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Círculo de Vidas: Almas Gêmeas – Recapitulação da terceira fase.

Já que não postei o capítulo de ontem, vai a recapitulação da terceira fase.

Amanhã tem o décimo oitavo capitulo sem falta.

Obrigada, pela força. Bjs no coração de quem está acompanhando minha novela.

Há, o roteiro está sem correção. Perdoe os erros que encontrar. Aceito comentários.

Capítulo 11, 12, 13 – da terceira fase de Círculo de Vidas: Almas Gêmeas.

É noite. Através da pedra de diamante, o homem de 40 anos, vê uma luz azulada, muito pequena surgir. Ela vai aumentando e se coloca a sua frente.

Ezequiel sai da luz, alegre, fala com ele. — Como vai, meu amigo.

Cristovam, em sorriso — Você sabe que estou bem. E posso imaginar o que faz aqui. — aponta em direção onde está Custódio. — Tenho mesmo que ir? Não posso ficar um pouco mais com o meu menino.

Ezequiel — Ele vai ficar bem. Vamos acreditar que sim.

Cristovam — E como sempre, se coloca a favor de sua proteção. No intuito de proteger o grande círculo de almas gêmeas.

Ezequiel — Todos tem direitos de novas oportunidades. E você já sabe que sempre estará aqui, quando seus filhos precisarem.

*******

Sem se conter, Custódio chora.

Afonso o ajuda ficar de pé. — Você é um bom garoto. Seu pai deve estar orgulhoso.

Custódio — Não sou garoto. Meu pai sempre dizia eu já ser um homenzinho, pequeno ainda, mas era.

Afonso ri.

Cristovam e Ezequiel também, estavam ali o tempo todo.

Afonso — Está certo, homenzinho. Não vou discordar com as palavras do seu pai. E a sua Ba, vai ter que servir um suco bem gostoso quando chegarmos lá, para recompensar o tempo que ficamos te bajulando. Agora vamos? Mostra o caminho. — e saem do cemitério, passando pelos anjos, que satisfeitos desaparecem.

Na rua, Noemi e a filha tomam outro rumo. Adiantariam o almoço.

A casa, rodeada com as milícias. Ba, a primeira vê-los chegar, vai ao encontro.

Ba — Meu Deus, menino, onde estava? Fiquei sem saber onde procurá-lo, tanto que chamei ajuda.

Afonso — Ele estava visitando o túmulo do pai.

Ba — Quanto quiser ir, me avisa. Vou com você. Não devia sair sozinho.

Dudu — Ele não estava sozinho. Eu, meu pai e o meu irmão ficamos com ele. — e puxa Afonso pelo punho da camisa. — Estou com sede, pai. Quero água. E o suco que o senhor falou?

Afonso coloca a ponta do dedo na frente da boca. — Psiu! Esqueça o suco. Tomamos quando chegarmos em casa. Falei aquilo só para animar Custódio e já que ele foi entregue, vamos para casa também.

*********

Centro da cidade de São Paulo – Ano 1.929. Crise do café. O correio da manhã anuncia falências e concordatas.

Depois de andar pelas ruas, em meio à multidão, entrando e saindo nas lojas, Raquel entra em um bar e pede água.

Senhora(60anos), depois de servi-la, percebe a moça pálida.

Marta — Parece não estar bem?

Raquel — Cansada. Com fome. Desde manhã procuro emprego, nada consegui. A senhora, por acaso, sabe de um? Preciso trabalhar. Meu pai está doente.

Marta sai de trás do balcão e mede ela dos pés à cabeça. — Tudo se ajeita na vida. – risos maliciosos. – Veio ao lugar certo. Posso lhe arrumar algo, com o corpo bonito que tem, vai agradar muitos homens.

Raquel — Tenho saúde o suficiente para lavar, passar e cozinhar. Faço qualquer tipo de serviço, menos o que me oferece. — Vai saindo, volta com a mulher falando.

Marta — Pobre e honesta. Essas são as perigosas.

Raquel — Não é crime ser pobre, muito menos honesta.

Marta — Ainda topetuda. Vai longe, garota. Mudando de ideia tem emprego garantido. O corpo elegante é típico, homens gostam e pagam fortunas, principalmente na primeira noite quando a moça é virgem. Tem leilão e tudo. Grana dividida. Comida e água fresca, sem precisar bater pernas debaixo do sol quente. Como vê, ganho de vida fácil. Ás vezes, tem sorte de encontrar um milionário, bem reservado, que não poupa gastar, deixando-a exclusiva, como amante, nos prazeres completo, o que não se encontra com a esposa. Você entende o que é isso, não entende? E sabe qual o único esforço que terá?

**********

Raquel chega no barraco, onde mora com os pais. Ela senti alivio ao encontrar um pedaço de pão em cima da mesa. — Que bom que tem este pão. Estou morrendo de fome.

Pai — Deixa um pedaço pra sua mãe, ela não comeu ainda.
A moça olha o minúsculo pedaço, tinha mordido a metade, e o devolve no lugar.

A mãe acendia o fogo, no fogão de barro, dentro do mesmo cômodo.

Raquel — Desculpa, mãe. O pão era tão pequeno, quase coloquei tudo na boca.

Mãe — Teu pai ganhou do português que está abrindo uma padaria aqui perto, quando passou lá e pediu emprego.

Pai — Ele me deu o pão em troca de fazer propaganda. É novo no país. Veio de Portugal e está abrindo o próprio negócio.

Raquel se anima: — Dá o endereço, pai. Vou lá ver se ar-rumo emprego.

Pai — Precisa não, fia. Ele vai trabalhar só com a família. Tem uma porção deles lá preparando tudo para a inauguração, depois de amanhã. Ele disse, quem sabe, mais pra frente tem emprego para estranho. Ele tem esperança do negócio dá certo.

Raquel — Quem é que não vive de esperança, pai?

**********

Raquel, ainda intacta com o dinheiro na mão. — Antes da senhora me levar onde quer, pode ir comigo em outro lugar? Não é longe. Podemos ir de charrete. — sorri — Pago a corrida com o meu dinheiro.

Marta — Tudo bem, não temos pressa.
Chegando no barraco, Raquel estende o dinheiro para a mãe.

Raquel — A senhora fica com tudo. Compra comida, roupa e remédio para o pai. Guarda o que puder, para gente fazer o que falei.

A mãe olha Marta esperando na charrete. — Ela quem vai levar você para a perdição?

**********

Beto olha Raquel, de cima-abaixo, e se vê confuso. — Tem certeza que não a conheço de algum lugar? Posso jurar que a vi antes, mas não me lembro de onde.

Marta — Ela esteve no bar hoje, minutos antes de você chegar. Pode tê-la visto saindo.

Beto ainda mirava Raquel — Não, se fosse hoje, lembraria. Você veio de onde?

Raquel — Goiás. Lá o trabalho era na roça. Meu pai ficou doente e viemos para São Paulo, para ele se tratar e tentar mudarmos de vida, cada dia a situação fica pior.

Beto — Não está fácil para ninguém. O país está passando por uma crise do café, e está sobrando para todos. Vieram numa péssima hora. — sorri — Bom, talvez não!

***********

Na sala, da casa de Custódio. Ele e Afonso olham a foto de Cristovam, pintada a mão, pendurada na parede, ao lado do retrato de uma mulher.

Afonso — Adorei sua ideia de mandar ampliar a foto do seu pai. Ficou uma maravilha. Da sua mãe também.

Custódio — Não tenho lembranças dela. Do meu pai, eu ainda lembro dele como se fosse hoje.

Afonso — E com certeza, deve estar orgulhoso do filho, de se tornar um doutor. Ser o homem que é hoje.

Custódio pousa a mão no ombro de Afonso — Ele sabe, que eu não teria conseguido sozinho se não fosse a força que recebi desse meu outro pai, que sempre esteve do meu lado, desde quando ele se foi.

Afonso se emociona: — Fico feliz quando você me chama de pai. — aponta a foto de Cristovam. — Seu filho já lhe contou que se casa amanhã? Vamos juntos torcer para que ele nos dê muitos netos. O primeiro varão, faço questão que receba o seu nome. Cristovam Lacerda neto.

**********

Custódio não demora entrar na casa, encontrando duas moças sentadas na diva. Não vê Roberto perto da escada. — Onde está meu irmão? O que aconteceu com ele?

Moça 1 — Levamos ele para o quarto.

A outra se prontifica. — O doutor pode me acompanhar.

Ela sai na frente. Sobem a escada. Na porta do quarto ela espera Custódio entrar na frente. Vendo a cama vazia.

Custódio — O que está acontecendo?

Moça — Ele deve estar no toalete.

Custódio, segue em direção onde vem barulho, no fundo do quarto, chamando o irmão pelo nome.

Roberto sai de trás da porta, rindo, acena: — Tiazinho, doutor. Sua despedida de solteiro começa aqui. Depois é lá em-baixo. Escuta o barulho. — e sai fechando a porta.

Custódio — Beto, espere? — Tenta abri-la. Percebe alguém sair do toalete.

Raquel fala com ele. — Quer a chave, doutor? Tenho a cópia. — E a coloca entre os seios, metade a mostra, no pequeno espartilho. — Vem pegar?

***********

Estela, ao subir a escada com Augustinho, vê Roberto entrar pela porta da frente. Ela e o moço ficam surpresos, vendo Custódio.

Augustinho, zomba: — A virgem estava tão boa assim doutor, que deixou até mesmo as calças para ela? E que rapidez, a festa mal começou!

Custódio — Quem bateu na porta?

Estela — Como assim, doutor?

Custódio — Bateram, várias vezes na porta, com muita força, pensei que alguém estava morrendo no corredor.

Estela — Não ouvimos nada! Os quartos estão vazios. Somente o senhor e Raquel estão aqui em cima. Estamos subindo agora.

Custódio — Alguém bateu na porta sim! — Vendo Raquel se aproximar. — Ela também ouviu.

Estela — Podemos conferir os quartos. Talvez alguém subiu as escadas e não percebemos.

Vão em quarto em quarto. Todos vazios.

Augustinho brinca: — Vai ver foi uma alma penada, do outro mundo, que bateu na porta, pela escada ninguém desceu, doutor. Isso eu garanto.

Custódio — Porque uma alma penada bateria com tanta força na porta? Uma alma não teria tanta força assim?

Todos riem. Menos Custódio.

Augustinho vendo Raquel de camisola transparente. — Vai ver estava tão difícil o doutor resolver o assunto com a virgem, que um fantasma resolveu dar uma mãozinha. Caso o doutor ainda precisar de ajuda, sou de carne e osso. – ri.

**********

Custódio desce a escada, quase correndo.

Roberto segura-o, quando passa por ele. — Espere, mano, aonde vai com tanta pressa? A festa mal começou.

Custódio, com desprezo, serra os dentes: — Tire suas mãos sujas de cima mim.

Beto levanta os braços, e brinca. — Tudo bem, não vou sujar a sua roupa branca. Agora volte lá para o quarto e se divirta com a moça.

Custódio — Divirta você com seus amigos. Tenho assuntos mais importantes a resolver.

Beto ainda ria — É apenas uma brincadeira! Não acredito que vai levar a sério. Afinal de contas somos irmãos, e não tem nada de mais um irmão fazer uma brincadeira com o outro.

Custódio — Uma brincadeira de muito mau gosto, você não acha? E depois, você não é meu irmão, se fosse, eu teria vergonha de ter o mesmo sangue que o seu.

Beto sério — Hei! Também não precisa levar pela ignorância.

***********

Noemi vai ao encontro da irmã. – Clara, que surpresa. Pensei que não viesse para o casamento do Custódio. – se abraçam.

Dudu — Devia ter avisado bem antes, tia. Eu teria ido buscar a senhora no Rio de Janeiro.

Clara – Não precisava se incomodar. – abraça ele – Cada dia você se parece mais com o seu avô. Não sei se isso faz diminuir ou aumentar a saudade que corroí a minha alma, aos poucos, pela saudade que tenho dele.

Dudu – Estou feliz em vê-la aqui.

Clara abraça Custódio – Na carta que sua mãe me enviou, junto com o convite, ela disse que você fazia questão que todos os nossos parentes comparecem ao casamento, mas a viagem é muito longa do Rio de Janeiro até São Paulo, para trazer o seu primo Carlinhos. Glória Maria e o esposo mandaram eu lhe dar um forte abraço por todos eles.

Custódio – Entendo. Quem sabe, aproveito a viagem e passo no Rio para ver como está meu primo.

Clara – Não vai mudar o rumo da sua viagem de lua de mel por causa disso. Meu neto, apesar da deficiência, está bem de saúde. Não ser que você quer aproveitar o caminho e ir visitá-lo.

Custódio – Passo no Rio, quando eu voltar de viagem.

Dudu para a irmã de 17 anos. — Tainá, não se importa da nossa tia me acompanhar no altar?

Tainá faz bico. Ezequiel sopra aos ouvidos dela: — Não faça isso, garota. Prometo que será recompensada.

***********

Na igreja. Luiz (12 anos), sentado ao lado dos pais vê Maria (com a mesma idade), chegar, também com os pais. Os dois disfarçam, quando começa uma discussão entre Moreira e Geral-do.

Moreira – Pensei que não ia ver você aqui no casamento do filho adotivo do Afonso.

Geraldo – O mesmo lhe digo eu. Felizmente ele convidou todos os funcionários e fazemos parte.

Moreira – Devia ter quebrado o pé, assim não estaria aqui.

Dora brava – Moreira para com isso. Estamos dentro de uma igreja e você fica jogando praga nos outros. Respeita o lugar e o momento.

Mirtes – Dora, você tirou as palavras da minha boca. Já não basta esses dois se atacarem na rua, no emprego, e agora dentro de uma igreja.

Geraldo – Foi ele que começou, Mirtes, você viu.

Moreira – Não entendo a vida. Eu não suporto olhar na cara do sujeito, todos os dias, e o pior ter que engolir ele até mesmo dentro da igreja. Já aguento como vizinho, como…

Padre, chegando – O que é isso? Os dois vão brigar aqui dentro. Respeitam a casa de Deus. Se querem brigar vão lá fora.

**********

Na porta da igreja, Custódio cumprimenta os padrinhos e convidados. Empalidece vendo Raquel chegar.

Roberto, fala aos ouvidos dele, ser o único ouvir. — Raquel está linda, não está doutor?

Custódio — Por favor, vá embora daqui e leve a moça com você.

Roberto rindo — Qual o problema?

Eduardo, um pouco afastado, percebe Custódio tenso, ouvindo Roberto ainda lhe dizer bem baixo — Não se deixe levar pela tentação, maninho. Daqui a pouca será um homem casado. E depois, se eu não viesse, que explicação eu daria ao nosso pai?

Custódio — Fico feliz em saber que se preocupa com o nosso pai.

************

Giza, ao lado do noivo, fica intrigada: — Conheço você de onde? Você não me parece estranha. Qual o seu nome? — E percebe Raquel e Custódio se olhar, tensos, quando ela diz o nome. “Raquel” — Vocês se conhecem de onde?

Roberto toma a frente: — Você está muito linda, minha cunhada, parece uma rainha. — Vê Clara, e puxa Raquel. — Venha, Raquel. Vou apresentá-la para minha tia. Irmã da minha mãe.

Giza também vê Custódio acompanhar os dois com o olhar. Mas, ele disfarça ao ser parabenizado por outros padrinhos.

Raquel dá passos para trás, cedendo o lugar para um senhor cumprimentar Beto. Ela volta olhar Custódio, e rapidamente sai da igreja, pela porta lateral.

POSTADO POR

Fátima Costa Friozi

Fátima Costa Friozi

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