Escolhas – Capítulo 01

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Escolhas

Novela de:

Izaías Araújo

EFEITO ESPECIAL

UM LIVRO SE ABRE PARA O TELESPECTADOR. AS FOLHAS VÃO SE PASSANDO ATÉ PARAR NAQUELA QUE TEM A PRIMEIRA IMAGEM DA PRIMEIRA CENA. CORTA COM EFEITO PARA:

CENA 1/ CASA DORA/ QUARTO/ INT/ MANHÃ

AINDA É MADRUGADA. AMANDA ABRE OS OLHOS, ACORDANDO. OLHA PARA A CAMA AO LADO, EM QUE DORA DORME. AMANDA SORRI, LEVANTA-SE COM CUIDADO, CALÇA AS SANDÁLIAS E SAI DO QUARTO. CORTA PARA:

CENA 2/ AP BRAGANÇA/ QUARTO GUSTAVO/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO AINDA DORME. ELE SE VIRA NA CAMA, PUXA A COBERTA. CORTA PARA:

CENA 3/ CASA DORA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

AMANDA CHEGA À COZINHA. PEGA, NO ARMÁRIO, OS INGREDIENTES PARA UM BOLO: MASSA, MARGARINA, LEITE, UMA TIGELA. NA GELADEIRA, PEGA OS OVOS. COMEÇA A PREPARAR O BOLO. EM CORTES, ACOMPANHAMOS O PROCESSO, ATÉ QUE AMANDA PÕE O BOLO, NUMA FÔRMA, NO FORNO. CORTA PARA:

CENA 4/ AP BRAGANÇA/ QUARTO GUSTAVO/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO DORMINDO. OLGA, DE PENHOAR, ABRE A PORTA E OLHA O FILHO, SAINDO LOGO EM SEGUIDA. CORTA PARA:

CENA 5/ CASA DORA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

AMANDA ABRE O FORNO E PUXA A GRADE. ENFIA UM PALITO NO BOLO, QUE SAI LIMPO. PEGA UM PANO DE PRATO NA PIA E RETIRA A FÔRMA DO FORNO. PÕE O BOLO SOBRE A PIA. NISSO, DORA CHEGA À COZINHA, PARA NA PORTA.

DORA                                   

– Filha! Eu disse a você que não precisava se preocupar com o meu aniversário. (t) Eu nem tenho tempo para comemorar direito.

AMANDA SE VIRA PARA A MÃE, SORRINDO.

AMANDA   

– A senhora sabe que eu nunca deixo passar em branco, mãe.

DORA SORRI TAMBÉM, SE APROXIMA DA FILHA E A ABRAÇA.

DORA                                   

– Só Deus sabe o quanto eu agradeço todos os dias por ter uma filha como você!

AMANDA                            

– Feliz aniversário, mãe!

DORA SE AFASTA DE AMANDA, QUE COMEÇA A DESENFORMAR O BOLO. CORTA PARA DORA (JÁ ARRUMADA) E AMANDA SENTADAS À MESA, NA COZINHA, COMENDO O BOLO COM CAFÉ.

DORA                                   

– Hum, eu já estou quase atrasada! O ônibus tá passando mais cedo esses dias.

AMANDA                            

– Mãe, me promete que vai chegar cedo hoje. Seus patrões não devem ser tão inúteis assim, você não pode sair tarde, é perigoso.

DORA                                   

– Não fale assim, são eles que pagaram esse bolo! (RI)

AMANDA                            

– Eu tô falando sério, dona Dora. Hoje é o seu aniversário, pra começo de conversa nem deveria ir trabalhar.

DORA                                   

– (SE LEVANTANDO) Vou tentar, filha. Prometo! (t) Agora eu preciso ir, seu Osmar não vai ficar no ponto me esperando.

DORA BEIJA A TESTA DA FILHA E SAI, SOB OS OLHOS DE AMANDA. CORTA PARA:

CENA 6/ AP BRAGANÇA/ QUARTO GUSTAVO/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO AINDA DORME, ATÉ QUE RUI ENTRA NO QUARTO E ABRE AS CORTINAS. GUSTAVO PULA DA CAMA, IRRITADO.

GUSTAVO                           

– (RECLAMA) Pai!

RUI                                       

– Não pense que eu e sua mãe não notamos que você chegou tarde da noite em casa, mais uma vez.

GUSTAVO                           

– Deve ter sido impressão, eu cheguei cedo. Só dei um pulo na casa do Saulo e voltei.

RUI                                       

– Você precisa aprender a mentir melhor, Gustavo. (t) Sua vida de farra já deveria ter acabado, isto é, sequer começado! Na sua idade eu/

GUSTAVO                           

– (CORTA-O) Já estava se preparando para o vestibular e foi aprovado em primeiro lugar para Medicina na Federal, eu sei, eu sei. Mas os tempos mudaram, senhor Rui.

RUI                                       

– Pois para mim continuam exatamente os mesmos, senhor Gustavo. Seu último ano no colégio começa em uma semana, faça por onde merecer um futuro.

GUSTAVO                           

– Mas eu tenho futuro.

RUI                                       

– O meu dinheiro não vai durar a vida toda, Gustavo. Por isso, você precisa do seu.

GUSTAVO REVIRA OS OLHOS.

RUI                                       

– Revire os olhos, continue revirando. Um dia, você vai sentir falta do tempo que está jogando fora com festas.

RUI SAI DO QUARTO. GUSTAVO BUFA, DEITA NA CAMA E PUXA A COBERTA. CORTA PARA:

CENA 7/ AP BRAGANÇA/ SALA DE ESTAR/ INT/ MANHÃ

A PORTA ABRE, DORA ENTRA. ELA GUARDA A CHAVE NA BOLSA E A COLOCA SOBRE UMA MESA. OLGA CHEGA, JÁ VESTIDA, COLOCANDO OS BRINCOS.

DORA                                   

– Bom dia, dona Olga!

OLGA                                   

– Bom dia, Dora. Desculpa, eu já deveria estar no consultório, tô correndo contra o tempo. (T) O Gustavo passou a noite fora, prepara qualquer coisa pra ele tomar café, por favor.

DORA                                   

– Gustavo precisa se atentar, a vida não é só balada e amigos.

OLGA                                   

– Pois é. Eu e o Rui (PARA, GRITA) Rui, estamos atrasados! (P/ DORA) Eu e Rui vivemos dizendo isso a ele, mas, é como dizem: se conselho fosse bom não se dava, vendia!

DORA RI. OLGA PEGA A BOLSA E VAI SAINDO. RUI LOGO APARECE, TAMBÉM APRESSADO.

DORA                                   

– (CUMPRIMENTA) Doutor Rui.

RUI                                       

– Bom dia, Dora!

E SAI, LOGO ATRÁS DE OLGA. DORA FECHA A PORTA. CORTA PARA:

CENA 8/ AP BRAGANÇA/ QUARTO GUSTAVO/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO DORMINDO. DORA ENTRA NO QUARTO, SE APROXIMA DA CAMA.

DORA                                   

– Gustavo?

GUSTAVO ABRE OS OLHOS SOFREGAMENTE.

GUSTAVO                           

– Meus pais já saíram?

DORA                                   

– Acabei de fechar a porta.

GUSTAVO SE LEVANTA, BOCEJA E SE ESPREGUIÇA. DORA OBSERVA.

GUSTAVO                           

– É muita pressão! Dora, você não tem noção do quanto meus pais são controladores. (IMITA) Gustavo faça isso, Gustavo faça aquilo, Gustavo, se esforce, Gustavo, esse é o seu último ano de colégio. Eu não aguento mais!

DORA                                   

– Eles fazem isso porque te amam e se preocupam com o seu futuro, Gus. Todos os pais são assim.

GUSTAVO                           

– Hum, eu aposto que você não é.

DORA                                   

– (BRINCA) Sou sim, pode apostar que eu sou!

GUSTAVO                           

– (RI) Mas eles podiam ser um pouco menos espaçosos, me deixar assumir o controle de minha vida.

DORA                                   

– Eu acho que se eles fizessem isso, você não levaria um dia para implorar para eles voltarem a ser como são.

GUSTAVO                           

– Duvido.

DORA                                   

– Vamo, levanta. Eu vou passar um café, umas torradas pra você começar seu dia.

GUSTAVO                           

– Aproveita e pega um analgésico, eu tô morrendo de dor de cabeça.

DORA RI E SAI DO QUARTO. GUSTAVO SE LEVANTA. CORTA PARA:

CENA 9/ CASA RITA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

EM CORTES, ACOMPANHAMOS RITA PREPARANDO SEUS DOCES. ANIMAÇÃO. ERNESTO A AJUDA UM POUCO, LOGO DEPOIS LÉO. POR FIM, PLANO DA MESA REPLETA DE BANDEJAS COM DOCES VARIADOS. RITA OS OLHA, SATISFEITA, AO LADO DE ERNESTO.

RITA                                     

– Esse aniversário vai pagar todas as contas do mês e ainda vai sobrar.

ERNESTO                            

– Oba! Posso tirar um tantinho pra gastar comigo?

RITA                                     

– Com o que, Ernesto?

ERNESTO                            

– No bar, ué. Tomar um traguinho, um tira-gosto. Eu mereço.

RITA                                     

– Vou pensar no seu caso. Vou pensar!

CECÍLIA CHEGA À COZINHA, ACABARA DE ACORDAR.

CECÍLIA                              

– Oi, oi, eu tô passando pra avisar que vou encontrar o Arthur, mas volto para o almoço, caso me procurem.

RITA                                     

– Cadê seus irmãos?

CECÍLIA                              

– Apesar de eu não ser guardiã deles, o Léo saiu para as aulas de piano e a Júlia ainda está dormindo. (t) E a propósito, eu preciso de um quarto só para mim! Não aguento mais a Júlia e aquelas músicas terríveis que ela ouve toda noite antes de dormir.

JÚLIA APARECE ATRÁS DE CECÍLIA, AINDA DE PIJAMA.

JÚLIA                                   

– São mantras e músicas relaxantes. Me ajudam a dormir melhor.

CECÍLIA                              

– (QUE SE ASSUSTOU) E eu durmo cada vez pior. Enfim, até mais.

CECÍLIA SAI. RITA E ERNESTO RIEM.

ERNESTO                            

– Eu também tô saindo. Marquei uma peladinha com o pessoal, revanche do jogo de domingo.

RITA                                     

– Não, não. Você me prometeu que iria entregar as encomendas antes de ir.

ERNESTO                            

– A Júlia e o Pedro não podem fazer isso?

RITA                                     

– Ernesto, eles são crianças. Cê quer mesmo que sua filha e o amigo atravessem, sozinhos, a cidade para entregar essas encomendas?

JÚLIA                                   

– Eu nem iria aceitar, pra começo de conversa.

ERNESTO                            

– (CONTRARIADO) Tá, tá. O Serginho vai ter que me substituir, espero que não seja pé frio.

NELE, CORTA PARA:

CENA 10/ NOVO HIT/ SALÃO/ INT/ MANHÃ

MOVIMENTAÇÃO NO BAR. ALGUNS CLIENTES NO BALCÃO, TOMANDO CAFÉ. ANDRÉ E DINHO POR ALI. NUMA MESA, ARTHUR. DINHO SE APROXIMA DELE.

DINHO                                 

– Esperando a consagrada, ô Art? Poderia pedir alguma coisa, né, contribuir com o caixa do garçom…

ARTHUR                              

– Não enche, Dinho. Eu tô nervoso.

DINHO                                 

– A famosinha da rua aprontou alguma coisa?

ARTHUR                              

– Não. Quer dizer, sim e não. A gente precisa conversar sério.

DINHO                                 

– Conversas sérias combinam com um café quentinho com um misto na chapa quente.

ARTHUR                              

– Se eu fizer um pedido, você dá o fora daqui?

DINHO                                 

– Até voltar com a bandeja.

ARTHUR                              

– (NERVOSO) Tá, traz dois cafés.

DINHO ASSENTE, FELIZ E SAI. NISSO, CECÍLIA ENTRA NO BAR E SENTA-SE EM FRENTE A ARTHUR.

CECÍLIA                              

– Espero que você tenha um ótimo motivo para me tirar do quentinho da minha cama antes das dez da manhã na última semana de férias.

EM ARTHUR NERVOSO, CORTA PARA:

CENA 11/ AP BRAGANÇA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

ABRE EM DORA PONDO UM PRATO COM TORRADAS SOB A MESA. GUSTAVO LOGO AS ATACA.

GUSTAVO                           

– Dora, essas suas torradas estão divinas! Meu Deus, de verdade, é a melhor coisa que eu já comi em semanas.

DORA                                   

– (RI) Deve ser porque você está morrendo de fome.

ENTÃO O CELULAR DE GUSTAVO DÁ ALERTA. ELE PEGA, DESBLOQUEIA. EFEITO DE MENSAGEM NA TELA SAULO: E AÍ, TD BEM? BORA P POOL PARTY?. GUSTAVO ENCARA O CELULAR, INDECISO. NELE, CORTA PARA:

CENA 12/ NOVO HIT/ SALÃO/ INT/ MANHÃ

CONT. DA CENA 10. ARTHUR DIANTE DE CECÍLIA.

CECÍLIA                              

– Fala logo, Arthur! Eu não vou ficar aqui te encarando o dia todo.

ARTHUR                              

– Eu estou pensando nas palavras certas para você não me interpretar mal.

CECÍLIA                              

– Antes do meio-dia eu nem lembro que sei escrever, Arthur.

ARTHUR                              

– (TOMA CORAGEM) Ultimamente, eu sinto você bastante… distante, sabe? Parece que quando está comigo, a sua cabeça está em outro lugar, que você não se envolve comigo, que/

CECÍLIA                              

– (CORTA-O) Discussão de relacionamentos uma hora dessas, Art?

ARTHUR                              

– Tá vendo? São essas atitudes. Você nunca me leva a sério, nunca liga para o que eu sinto ou falo.

CECÍLIA                              

– Eu tenho uma personalidade diferente da sua. Isso é comum, sabe? Chamam de particularidade, ninguém é igual a ninguém.

ARTHUR                              

– (ESTRESSADO) Eu deveria saber que você não iria ligar para isso também!

CECÍLIA                              

– Art, não precisa esquentar. A gente já tá namorando faz uns dois anos, todo relacionamento tem esses problemas.

ARTHUR                              

– O problema é que parece que eu namoro sozinho, Céu. Você só se importa comigo quando é para falar com você.

CECÍLIA                              

– Olha, você está começando a me ofender.

ARTHUR                              

– Que bom! Assim você sabe como é estar no meu lugar.

CECÍLIA                              

– Para mim já chega! Quando você estiver calmo, a gente conversa.

CECÍLIA LEVANTA E VAI EMBORA. ARTHUR FICA IRRITADO. DINHO CHEGA COM O PEDIDO.

            DINHO                                 

– Um misto quente no capricho saindo!

            ARTHUR                              

– Ah, Dinho. Pode jogar fora!

ARTHUR TAMBÉM SAI, IRRITADÍSSIMO. CORTA PARA:

CENA 13/ RIO DE JANEIRO/ GERAIS/ EXT/ MANHÃ

MÚSICA: CLIMA QUENTE. EFEITOS COM STOCK-SHOTS DO RIO DE JANEIRO EM UMA MANHÃ COMUM. MOVIMENTO NAS PRAIAS, BANHISTAS, PESSOAS PRATICANDO EXERCÍCIOS FÍSICOS E ESPORTES. CORTA PARA:

CENA 14/ AP BRAGANÇA/ SALA DE ESTAR/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO ABRINDO A PORTA PARA SAULO, QUE JÁ VAI ENTRANDO. DETALHAR: A BOLSA DE DORA ONDE ELA COLOCARA.

SAULO                                 

– E aí? Pronto? A Cacau disse que a gente tem que ir. Os pais dela tão de férias, a casa tá vazia.

GUSTAVO                           

– Shhh! Fala baixo! Meus pais tão umas feras porque eu cheguei tarde ontem. Eles não podem nem desconfiar que a gente vai sair.

SAULO                                 

– Ué, eles ainda não saíram?

GUSTAVO                           

– Já. Mas a Dora pode ouvir e contar a eles sem querer.

SAULO                                 

– Mano, eu aposto que a Dora não faria algo pra te prejudicar.

GUSTAVO                           

– Ih, você e sua mania de querer apostar em tudo.

SAULO                                 

– E você sempre vai na minha, né?

GUSTAVO                           

– Me espera aqui, eu vou só trocar de roupa. (t) Meus pais foram juntos hoje, acho que dá pra gente pegar o carro.

SAULO                                 

– (ANIMADO) Vai, vai! A Cacau não escapa de mim hoje, vamo.

GUSTAVO VAI PARA SEU QUARTO. NISSO, DORA APARECE DA COZINHA.

DORA                                   

– Bom dia, Saulo! Quer alguma coisa, um suco, uma água?

SAULO                                 

– Tô de boa, Dora.

DORA MEDE SAULO, PREOCUPADA. CORTA PARA:

CENA 15/ AP BRAGANÇA/ QUARTO RUI E OLGA/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO, QUE JÁ TROCOU DE ROUPA, ENTRA NO QUARTO DOS PAIS. VAI ATÉ UMA MESINHA DE CABECEIRA, ABRE A GAVETA E PEGA UMA CHAVE DE CARRO. COMEMORA. CORTA PARA:

CENA 16/ CLÍNICA SUA SAÚDE/ RECEPÇÃO/ INT/ MANHÃ

OLGA E RUI CONVERSAM, DIANTE DO BALCÃO.

RUI                                       

– Eu já avisei a ele: não vou continuar tolerando esse comportamento infantil, irresponsável. O Gustavo precisa mudar, focar no que importa.

OLGA                                   

– Eu espero que não seja preciso uma coisa ruim acontecer pra ele acordar para a vida. (t) Falando nisso, daqui a pouco eu vou ligar pra Dora e perguntar por ele.

RUI                                       

– A Dora sempre passa a mão pela cabeça do Gustavo, outra coisa que precisa mudar.

UMA MOÇA, A SECRETÁRIA, SE APROXIMA DOS DOIS.

SECRETÁRIA                     

– Com licença, doutora Olga. Sua próxima paciente já chegou.

OLGA                                   

– Já estou indo. (P/ RUI) Eu sinto que ainda vamos ter essa conversa outra vez.

OLGA E A SECRETÁRIA SAEM, DEIXANDO RUI PENSATIVO. CORTA PARA:

CENA 17/ COLÉGIO LUIZ GAMA/ SALA PROFESSORES/ INT/ MANHÃ

OS PROFESSORES À MESA, NUMA REUNIÃO. FERNANDA NA CABECEIRA, VITÓRIA SENTADA PERTO DELA.

FERNANDA                        

– Bom, eu agradeço a presença de todos vocês nessa reunião, a última antes da volta às aulas. É muito importante a presença de vocês, sinaliza que o Luiz Gama terá mais um grande ano pela frente.

OS PROFESSORES APLAUDEM. CORTA PARA OS PROFESSORES SAINDO, VITÓRIA E FERNANDA NUM CANTO.

VITÓRIA                             

– Nem tive tempo de descansar direito. O Mauro não me deixa em paz, como sempre. Eu tiro férias, mas, ele não.

FERNANDA                        

– Que homem mais insistente e imaturo. Vocês estão separados há tanto tempo.

VITÓRIA                             

– Ele parece que nunca superou isso. (t) Mas vamos falar de outra coisa.

FERNANDA                        

– Nós precisamos ver com o Bernardo se ele cede o espaço do Observatório para os grupos de estudo.

VITÓRIA                             

– Eu acredito que ele vai ceder, o Bernardo nunca nega algo para a escola.

FERNANDA                        

– Um verdadeiro educador!

FERNANDA E VITÓRIA COMEMORAM. CORTA PARA:

CENA 18/ AP BRAGANÇA/ SALA DE ESTAR/ INT/ MANHÃ

GUSTAVO CHEGA À SALA, PÉ ANTE PÉ, E EXIBE A CHAVE PARA SAULO. OS DOIS COMEMORAM EM SILÊNCIO. GUSTAVO OBSERVA SE DORA ESTÁ POR ALI E OS DOIS SAEM. NISSO, DORA PÕE A CABEÇA, DA COZINHA, PARA OBSERVAR A PORTA SE FECHAR. ELA BALANÇA A CABEÇA. CORTA PARA:

CENA 19/ OBSERVATÓRIO CULTURAL/ ENTRADA// SALA DE MÚSICA/ INT/ MANHÃ

A CAM PARADA NA ENTRADA DO OBSERVATÓRIO. OUVIMOS A NOCTURNE OPUS No 2, DE CHOPIN, TOCADA NO PIANO. A CAM VAI CAMINHANDO NO RITMO DA MÚSICA, NUM CLIP DE APRESENTAÇÃO DO ESPAÇO, ATÉ CHEGAR À SALA DE MÚSICA. ALI, LÉO TOCA AO PIANO ENQUANTO SARA O OBSERVA, EMOCIONADA. QUANDO LÉO TÉRMINA, ELE OLHA PARA SARA, QUE QUASE CHORA.

SARA                                   

– Chopin, onde que que esteja, está muito orgulhoso de você, Léo. Nunca vi nenhum pianista tocar tão bem quanto você.

LÉO                                      

– (ENVERGONHADO) Não é para tanto, professora. Eu só toquei como a senhora me ensinou.

SARA                                  

– Não: tocou muito melhor. O jeito como você vai chegando ao ápice sem perder o seu toque pessoal é lindo. (t) Eu acho que você já está pronto para um recital.

LÉO                                      

– Eu ainda tenho vergonha de tocar em público. Sei lá, parece que eu esqueço todas as notas e o piano vira meu inimigo, me encarando, rindo de mim.

SARA                                   

– Isso é coisa da sua cabeça. Eu tenho certeza que você se sairá muito bem. (t) Vamos de novo, do começo?

QUANDO LÉO RETORNA A TOCAR, BERNARDO APARECE NA PORTA DA SALA E CHAMA SARA COM UM SINAL. SARA VAI ATÉ ELE, MAS, LÉO CONTINUA TOCANDO.

SARA                                   

– Sempre que eu ouço o Léo tocar, tenho certeza que não poderia escolher outra profissão que não fosse professora de música.

BERNARDO                        

– Realmente ele toca muito bem, é incrível quando alguém nasce com um dom.

OS DOIS OBSERVAM LÉO TOCAR POR UM INSTANTE.

SARA                                   

– Pra que você me chamou mesmo?

BERNARDO                        

– Nós temos que acertar com a Fernanda o empréstimo das salas pros grupos de estudos e, mais importante, precisamos de dinheiro. Não temos o suficiente para fechar as contas do mês.

SARA                                   

– (PREOCUPADA) Eu já nem sei mais de onde arranjar dinheiro para manter o Observatório. Morro de medo de precisarmos fechar as portas.

BERNARDO                        

– Isso nunca vai acontecer enquanto eu estiver vivo! Vamos conseguir dinheiro… eu só não sei como.

SARA                                   

– Poderíamos vender mais alguns instrumentos ou dar cabo àquela sua ideia de alugar o espaço para eventos.

BERNARDO                        

– Não temos muito mais o que vender e estamos muito em cima da hora para eventos.

SARA                                   

– E agora?

EM SARA E BERNARDO PREOCUPADOS, CORTA PARA:

CENA 20/ CASA RITA/ SALA/ INT/ MANHÃ

ERNESTO TODO ATRAPALHADO, TENTANDO EQUILIBRAR AS CAIXAS DE DOCES. CECÍLIA ENTRA, FEITO UM FURACÃO.

            ERNESTO                            

– Filha, me ajuda a/

            CECÍLIA                              

– (CORTA) Não estou a fim!

E SAI, DEIXANDO ERNESTO CONFUSO. CORTA PARA:

CENA 21/ FAZENDA/ EXT/ MANHÃ

MÚSICA: REACT. PLANOS DA FESTA POOL PARTY. SAULO BEIJANDO UMA GAROTA, GUSTAVO PULANDO NA PISCINA. OS DOIS BEBENDO DRINKS. PESSOAS DANÇANDO, GUSTAVO, JÁ UM POUCO BÊBADO, TAMBÉM DANÇANDO. SAULO E GUSTAVO NA PISCINA BRINCANDO. DEPOIS, UMA RODA DE GAROTOS JOGANDO O JOGO DA GARRAFA: ALGUÉM GIRA, CAI EM GUSTAVO, QUE VIRA UM COPO.  CORTA PARA:

CENA 22/ CASA DORA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

AMANDA ORGANIZANDO A COZINHA, LAVANDO LOUÇAS. DE REPENTE ELA PARA E OLHA PARA O HORIZONTE. FUNDE COM:

CENA 23/ CASA DORA/ SALA/ INT/ NOITE

FLASHBACK. AMANDA, CRIANÇA, BRINCANDO NA SALA QUANDO SEU PAI CHEGA, BÊBADO. ELE SE APROXIMA DA FILHA, CHUTA OS BRINQUEDOS E RI. AMANDA COMEÇA A CHORAR E DORA CHEGA.

DORA                                   

– Chico, não perturba a menina. Assim ela vai ficar traumatizada.

CHICO                                 

– Essa menina já tá grandinha pra brincar de boneca, era pra tá ajudando você na casa.

DORA                                   

– A Amanda ainda é uma criança, Chico!

CHICO                                 

– Na idade dela eu já tava na roça ajudando meu pai a botar comida na mesa.

CHICO PISA EM UM BRINQUEDO, ESMAGANDO-O. AMANDA CHORA MAIS AINDA. DORA CORRE PARA ABRAÇÁ-LA.

CHICO                                 

– E eu tô cum fome! Cadê meu feijão, Dora? Vai deixar seu homi morrer de fome?

DORA                                   

– Primeiro eu vou acalmar a Amanda, Chico.

CHICO SE ENFURECE. PEGA DORA PELO BRAÇO PARA LEVANTÁ-LA.

CHICO                                 

– Eu já disse que mulhé minha tem que me servir na hora que eu quero, Dora.

DORA                                   

– Você tá me machucando!

CHICO                                 

– Tô apertando pra machucar mesmo!

CHICO ATIRA DORA, QUE CAI NO SOFÁ. AMANDA CHORA E CHICO SE ABAIXA PARA OLHÁ-LA NOS OLHOS.

CHICO                                 

– Tá vendo a sua mãe? Um dia você vai casar e tem que servir seu marido, servir melhor que ela que já tá precisando de uma mais novinha pra substituir.

CLOSE NOS OLHOS PENETRANTES DE CHICO. CORTA PARA:

CENA 24/ CASA DORA/ COZINHA/ INT/ MANHÃ

CONT. DA CENA 22. AMANDA VOLTA A SI. BALANÇA A CABEÇA.

AMANDA                            

– Não tá na hora de pensar naquele homem, Amanda! Aliás, nunca vai tá na hora.

AMANDA VOLTA A LAVAR A LOUÇA. UM COPO DE VIDRO QUEBRA DE REPENTE, NA PIA. AMANDA SE ASSUSTA.

AMANDA                            

– Credo! Deve ser a má energia daquele homem, sai pra lá!

NELA, CORTA PARA:

CENA 25/ FAZENDA/ EXT/ MANHÃ// TARDE

PLANOS DE PESSOAS NA PISCINA. CORTA PARA O ENTARDECER. OS ADOLESCENTES VÃO INDO EMBORA DA FESTA, ENTRE ELES SAULO E GUSTAVO, UM POUCO BÊBADOS. ELES SEGUEM ATÉ O CARRO, ENTRAM E PARTEM, EM ZIG-ZAG. TENSÃO. CORTA PARA:

CENA 26/ ESTRADA/ EXT/ TARDE

GUSTAVO E SAULO NO CARRO, EM ZIG-ZAG, E EM ALTA VELOCIDADE. O CARRO VAI DIRIGINDO PERIGOSAMENTE PERTO DO ACOSTAMENTO, MAS GUSTAVO RETORNA PARA A PISTA E QUASE BATE NUM CARRO QUE IRIA CORTÁ-LO. BUZINA COM FORÇA E ACELERA AINDA MAIS. DO PV DE GUSTAVO, SUA VISÃO TONTA E EMBAÇADA. ELE PISCA E, QUANDO ABRE NOVAMENTE OS OLHOS, VÊ UM POSTE. SAULO DÁ UM GRITO E GUSTAVO TENTA FREAR, MAS, É TARDE DEMAIS: O CARRO BATE COM FORÇA NO POSTE, FAZENDO OS AIR-BAG ABRIREM. A CAM SE AFASTA, MOSTRANDO O CARRO BATIDO, GUSTAVO E SAULO DESACORDADOS. CORTA PARA:

FIM

POSTADO POR

Izaías Araújo

Izaías Araújo

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