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Infernum, a maldição de sentir: capítulo 8 – melhores amigos então?

Infernum

História 1 – A Maldição de Sentir

capítulo 8

Narrado por Lorenzo

História baseada em fatos reais. 

E eu acertei. Ela realmente me levou para a feira de roupas que acabara de inaugurar na cidade. Dizem que existem apenas dez dessas no mundo. 

As roupas lá eram muito eu. Eu amo o estilo mais descontraído e estampado, e foi muito fácil combinar estilos. As peças eram bem baratas então meu dinheiro rendeu. 

– Me sinto bem fazendo isso. – eu disse a ela. Só agora percebi o quão Aylla é legal. Devo andar mais vezes com ela. 

Fui para casa sorridente e feliz, e com uma lista de afazeres que preciso fazer quando estiver triste, escrita por ela. Eu ainda não tinha lido porque ela não havia deixado, mas a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi abrir a lista: 

1. Compras e mimos 
2. Dançar e cantar 
3. Escrever 
4. Sair de bicicleta 

Quando entrei no meu quarto, imediatamente liguei o meu rádio e conectei-o à minha playlist no celular. Eu não sei dançar, confesso que sou desengonçado, mas tentei. 

– Não é tão ruim quanto parece. – eu disse, soltando uma risada. Puxa, de fato não era ruim. Eu entrei no clima, desliguei as luzes e comecei o show. – Nunca me senti tão feliz neste ano quanto hoje.. – eu disse. Depois de algumas horas, decidi ir até o telefone e telefonar para Yasmin. 

– Yas.. – falei na ligação, esperando resposta.
– Enzo? – perguntou com uma voz esquisita, provavelmente estranhou o fato de eu ter ligado.
– Oi. Eu só queria perguntar se estava tudo bem. – menti.
– Estou sim, e você? Está tudo bem? – ela perguntou, preocupada.
– Estou sim. Aliás, muito bem. Queria que você viesse aqui em casa amanhã. O que acha? – eu perguntei. Ela concordou. Fiquei bastante alegre. 

Quando desliguei meu telefone, meu pai veio caçoando de mim. 

– É uma mulher de verdade ao telefone? – perguntou Hélio, zombando.
– Não. É um travesti. Vai vir aqui amanhã, trata de preparar bem a casa. – eu disse, respondendo no mesmo tom de ironia. Eu vi a fúria que meu pai ficou, ele ia levantar a mão para mim, mas eu não ligava mais. Eu saí dali pleno, dando risada. Deixei ele e sua mão levantada. Afinal, se nada de seus comentários me acrescentam, por que eu ainda continuo os ouvindo? 

O dia seguinte chegou e eu fiz questão de acordar mais cedo para preparar as coisas. Eu deixei a casa arrumadinha e também fiz algumas coisas na cozinha. Não sei cozinhar muito, então preparei só o básico. Fui buscar Yasmin na descida da rua, e todos me olhavam e encaravam. Até porque não era todo dia que via Lorenzo acompanhado de uma garota. 

Estranhamente, quando me encontrei com ela, percebi que as cores do ambiente de novo ficaram menos saturadas. Por que isso acontece só quando vejo Yasmin? 

– Espero que se sinta em casa. – eu disse, quando entramos.
– Eu já me sinto da família. – disse ela, sorrindo. Deu para ver durante o dia todo que Yasmin estava bem confortável. 

Ela surpreendentemente elogiou minha comida, mas se recusou a comer as coisas porque segundo ela, estava cheia. Uma coisa que eu percebi é que ela várias vezes aparentava estar incomodada com a temperatura ambiente. Ela tentava se abanar mas curiosamente não estava tão quente assim. Foi quando eu me lembrei que Yasmin não foi para a escola neste ano em nenhum dos dias que esteve muito quente. Ela deve ter algum problema com calor. 

Tentei colocar Raquel no quarto infinitas vezes. A gata sempre tentava sair para ver a visita. Estranho, já que Raquel nunca gostou de visitas. 

– Deixa eu ver? – disse Yasmin toda entusiasmada. Ela pegou Raquel no colo e começou a dar carinho. Eu nunca vi Raquel calma daquele jeito perto de estranhos.
– O que você fez? Ela normalmente não age assim. – eu disse.
– Eu tenho um toque especial.. uma conexão com gatos. – ela contou. E depois voltou a se concentrar no carinho que fazia.
– Já pensou em ser veterinária? – perguntei, caçoando.
– Não disse que queria cuidar de animais. Só falei que eu tenho uma conexão com gatos. Eu gosto deles. – ela disse. 

Então aceitei a ideia de deixar Raquel participar. Tomei a decisão de sair para tomar um sorvete com Yasmin, e ela insistiu em levar a gata. Tudo bem. 

Andamos pela orla da praia e curtimos a leve brisa. Yasmin estava mais bonita que o normal, mas isso não apagava as minhas lembranças de Juan. Pelo que me parece, é realmente difícil deixar de gostar do que você realmente gosta. 

Tudo que eu via, lembrava dele e da mensagem que me mandou. Eu fiquei um pouco decepcionado, confesso.. mas alguma coisa no fundo do meu coração ainda dizia para eu seguir em frente. Mas meu cérebro sabe que eu não posso. 

– Você não pensa em namorar, Enzo? – Yasmin perguntou.
– Não… Na verdade pensar eu até penso, mas não é uma coisa que se aplica à mim.
– Por que não? Tem tanta gente ridícula namorando aí. E você é tão..
– Tão problemático. Não é pra mim. Confia. Ninguém vai gostar de mim também. – quando eu disse isso, ela imediatamente se posicionou na minha frente e colocou suas mãos em meus ombros.
– Isso não é verdade. Você que não quer ver que o amor bateu na sua porta. – ela falou. Olhamos nos olhos uns dos outros por alguns segundos, até que eu desviei. Eu entendi o que ela quis dizer com isso. Mas assim como eu, ela não entende que não fomos feitos um para o outro. 

Ainda bem que isso não tirou o clima do nosso passeio. Quando me despedi, perguntei se ela ia à escola hoje a noite e ela confirmou. 

Eu disse que não estava afim, e que iria pensar se ia ou não. Mas na verdade, não tenho opção. Eu tenho que ir se quero dar um respiro de todo aquele clima ruim de casa. 

Mas a escola estava começando a ganhar esse clima ruim também. No fim das contas Juan estava deixando meu ambiente um pouco confuso. Eu contei para Ismael que gostava dele e depois que ele me rejeitou, eu automaticamente deixei de sentir atração por ele. Será que se eu fizer o mesmo com Juan, o resultado também será igual? Não sei. Mas estou considerando essa hipótese. 

Mas o que me bloqueia é que Juan Julius parece ser pior que Ismael. Ismael não tinha tantos ataques homofóbicos quanto Juan tem em meio aos seus colegas. 

– Esse povo aí quer espaço demais. Daqui a pouco querem fazer uma revolução. – disse Juan. Ele estava falando baixinho para Otávio, mas eu acabei ouvindo. O contexto é o seguinte: estavam acusando o diretor de diminuir a voz de fala de dois garotos homossexuais da escola e todos os alunos se mobilizaram contra o diretor. Mas Juan parece ser uma das minorias que não. 

Eu olhei para Mayara e ela para mim. Ela pediu para que eu fechasse os olhos e respirasse. Eu agora realmente imagino que Juan tenha feito todo aquele rolê só para tirar casquinha de mim no final e me humilhar depois. Ainda bem que Emília chegou a tempo para estragar. 

No intervalo, me encontrei com Yasmin. Ela percebeu que eu estava desanimado. 

– Poxa. De manhã você estava tão radiante.. por que agora está tão.. cabisbaixo? – ela perguntou.
– Não importa. Eu sou meio burro mesmo. Eu.. eu queria que você me desse um tapa. – isso soou como um tiro em seus ouvidos.
– Um tapa?! – ela perguntou indignada.
– É que..
– Olha cara, você é sensacional. É uma das únicas pessoas daqui que ainda falam comigo. Somos amigos, não somos? Então sairemos dessa juntos. – ela me disse. Nós nos abraçamos então. 

Foi a partir daí que comecei a sentir que Yasmin estava começando a se tornar uma melhor amiga para mim.

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POSTADO POR

All Andrey

All Andrey

Hey, carinha! Sou All Andrey, tudo joia? Eu vim do Wattpad, e aqui na CyberTV eu já publiquei "Quatro Perdões Para Melissa" e "Infernum: A Maldição de Sentir". Curto escrever histórias com finais mais realistas, sem aquele exagero de felicidade ou de que tudo vai ficar bem no final. AMO misturar coisas lúdicas com coisas reais.
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