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Destinos – Capítulo 6

CENA 1. POLLO SEÑOR. NOITE

Continuação imediata da cena do episódio anterior, com Carlos e Salvador no restaurante.

 

CARLOS – (assustado) Você?

 

SALVADOR – Sente-se. Eu estou morrendo de fome. Fiquei sabendo que esse é o melhor restaurante mexicano da cidade. Eu mereço comer bem, não acha? Depois de 16 anos comendo aquela porcaria.

CARLOS – Solta o meu filho. Agora!

SALVADOR – Você não está em condições de exigir nada! Senta aí!

 

Carlos se senta, a mala de dinheiro no seu colo.

 

CARLOS – Como você me achou?

SALVADOR – Eu seleciono melhor meus amigos agora. E você agora é um grande empresário, não é mesmo? Uma pessoa famosa. Será que seus fãzinhos sabem do seu passado?

CARLOS – Então é você que está me ameaçando? Tá querendo se vingar, é isso?

SALVADOR – Eu bem que mereço um acerto de contas, não acha?

CARLOS – Como você é ridículo! Acha mesmo que pode me atingir? Eu sou muito mais esperto que você!

SALVADOR – Cala essa boca! Não se esqueça que se você fizer alguma coisinha que eu não gostar seu filho morre!

CARLOS – Vamos acabar logo com isso? Tá aqui seus 500 mil. Você deve estar na miséria desde que deixou a prisão. Solte meu filho. E eu posso até pagar a conta hoje. Satisfeito?

SALVADOR – Você só sai daqui morto. Eu planejei tudo. A casa caiu.

CARLOS – (com desdém) É mesmo, é? Igual planejou aquele assalto falido?

SALVADOR – Que não deu certo por causa da traição de todos vocês!

 

Nesse momento o maître chega com os cardápios.

 

SALVADOR – Eu acho que vou pedir um burrito de frango margarita.

MAÎTRE – Excelente escolha. Acabou de chegar uma leva de ingredientes direto do Novo México, nos Estados Unidos. E o senhor, vai querer o quê?

CARLOS – Qualquer coisa, eu odeio comida mexicana.

MAÎTRE – Então é porque o senhor nunca comeu no Pollo Señor. Sugiro o prato mais tradicional da casa: o Tijuana Taco. Ele é preparado em uma tortilla de trigo e gratinado com pollo, queso e…

CARLOS – Tá bom, vai logo.

 

Em outra mesa do restaurante, Rogério e Amanda estão no maior clima de romance, para o recalque de Silvia, que está na mesa ao lado.

 

SILVIA – Nossa, eu acho que vou vomitar esses tacos. (Amanda e Rogério se beijam) Eu preciso fazer alguma coisa. (chama um garçom) Oi, querido. Eu preciso de um grande favor seu.

GARÇOM – O que é, senhora?

SILVIA – Isso.

 

E tasca um beijão no garçom, no intuito de fazer inveja no casal apaixonado. Mas não surte o efeito esperado. Eles nem repararam nela.

 

SILVIA – Ai que droga! Sai daqui, seu insolente. E agradeça eu não te denunciar pro gerente. Onde já se viu? Agarrar uma cliente no meio do restaurante?

 

Silvia vai à mesa de Amanda e Rogério.

 

SILVIA – Oi! Nossa, mas que coincidência!

AMANDA – (irônica) Que mundo pequeno, não é mesmo?

SILVIA – Posso me sentar com vocês?

ROGÉRIO – (constrangido) É… claro.

 

Amanda lança um olhar “o que você acabou de fazer?” pra Rogério.

 

SILVIA – Então, quais são as novidades? Da próxima vez me chama pra esse encontro de amigos.

ROGÉRIO – Mas nós não somos amigos, né Amanda? Estamos namorando, não é, meu amor?

AMANDA – (extasiada) ah… é.

Silvia engasga com um nacho apimentado.

 

CENA 2. CASA DE MÁRCIA E ANTONIO. NOITE

Márcia e Antônio estão em casa, exaustos, tirando a maquiagem de palhaço.

 

ANTÔNIO – E agora? O que vamos fazer da vida?

MÁRCIA – Precisamos de grana pra ontem! O aluguel vence essa semana.

ANTÔNIO – Qual a nova enrascada que você vai nos meter.

MÁRCIA – Que tal procurar um emprego?

ANTÔNIO – Você ficou louca?

MÁRCIA – Sabia que a maioria das pessoas ganha dinheiro honestamente?

ANTÔNIO – Você lembra da última vez que eu tentei ganhar dinheiro honestamente, não é?

MÁRCIA – Mas isso foi há muito tempo atrás. Até hoje está magoado?

ANTÔNIO – Essa mágoa não vai acabar nunca!

MÁRCIA – Então precisamos pensar em outra coisa… deixa eu ver… velhos!

ANTÔNIO – Hein?

MÁRCIA – Velhos! Vamos ser cuidadores de idosos. Eles já estão morrendo mesmo, não precisam de tanta riqueza.

ANTÔNIO – Você não tem coração? Eu estou começando a ficar com medo de você.

MÁRCIA – Coração bom não paga contas, meu amor. Pensa bem. Velhos são o negócio perfeito. Eles não enxergam direito, não andam direito, dependem totalmente dos cuidadores. A gente dá um remédio pra eles dormirem e fazemos um limpa na casa.

ANTÔNIO – É… pensando por esse lado. E a gente faz um bem pra eles. Vão ter um final de vida bom, sem ninguém brigando pela herança deles.

MÁRCIA – É isso mesmo! Amanhã eu procuro um velhinho fofinho que esteja precisando de um carinho e afeto de duas almas bondosas.

 

E eles caem na gargalhada.

 

CENA 3. POLLO SEÑOR. NOITE

O garçom chega com os pratos de Salvador e Carlos.

 

GARÇOM – Uma buena cena.

SALVADOR – Eu tenho certeza que será uma ótima cena, não acha, Carlos.

CARLOS – É. Tenho certeza. (olha nervoso pro celular).

SALVADOR – Esperando alguma ligação?

CARLOS – Negócios, meu caro. Essa vida de empresário bem sucedido é muito desgastante, sabia? Mas me conta. E aí, quais as novidades?

SALVADOR – Eu não estou aqui pra fofocar com você. Me dá licença. Vou ao banheiro.

CARLOS – Toda!

 

Quando Salvador vai ao banheiro, Carlos pega o telefone, irritado.

 

CARLOS – Tá demorando demais, cara! Isso não vai se sustentar por muito tempo, não! … mudança de planos? Você tá louco? … sei… vou tentar ganhar mais tempo, mas você só tem mais 10 minutos!

 

Salvador também foi falar ao telefone.

 

SALVADOR – Pode trazer nosso mauricinho.

CEBOLÃO – Pra dentro do restaurante?

SALVADOR – É! Não era esse o combinado?

CEBOLÃO – Não estou gostando muito disso. Tem muita gente aí. Acho melhor chamar o Carlos pra fora e dar o filhinho dele aqui.

SALVADOR – Eu não quero perder a cara de otário do Carlos ao se ver sem saída. Tô sentindo que ele também está planejando alguma coisa. Temos que nos antecipar a ele.

CEBOLÃO – Beleza!

 

Quando Salvador retorna, Carlos está bem mais tranquilo, comendo.

 

CARLOS – Realmente o Pollo Señor é diferenciado. Nunca comi um taco tão bom.

SALVADOR – Agora vamos ao prato principal. Seu filho.

 

Ouvem-se tiros do lado externo do restaurante. Carlos recebe uma mensagem em seu celular: “Feito!”. O caos toma conta do lugar. Amanda, Rogério e Silvia se abaixam na mesa. Clientes começam a sair correndo. Carlos vai embora.

 

CARLOS – Acabou, Salvador. Eu venci de novo. Você é um pateta de marca maior.

SALVADOR – Volte aqui! Não acabei o assunto com você!

 

Chegam à parte externa.

 

CARLOS – Vamos embora, meu filho.

MAURÍCIO – (em choque) Tiros! Teve tiros e…

CARLOS – Agora está tudo bem. Eu mandei te salvar. Vamos te descontaminar, você tá com cheiro de favela!

 

Ao chegar perto, Salvador viu o estrago. Ali estava, já sem vida, o corpo de seu parceiro Cebolão, com um tiro certeiro no peito.

POSTADO POR

Gustavo Lopes

Gustavo Lopes

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