Infernum, a maldição de sentir: capítulo 11 – as chaves

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Infernum

História 1 – A Maldição de Sentir

capítulo 11

Narrado por Lorenzo

História baseada em fatos reais.

– Confesso que considerei durante a volta para casa tudo que Aylla havia comentado. Eu realmente errei, e acho que contar pro Juan pode não só fazer eu superar esse medo, mas também fazer com que eu esqueça ele mais rápido. Afinal, não é não sentir atrações que eu quero? – perguntei para Raquel. Ela miou. – eu queria entender o que você diz. – contei. Eu estava na cama, deitado. O abajur estava ligado, mas estava pronto para ser desligado. A gata Raquel estava no chão em seu pequeno cobertor. 

Desliguei o abajur e assim me virei para o lado para dormir, o mesmo lado que a gata estava. 

Não deu nem três minutos, mas Raquel saltou em meu rosto com um miado atemorizante. 

Eu estava agora em um lugar super colorido, uma avenida vazia onde ao seu redor tinha vários lugares e estabelecimentos mágicos. Eu estava vestindo minha melhor roupa, meu cabelo estava arrumado e eu me sentia vibrante. Eu também tinha um copo de refrigerante rosa nas mãos, o qual parecia que quanto mais eu bebia, mais se recarregava. Não havia ninguém caminhando também. 

Eu andei um pouco até que uma voz misteriosa porém familiar se direcionou à mim. 

– Por onde pensa que vai? – perguntou a voz. – Nem apresentei a você as maravilhas. As chaves. – era ninguém nada menos que o Amigo, aquele homem misterioso do bar que havia falado comigo.
– O que estou fazendo aqui? O que você está fazendo aqui na verdade? Como.. e onde vim parar? – perguntei, confuso.
– Eu gosto de brincar disso. Mas preciso apresentar você ao mundo. Acho que só agora está pronto. – eu continuei o ouvindo. Ele se sentou em uma cadeira feita de doces e completamente alta. – Lorenzo.. – agora ele estava falando comigo ao mesmo tempo que comia um pirulito de flocos, o meu predileto. – Essa é a sua imaginação, aflorada ela né? A sua imaginação, seus pensamentos, todos eles refletem quem você é. E por mais que não pareça, cada elemento daqui te representa. Mas para reconhecer o significado de cada uma desse coisas, você precisa se autoconhecer o suficiente primeiro. Me parece que você está no meio do caminho, por isso lhe trouxe aqui.
– Se adiante. – eu disse, nervoso. Não tinham pessoas caminhando nessa avenida porque eu estava na minha própria mente!
– Você achou a primeira chave da felicidade. Você percebeu e compreendeu que suas emoções e sentimentos passam para o ambiente. Quer dizer, você então consegue ver claramente pelo céu, pela cor e pelas pessoas quando está triste ou quando não está. Você viu que as coisas perdem a graça quando você está abatido, por isso elas ficam quase ou totalmente cinzas. E quando você se recupera de novo, você descobre que um mundo fantástico lhe aguarda. 

Tudo que o Amigo falava era realmente verdade. Eu sentia tudo isso que ele estava dizendo. 

– A segunda é a motivação. Em um fatídico dia, você pegou um simples acontecimento como um fator determinante para você continuar. Você achou uma motivação. Eu ainda não posso te contar sobre as chaves restantes, mas acho que você é forte o suficiente para continuar e achá-las. 

Ele então desceu de sua cadeira gigante e começou a andar comigo pela minha imaginação. 

– Só eu que tenho isso? – perguntei, tentando achar a palavra, mas sem sucesso.
– Isso o quê? – ele aparentemente não entendeu. Depois, deu uma gargalhada. – Ah sim! Está achando isso uma loucura? – queria dizer que sim. – Pois saiba que nem todo mundo conhece, mas todos têm. Até porque todos são um pouco loucos. Você consegue ver um pouco disso em seus sonhos, que mutas vezes são inexplicáveis. Eles vem em sua maioria daqui.
– É como se fosse um inferno de pensamentos meus? – perguntei.
– Quase isso. É que o inferno não fica aqui. Você não entenderia. – isso me deixou curioso. 

Continuamos andando, agora chegando na "cidade". Todos os meus conhecidos estavam lá. Entramos em minha casa mesmo sem eu saber que ela ficava naquele caminho. 

– Por que me trouxe aqui? – perguntei. O Amigo mostrou a mim, o meu eu pequeno. Eu estava no meu quarto, em frente ao espelho. 

– Às vezes eu me pergunto como vai ser sem mim. O mundo. Tuuuudo! – o meu eu criança havia se questionado. 

– Não vou mostrar como seria sem você quando era pequeno, mas vou mostrar como seria sem você aqui atualmente. – o Amigo então estralou os dedos e simplesmente me encontrei em uma casa irreconhecível. Meu quarto estava branco e sem nada. Os móveis da casa estavam aparentemente velhos e sem limpeza há um bom tempo. 

– Eu sinto falta do meu filho. – disse Hélio, meu pai, chorando. Ele estava olhando um quadro que na minha realidade não existe. Esse quadro era de uma foto minha que eu tinha tirado no quarto ano. Será que eles colocaram esse quadro depois que eu, "morri"? 

– Você não imaginou, mas seu pai foi um dos mais afetados pelo seu suicídio. Você não aguentou tanta pressão e tanta informação. Se perdeu nos próprios pensamentos e nas próprias ilusões. – Ele estralou os dedos novamente. Agora eu me via no presente. Estava de frente para a geladeira quando comecei a bater nela. – O seu cérebro lhe consumia. Comia parte por parte, e parecia cada vez mais faminto. Isso é a partir do momento que você se desiludiu com Ismael. Você nunca contou a ninguém que queria se matar, mas sabia que queria. E por conta do recente suicídio da sua irmã, achou que seus pais não aguentariam viver a mesma coisa de novo. Eles não iriam mesmo. 

– Eu não tenho pena deles, Amigo. – eu disse. – Mas eu os amo mesmo assim. Eles me cuidaram, afinal, por todo esse tempo. 

– Seja grato mesmo. Até porque Cândida não teve um passado muito feliz. – ele estralou os dedos de novo. 

Eu estava agora em um típico restaurante dos anos noventa, e de longe pude reconhecer minha mãe. Ela estava sentada, com um relógio fuleiro da época e com um cabelo completamente esquisito. Mas uma coisa era uma verdadeira incógnita: por que ela estava sozinha? Sendo que todos os outros estavam acompanhados? 

– Sua mãe passou por dificuldades para engravidar de você. Ela viu em um namoro tudo que poderia fazer com que ela relevasse e pudesse continuar. Ela queria alguém que pudesse apoiar ela na decisão de ter um menino. – calma, isso quer dizer então que…? – mas ela não sabia que já estava grávida. E de um homem que deu bolo nela. Foi desse relacionamento que saiu… – eu queria muito ter ouvido de quem era, mas de repente acordei. 

Não de repente, o diabo de um alarme foi colocado para três e quarenta da manhã. TRÊS E QUARENTA DA MANHÃ? Isso só pode ser brincadeira. 

– Alguém na escola pegou meu celular e colocou esse alarme. – falei, sonolento. E parecia uma coisa. Foi logo quando levantei para desligar o alarme que vi que ele foi nomeado. 

"Baguncinha do Juan, com carinho" 

Eu não acredito, velho. O Juan fez isso para tirar uma casquinha de mim? Bem que Raquel vivia dizendo que eu precisava colocar uma senha nesse telefone. Vou fazer e colocar o nome dela em homenagem..!

Confesso que fiquei chateado com Juan. Esperava mais dele. Realmente ele só está de brincadeira comigo.. acho melhor eu definitivamente me afastar e evitar ele.

A primeira pessoa que procurei para me ajudar nessa decisão foi Aylla. Ela que sempre quis me ajudar, ou pelo menos aparentou querer, pode me ajudar agora. 

– Eu sei que você não concorda, mas eu preciso inibir isso. Ele está zoando comigo e eu estou apaixonado por ele. Até quando vou ser idiota? – perguntei, indignado. Estávamos na porta da escola, esperando o portão abrir. 

– Ainda bem que sabe. Para mim, vai ser até você desistir dessa ideia de inibir. Mas.. tenta se distrair com outras coisas. Faz isso toda vez que você pensar nele… – eu vi que o tom de voz dela ficou meio acanhado. 

– Não concorda mesmo, né? – perguntei, querendo que ela falasse a verdade. 

– Não. – e negou com a cabeça. – Acho que assim você se machuca mais. Você só está tentando se enganar, se sabotar. Não quero que seu cérebro te domine, te engane.. entende? Só acho que você vai deixar seu mundo ainda menos colorido. 

Eu entendi isso como uma referência ao que meu Amigo havia me contado. Será que vai valer a pena mesmo tudo que eu vou fazer? 

Passei a aula toda sem falar com Juan. Não tive contato com ele e também nem o olhei. Quer dizer, vi algumas vezes, bem rápido, mas nada de se olhar para conversar. É que durante a aula, percebi umas olhadas que ele dava para mim. 

No intervalo, acabei esbarrando com ele sem querer. 

– Vê por onde anda! – ele falou, em um tom sério e seco. Isso me assustou. Será que eu fiz alguma coisa de errado que ele não gostou? Será que isso vai me levar para o mesmo caminho que Ismael me levou? 

Eu só sei que não sei porque continuo alimentando meus sonhos sendo que sei que ele gosta de meninas. Você deveria responder essa pergunta, me dar essa chave, Amigo. Não responder as outras coisas que não procuro respostas. 

Cheguei muito revoltado em casa. Comecei a bater no guarda roupa e a tanta raiva que eu tinha, me fez esquecer a comida da gata. Eu estava tão avoado que comecei a gritar, falei dos meus problemas em voz alta, e nem me interessei em ver se alguém estava ouvindo ou não. 

– Para de bater aí, seu moleque! – minha mãe gritou, irritada.
– Me deixa em paz! – eu gritei do quarto. Me abaixei aos poucos e me sentei no chão, já me acalmando. – Eu só queria saber porque tudo dá certo para os meus amigos e para mim não. Queria saber o porquê que eles conseguem ter alguém e eu sempre serei só. 

– Abre essa porta! – minha mãe pedia.
– Para quê? Vocês me atrapalham mais do que ajudam. Eu não os reconheço mais. – eu disse isso com toda mágoa, tristeza e raiva que tinha no peito. Senti que minha mãe ficou abatida com minha fala, mas mesmo assim me contive no quarto. Estava determinado a não ficar me doendo muito pelo que ela estava sentido, mas sim compreender o que eu sinto e tentar ver o que posso fazer quanto ao Juan. 

A gata Raquel apareceu de repente miando. Ela estava provavelmente embaixo da cama, e deve ter ouvido tudo que eu falei. 

– Desculpa ter feito você ouvir tudo que eu falei. Eu não queria. – disse. A gata somente miava, mas miava de um jeito diferente. Ela estava visivelmente revoltada. Ela arranhou a minha perna. Mas não só foi isso. Alguma coisa estranha aconteceu.

Eu acordei em um outro quarto. O quarto da minha mãe. Eu estava na cama dela. E na verdade, eu estava ao lado dela. 

Foi aí que eu vi que essa gata tem sim algo de sobrenatural. 

Eu estava novamente na minha imaginação, ou eu estava em um passado que não era meu? 

POSTADO POR

All Andrey

All Andrey

Hey, carinha! Sou All Andrey, tudo joia? Eu vim do Wattpad, e aqui na CyberTV eu já publiquei "Quatro Perdões Para Melissa" e "Infernum: A Maldição de Sentir". Curto escrever histórias com finais mais realistas, sem aquele exagero de felicidade ou de que tudo vai ficar bem no final. AMO misturar coisas lúdicas com coisas reais.

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