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Incognoscível 2 | Episódio 2×13 – Sacrifício

 

YEDA

As ruas de Monte Verde estavam um caos. Os moradores corriam de um lado para o outro, assustados com os tiros e com a explosão da delegacia. Por algumas horas a cidade havia se tornado um pequeno campo de batalha.

O sol estava a pino quando a delegada Yeda e o delegado Valter estacionaram no pátio da delegacia. Ela olhou para o prédio e sentiu uma angústia apertar seu peito. Aquele era seu local de trabalho, não deveria ver o edifício naquelas condições.

Os bombeiros chegaram em seguida, rapidamente acionaram a mangueira e apagaram as chamas.

A fachada da delegacia estava escura com o calor das chamas. O jardim na entrada estava destruído. Parte do teto desabou. Todos os equipamentos, computadores e arquivos foram incinerados. Dois detentos morreram carbonizados.

Uma ambulância chegou e estacionou próximo. Os salva-vidas correram em direção a um homem caído ao lado dos destroços. A delegada também se aproximou. Ela reconheceu o senhor Manuel. Ele estava com o rosto ferido e o sangue cobria seu corpo.

Os paramédicos o ergueram do chão e o puseram na maca, encaminhando-o para o pronto-socorro.

A delegada procurou por Lucas, mas não o avistou. Será que ele ficara preso na delegacia, e morrera carbonizado? Ela perguntou para alguns curiosos se não viram outro homem jovem e ferido, mas ninguém confirmou. E agora, onde o Lucas estava?

 

 

EPISÓDIO: SACRIFÍCIO

 

 

JADE

O Complexo Fantasma era um prédio cheio de alas e corredores. O lugar tinha um muro enorme que cercava todo o perímetro. Era uma verdadeira fortaleza, uma prisão de segurança máxima.

Cada detenta era responsável por cuidar de uma ala, e em cada ala havia salas. Algumas salas eram abandonadas, outras eram verdadeiros depósitos. No começo, as mulheres pediam pra ficar nas melhores alas, que eram aquelas que tinham salas vazias. Mas quem decidia isso, era Pimentel, que organizava tudo de maneira metódica.

As mulheres eram monitoradas em todas as suas atividades, e quem não fizesse o serviço ou que fizesse corpo mole, era penalizado com castigos severos, ou até mesmo à solitária, uma saleta imunda que ficava próxima a arena.

Além do campo com uma grama bem verdinha, o local tinha uma arena que se assemelhava a um coliseu romano. A arquitetura cheia de colunas e arquibancadas lembrava os antigos locais de recreação romana. Ali era o palco que Babemco estava montando para o seu grande show.

Pimentel pôs todas as garotas no pátio e liberou-as para o serviço. Olhou para Jade e lhe designou para a ala 07. Disse que ela teria que limpar todas as salas que faziam parte desse recanto.

As meninas se entreolharam ao saber que Jade ficaria responsável pela ala 07. Havia um interesse especial pelo laboratório de informática, que ficava nessa ala. Mas, elas não sabiam se poderiam confiar em Jade, ao ponto de revelarem o plano que estava suspenso. Pois no momento, nenhuma das detentas era responsável pela ala 07. Mas agora, com Jade, as coisas poderiam mudar. Elas consideraram contar o plano de fuga para a novata. Será que Jade era confiável?

**

Cansaço e fome eram o que todas as mulheres sentiam após longas horas de serviço. Entraram no refeitório e foram servidas por um guarda magricela, responsável pela cozinha.

A comida era péssima, sem gosto e sem sal. A carne cozida estava dura e o feijão aguado. Jade comeu aquilo imaginando outra coisa. Estava tentando enganar seu cérebro de que aquilo era algo extremamente delicioso.

Esther sentou ao seu lado e perguntou se ela queria sua comida. Jade aceitou.

Antes que a jovem de tapa-olho pudesse abrir a boca e falar qualquer coisa com Jade, Dragão passou próximo à mesa em que estavam, e com o indicador, fez sinal de silêncio para Esther. Ela somente balançou a cabeça concordando.

– Não precisa sentar comigo – avisou Jade, com a boca cheia de alface.

– Tudo bem. Tá suave.

Esther remexeu no resto de carne que estava na bandeja. Era visível que ela queria compartilhar algo, mas não podia.

– Você tá melhor do abdômen? – perguntou a detenta para Jade.

– Bem melhor.

– Se precisar de algo, pode contar comigo, ok?

Jade sorriu com aquilo. A garota era simpática e estava se esforçando para construir uma amizade.

– Você é muito gentil, Esther. Muito obrigada por tudo que está fazendo por mim – disse Jade, limpando a gordura da boca.

As duas sorriram.

– Como que é o seu filho?

– Ai, eu tô com tanta saudade do Cícero. Ele é um amôzinho. Tão dengoso. Ele ama comer fruta. Adora melancia e pera.

 – Ele já anda?

– Já sim. Ainda cambaleia bastante, mas tá andando sim.

– Eu quero conhecer o Cícero.

– Você já é titia dele.

– Às vezes eu tenho medo de ser mãe. Como é?

– É algo incerto, mas ao mesmo tempo tão arrebatador que nada pode frustrar esse plano. A gente acha que sabe como é cuidar de um filho, mas a gente não sabe. Mas vou te contar que no final, o amor que a gente sente é tão intenso que supera toda incompetência que você tiver. Você aprende a cuidar na marra. É tão gratificante. Como se eu não precisasse mais nada na vida, só cuidar dele. Eu amo ser mãe, e tenho certeza que você vai amar também.

**

LUCAS

Lucas acordou com um jato d’água na cara. Deu um pulo, assustado e confuso. Percebeu que estava no banco traseiro de um jipe, parado no encostamento de uma estrada de terra. Um homem de meia idade, com olhar ameaçador estava diante dele.

– Droga! O que você tá fazendo? – gritou Lucas para Capeto.

– Eu que pergunto que merda você tava fazendo na delegacia? – com uma voz grave e impaciente.

Lucas viu quando Capeto entrou na delegacia, rendeu o único policial, algemando-o, para em seguida carregar os quatro galões de combustível em um carrinho de mão. Ele também lembrou de Capeto ordenando que todos corressem, pois o local iria para os ares. Em poucos segundos a delegacia explodiu, expelindo uma grande bola de fogo.

– Que merda foi aquilo? Por que você explodiu a delegacia? – perguntou Lucas, eufórico.

Capeto parecia surpreso com a pergunta dele.

– Do que você tá falando idiota? Foi um plano seu, esqueceu?

– Eu não fiz aquilo.

– Eu não tô pra brincadeira. Vamos logo que nós temos uma longa viagem.

– Eu quero voltar pra cidade – pediu Lucas.

– Tá louco?! Você foi reconhecido pela delegada, ela vai te deixar pelo menos uns dez anos preso. Precisamos seguir o plano.

– Eu não tô entendendo? Por que a delegada iria me prender?

– Por que foi você que sequestrou Jade e o bebê dela. Foi você que levou aquela mulher para Babemco e agora a polícia tá atrás de você – Capeto mentiu.

– Por que eu iria sequestrar essa mulher e o filho dela?

– Você perdeu a memória mesmo? Fruta que caiu! Não acredito que vou ter que te contar toda sua vida.

– Acho que sim.

– Você lembra que trabalha para o Babemco? – perguntou Capeto.

– Não lembro de nada. Nem sei quem é esse Babem… Babeno?

– Vamos andando. Eu te conto tudo no caminho – disse Capeto, dando partida no jipe. Agora, um plano maligno começava a tomar forma na sua cabeça.

**

JADE

O dia começava a declinar quando Pimentel entrou na cela das mulheres. Ele andava relaxado como se fosse o dono do mundo, e o anão Batman sempre estava ao seu lado, como um cão de guarda.

– Todas de pé!

As meninas levantaram e ficaram diante do homem.

– Hoje vocês irão participar de um grande evento. A grande consagração do Deus Sol! – levantando as mãos, empolgado – E para isso, precisamos de uma de vocês. Haverá uma cerimônia e vocês irão lutar.

As meninas se olharam entre si, achando tudo muito estranho.

– Alguém se voluntaria? – ele perguntou.

– Nós não sabemos lutar? – afirmou Jade.

– Isso será o menor dos problemas. Mas, já que você, a líder da cela, se manifestou você pode indicar uma das meninas para representar.

Jade ficou desconfortável. Não queria ter que tomar nenhuma decisão, ainda mais sem saber do que essa cerimônia se tratava.

– Eu não sei – ela disse.

– Escolha! – gritou.

Jade apontou para uma mulher careca que deitava no beliche próximo à saída. Ela parecia forte e podia se defender.

Pimentel agarrou o braço da mulher e a arrastou consigo.

As detentas ficaram apreensivas sem noção do que iria acontecer. O guarda fechou a cela deixando-as no silêncio.

**

Quando anoiteceu, as mulheres ouviam de dentro da cela a movimentação de carros se aproximando e helicópteros pousando. Ao longe, notaram alguns refletores e luzes vibrantes que embalavam o breu da noite. Em seguida, ouviram um homem testando o som. Ele parecia testar vários microfones e caixas de som.

– Que merda eles estão fazendo? – Olivia perguntou, se aproximando de Jade.

– Não faço a menor ideia, mas parece algo grande.

– Tô preocupada com a Cecília. Ela tem problema com pressão. Por que você escolheu ela?

– Ela era a mais forte entre nós. Se eles vão nos levar pra lutar, é melhor ter o mínimo de estrutura – Jade respondeu.

**

Depois de muita curiosidade por parte das meninas, Pimentel retornou à cela ordenando que as garotas se preparassem para assistir ao grande evento da noite.

– Vocês são as convidadas especiais do Babemco.

Dois guardas portando rifles escoltavam as mulheres. Elas caminhavam em fila indiana indo em direção ao coliseu. O lugar estava cheio de refletores e homens portando terno e gravata preenchiam as arquibancadas.

Um palco estava montado no centro da arena, e acima do palco, um trono dourado e reluzente se destacava.

As mulheres sentaram em uma arquibancada reservada para elas. Estavam assustadas em ver tanta gente. Mas, não reconheceram nenhuma mulher entre a manada de homens.

As luzes se apagaram. Mistério no ar. O som de tambores ressoou por todo o ambiente. Tensão.

O refletor focou no trono acima do palco. Babemco surgiu sentado como um rei. Fogos dispararam ao redor do palco criando um grande jato de luzes. Os homens aplaudiam entusiasmados. As mulheres estavam perplexas.

Babemco sentou e disse: – Lutem!

Cecília apareceu no canto esquerdo da arena. Ela vestia uma couraça que cobria seus seios e o sexo. Do outro lado da arena, Dragão apareceu usando a mesma couraça.

– Esperem! – gritou Babemco, com o microfone na mão. – Nós queremos ver uma luta brutal e visceral. Vocês só precisam observar uma única regra – apontando para as mulheres – Somente uma de vocês sairá viva dessa arena.

Cecília e Dragão trocaram olhares de pavor.

– Lutem até que só uma fique de pé!

Os homens aplaudiam em êxtase.

– Lutem!

Cecília percorria a arena com passos largos. Ela tentava a todo custo fugir do embate. Enquanto que Dragão olhava furiosa contra a mulher. Ela tinha aquele olhar cruel, ao mesmo tempo em que algo nela pedia socorro. Estava tão chocada quanto qualquer outro ali.

– Eu quero ver o embate – gritava Babemco, olhando tudo de perto.

As mulheres circulavam o palco que estava no meio da arena. Em algum momento elas teriam que se encontrar.

– Se vocês não lutarem, as duas irão morrer nessa arena!

Dragão correu mais rápido alcançando a outra mulher. Derrubou Cecília montando em cima dela e enchendo-a de murros.

A outra mulher tentava se defender, mas não era pareo para Dragão.

Babemco continuava incitando as duas.

– Vamos se defenda – para Cecília.

Cecília ainda levantou-se e deu alguns empurrões na adversária, mas logo foi nocauteada com um soco rápido no nariz. Caiu tonta.

Dragão tomou-a nos braços e a arremessou contra a parede. Havia ódio em seu olhar. Ódio por fazer aquilo. Ódio por não lutar contra os seus opressores. Ódio por ter que lutar contra suas amigas.

Por fim, Dragão deu uma chave de braço em Cecília, enforcando-a. Quando terminou, a outra caiu quase sem fôlego.

Cecília cuspia sangue, e estava sem força alguma.

– Termine! – ordenou Babemco.

– Eu não posso! – disse Dragão.

– Mate-a!

– Não!

Um guarda apareceu apontando o fuzil para a cabeça de Dragão.

– Se você não terminar, ele irá atirar em você e depois nela.

Os homens na arquibancada olhavam estarrecidos para a cena. As detentas gritavam pedindo que aquilo parasse.

Babemco jogou um punhal para Dragão.

– Finalize! Agora!

A mulher segurou o punhal em sua mão e olhou para Cecília caída aos seus pés. Ela ainda pensou alguns segundos, antes de enfiar o instrumento no peito da mulher. Um jato de sangue saltou sujando-a por inteiro.

Dragão continuou com o show de horror enquanto esfaqueava a outra mulher.

Satisfeito, Babemco observava aquela barbárie.

INCOGNOSCÍVEL

POSTADO POR

Hugo Martins

Hugo Martins

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  • Meu Deus, pareceu até uma cena de Gladiador nessa arena hahahaha. Eu acho que a “Dragão” no fundo não é tão ruim assim.

    Chocado com o plano perverso do Capeto, dizendo que o Lucas trabalha pro Babemco aproveitando de sua falta de memória.

  • Que top o episódio, adorei. Este evento na arena, que coisa mais brutal, sanguinário, típico do Babemco. Reta final chegando, muitas surpresas, reviravoltas. Parabéns!

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