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Capítulo 27 | A História de Lily Braun – A Nossa Canção

Daqui seis meses…

[CENA 01 – APARTAMENTO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ SALA – Q. DE PEDRO/ NOITE]
(Samuka, Mônica, Arthur e Elisa chegam ao apartamento. Samuka está segurando o lanche que trouxe para Pedro)
MÔNICA – Ele deve estar dormindo uma hora desse, Sam!
SAMUKA – Vou lá ver. (Arthur e Elisa sentam-se no sofá) Ele chegou e foi direto para o quarto. Tentei conversar com ele um pouco, e embora me dissesse que estava bem, eu sabia que algo o incomodava.
ELISA – Ele perdeu a bolsa, obvio que algo estava incomodando.
SAMUKA – Bem, eu vou lá ver se ele está com fome. (caminha em direção aos quartos, Mônica se aproxima do sofá)
MÔNICA – E você, Arthur? Não pensa em fazer nada?
ARTHUR – O que você quer que eu faça?
MÔNICA – O Pedro perdeu a bolsa na universidade, por sua causa.
ARTHUR – Minha não. Eu não tenho nada a ver com isso. Ele fez isso por conta própria, não o obriguei a nada.
ELISA – Só que ele fez isso, como forma da Elizabeth dar o papel principal a você.
ARTHUR – (irrita-se) Ele não tinha nada que ir atrás disso. A Elizabeth é autoridade máxima naquele lugar, ninguém é capaz de fazê-la voltar atrás em sua palavra. (levanta-se) Mais uma vez, o Pedro fez isso por pura burrice. (as duas o observam, indignadas)
[Q. DE PEDRO]
(Pedro continua conversando com Arthur por vídeo)
RAMON (por vídeo) – A Órbita Três foi convidada para participar de um programa de TV aqui no Brasil.
PEDRO – Uau, que bacana! Quando vai ser?
RAMON (por vídeo) – Será em algumas semanas.
PEDRO – Bem, talvez eu esteja aí para assistir vocês.
RAMON (por vídeo) – Você vai voltar para o Brasil? (Pedro fica com receio de contar que perdeu a bolsa de estudos, Ramon logo muda de assunto) Se for, será melhor ainda. Porque eles também querem que você participe do programa.
PEDRO – Eu?
RAMON (por vídeo) – Sim. Eles querem que contemos um pouco sobre a história da banda e como você foi um integrante da Órbita Três, nada mais justo que participar.
PEDRO – Eu não sei, Ramon…
RAMON (por vídeo) – Eu faço questão que você esteja lá, Pedro. Se hoje a banda se tornou esse fenômeno, temos em parte a agradecer você, que nos ajudou naquela competição. (Pedro sorri, lembra-se por um momento da competição. Samuka bate na porta do quarto neste momento)
SAMUKA – (entra no quarto) Licença, Pedro. Acordado?
PEDRO – Oi, Sam. Estou sim. (foca-se em Ramon) Eu vou pensar e te dou uma resposta, está bem.
RAMON (por vídeo) – Se possível hoje, pode ser? O Ivo precisa dar uma resposta para a produção do programa.
PEDRO – Ok. Valeu! (desliga, presta atenção em Samuka) Eu estava falando com o Ramon.
SAMUKA – (entrega o lanche para ele) Trouxe esse lanche para você. Como você não quis sair com a gente, imaginei que também não pediria nada.
PEDRO – Valeu. (levanta-se da cama, recebe o lanche) O pessoal estão aí?
SAMUKA – Estão sim.
PEDRO – Então acho que vou comer lá fora. Também aproveito e converso com vocês. (caminha em direção à porta, Samuka imagina sobre o que se trataria, o acompanha apreensivo)

[CENA 02 – CASA DE ALICE/ Q. DE ALICE/ NOITE]
(Alice continua ouvindo a voz da moça do outro lado da linha)
MOÇA (ao telefone) – Então, podemos confirmar sua participação?
ALICE – (pensativa, olha para suas pernas) Você certamente não sabe a minha real situação, não é?! Eu não sou mais aquela Alice…
MOÇA (ao telefone) – Sei sim! E é por isso que gostaríamos de tê-la você com a gente. Uma outra moça cadeirante também foi convidada, o nome dela é Ágata. Gostaríamos que vocês duas contasse um pouco sobre vocês e mostrassem para as outras pessoas, até para aquelas que estão na mesma situação, como estão superando este momento delicado.
ALICE – Como se mostrar duas garotas cadeirantes em um programa de televisão, fosse servir de inspiração para outras pessoas.
MOÇA (por telefone) – Dependendo das palavras que forem lançadas, acreditamos que sim. (Alice fica em silêncio, ainda pensativa) Alice? Está aí ainda?
ALICE – Estou.
MOÇA (por telefone) – Então? Posso confirmar sua participação?
ALICE – Preciso pensar. Amanhã te darei uma resposta! (desliga, antes que a moça dissesse alguma coisa. Coloca o celular na cama, empurra sua cadeira até o espelho, observa seu reflexo)

[CENA 03 – APARTAMENTO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ SALA/ NOITE]
MÔNICA – Ah, por um lado eu devo concordar. (Arthur caminha para o outro lado do sofá) O Pedro agiu com muita burrice por ter desistido do papel, para dar a você, um cara babaca que não reconhece o que ele fez.
ELISA – (levanta-se, tenta acalmar o clima que tava ficando tenso) Pega leve, Mônica!
MÔNICA – Eu tenho que pegar leve? É o seu namorado aí, que me dá vontade de socar a cara dele.
ARTHUR – Qualquer um ali daria a vida por um grande papel nos musicais. Duvido que alguém teria feito o mesmo que ele fez. Eu mesmo não teria feito isso. (Pedro e Samuka entram na sala neste momento)
PEDRO – Só que eu não sou todo mundo, Arthur. E também não sou você.
ARTHUR – (surpreso ao vê-lo atrás dele) Pedro!
PEDRO – Eu não me arrependo por ter desistido do personagem, nem que isso tenha custado minha vaga na universidade. Porque eu sei, que eu fiz isso por um amigo. (o encara, Arthur abaixa a cabeça, se afasta dele)
MÔNICA – (caminha até Pedro) Mais uma vez você me provou que tem coragem, Pedro.
PEDRO – Valeu. (continua olhando para Arthur) A Elizabeth me questionou mesmo, caso a situação fosse oposta. Se você realmente faria o mesmo por mim.
ARTHUR – (o encara) Eu não faria, Pedro! Desculpa, mas eu não desistiria do meu sonho por nada. Então, se você espera algo de mim…
PEDRO – Eu não espero nada de você, pode ficar tranquilo. (caminha até o sofá, coloca seu lanche na mesinha ao lado) Também não espero que você se sinta culpado por nada.
ARTHUR – E não estou. Afinal, ambos ficaram sem o papel.
MÔNICA – E o Pedro sem a universidade.
ARTHUR – Na real, cara. Eu não entendo por que você fez isso? Nós nem somos tão amigos assim. A gente se conhece tem o que? Dois ou três meses.
PEDRO – Você e o Sam foram os meus primeiros amigos aqui em Nova York. Vocês me acolheram no seu apartamento, Arthur.
ARTHUR – Precisávamos de alguém para dividir as despesas, só isso.
PEDRO – Mesmo assim… vocês têm sido as pessoas mais próximas a mim, desde que eu cheguei aqui. E pode ter certeza, que eu faria isso por qualquer um nessa sala.
MÔNICA – Nossa, Sam… se eu não fosse tão apaixonada por você, eu já teria te trocado por ele!
SAMUKA – O que?!
MÔNICA – Tô brincando seu bobo.
ARTHUR – Desculpa, cara… mas o que você fez foi uma tremenda burrice. Você ir enfrentar a Elizabeth?! O que ela diz ali é lei e ninguém muda. Além de nenhum dos dois ter ficado com o papel, você acabou perdendo sua bolsa. E possivelmente, pretende voltar para o Brasil.
PEDRO – Sim, pretendo. (olha para todos) Eu sou grato por terem me acolhido. Foi bom o tempo que eu passei aqui com vocês. Mas pretendo voltar para o Brasil. Talvez, se eu resolver tudo essa semana, na próxima mesmo compro minha passagem de volta.
SAMUKA – Você pode ficar aqui o tempo que for necessário, Pedro. É bom que você se prepara, para tentar no próximo semestre.
ARTHUR – A Elizabeth jamais o permitiria entrar novamente. Essa era a única chance. (caminha até ele) Parabéns por tê-la jogado fora. (caminha até seu quarto, Elisa o segue)
MÔNICA – Realmente, Pedro. Se você a enfrentou, que chegou a ponto de você sair da universidade. Duvido que ela deixe você voltar.
PEDRO – (senta-se no sofá) Eu sei. Só que existem outras universidades por aí, não é mesmo. (finge um sorriso, tentando parecer tranquilo com essa situação)

Agora…

[CENA 04 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Andréa entra na lanchonete, indo direto a Ivo)
ANDRÉA – (ansiosa ao lado dele) Recebeu meu vídeo?
IVO – (terminando de arrumar uma mesa) Oi, Andréa. Recebi sim. Não se preocupa que eu enviei para alguns amigos meus.
ANDRÉA – Algum já deu um retorno?
IVO – Ainda não. O processo também não é assim rápido. (caminha até o balcão)
ANDRÉA – Para quantos amigos você enviou?
IVO – Três, se não me engano.
ANDRÉA – Só? Você tinha me dito que sua rede havia aumentando. Três não é lá grande coisa.
IVO – (ri) Relaxa, está bem. Você precisa apenas de um, para aceitar gravar sua música. (vai atender uma mesa, Andréa continua em pé ao lado do balcão, o observa)

[CENA 05 – CASA DE ANA/ Q. DE ANA/ TARDE]
(Ana está estudando, quando recebe uma chamada de vídeo de seu tio)
ANA – Oi, tio Gustavo.
GUSTAVO (por vídeo) – Oi, minha querida. Estudando?
ANA – Sim. Enem está chegando, então tenho que me preparar.
GUSTAVO (por vídeo) – Pra que você continua perdendo tempo com isso. Não combinamos que eu pagaria qualquer curso que você quisesse fazer aqui.
ANA – Eu sei, tio. Mas é que, eu quero ter essa experiência, sabe? E também todos os meus amigos da sala irão fazer, então eu quero ver como eu me saio entre eles.
GUSTAVO (por vídeo) – Entendi. Você quer mostrar que é melhor que eles, né?!
ANA – Quase isso.
GUSTAVO (por vídeo) – Conversou com o seu pai?
ANA – Ainda não.
GUSTAVO (por vídeo) – (chateado) Já se passaram quase três meses desde que você voltou para o Rio, Ana. Já tem tempo suficiente para ter contado tudo.
ANA – Eu vou contar para ele hoje. Realmente, guarda isso por mais tempo, não vai ajudar muito.
GUSTAVO (por vídeo) – Assim espero. Bem, vou deixar você estudar então. Tchau, querida.
ANA – Tchau, tio. (desliga, coloca seu celular ao lado, fica pensativa. Pega o celular novamente, entra no perfil do Alan e observa as novas postagens dele de dança)

Anoitecendo…

[CENA 06 – CASA DE CAIO/ Q. DE CAIO/ NOITE]
(Caio e Pedro estão jogando videogame, sentados na cama dele. Pedro irá jantar hoje com a família do amigo)
CAIO – Lamento, mas você vai perder essa.
PEDRO – Isso é o que vamos ver. (os dois continuam jogando por um tempo, Caio vence)
CAIO – Viu! Eu te avisei.
PEDRO – Na próxima não vou pegar tão leve assim com você.
CAIO – (levanta-se) Pegar leve? Você levou uma surra.
PEDRO – (levanta-se) Vamos outra então?
CAIO – Eu não. Não se mexe em time que está ganhando.
PEDRO – Então deixa eu ver mais uma vez seus desenhos.
CAIO – Melhor não. Minha mãe daqui a pouco aparece aí, para nos chamar para jantar.
PEDRO – Qual é?  Eu gostei de um que vi naquele dia. Queria ver ele de novo. (Caio o observa, querendo não pegar seus desenhos. Mas como Pedro parece realmente necessitado para vê-los, acaba cedendo)
CAIO – Ok. (caminha até seu guarda roupa) Rápido, hein. Depois vamos lá para sala.
PEDRO – Pode deixar. (Caio pega a caixa, caminha até a cama, Pedro o acompanha. Os dois sentam-se um de frente para o outro. Caio retira os desenhos, entrega para o amigo) Nossa, você leva muito jeito para isso.
CAIO – Qual desenho você gostou?
PEDRO – Deixa eu ver. (olha desenho por desenho) É muito difícil dizer qual desenho é o melhor! Não pensa em ganhar dinheiro fazendo isso?
CAIO – Claro que não. Aí as pessoas saberiam do meu segredo.
PEDRO – E o que é que tem?
CAIO – Não enrola, Pedro. Diga logo qual desenho você gostou, que eu tenho que guardar está caixa, antes que a minha mãe descubra. (Camila entra no quarto neste momento)
CAMILA – Antes que eu descubra o que, filho? (caminha até a cama, observa os desenhos. Caio levanta-se, assustado) Que desenhos são esses?

[CENA 07 – CASA DE MANUELA/ SALA/ NOITE]
(Manuela está reunida com suas amigas na sala, na espera do programa iniciar. Enquanto Sua Canção não começa, Manuela aproveita para mostrar a música que escreveu)
ÉSTER – (lendo os trechos da música, particularmente não gostou) Olha…
MANUELA – Tá horrível, né?
ÉSTER – Não é que esteja horrível. É que falta sentimento nela.
MANUELA – Sentimento?
ÉSTER – Quando a Alice compõe, ela normalmente está sentindo algo, entende? Ela pega esse sentimento dentro dela e coloca para fora, em forma de música.
MANUELA – Então eu preciso estar sentindo algo para compor?
ÉSTER – De certa forma sim. Não é uma fórmula padrão para compor, mas ajuda. O que você estava sentindo quando escreveu isso?
MANUELA – Nada. Simplesmente me deu uma vontade de compor, peguei um papel e comecei a procurar as palavras adequadas.
ÉSTER – Não se preocupa, que nós vamos aproveitar isso que você escreveu, e vamos colocar um sentimento nela.
THALITA – (aponta para a TV) O programa vai começar, meninas. Vamos prestar atenção, que talvez você seja a primeira voz da noite, Manu. (Manuela pega a letra de volta, um pouco decepcionada. Presta atenção na TV, embora saiba que não tinha chances de ser a primeira voz)

[CENA 08 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ NOITE]
(mais uma vez o salão fechou suas portas para assistir o programa. Todas as garotas estão reunidas no salão)
LARISSA – (ansiosa) Finalmente!
NATHANIEL – É hora do seu show.
LARISSA – Não crie tantas expectativas, Nathan. Talvez eu nem participe hoje.
NATHANIEL – Sei não, mas algo me diz que você vai ser a primeira desta noite. (percebe que ela ficou preocupado) Tudo bem?
LARISSA – Será que eles cortaram aquele vexame que o Júlio provocou?
NATHANIEL – Isso eu não sei, querida. Vamos torcer para que sim.

[CENA 09 – CASA DE RAMON/ SALA/ NOITE]
(Ramon está vendo o programa junto com Andréa e o pessoal da banda)
RAMON – (repara que Andréa não saí do celular) O programa já começou, sabia?!
ANDRÉA – Eu estou ouvindo, Ramon.
RAMON – Eu sei. Só que a TV também foi feita para se ver também.
ANDRÉA – Quando alguém bom começa a cantar, eu vejo. Por enquanto, estou focada em outra coisa.
RAMON – Se você acha que receberá uma resposta hoje à noite, posso garantir a você que não.
ANDRÉA – (levanta-se) Para de ser pessimista, Ramon. (senta-se na cadeira ao lado, Ramon sorri, foca na TV, onde Lauro anuncia a primeira voz)

[CENA 10 – ESTÚDIO SUA CANÇÃO (programa gravado)/ PALCO/ NOITE]
(Lauro está no centro do palco, olhando para a câmera. Os jurados estão à sua frente, ansiosos para a primeira voz)
LAURO – Para vocês, a nossa primeira voz da noite! Larissa Oliveira! (saí do palco, enquanto Larissa se posicionava. Olha para a banda, dando sinal para começarem a tocar)

[CENA DE MÚSICA – A HISTÓRIA DE LYLI BRAUN (CHICO BUARQUE versão de MARIA GADÚ)]

Como num romance 1
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou 2
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch 3
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa 4
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

1. Larissa tenta se manter calma, para isso ela imagina que está cantando no cabaré e plateia são os clientes. Se sentindo a vontade, começa a caminha livremente pelo palco, dançando de forma provocante.
2. Todos estão atentos a apresentação dela. Nathaniel está ao lado de Lauro, vendo-a pelo televisor, feliz. Eduardo e Otávio como já se apresentaram, estão poucos metros do palco, ouvindo-a cantar.
3. Larissa se aproxima dos jurados, canta alguns versos para Leo, que o deixa envergonhado. Ela volta para o centro do palco e canta olhando para a plateia. Vendo que estão curtindo, a deixa mais confiante.
4. Ela continua andando e dançando pelo palco, mesmo sendo os trechos finais da música. Encerra sua apresentação de frente para os jurados, todos batem palmas, ela agradece, feliz.

(Larissa se aproxima até a borda do palco, ficando próxima dos jurados. Agradece a plateia, que vai parando de bater palmas. Assim que os aplausos se encerram e antes que os jurados começassem comentar, alguém grita da plateia)
JÚLIO – Essa aí é garota de programa. Trabalha em um cabaré. Cansou de fazer programa, foi? (todos olham em direção a voz dele, incluindo Larissa que o reconhece, fica furiosa. Outros dois caras também começam a falar, ambos em pontos diferentes)
CARA 01 – É verdade. Eu mesmo já peguei essa aí. Várias vezes.
CARA 02 – Prostituta. Esse programa é de família, saí daí. (os jurados se assustam com essa reação dos caras na plateia, os três homens começam a vaiá-la. Larissa fica sem reação no palco)
JÚLIO – Aqui não é o seu lugar. Volta para o seu cabaré. Teus machos estão te esperando.

Daqui seis meses…

[CENA 11 – APARTAMENTO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ Q. DE PEDRO/ NOITE]
(Pedro está deitado na cama, olhando para o teto, pensativo. As palavras ditas por Arthur horas atrás, ficam se repetindo em sua cabeça. Seu celular toca, o trazendo a realidade)
PEDRO – (senta-se, atende a chamada de vídeo de Alice) Oi, Alice!
ALICE (por vídeo) – Estava dormindo?
PEDRO – Não, estava aqui pensando apenas.
ALICE (por vídeo) – Eu te liguei, porque preciso de um conselho.
PEDRO – Se eu puder ajudar.
ALICE (por vídeo) – Eu recebi uma ligação da produção de um programa de TV, aqui do Brasil. Eles querem me entrevistar.
PEDRO – Que bacana. Você aceitou, obviamente?
ALICE (por vídeo) – Não, ainda não dê uma resposta. (olha para suas pernas)
PEDRO – Eu fosse você, não perderia uma oportunidade dessa.
ALICE (por vídeo) – Eu não sei se quero aparecer em rede nacional, desse jeito.
PEDRO – Qual é o problema nisso? Você pode pegar isso e mostrar como superação. Imagina o quanto de pessoas irão se inspirar em você?
ALICE (por vídeo) – Ou sentirão pena de mim.
PEDRO – Ah, não. Para com isso, Alice. Já te falei mil vezes para parar com esses pensamentos bestas. Se você foi convidada para este programa, é porque você merece. Não tem nada de pena. (Alice fica em silêncio e pensativa do outro lado) Engraçado, o Ramon me ligou hoje mais cedo, também me convidado para participar de um programa de TV.
ALICE (por vídeo) – O Ramon?
PEDRO – Sim. Na verdade, a banda Órbita Três que foi convidada. E como eu já fui um integrante dela, eles me convidaram.
ALICE (por vídeo) – Será que é o mesmo programa?
PEDRO – Qual é a probabilidade de não ser? (ri) Então você já tem a sua resposta. Assim como eu também tenho a minha. (os dois sorriem)
ALICE (por vídeo) – Obrigada! Mesmo de longe, você continua sendo o meu guia!
PEDRO – E sempre vou ser! (pensa em contar que em breve voltaria para o Brasil, mas não queria estragar o sorriso que estava no rosto dela)
ALICE (por vídeo) – Então eu vou responder a moça que me ligou.
PEDRO – Ok.
ALICE (por vídeo) – Obrigada, irmão! Espero que ao menos os seus sonhos, se tornem realidade. (sorri, desliga a chamada. Pedro fica alguns segundos pensativo. Entra no aplicativo de mensagem, procura o contato de Ramon e lhe manda uma mensagem)
PEDRO (por mensagem) – “Eu aceito participar da entrevista. Te vejo no programa!” (sorri, coloca o celular ao lado, deita-se e volta a olhar para o teto, fica pensativo)

Amanhecendo…

[CENA 12 – UNIVERSIDADE DE MÚSICA (NOVA YORK)/ REITORIA/ DIA]
(Elizabeth está arrumando suas coisas, pois viajará em breve para a acompanhar as primeiras audições dos calouros que entrarão semestre que vem. Pedro bate na porta, entra na sala)
PEDRO – Licença. (caminha até a mesa) Bom dia, Elizabeth.
ELIZABETH – (continua arrumando sua bolsa, não olha para ele) Bom dia. Sua ficha de trancamento está aí em cima. Eu já assinei.
PEDRO – (fica em silêncio por alguns segundos, olha para a ficha a sua frente, depois a encara) Eu mudei de ideia. (Elizabeth para o que estava fazendo, o observa) Eu não vou desistir do meu sonho assim tão fácil! (um breve sorriso cresce no rosto dela)

Contínua no capítulo 28…

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POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.
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