Capítulo 40 | Piloto Automático – Minha Canção

[CENA 01 – CASA DE MANUELA/ SALA/ DIA]
(Marcelo logo interrompe o beijo e se afasta de Manuela)
MARCELO – O que significa isso?
MANUELA – Desculpa, Marcelo. (levanta-se, se afasta) Desculpa, eu não queria fazer isso. Foi por impulso…
MARCELO – Sinto muito, mas… acho que não vamos poder ensaiar hoje. (começa a guardar seu material na mochila)
MANUELA – Desculpa, de verdade Marcelo. Prometo que isso não vai se repetir. Eu tenho namorado, nem entendo por que fiz isso. Mas por favor, preciso praticar essas músicas. Você é o único que eu posso contar.
MARCELO – (pensa em continuar guardando suas coisas) Tá. (retira seu notebook da mochila)
MANUELA – Obrigada. (sente-se envergonhada em querer sentar novamente) Vou buscar os lanches que a minha mãe preparou. (sai apressada para a cozinha, Marcelo continua mexendo em seu notebook)

[CENA 02 – CASA DE PEDRO/ SALA/ DIA]
(Paula está varrendo a casa, quando a campainha toca)
PAULA – Só um momento! (coloca a vassoura ao lado, e vai abrir a porta) Junior?!
JUNIOR – Oi, Paula. (a abraça)
PAULA – Quer surpresa. Entra.
JUNIOR – Né. Aproveitei a folga do trabalho, e vim te ver. Depois que você saiu do coma, precisava te ver. Espero não está atrapalhando?!
PAULA – Não, não está. Para falar a verdade, depois que voltei meus dias tem sido um tédio.
JUNIOR – Onde está o Pedro?
PAULA – Eu também gostaria de saber, Junior. (coloca a vassoura na cozinha, retorna para a sala em seguida) Senta, por favor. (os dois sentam-se) O Pedro saiu hoje cedo, e você o conhece, não avisou para ninguém para onde iria.
JUNIOR – Eu também fiquei sabendo o que aconteceu com ele. De que o Felipe é o verdadeiro pai dele. É verdade que ele tava se envolvendo com a irmã?
PAULA – Tudo indica que sim. Eu precisava está aqui, Junior. Se eu tivesse aqui, isso não teria acontecido.
JUNIOR – Mas ele superou?
PAULA – Sim. (sorri) Pedro se parece muito com a mãe dele. Assim como a Carla, ele não é de ficar se lamentando pelos cantos. Pelo menos, não na frente de alguém.
JUNIOR – Se ele saiu, certamente deve está com os amigos.
PAULA – Talvez. O que eu sei, é que logo ele deve está aparecendo por aí, como se nada estivesse acontecendo.

[CENA 03 – LANCHONETE DO IVO/ DIA]
(Ramon e o pessoal estão terminando de arrumar os instrumentos no palco, Ivo se aproxima)
IVO – Estão prontos?!
RAMON – Quase, Ivo.
IVO – Quais músicas irão tocar hoje.
RAMON – Estávamos pensando em cantar um rock clássico nacional.
IVO – Eu tenho uma sugestão. Claro, se vocês quiserem.
RAMON – Diz aí.
IVO – O pessoal gosta de vocês porque são jovens, animados, energéticos… então, isso me lembra muito uma banda que me influenciou muito quando eu estava fundando minha banda anos atrás.
RAMON – Qual é a banda?
IVO – Mamonas! (os garotos se entreolham, sorriem. Segundos depois todos estão com seus instrumentos, prontos para tocar)

[CENA DE MÚSICA – PELADOS EM SANTOS (MAMONAS ASSASSINAS)]

Mina, seus cabelo é da hora 1
Seu corpão violão
Meu docinho de coco
Tá me deixando louco

Minha Brasília amarela
Tá de portas abertas
Pra mode a gente se amar
Pelados em Santos

Pois você, minha pitchula 2
Me deixou legalzão
Não me sintcho sozinho
Você é meu chuchuzinho
Music is very good

(Oxente ai, ai, ai!)
Mas comigo ela não quer se casar
(Oxente ai, ai, ai!)
Na Brasília amarela com roda gaúcha
Ela não quer entrar
(Oxente ai, ai, ai!)

É feijão com jabá 3
A desgraçada num quer compartilhar
Mas ela é lindia
Mutcho mar do que lindia
Very, very beautiful

Você me deixa doidião
Oh, yes! Oh, no!
Meu docinho de coco
Music is very porreta

(Oxente Paraguai!) 4
Pos Paraguai ela não quis viajar
(Oxente Paraguai!)
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci
Ela não quer usar
(Oxente Paraguai!)

Eu não sei o que faço
Pra essa mulé eu conquistchar
Porque ela é lindia
Mutcho mar do que lindia
Very, very beautiful

Você me deixa doidião 5
Oh, yes! Oh, no!
Meu chuchuzinho
Oh, yes! No, no, no, no!
Eu te I love you!

Pera aí que tem mais
Um poquinho de u
Uuuuu

Tchê

1. Os garotos começam a música animados, pessoal da lanchonete reconhecendo a música logo se aglomera ao redor do palco.
2. Ivo volta para o palco e começa a filmar a apresentação dos garotos.
3. Ramon anda pelo palco, dançando e pulado. As pessoas ao redor do palco também pulam e dançam.
4. Ivo anda pela lanchonete, filmando a animação de geral, foca-se nos garotos por alguns segundos, em seguida volta a filmar os clientes.
5. Ivo volta para o balcão, encerra a gravação e presta atenção no termino da apresentação dos garotos, que são aplaudidos no fim.

[CENA 04 – SHOPPING/ DIA]
(Alice visita várias lojas, no entanto nenhuma delas lhe agrada. Cansada de andar, ela decide dar um tempo em um dos banquinhos de descanso no shopping. Pega seu celular e acompanha suas redes sociais. Ao ver alguns comentários de seus seguidores sobre seu último show na cidade hoje à noite, Alice solta um leve sorriso. Em seguida levanta-se, tira uma foto e publica em um story. Guarda seu celular e volta a visitar mais lojas)

[CENA 05 – PIZZARIA/ DIA]
(Pedro entra na pizzaria, em direção ao balcão, onde está Laila)
LAILA – Olha só… quem é vivo sempre aparece.
PEDRO – Bom dia para você também, Laila.
LAILA – Veio ver se tinha emprego ainda?
PEDRO – Na verdade, vim pedir demissão.
LAILA – O que?
PEDRO – Sou grato pela a oportunidade que você me ofereceu, mas, preciso ir atrás do meu sonho.
LAILA – Você passou uma semana sem vim para o trabalho, e acha que ainda tem seu emprego?! Querido, você foi demitido. Você não trabalha mais aqui.
PEDRO – Eu imaginava que você fosse me despedir, porém eu precisava oficializar. Bem, fiz minha parte. Sou grato pela oportunidade, mas agora preciso encontrar novos horizontes.
LAILA – Você deve está abandonando tudo mesmo, hein?! Soube que você saiu da banda. Agora veio até aqui pedir demissão. O que fará agora? Sairá da cidade em busca desses seus “novos horizontes”?!
PEDRO – (ri) Não. Na verdade, ainda não sei se devo ou não voltar para o sítio do meu avô.
LAILA – Isso tudo pra mim parece uma tentativa de fugir de seus problemas.
PEDRO – (fica em silêncio, sério) Eu não estou fugindo. (olha para o palco) Antes deu ir, será que eu posso…
LAILA – Claro! Fique à vontade. (Pedro se aproxima até o palco, pega o violão, se aproxima do centro, começa a cantar)

[CENA DE MÚSICA – PILOTO AUTOMÁTICO (SUPERCOMBO)]

Eu nunca fiz questão de estar aqui 1
Muito menos participar
E ainda acho que o meu cotidiano
Vai me largar

Um dia eu vou morrer
Um dia eu chego lá
E eu sei que o piloto automático
Vai me levar

Eu devia sorrir mais 2
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Tudo o que vier eu fiz por merecer

Eu devia sorrir mais
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Fácil de falar, difícil fazer

Quase toda vez que eu vou dormir 3
Não consigo relaxar
Até parece que meus travesseiros pesam
Uma tonelada

Eu devia sorrir mais
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Tudo o que vier eu fiz por merecer

Eu devia sorrir mais 4
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Fácil de falar, difícil fazer

Eu nunca fiz questão de existir
Não queria incomodar
Um dia eu acho um jeito de aparecer
E você notar

(Piloto automático)
Você notar
(Piloto automático)
Você notar

1. Pedro começa a cantar, focando sua atenção para as pessoas da pizzaria. Laila apenas o observa.
2. Aos poucos o público começa a prestar atenção em Pedro, assim como alguns funcionários.
3. Pedro olha para Laila, e a ver curtindo a apresentação. Logicamente porque a música está entretendo as pessoas da pizzaria.
4. Pedro encerra de cantar, e é aplaudido pelas pessoas. Foca-se em Laila, que apesar de ter animado o ambiente, não está batendo palmas.

Mais Tarde…

[CENA 06 – CASA DE OTÁVIO/ SALA/ TARDE]
(Otávio está na sala tocando algumas notas aleatórias no piano. Campainha toca, imaginando que seja a pizza que pediu, levanta-se com um leve sorriso)
EDUARDO – E aí, Otávio!
OTÁVIO – Eu estava contabilizando o tempo, hein. Mais alguns minutos iria ganhar uma pizza de graça.
EDUARDO – Não enquanto eu for entregador.
OTÁVIO – (recebe a pizza, caminha até o sofá, a coloca em cima, em seguida volta para a porta) Aqui está. (Eduardo recebe, e dar o troco para Otávio)
EDUARDO – Como está sua mãe?
OTÁVIO – Melhor.
EDUARDO – Que bom. Diga que eu mandei lembrança para ele.
OTÁVIO – Mando sim, pode deixar.
EDUARDO – Bem, tenho que ir agora. (coloca sua mochila nas costas) Tenho duas outras entregas, e você me conhece, não posso deixá-las atrasar.
OTÁVIO – Sem problema! (sorri para Eduardo, que monta na sua moto e vai embora. Otávio entra em casa, caminha até o sofá, senta-se, coloca a pizza no colo, tira uma fatia e come. Silvana entra na sala)
SILVANA – Eduardo já foi?
OTÁVIO – Acabou de ir. Tinha outras entregas para fazer.
SILVANA – Estava ocupada lá dentro quando eu o ouvi.
OTÁVIO – A senhora quer pizza?
SILVANA – Não, obrigada querido.
OTÁVIO – A senhora queria conversar com ele?
SILVANA – Na verdade, gostaria de convidá-lo para jantar hoje com a gente.
OTÁVIO – Por quê?
SILVANA – Por nada. Apenas lembrei que ainda não o agradeci por ter me ajudado naquele dia.
OTÁVIO – Eu posso ligar para ele, se a senhora quiser.
SILVANA – Onde ele trabalha mesmo?
OTÁVIO – Não sei ao certo, mas creio que deve está na caixa. (entrega a caixa para sua mãe)
SILVANA – É… acho que conheço. (entrega a caixa novamente)
OTÁVIO – A senhora tem certeza que não quer um pedaço?
SILVANA – (ri) Tenho. Vou terminar o que estava fazendo lá dentro. (fica séria e vai para cozinha. Otávio pega outra fatia de pizza)

[CENA 07 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Ramon está comendo algo com Andréa, os demais garotos estão em outra mesa)
ANDRÉA – A melodia está boa, né. Está animada, é divertida. Combina com a letra, mas…
RAMON – Mas?
ANDRÉA – Sei lá, meio que falta algo ainda.
RAMON – Tipo o que?
ANDRÉA – Eu não sei. Talvez um trecho a mais na música, sei lá… (retira um caderninho de sua bolsa) Passei a noite ouvindo ela ontem, e algumas frases começaram a aparecer na minha cabeça. Creio que ficaria com se você adicionasse na música. (entrega o caderninho para ele)
RAMON – São legais, mas não vejo onde elas se encaixariam na minha música?
ANDRÉA – Bem, se você ver mais à frente… (pula algumas páginas do caderninho) … eu meio que encontrei um lugar que elas poderiam se encaixar.
RAMON – Você modificou a letra sem me avisar?
ANDRÉA – Eu dê uma melhorada.
RAMON – Melhorada?
ANDRÉA – É. Não que a sua letra esteja ruim, mas creio que falta um toque especial nele.
RAMON – E toque é o seu? (Pedro entra na lanchonete, Ramon logo o a vista, acena para o amigo) Pedro! (Pedro o ver, sorri e vai até eles)
PEDRO – E aí, pessoal?!
RAMON – O que faz aqui?
PEDRO – Só dando uma volta. (repara no palco montando) Ensaiando para a final?
RAMON – Estamos. (fecha o caderno de Andréa, ignorando o assunto que estava sendo discutido anteriormente) Quer cantar uma com a gente?
PEDRO – Eu não sei…
RAMON – Qual é?! Pessoal iria gostar. (aponta para o pessoa logo atrás)
PEDRO – Tá. Mas só uma.
RAMON – (levanta-se feliz) Temos uma tarde inteira pela frente para cantarmos apenas uma música. (os dois vão para o palco, banda se posiciona e começam a cantar)

[CENA DE MÚSICA – USE SOMEBODY (KIGS OF LEON)]

I’ve been roaming around 1
Always looking down at all I see
Painted faces fill the places I can’t reach
You know that I could use somebody
You know that I could use somebody

Someone like you, and all you know, and how you speak 2
Countless lovers under cover of the street
You know that I could use somebody
You know that I could use somebody

Someone like you

Off in the night, while you live it up, I’m off to sleep 3
Waging wars to shake the poet and the beat
I hope it’s gonna make you notice
I hope it’s gonna make you notice

Someone like me
Someone like me
Someone like me, somebody

I’m ready now
I’m ready now
I’m ready now
I’m ready now
I’m ready now
I’m ready now
I’m ready now

Someone like you, somebody 4
Someone like you, somebody
Someone like you, somebody

I’ve been roaming around
Always looking down at all I see

1. Pedro começa a cantar, sendo acompanhado por seus amigos como segunda voz.
2. Ivo sai da cozinha ao ouvir Pedro cantando, vai até o balcão e os observam sorrindo.
3. Andréa presta atenção nos garotos. Pedro começa a andar pelo palco, se aproxima de Ramon e em seguida volta para o centro.
4. Os garotos encerram a música e são aplaudidos. Pedro gosta da sensação que o palco transmite.

[CENA 08 – CASA DE CAIO/ SALA/ TARDE]
(Caio chega em casa e dar de cara com seu pai sentado no sofá vendo TV)
CLÁUDIO – Boa tarde, filho. Aproveitou seu dia?
CAIO – Eu tava com um amigo fazendo um trabalho.
CLÁUDIO – E custava ter avisado? (desliga a TV, fica em pé de frente para Caio)
CAIO – É que acabei me concentrando neste trabalho, que acabei esquecendo.
CLÁUDIO – Sorte que sua mãe ainda não voltou para casa, se não hora dessa ela quem estaria tendo essa conversa com você.
CAIO – O senhor não vai contar para ela, vai?
CLÁUDIO – Não. Mas eu quero que você me avise na próxima vez que fizer isso. No fundo também estava começando a ficar preocupado.
CAIO – Tá, prometo avisar na próxima.
CLÁUDIO – Você almoçou?
CAIO – Comi algo, mas estou com fome ainda.
CLÁUDIO – Vou fritar algo para você então. Enquanto isso, porque não vai tomar um banho?
CAIO – Estou indo. (sai da sala de cabeça baixo, Cláudio estranha o filho, mas finge que está tudo bem, vai para cozinha em seguida)

[CENA 09 – PIZZARIA/ TARDE]
(Eduardo acaba de chegar à pizzaria. Tira sua mochila do ombro e coloca sobre o balcão. Nesse instante, Silvana aparece por detrás dele o assustando)
SILVANA – Que bom que você voltou.
EDUARDO – Que susto, Silvana. O que faz aqui? Não tem muito tempo, fiz uma entrega na sua casa.
SILVANA – Eu preciso conversar com você.
EDUARDO – (a ver séria) Está acontecendo alguma coisa? Sua doença piorou?
SILVANA – Eu na verdade não queria conversar aqui, no meio do seu expediente. Será que poderia marcar em um outro lugar mais tarde.
EDUARDO – Claro, pode ser.
SILVANA – Então vou te mandar uma mensagem hoje noite, informando o local.
EDUARDO – Está bem.
SILVANA – Preciso ir agora, Otávio acha que fui comprar algo no mercado. Até mais, Eduardo.
EDUARDO – Até. (observa Silvana saindo da pizzaria, Laila aparece por trás dele com mais entregas)
LAILA – Quem era aquela mulher?
EDUARDO – (assustando-se com ela também) Que mania que as pessoas tem de aparecer por trás da gente.
LAILA – Você que anda se assustando por nada. Anda, quem é aquela mulher que estava conversando com você?
EDUARDO – É a mãe de um amigo meu, nada demais.
LAILA – Sei. Bem, aqui estão suas próximas entregas. Você perdeu 2 minutos. (volta para cozinha, Eduardo coloca as pizzas dentro da mochila e sai da pizzaria)

[CENA 10 – CASA DE ALICE/ SALA/ TARDE]
(Alice chega em casa com algumas sacolas de compras nas mãos, encontra o tio sentado no sofá)
PAULO – Tarde prazerosa, hein.
ALICE – Mais ou menos. Tive que andar muito para encontrar alguma roupa descente para meu encerramento na cidade.
PAULO – Tem alguém que quer falar com você lá no seu quarto.
ALICE – Quem?
PAULO – Melhor você ir lá ver quem é! (Alice sobre o quarto curiosa e chegando nele, encontra Luana sentada em sua cama)
[QUARTO DE ALICE]
ALICE – Você?
LUANA – (levanta-se, fica de frente para ela) Oi. Acho que precisamos conversar!

Continua no Capítulo 41…

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