Dias de dezembro – Capítulo 15

Apartamento de Satoshi

— Amanhã é o meu julgamento, Rômulo-san. Estou com medo. — ao fechar sua boca, caiu em prantos. O homem que amava o abraçou e o jovem asiático repousara sua cabeça no ombro do brasileiro.

— Calma, meu querido Satoshi. Vamos sair dessa. Você é inocente nessa história. Não tem como ser acusado de um crime que não cometeu.  

— Eu posso ser sentenciado a morte ou ser preso perpetuamente. Eu… não… quero!

— Satoshi…. Calma. Estarei contigo amanhã. Você não está sozinho nesta. Eu, você e o Pedro sairemos daqui logo após sua inocência ser comprovada.

— Não sei, Rômulo-san….. eu estou com medo do que possa acontecer amanhã. Só não quero morrer. Quero viver com você. Só com você.

*********  

Hospital onde Shiro está internado

— Senhora Jinoyama-Aiko?

— Sim, sou eu.

— Infelizmente seu filho está em estado de coma forçado. O enfarto nele foi tão forte, que, a qualquer minuto ele pode vir a falecer. Nem mesmo os aparelhos da UTI poderá salvá-lo por um tempo. Estabilizamos ele nos aparelhos de UTI. Mas, porém, não tenha muitas esperanças. Só um milagre pode tirá-lo desta situação. Mas, não tem outra saída, a não ser o falecimento dele. O coração dele está fraco, seu sangue está começando a coagular e em breve não teremos muito tempo com ele em vida. A senhora está autorizada a ficar com ele acompanhando-o. — a mulher de branco deu às costas, Pedro foi tentar abraça-la, porém, ela desviou-se e logo começou a esbravejar.

— Tudo isso é culpa sua! Se você não viesse com o governador e me deixasse em paz, meu filho não estaria nesta situação!

— Minha culpa! Eu não tenho culpa de nada, senhora Aiko! Estou tentando de todo jeito ser educado com você, mas todo o tempo está sendo um pé no saco, mal-educada comigo e grosseira! Eu tento não a responder, engulo sapos, tento salvar aquela merda de orfanato, porém, você não deixa! Eu não aguento mais! Chega! Já deu! Vá ficar com seu filho! Eu ficarei no orfanato, até termos notícias dele. Depois disso, ficarei bem longe de você e da merda deste país!

— Quem você pensa que…. — Pedro a pegou pelo o meio do corpo e a beijou. Um beijo com raiva, nervosismo e ódio.

— O amor E o ódio são dois sentimentos que andam juntos. Infelizmente, não sinto ódio por você. Sinto outra coisa. — Deu às costas e a deixou sozinha, de pé no meio da sala e saiu às escondidas do hospital para não ser reconhecido e preso pela a polícia de lá.

***** 

No outro dia já no julgamento de Satoshi…

 

— Responda apenas o que te perguntarem. Fique quieto e não responda as provocações da acusação. Não responda as perguntas dos repórteres. — Rômulo dava conselhos para Satoshi dentro do carro.

— Se por acaso eu for sentenciado há alguns anos de cadeia, leve minhas coisas já nas caixas em meu apartamento para sua casa. Quando sair da cadeia, irei para o Brasil. O Japão não é mais a terra em que eu quero morar. — olhou uma multidão de repórteres se aproximar do veículo, esperou o carro parar, abriu a porta, a fechou em seguida e ficou esperando Rômulo. O brasileiro logo desliga e tranca o carro, vai em direção a Satoshi e o leva para dentro do fórum.

Entra e logo vão a uma sala para, de lá, ir ao tribunal do júri.

******

Amante do ex-ministro corrupto que fugiu do país

— A senhora está presa por matar o ex-ministro Evandro Cionatti, estelionato, fala identidade, corrupção passiva e desvio de dinheiro.

— Como assim?! Eu estou presa?! — A mulher exclamou ao levantar-se da mesa de jantar com o namorado dela. Os policiais federais do Brasil a algemou e a levou para se quarto, onde eles pegaram suas malas, pertences e tudo que fosse provas dela no envolvimento no assassinato de Cionatti e do dinheiro que ela e Evandro desviaram da pasta em Brasília.

Então, a 1ª fase da lava toga havia começado naquele instante em que ela foi presa. O amante pelo o qual não foi preso, aproveitou a deixa, pegou suas coisas e fugiu para outro país, onde aproveitaria do dinheiro, dólares, joias que tinha roubado de sua amante e cúmplice na morte do falecido Cionatti.

Foram horas e horas para ela abrir a boca e, por fim, dar o estopim para a filha da “Lava-jato”, logo ela se chamaria “Lava-toga”, onde ministros de instâncias superiores, membros do judiciário, procuradores e desembargadores estariam envolvidos em um esquema de corrupção, venda de sentenças, Habbeas corpus e vários crimes de responsabilidades cometidos por alguns ministros.

Mas, porém, logo se tem um Senado federal totalmente acovardado, um congresso nacional acovardado, um supremo tribunal federal fudido, que, não teria a pachorra de enfrenta-los, pois deviam até as cuecas e estavam mais enrolados que sucuri matando uma pessoa sufocada.

Raquel pegou um dossiê escondido em um de seus apartamentos que havia comprado com dinheiro via corrupção e deu a polícia federal.

Logo ela abriu a boca e começou a derrubar os membros da esplanada dos ministérios um por um.

Começou por seis ministros do Supremos tribunal federal, três do STJ, sete procuradores, oito desembargadores, dezessete advogados ligados a mais alta cúpula da OAB e entre outros. E ela soltou a língua no primeiro julgamento para Juíza Hardty.

— Você confirmar que o ministro do STF, Noites Soffolli é o cabeça deste esquema de corrupção na esfera de todo o judiciário no Distrito Federal? — A juíza começou a fazer as perguntas, mas logo foi interrompida por um dos advogados de defesa de Raquel Bora.

— Minha cliente não irá…

— Me interrompa novamente e teremos problemas, senhor.

— Desculpa Meritíssima, mas, minha cliente não responderá.

— Responderei sim. — ela enfim abriu a boca e atraiu a atenção de todos ali. — Posso responde-la, meritíssima?

— Sim.

— Sim. Eu confirmo e ainda tenho provas de que minha acusação em fundada em provas concretas.

— Que provas seriam essas?

— Meritíssimo…

— Perguntei alguma coisa a você, advogado Medeiros?

— Desculpa…

— Fotos, áudios, vídeos, e-mails, documentos, extratos bancários. Tenho de todos que delatei. 

— Como adquiriu essas provas?

— Quando eu fazia um conluio com Evandro para derrubar a atual presidente da república. A cada transição de dinheiro, conversas que tínhamos pessoalmente, eu sempre dava um jeito de produzir contra os corruptos.

— O ex-ministro Evandro Cionatti sabia destas provas?

— Não. Eu sempre fiz isto em segredo.

***** 

Assembleia Metropolitana de Tóquio – 15 de junho de 2016

Os representantes da assembleia enviaram uma moção de desconfiança ao governador Masuzoe, após um dossiê na procuradoria-geral vazar e mostrar o uso indevido de fundos públicos em hotéis, viagens, jogos, casas de prostituição, apostas em cavalos e obras de arte.

Masuzoe estava passando o maior inferno de sua vida.

Sua mulher e filhos o abandonou, sua família tinha nojo e asco de ele ter um filho homossexual, que ainda por cima teve um caso extraconjugal com o falecido procurador-geral Takeo.  Ainda tinha a pensão que teria que pagar ao seu filho incapacitado, que ainda não terminou as negociações com uma de suas amantes que engravidara dele em 1990.

Agora ficou exposto que ele tinha filhos fora de seu casamento e que ele investia milhões em esquemas milionários de golfe e cavalos de corrida.

Sua vida foi acabando-se em poucos dias. A única saída para evitar uma futura sentença de morte, seria a renúncia e isso ainda não tinha ficado muito claro a ele, já que queria evitar as eleições em 2020 no meio dos jogos olímpicos em Tóquio.

Vários de seus funcionários foram indo embora por vergonha e por alívio que aquele homem não mais representaria a principal cidade do país do sol nascente. Lembrou-se de seu filho que deu um aviso que ela ia arrepender-se amargamente.

Parecia que era um aviso.

Sentado em sua poltrona ainda no fatídico dia 15 de junho, permeava duas opções: se entregar a morte ou renunciar a cadeira do governo. Temia perder influência e poder, o que já era presente desde que perdera apoio políticos dias antes.

Agora sentia a amargura da solidão e de seu preconceito descabido em cima de seu filho.

*******  

Sonho de Shiro

— Kami, por que Masuzoe não aceita seu filho Satoshi Masuzoe?

— Não aceita por ele ser um cabeça fechada, não amar seu filho acima do preconceito que ele tem contra homossexuais.

— Homossexualidade é pecado?

— No cristianismo é sim. Ao meu ver, sim. Mas, porém, se é homossexual, ele antes é humano. E eu amo o pecador, não amo o seu pecado. Porque sou amor e libertação acima de tudo, justiça e verdade acima de todos. Muitos entenderão o que é respeito e amor ao próximo, quando o seu ódio voltar duas vezes mais contra eles. Não devemos ficar dependentes de amor e aceitação de ninguém. Devemos viver nossas vidas e prontos. Porque cada cabeça é uma sentença. Ninguém sabe quem irá ao inferno e quem virá morar comigo aos céus, somente eu sei. Nem mesmo os evangélicos mais fervorosos poderão dizer quem vai ou não para o inferno. Muitos deles irão ao lago de fogo ardente eterno por causa de sua língua. E é isso. Você vai entender muitas coisas quando vir comigo.

— E minha mãe?

— Eu já encaminhei um homem bom na vida dela. Nenhuma mulher deve ficar sozinha neste mundo. Claro, com homens que as amem. Agora, falta pouco para você concluir a missão e vir comigo.

— Quanto tempo? — perguntou com uma expressão triste.

— Saberá quando for o momento. — a mulher foi dissolvendo-se em várias borboletas e sumindo. — Logo estarei de volta. Não se preocupe.

padrao


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