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Capítulo 67 | Farol – A Nossa Canção

Daqui seis meses…

[CENA 01 – UNIVERSIDADE DE MÚSICA (NOVA YORK)/ REITORIA/ DIA]
(Pedro bate na porta, a abre e entra na sala de Elizabeth)
PEDRO – Licença, o Sam disse que a senhora gostaria de falar comigo.
ELIZABETH – Sim, por favor, senta-se. (termina de digitar algo, Pedro senta-se e a observa)
PEDRO – Licença.
ELIZABETH – (vira-se para Pedro) Feliz?
PEDRO – (confuso) Exatamente com o que?
ELIZABETH – Com o musical, que será amanhã.
PEDRO – Ah, estou sim. Nem acredito que este dia chegou. É só o que o pessoal fala nos corredores.
ELIZABETH – Uma vez você me disse que era o seu sonho estar aqui. Cheguei a duvidar disso, já que você estava disposto a jogar fora a oportunidade que eu lhe dei.
PEDRO – Quando eu cheguei aqui, o meu único proposito era aprender. Eu quero cantar melhor, dançar e assim quem sabe, me tornar um artista completo. Só que logo eu percebi que aqui é como lá fora. (Elizabeth o observa atentamente) Todos matariam para conseguir o seu momento de glória. Mas acho que a gente já teve essa conversa, né?!
ELIZABETH – Sim, tivemos. O musical que a universidade organiza é oportunidade perfeita para nossos alunos conhecerem a mecânica do mercado lá fora. Sempre convido alguns amigos artistas, diretores, produtores para acompanharem as nossas produções. Com o tempo, os nossos musicais foi ganhando fama por si só, e hoje servem como ponte para o sucesso de alguns alunos. (pega um papel com fotos de três ex alunos, entrega para ele) Sabe quem são essas pessoas?
PEDRO – Não faço ideia. Mas, parece que são bem famosas.
ELIZABETH – O primeiro se chama Erick Davies. Conseguiu seu primeiro Tony, dois anos após se formar aqui com a gente. A do meio, Janey Pope, deu um show em interpretação em The Prom, da qual recebeu uma excelente crítica. E o último, Ruperr Nicholaw, embora tenha seguido carreira diferente dos anteriores, é atualmente um dos melhores e respeitados diretores de musical.
PEDRO – Todos são ex-alunos?
ELIZABETH – Sim… e todos tiverem a mesma oportunidade que você. Eu já gosto de avaliar o candidato logo na primeira audição dele. Confesso que na sua, quando você ia cantar aquela música brasileira, eu logo pensei: esse sem dúvida não leu o edital e certamente deve ser mais um que acha que canta alguma coisa. (Pedro ri) Mas eu estava errada. Quando você cantou Uptown Funk e animou todos naquela sala, logo eu sabia que você iria longe. Amanhã, tenho certeza de que após o musical, você irá bem mais longe.
PEDRO – (confiante) Eu quero dar o meu melhor amanhã. Não quero decepcionar a Lia, o prestígio que a universidade conquistou, muito menos a senhora.
ELIZABETH – (sorri por um breve momento) Assim espero. (vira-se para o computador) Tenha um bom musical, Pedro!
PEDRO – É… antes de ir, eu gostaria de conversar mais uma coisa.
ELIZABETH – (o observa) O que?
PEDRO – Eu quero que este seja o meu último musical! (Elizabeth o observa, uma expressão séria logo surge em seu rosto)

Agora…

[CENA 02 – CASA DE SAMUEL/ SALA/ NOITE]
(Samuel continua encarando Amanda, que parece constrangida com o jeito dele)
AMANDA – Eu não menti…
SAMUEL – (irritado) Ah, não? Então cadê os exames? Me mostra os exames que realmente comprovam que você tinha uma doença no coração?
AMANDA – (abaixa a cabeça) Eu…
SAMUEL – Viu só? Por favor, vai embora da minha casa. (empurra a porta para fechá-la, Amanda o impede)
AMANDA – Por favor, Samuel… deixa eu contar a verdade. Eu quero te ajudar com o seu filho.
SAMUEL – Me ajudar? Você é uma farsa. (aparentemente decepcionado com tudo) Milagres não existem! Talvez nem Ele exista.
AMANDA – Não diz isso. Deus existe sim e ele ainda fará um milagre em sua vida. Ele trará seu filho de volta!
SAMUEL – Como você acredita nessas mentiras?! (fecha a porta, começa a chorar. Amanda encosta um pouco do outro lado, pensa em bater, mas acaba saindo dali)

[CENA 03 – CASA DE CAIO/ SALA/ NOITE]
(Caio tenta lembrar o rosto daquela mulher a sua frente, porém nada surge em sua mente. Camila entra na sala, reconhece Adriana)
CAIO – Desculpa, mas… (é interrompido por sua mãe)
CAMILA – (surpresa) Adriana? (caminha até ela, a abraça) Mas que surpresa.
ADRIANA – Vim visitar uma certa pessoa, que esqueceu das amigas.
CAMILA – Desculpa, é tanta coisa no meu escritório. (repara em Ana e Junior) Oi, gente. Por favor, entrem. (todos entram e vão para o sofá, Caio fica em pé ao lado da entrada da cozinha) Por que não avisaram que viriam?
ADRIANA – O Junior até pediu que eu avisasse, só que eu queria fazer uma surpresa.
CAMILA – E fez. (Cláudio entra na sala, se surpreende com tanta gente) Oi, meu amor. Você se lembra da Adriana, né?
CLÁUDIO – Claro que lembro da Adriana. A maluquinha da turma de vocês.
ADRIANA – (ri) Fico tão feliz que a minha a fama ainda reina apesar dos anos. (todos riem, com exceção de Ana e Caio)
CLÁUDIO – Bem, já que temos visitas, vou colocar mais pratos à mesa.
CAMILA – Ok, amor. (Cláudio volta para a cozinha, Adriana se aproxima dela)
ADRIANA – Hum, quem será que fez este jantar, hein? (as duas riem, e vão para a cozinha, Junior a segue. Caio e Ana ficam na sala)

[CENA 04 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO – QUARTO/ NOITE]
(após a apresentação, Ione não saiu mais do lado de Otávio. Os dois estão sozinhos conversando bem juntinhos em uma das mesas. Dácio e Daniel voltaram para o quarto. Gaspar está no bar junto com Nathaniel, ambos olham para Larissa e Eduardo trocando alguns olhares)
GASPAR – Será que aqueles dois ali vão se acertar?
NATHANIEL – (limpa o balcão) Conforme uma informação que recebi do cúpido, tudo indica que sim. (os dois sorriem, continuam os observando)
EDUARDO – (se aproxima de Larissa, que está encostada em uma parede próxima ao palco) Vai ficar aí segurando a parede a noite toda? (ri)
LARISSA – Eu não estou segurando a parede.
EDUARDO – Do jeito que está encostada, parece que tá sim. Não quer sentar em uma mesa comigo, beber alguma coisa?
LARISSA – Estou a trabalho, não posso.
EDUARDO – (olha para Salete logo atrás) Conversei um pouco com a sua chefe e ela disse que tudo bem. (Larissa olha para Salete e recebe o aval dela)
LARISSA – Tudo bem. (os dois escolhem uma mesa, passam por Ione e Otávio)
IONE – (cochicha no ouvido de Otávio) Parece que o casal ali vai finalmente se acertar.
OTÁVIO – Quem? Edu e Larissa?
IONE – Eles mesmo. Até que eu gosto de ver os dois juntos, mas se seu amigo realmente quer ficar com ela, terá que entender que a Larissa não vai deixar esse lugar tão cedo. (observa os dois conversando logo a frente)
[QUARTO]
(Daniel e Dácio estão se beijando em cima da cama, um começa a tirar a roupa do outro. Minutos depois de realizarem o ato, ambos ficam deitado um do lado do outro, olham para o teto)
DÁCIO – Eu sei que aqui tá bom, mas acho melhor voltarmos para o salão.
DANIEL – (vira-se para ele) Eu não quero voltar pra lá! Dorme aqui hoje?
DÁCIO – (o observa) Eu teria que avisar o papai…
DANIEL – Um simples telefonema resolve isso. (sorri, Dácio se levanta, pega o celular e liga para o pai. Daniel senta-se, pega o celular e começa ler suas mensagens)
DÁCIO – Obrigado, pai! Até, amanhã. Boa noite. (volta para a cama feliz) Pronto, você vai ter que me aturar está noite. (o percebe centrado no celular) Tudo bem?
DANIEL – A Amanda me mandou uma mensagem.
DÁCIO – (se afasta) Sério que você ainda não bloqueou o número dela?
DANIEL – Eu ia, mas acabei esquecendo.
DÁCIO – E o que foi que ela mandou?
DANIEL – Eu não abri, mas parece que tem a ver com o meu pai.
DÁCIO – Esses dois juntos, eu não sei não. Isso deve ser algum outro truque. Anda, bloqueia logo está garota. (Daniel fica pensativo)
DANIEL – (bloqueia a tela do celular, o coloca ao lado) Amanhã eu faço isso.
DÁCIO – Nem pensar. Me dá aqui seu celular que vou fazer isso agora. (Daniel o impede, o empurra na cama, fica em cima dele)
DANIEL – Você fica engraçado com ciúmes.
DÁCIO – Ninguém fica engraçado quando está com ciúmes. Essa garota enganou todo mundo, fingindo um tal milagre que nunca existiu.
DANIEL – Pode ser. Mas ao contrário de você, eu vejo o outro lado. (saí de cima dele) Certo dia ela me mostrou algumas mensagens de pessoas que torciam por ela e que tem doenças graves ou que até então não tem cura. De uma forma ou de outra, a Amanda levou fé e esperança a essas pessoas. E enquanto torciam por ela, as pessoas também acreditavam que um milagre poderia acontecer em suas vidas. Não estou tentando minimizar nem nada o que ela fez, que foi muito errado. Imagine o que essas pessoas estão sentindo agora? Elas podem até ter perdido a fé em tudo.
DÁCIO – Eu realmente não tinha visto por este lado.
DANIEL – Claro que não. (se aproxima dele) Além de ficar engraçado, o ciúme estava tapando a sua visão. (sorri e o beija, os dois se deitam na cama)

[CENA 05 – CASA DE CAIO/ COZINHA/ NOITE]
(Adriana e Camila estão relembrando bons momentos do passado à mesa, Junior e Cláudio riem de tudo. Ana e Caio apenas observam as “aventuras” de seus pais)
CAMILA – (ri) Nossa, a Joana ficou muito p… da vida com a gente. (Caio nunca tinha visto sua mãe falar daquele jeito e rindo tanto daquela forma)
ADRIANA – Eu que o diga. Lembra que ela inventou de colocar um cadeado na gaveta de calcinhas dela. (as duas caem na gargalhada)
CAMILA – Claro que lembro!
CLÁUDIO – (um pouco constrangido com a presença das crianças ali) Meninas, lembrem-se que nossos filhos estão na mesa com a gente.
CAMILA – (repara em Caio, tenta manter a postura séria) Desculpem, crianças… realmente, acho que algumas histórias não são propicias para o momento.
CAIO – Confesso que estava adorando conhecer um pouco mais do passado da senhora. Quem diria que a senhora já teve uma fase “levadinha”. (ri, mas logo recebe uma encarada de sua mãe)
CAMILA – (tenta mudar de assunto) Enfim… (a Adriana) você pretende passar quanto tempo aqui no Rio?
ADRIANA – Vou ficar até Janeiro. A Ana vai viajar para Madrid mês que vem, então… (olha para Junior, segura a mão dele) …estamos aproveitando este momento em família juntos.
CLÁUDIO – Que bom. Vocês podiam passar a virada com a gente, não é amor?
CAMILA – É, claro. Se vocês não tiverem nenhum outro plano, obvio.
ADRIANA – Não, não temos. (solta a mão de Junior) Na verdade, iria sugerir exatamente isso a vocês. Vai ser bom passarmos a virada de ano juntos. (sorri, olha para todos)

[CENA 06 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ NOITE]
(Otávio e Ione foram para o quarto, o salão tem poucos clientes. Eduardo e Larissa continuam conversando em uma mesa reservada. Gaspar e Nathaniel o observam do bar)
GASPAR – (se espreguiça) É… acho que vou indo. O corpo humano se cansa muito rápido. (levanta-se)
NATHANIEL – Já? Não quer tomar a última antes de ir?
GASPAR – Não, melhor não. (se aproxima dele) Voar daqui pra casa bêbado não é recomendável. (os dois riem)
NATHANIEL – Tá, certo! Boa noite então.
GASPAR – Boa noite. (saí do cabaré, Nathaniel guarda alguns copos)
LARISSA – (repara ao redor, percebe a pouca movimentação) O pessoal parece que estão indo embora, melhor você procurar o seu amigo e fazer o mesmo.
EDUARDO – Não sei se você viu, mas ele e a Ione devem estar ocupados agora. (ri)
LARISSA – A última vez que eu vi, eles estavam ali. (vira-se e repara a mesa vazia) Mas que danadinha.
EDUARDO – Eles estão se acertando lá no quarto, a gente bem que poderia estar se acertando também.
LARISSA – Já conversamos sobre isso, Edu.
EDUARDO – Eu dê o tempo que precisava. Deixei você se concentrar no programa de música e agora que ele acabou, podemos dar uma chance a nós.
LARISSA – Não era só o programa, você sabe. Tem as meninas, o cabaré… não irei deixar meu lar.
EDUARDO – Eu sei o quanto elas são importantes para você, por isso não vamos pensar nisso agora.
LARISSA – Como assim?
EDUARDO – Vamos viver um dia de cada vez. O que vier pela frente, quero estar junto com você. (Larissa fica envergonhada) Topa desbravar o mundo junto comigo?
LARISSA – E se não der certo?
EDUARDO – Saberemos tentando. (ergue seu corpo em direção ao dela e a beija)

(Larissa e Eduardo decidiram dar uma chance para o que sentiam. As festas de final de ano chegaram e junto com elas as comemorações em família. No natal, Pedro e Paula passaram juntos com a família de Alice. Adriana passou junto com a família de Ana. Caio passou com a sua. O cabaré também teve uma noite especial, e apesar dos poucos clientes, a casa estava decorada, iluminada e cheia de alegria. Otávio e Eduardo também estavam presentes. Daniel foi convidado pra passar o natal com a família de Dácio, e ao ver a família do namorado assim tão feliz, o fez lembrar de seu pai. Samuel passou a noite de natal sozinho, cheio de remorsos com o que fez com o filho. A festa de ano novo também foi parecida, com exceção de que a família de Ana e Caio se juntaram. O pai de Dácio bem que tentou participar das duas noites com o filho, só que Saulo não teve sorte)

Algumas semanas depois…

[CENA 07 – CASA DE ANA/ QUARTO – SALA – RUA/ DIA]
(Ana coloca sua mala próxima a cama, de repente sente um leve enjoo, se apoia na cama. Junior entra no quarto neste momento)
JUNIOR – Pronta, filha? (estranha a postura dela) Tudo bem?
ANA – (volta ao normal) Estou sim.
JUNIOR – Arrumou sua mala?
ANA – Arrumei, sim. O senhor me ajuda?
JUNIOR – Claro. (pega a mala da filha, Ana pega uma mochila em cima da cama e saí do quarto junto com o pai)
[SALA]
(Adriana está ao lado do sofá, caminha até a escada ao ver Junior)
ADRIANA – Falou com o seu tio, Ana? Ele vai mesmo esperar você no aeroporto?
ANA – Vai, vai sim. Mandei mensagem para ele minutos atrás. (campainha toca)
ADRIANA – Eu atento. (abre a porta e encontra Pedro e Paula)
PAULA – Oi, chegamos tarde?
ADRIANA – Não, imagina. A Ana ainda está aqui. Entrem. (os dois entram, Paula é a primeira a se despedir de Ana)
PAULA – (a abraça) Faça uma boa viagem, querida. Não esquece de mandar mensagem todo dia para o seu pai, hein. Sabemos muito bem como este aí fica, quando não recebe notícias suas.
ANA – (sorri) Eu vou mandar sim, não se preocupa.
PEDRO – (a abraça) Aproveite muito Madrid, viu. Espero vê-la em breve.
ANA – Digo o mesmo com você em Nova York. (os dois riem) Obrigado por terem vindo. (um carro buzina lá fora)
JUNIOR – Oh, deve ser o carro que chamamos. Vou levando as suas coisas, Ana. (caminha até a porta, todos saem logo atrás)
ADRIANA – Não deixe seu tio chato lhe mudar, está bem? E quando você quiser voltar pra casa, basta uma ligação sua, que a gente vai até Madrid te buscar. (Ana sorri, assim que saí de casa, encontra Alan do outro lado da rua) Acho que alguém veio se despedir de você. (Ana atravessa a rua, fica próximo de Alan)
ALAN – Chegou o dia, né?!
ANA – Pois, é. Serão apenas quatro anos longe daqui. Antes de você perceber, eu já estarei de volta.
ALAN – Serão os quatro anos mais longos da minha vida. (se aproxima dela e a beija) Liga quando chegar?
ANA – Ligo sim. Aproveite bem seu curso de dança. Quero ver o quanto você terá evoluído em seus passos de dança. (os dois se entreolham por alguns segundos, o carro buzina) Melhor eu ir. Não posso perder o voo, uma vez que foi meu tio quem pagou a passagem.
ALAN – (a beija mais uma vez) Esse é pra viagem! (sorri, os dois de despedem, Ana volta para sua casa, abraça mais uma vez seus amigos, entra no carro junto com seu pai e partem para o aeroporto)

[CENA 08 – AEROPORTO/ DIA]
(Junior está acompanhando Ana até a fila de embarque, aparentemente ele estar com vontade de chorar)
ANA – Não fica assim, pai. Eu vou conversar com o senhor todos os dias.
JUNIOR – Eu sei, na verdade eu estou feliz apenas. Minha menina está amadurecendo. (sorri, a abraça) Se cuida, filha. E lembre-se que estarei sempre aqui, para o que precisar!
ANA – Eu sei.
JUNIOR – (beija a cabeça dela) Faça uma boa viagem! (Ana caminha até fila de embarque, acena para seu pai, que está lutando para segurar o choro)

Anoitecendo…

[CENA 09 – CASA DE PEDRO/ SALA/ NOITE]
(Pedro vem descendo as escadas apressado, encontra sua tia na sala vendo TV)
PAULA – Ei, rapazinho… pensa que vai com essa empolgação toda pra onde, hein?
PEDRO – O Ramon me chamou para uma pequena despedida lá na lanchonete do Ivo. Quero ver o que eles organizaram. (ri)
PAULA – Não esquece que você tem uma viajem marcada amanhã cedo.
PEDRO – Relaxa, tia… que todas as minhas coisas estão arrumadas. Agora deixa eu ir, que ainda vou passar na casa da Alice.
PAULA – Ela vai com você?
PEDRO – (caminha até a porta) Ela não quer ir, mas ela sabe que eu sou persistente. (sorri, abre a porta) Tchau, tia. Até mais. (saí de casa)
PAULA – Tchau, querido.

[CENA 10 – LANCHONETE DO IVO/ NOITE]
(Ramon está em cima do palco, organizando alguns instrumentos. Andréa se aproxima)
ANDRÉA – Falou com o Pedro?
RAMON – Ele está vindo. Disse que ia passar na casa da irmã.
ANDRÉA – Ele vai trazer ela?
RAMON – Talvez. Eu mesmo não tive sucesso. Falei sobre a festa de despedida, só que ela nem deu bola.
ANDRÉA – Os dois são irmãos, eles que se entendam. (volta para o balcão)

[CENA 11 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ NOITE]
(Alice está ouvindo uma música, Pedro entra no estúdio)
PEDRO – Então é aqui que você se esconde.
ALICE – (retira os fones) Oi!
PEDRO – Vim te buscar.
ALICE – Eu não vou para a sua festa.
PEDRO – Ah vai sim.
ALICE – (mente) Eu não estou me sentindo bem. (esfrega as pernas)
PEDRO – O que você tem?
ALICE – São alguns formigamentos apenas.
PEDRO – (se anima) Isso é bom, não é? Sinal de que a sensibilidade de suas pernas está voltando?! (senta-se) É melhor falar isso para o papai.
ALICE – Não, não precisa incomodá-lo com isso. Vou tomar um remédio e me deitar.
PEDRO – Então eu vou ficar aqui com você. (pega o celular) Vou avisar o pessoal que não vou poder ir para a festa.
ALICE – Não faz isso. Seus amigos se dedicaram muito para planejar essa festa. Não faz essa desfeita com eles. (Pedro guarda o celular) E mesmo assim, como você vai viajar amanhã para Nova York, eu planejei uma despedida mais simples para você. (olha para o violão que estava ao lado, Pedro se levanta e o pega. Entrega para Alice) Eu pensei muito em uma música para cantar pra você, e como estou devendo uma aposta… (ri) … eu acho que você vai gostar. Confesso que decorei a letra em um dia apenas. (Pedro senta-se, a observa. Alice olha para o violão, começa a tocar)

[CENA DE MÚSICA – FAROL (VITOR KLEY)]

O mesmo céu que chove é o mesmo céu que faz Sol 1
Quando a escuridão vier te abraçar, encontre o seu farol

E você é o meu
E você é o meu

Quando a solidão for te encontrar, crie asas e comece a voar 2
Temos o mundo inteiro a descobrir
Sei que é difícil de entender, mas a vida é feita para se viver
Abra um sorriso e faça alguém sorrir

O mesmo céu que chove é o mesmo céu que faz Sol 3
Quando a escuridão vier te abraçar, encontre o seu farol

E você é o meu 4
E você é o meu
E você é o meu
E você é o meu

1. Alice olha para o irmão assim que começa a cantar, Pedro solta um leve sorriso, assim que reconhece a música.
2. Alice fecha os olhos por um breve momento, os abre e foca em seu violão. Pedro a observa com um sorriso longo no rosto durante a música inteira.
3. Ela volta a olhar para o irmão, vê-lo sorrindo a faz sorrir também. Pedro vai se aproximando aos poucos dela.
4. Alice encerra a música, Pedro se levanta e a abraça.

[CENA 12 – CASA DE GUSTAVO (MADRID)/ BANHEIRO/ NOITE]
(Ana está trancada no banheiro, os enjoos voltaram e ela acredita que seja culpa da viagem de avião do Brasil pra cá. Se apoia na pia, liga a torneira, enxagua um pouco seu rosto, olha para seu reflexo no espelho. Gustavo bate na porta)
GUSTAVO – (do outro lado) Ana? Você está bem?
ANA – Estou sim, tio.
GUSTAVO – Reparei que você tá um bom tempo trancada neste banheiro.
ANA – Eu já vou sair. (abaixa a cabeça, o enjoo volta dessa vez com uma forte tontura na cabeça)

Continua no capítulo 68…

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POSTADO POR

Anderson Silva

Anderson Silva

Um carinha qualquer apaixonado por música e contador de histórias. Atualmente é autor de A Nossa Canção.
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