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Capítulo 56 | Coisa de Casa – Minha Canção

[CENA 01 – PIZZARIA/ NOITE]
(Samuel e Eduardo continuam se encarando, Laila saí detrás de balcão e entra no meio deles)
LAILA – Calma aí, que eu não estou vendo motivo algum para ele ser preso.
SAMUEL – Anda, diz logo onde está meu filho?
EDUARDO – Eu já disse que não sei. Talvez se você fosse um bom pai, saberia onde seu filho está. (Samuel fica furioso por dentro, mas por Laila ter ficado na frente de Eduardo e o pessoal da pizzaria estarem observando a cena, ele tenta se controlar)
SAMUEL – Se você não quer me contar, eu vou encontrá-lo sozinho. Se ele não está aqui, então eu sei onde ele deve estar. (vira-se para ir embora, sendo acompanhado por seus amigos. Laila se tranquiliza, retorna para o balcão)
LAILA – Será que agora você pode me explicar como você se envolveu com o filho deste cara?
EDUARDO – Ele é amigo do Dácio, não podia deixá-los sozinhos. Ainda mais sabendo que o garoto é filho de um cara desse.
LAILA – E você sabe onde ele está?
EDUARDO – Não. (senta-se no banquinho, preocupado) Isso é o que me preocupa. Espero que eles estejam bem escondidos. Tenho receio do que possa acontecer se ele for pego novamente.

[CENA 02 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ NOITE]
(Horácio está sozinho na sala, ainda tentando falar com Dácio. Regina e Cássia estão na cozinha jantando)
HORÁCIO – (ligando pela vigésima vez) Atende, filho! Por favor, atende! (volta a cair na caixa postal) Já chega, eu vou atrás dele. (caminha em direção a porta, nesse momento Regina vem da cozinha)
REGINA – Vai sair de novo?
HORÁCIO – Vou procurar meu filho, que até agora não apareceu em casa.
REGINA – O Dácio deve estar bem, Horácio. Não vejo necessidade dessa sua preocupação toda. (Dácio liga para o celular do pai)
HORÁCIO – É o Dácio! (atende na mesma hora)
REGINA – Viu, eu não disse!
HORÁCIO – Oi, filho. Onde você está? Por que não veio para casa?
DÁCIO POR TELEFONE – Eu estou ajudando um amigo, pai. Talvez não vou poder dormir em casa hoje.
HORÁCIO – Ajudando um amigo? Que amigo é esse?
DÁCIO POR TELEFONE – Eu não posso falar agora, mas eu vi suas ligações. Não precisa se preocupar comigo, eu estou bem.
HORÁCIO – Filho, onde você está? Eu vou aí te buscar!
DÁCIO POR TELEFONE – Não é necessário, pai. Já disse, estou bem. Agora preciso desligar. Assim que meu amigo estiver seguro, eu retorno para casa. (desliga)
HORÁCIO – Seguro? Como assim seguro? Filho? Alô, Dácio? Ele desligou.
REGINA – Onde ele está?
HORÁCIO – Não disse. Disse apenas que estava ajudando um amigo, e assim que ele estiver seguro, retornaria para casa.
REGINA – Seguro de que?
HORÁCIO – Ele desligou antes que eu perguntasse.

[CENA 03 – CARRO DE SAMUEL/ RUA/ NOITE]
(Samuel está dirigindo ainda com uma expressão de fúria no rosto, isso o faz acelerar mais do que devia na rua)
SAMUEL – Eu vou encontrar você, filho. E esse tal de Dácio irá pagar pelo o que está fazendo com você! (acelera mais ainda, o que preocupa os dois policiais logo atrás)

[CENA 04 – CASA DELLE ROSE/ SOTÃO/ NOITE]
(após as meninas arrumarem o sótão, o mesmo ficou praticamente um quarto novo. Tem dois colchões no meio, e algumas tralhas ao fundo. Porém, isso estava bom para Dácio e Daniel)
DANIEL – (senta-se ao lado de Dácio) O seu pai ficou preocupado?
DÁCIO – Ficou, mas eu não vou voltar para casa até saber que você estará seguro.
DANIEL – Eu acho que você não deveria fazer isso tudo por mim. Esse problema é meu, você não deveria estar se envolvendo.
DÁCIO – (fica de frente para ele) Eu já me envolvi. E já disse, não vou te deixar sozinho por nada. (se aproxima dele e o beija, Salete bate na porta do sótão nesse momento, que o faz encerrar o beijo)
SALETE – Licença, vim ver como vocês estão instalados?
DÁCIO – Estamos bem, mamãe. Obrigado por tudo.
SALETE – Daqui a pouco trago algo para vocês comerem, está bem?!
DÁCIO – Ok. (Salete solta um leve sorriso, saí do sótão em seguida)
DANIEL – Sua mãe é ótima sabia. Irei adorar chamá-la de sogra. (Dácio ri)
DÁCIO – Pena que não posso dizer o mesmo do seu pai.
DANIEL – Relaxa, nem todo mundo tem uma família perfeita.

[CENA 05 – CASA DE PEDRO/ Q. DE PEDRO/ NOITE]
(Pedro está estudando para as provas que se aproximam. No meio de uma página e outra, acaba lembrando da visita de Alice hoje mais cedo. Solta um leve sorriso, fecha o livro, encosta-se na cabeceira da cama, pega seu celular e pensa em mandar uma mensagem para ela. Fica alguns segundos olhando para o perfil dela, volta a ficar sério, bloqueia o celular e coloca-o ao lado. Pega seu livro e volta a estudar)

[CENA 06 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ NOITE]
(Alice está criando uma melodia para a musica que tinha acabado de compor, chega uma mensagem em seu celular)
MARCELO POR MENSAGEM – “Oi, boa noite!” “Como você está?” (Alice ler as mensagens, ignora colocando o celular na mesma posição e volta a criar a melodia de sua música)

[CENA 07 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ NOITE]
(após o jantar, Cássia foi para seu quarto descansar um pouco, Horácio e Regina voltaram para a sala e estão vendo TV. Horácio continua tentando falar com o filho, dessa vez por mensagem)
REGINA – (percebendo o irmão preocupado) O Dácio falou que está tudo bem com ele, irmão. Não precisa se preocupar desse jeito.
HORÁCIO – Falou, só que eu continuo preocupado com essa história de estar seguro. O que ele quis dizer com isso?
REGINA – Não sei, talvez seja algum problema do colégio, sei lá. (campainha toca nesse momento) Quem será hora dessa?
HORÁCIO – (levanta-se apressado até a porta) Talvez seja meu filho! (abre a porta e dar de cara com Samuel)
SAMUEL – (entrando na casa sem pedir permissão) Onde está meu filho? (grita) Daniel!! Filho, sou eu seu pai. Eu vim te salvar.
HORÁCIO – Ei, ei, ei… você pensa que é quem para entrar na casa dos outros essa hora e ficar gritando.
SAMUEL – Eu sei que o meu filho está aqui. Não adianta dizer que não, que eu vou procurá-lo da mesma forma. (caminha até a cozinha, mas Horácio o impede)
HORÁCIO – Escuta aqui, estou vendo que você está um pouco estressado. É melhor se acalmar ou vou ter que chamar a polícia.
REGINA – (levanta do sofá surpresa ao ver os policiais entrando) Creio que não será necessário irmão!
SAMUEL – Será que você vai me soltar agora ou vou ter que pedir para os meus amigos ali te prenderem? (Horácio o solta) Isso mesmo. (caminha até a cozinha) Filho, você está aí?
HORÁCIO – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
POLICIAL – Estamos procurando o filho dele que foi sequestrado. Se vocês sabem onde ele está, é melhor cooperar.
HORÁCIO – Mas que filho? Como assim?
REGINA – (caminha até o irmão, diz baixinho) Eu acho que isso tem a ver com o Dácio! (Samuel retorna da cozinha)
SAMUEL – O que vocês estão esperando? Me ajudem a procurá-lo. (antes que os policiais se espelhassem pela casa, Horácio entra no meio deles)
HORÁCIO – Calma aí, que vocês não podem invadir minha casa desse jeito e começar a vasculhar por ela sem ter algum mandado de busca. Vocês têm o mandado?
POLICIAL – Não, não temos.
HORÁCIO – Então vocês não vão procurar nada. (caminha até Samuel) Enquanto a você, eu não sei o que está acontecendo, mas de uma coisa eu garanto. Seu filho não está aqui!
SAMUEL – Está sim. Tenho certeza que seu filho anormal sequestrou o meu.
HORÁCIO – Anormal? Escuta aqui… (aponta o dedo para ele) …meu filho não é capaz de sequestrar ninguém, está bem. Se você quiser, você pode olhar a casa toda, mas já disse que não encontrara nada.
SAMUEL – Você me parece ser um pai bem protetor, não é mesmo?! Então você deve me entender o que eu estou sentindo.
HORÁCIO – Não, não entendo, porque não conheço a sua história. Mas uma coisa te garanto, tudo isso deve ser um grande mal-entendido.
SAMUEL – Seu filho invertido está com o meu e eu vou encontrá-los. E torça para eu pegar bem leve com o seu quando o encontrar.
HORÁCIO – Está ameaçando meu filho?
SAMUEL – Para proteger o meu das influências do demônio, sou capaz de qualquer coisa.
HORÁCIO – Quer saber…. foda-se! (dar um murro na cara dele, que Samuel cai no chão, os policiais na mesma hora o seguram) Se você voltar a ameaçar meu filho na minha frente novamente, será bem mais que um soco que você irá levar. (Samuel se levanta, limpando a boca de sangue)
SAMUEL – Você não devia ter feito isso! Vamos ver se você vai gostar de passar a noite na cadeia. Levem ele! (os policiais o levam para a fora, Horácio tenta resistir)
REGINA – (tentando ajudá-lo) Espera, o que foi que ele fez para tá sendo preso? Vocês não podem fazer isso. Isso é abuso de poder. (saí de casa, Samuel fica na porta)
HORÁCIO – Não tem coragem de lutar sozinho e manda seus comparsas, né covarde. (o observa na porta, sendo levado para dentro da viatura) Se eu tivesse um pai como você, também fugiria de casa. (fecham a porta da viatura, os policiais entram e vão embora)
SAMUEL – (caminha até Regina) Diga ao garoto que eu tenho pai dele agora! (caminha até seu carro, entra e segue a viatura)
REGINA – (desesperada) Isso não vai ficar assim, seu cretino! (pega seu celular e tenta ligar para Dácio) Atende, Dácio! Por favor, atende!

Amanhecendo…

[CENA 08 – COLÉGIO ESTADUAL OLIVEIRA SANTOS/ PÁTIO/ DIA]
(Pedro está com Ramon e seu pessoal de banda sentados em um dos bancos do pátio, conversando sobre os shows que os garotos farão)
PEDRO – Ivo planejou isso bem direitinho, hein! Quem diria?!
RAMON – Né? Até eu mesmo não sei se teria essa organização toda. Ivo tá sendo demais pra gente.
PEDRO – Então, a partir do semestre que vem, vocês estarão por aí fazendo shows.
RAMON – Sim, por enquanto iremos gravar nossas músicas com a gravadora, para em seguida disponibilizarmos pelas mídias por aí.
PEDRO – Assinou o contrato?
RAMON – Sim. Vou entregar para o Ivo hoje, assim que sairmos daqui.
PEDRO – Parabéns, garotos. Realmente estou feliz por vocês!
RAMON – Valeu. Queria que você estivesse aproveitando com a gente. Sabe que se um dia você quiser, você pode entrar novamente. (olha para o pessoal) Creio que aqui ninguém iria se indispor por isso.
PEDRO – Eu agradeço, de verdade, mas minha fase na banda já passou. Essa nova fase pertence a vocês agora!
RAMON – De qualquer forma… (levanta-se, recebendo o violão de um de seus companheiros) Sentimos sua falta cantando com a gente.
PEDRO – Esse violão estava aí esse tempo todo?
RAMON – Sim. Você vai cantar ou vai ficar aí de conversa! (começa a tocar, se afastando do banco, Pedro levanta-se, sorri)

[CENA DE MÚSICA – COISA DE CASA (OUTRO EU)]

[RAMON]
Noite gelada 1
Sempre melhor que quente
Cama arrumada
Sempre junta a gente

Bolo de chuva
Junto com cobertor
Ave Maria quem já ligou pro vô

[RAMON E PEDRO]
Casa abafada 2
Luz que nem toca a gente
Mesa empenada
Bota um papel e a gente sai

[PEDRO]
Bolo de chuva
Acho que me molhou
Que coisa absurda
Alguém já ligou pro vô?

Sai de casa sempre assim que der
Mas sai sem esquecer que a sua casa é sempre aqui

[PEDRO E RAMON]
Sair de casa é só pra quem quer 3
Pois a coragem anda a pé
E vai te levar pra longe

[PEDRO]
Meia jogada
No quarto jamais ausente
Quadro entortado
Dentro da foto a gente

[RAMON E PEDRO]
Bolo de chuva (toque de chuva) 4
Trás mais unzinho pro vô
Olha a fritura
Mas dentro vem muito amor

Sai de casa sempre assim que der
Mas sai sem esquecer que a sua casa é sempre aqui
Sair de casa é só pra quem quer
Pois a coragem anda a pé e vai te levar pra longe

1. Assim que Ramon começa a cantar, seu companheiros de banda caminham até o outro lado do pátio e se posicionam cada um em seu instrumentos. Ramon caminha pelo pátio olhando para Pedro.
2. Pedro se aproxima de Ramon, que subiu em um dos bancos. Ramon desce e começa a cantar de frente para ele.
3. Os dois começam andar pelo pátio em sentidos opostos, ambos felizes. O pessoal que o observa a apresentação, começam a curtir junto com eles. Alguns até chegam a dançar.
4. Pedro e Ramon retornam para o banco inicial, encerram a música um de frente para o outro, os dois se abraçam em seguida.

[CENA 09 – DELEGACIA/ CELA/ DIA]
(Horácio foi colocado em uma cela sozinho, um policial se aproxima da cela e o encontra sentado no chão)
POLICIAL – Vai confessar agora onde está o garoto?
HORÁCIO – Vai a merda você! Já disse que não sei onde está esse garoto.
POLICIAL – Olha que é melhor você cooperar, falando desse jeito só vai piorar as coisas. (Horácio levanta a mão, e mostra o dedo do meio para ele. Samuel aparece em seguida)
SAMUEL – Deixa que eu vou conversar com ele agora.
POLICIAL – Ok. Qualquer coisa estou aqui fora. (o policial vai embora, Horácio levanta-se e fica de frente para Samuel, que recua um pouco)
HORÁCIO – Você tem sorte que tem essa grade no meio de nós dois, caso contrário… (segura nas grades) …estaria te enchendo de porrada agora!
SAMUEL – O seu filho está com o meu! Já eu estou com o pai dele.
HORÁCIO – E o que você pretende com isso?
SAMUEL – Quero negociar! (se aproxima dele, o encara) A vida do meu filho, pela a vida do pai dele!

[CENA 10 – CASA DELLE ROSE/ SOTÃO/ DIA]
(Daniel e Dácio juntaram os colchões e dormiram juntos. Daniel acorda primeiro que ele, e o observa dormindo a poucos cm de sua frente)
DÁCIO – (acordando, sorri) O que foi?
DANIEL – Só como você fica bonito dormindo.
DÁCIO – (sorri, levanta-se em seguida) Que horas são?
DANIEL – Deve ser umas 08h e pouco. Creio que não dá mais tempo para você ir para o colégio.
DÁCIO – (se vestindo) Eu não tava com planos em ir para a escola mesmo. Meu foco agora é escolher um lugar para você.
DANIEL – Estava pensando em avisarmos para o Eduardo que estamos bem. Dissemos que iriamos avisar para ele, acho que ele deve estar preocupado até agora.
DÁCIO – Você tem razão. (pega seu celular e repara no tanto de ligação de sua tia. Daniel se levanta e começa a se vestir) Estranho?
DANIEL – O que foi?
DÁCIO – Tem várias ligações perdidas da minha tia. Será que aconteceu alguma coisa?
DANIEL – Retorna para ela!
DÁCIO – Vou fazer isso. (liga para sua tia)

[CENA 11 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ DIA]
(Regina está andando de um lado para o outro tentando falar com Dácio. Cássia entra na sala nesse momento)
CÁSSIA – Ele ainda não atendeu?
REGINA – Ainda não. Pior que eu não tô com cabeça para ir para o trabalho agora. Não antes de saber como está meu irmão.
CÁSSIA – Pelo o que a senhora me contou ontem… (celular de Regina toca, que a interrompe de terminar a frase)
REGINA – É o Dácio, finalmente! Alô, Dácio?
DÁCIO POR TELEFONE – Oi, tia! Eu vi o tanto de ligações da senhora. Aconteceu alguma coisa com meu pai?
REGINA – Você nem imagina, garoto. Veio um cara aqui ontem atrás do filho dele, seu pai acabou brigando com ele, e acabou sendo preso.
DÁCIO POR TELEFONE – Preso?
REGINA – O cara deixou um recado para você. Disse já que você tá com o filho dele, ele agora tem o seu pai! (Dácio fica em silêncio do outro lado da linha)

[CENA 12 – PIZZARIA/ DIA]
(Eduardo chega a pizzaria, ainda preocupado sem ter recebido nenhuma informação dos garotos. Laila estava no balcão a espera dele)
LAILA – Que bom que você chegou.
EDUARDO – Desculpa pela demora. Mas, já vou pegar a mochila.
LAILA – Creio que não será necessário.
EDUARDO – (guardando o celular, repara que ela está séria) Como assim?
LAILA – Desculpa Eduardo, mas depois dos últimos acontecimentos, e de todos eles estarem envolvidos por você… eu vou ter que te despedir! (Eduardo fica surpreso com a notícia)
EDUARDO – Sério isso?
LAILA – (confirmando com a cabeça) Você está demitido, Eduardo!

Continua no Capítulo 57…

POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.

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