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Destinos – Capítulo 8 (PENÚLTIMO CAPÍTULO)

CENA 1. CASA DE MÁRCIA E ANTONIO. NOITE

Continuação imediata da cena anterior, com Carlos à porta de Antônio. Antônio tenta fechar a porta desesperadamente mas Carlos consegue entrar. Se ele tivesse prestado mais atenção aos detalhes da cena com certeza teria fugido dali naquele momento. Não percebeu o pontinho vermelho piscando no canto contrário.

 

CARLOS – Você realmente achou que poderia me enfrentar?

 

O pânico exalava nos olhos de Antônio e Márcia. Eles perceberam que ali era o fim da linha.

 

MÁRCIA – Não faça isso. Por favor. Eu te imploro.

CARLOS – Mas você não pensou nisso quando estava me ameaçando com aquela voz ridícula, não é?

ANTÔNIO – Você sabe muito bem o porquê eu fiz tudo isso.

MÁRCIA – Antônio, não é hora pra isso.

ANTÔNIO – Ele não vai sair daqui sem que a gente esteja morto, Márcia. Acabou.

MÁRCIA – Mas sempre tem uma solução, não é?

CARLOS – Então você quer negociar? Vamos lá. Estou esperando.

 

Carlos estava se divertindo naquele momento. Obviamente não iria deixá-los vivos. Mas queria vê-los implorar, se humilhar diante dele. Márcia se ajoelha aos pés de Carlos.

 

MÁRCIA – (chora) Eu faço o que você quiser. Por favor. Eu suplico. Eu imploro!

 

Carlos solta uma gargalhada.

 

CARLOS – Isso está começando a ficar bom. E você, Antônio? Não vai implorar pela sua vida?

 

Márcia lança um olhar de “ajoelha, pelo amor de Deus!”. Mas Antônio não ajoelha. Chega bem perto da cara de Carlos e dá um belo cuspe.

 

ANTÔNIO – Você é a pessoa mais nojenta que eu já conheci.

CARLOS – (limpando o cuspe) Você acaba de assinar sua sentença de morte. E por quê? Só por causa de um empreguinho que eu não te dei?

ANTÔNIO – (grita) Não foi só por causa disso.

 

CENA 2. FLASHBACK

  1. Ano da fundação da Lumus Tecnology. Também o ano de formatura de Antônio em Engenharia da Computação. Ele está cheio de sonhos. Queria uma vida nova. Queria apagar as marcas do passado. Seu casamento com Márcia estava chegando e o futuro reservaria grandes promessas. Márcia chega com um jornal, animada, e mostra para Antônio.

 

MÁRCIA – Você não vai acreditar nisso! Olha, o Carlos está abrindo uma empresa de tecnologia.

ANTÔNIO – Mas como? O que será que ele fez pra conseguir isso? Ele e a Cristina eram os marias-moles do grupo, como dizia o Salvador.

MÁRCIA – Isso não importa. O que interessa é que você vai conseguir um emprego.

ANTÔNIO – Emprego?

MÁRCIA – É! Em nome da velha amizade ele vai te conseguir um cargo importante na empresa.

 

Antônio passou algumas semanas amadurecendo a ideia. Não acreditava que Carlos lhe daria um cargo de chefia. Sempre sentiu uma certa arrogância no jeito de ser. Agora que estava por cima da carne seca então… Mas pelo menos o emprego de engenheiro poderia conseguir.

Tomou a decisão. Afinal o máximo que poderia acontecer era ouvir um não. Como estava enganado! Chegou. Se apresentou. Tomou um chá de cadeira de 4 horas. Quando finalmente Carlos o atendeu, ele não foi exatamente um poço de generosidade.

 

CARLOS – (com desdém) Então você quer trabalhar aqui.

ANTÔNIO – (nervoso) É… sim… eu… fiquei sabendo da criação da empresa e decidi me candidatar ao cargo de engenheiro.

CARLOS – Acha que só porque fomos amigos você tem vantagem?

ANTÔNIO – Não foi isso que eu quis dizer…

CARLOS – Ok. Vou mandar a real pra tu. Sabe quando eu vou admitir na minha empresa uma pessoa como você? Nem na terceira encarnação! Você é a representação do que é de mais podre e repulsivo no mundo: gente que quer levar uma vidinha medíocre. Ganhar um salarinho de fome, comprar uma casinha, ter uns filhinhos catarrentinhos, comprar um carrinho popular. Sabe, a minha empresa quer ser grande. E pra isso eu preciso de mentes brilhantes, não um bosta como você.

 

Completamente sem reação, Antônio ficou boquiaberto.

 

CARLOS – Agora faça o favor de sair da minha sala. Esse cheiro de gentinha tá me enjoando.

 

Antônio estava saindo quando Carlos decidiu continuar a humilhação.

 

CARLOS – Aliás, vou fazer uma coisa melhor.

 

Carlos acompanhou Antônio até a saída de sua sala. Lá, onde estavam outros executivos da empresa, Carlos continuou seu show.

 

CARLOS – Tá vendo esse aqui! Ele achava que iria conseguir uma vaguinha de emprego. Mas vocês sabem que aqui eu não aceito mais que o melhor de cada um. Eu estou mostrando pra vocês o exemplo de como não ser aqui na Lumus. Agora ele vai embora e aprendeu uma lição de vida. Tchau, perdedor.

 

A imagem daqueles executivos rindo e apontando pra ele o perturbou e ficou em sua mente.

 

CENA 3. CASA DE MARCIA E ANTONIO. NOITE

CARLOS – Naquele dia você deveria ter aprendido que não é páreo pra mim.

ANTÔNIO – Ah, mas eu sou sim. Inclusive você teve que vir aqui pessoalmente eliminar sua maior ameaça.

CARLOS – Eu vim aqui pra ver essa sua cara de derrotado de novo. Ter certeza de que a última coisa que você vai ver é a minha glória e vitória. Vai morrer como um fracassado.

ANTÔNIO – Isso, vai em frente. Me mata logo!

CARLOS – Me passa o dossiê.

 

É a vez de Antônio rir.

 

ANTÔNIO – Você só pode estar de brincadeira com a minha cara.

CARLOS – Eu talvez tenha piedade de você.

ANTÔNIO – Você me subestima de novo. Primeiro naquele dia. Depois hoje de manhã quando nunca passou pela sua cabeça que o fracassado do engenheiro pudesse destruir tudo o que você construiu.

CARLOS – Você não pode ter feito isso sozinho.

ANTÔNIO – Eu fiz! Eu invadi seu sistema de dados no dia seguinte e por 10 anos estou reunindo provas de todos os podres seus. E não são poucos.

CARLOS – Me dá esse dossiê!

ANTÔNIO – Agora eu estou vendo o pânico em você. O quê que é? Tremeu nas bases?

CARLOS – Você vai morrer!

ANTÔNIO – O que está esperando?

CARLOS – A cereja do bolo. A turma toda reunida de novo.

 

Carlos liga para Salvador.

 

SALVADOR – Não acredito na sua petulância!

CARLOS – Você não quer se vingar de todo mundo? Eu cheguei na frente. Vou fazer um favor pra você. Dois a menos.

SALVADOR – O quê?

CARLOS – Daqui a poucos minutos Antônio e Márcia virarão nada. Eu exijo sua presença pra ver esse espetáculo.

SALVADOR – Você acha que manda em mim?

CARLOS – Então vai perder sua vingancinha!

SALVADOR – Em cinco minutos estou aí.

 

Desliga o telefone.

 

ANTÔNIO – Pra quem você ligou?

CARLOS – Pra alguém que você não vai ver.

MÁRCIA – O quê?

CARLOS – Vamos aos costumes? As damas primeiro.

 

Márcia solta um grito de terror. Carlos sorri. E dá um tiro certeiro na cabeça dela. O sangue espirra em Carlos e Antônio.

 

CARLOS – Não tenho muito mais tempo.

 

E atira em Antônio.

 

Vai embora sem procurar o dossiê. Agora estava seguro. Ninguém mais iria importuná-lo e de quebra Salvador chegaria na hora certa pra ser incriminado.

Se livrou das roupas que tinha queimando-as e foi embora, tranquilamente no seu Lamborghini Urus. Ligou para a polícia e avisou do crime.

Salvador chegou à casa de Antônio e ficou extremamente chocado com a cena que viu. Os dois ali, mortos. Apesar de ser o que ele queria fazer, não deixou de se comover com o que viu. Mas nem teve tempo de ficar com peninha deles porque ouviu o barulho de polícia.

 

SALVADOR – (sussurrando) Aquele filho da puta queria me incriminar! E agora? O que eu faço?

 

Desesperado para se esconder diante da iminente chegada dos policiais, Salvador viu uma coisa no mínimo curiosa: um ponto vermelho piscando na parede oposta. O que seria aquilo? Decidiu ver o que era. Não! Aquilo não poderia ser verdade! Uma câmera! Uma câmera filmou todo o assassinato de Márcia e Antônio. Aquilo não poderia ser melhor! Mas podia melhorar ainda mais.

Ele acidentalmente tocou no ponto vermelho e automaticamente uma alça surgiu no chão. Um alçapão. Ele puxou a alça e um porão se encontrava no subsolo. O lugar poderia ser o paraíso para ele, a começar pelo nome: Sala dos Podres de Carlos Mendonça. O cômodo era pequeno, tinha apenas um computador ultrapassado. Em uma redoma de vidro, estava o objeto mais valioso da sala: O Dossiê Mendonça. Os olhos de Salvador estavam brilhando diante daquilo tudo. Era a oportunidade de acabar de vez com o mais bandido de todos eles. Salvador pegou o dossiê.

 

SALVADOR – Preciso arrumar um jeito de entrar nesse computador, deve ter mais provas contra Carlos. Mas como? Tem senha!

 

Salvador pensou em todas as possibilidades possíveis. Não conseguiu. Decidiu que teria que levar a CPU do computador consigo para tentar novamente em casa. Talvez Silvia o ajudaria. Mas como iria sair dali? A polícia continuava no andar de cima e não deixaria o local tão cedo.

Então ele avistou outro pontinho vermelho piscando. Era a chave para mais uma passagem secreta. Ele apertou e a porta que estava adiante não era das mais agradáveis: dava diretamente na rede de esgoto. Mas não tinha outro jeito. Era a única forma de sair dali.

Saindo dali, voltou à casa de Silvia.

 

CENA 4. CASA DE SILVIA. NOITE

Salvador bate à porta de Silvia.

SILVIA – (abrindo a porta) Nossa! Mas que cheiro é esse?

SALVADOR – Cheiro de quem está perto da vitória! (mostra o dossiê e a CPU)

SILVIA – Como conseguiu isso? Pra quê essa velharia desse tamanho?

SALVADOR – Aqui estão todos os podres do Carlos. Mais podres do que eu tô cheirando agora. Esse ferro velho tem a chave da minha vitória.

SILVIA – Isso merece uma comemoração.

SALVADOR – Ah, merece sim!

SILVIA – Mas vai tomar um banho de cloro que eu não quero ninguém infectando minha cama não.

Devidamente higienizado, Salvador comemorou. E comemorou como se não houvesse amanhã. Bebeu quantidades industriais de álcool, dançou pelado com Silvia e teve a melhor transa de sua vida. Finalmente sua vingança começava a dar certo.

 

CENA 5. CAMA DE SALVADOR E SILVIA. DIA

Na manhã seguinte, Salvador acordou com um sorriso de orelha a orelha. Silvia chegou com café na cama.

 

SALVADOR – Parece até que nós somos os mocinhos da história, né? Café na cama, beijinho de bom dia…

SILVIA – Eu tô assim porque hoje é o dia que você vai acabar com a raça da Amanda.

SALVADOR – Você arrumou uma forma de eu entrar lá na escola?

SILVIA – Sim. Você vai entrar disfarçado de padre.

 

CENA 6. COLÉGIO DOM BOSCO. DIA

Na escola, Rogério estava aprontando uma surpresa para Amanda. Na hora do recreio, chamou todos os alunos para o pátio. As professoras também estavam presentes, inclusive Silvia. Salvador estava atrás, tentando esconder o rosto. Se disfarçar no Colégio Dom Bosco não era muito difícil, o que mais tinha era gente com vestes clericais.

 

ROGÉRIO – Eu queria chamar a atenção de todos e todas, por favor. Hoje eu estou aqui para fazer um pronunciamento muito importante. Eu tenho pouco mais de um mês aqui no colégio. Me sinto em casa já. O ambiente é um dos melhores que já vi. Mas o ambiente se tornou melhor ainda quando eu vi Amanda pela primeira vez. Naquele momento eu tive a certeza de que eu queria viver com ela o resto da minha vida. Ela apareceu na minha existência como um raio e com a velocidade de um raio ganhou meu coração…

 

Rosângela, professora de história, comenta com Silvia

 

ROSÂNGELA – Nossa, os professores de português são os melhores, viu. Que declaração! E eles ficam lindos juntos, não ficam?

 

Silvia revira os olhos.

 

ROGÉRIO – Por isso, neste momento eu tenho um pedido a fazer àquela que é a minha amada Amanda. (se ajoelha) Amanda, quer se casar comigo?

 

Um silêncio de expectativa se alastra. Todos olham pra Amanda.

 

AMANDA – (emocionada) Sim! Sim! Sim! Eu te amo!

 

Aplausos irrompem o lugar.

 

MORGANA – Ai que lindo! Eu faço questão de financiar a lua de mel.

SILVIA – O quê?

MORGANA – Você disse alguma coisa?

SILVIA – (sorri falsamente) Não, diretora. Eu só estou curiosa pra saber pra onde.

MORGANA – Que tal Paris?

AMANDA – Sério? Ai que tudo!

 

Passado o alvoroço, Silvia encontra com Salvador num canto da escola. Está soltando fogo pelas ventas.

 

SILVIA – Eu quero que você mate a Amanda. Agora!

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POSTADO POR

Gustavo Lopes

Gustavo Lopes

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