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Infernum, a maldição de sentir: capítulo 14 – as senhoras da lanchonete

Infernum

História 1 – A Maldição de Sentir

capítulo 14

Narrado por Lorenzo

História baseada em fatos reais.

– Juan.. eu.. – disse, um pouco trêmulo. Ele deu um sorriso lindo para mim e saiu correndo. Fiquei ali por alguns segundos sozinho, tentando entender o que havia acontecido. Eu estava.. errado o tempo todo! 

Emília e Mayara foram juntas para a minha direção. Eu fiquei com muito medo delas terem visto o que aconteceu. 

– Eita! – Mayara chegou, aplaudindo. Sim, ela viu.
– Calma, eu posso.. – disse, tentando começar a me explicar.
– Não precisa. Eu vi tudo. Na verdade, vimos tudo. – Emília disse, olhando pra Mayara.
– Que esquisito. Eu tô com uma sensação esquisita.. eu não tô muito bem. Acho que..
– O quê? – perguntou Mayara, preocupada.
– Eu tô com medo. Eu esperei muito por este momento, mas eu não estava pronto pra ser agora. Eu, tô assustado. Já pensou meus pais descobrem? É meu fim. Na minha cabeça parecia tão mágico mas..
– É normal. Esse sentimento de culpa, sabe. Afinal você está vivendo tudo isso escondido. – disse Emília, me tranquilizando.
– É que.. eu nunca pensei que ele fosse me corresponder. – eu disse, sentando no chão. Emília começou a fazer carinho no resto de cabelo que eu ainda tinha.
– Sabe.. – ela disse, se abaixando também. – Juan estava esperando por esse momento também. Ele tentou fazer isso antes, naquele dia que marcamos aquele rolê. Mas, eu acabei estragando tudo. Você nem imagina.. eu ouvi muito quando cheguei em casa. Mas tentei unir vocês dois. Ele o tempo todo falava de você. – ela falou, me deixando perplexo.
– Jura? Ele falava de mim? – perguntei.
– E como. Ele ia te contar de qualquer forma. Ele já estava pronto pra isso.
– Mas.. e por que ele agia daquele jeito? Com aquelas falas preconceituosas?
– Já conversei com ele sobre isso. Ele falou essas coisas para não ficar por fora dos amigos. Iam estranhar se ele não comentasse nada.
– Eu quero falar mais com ele agora. – eu disse. Ao sair do pátio, me encontrei com Yasmin, que me encarava de baixo para cima. Me pergunto se ela viu também. 

Tentei procurar Juan durante todo o caminho pra casa, mas era em vão. Ele não estava mais lá. Fiquei um pouco triste, confesso. Queria passar a noite conversando com ele. Mandei mensagem logo quando cheguei em casa mas ele não viu. 

Mesmo assim, fico a me perguntar: o que será que ele tinha me mandado naquelas mensagens que apagou? 

Deitei na minha cama e bufei. Precisava pensar um pouco, afinal foi tudo de repente e de surpresa. Olhei para o pote de comida da Rangel e vi que ela ainda não havia retornado.

– Para onde esse gato foi? – perguntei. – Por que você sumiu bem na hora que eu precisei de você? – continuei. – Ok, é só um gato. – conclui. 

Continuei observando o teto, imaginando como deve ser passar o tempo com ele. Até que decidi sair por aí de bicicleta. Mesmo que esteja quase de madrugada.

Meus pais já estavam dormindo, mas eu fui de fininho até a porta e peguei as chaves. Abri o portão e me joguei no mundo, na esperança de não ser assaltado na calada da noite. Ou de encontrar Juan passeando por aí. 

Aproveitei a bela brisa do ar para poder respirar um pouco e renovar as energias. Foi muito bom, consegui colocar os pensamentos no lugar de novo. Andei tanto que não percebi que cheguei no final da rua. 

– Caramba, olha onde eu tô agora. – disse, espantado. Eu estava no final da rua, de frente para a antiga lanchonete. – Mas.. que estranho? – indaguei. Ela estava iluminada, parecendo que havia alguém lá dentro. – Será que..? – larguei a bicicleta e rapidamente fui até a porta do estabelecimento. 

Haviam várias chaves no pé da porta. Abaixei e peguei o conjunto de chaves, escolhendo uma a uma e tentando ver qual que abriria aquela enorme porta. Cada chave tinha um desenho diferente. Uma, tinha o ícone de neve. Outra, ícone de orelhas de gato. A única que funcionou, foi a com ícone de fogo. Ela abriu a porta e abriu a outra que havia atrás desta. 

Mas havia uma outra porta atrás, uma porta menor e multicolorida. Ela era animada, se mexia e se afastava conforme me aproximava.

– Droga. Cê vai realmente brincar de pega-pega? – disse, quando vi que ela se distanciava a cada passo que eu dava. Pensei um pouco e dei um pulo, conseguindo encaixar a chave perfeitamente na porta. Porém, ao girar a chave, nada ocorreu. – Ué? Mas por que que.. – fui interrompido por uma grande carta de boas vindas que veio por baixo da porta. 

Esta carta tocava uma música relaxante e animada ao mesmo tempo, que dizia em uma parte da letra: 

Você é um ser mutável
Você pode mudar tudo
Pode mudar o mundo
E eu te ajudo
Sou a energia de dentro do seu coração
Da sua mente e da sua decisão
Cuidado para não pirar na escuridão
Você pode tudo, até contra sua presença
Só não pode alterar a sua essência

Eu peguei a carta e quando a abri para ler, fui imediatamente empurrado para dentro da lanchonete, um local completamente colorido e vivo. Os objetos falaram comigo, eu juro!

Haviam duas senhoras gêmeas, que estavam tão grudadas e unidas que pareciam ser uma só. Calma, elas de fato eram uma só!

– Você está em perigo. – disse uma.
– Você está abrigando um mendigo? – a outra perguntou, confusa. Confesso que soltei uma risadinha.
– Oi, quem são vocês? – perguntei. – Na verdade, onde eu tô? – estava confuso.
– Demônios estão a solta! Você corre perigo! – uma disse. Essa vestia amarelo, de óculos vermelhos e gigantes. A chamarei de Orá.
– Antônio? Eu não ouço esse nome há setecentos séculos, quando matei esse desgraçado que me fez sofrer. – disse a mais surdinha, que chamarei de Culo.

Orá e Culo pelo que me parece entram em conflito frequentemente. Talvez Culo tenha ficado louca por ter ficado tanto tempo sozinha com a sua gêmea.

Mas, sobre o que Orá estava falando?

– Que demônios? Do que você está falando? – perguntei, me aproximando das duas.

Culo me entregou um anel brilhante, e não me explicou nada. Fiquei com cara de desentendido, tentando entender o que ela queria dizer com aquilo.

– Ah. – disse Orá, bufando. – Ela esqueceu de te explicar, né? Você precisa usar esse anel quando estiver em perigo, mas tenha cautela. Só pode ser usado uma vez. Você pode usá-lo para derrotar os demônios que o assombram. Só pode ser usado uma vez. – terminou.
– Demônios! Demônios te assombram! Você está em perigo! – começou a dizer Culo, desesperada.
– Ah, ela vai começar a falar só agora. – disse Orá, já irritada. Então era além dela ser surda: ela também tinha um delay em suas respostas e perguntas.
– Bom, tudo bem. Mas agora me explica o que vocês querem dizer com… – quando eu ia dizer a palavra "demônios", fui empurrado à força para fora da lanchonete, em uma velocidade que antes nunca percorri.

A velha só me empurrou e eu simplesmente voei por todas as portas que haviam e caí sentado no chão, perto onde deixei minha bicicleta.

– Esquisito. Muito esquisito. – eu disse, me levantando. Subi na bicicleta e fui até a minha casa. Quando cheguei lá, guardei o anel dentro do guarda-roupa e chamei meus pais para uma conversa séria. Eu estava decidido. Decidido a ir para a casa da minha avó e passar um tempo lá.

Talvez eles tivessem razão. Era bom eu ir para a casa da minha avó para poder ver o que era real e o que era ficção. E talvez entender alguns dos enigmas que passam pela minha cabeça. 

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POSTADO POR

All Andrey

All Andrey

Hey, carinha! Sou All Andrey, tudo joia? Eu vim do Wattpad, e aqui na CyberTV eu já publiquei "Quatro Perdões Para Melissa" e "Infernum: A Maldição de Sentir". Curto escrever histórias com finais mais realistas, sem aquele exagero de felicidade ou de que tudo vai ficar bem no final. AMO misturar coisas lúdicas com coisas reais.

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