Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

Falso Amor – Capítulo 13

novela de
DÉBORA COSTA
com colaboração de
TAI ANDALUZ

revisão de texto
MARCELO DELPKIN

direção artística
WELLYNGTON VIANNA

personagens no capítulo

ÁGATA

BRUNO

CRISTINA

DANIELA

FLÁVIO

FREDERICO

GILBERTO

GLAUCO

JANETE

MÉDICO

RECEPCIONISTA

RÉGIS

ROBERTA

SUELI

TAMARA

Cena 1/Hospital/Sala de Espera/Int./Noite.

Roberta está sentada, preocupada. Cristina se aproxima.

CRISTINA

Roberta, o que aconteceu com Flávio?

ROBERTA

(se levanta, abraça Cristina, está preocupada) Eu não sei direito, Cris. Ee começou a passar mal. (o médico se aproxima) Flávio está bem?

MÉDICO

Está, mas porque o trouxeram a tempo. Ele teve uma reação alérgica a camarão.

CRISTINA

Mas Flávio nunca teve isso.

MÉDICO

É comum que essa alergia se desenvolva com o tempo.

ROBERTA

E tem cura pra isso?

MÉDICO

Não, e todo cuidado é pouco porque pode ser fatal.

CRISTINA

Podemos ver o Flávio?

MÉDICO

Podem sim.

ROBERTA

Obrigada.

Cena 2/Hospital/Quarto de Henrique/Int./Noite.

Henrique está deitado, tomando soro na veia. Roberta e Cristina entram. Roberta se aproxima de Henrique e segura a mão dele.

ROBERTA

Meu amor, eu sinto muito. Só queria te agradar.

HENRIQUE

Eu já estou melhor. O médico me explicou que acontece de desenvolver esse tipo de alergia.

CRISTINA

(se aproxima, segura a outra mão de Henrique) Felizmente o perigo já passou, meu amor. (acaricia o rosto de Henrique)

HENRIQUE

(se senta, afasta a mão de Cristina) Pois é.

Roberta observa Henrique. Cristina fica chateada. Régis entra.

RÉGIS

Está tudo bem?

CRISTINA

(se aproxima de Régis) Está sim.

HENRIQUE

Vocês se importam de me deixar a sós com Roberta?

RÉGIS

Claro que não, meu filho. Sua mãe e eu vamos esperar o médico te dar alta.

HENRIQUE

Não precisa. (a Roberta) Você pode me levar para a casa depois?

ROBERTA

Claro que sim.

RÉGIS

Está bem então.

CRISTINA

(se aproxima de Henrique, segura a mão dele) Eu amo você, Flávio. Não sei o que está acontecendo, mas eu quero que você saiba que é a pessoa mais importante da minha vida.

HENRIQUE

(fica com vontade de chorar de raiva; disfarça) Eu sei.

Cristina beija o rosto de Henrique e sai com Régis.

ROBERTA

Meu amor, por que está tratando sua mãe assim?

HENRIQUE

(enxuga as lágrimas, sorri) Não sei. Talvez ficar trancado dias naquele lugar mexeu comigo, com o emocional.

Roberta faz carinho no rosto de Henrique. Ele aprecia cada movimento da mão dela.

ROBERTA

Eu vou te ajudar. Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. Se você precisar, eu adio o nosso casamento, marco pra quando você se sentir melhor.

HENRIQUE

(segura e beija a mão de Roberta) Não, princesa, vamos deixar tudo como está.

ROBERTA

Tem certeza?

HENRIQUE

Tenho. Vamos nos casar na data que escolhemos.

ROBERTA

(sorri, beija Henrique) Eu te amo.

HENRIQUE

Também.

Cena 3/Rio de Janeiro/Favela/Barraco de Gilberto/Int./Noite.

Flávio está sentado na rede. Gilberto sentado numa cadeira de frente pro outro.

GILBERTO

Você se saiu bem hoje. Consegui recuperar uma parte da minha grana.

FLÁVIO

Como você conheceu a minha mãe?

GILBERTO

Na escola… No último ano. Pode não parecer, mas eu frequentei a escola.

FLÁVIO

Como começaram a se relacionar?

GILBERTO

Cristina era a garota mais linda e inteligente da escola, e eu me apaixonei por ela. Demorou um pouco, mas consegui conquistar Cristina. O namoro continuou depois da formatura dela, mas um dia ela descobriu tudo que eu fazia porque fui preso, e na delegacia contaram a ela que eu era assaltante, sequestrador e assassino. Matei um polícial… E ela terminou comigo.

FLÁVIO

Você disse que ela te traía com o meu pai. Quem te contou isso?

GILBERTO

Não interessa. Chega dessa conversa. Essa noite você vai ficar aqui, mas vou te deixar preso.

FLÁVIO

Você ainda ama a minha mãe?

GILBERTO

Você não cansa de fazer perguntas, playboy?

FLÁVIO

Preciso das respostas, afinal estou nesse lugar enquanto outro se passa por mim.

GILBERTO

No que depender de mim, você não terá resposta nenhuma. Alias, só uma. Se um dia eu amei Cristina, hoje a odeio dez vezes mais, e tudo que acontecer com ela de ruim será pouco.

Cena 4/Grupo Werneck/Recepção/Int./Dia Seguinte.

Tamara se aproxima do balcão de recepção e fala com a recepcionista.

TAMARA

Oi, bom dia! Eu quero falar com Flávio Werneck.

RECEPCIONISTA

Ele ainda não chegou.

TAMARA

Eu preciso muito falar com ele, é urgente. Tu pode me passar o endereço dele?

RECEPCIONISTA

Eu não tenho autorização para dar o endereço dele. Se você quiser pode ficar aqui e esperar que ele chegue.

Glauco está entrando.

TAMARA

Tu não entendeu ainda. É importante e urgente!

GLAUCO

(se aproxima) Algum problema?

RECEPCIONISTA

Essa moça quer falar com o Flávio e, como ele não chegou, ela quer que eu passe o endereço dele, mas eu não posso.

GLAUCO

(a Tamara) De onde você conhece o Flávio?

TAMARA

Não é da tua conta. Volto depois. (sai)

GLAUCO

(sorri; à recepcionista) Flávio tem umas amizades estranhas.

Cena 5/Mansão dos Werneck/Suíte de Flávio/Int./Dia.

Henrique está sentado, pensativo e com raiva. Pega o celular e liga para Parceiro.

HENRIQUE

Parceiro, sou eu, Henrique. Presta atenção: pede uma grana pro Gilberto e vem para São Paulo agora. Você tem que estar aqui até antes de anoitecer. Tenho um plano, e você vai me ajudar. Te ligo depois para combinar melhor. (desliga, fica sério) Hoje eu vou ver o circo pegar fogo. (sorri)

RÉGIS

(entra) Como você está se sentindo, Flávio?

HENRIQUE

Melhor.

RÉGIS

Que bom. Hoje você pode ficar aqui se quiser.

HENRIQUE

Então vou aproveitar para ir até a fundação da Cristina.

RÉGIS

(se senta ao lado dele) Meu filho o que está acontecendo com você? Por que está chamando sua mãe pelo nome dela?

HENRIQUE

(disfarça) Nem eu sei. Quando vejo, já falei.

RÉGIS

Cris está muito chateada com suas atitudes em relação a ela. Antes você não era assim.

HENRIQUE

Eu vou até a fundação. Ela vai ficar feliz.

RÉGIS

É, vai sim. Eu tenho que ir trabalhar; mais tarde nos falamos. (se levanta, sai)

HENRIQUE

Chateada é muito pouco para ela. Se prepara, Cristina. Hoje você vai sofrer. (sorri)

Cena 6/Casa de Janete/Sala/Int./Dia.

Janete está de saída. Bruno se aproxima.

BRUNO

Bom dia, mamãe.

JANETE

Bom dia. O que faz acordado cedo?

BRUNO

Eu vou na fundação da tia Cris.

JANETE

O que tanto você quer lá, Bruno?

BRUNO

Você se preocupa comigo agora?

JANETE

Eu quero saber o que está te atraindo para a fundação.

BRUNO

Eu ajudo a tia Cris, só isso.

JANETE

Pois pare com isso. Seu lugar não é lá. Seu pai e eu te queremos no grupo Werneck.

BRUNO

(sorri) Ainda bem que não estou nem ai para o que vocês querem. (sai)

JANETE

(fica séria) Não vou deixar o meu filho naquela fundação de quinta.

Cena 7/Mansão dos Werneck/Sala de Jantar/Int./Dia.

Silvia toma café à mesa. Cristina se junta à primeira.

CRISTINA

Bom dia.

Silvia não responde. Henrique entra e também se senta.

HENRIQUE

Bom dia.

SILVIA

Bom dia, querido.

CRISTINA

Bom dia. Você está melhor?

HENRIQUE

Estou ótimo, tanto que vou com você até a fundação.

CRISTINA

(sorri feliz) Que bom, meu amor! As crianças estão com saudade de você.

Henrique sorri e pega café. Cristina estranha a atitude dele.

CRISTINA

Desde quando você toma café?

HENRIQUE

Peguei o habito. Eles me serviam muito café, e como não tinha muito o que comer…

CRISTINA

Entendo, querido.

SILVIA

Flávio, você não vai mesmo denunciar à polícia o seu sequestro?

HENRIQUE

Não. Eles disseram que se a polícia for atrás deles, eles voltam e me matam.

CRISTINA

Isso não! Vamos deixar tudo como está.

FREDERICO

(entra e se senta) Bom dia.

CRISTINA

Bom dia.

FREDERICO

Cris, eu quero fazer uma doação para a sua fundação.

SILVIA

Você está louco?

FREDERICO

Não, o dinheiro é meu, e eu faço o que quiser com ele.

CRISTINA

Não briguem. Frederico, eu agradeço, mas não vou aceitar. Não quero me envolver em uma confusão.

SILVIA

Eu odeio quando você se faz de sonsa, sabia?

Henrique sorri, mas disfarça e toma mais um gole de café.

FREDERICO

Eu vou fazer uma doação e pronto. Está decidido.

CRISTINA

(se levanta) É melhor nós irmos, querido.

HENRIQUE

Vai na frente. Daqui a pouco chego lá.

CRISTINA

Tudo bem. (sai)

SILVIA

(a Frederico) Você está fazendo isso para me irritar!

FREDERICO

(se levanta) Exatamente. (sai)

SILVIA

(raiva) Imbecil!

HENRIQUE

Relaxa, vovó. É isso que eles querem: te ver assim. Mostre superioridade sempre.

SILVIA

Flávio, essa sua mudança é espantosa.. (sorri) Mas eu estou adorando.

Henrique sorri.

Cena 8/Grupo Werneck/Entrada/Ext./Dia.

Régis estaciona seu carro e desce. Ágata se aproxima sorridente.

ÁGATA

Bom dia, Régis.

RÉGIS

Vai me perseguir agora?

ÁGATA

Não, eu estava passando por aqui e te vi. Vamos tomar um café.

RÉGIS

Eu tenho mais o que fazer do que tomar café com você.

ÁGATA

(sorri) Qual o problema em tomar café comigo, tio?

RÉGIS

Falou tudo agora. Sou seu tio, marido da sua tia Cris. Ccom licença.

Régis entra no prédio do Werneck. Ágata sorri.

Cena 9/Grupo Werneck/Recepção/Int./Dia.

Tamara está sentada. Vê Régis entrando na empresa, se levanta e se aproxima dele)

TAMARA

Régis?

RÉGIS

Sim?

TAMARA

Tu não me conhece, mas sou amiga do Flávio. Preciso falar com ele, é urgente.

RÉGIS

Meu filho não virá aqui hoje. Quer deixar recado?

TAMARA

Não, eu preciso do telefone dele. Perdi já faz um tempão.

RÉGIS

De onde você conhece o meu filho?

TAMARA

(pensa) Da aula de música.

RÉGIS

(fica sério) Não quero saber do meu filho metido nisso.

TAMARA

O assunto é outro, te garanto.

Régis pega uma caneta do bolso, pega um pedaço de papel da mesa da recepção, anota o número de Flávio e entrega a Tamara.

RÉGIS

Ai está. (entra no elevador)

TAMARA

(sorri, feliz) Agora sim, Henrique. Tu vai ter uma surpresa.

Cena 10/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.

Daniela está sentada à mesa junto com Flávio, que toma suco.

FLÁVIO

Eu pensei que não voltaria pra esse lugar.

DANIELA

A porta é de ferro. Gilberto se sente mais seguro com você aqui.

FLÁVIO

Eu queria tanto estar com a minha família, com a minha noiva…

DANIELA

Você a ama muito, não é? Já te ouvi falando o nome dela enquanto dormia… Roberta.

FLÁVIO

(sorri) É, e ela me ama muito também. Nos conhecemos desde a época da escola. (fica triste) Só em pensar que Henrique está com ela, enganando/

DANIELA

(segura a mão de Flávio) Não fica pensando nessas coisas, que só piora tudo.

FLÁVIO

É impossível não pensar/

DANIELA

Eu tenho que ir porque vou levar o Tico para a escola, mas volto depois.

FLÁVIO

Eu queria te pedir duas coisas: a primeira é que quero conversar um pouco com o Tico.

DANIELA

Não sei se vou poder trazer ele aqui.

FLÁVIO

Gilberto me deixou sair um pouco daqui. Claro que vou ser vigiado, mas vai ser fácil conversar com o menino assim.

DANIELA

Tudo bem, e a outra coisa?

FLÁVIO

Não tenho nada para fazer aqui. Você poderia me arrumar um violão?

DANIELA

(pensativa) Vou ver se consigo um. Até logo. (sai)

FLÁVIO

(pensativo) Até quando vou ficar nesse lugar?

Cena 11/Fundação Cristina Werneck/Ext./Dia.

Henrique entra. Anda pela fundação atento, olha as câmeras de segurança e continua caminhando. Sueli se aproxima e sorri.

SUELI

Flávio! Que bom te ver aqui.

HENRIQUE

(sorri um pouco) Obrigado.

SUELI

Veio dar aula?

HENRIQUE

Não, eu vim para matar a saudade daqui.

SUELI

Entendi. Bem, eu tenho que atender uma criança agora. Com licença. (sai)

HENRIQUE

(a si mesmo) Onde fica a sala da Cristina?

Roberta se aproxima por trás de Henrique, tampa os olhos dele com as mãos e sorri.

ROBERTA

Adivinha quem é?

Henrique sorri, segura e beija as mãos de Roberta sem se virar.

HENRIQUE

Minha princesa!

Ele se vira de frente para Roberta, a olha, sorri e a beija. Depois ela olha pra ele e sorri um pouco.

HENRIQUE

O que foi?

ROBERTA

Nada.

HENRIQUE

Como nada? Você ficou estranha de repente.

ROBERTA

É que as vezes te sinto diferente… nos beijos, da maneira de me tratar, da forma como você age.

HENRIQUE

(sorri) E você gosta disso? Gosta do novo Flávio?

ROBERTA

(sorri) Não existe um novo Flávio, meu amor. Eu entendo que você passou por algo difícil e que isso mexeu com a sua cabeça.

HENRIQUE

Verdade. Roberta, você quer sair comigo essa noite? Vamos a alguma balada.

ROBERTA

Balada? Você quer ir a uma balada?

HENRIQUE

Por que não? (sorri)

ROBERTA

Porque você nunca gostou de balada.

HENRIQUE

Eu percebi o quanto estava sendo babaca, minha princesa. Me deu vontade de ir e gostaria que você fosse comigo.

ROBERTA

Hoje não vai dar, meu amor. Tenho que preparar a prova das crianças.

HENRIQUE

Tudo bem.

ROBERTA

É melhor eu ir, se não as crianças vão destruir a sala de aula. Tenho que falar com a Cris.

HENRIQUE

Vou com você.

Henrique beija Roberta e sai com ela.

Cena 12/Fundação Cristina Werneck/Sala de Cristina/Int./Dia.

Cristina está sentada, mexendo no computador. Henrique e Roberta entram.

CRISTINA

(sorri) Oi.

ROBERTA

Cris, eu vim pegar os exercícios que deixei aqui.

CRISTINA

(entrega uma pasta para Roberta) Aqui está, querida.

ROBERTA

(pega a pasta) Obrigada. Já vou. (sorri para Henrique, sai)

HENRIQUE

(se senta de frente para Cristina) Por que você dá toda essa atenção e assistência para essas crianças?

CRISTINA

Você sabe, meu filho.

HENRIQUE

Quero ouvir de novo.

CRISTINA

Bem, eu ajudo crianças praticamente desde quando você nasceu. A fundação foi um presente do seu pai. Ele sempre soube que me faria bem.

HENRIQUE

Por quê?

CRISTINA

Não estou entendendo essas perguntas, meu filho.

Henrique se levanta, se aproxima de Cristina e vira a cadeira onde ela está sentada. Apoia as mãos nos braços da cadeira e a olha nos olhos.

HENRIQUE

Eu acho que você faz isso por ter cometido um erro no passado e agora quer fazer o bem para se sentir menos culpada.

CRISTINA

(assustada) Não sei de onde você tirou, Flávio. Nunca fiz nada a ponto de me sentir culpada.

HENRIQUE

(com raiva, chacoalha a cadeira de Cristina) A culpa e o remorso não devem fazer parte da sua vida, não é?

CRISTINA

(com vontade de chorar, olha Henrique nos olhos) Por que está agindo assim, meu filho? O que falaram pra você?

HENRIQUE

(solta a cadeira de Cristina, se afasta, a olha) Esquece. Não é nada com você. (sai)

CRISTINA

(chora, pega o celular, liga para Régis) Régis?

RÉGIS

(preocupado) Cris, o que aconteceu. Por que está chorando?

CRISTINA

(chorando) Régis, eu preciso muito te ver. Você pode vir até a fundação?

RÉGIS

Claro que sim. Estou indo, meu amor.

Cristina desliga o celular e chora.

Cena 13/Fundação Cristina Werneck/Frente/Ext./Dia.

Henrique está saindo da fundação, com raiva. O celular toca, e Henrique atende.

HENRIQUE

Alô?

TAMARA

(se aproxima, sorri) E ai, Henrique? Aproveitando a vida do Flávio?

Henrique vê Tamara sem acreditar e com raiva.

Fim do Capítulo

POSTADO POR

Débora Costa

Débora Costa

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr
  • >
    Rolar para o topo