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Nova Chance Para Amar – Capítulo 16

NOVA CHANCE PARA AMAR

 Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

JOSIAS

KLÉBER

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

MOREIRA

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SEVERO

SÉRGIO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

HOMENS 1, 2 e 3.

CENA 01. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

CAMILA             —    Quê?! Mas, Cristian, você me disse que/

REGINA             —    (Corta) Para, garota! Você acha mesmo que alguém iria te abordar na rua e te oferecer algo tão fora da realidade de uma hora pra outra?! Acorda pra vida, minha filha!

KLÉBER           —    Quando começar a trabalhar, ela vai acordar, Regina!

REGINA             —    Assim espero! Ultimamente não tenho andado com paciência pra certas coisas!

KLÉBER           —    O que eu faço com ela agora?

REGINA             —    Agora você espera o ônibus com os outros trouxas chegarem, e mostre a realidade para eles. Pode deixar que da modelinho aqui cuido eu. (P/Camila) Vamos, garota.

As duas entram na fábrica.

CORTA PARA:

CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Amanda concentrada a trabalhar. Sérgio se aproxima.

SÉRGIO             —    Aproveitando que hoje a segurança tá falha. Viu Regina com a nossa filha hoje?

AMANDA               Não. Tô aqui preocupada com isso. Acho que as duas ainda não saíram da tal casa.

Belinha entra e vem correndo até os pais.

BELINHA          —    Pai! Mãe!

AMANDA           —    (Abraça a filha) Como você tá, filha? A Regina fez alguma coisa com você?

SÉRGIO             —    Se ela ou o Kléber fizeram alguma coisa com você filha, eu juro que mato um!

BELINHA          —    Eles não fizeram nada comigo. Regina até me tratou bem.

AMANDA           —    (Surpresa) Ah é?

BELINHA          —    É. Ela disse que a partir de hoje eu vou ficar com ela.

SÉRGIO             —    Mas como assim?! Você tem pai e mãe!

AMANDA           —    Comeu direitinho, minha filha? Dormiu bem?

BELINHA          —    Sim. Na casa dela tem um quarto todo rosa, cheio de roupas e brinquedos.

AMANDA           —    Que bom, minha filha.

SÉRGIO             —    Que atitude é essa, Amanda? Nossa filha com aquela mulher e você parece não está nem aí!

AMANDA           —    Tá na cara que em apenas uma noite com a Regina, nossa filha passou muito melhor do que uma vida de dez anos ao nosso lado!

SÉRGIO             —    Você tá querendo que a Regina adote a Belinha, é isso?

AMANDA           —    Não é isso que eu tô falando, homem! Só tô querendo dizer que se a Belinha for ter uma… Uma qualidade de vida melhor com a Regina, por que vamos insistir em deixar ela aqui nesse sofrimento?

BELINHA          —    Regina nunca será nada minha! Vocês são meus pais!

AMANDA           —    Sérgio, pensa bem. O melhor pra nossa filha não é essa vida aqui!

Fecha em Sérgio ainda resistindo à ideia. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 03. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Maurício e Nandão ali.

NANDÃO           —    Contou pro Severão aquele lance do Marcos, cara?

MAURÍCIO        —    Não. Acho melhor nem falar nada! Severo já odeia o cara, e colocar a dona Laura na roda não vai ser nada bom.

NANDÃO           —    Pensando por esse lado até que tu tem razão.

MAURÍCIO        —    Mas, cara. Eu acho que a gente devia ficar de butuca no Marcos.

NANDÃO           —    Por quê?

MAURÍCIO        —    Como: por quê? Eu conheço a dona Laura. Ela não teria coragem de maltratar o Marcos mesmo sabendo o canalha que ele é.

NANDÃO           —    Pera aí. Você tá querendo dizer que a dona Laura só recebe o Marcos porque ela é, digamos, uma pessoa adorável?

MAURÍCIO        —    É.

NANDÃO           —    Maurício, pelo amor de Deus! Você não acha que eu tenho mais o que fazer do que ficar de olho naquele prego do Marcos?!

MAURÍCIO        —    Não acho, não. Você vive por aqui só de boa cantando a mulherada. Edileusa que se cuide pra não tombar!

NANDÃO           —    (Não entende) Tombar? Do que é que você tá falando, cara?

MAURÍCIO        —    (Debocha) Chifre da Edileusa deve tá tão grande, que daqui a o pouco ela tomba pra frente por não aguentar o peso!

NANDÃO           —    (Revoltado) Tu para de falar merda, cabra!

Os dois continuam a se desentender fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. QUARTINHO. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Regina e Camila entram.

CAMILA             —    (Assustada) Por que você me trouxe pra cá?

REGINA             —    Cala a boca, garota! Você faz perguntas de mais! (Fecha a porta) Agora vamos conversar de mulher pra mulher… Ou moça.

CAMILA             —    (Implora) Deixa eu sair daqui, pelo amor de Deus!

REGINA             —    Olha, um conselho pra novata. Não fica falando no nome de Deus não, queridinha. Isso aqui tá mais pra inferno mesmo! E se prepara. Se prepara que a coisa vai ficar pior pro teu lado!

CAMILA             —    O que você quer de mim? Hein?! Sua boçal!

REGINA                 (Dá um tapa na cara dela) Olha como fala! Não admito uma escrava falar comigo dessa maneira!

CAMILA             —    (Tenta sair) Não vou ficar aqui!

REGINA                 (Saca uma faca do bolso) Você não vai a lugar nenhum! Agora senta aí pelo chão!

Camila receosa se senta.

CAMILA             —    (Chora) Desculpa! Eu estou muito assustada.

REGINA             —    (Alisa o cabelo de Camila com a faca) Não fique assustada. Não tem o que temer. Nós estamos aqui para te ajudar. Você nos ajuda com a produção e a gente te ajuda.

CAMILA             —    Ajuda com o quê? Isso aqui tá mais pra senzala!

REGINA             —    Mais uma que gosta de responder! Gosto de gente assim.

Regina continua a alisar com a faca o cabelo de Camila, que por sua vez, está aterrorizada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 05. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa sentada lixando as unhas. Elisa finalmente chega.

ELISA                —    O que aconteceu, Edileusa? Fiquei te esperando na praça, e você já está aqui sentadinha lixando as unhas?!

EDILEUSA        —    (Faz de esquecida) Elisa… Eu esqueci de você completamente. Me desculpa!

ELISA                —    Poxa, Edileusa. Você me sacaneou legal. Sabia que eu não poderia vir de ônibus por não saber que linha passa aqui perto!

EIDLEUSA        —    Desculpa. São tantos anos vindo sozinha que eu acabei esquecendo de você.

ELISA                —    Dona Beatriz deve ter ficado uma fera com esse atraso de horas.

EDILEUSA        —    Pra falar a verdade, você se atrasou no melhor dia.

ELISA                    (Não entende) Melhor dia? Mas como assim?

EIDLEUSA        —    Dona Beatriz saiu com a Vivi Superiora logo cedo.

Atenção Sonoplastia: em OFF, ouvimos os ruídos da porta da sala se abrindo e pessoas falando ao mesmo tempo.

BEATRIZ              (OFF) Finalmente chegamos!

EDILEUSA        —    Chegaram, Elisa! Melhor você ir se trocar antes que dona Beatriz te veja sem o uniforme.

Elisa corre para o quartinho e Edileusa fica ali a sorrir, debochada. Instantes. Falsidade.

CORTA PARA:

CENA 06. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Rick apoiando Rodrigo a se sentar. Viviane e Beatriz a olhar.

RODRIGO         —    Valeu, Rick.

RICK                  —    Precisam de mais alguma coisa?

BEATRIZ          —    Não, Rick. Pode sair.

Rick sai e fecha a porta.

VIVIANE            —    Quanto tempo de molho, meu bem?

RODRIGO         —    Doutor disse que semana que vem eu já posso voltar a minha vida normal.

BEATRIZ          —    Graças a Deus que não foi nada mais grave.

VIVIANE            —    Verdade.

RODRIGO         —    O bandido ainda me levou todos os meus documentos.

VIVIANE            —    Deixa pra pensar nisso depois, Rodrigo. Agora vamos focar na sua melhora.

BEATRIZ          —    E em agradecer a Deus que não foi nada mais grave! (Olha a mesa cheia de poeira) Essa mesa não foi limpa hoje!

VIVIANE            —    Quê?!

BEATRIZ          —    Edileusa e Elisa não fizeram nada enquanto estávamos fora. (Tom alto) Vão tirando a égua de vocês da chuva se acham que vão ficar na vida mansa! Voltei, hein!

Fecha em Rodrigo, que dá um sorrisinho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Kléber a olhar o ônibus entrando na fábrica. Cerca de uns seis seguranças espalhados pelo pátio. O ônibus para. Moreira salta e os homens começam a descer, um por um. Moreira vem até Kléber.

MOREIRA         —    E a novinha?

KLÉBER           —    Regina tá cuidando dela.

MOREIRA             Não conseguir tirar ela da minha cabeça.

KLÉBER           —    Abaixa a crista aí, Moreira. Abaixa a crista aí que Camila é minha!

MOREIRA         —    Deixa a Regina ouvir tu falar isso.

KLÉBER           —    Aqui entre nós, Moreira. Uma carninha nova nunca é demais!

MOREIRA         —    (Sorrir) Pode crer.

Kléber e Moreira se aproximam dos homens que estão ali agrupados.

KLÉBER           —    (P/todos) Muito bem, rapaziada… Sejam todos muito bem vindos ao emprego dos sonhos!

A ‘rapeize’ aplaude. Um Homem levanta a mão.

MOREIRA         —    Pode falar.

HOMEM             —    Esse homem aí que me abordou na rua, não disse que era tão longe da cidade. Só tem mato ao redor disso aqui.

KLÉBER           —    Esse homem aí se chama Kléber, tá bom meu parceiro? A empresa fica localizada numa zona mais distante por motivos de segurança!

HOMEM             —    Ah, vocês vão ter que me desculpar! Vocês estão muito mais frágeis aqui do que perto da cidade!

MOREIRA         —    (Cochicha p/ Kléber) O cara gosta de desafiar.

KLÉBER               (Cochicha p/ Moreira) Tire ele daqui e dá aquele tratamento de boas vindas!

MOREIRA         —    Pode deixar.

Moreira se aproxima do homem e o aborda e fala algo com ele fora de áudio.

HOMEM             —    Ir pra onde?

MOREIRA         —    Apenas venha comigo!

O Homem mesmo desconfiado segue com Moreira para a parte de trás da fábrica.

KLÉBER           —    Bom, rapaziada, continuando agora…

Kléber continua a falar fora de áudio. CAM mostra Sérgio e mais dois homens a observar da área do recebimento.

CORTA PARA:

CENA 08. FÁBRICA FABRISTILO. RECEBIMENTO. INT. DIA.

Sérgio e os dois homens ali a observar Kléber falando com a rapaziada nova.

HOMEM 2          —    Mais sofredores chegando!

HOMEM 3          —    Lembro como se fosse hoje. Eu ali esperando que fosse trabalhar e ganhar bem pra poder trazer minha família do Acre.

SÉRGIO             —    Todos estavam esperançosos, cara. Afinal, as promessas que esse canalha desse Kléber faz, enche os olhos de qualquer um.

HOMEM 2          —    Pior que é mesmo. E parece que ele sabe bem quem abordar. Ele conseguiu me enganar mesmo, porque na época eu tinha um filho de três meses e estava desempregado.

SÉRGIO             —    Caramba, cara. Tá aqui quanto tempo já?

HOMEM 2          —    Próximo dia quinze vai fazer dois anos.

HOMEM 3          —    (Surpreso) Dois anos?! Cara, você não viu seu filho dar o primeiro passo, não viu ele falar!

SÉRGIO             —    É isso que eu não entendo! Como que pode uma pessoa, igual no teu caso, sumir por dois anos e ninguém vir atrás?

HOMEM 3          —    (Na defensiva) Tá querendo dizer que minha família não liga pra mim, é isso?

SÉRGIO             —    Não, cara. Tô achando que tem mais gente no meio disso do que a gente pensa!

HOMEM 2          —    Como assim, Sérgio?

SÉRGIO             —    Sei lá, tem uma rua de terra aí em frente, não é?

HOMEM 3          —    Tem.

SÉRGIO             —    Vocês nunca pararam pra penar que até a polícia pode estar envolvida nisso? Não é possível que nesta rua não passe nada nem ninguém, que já tenha visto a fábrica!

HOMEM 2          —    Caraca, Sérgio. Você tem razão. Por isso ninguém consegue escapar! Polícia deve ter algum esquema com isso aqui!

Closes alternados nos três. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.

Ramiro sentado ao cel.

RAMIRO            —    (Ao cel.) Gracias.

Ele desliga e fica ali esfregando a mão de felicidade. Marcelo entra.

MARCELO        —    Essa história de vir pra cá todos os dias, pra ser o secretário do presidente da Fabristilo não tá dando certo!

RAMIRO            —    Antes você ficar aqui entregando documentos quando necessário, do que em casa tocando aquela droga daquele violão!

MARCELO        —    O senhor pode achar que não, mas eu sou muito mais útil com o violão.

RAMIRO            —    Ah é? Pois que não vejo utilidade em você nem lá e nem aqui!

MARCELO        —    Não perde uma oportunidade, né, seu Ramiro!

RAMIRO            —    Se você realmente fosse competente, teria negociado um dos maiores contratos que a Fabristilo já viu.

MARCELO        —    Ah é? E o senhor conseguiu esse feito?

RAMIRO            —    Óbvio! Você não está lidando com amador, não, Marcelo! (Orgulhoso) A Fabristilo agora é a principal fornecedora de uma das maiores empresas da Argentina!

CORTA PARA:

CENA 10. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Maurício e Nandão ali. Táxi de Severo se aproxima. Ele salta.

NANDÃO           —    E aí, Severão? Como é que tá essa força?

SEVERO           —    Não muito boa. Edileusa sacaneou a Elisa!

NANDÃO           —    Como assim, Severão?

SEVERO           —    Elisa está trabalhando na mesma casa que a Edileusa. E hoje sua esposa foi e deixou a minha filha para trás!

NANDÃO           —    Mas por que a Edileusa faria uma coisa dessas?

SEVERO           —    (Indignado) Não sei! Ela quer minha filha fora da casa que ela trabalha? Se for é só falar!

MAURÍCIO            Calma, Severo. Olha o coração!

SEVERO               Eu fico pra morrer com uma coisa dessas!

NANDÃO           —    Eu nem sabia que a Elisa tava trabalhando com a Edileusa.

MAURÍCIO        —    Você só pode tá de brincadeira, Nandão! Você e a Edileusa ficam fazendo o que dentro de casa?

Nandão pensa na malícia e sorrir.

MAURÍCIO        —    Nem isso aí que você tá pensando deve ser!

NANDÃO           —    Qual é a tua, hein, Maurício?! Não tô te entendendo! Tu tá dentro da minha casa agora pra saber o que eu faço ou deixo de fazer com a minha mulher, é?!

Os dois continuam a discutir fora de áudio. Severo incomodado com a discussão. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa sentada lixando as unhas, ao ouvir alguém se aproximando, ela esconde a lixa e começa a descascar batata. Beatriz vem da sala.

EDILEUSA        —    Bom dia, dona Beatriz. Como o seu Rodrigo está?

BEATRIZ          —    Não me venha com esse seu cinismo deslavado não, Edileusa!

EDILEUSA        —    Que isso, dona Beatriz?

BEATRIZ          —    Tá achando mesmo que me engana? A mesa da sala lá branca de poeira e a dondoca aí sentada!

EDILEUSA        —    Dona Beatriz, a senhora sabe que eu estou aqui nos preparativos do almoço.

BEATRIZ          —    Cadê a novata? (Chama) Elisa!

Elisa vem do quartinho, já uniformizada.

ELISA                —    Pois não, dona Beatriz?

BEATRIZ          —    Mas o que significa isso, Elisa? Hora em que você deveria estar em qualquer outro cômodo da casa, exceto no quartinho!

ELISA                —    Dona Beatriz, eu só estava/

BEATRIZ          —    (Corta) Não me interessa o que você estava fazendo no quartinho! Agora vá limpar essa casa antes que minha rinite ataque!

ELISA                —    Sim, senhora!

Elisa vai para a área de serviço.

BEATRIZ          —    E você, dona Edileuzinha… Fique bem atenta. Não pense que está passando despercebida.

Beatriz volta para a sala.

EDILEUSA        —    (P/si) Eu, hein! Mulher foi no hospital buscar seu Rodrigo e parece que voltou com troço ruim no corpo! Jesus tem misericórdia!

CORTA PARA:

CENA 12. CASA JOSIAS. SALA. INT. DIA.

Sala uma verdadeira bagunça. Revistas, jornais velhos para todos os lados, sofá desforrado, sobras da pizza de ontem por ali. A campainha toca. Josias vem do quarto e abre a porta.

JOSIAS              —    (Surpreso) Marcos? O que você tá fazendo aqui, rapaz?

MARCOS          —    Vim conversar, Jô. Preciso desabafar.

Fecha em Jô. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Kléber ali diante da ‘rapeize’. Todos os homens furiosos a olhar para Kléber.

KLÉBER           —    Então é isso, rapaziada. Já falei tudo que tinha pra falar e até mais do que deveria! (P/Seguranças) Levem eles para fazer a ambientação. (sorrir, debochado) E lembrem-se: vocês nunca mais sairão! Bem vindos ao inferno!

Os homens a olhar para Kléber com ódio nos olhos. Um dos homens a passar perto de Kléber, o ataca tentando esganar ele.

KLÉBER           —    Me solta seu desgraçado!

Kléber luta com ele, um segurança tenta atirar, mas os dois se mexem muito. Ele decide atirar para o alto. Começa o ‘corre, corre’. CAM mostra um grupo de homens correndo para os muros para escalar, mas alguns são atingidos por bala de borrachas. Instantes. Confusão.

Atenção Sonoplastia: ouve-se um tiro. Corta para Kléber e o ‘esganador’: o esganador em cima de Kléber. Sangue ao redor. Instantes. Suspense. Kléber joga o corpo do esganador para o lado.

KLÉBER           —    Desgraçado ainda me sujou com esse sangue imundo dele!

Kléber pega a arma do segurança e atira mais três vezes no corpo. Moreira se aproxima.

MOREIRA         —    Tá ferido, Kléber? Tá ferido?

KLÉBER           —    Não. Esse idiota que tentou me matar e agora acaba de ser recebido pelo satan. Cuidou do cara que eu te mandei?

MOREIRA         —    Tá lá prontinho esperando por você!

KLÉBER           —    Ótimo! Ajuda os seguranças a colocar ordem por aqui, que eu vou cuidar dele.

Kléber segue caminhando e Moreira ajuda os seguranças a juntar os homens, alguns feridos pelas balas de borracha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA JOSIAS. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 12.

JOSIAS              —    Tudo bem, Marcos. Pode entrar. Só não repara a bagunça.

Marcos entra e Jô fecha a porta.

MARCOS          —    Caramba, Jô. Parece que passou um furacão e jogou tudo pro alto.

JOSIAS              —    Por isso eu falei: ‘não repare a bagunça’.

MARCOS          —    Essa casa tem cara de que não é limpa desde, sei lá! (Debocha) Desde que o Palmeiras ganhou o mundial!

JOSIAS              —    Você veio aqui pra conversar, ou julgar o meu modo de viver?

MARCOS          —    Desculpa, Jô. Eu vim aqui desabafar contigo. A Elisa/

JOSIAS              —    (Corta) Por favor, Marcos! Você está cansativo demais com essa história já! Ela não pediu um tempo pra você?

MARCOS          —    Pediu, Jô. Mas aconteceu que do jeito que ela agiu hoje de manhã lá na praça, parece realmente que ela não quer que eu me aproxime do meu filho!

JOSIAS              —    Isso daí já é caso de advogado então!

MARCOS          —    Foi isso que falei pra ela. Que ia entrar com uma ação exigindo meu direito de ver o meu filho!

JOSIAS              —    Essa novela Marcos e Elisa nunca vai chegar ao fim desse jeito!

Marcos continua a falar fora de áudio, com Jô exausto de tanto ouvir a mesma história da ‘carochinha’. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. FÁBRICA FABRISTILO. PARTE DE TRÁS. EXT. DIA.

Homem ali amarrado numa árvore com a boca amordaçada. Kléber vem se aproximando.

KLÉBER           —    Como é que tá aí, meu amigo?

O Homem tenta falar, mas está amordaçado.

KLÉBER           —    (Debocha) Não tô ouvindo o que você tá falando, meu parceiro. Fala mais alto! (Procura algo) Sabe… Às vezes eu fico pensando: ‘como que as pessoas podem ser tão burras?’. Não entendeu, vou te dar um exemplo. Por questão até de educação, a gente nunca deve chegar num local e já ir contra quem está no comando. Mas não se preocupe, meu chapa. Teremos muito tempo até você aprender como as coisas funcionam por aqui. (Pega uma madeira) Achei.

Kléber dá duas madeiradas ao ar.

KLÉBER           —    Imagine isso aqui no lombo de alguém… De doer pra caramba, né?

Fecha no Homem ali aterrorizado a tentar a gritar. Instantes. Tensão. Desespero.

CORTA PARA:

CENA 16. FÁBRICA FABRISTILO. QUARTINHO. INT. DIA.

Camila ali assustada.

CAMILA             —    (Aterrorizada) Aquilo foi tiro! Eu vou morrer!

Regina entra.

REGINA             —    Desculpe ter que me ausentar assim, mas ser a encarregada geral desse bando de palermas não é fácil!

CAMILA             —    Foi tiro o que eu acabei de ouvir?

REGINA             —    Foi sim, queridinha.

CAMILA             —    Vocês vão me matar também?

REGINA             —    Claro que não, bobinha. Deixa eu te explicar uma coisa. Aqui se você fizer o seu e não nos dar trabalho, vai viver sossegada sem ninguém para lhe encher a paciência. Agora, se você for daquelas que gostam de aparecer, aí temos um grande problema! Mas só de olhar pra você, logo de cara dá pra ver que você é daquelas mais tímidas. Pronta pra começar? (Pausa) Imaginei que não. Agora vamos.

As duas saem.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Viviane e Rodrigo ali sentados. Elisa vem da cozinha com um balde e vassoura.

ELISA                    Desculpe. Dona Beatriz mandou vir limpar aqui, mas depois eu volto.

VIVIANE            —    É, volta outra hora que estamos aqui.

RODRIGO         —    (Tenta levantar) Nada disso! Vamos deixar a moça fazer o trabalho dela.

VIVIANE            —    Rodrigo, não tenta levantar. Você tá machucado.

RODRIGO         —    Mas a gente não pode também atrapalhar a menina.

VIVIANE            —    Ela tá aqui o dia todo, Rodrigo. Depois ela limpa.

ELISA                —    Não se preocupe seu Rodrigo. Depois eu volto. Enquanto isso, eu vou adiantar os quartos lá em cima.

VIVIANE            —    Faça isso serviçal!

Elisa passa por Rodrigo e os dois a se olhar. Viviane percebe e vira o rosto dele.

VIVIANE            —    Meu amor, eu tava pensando que quando você melhorar, a gente poderia tentar fazer alguma coisa de diferente.

Elisa sobe a escada olhando para o casal.

VIVIANE            —    Então, Rodrigo? O que você me diz?

RODRIGO         —    Depois a gente ver isso!

Closes alternados, Viviane séria. Rodrigo pensativo a olhar para a escada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. FÁBRICA FABRISTILO. PARTE DE TRÁS. EXT. DIA.

Continuação não imediata da cena 15. Kléber se aproxima com a madeira.

KLÉBER           —    Meu amigo… Depois dessa você não vai querer ter nascido!

CAM mostra o Homem a tentar implorar.

KLÉBER           —    Agora não tem chorinho, não! Aqui existem algumas leis. E uma delas e nunca desrespeitar.

CAM não mostra, mas ouvimos os ruídos de Kléber dando uma madeirada no Homem, que tenta gritar a todo instante.

KLÉBER           —    (OFF) E nem desafiar quem está no comando! Você me entendeu?

CAM mostra o Homem com muita dor, agoniado meneia a cabeça que sim.

KLÉBER           —    (Olhando p/ baixo) Mas o que é isso? Não aguentou uma simples massagem e molhou as calças?

CAM mostra o homem mijado.

KLÉBER           —    Então se prepara pra fazer o número dois agora!

Atenção Edição: Tela fica com a imagem turva. Kléber ao fundo a dar várias madeiradas no homem, fora de áudio. Instantes. Ele larga a madeira e se afasta. CAM abre o Plano com nitidez lentamente. O Homem desmaiado e a presença de sangue perto dele. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

 FIM DO DÉCIMO SEXTO CAPÍTULO

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POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

Estreia dia 19 de Outubro

Estreia dia 20 de Outubro

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