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Falso Amor – Capítulo 35

Novela de Débora Costa

Escrita Por

Débora Costa e Tai Andaluz

Revisão de Texto

Marcelo Delpkin

Direção Artística

Wellyngton Vianna

Núcleo

Cyber TV

Personagens no capítulo

ÁGATA

BRUNO

CRISTINA

DANIELA

EDGAR

FLÁVIO

HENRIQUE

JANETE

MIGUEL

ROBERTA

SUELI

TAÍS

TICO

Cena 1/Int./Apartamento de Roberta/Sala/Dia.

ROBERTA

(chora) Fala alguma coisa! Eu exijo saber a verdade.

HENRIQUE

Quem te contou?

Roberta se senta e coloca a mão no rosto, chorando.

ROBERTA

Eu ainda tinha a esperança de ouvir você falar que isso é um absurdo, que você é Flávio e que inventaram isso!

HENRIQUE

Foi a Cristina que te contou?

Roberta se levanta nervosa e dá um tapa no rosto de Henrique. Grita.

ROBERTA

Não interessa quem me contou! Você mentiu pra mim! Eu quero saber a verdade!

Henrique coloca a mão no rosto.

HENRIQUE

Como você já está sabendo, não sou o Flávio, princesa. Meu nome é Henrique.

Roberta se afasta de Henrique; está com raiva.

ROBERTA

Não me chama assim! Eu quero saber o que você fez com o Flávio e como ficou no lugar dele. Vocês são mesmo irmãos ou deu sorte de se parecer com ele? Porque nem a Cris e nem o Flávio falaram sobre um gêmeo.

HENRIQUE

Aquele babaca nunca soube da minha existência. Ninguém sabia, só Cristina, e ela nunca falou nada porque ela me deu. Você acha que a Cristina é boa como aparenta, mas está enganada. Ela se livrou de mim porque só um filho era suficiente para segurar Régis.

Roberta olha indignada para Henrique.

ROBERTA

Cristina jamais faria uma coisa dessas. Se ela cuida de crianças que não são dela, por que iria se desfazer de um filho?

HENRIQUE

Ela me deu pro Gilberto, que teve um caso com ela no passado, e a Cristina traiu ele com Régis pela grana.

ROBERTA

Você está falando de outra Cristina e não dessa que conheço.

HENRIQUE

Você quer saber a verdade, e eu estou contando. Eu cresci sabendo que ela me desprezou, que, enquanto eu sofria na favela, o playboy tinha do bom e do melhor. Me vingar de Cristina era uma vontade que tinha desde que me conheço por gente. Até que Gilberto viu um momento ideal para que eu trocasse de lugar com Flávio. Bolamos o sequestro, vim no lugar do Flávio, e ele está preso. Passei a usufruir de tudo que me negaram e deram a ele.

Roberta se senta triste.

ROBERTA

Você me usou, Henrique. Me enganou. Me casei com você achando que era Flávio. Eu me entreguei a você achando que era o homem que eu amo.

Roberta chora. Henrique se aproxima dela e se abaixa em frente à cadeira em que ela está sentada.

HENRIQUE

Princesa, eu posso ter mentido em muitas coisas desde que cheguei aqui, mas uma coisa é verdadeira: meu amor por você. Agora eu posso te falar tudo o que sempre quis. Odeio quando você me chama de Flávio. Morro de ciúmes.

Roberta se levanta e se afasta de Henrique, nervosa.

ROBERTA

Você é totalmente louco! Queria que eu te chamasse de Henrique como? Sendo que eu nunca poderia imaginar uma coisa dessas, que você não era Flávio. Vocês são idênticos!

HENRIQUE

Nem tanto. Eu não sou imbecil como ele.

ROBERTA

Cansei de ficar aqui falando com você. Sai daqui.

HENRIQUE

Essa aqui não é mais a sua casa. Nós temos uma casa onde vamos morar juntos. Somos casados.

ROBERTA

Esse casamento não valeu! Você não é Flávio! Eu não vou a lugar algum com você! Sai daqui! Eu nunca mais quero olhar pra sua cara!

Henrique se aproxima de Roberta.

HENRIQUE

Eu não quero te mostrar um lado meu que todo mundo conhece, Roberta. Não sei se quem te contou sobre mim contou que sou perigoso.

ROBERTA

Está me ameaçando?

HENRIQUE

Sou incapaz de te fazer mal porque como já disse eu te amo como realmente nunca amei na vida, mas odeio Cristina e Flávio. Para eles, tenho prazer em causar qualquer tipo de sofrimento, o que pode acontecer se você não vier para nossa casa comigo. Você sabe a verdade, as pessoas não, e eu quero que continue assim.

As lágrimas escorrem no rosto de Roberta.

ROBERTA

Realmente você e Flávio são diferentes… Ele jamais agiria como você.

HENRIQUE

Eu sei, e por isso ele é um otário. Então, princesa, vamos para a nossa casa? Ou, se você preferir, posso mandar incendiar a nova Fundação da Cristina. Já fiz isso uma vez e fazer de novo não me custa nada.

ROBERTA

Eu vou com você, mas antes quero falar com a Cris.

HENRIQUE

Está bem. Vou te levar até a casa dela para vocês conversarem e já adianto que ela vai inventar um monte de coisas.

ROBERTA

Outra coisa, Henrique… Não quero mais que você me toque. Você já se aproveitou o suficiente de mim.

Roberta abaixa a cabeça, triste. Henrique levanta o rosto dela delicadamente e a olha.

HENRIQUE

Te amo demais para deixar que outro tivesse você pela primeira vez.

Roberta dá um tapa no rosto de Henrique e chora.

ROBERTA

Odeio você, Henrique!

Henrique fica chateado, mas disfarça.

HENRIQUE

Na frente de todo mundo você vai me amar e vai estar muito feliz.

ROBERTA

Só não sei quanto tempo vou aguentar fingir estar feliz ao seu lado sem vomitar!

Roberta sai. Henrique vai atrás dela.

Cena 2/Int./Fundação Frederico Werneck/Sala de Sueli/Dia.

Edgar entra com um envelope na mão e o entrega para Sueli.

EDGAR

Chegou o resultado do DNA.

Sueli está aflita e devolve o envelope para Edgar.

SUELI

É melhor você abrir e me falar o resultado.

Edgar abre o envelope. Lê o resultado do exame, olha sério para Sueli e depois sorri.

EDGAR

Tico é mesmo seu filho.

Sueli fica muito feliz e abraça Edgar, emocionada.

SUELI

Eu sabia, Edgar! Acabou a procura. Meu filho finalmente está comigo!

EDGAR

Fico muito feliz por você, Sueli. Parabéns!

SUELI

(emocionada) Por favor, Edgar, vai chamar meu filho. Preciso dar a notícia pra ele.

EDGAR

Eu vou, sim. Ele deve estar tendo aula com o Luciano.

Edgar sai. Sueli está feliz e emocionada. Depois de alguns segundos, Edgar entra com Tico. Sueli se abaixa para olhar Tico nos olhos.

SUELI

Tico, eu tenho uma notícia para te dar. O resultado do exame que a gente fez saiu. Você é mesmo meu filho!

Sueli abraça Tico.

TICO

(feliz) Eu queria muito isso!

SUELI

E eu, então, meu amor? Você não sabe como eu te procurei.

EDGAR

Só falta uma coisa: saber o nome que a sua mãe te deu.

TICO

Eu tenho nome: é Tico.

SUELI

Claro, meu amor. Vamos continuar te chamando de Tico se você quiser, mas o nome que eu te dei foi Mateus.

Tico olha Sueli, pensativo.

TICO

Até que é um nome legal.

Sueli abraça Tico, feliz. Edgar a observa e sorri.

Cena 3/Int./Fundação Frederico Werneck/Sala de Cristina/Dia.

Cristina está olhando alguns documentos. Bruno entra empurrando a cadeira de rodas de Ágata.

BRUNO

Com licença, tia. Eu trouxe a Ágata porque ela insistiu muito.

CRISTINA

Aconteceu alguma coisa?

ÁGATA

Aconteceu. Estou morrendo de tédio naquele apartamento sozinha e, sem ter o que fazer, papai, Bruno e Luciano passam mais tempo aqui do que comigo, então eu resolvi que quero trabalhar aqui.

CRISTINA

Você resolveu… Sem nem saber a minha opinião?

BRUNO

É o jeito dela, tia.

ÁGATA

Bruno, eu não preciso de porta-voz.

CRISTINA

Ágata, admiro sua coragem de vir até mim e pedir que eu a contrate, mas a minha resposta é não.

ÁGATA

Por favor… Eu estou me esforçando muito para mudar, acredite. Muito mesmo. Nas minhas condições não vai ser fácil ser contratada. Eu faço de graça meu trabalho, divulgo sua Fundação, crio eventos para arrecadar fundos e o que mais você quiser. Me dá uma chance.

CRISTINA

(pensativa) Está bem, Ágata. Você pode trabalhar aqui, mas faço isso pelo seu pai, que sempre foi um grande amigo.

ÁGATA

Obrigada, Cris. Você não vai se arrepender.

CRISTINA

Assim espero.

Cena 4/Int./Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Dia.

Daniela está ouvindo Flávio cantar e tocar violão. Ela sorri e o admira. Flávio termina a música.

DANIELA

Eu adorei essa música, Flávio. Nunca tinha escutado antes.

FLÁVIO

Antes ela não existia. Eu fiz para você.

Daniela se admira.

DANIELA

Pra mim?

Flávio segura a mão de Daniela e a olha nos olhos.

FLÁVIO

Sim, Daniela. Você faz esse pesadelo que estou vivendo ser tão leve. Eu te amo muito.

DANIELA

Você disse que… me ama?

FLÁVIO

(sorri) Disse e repito: eu te amo.

DANIELA

Flávio, você me ama como amiga ou ama de amar mesmo?

Flávio dá risada, beija Daniela e sorri.

FLÁVIO

Eu te amo mesmo, para ser minha namorada.

Daniela fica feliz e sorri emocionada.

DANIELA

Mas e a Roberta?… Você e ela são noivos.

FLÁVIO

Isso é algo que tenho para resolver, Daniela. Pra mim, Roberta era a única mulher com que eu poderia me casar, até passar por tudo que passei e te conhecer. Eu amo Roberta, sim, mas não da forma como te amo. Desejo bem a ela, tanto que quero tirar Roberta das garras de Henrique.

DANIELA

Flávio… Vamos esperar você sair daqui e se reencontrar com ela. Daí vou querer saber se você ainda me ama e, se ainda me amar, daí sim vamos conversar melhor.

FLÁVIO

Eu sei o que estou sentindo, mas se você quer assim, tudo bem, Daniela. Eu entendo você.

DANIELA

Obrigada. Porque eu sei que te amo, mas tenho medo que, quando isso acabar, você volte com a Roberta, e isso vai me doer muito.

FLÁVIO

Pode ficar tranquila, Dani. Não vou te magoar.

Daniela sorri e beija Flávio.

Cena 5/Int./São Paulo/Grupo Werneck/Sala de Miguel/Dia.

Miguel entra com Taís.

TAÍS

Eu adorei conhecer o grupo Werneck. Deve ser muito bom trabalhar aqui.

Miguel se senta.

MIGUEL

Estou precisando de uma assistente. Se te interessar, você pode ficar com a vaga.

TAÍS

(sorri) Obrigada, Miguel. Eu vou aceitar, sim. Quero ficar aqui em São Paulo por causa da Roberta. Perdi muito tempo ficando longe dela.

Janete entra e olha Taís.

JANETE

Taís? Você por aqui?

TAÍS

Oi, Janete. Eu vim conhecer o grupo Werneck.

JANETE

Aqui não é ponto turístico, sabia?

MIGUEL

Janete, deixa de ser grossa e me diz o que veio fazer aqui?

TAÍS

Eu não quero atrapalhar, Miguel. Vou deixar vocês a sós. Mais tarde ligo confirmando nosso jantar. Até logo.(sai)

JANETE

Você está me traindo com a Taís?

MIGUEL

Não, mas já vou te adiantar que estou muito interessado nela.

JANETE

E você me diz isso assim? Como se fosse normal você, namorando comigo, se interessar por outra.

MIGUEL

Janete, você não gosta de mim e eu não gosto de você. Nos damos bem na cama e só. Agora, com a Taís foi mais forte, e eu pretendo me aproximar dela, então qualquer tipo de relacionamento que estávamos tendo acabou.

Janete fica com raiva.

JANETE

Desgraçado! Você não pode me deixar assim!

MIGUEL

Já deixei e não se esqueça que sou seu patrão, então me respeite ou eu te demito.

Janete sai bate a porta. Miguel sorri.

Cena 6/Mais Tarde/Int./Mansão Werneck/Sala/Dia.

Roberta entra, está aflita, Cristina se aproxima.

ROBERTA

Cris! Que bom que te encontrei! Eu fui até a Fundação, e me disseram que você veio para cá.

CRISTINA

O que aconteceu, querida?

ROBERTA

(chora) Eu já sei de tudo, Cris, que esse tempo todo eu estava com Henrique e não com o Flávio.

Cristina abraça Roberta.

CRISTINA

Querida, fica calma. Eu sempre quis te contar a verdade, mas tive medo do que poderia acontecer com Flávio.

ROBERTA

Henrique me disse um monte de absurdos sobre você, e eu quero saber o que aconteceu, por que ninguém sabia que Flávio tinha um irmão gêmeo.

CRISTINA

Eu vou te contar, sim. Foi Henrique que te contou?

ROBERTA

Não, me deixaram uma mensagem. Uma mulher, mas não faço ideia de quem seja. Me conta, Cris. Conta a história.

CRISTINA

Vou te contar, Roberta.

Cena 7/Int./Grupo Werneck/Sala de Janete/Dia.

Janete está sentada de costas para a porta, falando ao celular.

JANETE

Gilberto, problema seu se Henrique não entrou mais em contato. Ele está em lua de mel com aquela garota sem graça.

Henrique entra. Janete não percebe e dá risada.

JANETE

Fico imaginando a Roberta com Henrique pensando que é Flávio. A imbecil nem sonha que está dormindo com um estranho. Gilberto, a melhor coisa que fizemos na vida foi ter tirado o filho da Cristina.

Henrique fica sério, com vontade de chorar. Vira a cadeira de Janete de frente para ele e a encara com raiva. Janete se assusta.

HENRIQUE

Repete isso que acabou de falar!

Janete encara Henrique.

Fim do Capítulo

POSTADO POR

Débora Costa

Débora Costa

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