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Nova Chance Para Amar – Capítulo 10

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

ADVOGADO e ATENDENTE.

CENA 01. PARIS. TRIBUNAL. CORREDOR. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

VIVIANE            —    Fala, doutor Alexandre! Aconteceu alguma coisa com meu marido?

ADVOGADO     —    (Sorrir) Calma, Viviane.

VIVIANE            —    E ainda tem a audácia de ficar rindo! O Rodrigo foi preso, é isso?

ADVOGADO     —    Não, Viviane. O Rodrigo ficou assinando alguns documentos. Eu sair antes, porque preciso fazer uma ligação.

VIVIANE            —    (Aliviada) Graças a Deus. Então constataram que meu marido é inocente?

ADVOGADO     —    Sim, depois o Rodrigo fala com você. Agora se você me der licença, eu preciso fazer uma ligação.

VIVIANE            —    Claro.

Doutor Alexandre pega o cel. e se afasta. Viviane fica mais calma. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. CASA LAURA E SEVERO. FRENTE. EXT. DIA.

Continuação imediata da cena 19 do capítulo anterior.

ELISA                —    Não tenho nada que conversar com você, Marcos!

MARCOS          —    Por favor, Elisa! Me escuta.

ELISA                —    Escuta a mesma coisa de sempre? É sempre a mesma desculpinha de que vai mudar… Mas na realidade não muda nada!

MARCOS          —    Mas dessa vez eu estou arrependido de verdade! Depois de ter passado essas últimas semanas sem minha esposa e filho dentro de casa, que eu me dei conta da idiotice que eu fiz.

ELISA                —    Marcos, olha… Só a sua palavra de que realmente mudou, pra mim, não vale de nada!

MARCOS          —    E o que eu posso fazer então pra provar que realmente não vou mais fazer isso?

ELISA                —    Antes de qualquer coisa me deixar em paz! Preciso respirar, pensar em tudo! E não vou conseguir com a cada passo que dou você tá atrás de mim!

MARCOS          —    Sim, entendo perfeitamente. Não vou mais vir aqui então.

ELISA                —    Primeiro passo é esse. Me deixar em paz!

Elisa segue caminhando. Marcos fica ali olhando-a, quando arremata.

MARCOS          —    (P/si) Minha… Só minha Elisa.

CORTA PARA:

CENA 03. MANSÃO VIEIRA. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Ramiro sai da suíte só de roupão. Beatriz entra.

RAMIRO            —    Mas o que significa isso? Será que nem mesmo dentro do meu próprio quarto eu tenho privacidade?!

BEATRIZ          —    Andou fugindo de mim essas últimas semanas, mas agora não tem pra onde escapar, maninho!

RAMIRO            —    Diz logo o que você quer, Beatriz! Não tenho o dia todo.

BEATRIZ          —    Não entendo como você pôde demorar tanto pra ligar pro Rodrigo e oferecer um cargo a ele! Aliás, enrolou, enrolou e não ligou até hoje!

RAMIRO            —    Você é retardada ou o quê? Eu não falei que ainda tinha que ver qual cargo o Rodrigo poderia ocupar na empresa?

BEATRIZ          —    Sim, você disse. Mas acontece que essas últimas três semanas foram mais do que o tempo que você precisava para ‘analisar’ qual cargo ele poderia ocupar.

RAMIRO            —    Se lhe deixar feliz, vai me deixar em paz… Já decidi. O Rodrigo será o Gerente Geral.

BEATRIZ          —    Agora sim. E ligue pra ele o quanto antes! (Debocha) Agora vista o passarinho pra ele não escapar!

Beatriz dá uma gargalhada e sai. Ramiro fica invocado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. PARIS. TRIBUNAL. CORREDOR. INT. DIA.

Rodrigo sai da sala de audiência e Viviane vai abraçar o amado.

VIVIANE            —    Graças a Deus você saiu dessa sala, meu bem. (Brinca) Por pouco eu pensei que haviam lhe prendido aqui no tribunal mesmo.

RODRIGO         —    (Sorrir) Não seja boba.

Os dois se beijam.

VIVIANE            —    Ah, doutor Alexandre avisou que tinha que ir porque tinha um compromisso.

RODRIGO         —    Tudo bem. Doutor Alexandre é muito bom no que faz. Graças Deus em primeiro lugar e depois a ele que não fui preso. Defesa estava ótima e argumentativa.

VIVIANE            —    Que bom. O que você acha de um jantar com uma das vistas lindas de Paris para comemorarmos mais essa vitória?

RODRIGO         —    Até que não é uma má ideia!

Os dois saem abraçados do tribunal.

CORTA PARA:

CENA 05. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Maurício e Nandão ali encostados em seus táxis.

NANDÃO           —    Como que foi lá pela cidade esses dias?

MAURÍCIO        —    Tirando o trânsito que é dos piores, até que deu pra fazer uma graninha.

NANDÃO           —    Sorte a sua. Desde o dia que eu levei a Edileusa até a mansão que ela trabalha, que não tenho tido sorte.

MAURÍCIO        —    Como assim, Nandão? Tá querendo dizer que levar a tua esposa até o trabalho dela te deu azar?

NANDÃO           —    Sei lá, Maurício. Não sou muito de acreditar nessas coisas de azar não, mas… Cara, não é possível! Desde esse dia que eu tô penando pra fazer o dinheiro da prestação do táxi.

MAURÍCIO        —    Você como ainda está pagando o táxi é desesperador mesmo.

NANDÃO           —    Às vezes eu acho que isso aqui não é mais pra mim!

MAURÍCIO        —    E vai contar com o quê? Com o que é mais incerto ainda?

NANDÃO           —    Pelo menos na época que eu vendia meus amendoins na praia eu conseguia mais grana. Agora chagando o verão é melhor ainda. Praia lotada o dia todo, venda na certa!

CAM mostra Marcos entrando no bar do Tio Jô.

MAURÍCIO        —    Olha lá o canalha entrando no bar do Jô.

NANDÃO           —    Jô agora parece que tá acolhendo o canalha. Quase todo dia ele vai pra lá.

Os dois ficam olhando para o bar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Josias limpando o balcão. Marcos se senta.

JOSIAS              —    Pela cara não deu certo!

MARCOS          —    Não.

JOSIAS              —    Mas o que ela disse? Está tudo perdido mesmo?

MARCOS          —    Não sei, Jô. Ela deu a entender que precisa de tempo pra pensar. Mas nesse tempo que ela quer, eu sei que não tenho vez.

JOSIAS              —    Por quê?

MARCOS          —    Severo sempre me odiou, já a dona Laura parece está sendo infectada pelo vírus do ódio que o Severo tem por mim.

JOSIAS              —    Até que a Laura é boa pessoa. Mas esse Severo, eu nunca fui com os córneos dele!

MARCOS          —    Elisa chegou a comentar comigo certa vez que as famílias não se gostam.

JOSIAS              —    É uma longa e desnecessária história.

MARCOS          —    Mas Jô, o que eu faço agora que a Elisa não quer nem me ver mais?

Fecha em Josias, que não sabe o que responder. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. ÔNIBUS. INT. DIA.

Ônibus vazio. Elisa sentada pensativa.

ELISA                —    (P/si) Depois de tudo que aconteceu, só se eu fosse trouxa de aceitar o Marcos de volta na minha vida. Ele nunca vai mudar! Tenho convicção disso, já! Opa, meu ponto.

Elisa se levanta e puxa a cigarra. O ônibus para e ela salta.

CORTA PARA:

CENA 08. RUA. EXT. DIA.

Elisa saltando do carro e caminhando na calçada. Ela entra na agência de empregos. CAM mostra o letreiro: AGÊNCIA EMPREGUIM CERTO.

CORTA PARA:

CENA 09. AGÊNCIA EMPREGUIM CERTO. INT. DIA.

Local vazio. Elisa entra, tira uma senha e se senta.

ELISA                —    (P/si) Com desemprego alarmante no país, imaginei que isso aqui estaria mais cheio.

CAM mostra no telão a senha “324B”.

ELISA                —    (P/si) É  minha senha.

Elisa caminha até a mesa da atendente.

ATENDENTE   —    Bom dia.

ELISA                —    Bom dia.

ATENDENTE   —    Então, Elisa, o que você procura exatamente?

ELISA                    Olha, menina, vou ser bem sincera com você. Eu aceito qualquer coisa. Não posso ficar desempregada.

ATENDENTE   —    Entendo. Você tem alguma experiência em casa de família?

ELISA                —    Já fui babá.

ATENDENTE   —    Sabe cozinhar, lavar, passar?

ELISA                —    Sim.

ATENDENTE   —    Ok. Então vou te encaixar nas vagas de empregada doméstica. Pode ser?

ELISA                —    Claro.

ATENDENTE   —    Você pode me dá seus documentos para fazer o seu cadastro?

ELISA                    Claro.

Elisa procura os documentos em sua bolsa e entrega a atendente. Fecha em Elisa confiante. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10.  MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Marcelo desce a escada e se senta no sofá. Edileusa vem da cozinha.

EDILEUSA        —    E aí, Marcelinho… Como é que tem ido lá na empresa, você tem ido todos os dias.

MARCELO        —    Pois é, Edi. Aprendi a jogar o joguinho do seu Ramiro.

EDILEUSA        —    (Não entende) Como assim?

MARCELO        —    Ele gosta dos que fazem o que ele quer! Então estou sendo o filho perfeito por enquanto.

EDILEUSA        —    Ih… Esse ‘por enquanto’ me deixou preocupada.

MARCELO        —    Relaxa, Edi. Falei isso porque ele acha que eu desisti de compor. Mesmo que eu não seja um cantor, eu vou compor e ponto final.

EDILEUSA        —    Jesus tem misericórdia! Já até sei aonde isso vai parar!

Marcelo sorrir. Ramiro desce a escada.

RAMIRO            —    Hoje não precisa ir para o escritório, Marcelo.

MARCELO        —    Ah não?

RAMIRO            —    Não.

MARCELO        —    E por quê?

RAMIRO            —    Hoje eu vou passar praticamente o dia fora da empresa.

MARCELO        —    Algum fornecedor?

RAMIRO            —    Não. Estou indo resolver uns problemas de produção, só isso. (Olha Edileusa) O que você faz parada aí? Vamos trabalhar minha filha!

EDILEUSA        —    Sim, seu Ramiro.

Edileusa começa a limpar os móveis.

RAMIRO            —    Até mais tarde, filho.

MARCELO        —    Até, pai.

Ramiro sai.

EDILEUSA        —    Nossa! Estou impressionada!

MARCELO        —    Com o quê?

EDILEUSA        —    Com você e seu pai conversando sobre a empresa sem ninguém levantar a voz.

MARCELO        —    É como eu te disse, Edi: por enquanto…

Fecha em Edileusa que meneia a cabeça negativamente sorrindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina sentada mexendo no cel. Kléber entra.

KLÉBER           —    Mandou chamar, Regina?

REGINA             —    Sim.  Ramiro ligou ontem e deu a entender uma provável visita dele.

KLÉBER           —    Mas o que ele vem fazer aqui?

REGINA             —    Ainda não sei se ele realmente vem. O fato é que tudo tem que estar funcionando perfeitamente para ele não ficar daquele jeito que sabemos bem como.

KLÉBER           —    Tá bom. E hoje, rola?

REGINA             —    Como assim, Kléber?

KLÉBER               Hoje rola aquele nosso jantar? Depois um motelzinho…

REGINA             —    Não sei. Tudo vai depender de como o dia ocorrer! Agora saia que eu preciso fazer uma ligação.

KLÉBER           —    Que isso, Regina? Você não pode ficar me enxotando assim!

REGINA             —    Não só posso como já estou fazendo! (O empurra para fora da sala) Vai, Kléber. Não me atrapalhe.

KLÉBER           —    Espero que mais tarde eu seja recompensado por isso.

Ela o tira da sala e fecha a porta. Volta até sua mesa , pega o cel. e tecla o número. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. DIA.

Gustavinho sentado à mesa comendo bolo de chocolate. Laura termina de preparar o achocolatado e dá ao neto.

LAURA              —    Aqui, Gustavinho.

GUSTAVINHO —    Obrigado, vó.

LAURA              —    De nada. Vê se come tudo, hein!

GUSTAVINHO —    O bolo da senhora é o melhor! Vou raspar o prato.

LAURA              —    (Sorrir) Isso aí. (olha p/ sala e se senta) Gustavinho… Aproveitando que o Severo tá entretido vendo televisão, a vovó precisa te fazer uma pergunta.

GUSTAVINHO —    Pode perguntar, vó.

LAURA              —    A sua mãe tá me enrolando até agora… Você sabe se aconteceu alguma coisa entre ela e o Marcos um dia antes de vocês virem morar aqui?

GUSTAVINHO —    (OFF, indeciso, Narrando) E agora? Eu conto pra ela ou não? Se minha mãe não falou, acho melhor não falar nada não!

LAURA              —    Gustavinho, eu tô falando com você!

GUSTAVINHO —    Não sei não, vó.

Fecha em Laura desconfiada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Josias e Marcos sentados.

JOSIAS              —    Entendeu, Marcos? Se ela quer esse tempo, respeite e não a procure mais.

MARCOS          —    Entendi. Agora, que vai ser difícil, vai.

Maurício e Nandão entram no bar e se sentam a uma mesa.

MAURÍCIO        —    Olha lá como os dois ficam, Nandão!

NANDÃO           —    Num falei que quase todo dia ele vem pra cá, Maurício? Virou cliente vip agora!

Josias se aproxima.

JOSIAS              —    Como vai rapaziada?

NANDÃO           —    Bem, Jô. E contigo?

JOSIAS              —    É, a gente vai remando… Esse bar não é mesmo há anos!

NANDÃO           —    Verdade. Mas agora traga aquele suco de laranja espetacular!

JOSIAS              —    Só se for agora!

Josias vai par a cozinha. Maurício não para de olhar Marcos.

NANDÃO           —    Para de olhar pro cara desse jeito, Maurício! Parece um maníaco!

MAURÍCIO        —    Quem olha o canalha ali sentado, tranquilo, nem imagina o que é de verdade.

Josias chega com os dois copos de suco de laranja.

JOSIAS              —    Aqui está. Qualquer coisa, só chamar.

NANDÃO           —    Valeu, Jô.

Fecha em Maurício olhando Jô, que voltou a se sentar a mesa de Marcos e estão conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO. FRENTE. EXT. DIA.

Muro e portão altíssimos. Um carro se aproxima e para frente ao portão. Um dos seguranças sai, o motorista abaixa o vidro. E o carro entra.

CORTA PARA:

CENA 15. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina ali a olhar os trabalhadores. Kléber entra.

KLÉBER           —    Regina, Regina!

REGINA             —    O que é, Kléber?

KLÉBER           —    Chegou!

REGINA             —    Quem?

KLÉBER           —    Como: quem? O Ramiro!

REGINA             —    Então ele veio mesmo?

KLÉBER           —    Um carro muito parecido com o dele que acabou de entrar pelo portão principal!

REGINA             —    Droga! Suspeitava da visita dele, mas não esperava que fosse ser hoje mesmo! Manda o Moreira manter todos trabalhando!

KLÉBER           —    (Ao rádio) Moreira?

MOREIRA         —    (OFF) Pode falar, Kléber.

KLÉBER           —    (Ao rádio) Mantém todos trabalhando aí que a chefia tá na área!

MOREIRA         —    (OFF) Pode deixar!

CORTA PARA:

CENA 16. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Ramiro salta do carro analisando tudo do pátio.

RAMIRO            —    (P/si) Até que o pátio está bem conservado.

Ele caminha em direção à entrada da fábrica.

CORTA PARA:

CENA 17. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Regina e Kléber descem a escada. Ramiro já ali a olhar todos trabalhando.

REGINA             —    Como vai, Ramiro?

RAMIRO            —    Não muito bem. Agora entendo o sufoco que foi bater a meta do mês passado. Vocês só vivem dentro desse escritório!

KLÉBER               Não é bem assim, seu Ramiro/

RAMIRO            —    (Corta) Você pode circular que minha conversa aqui é com a Regina!

Kléber o encara seriamente por um instante e se afasta.

REGINA             —    A que devo a ilustre visita?

RAMIRO            —    É o seguinte, Regina: precisaremos de mais mão de obra.

REGINA             —    Mas como assim? Queira subir para o meu escritório, tomar um cafezinho e a gente conversa melhor sem todo esse barulho.

Os dois sobem a escada. Corta para Amanda e Belinha: Amanda costurando e Belinha cortando o tecido.

BELINHA          —    Viu aquele homem, mãe?

AMANDA               Vi, sim, minha filha. Deve ser um dos executivos da empresa da escravidão.

BELINHA          —    E isso é cargo importante?

AMANDA               Claro que é, minha filha. Deve ser um dos manda chuva da empresa, ou até o dono.

BELINHA          —    Entendi.

Fecha em Belinha olhando para o escritório de Regina.

CORTA PARA:

CENA 18. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Ramiro sentado. Regina serve um cafezinho com biscoitos.

REGINA             —    Você dizia precisar de mais mão de obra?

RAMIRO            —    Exatamente. Estamos para fechar contrato com uma empresa na Argentina. Pelo que pude perceber através de pesquisas informais na internet mesmo, é que essa empresa exigirá uma demanda maior de produtos.

REGINA             —    Entendo. Vou falar com o Kléber para atrair mais interessados.

RAMIRO            —    Faça isso. E não se esqueça de oferecer maravilhas. Assim eles vêm sem pensar duas vezes. Imaginam que vão trabalhar no paraíso.

REGINA             —    (Brinca) Com todo respeito, seu Ramiro, mas isso aqui tá mais pra inferno!

RAMIRO            —    (Firme) Você é uma gestora, Regina! Ponha-se em seu lugar!

REGINA             —    Sim, senhor. Desculpe por isso. (Pausa) Pode adiantar algo dessa nova empresa?

RAMIRO            —    Bom, pelo que pude ver eles trabalham com moda a praia…

Ramiro continua a falar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. FRANÇA. PARIS. STOCK-SHOTS. ANOITECER.

Takes da torre Eiffel, Rio Sena, ponte que corta o rio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. PARIS. RESTAURANTE 58 TOUR EIFFEL. INT. NOITE.

Restaurante cheio. Rodrigo e Viviane sentados a uma mesa com visão panorâmica da Torre Eiffel toda iluminada.

VIVIANE            —    Espero que esteja gostando da nossa noite.

RODRIGO         —    Estou adorando tudo. Você sempre soube como eu gosto das coisas.

VIVIANE            —    Como eu sei que você gosta desse restaurante pela vista para a torre Eiffel, reservei uma das melhores mesas.

RODRIGO         —    (Beija a amada) Por isso que eu te amo, sabia?

VIVIANE            —    Eu sei, seu bobo.

RODRIGO         —    Sabe… Estava aqui pensando sobre voltar ao Brasil.

VIVIANE            —    E então?

Atenção Sonoplastia: cel. de Rodrigo começa a tocar.

RODRIGO         —    Hum? É o Ramiro.

VIVIANE            —    (Faz de desentendida) O que será que meu tio quer?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Grande Ramiro Vieira.

RAMIRO            —    (OFF) E aí, Rodrigo. Como estão as coisas?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Caminhando…

RAMIRO            —    (OFF) Então, Rodrigo. Eu tô ligando porque fiquei sabendo de tudo que aconteceu por aí com o patrimônio de Pierre.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Pois é, Ramiro. Tudo que era de meu pai agora está sob o poder da justiça.

RAMIRO            —    (OFF) Como você está aí sem emprego e eu estou precisando de um Gerente Geral, logo pensei em você. Você topa?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Gerente Geral aí na Fabristilo? Olha, Ramiro, a verdade é que Viviane e eu estamos sim indo ao Brasil. Que tal deixarmos pra conversar sobre isso quando chegar por aí.

RAMIRO            —    (OFF) Tudo bem. Como você quiser então. Valeu, Rodrigo!

RODRIGO         —    (Ao cel.) Valeu, Ramiro.

Rodrigo desliga.

VIVIANE            —    O que ele queria?

RODRIGO         —    Me oferecer um emprego. Mas sinceramente, não estou com cabeça pra pensar nisso agora. Quando chegar ao Brasil eu vejo o que faço.

VIVIANE            —    Mas você vai pensar na possibilidade, né?

RODRIGO         —    Quando chegar ao Brasil penso nisso!

CORTA PARA:

CENA 21. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Elisa, Laura e Gustavinho sentados no sofá assistindo TV.

LAURA              —    Você nem me falou como foi lá na agência.

ELISA                —    Mãe, quando eu olhei pro nome da agência eu confesso fiquei cismada.

LAURA              —    Por que, filha? Como era o nome da agência?          

ELISA                —    Empreguim Certo.

LAURA              —    (Sorrir) Que isso, gente? E isso lá é nome de uma agência séria?!

GUSTAVINHO —    Empreguinho… Não seria?

ELISA                —    Empreguim mesmo, meu filho.

GUSTAVINHO —    Mas tá errado isso, mãe! É empreguinho!

LAURA              —    Esse é o retrato do brasileiro atualmente.

ELISA                —    É o português das ruas, informal.

LAURA              —    Isso aí. Mas o que importa é se eles serão eficientes.

ELISA                —    (Brinca) Se conseguirem um emprego pra mim, eu monto um fã clube da agência empreguim certo.

Laura e Gustavinho sorriem.

CORTA PARA:

CENA 22. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER.

Takes da orla de Copacabana, Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Jockey Club, Marina da Glória. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 23. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. DIA.

Muito trânsito. Beatriz no banco de trás e Rick ao volante.

RICK                  —    Esse trânsito que não anda.

BEATRIZ          —    Pois é. Vou chegar atrasada pra buscar minha filha no aeroporto.

RICK                  —    A Viviane está de volta? Que bom, dona Beatriz.

BEATRIZ          —    Minha filhota está de volta. Finalmente veio pra perto da mamãe novamente.

RICK                  —    (Esperançoso) Ela vem sozinha?

BEATRIZ          —    Não, Rodrigo, o marido dela vem também.

Fecha em Rick desanimado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 24. AEROPORTO SANTOS DUMONT. PISTA DE POUSO. EXT. DIA.

Avião pousa na pista. CAM permanece mostrando as belezas do RJ. Na sequência, CAM vai buscar na janela do avião. Viviane sorrindo a olhar, ela aponta e mostra algo a Rodrigo sentado ao lado dela. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 25. AEROPORTO SANTOS DUMONT. DESEMBARQUE. INT. DIA.

Rodrigo e Viviane saem do portão de desembarque com suas malas.

VIVIANE            —    Nem acredito que estamos de volta ao Brasil, meu bem!

RODRIGO         —    Pois é. Primeira vez que volto ao Brasil depois de ter embarcado a força! Sei nem como a cidade está.

VIVIANE            —    Certamente violenta como sempre!

RODRIGO         —    Mesmo violento, esse é o meu Rio de janeiro!

Fecha em Rodrigo maravilhado. Instantes.

CORTA PARA:

FIM DO DÉCIMO CAPÍTULO

 

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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