Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

Infernum, a maldição de sentir: capítulo 6 – a casa esquisita

Infernum

História 1 – A Maldição de Sentir

capítulo 6

Narrado por Lorenzo

História baseada em fatos reais.

– Demorei muito? – Emília perguntou. Juan já estava afastado de mim. Ele negou com a cabeça. – É que eu encontrei algumas amigas no caminho e.. bom, aqui estou, não precisamos de mais explicações.. – continuou, dando uma risada no final.

Continuamos nosso rolê com bastante conversa entre eu e Emília. Percebi que Juan ficava cada vez mais distante a cada esquina que a gente entrava.

– Lorenzo, agora por favor, me conte mais sobre seus desejos amorosos.. – Emília perguntou pra mim, fazendo cócegas em meu pescoço. Juan Julius arregalou os olhos.

– Eu prefiro não falar muito sobre isso.. – eu disse, de um jeito bem retraído.

– Vamos lá! Faz um esforcinho. – ela insistiu.

– É que eu sou correspondido, Emília. Então não tem vida amorosa pra mim. – quando eu falei isso, Emília ficou imediatamente com cara de dó. E Juan, continuou andando normalmente e prosseguiu distante.

As coisas ficaram esquisitas depois disso. Encerramos o rolê do dia com esse clima embaraçoso.

Meu pai já veio em minha cola quando cheguei em casa. Entrei direto no quarto e esperei eles desistirem de falar comigo. Mas de um jeito ou de outro, eu sairia. E aí, eles tentariam "conversar".

Mas prendi as minhas atenções à gata, que hoje pela primeira vez, estava quieta. O seu potinho de comida e de água não estavam zoados pela primeira vez em alguns dias.

– Bom trabalho, Rangel. – e eu abracei ela com toda a minha força. – Agora é a hora de eu fazer o meu trabalho. – me levantei e me olhei no meu clássico espelho. – Eu não posso deixar as coisas ficarem do jeito que estão indo. Estava tudo indo tão bem, tudo indo perfeitamente bem. Eu estava me recuperando, aceitando as verdades.. eu não posso deixar tudo isso se ir por uma simples atração. Logo agora, que eu comecei a esquecer o Ismael.. não posso entrar em outra encurralada com o tal de Juan Julius.. – me sentei novamente no chão e comecei a brincar com a gata, mas meus pensamentos ainda estavam avoados. – Eu acho que vou começar a tratar ele com um pouco mais de ignorância.. não sei, ignorar ele parece ser a melhor opção também. – continuei pensando em formas de como evitar contato com Julius.

O sábado chegou. E como prometido, eu tinha que ir para a casa de Yasmin ajudá-la no trabalho escolar. Aliás, novamente menciono que meus pais insistiram em saber dela. Pediram até fotos, inclusive.

– Será que eu tô bem arrumado? – me perguntei. Apertei na campainha e coloquei a bicicleta de canto. Demorou um bom tempo até me responderem.

– Oi, é o amigo da Yasmin? Lorenzo? – uma senhora de cabelos tingidos de preto profundo me atendeu. Pelo jeito, sabia meu nome e agia como se soubesse meu sobrenome. Yasmin apareceu logo em seguida.

– Enzinho! – ela falou de uma forma bem falsa. Em seguida percebi que as cores do ambiente ficaram menos saturadas. Mas o esquisito é que não estou triste! Nem pensativo. Na verdade, eu estava antes, mas as cores não haviam mudado. Será que houve um pequeno delay?

– Oi, Yasmin. – eu disse apenas isso mesmo. A simplicidade é a lei do espertalhão. Ela deu sinal positivo para que eu pudesse entrar.

Minhas primeiras impressões sobre a casa? Bom, primeiro vou falar sobre os moradores em si. Eu vi que Dorotéia, a senhora que me atendeu, sabe muito mais coisas que do que eu imagino que ela sabia sobre mim. Yasmin deve ser uma verdadeira fanática. Ah, ela é educada também.

– Sente-se, meu querido. – disse Dorotéia. Me sentei no cantinho do sofá amarelo dela, mas não senti uma boa energia.

A casa era pálida, esquisita e grande. Tive tontura só de olhar a altura do telhado. É muito longe! E olha que eles nem construíram um segundo andar. Então, para que tanta altura em uma casa onde só moram duas pessoas?

Ah, um detalhe muito importante: logo quando entrei, senti calafrios. Por que diabos eles colocam o ar-condicionado no mínimo sendo que nem está tão calor? Eu quase que ia perguntando para aquela senhora se ela era um pinguim. Mas também sou educado, igual à ela.

– Aqui, Lorenzo. – era Yasmin, que estava chegando com cachorro-quente. Dava pra ver em sua aparência que eram frescos e feitos na hora. Dorotéia se sentou ao meu lado.

– Me conte querido, tudo sobre você. A Yasmin já me adiantou bastante coisa. – ela olhou para a Yasmin com cara de malícia. Pegou sua xícara de chá, e começou a beber. Eu por algum motivo senti que aquele chá estava super gelado. E sabe o que complementa minha teoria? Os cachorros-quentes estavam frios também!

– Pare mãe! – disse a garota, nitidamente envergonhada.

– Bom, eu gosto de escrever… Também curto musica indie e tenho os meus dezessete anos.. – eu disse. Ela não esboçou nenhuma reação. Continuou como se já soubesse de tudo isso. Mas como? Nunca contei a Yasmin que gostava dessas coisas.

– Vou deixar vocês aqui. – ela disse, deixando sua xícara de chá congelado na mesa de centro.

Yasmin então me levou para seu quarto, e nós nos divertimos bastante lá.

Ela estava mais sorridente que o normal e também mais arrumada. Inventamos de falar sobre vários assuntos e isso fez com que eu ficasse melhor em relação a ela. Afinal, quando eu via o nome Yasmin, já associava à uma louca apaixonada que queria me ter de uma vez por todas. Agora, é uma garota legal para mim. Espero que ela tenha me esquecido.

Mas insisti a perguntar.

– Yas.. – Eu soltei, já chegando com apelidos. – Você realmente estava gostando de mim? – prossegui. Ela não me respondeu. Calada ficou e eu vi em seu rosto que ela ficou envergonhada e acanhada. – Tudo bem. Não precisa dizer nada. – ela então trocou de assunto.

– Você gostou do lanche? Eu que fiz.. e olha que não tenho experiência em cozinha. Tenho medo do fogão. Uma dama como eu não pode se queimar. – ela riu. Eu ri também. Mas não porque ela não quer se queimar, e sim porque agora entendi o porquê de tudo estar frio.

A gente retomou os estudos logo em seguida. Passadas duas horas, era hora de eu me ir. Peguei minha bicicleta e marcamos para o sábado seguinte.

– Tudo bem então. Terminamos lá. Até! – ela disse. Peguei a bicicleta e fui.

Percebi que logo depois que virei a esquina da casa dela, as cores voltaram a ter mais vida. As ruas estavam movimentadas e agora os postes de iluminação ganharam luzes mais fortes. De algum modo, a energia que Yasmin me transmite contamina também o meu ambiente. Mas por que isso ocorre só com ela e não com mais alguém?

Mas eu fiquei animado demais vendo tudo isso. Estava revigorante sentir aquela brisa do ar batendo no rosto. Eu preciso viver esse momento com mais alguém.

Liguei para um bocado de pessoas mas todas estavam ocupadas. Foi a hora que pensei que poderia trazer Raquel para cá. Passei em casa e coloquei a gata no sexto, voltei correndo pra avenida antes que algum dos meus pais percebessem que eu voltara.

Andei pelo calçadão, fui na parte nobre da cidade, andei pela área comercial.. por tudo! Era quase umas três da tarde quando eu fui para a Rua dos Cavalos e encontrei com alguém que não queria ter me encontrado.

– Ah não! – eu disse, bem baixinho. – Logo aqui não. – continuei pedalando devagar e escondido, na esperança de ninguém me ver. Era Juan, que estava com mais dois amigos também de bicicleta. Mas eu acabei tropeçando e cai junto com o gato no chão. Foi o maior mico que passei em tempos. – Droga! – soltei. – Sorte que ele não viu nada. – mas quando olhei para ver se ele tinha visto, não consegui encontrá-lo. Coloquei a felina de novo no sexto e tomei um baita susto.

– Buuu! – era Juan. Seus dois colegas riram do meu espanto. – Que foi? Tá devendo? – ele perguntou, de um jeito sacana.

– Não. – eu disse, de forma séria e sem sorrisos. – O que foi? – perguntei secamente.

– Eu queria conversar contigo.. – quando ele disse isso, eu congelei por dentro. – É sobre um assunto sério. – eu agora era um freezer. Eu só concordei com a cabeça e soltei um:

– Estou com pressa. Me chama depois. – peguei a bicicleta e fui. Eu senti que fui um pouco grosso com ele. Mas isso é perfeito! Assim vou conseguir afastá-lo e tirar mais um sofrimento do meu caminho.

Pensei isso logo depois que eu saí daquele cenário. Mas quando eu voltei pra avenida..

– Eu sou muito burro. – eu estava quase chorando, desabafando para Rangel. – eu fui grosso com o cara que eu acho que eu posso estar gostando. – a gata, cansada de me ver desabafando, só miou. – eu sou idiota, mereço ficar sozinho mesmo. Eu só queria eliminar o sofrimento.. – ela miou novamente. Queria te entender às vezes, querida Rangel.

Para tentar interromper a rolagem das lágrimas, me propus a tomar um sorvete. Ali perto tinha a sorveteria do Oro, que podia fazer vento ou sol, estava aberta.

– Eu vinha aqui mais vezes quando era pequeno. – disse, colocando minha bicicleta no canto e pondo o gato nos meus braços.

– Eu lembro de você quando pirralho. – falou Oro. Por que você tem um nome assim? Nunca perguntei, e me segurei para não perguntar dessa vez.

Eu fiz meu pedido como qualquer outro faria. Esperei sentado na sala de espera da sorveteria, mas uma coisa prendeu a minha atenção. Havia uma pintura de uma lanchonete abandonada ali.

– Escuta, essa lanchonete aqui é a mesma da lenda? – perguntei ao Oro. Ele respondeu que sim.

– Só que a lenda que você conhece provavelmente é outra. Eu nunca cresci ouvindo a lenda que todos conhecem. Para mim, sempre foi outra. – ele disse. A minha gata rapidamente mudou seu humor quando começamos a falar sobre a lanchonete. Ela começou a miar quando eu me levantei e olhei de perto a pintura. – Ela sempre se comporta assim? – Oro perguntou.

– Não! Por favor, para de miar, Rangel. – pedi. Alguma coisa de errado ali havia. A gata não obedeceu e me arranhou. Eu a soltei com tudo no chão e ela começou a correr pela sorveteria. Oro correu atrás dela e conseguiu pegá-la. – Obrigado.. – eu disse, envergonhado. – E desculpas. – finalizei.

– Sem problemas. Aliás, a história que eu conheço é bem curta. Só sei que duas velhinhas moravam nessa lanchonete aí. Sim, elas moravam. Era uma lanchonete-casa, entende? Mas elas não estavam aí porque queriam estar. Elas foram castigadas por algum demônio maligno a venderem lanches pelo resto da vida. E elas morreram e continuaram vendendo. O demônio era traiçoeiro. Ele as enganou e teve a vitória. Eu sempre escutei que as lendas da cidade têm a ver com esse demônio traiçoeiro aí.. mas são todas lendas, né? E aliás, elas têm várias versões. – ele disse.

Eu concordo com ele. Eu saí da sorveteria com meu sorvete quase derretendo (porque perdi parte do tempo conversando com ele) e me perguntando o porquê que Rangel fez isso.

POSTADO POR

All Andrey

All Andrey

Hey, carinha! Sou All Andrey, tudo joia? Eu vim do Wattpad, e aqui na CyberTV eu já publiquei "Quatro Perdões Para Melissa" e "Infernum: A Maldição de Sentir". Curto escrever histórias com finais mais realistas, sem aquele exagero de felicidade ou de que tudo vai ficar bem no final. AMO misturar coisas lúdicas com coisas reais.

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr
>
Rolar para o topo