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Infernum, a maldição de sentir: capítulo 7 – meus sentimentos

Infernum

História 1 – A Maldição de Sentir

capítulo 7

Narrado por Lorenzo

História baseada em fatos reais.

A gata ficou estranha pelo resto do dia. Quando cheguei novamente em casa, meu celular conectou-se rapidamente à internet

As notificações dispararam: eu nunca recebera tanta mensagem assim. Com certeza era alguma urgência. 

– Fica aqui. – coloquei a bicicleta encostada no portão e entrei. Tirei o celular do bolso e acabei melando ele com minhas mãos sujas de sorvete. Quando liguei ele, uma bomba: era Julius.

Ele me mandou várias mensagens mas eu prometi para mim mesmo que tentaria ignorá-lo. Então, depois de ler seu nome, eu desliguei o celular e entrei para dentro com a bicicleta e a gata Raquel. 

– Eu não posso me alimentar de ilusões. – disse pra mim mesmo. Meus pais curiosamente saíram. Não avisaram e não deixaram nenhum bilhete. – Bom, só tem eu e você então. – disse para a gata. Coloquei a comida em seu pote e eu enchi o outro potinho de água. 

Fui ao quarto dos meus pais e senti uma energia muito forte ali dentro. Me deitei na cama e rapidamente entrei em um transe: 

Eu agora me via em um vácuo escuro, onde havia apenas eu. Era completamente escuro: só havia luz nos meus pés. Um círculo brilhante, que me acompanhava onde eu ia.

– Alô? – eu perguntei. Minha voz ecoou.
– Alô. – uma voz doce e feminina me respondeu em tom afirmativo. Era uma voz familiar, mas parecia alterada. Eu andei um pouco e quando tive a noção de que não importa para onde eu ande, eu sempre vou parecer estar no mesmo lugar, enlouqueci. Comecei a correr muito, até que bati em alguma coisa e caí no chão. A voz feminina que eu havia escutado vinha daquela coisa.. daquela coisa não. Daquela pessoa.
– Raquel! – manifestei em minha fala a minha alegria. Tudo que eu mais queria era ver minha irmã de novo. – É você! – quando eu me levantei para poder abraçá-la, ela afastou-se.
Tentei abraçar novamente, mas por algum motivo ela se distanciava. Ela também tinha o círculo em seus pés, iluminando seu corpo.
– Raquel…! O que está acontecendo? E onde eu estou? – questionei. Ela apenas continuou me olhando. Eu me senti muito estranho.
– Lorenzo.. – uma voz grave e calma falava. Essa sim, eu tenho certeza que nunca escutei antes.
– O que foi? Quem é você? – perguntei, completamente desesperado. Eu olhava para todos os cantos, mas eu não via nada.
– Primeiramente, o que você sente?
– Eu me sinto perdido. Perdido. Essa é a palavra. – continuei olhando para todos os cantos.
– Sim. Está perdido. E sabe onde está? – a voz perguntou.
– Não.. não. Por favor me tira daqui.
– Você está na sua própria mente, Lorenzo. Você está perdido em sua mente. – a voz começou a rir de forma sarcástica. – Não consegue organizar seus pensamentos, não é? – de repente, de um vácuo escuro profundo, algumas luzes apareceram.

Se acenderam mais cinco círculos. E nesses círculos, cinco pessoas que eu conheço entraram em cada um deles. A primeira a entrar, foi minha mãe. 

Ela estava mais nova que normal, e com a cara de preocupada. Suas roupas eram chiques e cheias de cores.

A segunda a entrar, foi a gata Raquel. Ela estava como sempre. E ah, uma "novidade": ela miou.

O terceiro a entrar, foi um moço que aparentemente é da minha idade. Ele estava vestindo um traje mais simples e não tão vivo. Seu rosto é familiar para mim.. ele tem a mesma fisionomia que eu.. o cabelo, até parecido. Mas não sei quem ele é.

O quarto a entrar, foi Ismael. Ele estava como sempre foi. Seus cabelos descoloridos estavam voando. Mas calma, ali não ventava! 

E o último a entrar, foi Juan. Ele estava completamente vestido de vermelho, segurando alguma coisa redonda nas mãos e com cara de pena. 

– Cada uma dessas pessoas representa um desejo seu ou algo que almeja ter. – disse a voz profunda.
– E daí? – perguntei.
– E daí que você tem que correr atrás das coisas que quer. E não se preocupe. Nem tudo que você quer você vai ter. – logo depois que ele disse essa frase, os círculos se apagaram, inclusive o meu. As pessoas sumiram, até mesmo Raquel. Eu agora estava segurando meu antigo diário. De súbito, apareceu Ismael, e ele conseguiu pegar o diário dos meus braços e saiu correndo.
– Me devolve! – eu disse. Eu saí correndo atrás dele, mas ele era muito rápido. Quando finalmente consegui, o derrubei no chão e ele simplesmente me encarou. Ficamos nos olhando por alguns segundos e ele se desfez no ar. – Que mensagem você quer passar com isso? – perguntei. Quando levantei, apareceu Raquel. Ela estava com o diário e atrás de mim. Eu comecei a correr atrás dela também.
– Vem, bobinho! – eu odiava quando ela me chamava assim. Mas é esquisito porque ela só me chamava assim durante a nossa infância. Eu corri muito, mas Raquel era inalcançável. Ela sumiu no escuro do vácuo. 

Repentinamente, vi Juan Julius. Ele também estava com o diário.

– Eu cansei. Eu tô cansado disso tudo. Eu não quero mais correr atrás de ninguém. Vou ficar na minha. – eu me sentei naquele vácuo. Mas Juan não estava correndo. Ele estava se aproximando de mim, em ritmo lento. Quando ele chegou perto de mim, se sentou e me ofereceu o livro. – É pegadinha, não é? – eu perguntei. Ele negou com a cabeça. – Não quero esse diário mais. Não confio em você. – soltei. Ele ficou nitidamente ofendido, mas continuou sentado ali. – É sério que você não vai correr? – perguntei, estranhando.
– Não. Por que correria? Se o que eu quero ficar é aqui? Com você. – ele disse. Por alguns segundos eu me deixei levar pelo seu encanto, mas eu vi que tudo ali era falso quando vi que os olhos de Juan não eram da cor que eles realmente são. Eu levantei correndo dali.
– Chega! Chega! – eu gritei. Minha voz ecoou.
– Está com medo? Nada vai acontecer se você não arriscar. A vida é feita de apostas. Você tem que ir fundo sem medo, com adrenalina. Imagina viver sem emoção? É tão gostoso brincar. Não é? – o mais engraçado era que a voz não ecoava.
– Não! Não é não! – eu disse novamente.
– Oh, que peninha. Pelo menos eu gosto muito de arriscar, brincar e ser traiçoeiro. – a voz começou a falhar e todos que estavam no mesmo vácuo que eu começaram a desaparecer. Quando vi, eu estava de novo no quarto dos meus pais.

– Que loucura. Que loucura. – me sentei na cama e olhei para o relógio. – Cara, eu fiquei um tempão lá e só se passou um minuto? – fiquei emburrado. Eu queria de alguma forma acabar com esses transes que eu ando tendo. Afinal, eu não tinha isso antes. Quando desci da cama, me assustei: a gata estava lá, o tempo todo, me observando. – Vai dizer que eu não coloquei comida para você também? – disse ironicamente. – Tenho medo de você. Juro. – a felina me respondeu miando.

Me arrumei e fui para a escola novamente. E eu senti que estava sendo perseguido por alguém de lá. 

Na hora da entrada, ouvi de Emília que Juan estava me procurando. 

– Lorenzo, o meu irmão quer falar com você. Se ver ele, já sabe. – ela disse. Logo depois desse aviso, tentei me esconder na multidão. Eu vi ele de longe. Me coloquei entre a fila e fingi que estava conversando com alguém que acidentalmente encontrei: Yasmin.

– Oi, Yas! – eu a chamei.
– Oi! – ela me deu um abraço.

Percebi que quando a abracei, Juan se virou de costas e seguindo seu caminho. Está funcionando. Eu só preciso continuar assim. Enfim, quando a poeira abaixar eu volto a falar com ele. Afinal, ele só quer ser meu amigo mesmo. 

Na sala, eu pedi para que Mayara e eu mudássemos de lugar novamente. Juan e Emília estranharam muito. Mas era o melhor para mim. Eu contei tudo para Mayara mais tarde. Porém, uma pessoa que eu não queria que ouvisse nada, ouviu. Era Aylla.

Eu contei a Mayara que eu estava gostando de Juan e que eu tinha medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu com Ismael. Então eu comecei a evitá-lo para tentar esquecê-lo. Também contei das mensagens, e ela pediu para que eu ligasse o celular para ver.

– Ligar? – perguntei, ainda na indecisão. Ela confirmou. Eu liguei o telefone e ao ver minha caixa de mensagens, as mensagens estavam todas apagadas. Mas havia uma mensagem ali ainda que estava intacta: "E você é um bobão.". Eu fiquei muito triste ao ler isso. Isso é a prova de que tudo que eu estava supondo na minha mente e as esperanças que estavam conspirando contra minhas decisões são falsas.
– Você ainda vai encontrar essa pessoa. Eu prometo. – disse Mayara. Mas eu não acredito tanto. 

Eu já imagino meu futuro como um cara que mora sozinho em um aluguel. Eu, Rangel.. apenas nós dois. Quando ela morrer, ficarei sozinho em casa. E como eu não tenho apoio dos meus pais por causa da minha sexualidade, eu não vou ter apoio da família e nem terei amigos. Vou morrer sozinho e duvido que vão sentir minha falta. Como não vou ter filhos, a solidão vai me consumir. Acho melhor eu ir para a casa dos idosos.. assim não devo ficar tão sozinho.

Ela me abraçou e eu olhei para ele, que também olhou para mim. Ele sorriu com um sorrisinho bem tímido e eu o encarei tristemente. Algumas lágrimas caíram dos meus olhos. 

Na saída, tentei correr para que ninguém me parasse. Especialmente ele. Mas me pegaram de surpresa: Aylla apareceu de frente.

– Eu ouvi tudo. Escuta aqui, eu tenho muita pena de você. Eu sei que Juan nunca vai gostar de você porque o que ele gosta mesmo é de menina, mas.. 

– Eu não me importo mais. Eu não me importo com mais nada. Eu só não quero que meu mundo fique triste e cinzento de novo.. – eu disse. – Quero mudar meu eu. Quero uma revolução. 

– Oh Lorenzo. Se quiser começar uma revolução em si mesmo, por que não pelas suas roupas? Já vimos que você mudou seu cabelo. Por que não suas roupas? – eu gostei da ideia da Aylla. – Tem dinheiro? – ela perguntou.

– Sim, tenho. – afirmei. E ela me puxou pelos braços. Eu já sei para onde ela vai me levar. E acho que isso pode me revigorar.

POSTADO POR

All Andrey

All Andrey

Hey, carinha! Sou All Andrey, tudo joia? Eu vim do Wattpad, e aqui na CyberTV eu já publiquei "Quatro Perdões Para Melissa" e "Infernum: A Maldição de Sentir". Curto escrever histórias com finais mais realistas, sem aquele exagero de felicidade ou de que tudo vai ficar bem no final. AMO misturar coisas lúdicas com coisas reais.

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