Dias de Dezembro – Capítulo 14

Os dias iam passando e cada vez mais o dinheiro do orfanato se acabava. Jinoyama não sabia mais o que fazer. O desespero aumentava a cada instante ao se lembrar de seu filho. E uma raiva constante a acompanhava por causa do de Danilo, o brasileiro que é o olho de Masuzoe.

Para economizar energia, desligou e trancou várias salas que não eram usadas. Deixou de comprar muita comida para os funcionários e comprava só para ela, seu filho e o homem. 

Cortou o jardineiro, limpeza e ela mesma ia fazer tudo aquilo sozinha. Sabia que aquilo não durar por muito tempo. Não tinha saída. Foi então, que um dia onde estava capinando um canto no jardim, que se lembrou de sua casa abandonada. Ainda tinha suas economias e a aposentadoria de seu filho deficiente físico para ela poder sobreviver com um pouco de dignidade.

A situação ia cada vez mais apertando e piorando. Até que teve a decisão de pegar suas coisas e ir voltar para sua casa abandonada a dezoito anos.

Era a única solução.   

Mas, algo grave aconteceu para que a impedisse de ir morar em sua casa, que foi…

*****

 

Cela de Satoshi

 

— Não vai falar nada?

— Não, senhor. Eu sou inocente.

— Não minta!

— Não estou mentindo, senhor Delegado Shin. Eu sou inocente.

— Então por que soltou o vídeo na internet da relação sexual que tivestes com o falecido Procurador-geral Takeo?!

— Como assim falecido? Mataram-no?!

— Não. Suspeita-se que ele tenha se suicidado por sua homossexualidade ser revelada de forma tão brutal na internet.

— Por Kami-Sama! Que triste! Ele não podia fazer isto. E seus filhos pequenos como ficarão?! — Satoshi realmente estava preocupado com os filhos de Takeo.

— Você pensou neles ao mandar soltar este vídeo na internet e ele ser replicado várias vezes até viralizar em outros países? Agora os filhos de Takeo não terão um pai e terão vergonha de ter tido um homem de família que foi uma aberração igual a ti.

— Me chamou de aberração, senhor Delegado?

— Sim. Você é uma aberração. Agora vaze um vídeo meu trepando com alguém. Vai. Não é assim que você age? Derrubar os outros acabando com sua dignidade e imagem pública? Eu não tenho medo de você.

— Pois o senhor deveri….

— Cala tua boca! Aqui nenhuma de suas chantagens fará efeito. Serás responsabilizado pela a morte de Takeo e por vazar momentos íntimos entre os dois.

— Como assim?! Não existem provas que constatem que fui eu que foi o responsável por postar esse vídeo nas redes. Já que eu fui preso no momento que o vídeo vazou. Eu confirmo que gravei. Mas meu celular pode ser hackeado por outra pessoa e ela ter vazado isto.

— Está aí um bom álibi a você. Você ainda tem chances de não ir para pena de morte. Boa sorte até o seu julgamento.

Ele deu às costas já com aquilo em mente. O jovem tinha razão. Seu celular poderia estar invadido e o vídeo vazado no mundo virtual.

E Satoshi também pôs essa pecha em seu celular. Pediu para que a sua fonte hackeasse seu aparelho e deixasse vestígios.

O jovem sairia ileso e sem provas que o incrimine. Mas, porém, ele não se sentiu tão triste pela a morte de um abusador dele na época de sua infância. Esperou por dois longos dias, até que seu advogado junto de seu pai foram onde ele estava preso.

Respirou fundo e seguiu os policiais até uma sala onde seu pai Masuzoe e o advogado Matsumoe estavam presentes.

Ele entrou e os homens fardados saíram, trancando-os e ficando fazendo guarda na porta.

— Foi você? Não foi?! — Masuzoe o indagou exaltado.

Satoshi apenas sentou-se na cadeira enquanto os dois homens engravatados repetiam o mesmo ato, sentando-se em frente a ele.

O homem esticou seu braço sinalizando que o governador se calasse e somente ele falaria ali naquele momento.

— Senhor Satoshi Masuzoe, se acha inocente?

— Sim.

— Mentira! Foi você que plantou aquelas provas contra mim!

— Como provas, senhor Governador Masuzoe? Porque até agora a polícia e nem os investigadores encontraram nada contra mim. — o respondeu de forma cínica.

— O senhor tem uma ordem de soltura expedida pelo o juiz, pois não há provas concretas que foi você que vazou informações acerca de vossa excelência o Governador de Tóquio, Masuzoe. Daqui, serás liberado em liberdade provisória até daqui a dois dias quando for seu julgamento. Aqui a ordem de soltura. — estendeu o pedaço de papel ao jovem que leu rapidamente e logo devolveu ao homem engravatado.

— Irei com vocês?

— Claro que não! Tenho nojo de você, Shika!

— Senhor Governador, cale-se! Ou irei abandonar seu caso e deixa-lo nas mãos do ministro da justiça do Japão! Você irá em um carro já ligado dentro da prisão e devidamente tampado pelos os lados para evitar fotografias suas tiradas por canais de TV.

*******

Orfanato de Jinoyama-Aiko

 

Shiro havia dado um enfarto profundo. Seu corpo estava estendido ao chão quando sua mãe e Pedro acharam-no. Os dois rapidamente levaram-no para um hospital próximo do orfanato e o internou na área de risco.

Jin não saía de perto da porta que dava acesso a cama de seu filho. Ficava de fora fazendo a guarda dele e querendo saber notícias enquanto Pedro ficava ao seu lado tentando consolá-la.

— Há alguma coisa que posso fazer, senhorita Jin? — Perguntou encolhido em seu canto e preferindo não encará-la muito.

— Sim. Que suma da minha vida. Desde quando você chegou, aconteceram somente desgraças na minha vida. Eu só quero que meu filho saia dessa e você, finalmente, vá embora de nossas vidas. — Desabafou virando-se para o outro lado em direção a janela de vidro onde ela via seu filho entubado.

******

Enquanto isso, Shiro conversava com Kami-sama (Deus) em seus sonhos.

 

— Kami-sama, em que lugar estou?

— Em seus sonhos, Shiro. Você sofreu um enfarto profundo. Está na hora de partir. Mas, ainda tens a missão de dar o caminho a sua mãe, no qual ela deverá caminhar e o destino pelo o qual se dará após sua partida. — A mulher em seu quimono branco, com detalhes em dourados e um azul-marinho sentou-se em uma pedra que se destacava além das águas de um jardim das cerejeiras já floridas e uma lagoa de águas límpidas, onde se dá para ver carpas nadando de um lado a outro.

— Como assim?

— As visões que sua tinha… era da filha que ela perdera no acidente há alguns anos atrás. Ela à terá novamente. Mas você terá que ir primeiro.

— Mas eu queria andar sem a cadeira de rodas. É o meu maior sonho?!

— Infelizmente este não é o seu destino, filho. Seu destino é salvar uma vida da solidão.

— Mas…. MAS….

— Não tente argumentar o inargumentável, Shiro. Vem cá. Sente-se ao meu lado.

Foi aí que sua mente reagiu. Ele olhou para seus pés e percebeu que estava de pé.

— Estou andando?! Como?!

— Pelo menos aqui você está andando. Agora venha cá, Shiro. — indicou o lugar em que ele deveria sentar-se.  

O garoto teve dificuldades ao dar seus primeiros passos. Parecia um bebê que estava aprendendo a andar. Por fim, foi até a mulher de olhar sereno e um sorriso leve.

— Como posso agradecê-la, Kami-Sama?!

— Sendo este garoto gentil aqui comigo, quando vier por definitivo. Sabe, os humanos não entendem a partida de uma pessoa tão querida. Uma morte não é uma perda irreparável, é um aprendizado. Aprendizado este, que eles entendem após muito tempo. As pessoas têm que entender, que morte é o andar natural da humanidade. Têm que aprenderem a serem forte para as perdas, para corrigirem seus defeitos, serem mais próximos às suas famílias, não desistirem de seus sonhos por causa de “perdas irreparáveis” e continuar suas vidas normalmente, lembrando-se apenas dos momentos bons com o finado (a). A vida tem que seguir, o tempo não para choros e ranger de dentes.

— E qual aprendizado minha mãe irá ter?

— A vida tem que seguir. Nunca é tarde para abrir seu coração para novos amores. Ela aprenderá isto em breve.

— Que seja com o senhor Danilo. Ele é um homem bonito, bom e que sente algo pela minha mama. Sinto que ele não é “ele”.

— Sentes que ele está se passando por outra pessoa.

— Sim. Mas eu não queria ir agora. Tenho dó de minha mãe. Quando seu dia vem, não adianta fazer nada. É chegada a sua hora. Da morte ninguém. Até meu filho não escapou da morte naquela cruz. Ele foi o maior exemplo de morte em prol de alguém, de uma humanidade do planeta para todas as gerações seguintes. Pena que uma ideologia quer impor algo sobre meu filho, dizendo que quem acredita nele é uma pessoa odiosa, preconceituosa, radical. Essas pessoas que fazem isto não cristãs e muito menos acreditam em Jesus Cristo. Elas apenas mascaram seu ódio as minorias através da religião ou placa de igrejas. Quem diz que os cristãos, católicos e outras religiões que põe meu filho como salvador, Deus, enfim, têm que aprender a não generalizar todos de uma religião por causa de um sem-caráter e com discurso de ódio e eu falo o mesmo para os outros que os acusam. Servem para os dois lados.

******

Apartamento de Satoshi

 

O jovem finalmente chegou em seu apartamento com as malas que ia fugindo do país.  Guardou-as em seu quarto e suas esperanças é que fosse inocentado e sumisse logo daquele país ao lado de brasileirinho.

Decidiu que era hora parar com frescuras e se mandar de seu país. Já que era um símbolo de asco por seu pai, porque não “Homem” de verdade.

O que havia de errado em amar pessoas do mesmo sexo?

Juntou suas coisas em caixas, as lacrou e as endereçaria na casa de Rômulo depois do julgamento. Não havia provas contra ele. Era só dizer que era inocente, falar que gravou o vídeo ou que não sabia que estava sendo gravado.

Foi quando ouviu a porta ser aberta e ver seu pai, Masuzoe, entrar com os advogados.

— Shika, você sabe de algo que pode me destituir do poder?! Sabe?!

— Não, meu querido pai. — respondeu-lhe enquanto levava as caixas a um canto para ser mais fácil pegá-las e as levar ao correios.

— Sabe sim. A procuradoria-geral junto de investigadores está acusando seu pai de corrupção e mau uso do dinheiro-público. — falou um dos advogados.

— Não sei mesmo. Quando eu me encontrava com o procurador Takeo, ele sempre me falava que o maior trunfo dele, seria derrubar meu pai e tinha tudo em mãos para isso. Talvez seja isso. Ele não falou mais nada a mim.

— Você tem certeza?

— Sim. Não sei de mais nada.

— Bom senhor…. vamos embora. Ele não tem envolvimento no tal dossiê do Takeo. — os homens engravatados deram-lhe às costas e foram embora. Ele correu, trancou a porta e pegou um celular reserva com um número diferente e mandou mensagens a sua fonte.

 

 

 

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