela foca-se para os clientes e dessa vez todos estão prestando atenção. Camila não repara em Bruno olhando sério para eles, volta a ficar de frente para Felipe, os dois se aproximam, sorriem. Enciumado, Bruno procura por uma mesa, senta-se e não presta atenção mais na apresentação deles, mexe no celular. No palco, Camila e Felipe ficam de frente para os clientes, encerram a música e são aplaudidos por todos. Uma garota começa a chamar Camila de diva)

CAMILA – Obrigada! Agora uma salva de palmas para o Felipe, gente. Ele merece. (todos batem palmas, com exceção de Bruno, que apesar de ter parado de mexer no celular, continuava enciumado. Felipe se aproxima dela e a abraça, ambos sorriem. Minutos depois os dois descem do palco, Camila encontra Bruno e vão até ele) Amor, quero te apresentar o Felipe.
BRUNO – (levanta-se) Beleza!
CAMILA – Este é o meu parceiro de composição e meu namorado, Bruno.
FELIPE – Opa, beleza. (os dois se cumprimentam)
CAMILA – A música que a gente acabou de cantar, foi nós dois que compusemos.
FELIPE – Parabéns aos dois. A música é um sucesso. Ainda mais depois do que aquela tal Giselle fez.
CAMILA – Ah, nem lembre dessa história. (sentando-se) Por favor, senta-se com a gente. Faço questão. (Bruno senta-se sério, desvia sua atenção para o cardápio)
FELIPE – Eu não sei. Não quero estragar o jantar de vocês. (repara que Bruno está sério, suspeita que talvez tenha ficado com ciúmes de o vê-lo cantar com Camila) E mesmo assim, tenho que voltar para casa. Não moro perto daqui, então não posso perder o ônibus.
CAMILA – Se você quiser a gente te dar uma carona?! (Bruno abaixa o cardápio, olha para Camila incrédulo do que ela acabou de dizer)
FELIPE – Eu agradeço, de verdade. Muito obrigado por ter cantado comigo. Mas realmente preciso ir. Foi um prazer conhecê-la, Camila. Você é muito talentosa, desejo muito sucesso para você.
CAMILA – Me passa pelo menos seu telefone. Tenho alguns contatos que podem te ajudar.
FELIPE – Tá, tem alguma caneta aí? (Camila pega sua bolsa, procura por alguns segundos, retira uma caneta, entrega para ele)
CAMILA – Talvez possamos até gravar uma música juntos. (Bruno já não estava mais aquentando o jeito que Camila estava agindo na frente de Felipe)
FELIPE – (anota o telefone num guardanapo, entrega para Camila junto com a caneta) Aqui está.
CAMILA – Ok. Pode deixar que qualquer coisa, ligo para você.
FELIPE – Obrigado.
CAMILA – Desejo a você muito sucesso também, viu. Que eu ainda possa ouvir muitas músicas suas.
FELIPE – (sorri) Valeu. (olha para Bruno, que o ignora voltando a focar no cardápio) Foi bom te conhecer, Bruno.
BRUNO – (um pouco rude, Camila percebe) Igualmente. (Felipe se afasta da mesa em direção ao palco, começa a arrumar suas coisas para ir embora)

Agora…

[CENA 07 – CASA DE ALICE/ COZINHA/ NOITE]
(Felipe foca-se em Pedro novamente)
FELIPE – Dias depois, eu acabei recebendo uma ligação da Camila. Ela me entregou uma lista com uns alguns contatos de pessoas que também queria montar uma banda.
PEDRO – Você ligou para todos?
FELIPE – Liguei. Fiz teste com todos, verifiquei quem realmente tinha interesse em criar e permanecer em uma banda, foi umas três semanas nesse processo de seleção.
PEDRO – E conseguiu, né?
FELIPE – Consegui. Com a banda formada, nosso foco agora era ganhar público. Começamos a tocar em tudo que era lugar e todo tipo de evento a gente estava participando. Em alguns meses, nossa banda parece que finalmente estava ganhando fãs.
ALICE – O senhor nunca mais viu essa Camila?
FELIPE – Vi. A gente voltou a cantar juntos novamente em um show dela.
PEDRO – O namorado dela na época, deve ter se mordido de ciúmes por vocês dois!
FELIPE – (sorri) Sim, eu percebi que ele ficava mordido com a minha presença. Mas entre eu e a Camila não rolou nada. A gente se tornou apenas bons amigos.
VIVIANE – Desculpa interromper um pouco a sua história, filho. Mas quem quer sobremesa?
PAULA – Uma sobremesa iria cair bem agora.
FELIPE – Verdade. Depois eu continuo a história, crianças. (a empregada coloca a sobremesa na mesa, todos começam se servir em seguida)

[CENA 08 – LANCHONETE DO IVO/ NOITE]
(Ivo está encostado no balcão, pensativo com conversa que teve com Jorge)
RITA – (joga o pano nele) Voando alto, irmão?
IVO – (pega o pano que havia caído no chão, o joga em seu ombro) Só pensativo aqui.
RITA – É sobre a entrevista?
IVO – Estou esperando a decisão da produção do programa. Eles ficaram de me confirmar ainda hoje. (chega uma mensagem em seu celular) Olha só, é uma mensagem deles.
RITA – (se aproxima dele para tentar ler) O que eles dizem?
IVO – (sorri) Eles confirmaram a presença da banda Órbita Três! Me enviaram o dia e o local.
RITA – Sério?
IVO – Sim. (digita uma mensagem de resposta, agradecendo)
RITA – (se afasta dele) Quer dizer que meu irmão irá aparecer na TV.
IVO – Eu não sei. A entrevista será com os garotos da banda, não comigo.
RITA – Mas você como empresário deles, tem que aparecer também.
IVO – (guardando o celular, coloca o pano em cima do balcão) Eu não ligo muito em aparecer. Fazendo esses garotos famosos, é o que importa para mim. (se afasta do balcão, indo atender uma mesa)
RITA – Você é muito besta, irmãozinho. Se eu fosse empresária deles, eu faria questão de embarcar nesse sucesso.

[CENA 09 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ NOITE]
(Larissa está sentada em um dos banquinhos do balcão. Nathaniel aparece ao lado dela)
NATHANIEL – Ah, o amor. (senta-se ao lado dela) Sei muito bem como é?
LARISSA – (surpresa) E você já se apaixonou por alguém, para saber como é?
NATHANIEL – Sim. (brinca) Por mim mesmo.
LARISSA – Estou falando sério, Nathan.
NATHANIEL – Eu também, oras. Não há nada melhor que você se apaixonar por você mesmo.
LARISSA – Tá bom. (repara que um cliente não tira os olhos dela, começa a flertar com ele)
NATHANIEL – (repara) Bem, se você pretende ter algo sério com o Eduardo, acho bom você resolver essa situação, viu.
LARISSA – (levanta-se) Primeiro, eu e Eduardo não temos nada. Embora eu confesse sentir algo por ele. Segundo, eu amo o que eu faço. (pisca para Nathaniel, caminha em direção ao cliente, o abraça sedutoramente. Nathaniel observa tudo, sério)

Daqui seis meses…

[CENA 10 – CASA DE ALICE/ Q. DE ALICE/ TARDE]
(Alice está sentada na cadeira de rodas, ao lado de sua cama. Está com seu caderninho de música sobre as pernas e tenta compor uma música nova. No entanto, suas letras só apresentam sentimentos depressivos e tristes. Ela ler o verso que acabou de escrever, o acha horrível, rasca a folha de seu caderno, começa a chorar. Furiosa, começa a ler as demais letras e começa a rasgar várias folhas ao mesmo tempo. Pega seu caderno e o joga na parede. Começa a bater em suas pernas, com a esperança de sentir alguma dor. Não sentindo nada, caí no choro)

[CENA 11 – LANCHONETE (NOVA YORK)/ TARDE]
(Pedro está sentado em uma das mesas, mexendo em seu celular. Começa a olhar as fotos de seus amigos, e a saudade de casa começa a aparecer em seu peito. Ao ver uma foto de Alice, ele sente como se ela estivesse precisando dele. Saí das fotos, entre no aplicativo de mensagens, começa a gravar um áudio)
PEDRO – (gravando) Oi, Alice. Como vai? Eu sei que eu prometi entrar em contato com você todo dia, ainda mais na situação que você se encontrar. Mas Nova York é uma cidade muito agitada. As coisas aqui acontecem muito rápido, quase não estou tendo tempo para respirar. (fica alguns segundos em silêncio) Estou com saudades. Espero que você esteja fazendo o tratamento tudo certinho, viu? Quando eu voltar para Rio, quero te encontrar andando, hein. Te amo muito, viu. (envia o áudio, fica alguns segundos aguardando-a visualizar. Sem resposta, desliga o celular, olha para o palco e pensa em cantar uma música. Levanta-se, pega o violão que estava disponível, senta-se no banquinho, começa a tocar)

[CENA DE MÚSICA – CHÃO DE GIZ (ZÉ RAMALHO)]

Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz 1
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folha amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão 2
É inútil, pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão 3
Na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de boy, that’s over, baby!
Freud explica

Não vou me sujar fumando apenas um cigarro 4
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular

No mais, estou indo embora!
No mais, estou indo embora!
No mais, estou indo embora!
No mais!

1. Pedro começa a tocar fixando sua atenção ao violão. Assim que começa a tocar, algumas pessoas prestam atenção nele.
2. Pedro fecha seus olhos e lembra dos bons momentos que passou ao lado de seus amigos. Lembra-se de Carol também.
3. Pedro abre os olhos, passa a música inteira olhando para o violão. Poucas pessoas estão prestando atenção nele. Mesmo assim, esses mesmas pessoas estão gostando.
4. Pedro olha para cima, solta um breve sorriso no verso final da música. A lembrança de seus amigos começa a apertar em seu peito. Ao encerrar a música, recebe poucas palmas. Pedro sorri, agradece e coloca o violão ao lado, desce do palco em direção a sua mesa. Volta a comer seus salgados, Gaspar aparece logo atrás dele)

GASPAR – Você cantou bem, garoto!
PEDRO – (se surpreende por reencontrá-lo mais uma vez) Você de novo?
GASPAR – Né. (caminha até o outro lado da mesa) Será que eu posso me sentar? (Pedro o observa, sem respondê-lo)

Continua no Capítulo 10…

POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.

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