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Círculo de Vidas: Almas Gêmeas – Recapitulação da segunda fase

Recapitulação da segunda fase de Círculo de vidas: Almas Gêmeas.
Para quem ainda não leu, vamos lá.

Capítulo 4 – 5 – 6 – 7 – 8 – 9 – 10

Numa praça. Centro do Rio de Janeiro. Novos recrutas recebem contemplação diante a multidão. Entre todos estão Glória e Dalva, lado a lado.
Dalva, alegre fala com a amiga – Ele é extraordinário, não é?
Glória – Não sei. Não o conheço. Nem dá para vê-lo daqui.
Dalva – Meu bisavô conheceu o avô dele, quando eram jovens. Disse que até parece ser a mesma pessoa. E se você quiser conhecer o soldado, ele está vindo aí. – e belisca Glória, no mo-mento em que Caio passa por elas. Glória geme de dor. Caio para ao lado delas, e observa as duas.

**********

Glória puxa o menino e entra na frente, impedindo Caio sair. – Aqui está meu irmão negro. Olha bem a minha cor e a cor dele, é bem diferente. Mas o sangue que corre em minhas veias é o mesmo que corre dentro dele, porque somos filhos do mesmo pai e da mesma mãe, e não tenho motivos para me envergonhar disso. E pode retirar o que me disse àquela hora, soldado. Não levei em consideração.
Zequinha – É mentira dela. Glória não é minha irmã. Sou filho de uma escrava negra que me jogou no lixo, e a mãe dela me tirou de lá.

*********

Zequinha entra na cozinha com Glória e encontra Clara preparando o almoço – Por que demoraram tanto? Eu já estava preocupada.
Glória rindo – O que falei, Zequinha? Que a mamãe estava preocupada com a nossa demora. – Zequinha, cabisbaixo, nada responde.
Clara – O que aconteceu, filho?
Glória – Nada mãe. Não aconteceu nada. A senhora precisa de ajuda com o almoço?
Clara – Preciso! Acabei me atrasando e seu pai deve estar chegando.
Glória joga a toalha no irmão – Não fica aí parado desse jeito Zequinha. Não ouviu a mamãe dizer que está atrasada com o almoço. Coloca a toalha na mesa, enquanto pego os pratos.
Clara – Você recebeu outra humilhação, não foi? – Zequinha continua imóvel.
Glória – Não foi nada disso mãe, ele só está…
Clara – Deixe seu irmão responder, Glória. – Ouvem barulho na porta da sala. Zequinha se apressa, estendendo a toalha na mesa.

**********
Glória sai correndo no jardim, e grita em desespero: – Zequinha! Zequinha, volte aqui.
Zequinha sai na rua, olha para trás. Olhos cheios d’água – Diz pra mãe que nunca mais volto. – e foge.
Glória corre gritando – Zequinha! Zequinha! Volte aqui. Zequinha? – mas para, quando Zequinha vira a esquina. Curiosos param observando o desespero da moça.

**********
Zequinha anda pela rua. Entra em um beco sem saída. Encolhe em um canto e chora. Um homem negro se aproxima e o observa. Zequinha engole a saliva olhando o homem comer um pedaço de pão.
Homem – Deve estar com fome – estende o pão – Coma. Vai se sentir melhor.
Zequinha chora – Quero a minha mãe.
Homem – Por que não vai onde está sua mãe? Somos livres agora, podemos ir e vir onde quisermos.
Zequinha – Não sou ex-escravo. Meu pai não me quer porque não tenho a cor dele.
Homem – Você pediu para nascer diferente da cor do seu pai?
**********

Adalberto — De qual delas você gostou mais?
Caio — Não sei. As duas mexeram comigo. — Depois de pausa — Diz uma coisa, pai? Um homem pode se apaixonar por duas mulheres ao mesmo tempo.
Adalberto — Pelo que falou do sonho, deixou uma e depois conheceu a outra.
Caio — Não me refiro ao sonho. Estou falando o que aconteceu comigo, outro dia, quando vi duas moças juntas, na praça.

**********

Dia amanhece. Glória, sentada em volta da mesa com a mãe, serve as duas, com chá e bolo. Clara aborrecida – O que seu ir-mão deve está comendo? Onde dormiu? Como dormiu? Ventou frio a noite toda.
Glória levanta – Não vou ficar aqui sentada, sem saber onde está meu irmão. Vou sair e procurá-lo, o dia inteiro se for preciso.
Clara – Não piore tudo com seu pai, filha, ele está certo, a culpa é toda minha!
Glória senta – Mamãe, o que está dizendo.
Clara – Não é o que você está pensando. Não é nada como pensa o seu pai, nem o que essa cidade inteira imagina. Tudo é apenas o que eu e o seu pai merecemos. Ele odeia uma negra que a eu tenho como minha mãe. Passei a odiá-lo, depois que ele também me afastou do meu pai. Esse ódio foi se transformando em nojo, e cada vez que ele tocava em mim, eu rezava, pedia a Deus que seu pai morresse. Depois que o seu irmão nasceu, seu pai nunca mais tocou em mim.

**********

Rua iluminada com lampiões. Juntamente com outros solda-dos, Carlos e Caio descem a rua. Eles param quando vê Glória vindo na direção. Glória passa pelos soldados que a segue com o olhar. Glória aperta os passos. O soldado brinca com Caio – Não vai pedir a moça novamente em casamento?
Caio encara os companheiros. Depois Glória indo distante. Olha Carlos e rapidamente segue a moça. Os companheiros ficam no lugar, menos Carlos que o segue.
Caio alcança Glória e chama: – Moça?
Glória para, fica tensa com a presença de Carlos que também chega. Caio fala com ela – Perigoso uma moça andar sozinha na rua a esta hora da noite. Precisa de ajuda?
Glória pensa e depois responde – Meu irmão fugiu de casa, depois de uma discussão com meu pai. Estou tentando encontrá-lo. Com licença? – e sai quando chegam outros soldados. Os rapazes ficam parados.
Caio – Temos até o amanhecer para encontrar o garoto.
Um soldado – Estou fora disso. Estou indo pra casa.
Caio segura ele – Isso não é um pedido, é uma ordem.
Carlos – Sei onde está o garoto. Eu o vi, outro dia, na companhia de alguns ex-escravos, no alojamento onde estão depois que foram expulsos pelos seus donos.
Outro soldado – Espere, aí? Meu pai também tinha escravos, e teria ficado com eles depois da abolição, se não preferissem vir para a cidade, abandonando a fazenda do meu pai. Muitos fizeram isso com seus donos.

*********

Zequinha – Eu só vim porque o soldado me disse que você estava andando sozinha, no meio da noite, procurando por mim. Fiquei preocupado com você.
Glória – Nunca mais fuja de casa. Como poderia viver no meio da rua? Olha como você está? Parece um mendigo!
Zequinha, aborrecido – Eu só era mais um negro no meio dos outros. Ele não me quer aqui, pude ver isso nos olhos dele.
Glória se irrita – Ele é o seu pai, Zequinha! Nada que você faça, vivendo na rua, vai mudar a vida dele com a mamãe. Bota isso na sua cabeça.
Zequinha – Pelo menos a sua vida eu posso mudar. Ouvi, muito bem, o que ele disse aquele dia. Então é só você dizer a todos que não sou seu irmão, e nem ir atrás de mim, assim vai encontrar um homem bom que se case com você, sem eu por perto.
Glória, com ternura, faz um chamego no irmão – Não vou mudar a minha vida, Zequinha, em troca de você sair pelo mundo. Você ainda é uma criança, não sabe se cuidar. Mas, eu prometo. Não sei como, mas prometo que vou encontrar um jeito de ajudar você. Confia em mim!
Zequinha – Como vai fazer isso? Vai inventar uma mágica e mudar a minha cor?

*********

Senhora, usa vestido velho e lenço na cabeça. Falta dentes na boca — Compre uma rosa, seu moço, e leve de presente para sua amada.
Caio observa a flor, depois o cesto que a mulher segura, e fica com todas.
Senhora, com sorriso, enquanto lhe estende o ramalhete. — Mais linda que seja uma rosa ela não entra no paraíso, por causa dos espinhos. – gira em torno dele e continua: – Rosa simboliza o amor que desabrocha nos corações, que muitas vezes fere a alma, como se fosse espinho.
Caio fica sem entender: – Quanto lhe devo?
Senhora — Quanto vale para o moço o amor puro e verdadeiro?
Caio sorri, coloca todo o dinheiro que tinha, na mão dela: — Boa comerciante a senhora. Isso é tudo que tenho no momento. Mas o amor para mim não tem preço.
Senhora canta — O Amor vale mais que uma vida. Ou será que a vida vale mais que o amor?

**********

Caio para na frente a casa de Robson. Zequinha, no jardim, brinca com bolinhas de barro seco.
Caio — Como vai, garoto?
Zequinha, surpreso — Soldado, você aqui! E agradeço por me trazer de volta para casa. Essas rosas são para a minha irmã?
Caio — Pode entregá-las, em meu nome?
Zequinha — Não! – ri — Entregue você mesmo. Glória está chegando. Olha atrás de você.
Caio vira e fica pálido, ao ver Glória e Dalva.
Zequinha — O soldado trouxe rosas para você, Glória — E vira para ele: — Você está querendo casar com minha irmã?

**********

Na quarta fileira de bancos, alguém o segura pelo braço: — Está mesmo preparado para tudo nesta vida, soldado?
Caio fica confuso, sem entender a atitude do homem: — Quem é o senhor?
Ele fala-lhe bem próximo — Não tenho tempo para explicar agora. Há algo que você precisa saber antes de se casar com a moça — e se aproxima melhor para que Caio seja o único a ouvi-lo.
Caio, intrigado — O que está dizendo?
Homem — Imaginei que não soubesse de nada. Ainda tem tempo de dizer não, caso não esteja bem preparado para uma batalha — e se afasta rápido.
Caio fica paralisado, seguindo-o com o olhar. Vê Dalva entre os convidados, com os olhos repletos de lágrimas.
Adalberto se aproxima: — Quem era aquele senhor, filho? O que ele queria com você?
Caio encara o pai, depois Glória, parada no corredor, esperando. Olha também Zequinha do outro lado.
O pai insiste: — Filho, o que está acontecendo? O que lhe disse aquele homem para deixá-lo assim, sem reação?

**********

Ao entrarem no casarão, Glória se coloca ante a escadaria que dava ao andar de cima: — Essa escada. Sonhei várias vezes subindo ou descendo uma igual a essa — olha o avô e acrescenta, com alegria: — Acho que foi de tanto ouvir mamãe falar daqui. Ela me contou que o senhor pôs um escravo sentado no primeiro degrau para vigiá-la o tempo todo, com medo de que caísse. Ela quase deixou o escravo maluco porque tinha adoração por subi-la e descê-la. Na verdade, ela queria mesmo era provocá-lo.
Eduardo ri: — Lembro-me disso. E a única maneira de acabar com a brincadeira de Clara foi ameaçar amarrá-la de corrente. Mas sei que ela não fazia por maldade. Queria mesmo me provocar porque eu a proibia de ficar perto da escada. Tinha medo de que caísse e morresse como a sua avó.
Gloria, confusa — Minha avó? Ela não morreu no parto da minha mãe? Foi essa história que conheci.

**********

Francisca não demora a aparecer. A velha negra arregala os olhos, quando vê o casal: — Meu Deus, estou vendo fantasmas.
Eduardo — Quanto à nossa neta posso concordar, Francisca, mas e o rapaz?
Francisca — É igualzinho ao filho de Helena e José Carlos. Igualzinho ao Neto. Posso me lembrar dele quando era jovem assim.

**********

Desnorteada Glória se vê perdida no meio da floresta. Para ao chegar à margem do rio, se coloca de joelhos na margens lavando o rosto.
Caio chega: — O que aconteceu, Glória? Não entendi nada.
Glória muito perturbada — Não sei! Por um instante, pensei que você fosse… — e se cala, sem coragem de prosseguir.
Caio — Fosse o quê?
Ela o olha nos olhos: — Não. Não era você. Foi outro que vi em cima de mim. Era como se ele… — interrompe, envergonhada.
Caio — Fazer amor com você à força?
Glória — Sim! Era o seu primo Carlos. Ele quem eu vi me segurando, sem que eu pudesse me defender.

**********

O menino pega a corda, enquanto Robson leva Clara ao tronco de uma árvore. Fora de si, dominado pela ira, ainda falava à mulher: — Quero ver sua coragem e qual vida vai poupar: a de seu filho ou a do maldito com quem você me traiu por vingança, por eu não aceitar, dentro de nossa casa, uma negra, nos braços da qual seu pai teve a coragem de colocar você, depois de matar a sua mãe. Quem garante que não foi ele quem a matou, de propósito, para substituí-la por aquela preta que você estimou como mãe? – e grita com o menino parado um pouco distante: — Agora é a sua vez, negrinho. Amarre-a muito bem.
Clara em soluço: — Perdão, filho?
Zequinha — A senhora é quem deve me perdoar por eu não ser o filho que meu pai queria.

**********

Robson encara os olhos cor mel da filha, que espera a resposta; depois olha Caio, que ainda o segura. Caio o deixa livre. Robson observa Francisca e depois Afonso com o braço ao redor do corpo da esposa. Apesar do momento que presenciavam, o casal lhe mostra semblante esperança, com o enorme ventre da mulher, grávida de quase nove meses. Por, fim, olha o filho, cabisbaixo. Zequinha tinha o rosto banhado em lágrimas. Bruscamente é puxado: — Vamos ter uma conversa só nós dois. De homem para homens.
Glória ameaça acompanhá-los.
Clara a impedi: — Permita que seu pai faça o que achar correto.
Glória chora. Caio puxa-a para si, a fim de confortá-la: — Não acredito que seu pai faça o pior. Vai tentar se entender com o filho. Apenas conversar.
Clara: — Obrigada, filha, por ir buscar a verdade. – Em prantos ela e Francisca se abraçam. — Minha mãe! Você é minha mãe, Francisca. Porque nunca me disse isso?
Francisca não tem tempo de responder, vendo o fogo surgir do outro lado. Correm para lá. Caio detém Glória, impedindo que se aproxime. Ela grita pelo pai, em desespero. Francisca e Noemi seguram Clara, também aos gritos. Todos caem de joelhos ao chão, arrasados, enquanto os corpos são devorados pelas chamas.

**********

Eduardo se aproxima de Glorinha e puxa conversa, perguntando por José Carlos. Glorinha não se manifesta. Suas lágrimas pingam, olhos fixos no chão. Vendo que ela não reage, tocou-lhe o rosto para que o olhe: — Alguém bateu em você?

Glorinha corre rumo ao portão.

Eduardo consegue alcançá-la na rua. Júlia, que chega apressada, briga com a filha: — Eu lhe pedi que me ficasse no balanço, enquanto fui buscar água?

Eduardo — A culpa foi minha, madame. Falei com ela no jardim. Vim trazer o contrato de compra da casa para seu esposo assinar.

Júlia — Ela tem de aprender a me obedecer. Não importa com quem fale. — E sacudiu a menina: — Será que pretende me enlouquecer e a seu pai com sua teimosia?

**********

Eduardo coloca a mão sobre papéis, evitando que José Carlos os assine: — Nem tudo que diz meu pai merece crédito.

José Carlos franze o cenho, sem entender o gesto do garoto.

Eduardo insiste — É verdade mesmo que o senhor deixou a fazenda. Tudo que construiu lá, para vir morar na Capital só por causa da vossa filha?

J. Carlos — Glorinha é tudo que tenho de maior valor. Desejo o melhor a ela em primeiro lugar. Eu a amo mais que tudo.

Eduardo fixa os olhos nos dele, sem mover a mão de cima dos documentos. — Um dia, ela terá muito orgulho do pai. Infeliz-mente, eu não posso dizer isso do meu, mesmo sabendo que mui-tos têm admiração e respeito por ele. — Estica os lábios: — As recomendações são tantas que ninguém duvida da honestidade do meu pai. Até um mês atrás ele era quem eu mais admirava.

**********

O Sol desperta os primeiros raios quando Caio chega à fazenda. Ele vê Glória, alegre, acenando da janela, no pavimento superior, e aguarda.
Cocheiro — O lugar parece deserto.
Caio — Claro que não! Acabei de ver minha esposa na janela.
Cocheiro, cabreiro: — Que janela? Não vi ninguém, as janelas estão todas fechadas.
Caio firma os olhos e constata que o homem está certo. Fica sem entender: — Tenho certeza que vi Glória na janela, e ela também me viu. Chegou acenar. Como pode ser isso?
Cocheiro encolhe os ombros, sem saber o que dizer.
Caio vai a porta da frente, bate e chama: — Glória? Glória? Você está aqui?
Cocheiro — Parece que não tem mesmo ninguém por aqui.

**********

Quando chega à frente do quartel, olha tudo. Deixa-se cair de joelhos, com a impressão de que um soldado se aproxima.
Caio chega ouvir a voz dele a lhe dizer: — A guerra acabou soldado.
Caio firma os olhos, quando o guarda sai da guarita e segue outra direção.
Ele aperta os olhos, com as pontas dos dedos e lamenta: — Devo estar enlouquecendo.
Adalberto o desperta — Filho?
Caio fica surpreso — Pai?!
Adalberto: — O que aconteceu? O que está sentindo? Porque está de joelhos aqui?
Caio, em desespero: — Ela está morta! Glória morreu.

**********

Ezequiel aproxima-se de Eduardo, que repousa em um leito hospitalar, entre muitos, na casa dos mortos.
Gesticula com as mãos e a luz que o ungia, faz o espírito, agora de novo jovem, repousar. Eduardo acorda.
Ezequiel — Meu amigo, como se sente?
Eduardo — Renovado.
Ezequiel — A ponto de viver outra vida, paralela à que já viveu? Precisa saber, desde já: não terá a aquela que desejou antes de deixar o corpo em que habitava. A personalidade de muitos que viveram, e ainda vivem, deve estar preparada para uma nova fase na Terra.
Eduardo – Como assim?
Ezequiel – Como você já soube antes de sua primeira experiência terrena, encontrará obstáculos pelo caminho. Mas acredito que irá superá-los outra vez.
Eles serviram de alicerce, de aprendizado, para todos aqueles que fizeram parte do mesmo círculo existencial, entre os muitos em quem ainda precisam fluir bons sentimentos. Como um ser bom que foi, deve, agora, ensinar aos seus irmãos o verdadeiro amor.
Não como o existente entre homem e mulher, mas um senti-mento que jamais será esquecido.

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POSTADO POR

Fátima Costa Friozi

Fátima Costa Friozi

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