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Capítulo 36 | Meu Sol – A Nossa Canção

Daqui seis meses…

[CENA 01 – APARTAMENTO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ SALA/ TARDE]
(Samuka e Pedro chegam ao apartamento e o encontram literalmente vazio)
SAMUKA – Arthur? (caminha até a cozinha) É… parece que ele foi embora mesmo. (vai até o sofá)
PEDRO – (senta-se) Se eu pudesse fazer algo, saiba que eu faria, Sam. Vocês dois eram amigos, só foi eu chegar que virou esse caos.
SAMUKA – Você não tem culpa de nada, tira isso da cabeça. O Arthur que é difícil mesmo de se lidar. (senta-se) Demorei dois anos para me acostumar com ele.
PEDRO – (ri) Será que vou levar esse tempo também?
SAMUKA – Do jeito que você pegou o papel dele, vai demorar mais do que isso, meu amigo. (levanta-se, em direção ao quarto) Pode se preparar, que ele vai te perseguir por um bom tempo. (Pedro continua sentado no sofá, sorri ao lembrar de Arthur)

[CENA 02 – APARTAMENTO NOVO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ SALA/ TARDE]
(Arthur está deitado no sofá, olha para o teto)
ARTHUR – (gira o celular em seu peito) Preciso começar a pensar o que farei daqui pra frente. (senta-se) Daqui dois meses o semestre acaba, são as avaliações finais, o musical… (fica em silêncio, encosta-se no sofá) Acho que agora o que me resta é me preparar.

Anoitecendo…

[CENA 03 – APARTAMENTO DE ATHUR (NOVA YORK)/ SALA/ NOITE]
(Samuka entra na sala falando ao telefone com Elisa, Pedro está sentado no sofá, mexe no celular)
SAMUKA – Ele infelizmente não deixou nenhum endereço. Você sabe como ele é. Pois, é. (Pedro guarda o celular, presta atenção em Samuka) Parece que o único jeito de descobrirmos onde ele está morando, será amanhã na universidade. Ele também não atende as minhas ligações. Mandei algumas mensagens hoje à tarde, só que ele nem visualizou. Sabemos que isso é só para chamar atenção. Tudo bem. Se ele te enviar qualquer coisa ou contar onde está morando, avisa pra gente está bem? Ok, tchau, Elisa.
PEDRO – Arthur está evitando a Elisa também?
SAMUKA – Todos na verdade.
PEDRO – Eu tava pensando em mandar uma mensagem pra ele, mas tenho certeza de que serei ignorado também.
SAMUKA – Provavelmente. Vai por mim. É melhor deixar ele sozinho um pouco, refletir essa noite e amanhã na universidade, ele não escapa.

Amanhecendo…

[CENA 04 – UNIVERSIDADE DE MÚSICA (NOVA YORK)/ SALA DE MÚSICA/ DIA]
(Arthur está sozinho na sala, limpa os instrumentos. Samuka entra na sala junto com Pedro, Elisa e Mônica)
ELISA – Encontramos o desaparecido. Pode nos explicar porque não respondeu a nossa mensagem?
ARTHUR – (continua focado no trompete) O que estão fazendo aqui?
SAMUKA – Estávamos preocupados com você. Você se muda ontem do nosso apartamento, some por um dia inteiro. Pensamos que tivesse acontecido alguma coisa.
ARTHUR – Eu estou bem. E vocês não deviam estar ensaiando para o musical?
ELISA – Vamos assim que você nos contar onde está morando?
ARTHUR – Moro em um apartamento duas quadras daqui.
ELISA – (se aproxima dele) Queremos o endereço, Arthur.
ARTHUR – Para que? (deixa o trompete de lado, levanta-se) Você ultimamente tem dado mais atenção ao musical do que ao seu próprio namorado.
ELISA – Você sabe como a fase dos ensaios são intensas. Somos até dispensados das avaliações finais, para nos dedicarmos somente a eles.
ARTHUR – Enquanto vocês são dispensados, outros alunos precisam fazer as atividades curriculares para conseguir ser aprovado.
ELISA – Para com isso, Arthur. Até quando vai ficar assim?
MÔNICA – Só tem tamanho, porque parece uma criança birrenta.
ARTHUR – Eu só quero conseguir passar esse semestre, está bem. (olha para Pedro) Já que eu não estou no grupinho privilegiado de vocês.
PEDRO – Eu sei que o seu problema é comigo, Arthur. Não precisa envolver eles nisso.
MÔNICA – Não precisa proteger a gente, Pedro.
ARTHUR – (irritado) É, Pedro… não precisa protegê-los. (caminha até o teclado)
SAMUKA – (caminha até ele) Cara… eu apoio você de mudar e tal, sem problema. Mas, não vamos abalar a nossa amizade por besteira. Não se afasta da gente. (Arthur o observa, continua em silêncio)
ELISA – Depois do ensaio, eu quero ir ver o seu apartamento novo.
ARTHUR – O apartamento está vazio ainda. Tem só um sofá na sala.
PEDRO – (preocupa-se) Você dormiu nele?
ARTHUR – Até a minha cama chegar, sim. Aliás, irei buscar alguns móveis hoje lá no apartamento. Assim que pegá-los, devolverei a minha cópia da chave.
SAMUKA – Ela é sua. Não precisa.
ARTHUR – Melhor não. (limpa as teclas)
ELISA – É sério, amor. Diga onde você está morando. Eu quero te visitar hoje à noite.
ARTHUR – Quando o apartamento estiver pronto, eu passo o enderenço a você.
MÔNICA – Gente, ele não vai dizer onde está morando. Será que podemos ir para o auditório? A Liandra deve estar nos esperando, junto com o pessoal.
SAMUKA – Até mais, Arthur. (caminha em direção a saída, Mônica vai atrás dele. Pedro pensa em dizer alguma coisa, mas saí da sala)
ELISA – (caminha até ele) Eu vou te visitar hoje, mesmo que você tente fugir de mim, não irei te deixar ir. (Arthur olha para ela e ver que está falando sério. Saí da sala, ele a observa)

Agora…

[CENA 05 – RUA/ DIA]
(Daniel continua andando em algumas ruas da cidade, a procura de um local para ficar. Logo atrás dele, do outro lado da rua, está Samuel)
SAMUEL – O que será que ele está procurando? (se esconde assim que o filho entra em uma pensão) Será que ele está procurando um lugar para morar? (observa o local que Daniel entrou, ainda escondido. Minutos depois, Daniel saí da pensão, segue sua viagem) Será que ele não encontrou vaga? (volta segui-lo)

[CENA 06 – COLÉGIO ESTUDAL OLIVEIRA SANTOS/ REFEITÓRIO/ DIA]
(Manuela está lanchando junto com suas amigas, o assunto ainda é o vestibular de ontem)
THALITA – Eu confesso que chutei todas de matemática. Se eu avançar para a próxima etapa, será só por um milagre.
ÉSTER – Eu não. Preciso entrar para a universidade ano que vem, caso contrário, terei que perder um ano em cursinhos.
THALITA – Serão duas.
MANUELA – Eu também estou preocupada. Não fui tão bem quanto esperava.
ÉSTER – Tá brincando, né? De nós três aqui, você é a que tem mais chance de entrar.
MANUELA – Eu sou inteligente meninas, mas também não sou nenhuma nerd. Tinham algumas questões que o nível estava bem difícil, até pra mim. Sem contar que as últimas semanas, não estive estudando tanto assim.
THALITA – Claro, estava focada no programa.
MANUELA – Eu prefiro não passar nesta primeira etapa. Assim, posso me dedicar ao programa exclusivamente. E, tento o ano que vem entrar em uma universidade.
ÉSTER – Você aceitaria fazer cursinho com a gente, se não passar?
MANUELA – (sorri) É claro que sim! Não pretendo abandonar vocês tão cedo, meninas.

[CENA 07 – RUA/ DIA]
(Daniel fez uma pausa dessa vez em uma sorveteria. Compra um sorvete e segue seu caminho. Samuel continua o seguindo do outro lado da rua)
DANIEL – (cansado) Acho que por hoje chega. O que será que deu nas pensões dessa cidade para estarem sem vagas?! (para na faixa de pedestre, olha para o sinal e atravessa a rua junto com algumas pessoas. Seu pai se esconde rapidamente)
SAMUEL – Será que ele desistiu de encontrar uma pensão? (caminha apressado, dobra a esquina, Daniel havia desaparecido) Ué? Onde será que ele foi? (olha para todos os lados, mas nem sinal dele. Daniel havia entrado em uma loja de variedades)

Mais tarde…

[CENA 08 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Pedro está sentado em uma mesa junto com Ramon e Caio. Ele troca mensagens com a irmã)
PEDRO – (ri) Quando o assunto é organizar festa, a Alice fica obcecada. Ela quer organizar a festa do nosso aniversário sozinha. Diz que quer me fazer uma surpresa.
RAMON – Aceita, ué. Você sabe como as festas da sua irmã são um sucesso. E já que ela quer fazer uma surpresa para o irmãozinho, porque não aceitar?!
PEDRO – Nós dois faremos aniversário no mesmo dia. Se ela vai me dar algum presente, eu também tenho que dar algo pra ela.
CAIO – Prepara um, então.
PEDRO – É isso que vou fazer, Caio. Ela pode até organizar essa festa sozinha, mas ela também vai ganhar uma surpresa. (deixa o celular ao lado, fica pensativo. Acaba de ter uma ideia) Já sei o que vou fazer. (sorri, volta a digitar no celular)
RAMON – O que você pensou?
PEDRO – Calma, antes preciso saber se é possível com um amigo aqui. (continua digitando, Ramon e Caio se entreolham curiosos)

[CENA 09 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ TARDE]
(Nathaniel limpa a prateleira de bebidas. Suas lembranças de quando era humano voltaram por completo. Embora seus poderes de anjo também tenha voltado, continua agindo normalmente)
SALETE – (entra no salão, se aproxima do bar) O que seria dessa casa, sem a sua dedicação, né meu querido?!
NATHANIEL – Oi, Salete. Estou apenas tirando a poeira de sempre. Já limpei as mesas, então vim para o bar.
SALETE – (senta-se em um dos bancos) Te ver assim empolgado, cuidando do cabaré me deixa feliz, sabia.
NATHANIEL – (se aproxima dela) Que é isso. (olha ao redor) Aqui é o meu lar, não é verdade?! Tenho que cuidar dele.
SALETE – Ouvir isso me deixa tranquila, pois me ajuda na decisão que irei tomar.
NATHANIEL – Que decisão?
SALETE – Eu acho que chegou a hora de encontrar um substituto para ficar no meu lugar.
NATHANIEL – A senhora não pode sair. Esse caberá é seu…
SALETE – Eu não estou pensando em sair assim, do nada. Eu amo este lugar mais do que tudo. Só que, se eu precisar de um substituto, preciso treiná-lo, não é mesmo? Então passar para essa pessoa os ensinamentos adquiridos ao longo desses anos todos, requer um pouco de tempo. Tenho que preparar ela bem, para ficar no meu lugar. (sorri, Nathaniel estranha o jeito que ela o observa)
NATHANIEL – E a senhora já tem em mente essa pessoa?
SALETE – Tenho. Na verdade, era a minha opção desde o início. Passei as últimas semana o observando, e cada vez mais, foi me mostrando ser a pessoa certa.
NATHANIEL – (tenta mudar de assunto, volta para as prateleiras de bebidas) Seja qual for das meninas, elas cuidarão bem do cabaré.
SALETE – Não estou falando das meninas, Nathan. (ele para de tirar o pó, abaixa a cabeça) Eu estou me referindo a você. (vira-se para ela, ergue a cabeça)
NATHANIEL – Eu?
SALETE – Sim. Você mais do que ninguém, quer ver essa casa brilhar cada vez mais. Trouxe a ideia do musical, que foi um sucesso. Vem cuidando das meninas, do local… não tem ninguém melhor do que você, Nathan. Eu ficaria muito feliz, se você aceitasse. (Nathaniel a observa, sem saber o que dizer)

[CENA 10 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Dácio vai até a lanchonete, minutos depois de receber uma mensagem de Pedro)
DÁCIO – (ao lado de Pedro) Bem, o que você quer fazer é possível sim. O problema é só a questão do tempo. O seu aniversário é daqui 04 dias. Para fazer isso, contando todos os momentos que vocês viveram e transformar em uma animação, requer um tempo maior.
PEDRO – Eu sei, só que não precisa contar tudo que a gente viveu. Estava pensando em contar apenas o principal.
DÁCIO – Por que você não cria um pequeno roteiro pra mim? Sabendo o que você quer, eu posso dizer se dá tempo ou não.
PEDRO – Claro, vou fazer isso. Pode ser agora?
DÁCIO – Quanto mais rápido for, mais tempo temos.
CAIO – De onde você tirou essa ideia, Pedro?
PEDRO – Eu vi em um filme e acabei gostando. Pensei que se eu contasse para o meu amigo fera da computação, achei que poderia ser feito na vida real também.
RAMON – Sendo assim, eu vou querer fazer um pra mim também. Quero fazer um para a Andréa, quando comemorarmos 01 ano de namoro.
PEDRO – Calma, Ramon. A prioridade aqui agora é o presente para a Alice. (pega um guardanapo) Alguém tem uma caneta aí?
CAIO – Eu tenho uma aqui. (pega sua mochila detrás da cadeira, a abre e retira uma caneta)
DÁCIO – Você ainda não foi para a casa?
CAIO – Não. Meus pais não estão em casa. (entrega a caneta para Pedro)
PEDRO – Valeu.
RAMON – Eles estão aonde?
CAIO – Minha mãe está no trabalho, meu pai tinha que resolver alguma coisa na rua. Então ao invés de ir pra casa e ficar sozinho, quis vir com vocês. (Pedro o observa e sorri. Caio sabe porque ele está sorrindo)

[CENA 11 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ TARDE]
(Nathaniel coloca o pano em seu ombro, se aproxima de Salete)
NATHANIEL – Eu não sou a pessoa mais adequada, Salete.
SALETE – Claro que é. Eu já me decidi, Nathan. Eu quero você no meu lugar, cuidando do Casa delle Rose.
NATHANIEL – É sério, Salete. Eu não posso aceitar. Porque você não escolhe a Larissa? Ela gosta daqui, tanto quanto eu.
SALETE – A Larissa será uma grande estrela quando ganhar o programa de música. Os dias dela aqui com a gente estão contados.
NATHANIEL – A Ione talvez?
SALETE – A Ione é um pouco maluquinha, Nathan. Você sabe disso.
NATHANIEL – Tem que ter alguma outra menina que trabalha aqui.
SALETE – Não tem, eu já pensei em todas as possibilidades. Você é a pessoa mais adequada, Nathan. É o seu destino, não tem pra onde correr. (Nathaniel a observa e percebe que ela está decidida nisso)
NATHANIEL – Desculpa, Salete. (toca no braço dela, Salete fica imóvel, olha para ele) Você ainda está procurando alguém para te substituir. Eu sou o primeiro a ser descartado, por não ter condições para cuidar bem do cabaré. Você irá escolher uma das meninas. Aquela que melhor se pareça com a senhora.
SALETE – Eu ainda estou escolhendo um substituto. Você não é uma opção, por não apresentar condições para cuidar da casa. Irei ver entre as meninas, qual delas é a melhor para ficar em meu lugar.
NATHANIEL – Isso. (solta do braço dela, Salete volta ao normal)
SALETE – (um pouco confusa) Nathan…? O que estávamos conversando?
NATHANIEL – A senhora estava me contando como foi o passeio ontem com o Horácio. (pega o pano de seu ombro)
SALETE – Estou me sentindo estranha. (olha confusa para ele) Tem certeza de que era sobre isso?
NATHANIEL – Tenho sim. (se aproxima das prateleiras de bebidas) A senhora estava me contando que depois do sorvete que vocês tomaram, ele a levou para um passeio no parque.
SALETE – Não me lembro de ter contado isso para você.
NATHANIEL – A senhora ficou pálida de repente, não acha melhor ir um pouco para o quarto?
SALETE – (levanta-se) É, acho que vou fazer isso. (caminha em direção aos quartos. Nathaniel fica aliviado)

[CENA 12 – CASA DE ANA/ Q. DE ANA/ TARDE]
(Ana está deitada no sofá, vendo alguns vídeos de Alan dançando. Junior chega em casa com algumas sacolas)
JUNIOR – Oi, filha.
ANA – (senta-se) Oi, pai.
JUNIOR – (caminha até a cozinha, minutos depois está de volta) O que está fazendo?
ANA – Nada demais. Precisa de ajuda para guardar as coisas?
JUNIOR – Não, não precisa. (se aproxima de sua filha, senta-se) Na verdade, eu gostaria de saber sobre aquela sua decisão…
ANA – (guarda o celular) Eu ainda não me decidi, pai.
JUNIOR – O ano está acabando filha. Você precisa escolher logo, porque se você realmente for morar em Madrid… (sente um aperto no peito, ao finalizar a frase) … precisamos arrumar suas coisas. Eu quero que você seja feliz, que construa um futuro brilhante, mesmo que ele não seja aqui, ao meu lado.
ANA – Eu preciso de mais um tempo, pai. Talvez, até o resultado desta primeira etapa do vestibular sair.
JUNIOR – Ok. (finge um sorriso) Só não é bom deixar tudo para cima da hora, está bem. (levanta-se, volta para a cozinha)

[CENA 13 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Pedro está criando o roteiro no guardanapo, os demais garotos estão mexendo no celular. Daniel entra lanchonete, os procura)
DÁCIO – (acena para ele) Aqui. (ao vê-lo, Daniel se aproxima da mesa)
DANIEL – Boa tarde, pessoal.
PEDRO – Boa tarde.
RAMON – Beleza.
DÁCIO – Pega uma cadeira aí, senta aqui com a gente. (Daniel pega a cadeira da mesa ao lado, coloca perto de Dácio)
DANIEL – Eu tava aqui perto, quando você me mandou mensagem. Então, o que vocês estão fazendo?
DÁCIO – O Pedro me pediu ajuda para fazer uma surpresa para a irmã dele. O aniversário dos dois será Quinta agora.
DANIEL – Bacana. (repara que Ramon não parava de observá-lo, desde que ele chegou)
PEDRO – Esteja convidado.
DANIEL – Eu?
PEDRO – Sim. O Dácio é meu amigo, e como vocês estão namorando, pode ir. (isso saiu tão naturalmente dele, que o único que achou estranho foi Dácio)
DANIEL – Eles sabem?
DÁCIO – O Pedro sim.
RAMON – Eu já desconfiava.
PEDRO – Foi mal, será que eu falei o que não devia?
DÁCIO – Relaxa, Pedro. Tem um bom tempo que já não nos escondemos mais. (segura a mão dele)
DANIEL – (olha para o palco) E tem um bom tempo que eu cantei naquele palco. (solta a mão de Dácio, levanta-se, caminha até a máquina de karaokê. Escolhe uma música, dá play nela e vai para o palco) Boa tarde, pessoal. Essa música quero dedicar para todos os casais apaixonados que estão aqui. Para os solteiros apaixonados que também estão aqui. (ri) E, em especial, para aquele garoto bonito, sentado naquela mesa ali. (todos olham para a mesa onde está Dácio, que se envergonha. Daniel começa a cantar)

[CENA DE MÚSICA – MEU SOL (VANGUART)]

Minha alma 1
Sabe que viver é se entregar
Sabendo que ninguém pode julgar
Se teve que olhar pra trás ou não

Talvez
Se a vida me trouxer o que eu pedi
Te encontro e faço tudo o que quiser
Te dizendo “O Sol renasce amanhã”
A vida é tão mais vida de manhã

Quando vejo você 2
Saiba você é
Meu Sol

Ela
Tem entrelinhas fáceis de rimar
Me encosta o colo e fica onde quiser
E me molha como um rio que lava o chão

Só pra você 3
Eu tenho os olhos e meu coração
Espero o teu sorriso e as tuas mãos
Não esquece, o Sol renasce amanhã
A vida, enfim vivida de manhã

Quando tenho você
Sempre você é
Meu Sol

Meu Sol
Saiba você é
Meu Sol
Sempre você é
Meu Sol

Eu já 4
Me preparei demais
E declaro, agora é a hora
O amor profundo, o amor que salva
Vem depressa, não demora

Meu Sol
Saiba você é
Meu Sol
Sempre você é
Meu Sol

1. Daniel começa a cantar, olha para todos em geral. Os clientes prestam atenção nele, alguns casais se entreolham. Pedro continua escrevendo seu roteiro no guardanapo. Dácio e os outros prestam atenção em Daniel cantar.
2. Samuel entra na lanchonete, ver o filho cantar. Caminha até o balcão, senta-se em um dos banquinhos e o observa, sorri. Alguns clientes começam a bater palmas, conforme o ritmo da música.
3. Daqui em diante, Daniel canta olhando para Dácio. Vê-lo sorrir, o faz cantar feliz. Samuel repara os olhares entre dois e isso o faz ficar sério. Alguns clientes olham para a mesa de Dácio, cochicham entre si. Samuel acredita que estejam falando coisas maldosas do filho e isso o deixa furioso.
4.  Em segundos Samuel fica cego de raiva, que nem presta mais atenção no filho cantando feliz em cima do palco. Repara nos clientes que não paravam de cochichar e apontar para a mesa de Dácio. Daniel encerra a música, sendo aplaudido.

(ele desce do palco, vai até a mesa, puxa Dácio e o beija ali mesmo. O pessoal se surpreendem, alguns os parabenizam. Samuel levanta-se do banquinho e vai apressado até eles, os separa)
SAMUEL – (furioso) Vocês perderam a vergonha?!

Continua no capítulo 37…

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POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.
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