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Minha Doce Patroa: Negociando com Espíritos – Capítulo 05

obra escrita por
YAGO TADEU

A

PROCURANDO VOCÊ

Culpa a pior dor
Remorso a pior culpa
Chorar é um fraco valor
Pra dizer que está na luta.

A

A porta do quarto foi aberta. Priscila correu passando entre os convidados e saiu da casa. Dérick a seguiu sem olhar pra qualquer um deles.

— Vamos ver o que está acontecendo?- sorriu Sidney Jornaleiro apreciando o cheiro de perigo no ar.

— Sim, vamos ver.- Lisbela seguiu para a porta.

Priscila avistou Ítalo caído á frente do balanço e correu até o filho. Dérick notou Andy e Anne discutindo próximos do balanço.

— Ítalo você está bem?- Priscila perguntou enquanto o garoto demonstrava dor.

— Eu não caí do balanço.- explicou Ítalo – Ele me jogou- revelou o garoto chorando.

Dérick se aproximava quando notou o olhar do garoto para o seu filho.

— Maldoso.- disparou Dérick apontando para Andy – Se eu fosse seu pai eu te dava uma surra, eu sei que foi você.- Andy o encarou com ira. Anne parecia aflita.

Lisbela observava vindo ao longe.

— A perna dele começou a inchar. – ela dobrou a barra de sua calça – Mas acho que ele não quebrou a perna.

— Consegue levantar filho?- indagou o pai apertando sua mão.

— Não sei.- Ítalo segurava nos pais que agachados tentavam o erguer.

— O que está acontecendo?- Lisbela chegou junto dos convidados.

— Ítalo caiu do balanço.- o filho tentava firmar o pé gemendo de dor.

— Posso levá-lo a um ex-enfermeiro na vila.- se ofereceu Senhor Edgar.

— Não, não será necessário.- recusou Dérick – Ele vai conseguir andar. Segure em mim e na sua mãe.

— Crianças, vão pra casa.- Lisbela ordenou e eles obedeceram na mesma hora.

Ítalo se apoiou na mãe e no pai até que Dérick pediu que Priscila o deixasse sentado próximo do escorregador.

— Eu vou buscar o carro para levá-lo até a casa.- Dérick saía sem olhar pra ninguém.

— Aproveite a ocasião e o deixe no estacionamento.- Lisbela cruzou os braços.

— Como a senhora quiser.- Dérick a encarou e deu as costas em seguida.

-— O jantar já terminou.- Lisbela indiretou aos convidados – Hora de todos repousarmos.

— Adeus. – despediu-se Sidney jornaleiro desconfiado. Alguns acenaram, outros apenas sorriram e desceram o caminho de terra sem olhar pra trás, de volta ás suas moradias.

— Nós estragamos o jantar.- disse Priscila triste acariciando a perna do filho.

— Não seja tola.- Lisbela deu um sorriso consolador – Ele é o grande culpado.

Priscila abaixou a cabeça sentindo-se péssima quando o carro chegava ao parque.

— Coloque-o deitado.- pediu Dérick – Fique com ele Priscila.

— Lisbela, entre na frente.- Priscila abriu a porta da frente do carro. Lisbela a fechou.

— O caminho é curto e a noite é boa, eu vou a pé.- disse Lisbela.

— Lisbela… tem certeza?- Priscila questionou com pena da patroa.

– Tenho sim, fique tranquila.- Priscila fechou a porta do carro e Dérick lançou um olhar de desagrado á Lisbela que devolveu com a mesma força.

Priscilla enfaixou o pé do filho e após isso Dérick o levou pra tomar um banho.

— Hoje o dia foi péssimo Mateus.- Priscila tirou o colar e os brincos de andorinhas douradas falando sozinha diante do espelho – Poderia ter sido ainda pior.- seus olhos estavam vermelhos – Mas não foi, graças a Deus.

Mamãe, mamãe levanta e sacode a poeira. Priscila finalmente conseguiu sorrir ao se lembrar da fala do filho. Mamãe, mamãe levanta e sacode a poeira essa estrada ainda não é derradeira pra você sofrer tanto assim. Aos dez anos já versava, queria ser um grande poeta e para Priscila ele sempre foi.

Priscila guardava as roupas nas malas e outros acessórios que trouxera. Calças e blusas mal organizadas, apenas para fechar o zíper o mais rápido possível.

— Devagar.- Dérick pedia calma á Ítalo o carregando até a cama – Devagar, devagar.- Dérick o colocou deitado na cama e ele fez uma expressão de dor.

O pai enxugou seus cabelos negros escorridos com a toalha esticando o garoto na cama. Ítalo olhou para a mãe sentada á beira da cama. Dérick também a observou.

— O que está fazendo?- perguntou o marido.

Priscila fechou o zíper da mala e se levantou.

— Vou levar minha mala ao carro.- Dérick parecia surpreso – Nós vamos embora, vou fazer o que você tanto quer.- Priscila abriu a porta e seguiu pelo corredor.

— Ítalo está bem?- questionou Lisbela quando olhou para sua mala – O que vai fazer mocinha?

— Nós vamos embora, já causamos transtornos demais á você.

— Não, você tem um contrato. É um negócio.

— Eu quebro o contrato e pago o valor que você desejar.

— Não Priscila, você não pode ir embora.- contestou a patroa.

— Desculpe-me Lisbela em não cumprir o prazo estipulado e ser o maior de seus fracassos.- Priscila estava abalada – Perdoe-me, mas eu vou embora.

Priscila passava por ela quando a patroa agarrou seu braço.

Não,você não vai embora.- a patroa afirmou encarando seus olhos.

Dérick segurou as malas dele e do filho para levá-las até o carro.

— Fique aqui Ítalo.- Dérick segurava as duas malas.

— Nós vamos embora?- questionou o filho com os lábios pálidos.

— Sim.- respondeu o pai.

Dérick saía do quarto seguindo pelo corredor escuro quando parou na entrada para a cozinha. Paralisou ao ver aquilo. A esposa chorava abraçada com Lisbela que parecia lhe apoiar como melhor amiga. O que essa mulher quer? Indagou consigo mesmo. O que ela quer? Lisbela a acalmava em seus braços quando se virou para Dérick abraçada á Priscila. O encarou com raiva o intimidando. Dérick recebia a ameaça em seu olhar escutando o choro de Priscila. O lampião reluziu nos olhos de Dérick as faíscas que lhe eram lançadas. Ele segurou firme as malas e se virou voltando ao quarto silenciosamente.

— Amanhã você decide tudo melhor.- Lisbela desamassava seu vestido e ajeitava o seu cabelo.

Priscila limpou as lágrimas com as mãos e respirou fundo.

— Amanhã seu filho estará melhor e você poderá decidir o que fará.

— Está certa.- Priscila balançou a cabeça enquanto Lisbela ajeitava seus cabelos.

Priscila contemplou seus olhos defensores e generosos. Seu sorriso tinha intenções que ela não conseguia decifrar. Sua pele branca junto de seus ondulados cabelos loiros a tornavam uma bela mulher determinada. Porque demorei tanto para encontrá-la? Ela sempre desejou ter uma amizade assim. Ela sempre desejou ter alguém para defende-la e ser suas pernas quando caísse. Estou diante da maior amizade da minha vida. Priscila concluiu isso olhando para a patroa. Dizem que a gente tem amizades assim apenas uma vez na vida.

Ela abriu a porta e foi até a cama notando que Ítalo já dormia.

— Eu ia esquentar o jantar dele.- disse para o marido que acariciava o cabelo do filho.

— Está dormindo.- respondeu Dérick seco.

Priscila deitou ao lado do filho que separava os dois.

— Amanhã nós vamos embora?- Dérick olhava para o teto.

— Sim.- respondeu virando para o outro lado – Sinta-se feliz por acabar com a nossa viagem e acabar de vez com a nossa relação.

— Nosso amor ainda existe.- exaltou ele.

— Tanto nosso amor quanto nossa relação se findaram na noite de hoje quando você tocou em mim.- Priscila disse o silenciando. Dérick estava muito mal com tudo isso.

A madrugada se foi e o sol raiava em SweetVillage. Ítalo abriu os olhos lentamente, teve um sono tranquilo e suave mesmo depois do último dia conturbado. Seu pai não estava ao seu lado quando acordou, apenas sua mãe. Ele tirou o braço da mãe e ameaçou levantar sentindo pontadas doloridas no pé. Se ergueu com dificuldade e saiu mancando do quarto. Seguiu pelo corredor temendo um encontro com Andy ou Anne e abriu a porta da casa á procura do pai. Ouvia o canto dos pássaros e o barulho da mata ao redor.

— Onde vai?- questionou Dérick levantando-se do tronco á frente da casa.

— Estava procurando você.- respondeu o filho.

— Você está machucado Ítalo.- lembrou o pai o levando até o tronco.

— Sente-se.- o pai o colocou no tronco e ele parecia estar com frio.

Dérick tirou a jaqueta de couro e colocou no filho. Sentou ao lado dele no tronco.

— Eu sei que foi aquele menino que te empurrou, não foi?- ele tirou os óculos escuros.

— Foi.- confirmou Ítalo.

— Nós vamos embora daqui Ítalo.- Dérick pegou em sua mão – Mas, eu não posso deixar sua mãe, eu sinto que ela corre riscos aqui.

— Riscos?- questionou com medo.

— Sim, esse lugar não é normal. Preciso de um favor filho, preciso que leve sua mãe para passear e a convença de que devemos ir embora desse lugar.- Ítalo aceitou a proposta – E eu vou conversar com Lisbela.

— Conversar com Lisbela?- indagou intrigado – O que vai fazer pai?

— Colocar ela no seu devido no lugar. Vou mostrar que eu e Priscila ainda somos um casal, e que vou defende-la e tentar salvá-la até o final, até realmente o fim do nosso amor, ainda não é o fim.

— O que vai conversar com Lisbela?- deu um leve sorriso.

— Ela vai perder a pose dela de boa senhora da Idade média.- Ítalo finalmente deu um sorriso completo para o pai – Vou dar a essa víbora as respostas que ela merece, como as personagens encrenqueiras dos desenhos que você assiste Ítalo.- Dérick brincou e o filho deu um largo sorriso.

— Promete que fará isso pai? Pra nós irmos embora.

— Prometo, mas você deve fazer o que eu falei.- Dérick se levantou do tronco.

— Onde está Lisbela agora?- perguntou o filho.

— Parece que está lavando roupas. Agora vou até a vila ver se encontro um presente para a sua mãe, lembre-se que amanhã é aniversário dela.

— É mesmo.- lembrou Ítalo.

— Eu já volto e você deve fazer o que combinamos.- o pai exaltou a necessidade daquilo.

— Eu vou fazer.- confirmou o filho. Dérick abriu a porta do veículo e acenou para o filho.

Minutos depois a mãe abriu a porta da casa e notou o filho sentado no tronco.

— Ítalo, já acordou?- perguntou caminhando até o tronco.

— Já, eu acordei cedo.- disse o filho apoiando o pé machucado numa pedra.

—Onde foi seu pai?- Priscila fechou o zíper da jaqueta que ensacava seu corpo.

— Acho que foi levar o carro até o estacionamento.

— Seu pé já está melhor?- questionou tocando nele.

— Sim.- Ítalo deu uma pausa na fala – Mãe, preciso falar com você. Mas precisamos passear, andar em algum lugar somente nós dois.

— Falar comigo?- Priscila o fitou com pena dele diante dos acontecimentos á sua volta – Tá, eu vou falar com você filho, mas vou avisar Lisbela primeiro.

Ítalo concordou com a cabeça e a mãe voltou para a casa pensativa sobre o assunto da conversa que teria com o filho.

Ítalo observou o sol ainda nascendo e o céu clareando. Decidiu subir um pouco da estrada de terra que haviam descido quando chegaram á casa. Mancando e aos poucos chegou no fim da subida e lá pôde ver melhor o céu e a beleza do nascer do sol. Fazia isso em sua casa em Zellwéger sempre que não conseguia dormir. Ítalo respirou o ar da mata e o cheiro da relva. Poderia brincar,se tivesse alguém para isso ou se o clima não estivesse sempre ruim. Ítalo se virou para a casa e algo lhe assombrou.

— O que está fazendo aqui Ítalo?- Andy o encarava com ironia.

— Seu pé já está melhor?- sorriu o gêmeo magro Sizu.

— Ou vai precisar de um enfermeiro?- gracejou o gêmeo gordo Gean.

— Me deixem em paz.- pediu Ítalo sendo cercado por eles.

Dérick chegava á vila onde já havia um certo movimento. Ele parou o carro em frente ao bar.

— Não vou deixar meu carro em estacionamento nenhum.- disse sozinho tirando a chave – Vou levar meu carro comigo quando voltar.- Dérick abriu a porta do veículo e colocou os óculos escuros novamente – Logo vou embora desse lugar.- ele fitou as casas e as pessoas e seus modos de agirem – SweetVillage? De doce esse lugar não tem nada.- fez cara de nojo quando alguns moradores o encararam passando por ele – Essa merda não tem nem placa de chegada.

Dérick andou pela vila quando viu senhor Edgar sentado no bar e teve uma idéia para o presente de sua esposa.

Priscila abriu a porta da casa e notou a ausência do filho no tronco.

— Ítalo.- chamou ela olhando através das árvores. Estava com uma blusa e com um short, leves para uma caminhada. Priscila foi próxima da trilha que levava ao parque e á vila.

— Ítalo!- chamou já preocupada.

Andy empurrou Ítalo que caiu em cima de Gean.

— Voa Ítalo!- debochou Gean o empurrando pra Sizu.

— Voa Ítalo!- Sizu o jogou para Andy.

— Por favor, me deixe.- Ítalo pediu quando Andy o encarou.

— Vai chorar?- perguntou Andy o afrontando – Chora…chora que eu tô mandando. Chora. Chora!

Andy apertou seu braço e seu olhar era ferino. Eles ouviram o chamado de Priscila e Andy empurrou Ítalo.

— Volta pra mamãe.- Andy e os gêmeos sorriram e Ítalo saiu acelerando o passo. Parecia atordoado quando a mãe o viu descer a estrada de terra.

— Ítalo, estava o procurando, onde você foi?- perguntou percebendo algo de errado.

— Fui ver o sol nascer.- Ítalo ocultou a verdade por hora.

— Então, vamos passear?- Priscila segurou em sua mão.

-—Vamos.- respondeu tentando se acalmar. Os dois seguiram na trilha.

Passaram pelo parque mas Ítalo não desejou ficar lá relembrando o acontecimento do dia anterior. Fizeram outro caminho que fugia da trilha para a vila. Entraram em uma mata conversando sobre as árvores e os diversos tipos de pássaros que viam voar e ouviam cantar. Quando enfim chegaram á um pequeno porém profundo lago de águas cinzentas em meio ás árvores.

— O que queria me dizer Ítalo?- perguntou a mãe olhando para ele próximos do lago.

— Quero pedir que você ouça meu pai.- Priscila quase o interrompeu e ele continuou – Nós precisamos sair desse lugar.

— Ítalo, o que o seu pai andou colocando na sua cabeça?

— Eu mesmo não gosto desse lugar, o que falta pra você compreender que nada aqui é normal?

— Do que você fala Ítalo? Você e seu pai estão juntos em tudo, você sempre gostou mais do seu pai.

— Não diga isso mãe.- Ítalo falava como um adulto – Não diga isso, pois eu sempre a amei mesmo você me tratando com indiferença.- Ítalo parecia tocado.

— Com indiferença? Porque com indiferença?- perguntou assustada.

— Depois da morte do Mateus você simplesmente esqueceu que eu existo.

— Você está sendo egoísta, Mateus está morto, ele é meu filho.- exaltou se alterando.

— Eu também sou seu filho.- Ítalo jogou em sua cara e ela levou um choque – E eu estou vivo, e eu estou do seu lado pedindo atenção e você praticamente me trata como um parente conhecido.

— Eu não faço isso.- rebateu a mãe sem acreditar naquela acusação.

— Você faz!- Ítalo quase gritava.

— Eu nunca fiz isso Ítalo!- Priscila segurou em seu braço com vontade de bater no filho.

– Você fez e você faz!- repetiu Ítalo sem medo – Andy me jogou do balanço e quase quebrou minha perna e você pouco fez pra me defender, você prefere á mim ou a Lisbela?

— Eu podia te bater, te dar uma surra e aí sim seria uma mãe ruim pra você. – os olhos de Priscila estavam aguados.

— Faça isso. – Ítalo a encarava com os olhos tremendo e a expressão firme quase cedendo ás lágrimas.

Priscila olhou para ele com raiva apertando seus braços, foi quando o abraçou. Não havia profundidade daquele lago que se aproximasse do profundo daquela dor e daquele banho de lágrimas que estavam guardadas desde a morte de Mateus. Uma conversa que não aconteceu, dois sentimentos que nunca foram esclarecidos, até aquele momento.

Dérick estacionou o carro em frente da casa contrariando as regras da vila. Tinha uma sacola em mãos. Entrou na casa e observou que não havia ninguém na sala e na cozinha. Olhou nos quartos e também não havia ninguém. Guardou a sacola debaixo da cama e foi até a caixa vermelha que continha fotos da família. Dobrou algumas e as guardou na carteira. Se levantou e foi até a janela.

— Onde está essa mulher?- indagou referindo-se á Lisbela enquanto olhava os portões da fábrica – Eu espero que ela não fuja hoje.

Dérick foi até o quarto de Lisbela e aproveitou para revirar o guarda- roupa dela. Roupas antigas, colares antigos e fotos antigas. Lisbela em sua juventude junto de sua mãe. Lisbela com seu marido e com seus filhos, todas as fotos em preto e branco. Mulher desprezível. sorriu Dérick Porque prefere viver como se estivéssemos na década de 40? Dérick guardou tudo de volta e fechou o guarda-roupa quando se virou para a porta do quarto seu coração bateu mais forte.

— Está procurando alguém Dérick?- Lisbela trazia uma cesta em mãos – Se estiver procurando Priscila, ela saiu.- seu olhar era de total repugnância a Dérick.

— Sim, estou procurando, mas não é Priscila.- Dérick cruzou os braços – Estava procurando você.

— Me procurando?- Lisbela o encarou com ironia.

— Sim, precisamos conversar.

— Tudo bem, nós vamos conversar na mesa, já tomou café?

— Não.- Dérick a olhava sem paciência.

— Eu vou fazer um café pra gente.- Lisbela sorriu – Não pode ficar sem comer mocinho.

Dérick a acompanhou destinado a colocar tudo em pratos limpos com aquela estranha mulher. Sentou na mesa e aguardou o café ser feito. Era oito e dez da manhã quando Lisbela colocou a garrafa térmica em cima da mesa. Os pães caseiros cheirosos, a margarina, o leite e as xícaras de porcelana com listras vermelhas.

Lisbela colocou o café dela enchendo dois quartos da xícara. Colocou o mesmo tanto para Dérick e buscou o açúcar enquanto Dérick ansiava pela conversa.

— Quer adoçado?- perguntou abrindo o pote de açúcar.

—Não quero adoçado, aliás não quero café nenhum.- Dérick deu uma leve empurrada na xícara.

— Tudo bem.- Lisbela puxou a cadeira e sentou ao lado da ponta quase á frente dele.

— Qual é o seu objetivo com Priscila?- questionou Dérick diretamente – O que você quer com a minha esposa?

— Ela é minha empregada e eu sou sua patroa.- Lisbela deu um leve sorriso.

— Não seja cínica.- Dérick quase esmurrou a mesa – Nós viemos aqui pra se harmonizar e retomar nosso casamento, e você é a responsável por deixá-lo em ruínas.

— Eu sou a responsável?- Lisbela bebeu um gole do café.

— Roupas antigas, fotos em sépia, ausência de qualquer tipo de tecnologia em sua casa, quem você quer enganar? Quem vocês de SweetVillage querem enganar?- um silêncio de segundos se instalou até que Lisbela bebeu todo o café colocando a xícara sobre a mesa.

As xícaras foram arremessadas contra a parede como quando passa uma forte ventania se espatiram sozinhas quase levando a toalha junto. Dérick arregalou os olhos sentindo um grande arrepio enquanto a Lisbela permanecia inerte. Aqueles olhos invadiam o seu olhar o intimidando.

— Quem você está enganando Dérick?- sua voz pareceu mudar e se distorcer – Um porco maldito como todos outros homens, responsável pela morte do filho e frouxo diante das próprias palavras.- Dérick sentiu-se diminuir na cadeira – Você merece acabar sozinho, você merecia a morte.- Dérick sentiu suas mãos tremerem sem reação – Da próxima vez que você me desrespeitar dentro da minha casa diante dos meus filhos, eu prometo… Prometo te mandar pro inferno junto do seu filho, seu cretino.

Dérick ameaçou se levantar e Lisbela segurou sua mão o amedrontando.

Fique tranquilo.– Lisbela sorriu olhando em seus olhos – Porque eu vou roubar sua mulher pra mim.

Dérick empurrou a mão de Lisbela. Paralisado seu rosto inteiro se envidraçou.

padrao


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