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Destinos – Capítulo 7

CENA 1. POLLO SEÑOR. NOITE

Continuação imediata da cena do capítulo anterior, com Cebolão morto.

 

SALVADOR – Volte aquiiiiiiii!!!! Eu não acabei meu acerto com você! Eu vou te matar, eu juro!

 

Mas Carlos e Maurício já tinham arrancado com o seu Lamborghini Urus dali.

 

Voltei à estaca zero, pensou Salvador. Agora não tinha literalmente ninguém com quem contar. Estava sozinho novamente. Mas em nenhum momento pensa em desistir de sua vingança. Estava quase indo embora quando reparou na situação que estava ocorrendo ao seu lado. Ninguém menos que seu outro alvo Amanda estava ali, bem perto dele com seu… namorado? Marido? Noivo? Decidiu observar. Reparou também que além dele outra pessoa observava o casal, embora ela não estivesse muito bem gostando daquilo.

 

ROGÉRIO – Ai, Amanda, saiu tudo errado. Eu não queria que acabasse assim…

AMANDA – (põe o dedo na boca dele para silenciá-lo) Shhh. Eu achei perfeita.

ROGÉRIO – Só a parte da Silvia que não foi legal. Eu não tinha nada que chamar ela pra sentar com a gente.

AMANDA – Tá tudo bem. Eu adorei ver a cara dela quando você falou que a gente tava namorando. Como você pensou aquilo tão rápido?

ROGÉRIO – É porque é isso que eu quero. Me apaixonei por você desde a primeira vez que eu te vi. Quer namorar comigo, Amanda?

AMANDA – Ah… eu… nem sei o que dizer…

ROGÉRIO – É só dizer que sim.

AMANDA – É claro que eu aceito. Eu te amo.

ROGÉIRO – Eu te amo.

 

Os dois se beijam apaixonadamente e entram no carro de Rogério.

 

SILVIA – É, Amandinha, se seu namoradinho soubesse do seu passado você não estaria tão feliz. O que é seu tá guardado.

 

Era tudo o que Salvador precisava ouvir. Uma nova parceira. E ela ainda conhecia mais um alvo. Ele vai até ela.

 

SALVADOR – Quer dizer que você conhece a Amanda?

SILVIA – Quem é você?

SALVADOR – Seu novo parceiro. Você quer destruir a Amanda, eu também.

SILVIA – Por que você quer destruir a Amanda?

SALVADOR – Pelo que você falou agora há pouco eu sei que você sabe.

SILVIA – (surpresa) Então você é…

SALVADOR – Isso mesmo. Sou o Salvador. O que me diz de unirmos forças?

 

Silvia olha de cima a baixo Salvador. Ele não era de se jogar fora.

 

SILVIA – E você tem onde passar a noite?

SALVADOR – Não.

SILVIA – Então vamos pra minha casa. Temos muito o que conversar.

 

CENA 2. CASA DE SILVIA. DIA

Na manhã seguinte, Salvador acorda, num momento inicial sem saber onde estava. Depois se lembra. Estava na cama de Silvia. Ela ainda estava dormindo. Mais uma vez Salvador pensa no que fazer. Deveria mesmo continuar essa parceria com Silvia? E se ela fosse uma louca que só queria destruir Amanda. Ela não era seu único alvo. Tinha mais quatro pessoas para eliminar. Mas já que ele não tinha outra opção, e a situação com Silvia não era absolutamente ruim, por que não continuar ali?

 

SILVIA – Já acordou?

SALVADOR – Estava pensando no que fazer.

SILVIA – (tentando agarrá-lo) Ah, mas você pode fazer isso depois, não pode? Temos muita coisa interessante pra fazer agora.

SALVADOR – (se desvencilhando) Não, eu preciso pensar. Estou sentindo que algo vai acontecer hoje.

SILVIA – Não, nada vai acontecer. Vem, vamos…

SALVADOR – (se levanta da cama) Chega! Eu preciso pensar.

 

Salvador vai à cozinha e prepara um café da manhã. Pega o jornal e começa a ler. A manchete principal é sobre o assassinato de Cebolão. “Maior traficante da cidade morre e desequilibra o mercado de drogas”.

 

SALVADOR – É. Cebolão era mesmo o pilar do esquema. Tudo vai desmoronar agora.

 

Já estava terminando a reportagem, que dizia que o fornecedor e produtor da cocaína dominara o mercado, quando Silvia entra na cozinha, se fazendo de decepcionada.

 

SILVIA – Poxa, eu tô começando a acreditar que não eram seus parceiros que eram maria-mole. Era você!

SALVADOR – Quer fazer o favor de calar essa boca!

SILVIA – Tudo bem. O que você fez pro café? Eu gosto de comer ovos mexidos.

SALVADOR – Então vem você e faça!

SILVIA – Nossa, mas é um cavalo mesmo! Tenho certeza que o Rogério está fazendo nesse momento um belo de um desjejum pra ameba da Amanda.

SALVADOR – Falando na ameba da Amanda, temos um plano pra discutir, não?

SILVIA – Sim! Quero ver você destruir ela.

SALVADOR – Então você tem que colaborar.

SILVIA – E no que você tá pensando?

SALVADOR – Você vai facilitar minha entrada na escola.

 

CENA 3. ESCRITÓRIO DE CARLOS. DIA

Carlos está em uma discussão acalorada com Robert em sua sala.

 

ROBERT – Eu vou chamar o polícia federal se você não autorizar a auditoria!

CARLOS – Eu nunca vou deixar vocês porcos americanos darem pitaco na minha empresa. Ela é minha e eu administro como eu quiser.

ROBERT – No senhor! A empresa no é só sua. Desde que você negociou ações na bolsa de New York ela deixou de ser apenas sua. Você deve respeito aos acionistas americanos!

CARLOS – (se levanta da cadeira) Só por cima do meu cadáver vou perder a empresa que criei com o suor do meu trabalho.

ROBERT – O suor seu e dos seus contatos, não é?

CARLOS – Já começou a delirar de novo. Você é completamente louco. E ainda fica fazendo ceninha me ligando e ameaçando.

ROBERT – Oh, my God! Quem é louco é você! Eu não preciso me disfarçar. Eu falo na cara!

CARLOS – Vai continuar insistindo nisso! Acha que eu sou burro?

ROBERT – Burro eu não sei, mas corrupto com certeza.

 

Carlos dá um soco na cara de Robert. Ele não deixa barato e começa uma briga que está destruindo todo o escritório de Carlos. No meio da confusão, a secretária de Carlos entra.

 

SECRETÁRIA – Dr. Carlos! Dr. Carlos!

CARLOS – Você não está vendo que eu estou ocupado? (se defende de um golpe de Robert)

SECRETÁRIA – É que o seu celular está tocando.

CARLOS – Vai embora! Eu não vou atender celular agora!

SECRETÁRIA – Mas o senhor mandou que eu avisasse se aquele número privado ligasse de novo.

CARLOS – O quê?

 

É como se tudo parasse. Não era Robert. Quem seria? Quem estaria querendo destruir Carlos? Salvador, logo pensou ele.

 

ROBERT – Olha. mr. Mendonça. Eu consigo me dividir. Estou aqui brigando com o senhor e ao mesmo tempo te ligar e te ameaçar. Eu sou demais, não sou?

 

Algum tempo se passa. Carlos e Robert se acalmaram. Agora Carlos precisava pensar direito. não poderia deixar essa história ir mais longe. Decidiu cuidar do mais urgente: descobrir quem é a voz misteriosa. Passou o resto da manhã na expectativa de uma nova ligação. Nada.

 

CARLOS – Liga. Liga. Liga. Hoje eu te pego.

 

CENA 4. COLÉGIO DOM BOSCO. DIA

Na escola, Amanda chega e dá de cara logo com Silvia.

 

AMANDA – (resmungando) Ai, depois de uma noite tão boa, tenho que dar de cara com essa vaca.

SILVIA – Tá com medo, Amanda? Fala pra eu ouvir!

AMANDA – Não tenho medo de você.

SILVIA – Pois deveria, sabia? Ou você esqueceu daquela noite que você tava mais bêbada que um gambá e me contou seus segredinhos? Eu não esqueci não, viu.

AMANDA – Tá me ameaçando?

SILVIA – (segurando forte no braço de Amanda) Eu tô sim! Você abre seu olho e fica esperta comigo. Vou mandar a real pra tu: é melhor você se afastar do Rogério e acabar com essa palhaçada de romance de conto de fadas ou o mundo vai saber a bandida que você é.

 

A diretora freira Morgana entra e acha estranho.

 

MORGANA – Está acontecendo alguma coisa aqui?

SILVIA – Não. Só estou refrescando a memória da Amanda.

MORGANA – E o que precisa ser refrescada, professora Silvia?

SILVIA – Ela sabe, não é, querida?

AMANDA – Claro.

MORGANA – Que bom. Por um momento achei que vocês poderiam estar brigando.

SILVIA – Imagina, freira Morgana. Esse colégio é um lugar de respeito. Nunca iria brigar na casa de Deus.

MORGANA – Que bom.

SILVIA – Agora eu preciso ir. Tenho que dar aula pro 7º ano agora. Essa turma tem o demônio encarnado. (Morgana fecha a cara violentamente pra ela) Desculpa. Até mais. Depois a gente continua nossa conversa Amanda querida!

 

Quando Silvia sai, Morgana conversa com Amanda.

 

MORGANA – O que está acontecendo?

AMANDA – Ela não me deixa em paz, diretora. Sempre pegando no meu pé. Com ciúmes. Agora que eu estou namorando o professor Rogério então… ela simplesmente tem uma obsessão por mim.

MORGANA – Deixa que eu cuido disso.

AMANDA – Não. Deixa isso pra lá. Depois passa.

MORGANA – Isso não pode existir no meu colégio. Vou ter uma conversa séria com a professora Silvia.

 

CENA 5. ESCRITÓRIO DE CARLOS. DIA

No meio da tarde, quando Carlos já tinha perdido as esperanças de uma nova ligação, o telefone toca. Ele se apruma na cadeira.

 

CARLOS – É agora! Tudo preparado, né, Pedro?

 

Pedro era o gerente de tecnologia da Lumus. Estava com a parafernalha toda para rastrear o número e descobrir quem é a voz que arrepia os cabelos do dono. Robert também estava na sala.

 

PEDRO – Certinho, chefe.

ROBERT – Eu sou a maior interessado nisso. Quero provar que não tenho nada a ver. Mas é ótimo que tenha gente te ameaçando.

CARLOS – Vamos terminar essa prosa depois, Robert. Vou atender, hein. Alô.

VOZ – O seu prazo está acabando.

 

Pedro faz sinal pra Carlos enrolar a conversa, para dar tempo de rastrear o telefone.

 

CARLOS – Pelo amor de Deus! Eu nem estou conseguindo dormir direito mais. Eu sou inocente.

VOZ – Não é não! Eu tenho um dossiê completo com todas as suas relações ilícitas. Inclusive com o Congresso Nacional.

CARLOS – É tudo falso.

VOZ – É mesmo? Quer que eu leia pra você os crimes em ordem cronológica. Bem, começou em 2006 na campanha de reeleição de…

CARLOS – Quer calar essa boca? Eu não estou mais aguentando essa mentirada toda. Diz logo o que você quer pra fechar o bico.

VOZ – Metade das ações da Lumus.

ROBERT – Esse pessoa é louca!

VOZ – Quem mais está aí?

CARLOS – Ninguém!

VOZ – Ai meu Deus! Eu já sei o que está querendo. Rastrear meu telefone! Muito esperto da sua parte, mas tchau!

 

Desliga o telefone.

 

CARLOS – Droga! Você tinha que abrir essa merda de boca, né?

ROBERT – Desculpa, mas não deu, como se diz em Brasil.

PEDRO – Mas não tem problema, consegui rastrear o número e já sei a quem pertence a linha.

CARLOS – E quem é?

 

Do lado de fora, as secretárias estavam tentando ouvir o que estava acontecendo, mas a sala de Carlos era à prova de som.

 

SECRETÁRIA 1 – O babado tá fortíssimo ali.

SECRETÁRIA 2 – Olha só! Ele está transtornado!

 

Cristina chega.

 

CRISTINA – Quem está transtornado?

SECRETÁRIA 1 – Desculpa, dona Cristina, mas ele não fechou as cortinas. A gente não escuta, mas dá pra ver que a coisa tá séria lá dentro.

 

Neste momento, Carlos tem um surto e destrói mais ainda seu escritório, inclusive os vidros à prova de som. Ele sai e quase quebra o resto da Lumus, mas Robert e Pedro o contêm.

 

CRISTINA – O que está acontecendo aqui? Carlos, me fala.

CARLOS – Vem comigo.

CRISTINA – Mas…

CARLOS – Agora!

CRISTINA – Você não vai…

CARLOS – No carro.

 

No carro, Carlos faz a revelação bombástica.

 

CRISTINA – Isso não é possível.

CARLOS – É claro que é! Você não lembra do que aconteceu?

CRISTINA – Mas isso faz muito tempo.

CARLOS – Mágoa é uma coisa que nunca acaba.

CRISTINA – E você já sabe o que vai fazer?

CARLOS – Sim. Matá-lo.

CRISTINA – Você tem certeza?

CARLOS – É a única maneira de cortar o mal pela raiz. Ele tem um dossiê, Cristina. Um dossiê. Você sabe o que isso significa pra gente? É a ruína!

 

CENA 6. RUA DESERTA. NOITE

A noite chegou. Carlos estaciona o carro em outra rua. Desce, vestido de preto e com capuz. Está armado até os dentes. Durante a caminhada até a casa do alvo, outro surto de ódio toma conta dele. Não estava aguentando, suas mãos estavam coçando para apertar logo o gatilho e exterminar esse idiota. Como teve coragem de ameaçar o grande Carlos Mendonça? Isso é um absurdo! Chegando na frente da casa, se controlou. Precisava ter calma e executar o plano para que tudo desse certo. Não podia se precipitar. Após respirar fundo, toca a campainha. De dentro da casa, atende a campainha, despreocupado, Antônio Siqueira. O completo horror toma conta dele quando Carlos levanta a cara escondida no capuz e diz:

 

CARLOS – Acabou. Fim de jogo. Game over!

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POSTADO POR

Gustavo Lopes

Gustavo Lopes

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