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Capítulo V – En las cercanías de Alcatraz Season II

En las cercanías de Alcatraz
Capítulo V – De volta à realidade

Ruas de Alcatraz

A noite escura e deserta abriga uma Rebeca maltrapilha perambulando sem destino algum. Cultivamos fantasias autocomplacentes no nosso ambiente de trabalho, nas relações sociais e nas relações afetivas. E então, nos enfurecemos ou desabamos quando os fatos nos contrariam.

Homens e mulheres têm a capacidade de acreditar em qualquer coisa que lhes dê conforto ou alivie sofrimentos. As relações imaginárias são uma delas. Quando falta um relacionamento real, as pessoas se enrabicham com o cobrador de ônibus, com a gerente do banco ou até mesmo com aquela prima ou primo que aparece de vez em quando. Basta um pouco de atenção ao carente para que ele se imagine numa relação. Rebeca acaba de passar por isso. Talvez ela não fosse de fato se atirar daquela passarela, mas o medo e a incerteza colocaram Jay no seu caminho. E, de certo modo, ele a manteve viva.

Rebeca senta-se no meio fio da rua deserta e fica a observar as luzes e o movimento da rodovia logo mais adiante. Dos seus olhos escorrem lágrimas que vão caindo sobre o seu colo. Suas lembranças voam de volta ao passado. De volta à clínica da qual fugiu…

Clínica Frederick Angels

Anos atrás

Rebeca, com doze anos de idade, cabelos soltos mal penteados, de pés descalços, um short jeans e camiseta branca, está sentada sobre suas pernas em cima da cama. Ela escova os cabelos de uma boneca velha e suja.

Rebeca
– Eu não posso fazer isso…

Rebeca mantém a cabeça baixa olhando a boneca.

Rebeca
– …não agora. Não tô preparada. E se me pegarem?

Rebeca olha para frente, na direção de uma poltrona vazia.

Rebeca
– Você é que pensa…eles já me fizeram mal…

Rebeca larga a escova e a boneca sobre a cama. Se ajeita sentando direito na cama.

Rebeca
– …eu não posso arriscar! Você sabe o que pode acontecer comigo se eu fizer isso?

Rebeca se levanta e abre o guarda roupa velho.

Rebeca
– A única que me entende aqui é a Dulce…

A porta entreaberta do quarto range com o vento que entra pela janela. Rebeca olha atônita e se depara com uma enfermeira lhe espiando. Ela puxa a porta fechando-a.

Sala da Psicóloga Magda Cervantes

A psicóloga da clínica é Magda Cervantes, uma mulher negra, de quarenta anos de idade, de cabelos trançados e olhos castanhos. Ela está sentada sobre uma poltrona giratória e confortável. À sua frente está a enfermeira chefe do local, Maria Cristina, uma mulher mais velha, mais gorda e de cabelos loiros até a altura dos ombros.

Magda
– Ela pode sim ter um amigo imaginário. E nem sempre isso será um mal sinal.

Maria Cristina
– Eu te acredito. Mas este em questão parecia pedir pra ela fazer algo errado. Algo que ela estava relutando em fazer. E segundo o que já li sobre o assunto, isso não deveria ter desaparecido por volta de nove, dez anos de idade?

Magda cruza as mãos sobre as pernas.

Magda
– Cada caso é um caso…normalmente, quando a criança tem um amigo imaginário desde os três, quatro anos de idade, isso desaparece quando chega aos nove, dez anos de idade. Mas precisamos levar em consideração todo o histórico desta criança.

Maria Cristina
– Sim…e o histórico desta menina é bastante complicado.

Magda
– É desta maneira que elas vão aprendendo a se relacionar com as outras pessoas, a lidar com as emoções e sentimentos que tem, desenvolvendo assim suas competências cognitivas, emocionais e sociais.

Maria Cristina
– Pode-se dizer que estes amigos imaginários podem representar também algo que traga conforto emocional para a criança, ajudando a suportar momentos de dificuldades?

Magda se recosta na poltrona. Gira ela para trás onde há um balcão e sobre ele o exemplar de um livro. Ela pega-o e se volta para a enfermeira à sua frente.

Magda
– Aqui neste livro tem muitas respostas sobre o assunto…

Ela alcança-o para Maria Cristina.

Magda
– … é bastante comum que este amigo seja criado após um acontecimento traumático, o que vai ajudar a criança a administrar melhor as emoções decorrentes dele.

Maria Cristina pega o exemplar do livro.

De volta às ruas de Alcatraz

Escuta-se buzinas de carros e veículos maiores e luzes fortes iluminam a rodovia que cerca Alcatraz. Rebeca atravessa a mesma sem olhar para os lados. Os carros vão desviando enquanto as buzinas são tocadas sem pudores.

Jay fazia Rebeca sentir-se especial. E perder este poder de um dia para o outro coloca a jovem em um patamar pior do que ela se encontrava antes de conhecê-lo. Rebeca chega do outro lado da rodovia, se vira para os carros e ouve atentamente aos xingamentos dos motoristas. Ela lhes mostra o dedo do meio e sorri. Pula a cerca ao lado da rodovia e segue por uma estrada de terra que leva até uma floresta.

Há três quilômetros dali…

…um homem despede-se de sua esposa com um beijo e dá início à sua corrida para finalizar o seu dia. Sua mulher observa quando ele segue pela estrada de terra no meio da floresta.

Mulher
– Se cuida meu amor.

Ela coloca a mão no peito.

Mulher
– Eu tô com um mau pressentimento.

No interior da floresta

Rebeca caminha por aquela estrada de terra sem pretensões alguma. Ela está tão desnorteada que não consegue pensar em nada. Pela mesma estrada, no sentido oposto de Rebeca, aquele homem corre distraído com seus fones de ouvido. O trajeto faz uma curva em meio à floresta. Rebeca nota que alguém vem vindo e se esconde atrás de uns arbustos. O homem passa por onde está a jovem e ela fica a lhe observar. Volta para o meio do caminho e o homem nota sua presença. Interrompe a corrida, põe as mãos nos joelhos em sinal de cansaço e vira se deparando com Rebeca lhe encarando.

Homem
– Perdida, moça?

O homem se recompõe, respira recuperando seu fôlego.

Homem
– Precisa de ajuda?

Rebeca sorri e vai se aproximando do homem.

Rebeca
– Tava só clareando as ideias…lugar lindo aqui.

O homem olha as horas no seu relógio esportivo de pulso.

Homem
– Ótimo lugar pra espairecer. Mas perigoso estas horas, minha jovem.

Rebeca já está mais perto do homem. Olha bem nos seus olhos e sorri.

Rebeca
– Pra mim não é…

O homem estranha. Ajeita os fones nos ouvidos.

Homem
– Como queira. Mas é melhor ter cuidado.

Rebeca põe uma mão atrás de sua cintura por debaixo da blusa. O homem baixa a cabeça para seguir seu caminho de volta, mas é surpreendido pela mão de Rebeca segurando seu braço. Ele se assusta.

Homem
– Ei, me solta!

Prontamente, Rebeca tira da parte de trás de sua cintura uma pequena faca afiada e puxa o homem colocando-a contra seu pescoço. Ele arregala os olhos.

Homem
– O que você quer?

Rebeca, com a faca sobre o pescoço daquele homem e segurando-o firme pelo braço, aproxima seu rosto ao rosto dele.

Rebeca
– É difícil dizer…

Ela encara o homem sorrindo.

Rebeca
– … às vezes eu só quero dar um fim…

Ela ergue o braço do homem e arranca o seu relógio. Pega também o celular que está no suporte no seu antebraço. O homem está com a respiração pesada.

Homem
– Pode levar…mas…me deixa voltar pra casa.

Rebeca puxa a gola da camiseta dele, sempre com a ponta da faca afiada sobre sua jugular.

Rebeca
– Não posso levar e deixar você vivo.

O homem se debate tentando escapar, mas Rebeca é firme na sua decisão. Ela o empurra. Ele tropeça e cai de costas. Ela monta nele. Nestes momentos Rebeca foge totalmente do controle. Ela não pensa. Ela não tem piedade. Aquela jovem crava sua faca afiada na jugular do homem. O sangue começa jorrar sujando sua camiseta e a blusa de Rebeca, que não se importa e sorri enquanto o homem agoniza diante dela.

Residência de Carmen Sanchez

Carmen Sanchez estaciona do lado de dentro do pátio de sua residência. Desce do carro, liga o alarme e sobe o lance de degraus com sua bolsa à tira colo. Está cansada, teve um dia difícil, conversas complicadas, informações demais para digerir. Tudo o que precisava neste momento era sua casa, um bom banho, uma janta agradável e muito carinho dos dois homens de sua vida.

Carmen põe a chave na fechadura e já escuta conversas e risadas do lado de dentro. Estranha, pois ouve uma voz diferente. Abre a porta e espanta-se com o que vê.

Na floresta

Rebeca sai correndo da floresta. Um senhor estranha a atitude da jovem, principalmente por ver sua blusa manchada de sangue. O senhor levanta do banco em que está e adentra pelo caminho de terra batida.

O senhor caminha pela estrada já escura, apenas recebendo alguma luminosidade fraca da lua e das estrelas. Ele vê um pé de tênis jogado em um canto. Apressa o passo, mas com cuidado, e acaba por encontrar o homem já sem vida atirado em meio aos arbustos. O homem está coberto de sangue. Imediatamente, o senhor pega o celular e liga para a polícia.

Delegacia de Alcatraz

O telefone em cima do balcão principal toca uma, duas, três, quatro vezes até que um jovem policial, uniformizado e de cabelos bem penteados, aparece vindo de outro cômodo.

Jovem policial
– Delegacia de Alcatraz, boa noite.

O policial aperta um botão colocando a ligação no viva voz e pega um bloco e uma caneta.

Jovem policial
– Na floresta?

Senhor no telefone
– Sim. Um homem de mais ou menos 40 anos. Mas já está sem vida. Tem muito sangue.

Jovem policial
– Certo senhor, acalme-se. Já vou informar na rádio. Logo, logo algum policial aparece por aí. Fique no local e fique calmo. Você viu alguém suspeito?

Senhor no telefone
– Eu só entrei na floresta porque vi uma jovem coberta de sangue sair correndo.

Jovem policial
– Entendido. Fique seguro. Algum policial já chegará.

O jovem policial desliga a ligação, pega o rádio dos policiais.

Jovem policial
– Boa noite, cavalheiros. Alguma viatura próxima da floresta da cidade? Há uma denúncia de um corpo de um homem já sem vida no interior da floresta. A testemunha relata que uma jovem saiu correndo de dentro da floresta minutos antes dele encontrar a vítima, câmbio.

Ouve-se ruídos na rádio até alguém responder.

Policial
– Viatura 12 há poucos quilômetros da floresta, câmbio.

O jovem policial confere na relação os policiais que estão na viatura 12 esta semana. Cabo Reynoso e Cabo Ramos.

Jovem policial
– Cabo Reynoso. Cabo Ramos? Podem averiguar a denúncia? Câmbio.

Cabo Reynoso
– Positivo, pode deixar com a gente, câmbio.

Jovem policial
– Ok. Fico no aguardo de informações, câmbio e desligo.

Residência de Carmen Sanchez

Carmen Sanchez abre a porta de casa e tem uma grande surpresa. Seu marido, Jairo, está sentado na poltrona de frente para a porta e no sofá de costas para a entrada está um homem alto e loiro. Jairo levanta com um copo de suco na mão.

Jairo
– Aí está ela…

Ele vai de encontro à esposa.

Jairo
– …tudo bem meu amor?

Ele lhe dá um beijo.

Jairo
– Temos visita hoje para a janta.

O homem alto e loiro é Arthur. Ele se levanta e se vira sorrindo e, então, Carmen tem a certeza que temia. Ele estava ali, dentro da sua casa. E isso já seria considerado demais por ela.

Jairo
– Meu amor, este é o Arthur. Está se mudando aqui para Alcatraz. Acredita que ele quer muito vir pra cá? Não sei o que ele viu neste lugar…

Arthur contorna o sofá com um copo de whisky na mão. Se aproxima do casal e estende a mão para a delegada olhando dentro dos seus olhos.

Arthur
– Muito prazer em conhecê-la, delegada Carmen Sanchez.

Carmen não consegue crer no que está vendo. Fica encarando aquele homem.

Jairo
– Não dá bola Arthur. Deve ter sido um dia difícil hoje.

Jairo cutuca a esposa. Carmen estende a mão à contragosto.

Carmen
– Olá.

Joaquim surge correndo vindo do corredor. Carmen se abaixa para abraçar o garoto.

No interior da floresta

Com lanternas em mãos, os cabos Reynoso e Ramos caminham pelo caminho de terra batida em meio à floresta. Reynoso, mais à frente, ilumina sua lanterna na direção de uns arbustos caídos. Fixa o olhar para enxergar melhor e avista um corpo.

Reynoso
– Cabo Ramos, aqui.

Cabo Ramos, imediatamente, se aproxima do colega também iluminando com a sua lanterna.

Ramos
– E não é que era verdade.

Reynoso
– É, mas chegamos tarde demais, meu amigo.

Reynoso pega o rádio e aperta o botão de chamada.

Reynoso
– Alô central, aqui é o Cabo Reynoso da viatura 12. Corpo encontrado na floresta conforme denúncia, câmbio.

O rádio chia por alguns segundos.

Jovem policial
– Ok, entendido, Cabo Reynoso. Vítima confere com a denúncia? Câmbio.

Reynoso
– Sim. Preciso que comunique o IML pra mandar um carro e um médico, câmbio.

Jovem policial
– Pode deixar, Cabo. Já vou providenciar. Mais alguma coisa? Câmbio.

Reynoso
– A princípio era isso. Vamos aguardar aqui. Não há movimento nenhum por enquanto. Nenhum suspeito. Quem denunciou não quis esperar também. Câmbio.

Jovem policial
– Foi recebido há pouco mais uma denúncia. Me pareceu mais uma batida de drogas. Mas acho que seria bom averiguar. A descrição de uma jovem confere com a que foi dada de uma moça correndo da floresta. Câmbio.

Reynoso
– Aonde central? Câmbio.

Jovem policial
– Em Andaraú, na entrada do bairro, câmbio.

Reynoso
– Ok, entendido. Já imagino onde seja. Há um ponto de tráfico no local. Vamos verificar ainda hoje. Me passa por mensagem a descrição da jovem. Câmbio.

Jovem policial
– Obrigado Cabo. Vou lhe passar em seguida. Qualquer novidade vamos se falando. Câmbio e desligo.

Reynoso guarda o rádio e logo em seguida seu celular vibra. É da central lhe enviando a descrição da jovem.

Reynoso
– É, Cabo Ramos. Acho que nossa noite será longa.

Residência de Carmen Sanchez

Ao redor da mesa de jantar estão Jairo, Carmen, Arthur e o pequeno Joaquim. Todos comem satisfeitos, menos Carmen Sanchez que parece estar em outra dimensão enquanto aquele homem alto e loiro lhe lança olhares indiscretos.

Jairo
– Está boa a comida Arthur?

Jairo leva o garfo à boca e saboreia aquela lasanha. Depois olha para Carmen sempre sorrindo.

Arthur
– Uma delícia.

Carmen fica sem jeito, olha para baixo, olha para o filho que já empurra o prato.

Carmen
– Não quer mais comer já pode ir escovar os dentes e ir pro quarto.

O menino se levanta.

Arthur
– Boa noite garoto.

Todos já finalizam sua janta. Carmen levanta recolhendo os pratos.

Arthur
– Pode deixar que eu lhe ajudo.

Carmen
– Não precisa.

Arthur
– Faço questão.

Jairo
– Bom, sabe meu estado, é hora de mais um daqueles remédios que me fazem dormir feito um anjo.

Jairo sai da mesa em direção ao corredor. Carmen carrega a pilha de pratos para a cozinha. Arthur, com uma panela em mãos, a segue.

Na cozinha

Carmen larga a pilha de pratos na pia e se vira para o homem loiro que está se aproximando.

Carmen
– Droga, Arthur! Você não pode fazer isso!

Arthur larga a panela sobre a pia e segura o braço da delegada lhe encarando.

Arthur
– Eu precisava saber se realmente não há mais nada entre nós.

Carmen
– Poxa, mas não precisava vir se fazer de desconhecido aqui na minha casa, na frente do meu marido, do meu filho.

Arthur
– E se eu te ligasse você ia topar se encontrar comigo?

Carmen tenta se desvencilhar do homem, que a puxa mãos para perto.

Carmen
– É claro que não!

Arthur
– Então eu não tive outra opção.

Carmen tenta novamente fugir dos braços de Arthur, mas a tentativa é em vão. Ele a encosta na pia agora segurando ambos os braços da delegada, que fica paralisada lhe encarando.

Arthur alisa os cabelos de Carmen descendo a mão pelo seu rosto. Ela fecha os olhos enquanto aquele homem alto e loiro aproxima seus lábios dos lábios dela. Carmen não resiste…

No interior da floresta

Dois paramédicos do IML adentram a floresta através da estrada de terra batida uniformizados com jalecos brancos, luvas de borracha e máscara, carregando uma maca. Reynoso os recebe.

Reynoso
– Boa noite doutores. Podem me acompanhar, por favor.

Reynoso os leva até o local onde está o corpo do homem. Os paramédicos já se aproximam largando a maca e colocando o corpo na mesma.

Ramos
– Pronto. À partir daqui é com eles.

Reynoso
– Nada disso. Vá com eles e eu vou verificar a denúncia em Andaraú.

Ramos
– Como quiser. Mas não é perigoso ir lá sozinho?

Reynoso
– Vou observar primeiro. Se eu ver algo fora dos eixos chamo reforço pela rádio. Não se preocupe. Vá com eles. Precisamos encontrar os familiares.

Bairro de Andaraú

Em uma rua sem saída localizada em um morro bastante íngreme, uma casa vermelha de alvenaria de dois andares com uma cerca marrom na frente e uma escada de pedra na lateral chama a atenção. Um homem negro e mal encarado faz a guarda do lado de fora do portão segurando firme uma arma na mão. Ali naquela residência funciona um forte ponto de tráfico da região e também servia como casa de prostituição.

A rua está escura. Pouco movimento aquela hora. No início do morro um carro com os faróis acesos, desce iluminando a rua deserta e se aproxima da casa vermelha até estacionar bem em frente. O vidro do carro é baixado e o rosto do Cabo Reynoso surge debaixo de um boné preto. Ele faz a sinal com a mão chamando o homem mal encarado que faz a guarda. Ele se aproxima do veículo.

Homem
– Que é?

Reynoso faz sinal com a cabeça na direção da casa.

Reynoso
– Movimento hoje?

Homem
– Essa hora já tá fraco. Precisa de algo?

Reynoso
– O de praxe. Uma companhia e depois um pó do bom. Talvez não nesta ordem.

O homem que faz a guarda faz sinal com a cabeça para Reynoso estacionar do outro lado da rua.

Homem
– Ninguém mexe nos carros aqui. Fica sussa!

Reynoso sorri e acelera estacionando do outro lado. Enquanto isso o homem fica lhe observando até ele descer do veículo e ir em direção à casa vermelha. Ele dá lado para Reynoso passar.

Homem
– Segundo andar as meninas. Primeiro andar a droga.

Reynoso olha para a casa. Do lado de cima o som alto e as luzes coloridas piscando indicavam que o lugar ainda estava fervilhando. Da porta lateral da parte inferior um jovem saiu cambaleando e trombando em Reynoso. O homem que faz a guarda o empurrou para fora.

Homem
– Seu verme! Vaza daqui!

Reynoso suspira fundo, disfarçadamente, coloca a mão no bolso do blazer que está usando e depois cochicha. Ele está disfarçado e com escuta para poder chamar reforço se for necessário. Começa subir as escadas em direção da música alta e das luzes piscando.

Reynoso
– Fiquem atentos que à qualquer momento posso precisar. Se eu encontrar a jovem não vou agir. Vou chamar reforço. Estes malditos podem ser comparsas dela.

No interior da casa vermelha – segundo andar

Um ambiente escuro com algumas fracas luzes coloridas penduradas no teto baixo. Uma sala ampla com alguns sofás e poltronas espalhadas e, em cima de uma bancada, algumas garrafas de bebidas espalhadas e um som velho que toca insistentemente a mesma batida. O lugar está envolto em uma penumbra de fumaça de cigarros e um cheiro de maconha impregna no ar. Pelos cantos mais escuros e por cima dos sofás e poltronas, os clientes bebem e fumam junto das acompanhantes.

Cabo Reynoso entra pela porta principal e fica observando tudo ao seu redor. Vê um senhor gordo passar por uma cortina florida de tecido acompanhado de uma jovem, que aparenta não ter mais de 17 anos. “Precisa dar tudo certo hoje à noite, que resolveremos vários crimes por aqui”, pensou consigo mesmo o policial disfarçado.

Cabo Reynoso dá mais uma olhada ao redor e, para que ninguém desconfie de nada, vai até a bancada onde é o bar e pede um copo de whisky para um negro forte que está do outro lado. Uma jovem de cabelos curtos e platinados, com maquiagem pesada e roupas curtas se aproxima dele. Ela o olha de cima à baixo e lhe estende a mão.

Jovem
– Eu sou Vega, prazer!

Cabo Reynoso olha para a moça, que parece ter uns vinte anos de idade, e estende a mão cumprimentando-a.

Reynoso
– Cléber. Muito prazer.

O homem negro alcança o copo de whisky para Reynoso.

Reynoso
– Pode servir um para a jovem também.

Vega
– Obrigada. Um verdadeiro cavalheiro.

Ela sorri enquanto o homem negro já serve a bebida.

Vega
– Primeira fez aqui né? Pelo menos nunca tinha te visto…

Ela dá uma olhada para o homem ao seu lado. O homem negro lhe entrega o copo. Ela toma um gole do seu whisky.

Vega
– …e olha que meus olhos jamais deixariam de ver tamanha beleza.

Reynoso toma seu whisky também. Sorri timidamente.

Vega
– Procurando por diversão? Posso lhe garantir que terá…

Reynoso
– Por enquanto só quero beber meu whisky…

Ele olha para a jovem lhe admirando.

Reynoso
– …mas, se eu mudar de ideia, pode ter certeza que te procuro.

Vega estende a mão com o copo.

Vega
– Como quiser.

Ela sai dar um giro pelo lugar. Reynoso se vira e fica lhe olhando quando, de repente, espanta-se com o que vê. Sentada em um canto, a jovem Rebeca bebe e fuma. Parece estar assustada. Um homem se aproxima dela e conversa alguma coisa baixinho. Ele a ajuda se levantar e os dois seguem além da cortina florida. Reynoso finaliza seu whisky e olha em volta do lugar. Avista a jovem de cabelos platinados e vai na sua direção.

Reynoso
– Mudei de ideia…

Ele a puxa pelo braço. Ela se vira e se espanta com a atitude.

Vega
– Hummm, adorei.

Vega toma a iniciativa e puxa Reynoso pelo braço. Eles passam pela cortina florida. A batida incessante continua. As luzes piscam. Chegou a hora. É momento de agir.

POSTADO POR

Marcos Vinicius Silva

Marcos Vinicius Silva

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  • O que a Carmen tá fazendo? O que ela tá fazendo amigo? Não entendo! Como assim?
    Gostei do Renoso. Muito bom acompanhar essa aventura dele. Faltou chamar a perícia pra verificar o corpo.
    E a Rebeca? Ela não pode voltar pro status quo! Então o Jay não serviu de nada? To inconformado com isso! Olha muito bem o que vc vai fazer com esses personagens! To de olho no senhor, muito cuidado.

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