Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

Estação Medicina – Capítulo 11 – Com quem você está falando?

 

 

 

Estação Medicina

Capítulo 11 

Com quem você está falando?

FADE IN

CENA 01/SÃO PAULO/VILA MARIANA/INT.APARTAMENTO DE ADELAIDE/SALA DE ESTAR/NOITE

MATEUS – Não pode ser…

Instrumental Dramático começa a tocar. Mateus se aproxima do ursinho. EMOCIONADO. Contempla-o por alguns instantes e depois o toma nos braços. Olhos perdidos.

LIGAR FLASHBACK

CENA 02/SÃO PAULO/JD.AMÉRICA/INT.MANSÃO DOS MOÇA/CORREDOR SEGUNDO ANDAR/NOITE

Câmera subjetiva termina de subir as escadas, chega no corredor, escuta vozes de criança e se aproxima lentamente da porta entreaberta dos pais. Plano Americano. Revelar ser Mateus.

DENTRO DO QUARTO

ORLANDO – Papai voltou de viagem lá do Peru, um país incrivelmente belo, que um dia você vai conhecer e conheceu por lá uma comunidade indígena, ajudei alguns líderes a cuidar de alguns doentes e em troca recebeu um presente.

Os olhos do menino de cinco anos brilharam.

GIOVANE – Um presente?!

ORLANDO – Pois é, filho. Um presente! Mas não para o papai, mas para você, o presente é seu.

Giovane sorriu extasiado.

GIOVANE – Para mim? O QUE É? O QUE É?

Orlando achou graça e abriu o guarda-roupa, retirando um pacote de presente azul com laço branco.

ORLANDO – Pois abra! Abra!

O infanto abre e percebe que é uma caixa de madeira em que uma ave está pirogravada.

GIOVANE – Um urubu?

ORLANDO (ri) – É um condor, filho! O Condor dos Andes! Uma ave muito comum por lá e que é símbolo até de um teatro musical deles, narra a história do domínio europeu, filho, sobre o indígena e toda guerra que eles enfrentaram. Representa a resistência deles.

Giovane o abraçou e abriu a caixa de madeira.

GIOVANE – Um ursinho de pelúcia…com uma pena azul.

ORLANDO – É para te proteger, filho, te todo mal que pode te acometer ainda nesta vida.

GIOVANE – Obrigado, papai.

Instrumental explosivo. Olhos de Mateus vibram de cólera, somem no corredor.

FIM DO FLASHBACK

CENA 03/SÃO PAULO/VILA MARIANA/INT.APARTAMENTO DE ADELAIDE/SALA DE ESTAR/NOITE

Olhos vidrados de Mateus sobre o ursinho. Encantamento trágico. EMOCIONADO.

MATEUS – De quem é esse ursinho mesmo?

Adelaide o observava sem entender.

ADELAIDE – De Goram

CORREDOR

Themise que saía do seu quarto enxugando o cabelo para estacada na porta que ia para sala ao ver Mateus ali.

THEMISE (cochicha) – Mas o que esse demônio está fazendo aqui?

SALA DE ESTAR

MATEUS – Isso pertence a ele? Mas como, esse brinquedo pertencia a…Não, espere um momento, ele tem esse ursinho desde a infância?

Quando Adelaide vai responder, Themise interrompe, chegando na sala.

THEMISE – Não! Ele ganhou de mim há poucos dias.

Adelaide troca olhares com a filha sem entender que faz uma expressão para ela se calar.

MATEUS – Quem é você?

THEMISE – Sou prima dele, chamo-me Themise. Você deve ser o reitor da universidade Olímpios, Doutor Mateus Moça.

MATEUS – Já vi que meu garoto propaganda não está muito bem assistido, é professor Doutor. Vossa magnificência para ser mais exato. Se procurasse se informar melhor, saberia que da minha licenciatura em marketing, direito e economia. Mas explique melhor como assim ganhou de você há poucos dias?

Ela passou mal com aquela soberba.

THEMISE (V.O.) – Como ele era antagônico de Goram, nem pareciam que tinham vindo do mesmo útero.

THEMISE – Então, quando Goram chegou dei a ele, eu havia comprado há alguns anos numa loja de conveniência da liberdade.

ADELAIDE – Filha, você…

Themise fez uma expressão de censura com os olhos. Adelaide se calou.

MATEUS – Que loja de conveniência na liberdade?

THEMISE – Não me recordo.

MATEUS – Como não se recorda? Você precisa me levar lá!

Themise pensou em insistir dizendo que não se recordava, mas mudou a estratégia de convencê-lo.

THEMISE – Por quê?

Mateus quebrou-se.

MATEUS – Ah…bom. Eu achei bonito, recorda muito um brinquedo que tive na infância, talvez até seja o mesmo, quem sabe, queria entender como ele foi parar lá.

Themise tremia por dentro.

THEMISE – Como eu disse, infelizmente não sei dessa informação. Álias, se o senhor quiser se retirar, daqui a pouco vamos receber nossa família de Roraima, talvez fica inconveniente para o senhor nossa animação, creio que não estará acostumado.

Mateus faz uma cara de náusea. Adelaide acha o cúmulo aquela mentira.

ADELAIDE – THEMISE! ISSO SÃO MODOS?

MATEUS – Não se preocupem comigo, eu não quero atrapalhar nada, eu já estava de saída, eu só estava achando que Goram fosse voltar logo, foi o que a senhora me disse…

Adelaide vai falar, mas Themise não deixe.

THEMISE – Ele iria voltar, mas parece que vai dormir fora, então só amanhã mesmo.

Ela se dirige a porta e abre.

Mateus deposita o ursinho em cima da mala de onde o pegou e o observa de uma forma meio enigmática.

ADELAIDE – Tchau, Professor Doutor Mateus. Desculpe-me por qualquer coisa.

THEMISE (falsa) – Até qualquer dia.

Mateus não as responde, saindo de nariz em pé. Themise fecha a porta. Ela respira aliviada se apoiando nela.

THEMISE – Já vai tarde! Nem acredito que consegui fazer isso.

ADELAIDE – Isso o quê? Você tá muito esquisita! Posso saber porque tratou ele desse jeito, olha a impressão que ele vai ter da família de Goram, você poderia ter prejudicado feio o seu primo, viu? E que história é essa de dizer que deu o ursinho de pelúcia para Goram quando ele chegou? Você sabe muito bem que ele trouxe esse brinquedo de lá, na mala.

Themise põe a mão na cabeça tentando fugir.

THEMISE – É melhor a senhora não saber, quanto menos gente souber dessa história melhor. Pelo nosso próprio bem!

E some no corredor dos quartos, deixando Adelaide sem entender.

CORTAR PARA:

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/INT.REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/QUARTO 12/DORMITÓRIO/NOITE

PLANO GERAL. Começa a tocar a música tema nacional Trevo do casal. Goram e Heloísa se beijam loucamente um de frente para o outro, depois ele vai por cima dela, ela se agarra nas costas do rapaz agora sem camiseta e arranha sua pele delicadamente. OFEGANTES.

GORAM – Goram gosta tanto de você, minha princesa.

HELOÍSA – Eu também, Goram! Gosto demais de você!

Ele então retira a blusa dela e beija seus seios, ela fecha os olhos de prazer, ele desce a língua e dá uma mordidinha no umbigo dela, ela ri de cócegas, ele acha graça, depois chega a calcinha dela e a mão dela impede de repente.

GORAM – Tá tudo bem?

Close-up na face dela. Estava nitidamente insegura.

HELOÍSA – Eu…

GORAM – … Heloísa Nunca fez?

Ela suspirou meio envergonhada e balançou a cabeça negativamente.

GORAM – Tá tudo bem, você deve se sentir envergonhada disso, é seu hete, suas regras, a sociedade cobra tanto né para sermos viris, mas temos nosso próprio gauhu e fazer mais ou menos sexo não define ninguém.

Os olhos dela brilharam de acolhimento.

GORAM – Quando você tiver preparada a gente hatapy e além do mais existem outras avei de sexo menos frequentes como essa aqui sem penetração…

Passa o dedo na pele dele, descendo pela barriga, ela sorri e o puxa para cima dela de volta.

HELOÍSA – Você realmente não existe.

Plano geral. Eles se amam.

CENA 05/SÃO PAULO/PINHEIROS/EXT.CASA DE NARA/CALÇADA DA FRENTE/NOITE

Suzy chega meio insegura ao local e olha no visor do cel para verificar se é ali mesmo o endereço. Então leva um susto com a aparição da anfitriã bem atrás dela.

NARA – É aqui mesmo, Suzy. Você não errou o endereço.

A oriental sorri.

GARAGEM

Nara entra com Suzy. Todos param que estavam fazendo. A workshire de Nara vem dar as boas-vindas também.

NARA – Essa é Hanna, nossa mascote.

Suzy abaixou e abraçou a cachorrinha.

SUZY – Prazer em conhece-la, Hanna.

NARA – Gente, essa é a Suzy! Ela é caloura na med e quer muito entrar para Fada madrinha.

Escova a olha meio de canto, ela era uma das calouras que peitou seu amigo Samuel e sua turma. Já Dennis larga seu violão e vai até ela.

DENNIS – Seja bem-vinda, Suzy. Toca alguma coisa?

SUZY – Sei tocar violão e gaita.

NARA – Mas pelo que fiquei sabendo, ela gosta mesmo é de cantar, vai fazer dueto comigo!

Ela olhou sem palavras para aquele inclusão de Nara. Nesse instante, uma jovem de cabelos laranjas e franjinha saiu da cozinha com uma bandeja de refrescos vermelhos.

PILIZUK – Gente, preparei para vocês meteoro!

SUZY – Meteoro?

NARA – É uma bebida que montamos nas festas da med e a turma adora, catuaba com vodka e licor de frutas vermelhas.

SUZY – Vulgo batidão?

PILIZUK (rindo) – Exatamente, flor. Experimenta.

Suzy pegou meio sem jeito e deu um gole. Todos aguardavam ansiosos sua aprovação.

SUZY – Maravilhoso!

PILIZUK – AEEEEEE!!!

NARA – Essa é a Pilizuk, ela é da psico, toca teclado, por isso você não deve ter visto ela ainda, mas canta nas festas com a gente e aquele é o Escova toca bateria.

Pilizuk a abraçou, Suzy reconheceu ele. Cumprimentaram-se meio forçadamente, Nara percebeu o desconforto.

NARA – Bom…sim bora cantar, gente linda.

CORTE DESCONTINUO

Nara cantando e Pilizuk e Dennis tocando num primeiro momento, depois Escova começou a tocar bateria.

NARA – Foi quando meu pai me disse filha…você é a ovelha negra da família, agora é hora de você assumir e sumir…

Ela olhou para Suzy e entregou um microfone que meio insegura começou.

SUZY – Baby…baby.

NARA – Não adianta chamar, quando alguém está perdido, procurando se encontrar…

Suzy se empolga.

SUZY – Baby…Baby. Tire isso da cabeça, ponha o resto no lugar.

Nara sorriu e eles continuaram a cantar Ovelha Negra de Rita Lee, Dennis até trocou seu bom e velho violão pela guitarra.

CENA 06/SÃO PAULO/TATUAPÉ/INT.REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/QUARTO 12/COZINHA/NOITE

Heloísa chega à mesa com duas xícaras de chocolate quente. Goram sorri a ela.

GORAM – Atimã, então…tu é de Poços de Calda? Mineira uai?

Heloísa confirmou.

HELOÍSA – Sim…mas não pareço né? Não tenho muito sotaque por conta de ter estudado desde pequena em escolas que corrigiam isso.

GORAM – Égua mãe. Realmente ahániri tem, mas eu não diria que você é daqui também, o povo geralmente de capital tem um desapego as coisas simples, procuram sempre mais e mais por ñemokyre’y constantes, você parece ser do interior, é mais tímida.

HELOÍSA – Sim, sou muito recatada e do lar, né?

GORAM – Hesa’i, mas é mais nerd também. E você é filha única?

HELOÍSA – Não. Tenho um irmão mais velho.

GORAM – Ah é, verdade, aquele arai, ele foi te buscar no hospital, né?

HELOÍSA – Precisava que eu resolvesse algo para ele…

GORAM – Seria muito… mba’eporandu invasivo que algo foi esse?

HELOÍSA – Ele trai o namorado dele com uma mulher e acabou engravidando ela, mas o namorado dele não pode saber, porque se não eles rompem definitivamente. E eu me passei como a namorada não grávida que ele estava rompendo.

Goram acha engraçado, foi inevitável não se recordar da história de Bernardo com Pamela, mas não fez a associação de que ele poderia ser o irmão dela.

GORAM – Égua braba. Que história e que situação você…

O Celular dele toca. Ele percebe que é Meire.

GORAM – Égua! É Meire! Alô?

Heloísa fica um pouco incomodada com a ligação.

GORAM – O quê? Doutora Rita pay? Já estou indo para aí.

Ele se levanta apressado.

HELOÍSA – Para onde você vai?

GORAM – Vou para o hospital! Rita acabou de acordar das intoxicações, vou ver como há’e está!

Ele calçou rapidamente seu tênis, enquanto Heloísa sofria calada.

CENA 07/SÃO PAULO/SANTA EFIGÊNIA/INT.CASA DESCONHECIDA/QUARTO 12/SALA/NOITE

Com um balde de água fria, Ângela acorda. Ela dá de cara com Bernardo, os capangas estão ao lado.

BERNARDO – Neném acordou, eeeeee. Escuta aqui sua porca velha, você sugeriu para Pamela alguma coisa que estaria sequestrada? Nós estamos confiando em você como te deixamos ligar, mas se não quiser se machucar, é melhor ir nos contando, como é que descobriram nosso antigo cativeiro?

ANGELA – Eu não sei, não tenho a mínima ideia do que estão falando! Até quando vai me deixar presa?

BERNARDO – Até quando eu quiser. Estava até pensando em te soltar com aquela nossa ressalva, mas depois dessa brincadeira.

Reinaldo chega mostrando as filmagens.

REINALDO – Infelizmente não conseguimos ver quem era, a pessoa percebeu as nossas câmeras muito bem.

BERNARDO – INFERNO! INFERNO!

E chuta uns baldes que estavam no chão.

BERNARDO – Bando de incompetentes, incompetentes! Também foram colocar uma câmera daquele tamanho na área externa, qualquer um com dois olhos iria perceber. Eu mereço isso, eu mereço. Agora posso ser descoberto.

Close em seu rosto desesperado.

CENA 08/SÃO PAULO/PENHA/CASA DO ANDRÉ/INTERIOR/NOITE

Pamela senta no sofá de frente para Dona Eleonor.

ANDRÉ – Você quer alguma coisa, Pamela? Um suco? Água? Café?

PAMELA – Obrigada, querido, quero mesmo conversar com sua mãe.

ANDRÉ – Tudo bem, vou deixa-las a sós.

De pijama, ele beija a mãe.

ANDRÉ – Benção, mãe.

ELEONOR – Deus abençoe, filho.

Ele sai.

ELEONOR – E então, o que te trouxe aqui, minha filha? Quanto tempo não te vejo, fui vizinha da sua mãe há tanto tempo, aliás, como ela está?

PAMELA – Pois é exatamente isso que eu vim falar com a senhora.

ELEONOR – Sobre Ângela?

PAMELA – Sim. Minha mãe saiu de casa há alguns dias durante a noite e…quando ela me telefonou, foi muito tempo depois e disse que estava com Leda, acho que você deve se lembrar dela, em Campos do Jordão, vendendo roupa. Mas faz tanto tempo que minha mãe não faz isso, de repente ela resolve. Vim te procurar para te perguntar se você não teria o telefone de Leda para que eu possa ligar e perguntar se está tudo bem, minha mãe não me ligou mais.

ELEONOR – Nossa…realmente é uma história muito estranha. Falo com Leda esporadicamente e ela nunca me contou que havia voltado com as expedições por Campos do Jordão. Deixa eu pegar o número na minha agenda.

CORTE DESCONTINUO.

Embaçado no fundo. Ela olha e encontra o número. Nítido no fundo, Pamela sorri.

CORTE DESCONTINUO.

Eleonor repete a ligação e espera até o final.

ELEONOR – Não está atendendo. Nossa, mas essa história é tão estranha. Bom, o que posso fazer é deixar o telefone dela com você.

PAMELA – Por favor, continuo insistindo na ligação lá em casa.

CENA 09/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLÍMPIUS/INT. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO/UTI/NOITE

 

Meire ainda com sua roupa verde de RU sorri para Rita de cabelos raspados e abatida que parece conversar baixinho com ela. Goram chega de supetão com Heloísa.

GORAM – Doutora Rita, neko’e acordou?

Rita sorri para ele.

RITA – Goram! Que bom que veio me ver! Embora eu não esteja né? Expressando-me como eu queria.

MEIRE – Mas seu cabelão vai crescer de novo e daqui a pouco terá alta do hospital.

RITA – Eu sair do coma não significa que estou boa, acredito que eu ainda vou ficar alguns dias por aqui.

GORAM – Que mal lhe pergunte, mas porque fez isso com há’i sy?

RITA – É tão difícil falar sobre isso…por um momento eu achei que não valia mais a pena, chegar em casa, naquele apartamento silencioso, durante a noite, ilustrou um pouco como me sinto por dentro. Pessoas trans e eu me incluo aqui, porque não sou cis-normativa, são tratadas como lixo na nossa sociedade, eu ainda tenho privilégio de ter feito medicina, então não estou numa situação de marginalização. 

Heloísa se compadeceu um pouco, embora estivesse enciumada

RITA – Eu lembrei de ter sido atacada no estacionamento do hospital e pensei que eu estava fadada isso para o resto da minha vida.

GORAM – Isso não vai acontecer, eu te prometo. Mavas gostam, admiram você pela sua coragem, pelo seu olhar aos menos favorecidos. Tem muita gente que vai te nemo’ã

Ela tocou em suas mãos num gesto de agradecimento. Heloísa se sentiu mal.

HELOÍSA – Vou ir ao banheiro gente, dá licença.

CORREDOR DA UTI

Instrumental de drama médico começa a tocar.

Heloísa encosta a cabeça na parede quando percebe no corredor que corre aos fundos, eles transportando Hector para sala de cirúrgia, ela se aproxima, o corpo dele está muito hiperpigmentado.

HELOÍSA – O que foi? O Que aconteceu com ele?

GABRIELE – Estamos encaminhando ele para cirúrgia transesfenoidal, os níveis de ACTH dele estão elevados, descobrimos um adenoma na glândula pituitária que explica a síndrome cushingoide mesmo após a retirada das adrenais, ele cursa com Síndrome de Nelson.

Instrumental explosivo. Heloísa para de correr porque chega na barreira que é o corredor que desemboca sala de cirúrgia.

CENA 10/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS/MANHÃ

Imagens aéreas da cidade de São Paulo: Ponte Estaiada. Ceagesp. 25 de Março com seu comércio popular. Zoológico mostrando Girafas comendo folhas as mais altas árvores. Macacos brincando nos galhos e onças-pintadas rugindo para as famílias que ali passavam, indicando que o dia amanheceu.

CENA 11/SÃO PAULO/VILA MADALENA/INT. APARTAMENTO DE ADELAIDE/QUARTO DE GORAM/MANHÃ

Goram termina de organizar seus livros e esbarra numa estante.

GORAM – Égua, o que o sono não faz com o yvypóra

Themise aparece no corredor puxando sua mala e com o ursinho nas mãos.

THEMISE – Licença, Goram.

GORAM – Égua. A mala tava fora do koty?

THEMISE – Sim, ontem foi dia de faxina no apartamento de tia Adelaide a qual limpou tudo, colocando seus pertences na sala.

Ela entrega a pelúcia para ele.

GORAM – Hayhu tanto esse ursinho!

THEMISE – Tenho que falar contigo sobre ele. Mateus ontem esteve aqui e o viu?

Goram deixou os livros caírem do braço.

GORAM – Aquele jejuka esteve ontem aqui?! Viu o ursinho? Mas o que ele queria? Por Maíra! Como ele descobriu o meu endereço?

THEMISE – Ele é reitor da universidade Olímpius, Goram. Acho que isso explica.

GORAM – Mas me conta mais, como assim, ele viu o ursinho? Ele o reconheceu? Não vai me e’há’e que ele descobriu tudo.

THEMISE – Quase, se dependesse de tia Adelaide, ele saberia de tudo, porque bom ela não sabe nada do seu passado, mas foi por um triz, tive que intervi e falei a ele que tinha te dado o ursinho assim que chegou a São Paulo, veja se confirma essa história.

GORAM – Caralho, foi por muito pouco. Você salvou minha jeikove.

THEMISE – Imagina, não fiz nada que eu não queria que fizesse por mim se eu tivesse no seu lugar, mas se prepara porque ele quer falar contigo sobre a Olímpiada, pediu para você procura-lo assim que estivesse no campus.

CENA 12/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPOS UNIVERSITÁRIO OLIMPIUS/EXTERIOR/MANHÃ

Vitor se despede de Viviane, sua colega de rep e Miguel vai ao seu encontro.

MIGUEL – Cara, bom dia, saca só, Bolão vai estanhar nos aguardando hoje à noite no bar do Esteto.

VITOR – Não brinca?

MIGUEL – Mano, de hoje não passa, você vai descobrir exatamente qual é o segredo de Samuel.

VITOR – Segredo?

MIGUEL – Bolão jurou pelo face que é algo que vai deixa-lo para gente longe de ti.

Vitor sorriu animado.

CENA 13/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPOS UNIVERSITÁRIO OLIMPIUS/REITORIA/MANHÃ

Daniela abre a porta anunciando a chegada de Goram.

DANIELA – Professor Doutor Mateus, o aluno Goram já se encontra aqui.

Mateus virou a cadeira-giratória. Close no rosto vingativo de Goram.

MATEUS – Muito obrigado, querida. Agora pode ir. Seja bem-vindo, meu indiozinho predileto.

GORAM – Olá, Professor Doutor Mateus, tudo bem com o karai?

MATEUS – Karai para mim é gíria, meu rapaz. Pode me chamar de Mateus ou Matt, se quiser, ser formalidades, já estamos encaminhando para uma possível amizade.

Goram segurou a náusea.

GORAM – Égua…Estamos?

MATEUS – Claro que sim. Álias…

Ele se levanta e se serve de um pouco de conhaque que estava a um canto.

MATEUS – Quer um pouco de conhaque, queijinhos fritos? Albânia acabou de preparar.

GORAM – Muito obrigado.

MATEUS – Bom, já que você despensa, vou matar aqui.

Close super rápido em Goram que passava mal com aquela palavra proferida por ele.

MATEUS – Te chamei aqui porque resolvi ao invés de pagar um tradutor, ensinar-te inglês e espanhol com aulas particulares lá na mansão, irá precisar por conta do intercâmbio.

GORAM – Professor irá contratar professores para me mbo’e?

MATEUS – Não. Eu mesmo ficarei responsável por te ensinar.

Goram esboçou um sorriso. Teria mais informações para iniciar sua vingança.

MATEUS – E então, topa?

Goram sorriu.

GORAM – Tem como guevi diante uma proposta dessa?

Fechar em Mateus satisfeito.

CENA 14/SÃO PAULO/ SANTO AMARO/BURACO QUENTE/INT. CASA DE PAMELA/SALA/MANHÃ

Pamela finalmente consegue falar com Leda.

PAMELA – Oi Leda! Nossa, eu tô tão preocupada, finalmente consegui falar com você, Eleonor passou seu contato. Queria saber se está tudo bem com minha mãe aí em Campos do Jordão?

Silêncio. A Face de Pamela se transforma em pânico.

PAMELA – O quê? (Instrumental explosivo). A minha mãe não está com você? E você não está em Campos do Jordão? Pelo amor de Deus, Leda. Você tem certeza disso?

Silêncio.

PAMELA – Então, minha mãe desapareceu!

Close em seu rosto desesperado.

CENA 15/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO/INT. QUADRA DE BASQUETE/MANHÃ

 

Fabiana faz cesta e Luca apita anunciando o fim do jogo, com a camiseta molhada, Fabiana corre para o vestiário feminino acompanhada de algumas colegas de treino e Guto aparece batendo palma para ela.

FABIANA – O que você está fazendo aqui? Posso saber?

GUTO – Claro, que pode saber sim, gatinha.

E a puxa para perto de si e a rouba um beijo, as demais meninas ficam coradas e ao mesmo tempo dão super apoio.

Ao longe, instrumental dramático, Eliane assiste a tudo em lágrimas.

ELIANE – Fui inerte demais até aqui…

Ela manda mensagem para Samuel: “Me encontra hoje no bandejão na hora do almoço, precisamos bolar um plano para dar uma lição de vez nesta caloura neguinha”.

Fabiana que estava entregue aos beijos dele, afasta-se de repente.

FABIANA – Já falei para você não fazer isso, não tem a menor possibilidade de rolar algo entre nós…

Ele não espera ela terminar e na frente das meninas a dá mais um amasso.

CENA 16/RORAIMA/BOA VISTA/INT. APARTAMENTO DOS GUAJAJARAS/QUARTO DE ARAPONGA/MANHÃ

Ela fecha a porta do quarto animada, possuía um papel nas mãos. Ligou a tela do computador e acessou o bate-papo. Liga a câmera.

ARAPONGA – Você tá online, meu amor. Vou até ligar a câmera, tenho uma surpresa para você! Comprei a passagem de avião para São Paulo.

Nickname Paulistano Misterioso : Estava esperando tanto por isso. Quando você vem para cá?

ARAPONGA – Acho que não dá para ver, né? Mas no próximo dia 16. Liga a câmera para eu ver seu sorriso.

Nickname Paulistano Misterioso : Está bem!

Instrumental de suspense. Mostrar no computador uma mão de homem ajustando a câmera. Volta para a face de Araponga feliz.

ARAPONGA – Que sorriso lindo.

Corta nervoso para o computador. Instrumental bombástico. O Paulistano Misterioso era ninguém menos que Bernardo. CONGELA.

CONTINUA…

FADE OUT.

 

 

POSTADO POR

Charlotte Marx

Charlotte Marx

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr
>
Rolar para o topo