Capítulo VII – En las cercanías de Alcatraz Season II

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En las cercanías de Alcatraz
Capítulo VII – Seja bem vinda à Araúdes Trigueiro

Sérgio Dias, câmera Man do principal jornal da região, está terminando de arrumar a câmera no tripé. Ele verifica a lente e ajusta o foco. Ao seu lado surge uma jovem morena de cabelos cacheados segurando um bloco de anotações. Ela é a jornalista Samantha Guedes e está realizando um documentário sobre as detentas da Araúdes Trigueiro. Eles se encontram em um auditório improvisado. Um lugar pequeno, sujo e escuro que obrigou Sérgio a usar suas artimanhas de iluminação.

Sérgio
– Mais um pequeno ajuste aqui no foco e está tudo preparado Samantha.

Samantha
– Ótimo. Precisamos pegar todos estes depoimentos ainda hoje.

Por uma porta de ferro nos fundos da sala, uma policial loira traz uma senhora com o uniforme verde escuro da penitenciária. Ela tem os cabelos compridos, grisalhos e bagunçados e rugas ao redor dos olhos negros. Maria Aparecida da Luz está presa há 15 anos. A policial a coloca sentada em uma cadeira de encosto estofado. Ela mantém os olhos fitando o chão sujo daquele lugar.

Samantha
– Bom dia Maria.

A senhora nem levanta a cabeça.

Maria
– Bom dia.

Samantha se aproxima um pouco de Maria.

Samantha
– Você fique bem à vontade Maria. Pode falar tudo que achar necessário, sem medo.

Samantha faz sinal de positivo para o câmera Man. Ele ajusta os últimos detalhes, liga a câmera. Maria, um pouco tímida, vai levantando a cabeça. Fixa os seus olhos cansados na câmera à sua frente.

Maria
– Meu nome é…Maria Aparecida da Luz…eu tenho 57 anos de idade e tô aqui há 15 anos…e pode acreditar, não cheguei nem na metade da minha pena.

Maria dá uma fungada e passa o dorso da mão direita sobre o nariz.

Maria
– Eu precisava ajudar meu genro pra gente se livrar daquele corpo…

Ela dá uma gargalhada seguida de uma tosse seca.

Maria
– …mas parece que não tivemos muita sorte. A polícia até que foi esperta e nos pegou no flagra jogando o corpo numa vala em uma estrada deserta. Aí já viram né?

Maria desvia o olhar para Samantha que está na esquerda da câmera.

Maria
– Meu genro pegou 40 anos e eu 35. Tínhamos droga com a gente naquele dia. Eu sempre acobertava aquele desgraçado!

Ela dá mais uma gargalhada.

Maria
– Mas eu fui mais forte. Ainda tô aqui. Ele não aguentou 10 anos. E foi encontrado morto na cela. Se matou. Deixou minha filha viúva aquele imundícia.

Maria fica em silêncio por alguns instantes. Na tela da câmera sua imagem centralizada e o tempo correndo no canto superior direito. Samantha faz sinal com a mão para a senhora continuar seu depoimento.

Maria
– Eu tô aqui há quase quatro anos sem receber uma visita sequer. É triste isso. E igual à mim tem muitas outras detentas. Temos que nos consolar com a ajuda do Estado. E a ajuda do Estado com as presas tá em extinção. Tem dias que fico caçando jornal velho pra poder limpar a bunda.

Samantha e Sérgio estão espantados com as palavras sinceras da detenta. Espantados, mas satisfeitos com as declarações.

Samantha
– É disso que precisamos. Desta verdade. Foca na expressão dela, Sérgio.

Sérgio mexe na câmera, onde através da tela se vê a aproximação no rosto de Maria. Sua expressão cansada. Seus olhos vermelhos, suas rugas.

Maria
– Nossa luta aqui é por higiene, por dignidade. Vocês conhecem a série Orange is the new balck? Pois é, aquilo não existe não. A mocinha lá do papel principal não sobreviveria um dia aqui na Araúdes Trigueiro. Vocês sabiam que muitos bebês aqui dentro nascem dentro dos banheiros?

Samantha olha para Sérgio ao seu lado enquanto a detenta funga mais uma vez e esfrega os olhos vermelhos.

Samantha
– Este será nosso maior documentário meu amigo. A realidade vai vir à tona e vamos desmascarar muitas coisas e muita gente.

Do lado de fora

A viatura conduzida por Raúl levando Rebeca estaciona em frente ao portão de entrada da penitenciária. A delegada Carmen Sanchez é a primeira a descer. Fica ao lado do veículo observando a placa carcomida com o tempo com o nome do lugar e os muros bem protegidos, muito diferente da última vez que esteve ali. O policial Raúl também desce, contorna o carro e fica ao lado da delegada.

Raúl
– Chegamos, delegada. A jovem Rebeca chegou ao seu lar.

Carmen olha de canto para o banco de trás da viatura onde está Rebeca, de cabeça baixa e algemada. Ouve-se um estrondo e o portão é aberto. Carmen se afasta da viatura.

Carmen
– Traz ela de uma vez.

Carmen, sempre altiva e segura de si, caminha em direção à agente penitenciária que abriu o portão. Raúl abre a porta da viatura e retira a jovem de dentro.

Raúl
– Vamos garota. Diga olá para seu novo lar.

Rebeca levanta os olhos vermelhos e olha para a prisão à sua frente.

A agente penitenciária Valéria, uma mulher negra, corpo atlético e olhar sério recebe a delegada Carmen Sanchez.

Valéria
– Delegada. Seja bem vinda. Sou Valéria e conduzirei vocês à nossa penitenciária.

Carmen
– Olá. Obrigada Valéria…

Carmen encara o grande portão aberto e o interior do local.

Carmen
– …nossa! Fazia muito tempo que não vinha aqui.

Valéria
– Muitas reformas foram feitas nos últimos anos. Melhorou e muito nossa segurança. Acho que a impressão que todos tinham da Araúdes Trigueiro tenha mudado ao longo do tempo. Melhoramos nossos sistema e tudo mais. Vou conduzir vocês com a detenta até uma sala restrita e a diretora Gertrudes irá recebê-los.

Carmen
– Gertrudes? Bom saber que ela aceitou vir pra cá depois de tanto recusar os convites que eram feito.

Raúl se aproxima trazendo Rebeca. Os quatro se encaminham para o interior da penitenciária. O portão se fecha quando eles passam.

Eles caminham por um corredor largo que divide o pátio dos pavimentos da penitenciária. Rebeca vai olhando para ambos os lados assustada. Valéria fica em frente à uma porta de ferro e procura as chaves no seu bolso. A porta é aberta. Ela dá lado para Carmen, Raúl e Rebeca entrarem.

Valéria
– Fiquem à vontade. Vou avisar a diretora que vocês já estão aqui.

Enquanto isso no auditório improvisado, a policial loira leva a detenta que estava depondo e, em seguida, retorna com uma outra presidiária, negra, de cabelos bagunçados e grávida de 8 meses. Ela ajuda a detenta a sentar e retira-se. Samantha espera a policial sair e aproxima-se da negra grávida.

Samantha
– Você está bem? Está confortável? Precisa de alguma coisa?

A negra de cabeça baixa esfrega os olhos com o dorso da mão.

Negra
– Tá tudo bem.

Samantha retorna para o lado de Sérgio e da câmera.

Samantha
– Ótimo. Se precisar de algo é só pedir e providenciaremos. Agora preciso que se apresente ao meu sinal. Diga quanto tempo está aqui e tudo mais que achar necessário. Ok?

A negra grávida assente que sim erguendo a cabeça e encarando a jornalista. Samantha faz sinal para Sérgio dar o play. Ele, imediatamente, ajusta o foco enquadrando a detenta e aperta o botão verde. Samantha faz sinal para a mulher falar.

Negra
– Meu nome é Graciele…tenho 33 anos e tô aqui nesta espelunca desde os 25.

Ela olha bem para a lente da câmera.

Graciele
– Lá se vão quase dez anos trancafiada aqui. Não injustamente. Porque sei que fiz merda.

Graciele sorri pela primeira vez mostrando seus dentes amarelados.

Graciele
– Às vezes me pergunto se podia ter evitado e que vida estaria tendo se tivesse evitado. Será que ainda estaria casada com o Getúlio? Pelo menos aqui sei que ele tá comigo, que me visita toda semana…e que nosso bebê vai nascer daqui um mês, ou antes.

Samantha pede para Sérgio desligar por um instante. Se aproxima e se agacha diante de Graciele.

Samantha
– Podia nos contar sobre seu medo de ter teu filho aqui neste lugar? Como é ter uma criança aqui dentro?

Samantha se mostra compreensível neste momento e ganha a confiança das detentas. Ela se afasta voltando ao seu lugar. Graciele se ajeita com dificuldade. Sente dores. Oito meses de gravidez. À qualquer momento poderia entrar em trabalho de parto.

Na sala de espera

Carmen, impaciente, olha as horas no relógio de pulso enquanto anda de um lado para o outro. Rebeca está sentada em cadeira no canto algemada e de cabeça baixa. Raúl folheia uma revista velha sentado em outro canto. A porta se abre e Gertrudes, atual diretora da penitenciária, uma mulher acima do peso, cabelos pretos, de óculos e cara fechada, adentra no local.

Gertrudes
– Boa tarde.

Carmen se aproxima estendendo a mão.

Carmen
– Boa tarde, diretora.

Gertrudes
– Uma honra tê-la aqui na nossa penitenciária. Faz tempo que não vem aqui, não é mesmo, delegada?

Carmen fica um pouco envergonhada. Como delegada não podia estar há tanto tempo sem visitar as penitenciárias da região. Embora tivesse razões pra estar longe, fazia muito tempo mesmo em que não colocava os pés ali.

Carmen
– É. Concordo contigo. Mas sei que a penitenciária está em boas mãos.

Gertrudes
– E como ex diretora de uma penitenciária sabe muito bem que não temos tempo a perder, não é?

Carmen
– Com certeza.

Gertrudes encara Raúl, que se levanta e a cumprimenta. Rebeca permanece imóvel.

Gertrudes
– E o motivo da tua vinda, delegada, é a jovem aí?

Carmen pega uma pasta de documentos em cima da poltrona e entrega para a diretora.

Carmen
– Rebeca. Sendo transferida pra cá neste momento.

Gertrudes pega a pasta, a abre e passa os olhos no documento.

Gertrudes
– 18 aninhos hoje, ein? Que belo presente né?

Gertrudes sorri encarando Rebeca. Carmen sente-se incomodada com o descaso da diretora e troca olhares com Raúl.

Carmen
– Viemos garantir a chegada dela aqui.

Gertrudes
– Não será nada diferente de qualquer outra aqui dentro…

Ela entrega novamente a pasta para Carmen.

Gertrudes
– …até o julgamento, que pelo que li, é em duas semanas, ela fica em uma ala separada. Depois do julgamento, se condenada, passa para a ala sul junto das demais. E aí a convivência é com ela. Não diferenciamos mais ninguém. Pra nós são todas criminosas.

Rebeca levanta a cabeça pela primeira vez. Encara a diretora Gertrudes.

No auditório improvisado

O rosto enquadrado de Graciele na lente da câmera de Sérgio.

Graciele
– Ter um filho aqui dentro é uma humilhação. Muitas têm seus bebês dentro da cela com a ajuda de outras detentas. Algumas têm o bebê dentro do banheiro imundo. É humilhante demais. E nós só pedimos perdão para aquele pequeno ser indefeso.

Graciele tem algumas lágrimas que começam escorrer pelo seu rosto. Ela acaricia a barriga enorme.

Graciele
– Logo que cheguei aqui, uma colega de cela estava pra dar a luz. Ela tinha alguma regalia aqui dentro e foi levada para uma salinha nos fundos. Cama estendida, lençóis brancos, água limpa…só se ouvia os gritos dela no parto. E, algumas horas depois levaram ela de volta pra cela, chorando desesperada. Pedimos o que houve e sabe o que ela disse?

Samantha e Sérgio se olham. Esta declaração pode ser algo bombástico. Algo contra o sistema.

Graciele
-Ela ficou algemada na cama durante boa parte do trabalho de parto e, quando sua filhinha Ketelyn nasceu, não pôde pegar o bebê no colo. A vida da presa é assim: não pode nem olhar se nasceu com todos os dedos das mãos e dos pés.

Samantha se indigna com a declaração.

Samantha
– E a criança? Não pôde ficar com a mãe?

Graciele
– Disseram que havia uma má formação, mas sequer mostraram pra ela. Levaram a criança e, algumas horas depois, colocaram ela de volta na cela. Sabe a consequência disso?

Graciele se contorce. Está sentindo dores.

Graciele
– Ela bate a cabeça na parede toda noite até adormecer. E nunca mais falou com ninguém…

Corredores

A porta da sala de espera é aberta. Gertrudes sai na frente seguida de Carmen, Raúl e a policial Valéria que conduz Rebeca pelo braço. O grupo segue pelo corredor que separa as alas da penitenciária do pátio da mesma.

Gertrudes
– Rebeca fica na ala de quem espera julgamento.

Ela olha as horas.

Gertrudes
– Logo este grupo vai para o banho de sol. Valéria…

Gertrudes interrompe a caminhada e olha para a sua policial que conduz a jovem.

Gertrudes
– …pode levar ela. Vou preparar a papelada. Primeiro dia, ela não vai pro pátio com as outras. Deixa na cela.

Gertrudes olha para Carmen e Raúl.

Gertrudes
– Vocês podem me acompanhar, por favor.

Ala 1 – Corredor 4

Valéria abre a grade de ferro que leva ao corredor 4 da ala 1. Seu estrondo atiça as detentas que já sabem da chegada de mais uma presidiária. Rebeca e a policial dão um passo à frente. Valéria fecha a grade com mais um estrondo. De ambos os lados as detentas à espera de julgamento se grudam nas grades das celas para verem a nova colega. Gritos e xingamentos. Valéria bate com o cacetete nas grades enquanto passam para aquietar as mais fervorosas.

Valéria
– Silêncio aí ou nenhuma vai ver a luz do sol hoje.

A policial atravessa o longo corredor com Rebeca e chegam em frente à cela 20 no final do mesmo. Dentro da cela há duas mulheres: Jerusa, 35 anos, cabelos lisos tingido de vermelho e piercing no nariz e na língua e Fabiana, 50 anos, gorda de cabelos pretos e curtos. Ambas são lésbicas. Elas estão deitadas e se levantam quando vêem Rebeca.

No auditório improvisado

Quem está sentada na cadeira para dar seu depoimento é Valeska, uma lésbica de 40 anos, cabelos loiros cacheados e cheia de tatuagens pelo corpo e algumas no rosto.

Samantha
– Obrigado por nos conceder este depoimento Valeska. Pode falar tudo que você quiser aqui, ok?

Valeska sorri. Samantha pede para Sérgio fazer os ajustes e ligar a câmera.

Valeska
– Meu nome é Valeska Susin. Tenho 40 anos e estou aqui na Araúdes Trigueiro há apenas cinco anos.

Ela se mexe na cadeira.

Valeska
– Mas já considero minha casa, sabiam?

Samantha assente que sim com a cabeça.

Valeska
– Já fui presa várias vezes, mas tudo por coisa pouca. Logo era solta. Mas naquela noite não teve jeito. A coisa ficou feia e quando os “tira” chegaram eu sabia que tava ferrada. Que não ia ter volta…mas o engraçado sabe o que é?

Valeska solta uma gargalhada.

Valeska
– É que eu não tava nem aí se ia ficar presa desta vez. Contanto que me trouxessem pra cá, pra mim tava tudo bem. Eu sabia que Michele ia tá aqui me esperando. Eu já tinha até vindo visitar ela uma vez.

Um estudo do início dos anos 2000 estima que 50% das detentas , como Valeska, estão envolvidas com outras mulheres. Esse número só cresceu deste estudo para cá. Algumas dizem que não são, mas estão lésbicas. “Aquelas que assumem, e aquelas que escondem”, afirmou Valeska, que é assumida desde antes do crime.  Tem as que optam por isso porque se apaixonam, para tirar uma onda, por curiosidade. E umas que ficam porque se sentem ameaçadas. Se você é bonita, você incomoda. Se é muito feia, incomoda também. Rola muita inveja. E nenhuma esposa de cadeia, ela complementa, deixa sua mulher entrar em briga sozinha.

Valeska sorri novamente para a câmera.

Valeska
– Você é linda, sabia jornalista?

Samantha sorri. Sérgio sorri debochando da colega.

Samantha
– Obrigada Valeska. E obrigada pelo seu depoimento.

Na cela 20

Rebeca, agarrada as grades, observa as demais detentas se dirigirem para o pátio.

Rebeca
– Merda! Se é aqui que vou ter que ficar por um longo período, eu vou fazer desse lugar a minha melhor estadia, custe o que custar.

Carmen e Raúl são acompanhados pela diretora Gertrudes pelo corredor que leva ao portão principal.

Carmen
– Voltaremos ainda esta semana. Tenho que pegar depoimentos de Rebeca e lhe falar sobre o julgamento.

Gertrudes
– Como queira delegada. As portas estarão abertas, ou melhor, fechadas, mas abriremos pra você.

Gertrudes, os primeira vez, esboça um sorriso. Carmen retribui meio sem graça. O portão é aberto. Mais atrás surgem acelerando o passo, Samantha e Sérgio. Eles se aproximam.

Samantha
– Obrigada diretora Gertrudes. Acho que conseguimos bons depoimentos.

Carmen observa curiosa.

Carmen
– Depoimentos?

Gertrudes
– De nada querida. Quando precisar estamos às ordens.

Raúl observa Sérgio terminando de guardar seu material e nota os crachás de ambos do principal jornal da região.

Samantha
– Obrigado. Tenham um ótimo resto de dia.

Carmen
– Gertrudes, não é necessário uma ordem minha para isso?

Gertrudes sorri novamente.

Gertrudes
– Não é nada demais. Apenas alguns depoimentos para um projeto.

Carmen
– Você sabe que o que estas detentas mais querem é destruir com o sistema. Elas podem falar um monte de merda e essa aí jogar tudo na televisão. E sabe que isso pode custar meu emprego…o teu emprego também, sabia?

Gertrudes se posiciona entre o portão e o exterior da penitenciária.

Gertrudes
– Obrigada por visitar nossa penitenciária depois de tanto tempo, delegada. Pode deixar que vou garantir que nossos empregos permaneçam intactos. Cada uma fazendo o seu serviço.

Carmen bufa de raiva. Raúl a puxa pelo braço.

Raúl
– Vamos delegada. Temos trabalho a fazer ainda hoje.

Carmen e Raúl são as costas e saem em direção ao carro estacionado em frente. Gertrudes sorri debochadamente enquanto vai fechando o portão da Araúdes Trigueiro.

Carmen e Raúl seguem no trajeto de volta à delegacia sem nenhuma palavra. Raúl concentrado na estrada e a delegada furiosa com as palavras e atitudes da diretora Gertrudes. Raúl pára no sinal vermelho em um cruzamento. O celular de Carmen toca uma, duas, três vezes.

Carmen
– Alô!

Longe dali em um quarto de motel barato na saída da cidade, está Arthur, sem camisa e de calção de pé na janela observando a mata do outro lado da estrada. Ele se vira para o interior do quarto com o telefone no ouvido.

Arthur
– Posso te aguardar então, meu bem?

Ele sorri.

Arthur
– Eu espero que sim. Beijos!

De volta à estrada

Carmen desliga o celular e fica olhando as paisagens através da janela.

Raúl
– Mais problemas, delegada?

Carmen
– Talvez não.

Raúl
– Ótimo. Assim é melhor. Boas notícias são sempre bem vindas.

Carmen encara a tela do celular e pensa consigo mesma: “ou talvez mais um problema”.

POSTADO POR

Marcos Vinicius Silva

Marcos Vinicius Silva

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