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Capítulo 47 | Manifesto – Minha Canção

[CENA 01 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ DIA]
CÁSSIA – Irmã da Letícia?!
REGINA – Isso não é possível, Dácio. A Letícia não tem irmãos.
DÁCIO – Então como explica existir uma pessoa tão semelhante a ela? Certamente o pai de Letícia teve uma outra filha, e algo aconteceu para terem separados as duas.
REGINA – Não, Dácio. O pai da Letícia teria me contado. Ele amava a filha, teria dito que ela tinha uma irmã por aí.
DÁCIO – Talvez até ele mesmo não soubesse.
CÁSSIA – Você está criando hipóteses, Dácio.
REGINA – Onde essa garota mora? Quero conhece-la. Se ela realmente for irmã da Letícia, eu irei saber.
DÁCIO – Eu não sei. Na verdade, até sei só que não posso falar.
CÁSSIA – Por que não?
DÁCIO – Mas eu posso conseguir marcar um encontro com ela, se vocês quiserem.
REGINA – Quero. Quero sim!
DÁCIO – Tá, vou conversar e combinar um dia para vocês. Quer dizer, vou ver se ela tem uma disponibilidade.
CÁSSIA – Quer dizer que ela é tão ocupada assim?
DÁCIO – Digamos que o trabalho dela a deixa ocupada.
REGINA – E em que ela trabalha para a deixar tão ocupada?
DÁCIO – Eu não posso falar. Mas não se preocupe, se eu conseguir marcar com ela, aviso para vocês. (vai para seu quarto apressada, Cássia se aproxima de Regina)
CÁSSIA – Será que essa história é verdade, mamãe? Será que Letícia realmente tem uma irmã.
REGINA – Se tem, eu vou descobrir!

[CENA 02 – CASA DOS PAIS DE LARISSA/ RUA/ DIA]
(Marlethe continua de frente para Salete, a mesma aparenta estar séria)
SALETE – Você é a mãe dela?
MARLETHE – Aqui não tem nenhuma Larissa.
SALETE – Eu só preciso fazer uma pergunta, creio que você saberá me responder.
MARLETHE – (seria) Eu já disse. Aqui não mora nenhuma Larissa. (entra para dentro de casa, e fecha a porta com força. Salete continua em frente a porta, pensa em bater, mas acaba desistindo. Sai de frente da casa e vai embora)

[CENA 03 – CASA DE MARCELO/ SALA/ DIA]
(Marcelo está na sala ouvindo música, quando alguém aparece em sua porta tocando a campainha exageradamente)
MARCELO – (levanta-se em direção a porta) Já vai, já vai!! (abre) Alice?
ALICE – (entra na casa sem pedir permissão) Precisamos conversar.
MARCELO – Poderia ter me mandando mensagem, que eu iria até sua casa. (fecha a porta e volta para próximo do sofá, fica de frente para Alice)
ALICE – Eu tomei uma decisão.
MARCELO – Que decisão?
ALICE – Não podemos namorar.
MARCELO – Como assim?
ALICE – Eu percebi que se você não teve coragem para se transferir de colégio comigo, percebi que você não é o cara ideal para mim.
MARCELO – Sério isso? Você irá terminar comigo por causa disso?
ALICE – Simplesmente eu preciso de alguém que tope se aventurar comigo.
MARCELO – Eu não podia tomar uma decisão naquele momento, Alice. Não podia simplesmente topar mudar de ideia, deixar meus amigos, minha escola assim.
ALICE – Nem que fosse para acompanhar a sua namorada?!
MARCELO – Eu não sou esse tipo de cara. A gente pode até namorar e tal, mas não sou de fazer tudo o que minha namorada deseja. Tenho meu livre e arbítrio e não abro mão dele?
ALICE – Então quer dizer que se eu te pedir algo você não fará por causa do seu livre arbítrio?
MARCELO – Não é isso que eu quis dizer. Obvio que terá coisas que farei, eu só não vou ser tipo “controlado” por alguém. Eu também tenho meus caminhos, e não vou muda-los por nada.
ALICE – Quer saber, acho que estou fazendo muito bem em não namorar com você. Porque realmente estou vendo quem você é de verdade.
MARCELO – Tá, se você quer terminar por uma bobagem dessa.
ALICE – Pra mim isso não é bobagem. Isso mostra o quanto você está disposto a ficar do meu lado.
MARCELO – Eu jamais te deixaria de lado, independente da escola que você fosse.
ALICE – Isso pra mim não é importante. (os dois ficam em silêncio por alguns segundos) Bom, então creio que não temos mais nada para conversar.
MARCELO – Ok.
ALICE – (caminha em direção a porta) Obrigado com a sua ajuda com as músicas.
MARCELO – (acompanhando ela) Não precisa agradecer. Ajudaria quem quer que fosse. (abre a porta) E saiba, que se você quiser, pode contar comigo ainda.
ALICE – Tchau, Marcelo! (vai embora, Marcelo a observa por alguns segundos, fecha a porta e retorna para a sala, coloca seu fone e volta a ouvir música)

[CENA 04 – CASA DE CAIO/ SALA/ DIA]
(Pedro e Caio continuam em pé na porta)
PEDRO – Então, será que eu posso entrar?
CAIO – Não sei. Meus pais não gostam muito que eu receba visitas.
PEDRO – Creio que eu eles irão gostar. Posso? (Caio sai da frente, permitindo que Pedro entrasse) Bonita casa!
CAIO – Valeu.
PEDRO – (retira sua mochila, coloca em cima do sofá) Onde estão seus pais?
CAIO – Minha mãe está no trabalho, meu pai saiu para comprar algumas coisas.
PEDRO – Seu pai não trabalha?
CAIO – Ele faz alguns bicos por aí.
PEDRO – Sei. E você? O que estava fazendo antes deu chegar.
CAIO – Nada. Só mexendo no celular mesmo.
PEDRO – Então vamos ter que procurar alguma coisa para fazer.
CAIO – Tipo o que?
PEDRO – Não sei ainda, mas a gente se vira. Temos o resto do dia pela frente.

Mais Tarde…

[CENA 05 – PENSÃO/ Q. DE EDUARDO/ TARDE]
(Dácio e Daniel estão sentados na cama um de frente para o outro)
DANIEL – Tenho quase certeza que algum conhecido me viu na pizzaria e foi correndo contar para o meu pai. Eu devia ter tomado cuidado.
DÁCIO – Relaxa, cara. A culpa não é sua. Sem contar que a pizzaria é um local público, como você iria adivinhar que algum conhecido do seu pai iria estar lá. Você também não poderia ficar averiguando todo mundo que visitaria o local.
DANIEL – Pior que ele acabou me encontrado. Tenho certeza que ele fará sentinela ou colocar alguém para ficar de olho em mim.
DÁCIO – Conhecendo bem o seu pai, tenho é certeza.
DANIEL – Acho que vou pedir demissão.
DÁCIO – Você não pode fazer isso. Você queria tanto um emprego para ajudar o Eduardo.
DANIEL – Eu posso conseguir um empego em um outro local, sem problema.
DÁCIO – E você vai ficar fugindo do seu pai direto?
DANIEL – Até eu ficar maior de idade sim.
DÁCIO – E até lá vai ficar fugindo igual um covarde?
DANIEL – E você quer que eu faça o que? Que enfrente meu pai? Você não viu o que ele fez na casa de sua mãe? Com aqueles policiais…
DÁCIO -Tá, seu pai é meio possessivo e tal, mas você não pode ficar fugindo dele direto. Chegará um momento que você terá que enfrenta-lo. Você precisa dizer para ele que não voltará mais para casa, e que seguirá sua vida sozinha.
DANIEL – Preciso de coragem para enfrenta-lo.
DÁCIO – (segura na mão dele) Sozinho você não estará. (sorri)

[CENA 06 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Pedro e Caio vão para a lanchonete do Ivo, Caio está um pouco receoso por ter saído de casa sem avisar para seus pais)
PEDRO – (comendo um hamburguer, repara que Caio está apreensivo) Cara, relaxa sua mãe não vai reclamar.
CAIO – É que não é muito normal eu sair sem avisar pessoalmente para eles.
PEDRO – Deixamos um recado para o seu pai. Se ele é gente boa como você diz, ele não implicará com nada.
CAIO – Eu não estou preocupado com o meu pai. Estou mais preocupado com a minha mãe.
PEDRO – Relaxa, que se a sua mãe quer tanto que a gente seja amigos, ela não se importará por você ter saído comigo.
CAIO – Você não conhece a minha mãe. Ele é muito certinha. (toma no suco, ainda preocupado)

[CENA 07 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ TARDE]
(Alice entra em seu estúdio chorando. Senta-se na cadeira e chora por alguns segundos. Lembra da conversa que teve com Marcelo horas atrás, enxuga suas lágrimas, pega seu caderninho de música e começa a compor)

[CENA 08 – PENSÃO/ Q. DE EDUARDO/ TARDE]
(Daniel está em pé, ao lado da pia tomando um copo d’água. Dácio continua sentado na cama)
DÁCIO – Você aceita ir comigo até o caberá da minha mãe?
DANIEL – Aceito. (coloca seu copo em cima da pia) Não estou muito a fim de ficar o dia em casa.
DÁCIO – Você não tem medo de que algum policia ou algum conhecido de seu pai esteja por lá?
DANIEL -Duvido. (caminha até a cama, senta-se ao lado dele novamente) Agora que ele descobriu onde eu trabalho, tenho certeza que ele ficar de olho na pizzaria.
DÁCIO – Então vamos lá. Preciso conversar com a Larissa.
DANIEL – Você acha mesmo que as duas são irmãs?
DÁCIO – Pra mim, é a única explicação lógica, porém, pretendo apenas marcar um encontro entre ela e a Regina. Creio que a Regina conseguirá desvendar este mistério.

[CENA 09 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO – Q. DE SALETE/ TARDE]
(Salete chega ao salão, e encontra Nathaniel e Larissa no palco)
LARISSA – Você sumiu o dia inteiro, Salete. (desce do palco) Estava preocupada já.
SALETE – Fui atrás de resolver um assunto. Mas, infelizmente não obteve sucesso.
NATHANIEL – O que você foi resolver?
SALETE – Um assunto pessoal, não precisam se preocupar.
NATHANIEL – (desce do palco, caminha até Salete) Bem, a gente foi hoje pela manhã comprar algumas coisas. Porém, acabei percebendo que será necessário comprar mais coisa, então queria saber se poderia comprar mais. Serão poucas coisas, não será nada demais.
SALETE – Claro, querido. Se precisar de dinheiro, só me avisar. Larissa, será que a gente poderia conversar lá no meu quarto?
LARISSA – Claro. (as duas vão para os corredores, Nathaniel fica no salão, curioso)
[Q. DE SALETE]
(Salete entra e caminha direto para seu espelho, Larissa está logo atrás dela)
LARISSA – A senhora quer conversar comigo?
SALETE – Sim, querida.(fica alguns segundos em silêncio, tentando não manter contato visual com ela)
LARISSA – Algum problema? É sobre o meu caso?
SALETE – Não, não é sobre o seu caso. Na verdade, é sobre você, mas não é sobre isso.
LARISSA – É o que então?
SALETE – (fica de frente para ela) Eu fui atrás da sua família.
LARISSA – (surpresa) A senhora fez o que?

[CENA 10 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ TARDE]
(Alice continua chorando e escrevendo alguns versos em seu caderno. Algumas folhas amassadas estão ao lado dela, na música que estava compondo, apresenta algumas palavras rabiscadas. Ao termino da letra, ela reler séria)

[CENA 11 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Pedro e Caio continuam sentados na mesa, ambos já haviam terminado de comer e estão em silêncio. Pedro até tentou puxar assunto, mas Caio continuava preocupado por ter saído de casa sem avisar)
PEDRO – (mexe no celular, igualmente Caio e tenta puxar assunto novamente) Tem algum local que você costuma sair?
CAIO – Não costumo sair de casa. Como te disse, minha mãe é muito controladora.
PEDRO – (repara Ramon e o pessoal da banda entrando na lanchonete, levanta a mão) Ei, Ramon! (Ramon caminha até a mesa)
RAMON – Beleza, Pedro?!
PEDRO – Mais um ensaio?
RAMON – Isso, ultimo para amanhã.
PEDRO – É amanhã, nem estava lembrando.
RAMON – Pois é. Precisamos estar excelentes para levar o prêmio amanhã. Não quer ensaiar com a gente?
PEDRO – Não, cara! Valeu.
RAMON – Certeza?
PEDRO – Tenho. Prefiro apenas prestar atenção no ensaio de vocês.
RAMON – Beleza, então aprecie o show. (sorri e vai para o palco, onde o pessoal já estavam. Em pouco tempo o pessoal já haviam se organizado e começam a cantar)

[CENA DE MÚSICA – MANIFESTO (FRESNO)]

A gente acorda pra vida e não quer sair da cama 1
A gente abre a ferida na pele de quem nos ama
A gente vive na guerra, a gente luta por paz
A gente pensa que sabe, mas nunca sabe o que faz

A gente nega o que nunca teve forças pra dizer
A gente mostra pro mundo o que se quer esconder
A gente finge que vive até o dia de morrer
E espera a hora da morte pra se arrepender de tudo

E todas essas pessoas que passaram por mim 2
Alguns querendo dinheiro, outros querendo o meu fim
E os meus amores de infância e os inimigos mortais
Todas as micaretas, todos os funerais

Todos os ditadores e sub-celebridades
Farsantes reais encobertando verdades
Pra proteger um vazio, um castelo de papel
Sempre esquecendo que o mundo
É só um ponto azul no céu

Quem é que vai ouvir a minha oração? 3
E quantos vão morrer até o final dessa canção?
E quem vai prosseguir com a minha procissão
Sem nunca desistir, nem sucumbir a toda essa pressão?

No escuro, a sós com a minha voz
Por nós, quem? Quem? Quem?
Antes, durante e após
Desatando os nós, hein? Hein? Hein?
Sente no corpo uma prisão, correntes, vendas na visão
Os caras não avisam, balas não alisam
Minas e manos brisam
E precisam de mais, mais visão, ter paz, paz
Note que o holofote e o vício nele em si te desfaz, faz
Menos é mais, e o que segue é a lombra
Onde se vacilar os verme leva até sua sombra
Cada qual com seu caos, o inferno particular
Tempo, individual e o amor, impopular

Quem é que vai ouvir a minha oração? 4
E quantos vão morrer até o final dessa canção?
E quem vai prosseguir com a minha procissão
Sem nunca desistir, nem sucumbir a toda essa pressão?

(Só existe uma maneira de se viver pra sempre, irmão
Que é compartilhando a sabedoria adquirida
E exercitando a gratidão, sempre
É o homem entender que ele é parte do todo
É sobre isso que o manifesto fala
Nem ser menos e nem ser mais, ser parte da natureza, certo?
Ao caminhar na contramão disso
A gente caminha pra nossa própria destruição)

1. Ramon e o pessoal da banda começam a tocar, e focam-se inicialmente no palco e entre si.
2. Pedro presta atenção nos amigos, assim como Caio, que parou de mexer no celular.
3. Ramon fica no centro do palco e começa a cantar focando-se para o pessoal da lanchonete, inclusive Pedro, que está curtindo a apresentação dos garotos.
4. Ramon volta a andar pelo palco, os garotos encerram a apresentação e são aplaudidos, especialmente de pé por Pedro.

[CENA 12 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ TARDE]
(Dácio e Daniel chegam ao cabaré de Salete, entram e encontram Nathaniel no salão)
NATHANIEL – Olha só, que surpresa! Boa tarde, rapazes.
DÁCIO – Boa tarde. Minha mãe está?
NATHANIEL – Está sim. Está conversando com a Larissa. É importante?
DÁCIO – Sim. Principalmente porque eu também preciso conversar com a Larissa! E é importante. (Nathaniel olha para eles, confuso)

Continua no Capítulo 48…

 

POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.

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