Custe o Que Custar – Cap. 003 – DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM

CENA 01 – MANSÃO VILLAS BOAS – SALA DE JANTAR – INT. NOITE:

CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR

            Lutero – pelo amor de Deus liguem a televisão, há um plantão noticiário gravíssimo sobre o seu Felipe

Todos ficam assustados. Jeremias liga a televisão da sala de jantar e o plantão continua. 

Repórter da TV – Ainda não se sabem quais foram os motivos para o crime, mas a polícia desconfia de crime passional. A autora do crime, uma garota de programa, como já foi dito, ainda estava no local e confessou a autoria e foi presa em flagrante. Felipe das Neves levou quatro tiros e morreu na hora. Mais informações você confere logo mais no jornal local. 

Todos estão chocados diante da notícia.

            Stella, indo amparar a filha – Filhinha, por favor, mantenha a calma!

            Suzana, desesperada – meu Deus! Não pode ser!

            Alberto, indo a ela com um copo de água – Calma Suzana. beba esse copo de água.

            Suzana, surtada – EU NÃO QUERO COPO DE ÁGUA NENHUM! 

Ela sai correndo em direção à escada e a sobe.

            Jeremias – Filhinha… Suzana… Aonde você vai?

Todos ficam tensos na sala de jantar.

CORTA PARA:

CENA 02 – MANSÃO VILLAS BOAS – QUARTO SUZANA – INT. NOITE:

Suzana entra com tudo no quarto, quase que arrancando a porta. Ela começa a andar pelo quarto, desorientada. Chora muito

            Suzana, triste – isso só pode ser um pesadelo. Só poder ser!

Ela chora desesperadamente. Se joga no chão e continua a chorar.

CENA 03 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT .TRANSIÇÃO NOITE/DIA:

CORTA PARA

CENA 04 – MANSÃO VILLAS BOAS – QUARTO DE SUZANA – INT. DIA:

Suzana estava deitada em sua cama. Não havia dormido. Lágrimas ainda rolavam de seus olhos já inchados e cansados, que olhavam para o nada. Logo, entra Stella.

            Stella – Filha? 

Stella entra no quarto e vai até a cama da filha. Suzana continua olhando para o nada.

            Suzana – Quero ficar sozinha, mamãe.

            Stella – Oh, minha filha… 

            Suzana, chorando novamente – Eu só queria saber por que comigo, mamãe? O que eu fiz para a vida ser tão cruel comigo? Estéril, viúva e ainda por cima traída! 

            Stella – Oh, minha filha! Você não fez nada. Mas as maiores batalhas são dadas a grandes guerreiros. Tudo nessa vida tem um por que. Nada acontece por acaso. Hoje, nesse momento você pode não entender, e é compreensível. Mas lá na frente você vai ver que foi necessário passar por tudo o que está passando. Não se sinta sozinha, viu! Toda a sua família está com você. 

Suzana olha para Stella, que lhe estende a mão e Ela a pega.

            Stella – Vamos filha. Temos que cuidar do velório do Felipe.

Suzana se esquiva.

            Suzana – Eu não tenho nada a ver com isso, mamãe. Não vou cuidar de nada.

            Stella – É um direito seu. Se você quiser eu mesma cuido de tudo e você não precisa se preocupar com nada. 

Stella se levanta para sair. Suzana pensa um pouco e interrompe a mãe.

            Suzana – Espera mamãe. Eu vou com você. Mesmo o Felipe sendo um canalha comigo, eu sempre fui uma boa esposa pra ele. E não é agora que eu vou deixar de ser.

Stella lhe olha com ternura. Em Suzana, abalada.

CORTA PARA:

CENA 05 – PENITENCIÁRIA FEMININA – FACHADA – INT. DIA.

Típica fachada de penitenciária. Prédio grande, portões e grades de ferro, tudo com sinais de desgaste e podridão.

CORTA PARA:

CENA 06 – PENITENCIARIA FEMININA – SALA DO DELEGADO – INT. DIA.

O delegado estava em sua mesa, ainda interrogando Luciana. Ela está com os olhos pesados de tanto chorar. Aparência cansada e destruída.

            Delegado – Então, resumindo seu depoimento, a causa do crime foi passional? 

            

Luciana – Sim, seu delegado. 

Delegado – Luciana, você ficará reclusa até o dia do seu julgamento. Por se tratar de crime hediondo, você não terá direito a liberdade provisória. O policial a encaminhará até a sua cela.

Uma lágrima escorre dos olhos de Luciana. Ela é levada para a cela. 

CENA 07 – PENITENCIARIA FEMININA – CELA – INT. DIA.

Luciana é deixada na cela. Ela olha para as outras detentas, com um misto de medo e tristeza. Ela vai até um canto, se encolhe e começa a chorar. As presidiárias a olham, algumas com desconfiança, outras com pena. Uma delas, de nome Silvia, se aproxima dela e puxa conversa.

            Silvia – E aí, colega? Qual foi o BO?

Luciana a olha e não responde nada. Tempo.

            Silvia – é muda?

            Luciana – Eu matei. (T) Matei o grande amor da minha vida.

            Silvia – Eu também matei. Não era o amor da minha vida, mas matei. Mas pra diminuir a culpa eu penso que me livrei de um problema. Pensa dessa forma. Prazer. Silvia.

Luciana não esboça nenhuma reação. Continua calada.

            Silvia – Olha aqui. Eu vou dá uma dica pra tu. Esse negocio de ficar sozinha, sem se ‘enturma’, não dá certo não. Vai procurando tua turma, porque primeiro, daqui tu não sai tão cedo. E segundo, se alguém se encrespar com você, tu ta é ferrada. Então, desfaz esse bico e aceita o seu novo lar, colega.

Luciana a olha séria. Silvia sai de perto dela. Em Luciana. Silvia se aproxima das outras detentas e conversa com uma delas, Fabiane.

            Fabiane – Qual é a da bonitinha?

            Silvia – matou um. Devia ser o marido porque disse que era o grande amor da vida dela.

            Fabiane – Marido? Eu conheço esse tipo. É puta. De certo quis dar um golpe em alguém e não deu certo e passou o cara. E agora a burra ta aqui.

Luciana, que escutava tudo, se levanta com raiva e vai até ela e a encara.

            Luciana – Olha aqui sua vagabunda, não fala o que tu não sabe. 

A detenta a pega pelo pescoço e a prensa contra a parede. Luciana fica sufocada. Agitação na cela. 

            Fabiane – A é? E tu vai fazer o que? Hein, sua puta?

Silvia vai até as duas e tenta apartar a briga.

            Silvia – Ei, ta louca, Fabiane, solta ela!

            Fabiane – Eu vou matar essa filha da puta!

Confusão. Gritaria. Logo chega um carcereiro e aparta a situação. Fabiane solta Luciana, que respira ofegante e aliviada. O carcereiro sai.

            Fabiane – é melhor tu ficar na tua, hein. Hoje tu escapou, mas na próxima tu vai ver o teu!

Fabiane sai. Luciana fica ali, com medo. 

CORTA PARA:

CENA 08 – CEMITÉRIO – CAPELA MORTUÁRIA – EXT. DIA:

Um verdadeiro batalhão de jornalistas aguardavam do lado de fora da capela mortuária do cemitério. Logo, chega o carro da família Villas Boas e descem dele Stella e Jeremias, e Alberto apoiando Suzana. Os jornalistas logo se amontoam em cima deles, impedindo sua passagem. Burburinho e confusão.

            Repórter 01 – Dona Suzana, por favor, o que a senhora tem a declarar diante de tudo isso?

Suzana, que está de óculos escuros, tenta furar o bloqueio e finge nem prestar atenção na pergunta.

            Repórter 02 – Dona Suzana, como era a relação com seu marido?

Suzana continua a tentar a prosseguir sem falar nada.

            Reporter 03 – Dona Suzana, pelo que estamos sabendo, a prostituta que matou seu marido alega estar grávida dele. O que a senhora tem a dizer diante disso?

Suzana para. Ela retia os óculos e olha para o repórter.

            Suzana, sem acreditar – O quê?

Tempo. Logo, Jeremias repreende os repórteres.

            Jeremias, nervoso – Por favor, saiam daqui! Tenham respeito com a dor da família. Nos deem licença, nos deixem em paz!

Alberto e ele forçam a barreira e abrem passagem para passarem. Os jornalistas os seguem. A família entra na capela e fecha as portas. Os jornalistas tentam entrar mas não conseguem. 

CENA 08 – CEMITÉRIO – CAPELA MORTUÁRIA – INT. DIA:

O caixão de Felipe está no meio da capela. Alguns poucos familiares estão ao redor. A mãe de Felipe, (aqui chamada de Catarina, uma senhora já idosa), vai até Suzana.

            Catarina – Oh, minha filha!

Elas se abraçam.

            Catarina – Nem sei como te agradecer. Mesmo sofrendo tudo o que você está sofrendo, e mesmo tendo motivos pra desprezar o Felipe, você ainda está aqui. Se colocando como uma boa esposa!

            Suzana, triste – não precisa agradecer dona Catarina. Apesar dos pesares, o Felipe não era nenhum indigente. E eu to fazendo isso em respeito a senhora. E por tudo o que o Felipe e eu vivemos antes de toda essa maré que desaguou sobre nós. 

            Catarina, chorando – Meu coração de mãe ta despedaçado. Mas o que me conforta e saber que existe um ser de luz como você. 

As duas se abraçam novamente. Suzana vai até o caixão. Ela olha para Felipe ali, morto. Uma lágrima rola do rosto dela. Heloíse estava no enterro e vai até Suzana, ampará-la. 

            Suzana – Um filho, Helô! Ela vai ter um filho dele! 

Ela chora ainda mais e Heloíse a abraça.

CORTA PARA:

CENA 09 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 10 – MANSÃO VILLAS BOAS – SALA DE ESTAR – INT. DIA:

Jussara está passando espanador nos móveis. Da escada, desce Caíque.

            Jussara, a Caíque – Ih! Não foi ao velório, seu Caíque?

Caíque revira os olhos.

            Caíque – Isso não é da sua conta, o serviçalzinha! (T). Mas para a sua informação, eu tenho mais o que fazer. E você, pelo jeito também né? Então pare de se meter na vida dos seus patrões e vá trabalhar!

Caíque sai todo altivo! Jussara o olha até ele sair.

            Jussara – Grosso! Mal educado! Bem que merece o chifre que ta levando!

Ela larga o espanador e se joga no sofá. Logo, vem Lutero.

            Lutero – Mas é muita falta de vergonha na cara mesmo, né!

Jussara se assusta.

            Jussara – Que susto, coisa bobo! Eu hein, vai ficar fazendo a múmia atrás da gente agora, é?

            Lutero – tive que vir aqui verificar seus serviços – ele a olha com desdém – que estão muito mal feitos por sinal né?

            Jussara – Deixa de ser bobo, coisa bobo, relaxa! Não tem ninguém aí. Vamos ver um pouco de tevê.

Jussara pega o controle e liga a TV enorme da sala. Está passando jornal, e a reportagem é sobre o enterro de Felipe.

            Jornalista – E está acontecendo hoje o velório e enterro de Felipe das Neves, genro de Jeremias Villas Boas, o Todo Poderoso da Publicidade. Felipe morreu ao ser alvejado por 04 disparos a queima roupa por uma prostituta. A família não quis se pronunciar sobre o caso. 

            Jussara – Coitada da dona Suzana. Não merecia passar por isso. É a única que se salva nessa família porque o resto não vale um ovo frito. 

            Lutero – Será que pelo menos nesse dia de dor você pode respeitar e parar de falar essas baboseiras da família, Jussara?

            Jussara – Eu já falei pra você. Para de defender esse povo, coisa boba. Eles te fazem de gato e sapado aqui. Eu hein. 

Lutero a olha, meneando a cabeça negativamente. 

CORTA PARA:

CENA 11 – VITRINE PUBLICIDADE – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 12 – VITRINE PUBLICIDADE – SALA DE CAÍQUE – INT. DIA:

Caíque está sentado em sua mesa, pensativo. 

            Caíque (OFF) – Eu deveria receber um Oscar pela minha atuação de ontem a noite. Mas eu ainda não desisti. Eu tenho que acabar de uma vez por todas com o Alberto e tirá-lo do meu caminho. 

Em Caíque, decidido.

CORTA PARA:

CENA 13 – CEMITÉRIO – ÁREA DE TÚMULOS – EXT. DIA:

Plano geral mostra os túmulos e de longe se vê um cortejo vindo. A câmera vai se aproximando e se mostra o cortejo com a família Villas Boas (exceto Caíque), Catarina, mãe de Felipe, e alguns parentes e amigos. O caixão de Felipe está à frente, sendo empurrado em um carrinho de apoio pelo coveiro. Logos eles chegam até a sepultura onde o corpo de Felipe será enterrado. O caixão é posicionado e empurrado para dentro do túmulo. Suzana se aproxima do túmulo, tira os seus óculos e começa a chorar.

            Suzana – Não era pra terminar assim! Não era pra terminar assim!

Ela chora desesperada e os familiares vêm ampará-la. Logo, o caixão é completamente sepultado e o túmulo é fechado. Logo, aos poucos, as pessoas começam a ir embora.

CORTA PARA:

CENA 14 – CEMITÉRIO – PORTÃO – EXT. DIA:

Todos já haviam ido embora, estavam somente Suzana, Jeremias e Stella a frente do cemitério. 

            Jeremias – Vamos, filha? 

            Suzana – Vão na frente, papai. Eu preciso passar em um lugar.

            Stella – Aonde você vai, Suzana?

            Suzana – A um acerto de contas.

Jeremias e Stella se olham, preocupados. Suzana chama um taxi que logo estaciona. 

CORTA PARA:

CENA 15 – PENITENCIÁRIA FEMININA – FACHADA – EXT. DIA:

Imagem mostra um taxi parando na frente da penitenciária.

CORTA PARA:

CENA 16 – PENITENCIÁRIA FEMININA – CELA – INT. DIA:

Luciana está ali, acuada. Logo vem um carcereiro.

            Carcereiro – Luciana Vidal tem visita pra você.

Ela olha assustada.

CENA 17 – PENITENCIÁRIA – SALA DE VISITAS – INT. DIA:

Suzana está de costas para a porta. Logo, ela se abre e Luciana entra e fica a olhando. Suzana se vira. Troca de olhares tensos. Luciana com medo.

CORTA PARA:

=======================ABERTURA AQUI=======================

CENA 18 – PENITENCIÁRIA – SALA DE VISITAS – INT. DIA:

Suzana e Luciana continuam a se olhar.

            Suzana – Então quer dizer que foi você. Você matou o meu marido?

Luciana abaixa a cabeça e descia o olhar.

            Suzana – olha pra mim e assume. Assume que foi você!

Luciana levanta o olhar e encara séria. Uma lágrima rola em seu rosto.

            Luciana – fui eu. Fui eu sim! E quer saber? Eu não me arrependo.

            Suzana, séria – Não se arrepende! Você tem noção de tudo que eu estou passando? Todo sofrimento, vergonha, humilhação. E você diz que não se arrepende.

            Luciana – Eu não queria destruir sua vida. Mas o seu marido foi um ordinário. Um canalha comigo. E com você também. Te traiu com uma, como dizem, prostitutazinha.

Tempo. Suzana a olha, séria.

            Suzana – é verdade que você está grávida dele?

            Luciana – Sim.

Ela olha pra barriga e a alisa.

            Luciana – Esse filho que está dentro de mim é dele sim.

Uma lágrima escorre do rosto de Suzana.

            Suzana – Eu não sei se em algum dia em que vocês me traiam ele te contou, mas esse era o meu sonho, sabia? Ter um filho e dar um filho a ele. Fruto do nosso amor. Mas parece que foi você quem conseguiu essa façanha.

            Luciana – Eu não queria que as coisas fossem assim. Esse filho veio numa hora não desejada. Não tenho condições de ser mãe.

            Suzana – E o que você vai fazer? Abortar? Vai fazer essa canalhice com um ser inocente?

            Luciana – Não. Eu vou dar a você. Eu quero que você seja a mãe que eu não vou poder ser pra essa criança

Suzana olha surpreendida para Luciana. 

CORTA PARA:

CENA 19 – CIDADE DE CURITIBA – EXT. PASSAGEM DE TEMPO.

Clipe acelerado mostra os diversos pontos turísticos e as diversas nuances da capital paranaense, seja de dia ou de noite.

LEGENDA: UMA SEMANA DEPOIS.

CORTA PARA:

CENA 20 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 20 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

Suzana está em seu quarto, juntamente com Jussara. Ela está amontoando todas as roupas e objetos pessoais de Felipe e colocando-os em sacos de lixo. 

            Jussara – O que a senhora vai fazer com toda essa coisarada, dona Suzana?

            Suzana – Eu vou me desfazer de tudo, Jussara. Pegue estes sacos, leve pra você, doe, ou leve pra algum terreno baldio de seu bairro e queime tudo. Quero acabar com qualquer vestígio de memória do Felipe. 

            Jussara – mas dona Suzana, são roupas caríssimas. Não vai doar? Não posso levar pra mim? Pro meu marido?

            Suzana – Faça o que você quiser com isso, Jussara. Não quero nada que relacionado o Felipe aqui nessa casa. Já não basta a criança que está por vir. Mas ela não tem culpa de nada. 

            Jussara – então quer dizer que a senhora vai adotar a criança?

CORTA PARA:

CENA 21 – PENITENCIÁRIA FEMININA – FACHADA – EXT. DIA:

Suzana (OFF) – Sim. Eu vou aceitar.

CORTA PARA:

CENA 22 – PENITENCIÁRIA – SALA DE VISITAS – INT. DIA:

            Suzana – e eu vou ser a melhor mãe que essa criança poderia ter

            Luciana – disso eu não tenho duvidas. Assim que essa criança nascer, ela será sua. 

Suzana e Luciana se olham, sérias.

CENA 23 – MOTEL – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 24 – MOTEL – QUARTO – INT. DIA:

Alberto e Heloíse estão deitados, abraçados após o sexo.

            Heloíse – você vai viajar de carro de Curitiba até o Rio de Janeiro? Você só pode ter ficado louco, Alberto. 

            Alberto – Mas você sabe que eu sou aventureiro. Nada como ir dirigindo, apreciando a paisagem. Eu gosto.

            Heloíse – mas porque você não vai de avião? Assim você volta mais rápido e volta logo pra mim. Eu vou morrer de saudades suas.

            Alberto, beijando – a – Oh, meu amor. Mas quando você menos esperar eu estarei de volta.

Os dois continuam a se beijar. 

CENA 25 – VITRINE PUBLICIDADE – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 26 – VITRINE PUBLICIDADE – SALA DE CAÍQUE – INT. DIA:

Caíque está sentado em sua mesa. Logo ele grita por sua secretária

            Caíque – JULIANAAA

A Secretária aparece rapidamente.

            Juliana – me chamou seu caíque?

            Caíque, nervoso – Não, não. Estava só testando a extensão das minhas cordas vocais. Mas é claro que te chamei sua anta!

Juliana fica sem jeito.

            Caíque – Por favor, chame o Alberto aqui.

            Juliana – Seu Alberto não está.

            Caíque – E você sabe me dizer aonde ele foi?

            Juliana – Parece que ele foi deixar o carro na oficina para revisão e também resolver algumas pendências com relação a sua viagem de amanhã.

Caíque pensa como quem tivesse uma ideia.

            Caíque – Ta bom, Juliana, pode ir.

Juliana pede licença e sai.

            Caíque – Então o carro do Alberto está na oficina. Vou fazer uma visitinha para esse mecânico.

Caíque sai.

CENA 27 – OFICINA MECÂNICA – FACHADA – EXT. DIA:

Caíque Estaciona seu carro e olha para o lugar com desdém, pois o mesmo é simples e sujo.

            Caíque – Mas que pocilga hein. Olha onde aquele idiota deixa o carro dele. Vai ser mais fácil pra mim do que parece.

Logo vem o mecânico.

            Mecânico – Posso ajudar?

            Caíque – Sim. Preciso de um servicinho seu. 

O mecânico o olha sem entender. 

CORTA PARA:

CENA 27 – OFICINA MECÂNICA – ESCRITÓRIO – EXT. DIA:

Caíque entrega um envelope para o mecânico.

            Caíque – Aqui dentro desse envelope tem só um adiantamento dos serviços. Depois que os mesmos forem executados, aí sim você terá o resto. E vai sumir no mapa.

            Mecânico – vou levar minha filha!

            Caíque – estou pouco me lixando pra quem você vai levar. Você tem que sumir sem deixar vestígios. Entendido. 

            

            Mecânico – Sim, senhor!

            Caíque – E não ouse tentar me enganar. E se algo der errado, você e sua filhinha vão pagar caro por isso, entendeu?

            Mecânico, com medo – Sim senhor.

Caíque sai sem falar mais nada.

CENA 27 – OFICINA MECÂNICA – FACHADA – EXT. DIA:

Caíque sai arrancando com seu carro. O mecânico fica a olhá-lo.

CORTA PARA:

CENA 28 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 29 – MANSÃO VILLAS BOAS – QUARTO HÓSPEDES – INT. DIA:

Suzana e Stella estão analisando o quarto.

            Suzana – É aqui. Aqui vai ser o quarto do bebê. 

            Stella – Você tem certeza dessa decisão, minha filha?

            Suzana – Mamãe. Você mais do que ninguém sabe do meu sonho de ser mãe. Eu creio que essa é a oportunidade que a vida me deu. E outra, essa criança vai nascer e ser criada numa cadeia? Ou sabe Deus por quem?

            Stella – é. Essa criança não tem culpa de nada, não é?

            Suzana – E eu vou ser a melhor mãe do mundo pra essa criança. Falta de mãe ela não vai ter.

Stella olha a filha com ternura. 

CENA 30 – PARQUE TANGUÁ – EXT. TRANSIÇÃO NOITE/DIA.

Clipe acelerado mostra transição de um dia para o outro no Parque Tanguá, em Curitiba.

CORTA PARA:

CENA 31 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

CORTA PARA:

CENA 32 – MANSÃO VILLAS BOAS – SALA DE ESTAR – INT. DIA:

Alberto desce as escadas com uma mala. Ele se despede da família, estava indo viajar.

            Jeremias – Não quer que o motorista te leve até o mecânico, meu filho?

            Alberto – Não precisa, pai. O taxi já está ai na frente me esperando

            Stella – Pois eu ainda acho mais seguro você ir de avião, meu filho. É uma viagem longa, perigosa.

            Alberto – e é por isso que eu vou de carro, dona Stella.

Ele vai até ela, a abraça e a beija no rosto.

            Alberto – Fica tranquila, mãe. Logo eu to de volta.

Alberto se despede de todos e depois sai.

CENA 33 – MANSÃO VILLAS BOAS – FACHADA – EXT. DIA:

Tem um taxi parado na frente da mansão. Alberto põe sua mala no porta malas, se despede de todos e entra no veículo o carro parte.

CORTA PARA:

CENA 34 – VITRINE PUBLICIDADE – SALA DE CAÍQUE – INT. DIA:

Caíque está sentado em sua mesa. Expressão de satisfação e maldade.

            Caíque – há essa hora o meu irmãozinho já deve ter virado migalha. 

Close no sorriso malvado de Caíque. 

CORTA PARA:

CENA 33 – ESTRADA – CARRO DE ALBERTO – EXT. DIA:

Alberto dirige seu carro pela estrada. Ele nota que há algo de errado com seus freios. Logo mais a frente, há uma curva sinuosa. Ele tenta usar o freio e se desespera, pois o mesmo não funciona. O carro de caíque avança pela proteção e cai na ribanceira, dando vários tombos, solavancos e cambalhotas. O carro se choca contra uma árvore e, em seguida, explode.

CORTA PARA:

FIM DO CAPÍTULO.

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Este conteúdo pertence ao seu respectivo autor e sua exposição está autorizada apenas para a Cyber TV.

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