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Nova Chance Para Amar – Capítulo 17

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SEVERO

SÉRGIO

VIVIANE

CENA 01. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa a cozinhar, Rick entra.

RICK                  —    Chegou sozinha hoje, né, Edileusa?

EDILEUSA        —    Sim. Por quê?

RICK                  —    Nada. Pensei que a novata ia vim junto contigo.

EDILEUSA        —    Também pensei a mesma coisa, mas você acredita que ela acordou atrasada?

RICK                  —    Logo no segundo dia de emprego e já está assim?

EDILEUSA        —    Pois é. Essa daí não deve durar muito por aqui não.

RICK                  —    Com a dona múmia no pé de todos, ninguém aguenta!

EDILEUSA        —    Pera aí. Quando eu cheguei você já não tinha ido com a dona Beatriz buscar o seu Rodrigo no hospital?

RICK                  —    Tinha.

EDILEUSA        —    E como é que você sabe que eu cheguei aqui sozinha?

RICK                  —    Edileusa… Não seja ingênua. Aqui a rádio fofoca corre solta, minha filha.

EDILEUSA        —    (Indignada) Esses seguranças ao invés de proteger a mansão ficam tomando conta da minha vida! Eu, hein! Bando de homens fofoqueiros! Têm é que procurar o que fazer isso sim!

CORTA PARA:

CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Mulheres ali trabalhando concentradas. Regina e Camila chegam.

REGINA             —    É aqui o seu ambiente de trabalho a partir de agora. Alguma dúvida?

CAMILA             —    Não.

REGINA             —    Imaginei. Agora vou te levar pra trabalhar com uma das melhores daqui.

As duas se aproximam de Amanda.

AMANDA           —    Pois não, dona Regina?

REGINA             —    Quero que você treine a nossa nova contratada.

AMANDA           —    Pode deixar.

REGINA             —    E cadê Belinha?

AMANDA           —    Ela saiu com o Sérgio aí.

REGINA             —    Hum… Quando ela voltar, mande-a subir direto pro escritório.

AMANDA           —    Dona Regina, eu queria conversar com a senhora sobre isso.

REGINA             —    Agora não, Amanda. Ensina a moça, depois a gente conversa.

Regina sobe a escada para o escritório.

AMANDA           —    Olha, colega, eu sei o terror que tá se passando na sua cabeça, mas… Infelizmente agora que estamos aqui, temos que trabalhar.

Amanda começa a explicar todo o procedimento do trabalho a Camila fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. FÁBRICA FABRISTILO. BANHEIRO MASCULINO. INT. DIA.

Sérgio ali com Belinha.

SÉRGIO             —    Filha, eu te trouxe até aqui pra Amanda não ficar se metendo na nossa conversa.

BELINHA          —    Tudo bem, pai. Mas esse banheiro aqui fede e é todo quebrado.

SÉRGIO             —    É, filha. Mas deixa eu te perguntar… Como a Regina te trata?

BELINHA          —    Bem.

SÉRGIO             —    Tem certeza, minha filha? Estamos só nós dois aqui. Você pode falar a verdade.

BELINHA          —    Ela me trata bem, pai. O Kléber que parece não gostar muito da minha presença, mas a Regina brigou com ele tudo por minha causa.

SÉRGIO             —    Eu não entendo! Por que de uma hora pra outra a Regina resolveu ser misericordiosa e te levar pra morar com ela?

BELINHA          —    Pai, fica tranquilo que tá tudo bem.

SÉRGIO             —    Filha, você não sabe o quanto me dói isso tudo. Sabendo que a Regina oferece pra você tudo que eu e sua mãe nunca podemos te dar. (Chora) Toda estrutura que você nunca teve…

BELINHA          —    (Abraça o pai) Não precisa chorar, não, pai. Mesmo que a Regina me ofereça tudo que eu nunca tive… Você e a mãe sempre serão os meus pais. E eu nunca trocaria vocês dois por nada!

SÉRGIO             —    Promete que não vai se esquecer da gente?

BELINHA          —    Claro!

Os dois se abraçam novamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Grupo grande de homens ali todos sentados no chão. Moreira e mais dois seguranças armados diante dos homens. CAM mostra Kléber se aproximando. Ele faz um sinal para Moreira ir até ele.

MOREIRA         —    Demorou pra caramba, hein!

KLÉBER           —    Tava aplicando o corretivo no cara. Mas e aí, teve mais algum problema por aqui?

MOREIRA         —    Não. Depois que a arma entra em ação, acaba a rebelião.

KLÉBER           —    Perfeito. Agora temos que colocar esses caras pra trabalhar.

MOREIRA         —    Tudo bem. Só tu me falar quantos vão para cada setor.

KLÉBER           —    Nem pensei nisso, Moreira! Ramiro pressionando de um lado e Regina agindo feito uma louca do outro.

MOREIRA         —    Eu vi hoje ela com a menina.

KLÉBER           —    Regina não está em sua plena sanidade mental.

MOREIRA         —    Que isso, Kléber? A mulher também não é doida, né?!

KLÉBER           —    Depois dela ter enfiado aquela garotinha abusada dentro de casa, eu não me surpreendo com mais nada!

CORTA PARA:

CENA 05. MANSÃO VIEIRA. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Elisa forrando a cama.

ELISA                —    (P/si) A cama tem que ficar perfeita pro seu Ramiro não querer me matar!

Ela faz mais alguns ajustas na arrumação, quando Viviane entra e tranca a porta.

ELISA                —    Acho que você se enganou de quarto. Essa suíte aqui é do seu Ramiro.

VIVIANE            —    Não me enganei, não. A pessoa com quem eu quero falar está aqui.

ELISA                    Como assim? Eu não entendi.

VIVIANE            —    Escura aqui empregada. Se você acha que eu não percebi o jeito como você olha pro meu marido, você está muito enganada! O que é que é? Tá de olho no meu marido é?

Fecha em Elisa séria. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 06. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.

Ramiro e Beatriz sentados frente a frente. Marcelo a parte a mexer no cel.

BEATRIZ          —    Quando o carro chegou, confesso que fiquei surpresa.

RAMIRO            —    Mas é claro. Queria te dar essa notícia olhando nos seus olhos.

BEATRIZ          —    Espero que tenha feito algo de bom para a empresa.

RAMIRO            —    Bom não irmãzinha querida… Ótimo!

BEATRIZ          —    Vejamos se realmente foi algo ótimo para a empresa. Eu dou o veredito! Mas diz o que se trata.

RAMIRO            —    (Entusiasmado) Fechamos contrato com aquela empresa da Argentina de moda praia!

BEATRIZ          —    Todo esse auê por causa de um contrato com uma empresa aqui da América do Sul?

RAMIRO            —    Estamos alcançando territórios estrangeiros, Beatriz! Será que você entende a importância disso?

BEATRIZ          —    Territórios estrangeiros e relevantes você alcançava quando fazia negócios com o Pierre, pai do Rodrigo, na França.

Ramiro faz sinais sutis para Beatriz para de falar. Marcelo desconfia.

MARCELO        —    Como assim negócios com o pai do Rodrigo?

CORTA PARA:

CENA 07. MANSÃO VIEIRA. SUÍTE MÁSTER. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 05.

ELISA                —    Escuta aqui, Viviane! Eu não sou esse tipo de mulher que você pensa, não!

VIVIANE            —    Ah não?

ELISA                —    Claro que não!

VIVIANE            —    Porque o que tenho visto nesses dias é absolutamente o contrário! Uma mulher pobre, doméstica, que ao ver o marido lindão da patroa ficou de olho nele… Veja se não dá um bom enredo.

ELISA                —    Sou uma mulher casada e exijo ser tratada com respeito!

VIVIANE            —    Mas como queridinha? Quer se tratada com respeito, mas é a primeira a olhar pro marido dos outros! Só vou te deixar avisada de uma coisa: fique longe do Rodrigo. Se por acaso eu vê vocês dois se falando ou até se olhando… Você sai desta casa no mesmo instante!

Viviane sai, deixando Elisa séria, escorre uma lágrima no rosto dela. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 08. CASA JOSIAS. SALA. INT. DIA.

Marcos ali sentado a olhar a bagunça que é o local.

MARCOS          —    (P/si) Jô não deve passar uma vassoura nessa casa desde o PAN de 2007.

Josias vem da cozinha, com dois copos de suco.

JOSIAS              —    Suco em pó é o máximo que eu posso te oferecer.

MARCOS          —    De boa, Jô. Comigo não tem essas frescuras não.

JOSIAS              —    Mas e então? Antes de ir pra cozinha você dizia que ameaçou entrar com uma ação contra a Elisa, é isso?

MARCOS          —    Eu não ameacei a Elisa, Jô. Não distorce as coisas!

JOSIAS              —    Ué! O jeito como você disse deu a entender que foi assim que aconteceu.

MARCOS          —    Mas não foi assim que aconteceu! Eu apenas agir firme com ela. Poxa, a Elisa acha que só porque saiu de casa eu não tenho o direito de ver o meu filho.

JOSIAS              —    Disso eu já sei, Marcos. O autor tá com falta de criatividade e tá escrevendo esse mesmo diálogo pra você faz alguns capítulos já. Mas o fato aqui é que você estragou tudo!

MARCOS          —    Como? Ter exigido ver o meu filho?

JOSIAS              —    Você apenas não exigiu, você ameaçou ela! Mas mesmo assim… Eu acho que você está certo por partes. Não tinha nada que ter ido lá dizer que vai entrar com uma ação, mas você tem o direito.

MARCOS          —    Agora sim você tá me entendo, Jô. Mesmo que por partes, porque eu não concordo que eu tenha estragado tudo, mas enfim…

CORTA PARA:

CENA 09. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.

Continuação da cena 06.

BEATRIZ          —    (Disfarça) Eu disse negócios com o pai do Rodrigo? Eu me confundi!

MARCELO        —    Não! Eu ouvi muito bem.

BEATRIZ          —    Fica com a cara nesse celular, mas só de ouvido em pé na conversa dos que trabalham pra bancar essa boa vida que você vive.

MARCELO        —    Tia… Não seja burra!

BEATRIZ          —    Como é que é, garoto?! Ramiro, você vai ficar parado e deixar esse moleque, projeto de hippie falar comigo desse jeito?!

RAMIRO            —    Marcelo, para com isso!

MARCELO        —    Se vocês acham que eu sou idiota… Devo avisá-los de que fico a par de tudo.

RAMIRO            —    Como assim, Marcelo? O que você tá insinuando com isso?

MARCELO        —    Nada, pai. Apenas estou aqui sendo um idiota, mexendo no celular e vivendo da vida boa que vocês que trabalham me dão.

Marcelo sai da sala.

BEATRIZ          —    Esse garoto é um caso perdido mesmo!

RAMIRO            —    (Saindo) Poupe-me, né, Beatriz! (Chama) Marcelo? 

Ramiro sai, com Beatriz arrematando.

BEATRIZ          —    Ué, gente! Só falei a verdade! Se você é outro que não gosta de ouvir a verdade, não posso fazer nada, meu queridinho!

CORTA PARA:

CENA 10. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Rodrigo ali mexendo no cel. Viviane entra, vindo de fora da casa.

VIVIANE            —    Hoje o sol tá maravilhoso, meu bem. Bom pra pegar uma marquinha.

RODRIGO         —    (Áspero) Olha bem pra mim, Viviane. Você acha mesmo que eu estou em condições de ir pegar ‘marquinha’ ferido de uma facada?!

VIVIANE            —    Nossa, Rodrigo! Também não precisa ser grosso desse jeito!

RODRIGO         —    Desculpa. Depois disso tudo, a verdade é que eu fiquei muito preocupado.

VIVIANE            —    Preocupado com o quê?

RODRIGO         —    Acho melhor a gente voltar pra França.

VIVIANE            —    Nunca! Eu já falei que ter voltado ao Brasil foi a melhor coisa que fizemos! Aqui é a nossa casa, Rodrigo.

RODRIGO         —    Então a melhor coisa pra você foi eu ter levado uma facada, porque não é possível!

VIVIANE            —    Rodrigo, você está de cabeça quente. Depois a gente conversa sobre isso.

Elisa desce a escada carregando o balde a vassoura e passa de cabeça baixa.

RODRIGO         —    Por que a moça passou aqui desse jeito?

VIVIANE            —    E eu que vou saber?

Fecha em Viviane séria. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Elisa coloca o balde e a vassoura por ali e fica a pensar. Edileusa desconfia. Rick a beber um copo d’água.

EDILEUSA        —    O que aconteceu, Elisa?

ELISA                —    Nada não, Edileusa.

EDILEUSA        —    Tem certeza? Você saiu daqui de um jeito e agora me volta assim?

ELISA                —    (Áspera) Eu já falei que não aconteceu nada, Edileusa! Só me deixa em paz!

Elisa vai para o quartinho.

EDILEUSA        —    Ih… Tá com a macaca hoje!

RICK                  —    Deixa a moça, Edileusa. Ela deve tá num dia ruim. Você deixou ela pra trás.

EDILEUSA        —    Até quando você vai continuar insistindo nessa idiotice, Rick? Eu já não falei que ela acordou atrasada?

RICK                  —    Tudo bem. Não tá mais aqui quem falou. Nossa! Essa casa tá carregada de mau-humor!

Rick sai pela porta da cozinha. Edileusa fica ali séria, pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Mulheres trabalhando. Amanda ensinando Camila.

AMANDA           —    Entendeu como se faz?

CAMILA             —    Eu nunca usei uma máquina de costura na minha vida.

AMANDA           —    Antes de chegar nesse inferno, eu também nunca tinha usado. Mas com o tempo você acaba aprendendo.

Belinha se aproxima da mãe e Camila.

BELINHA          —    (Impressionada) Nossa! Como você é linda!

CAMILA             —    (Sorrir) Brigada.

AMANDA           —    Aonde você tava, minha filha?

BELINHA          —    Com meu pai na área de recebimento.

AMANDA           —    E ninguém se importou com você lá? Nem mesmo o Kléber ou o Moreira?

BELINHA          —    Não.

Kléber entra na área de produção. Olha por um instante elas e sobe a escada para o escritório.

CAMILA             —    Esse canalha aí que me enganou!

AMANDA           —    A mesma coisa quando meu marido e eu entramos nessa achando que seria o emprego dos sonhos. Agora vamos trabalhar que ele já subiu para o escritório da Regina pra dizer que não estamos dando produção.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina a digitar no notebook. Kléber em pé diante dela.

KLÉBER           —    Quando eu digo pra você que aquela garota é um atraso na produção, você acha que eu tô errado!

REGINA             —    Tá bom, Kléber. Você veio aqui pra falar mal da Belinha ou para falar algo relevante? Porque eu estou muito ocupada fazendo a cotação de compras do próximo mês.

KLÉBER           —    Ah, inclusive inclui aí as agulhas das máquinas de costura. Enfim, eu quero falar com você sobre o carregamento de mão de obra que chegou hoje.

REGINA             —    O que é que tem?

KLÉBER           —    Aonde eu encaixo todos? Não consigo ver função pra todo mundo aqui.

REGINA             —    Isso que dá sair abordando pessoas na rua como um maluco! Por ora eu não tenho o que fazer a respeito. Os pedidos continuam os mesmos! Ramiro ainda não ligo avisando se o contrato com a empresa argentina vingou ou não.

KLÉBER           —    Já sei. Vou dá uma moral para os antigos. Deixar os novatos com eles para aprenderem tudo.

REGINA             —    Faça isso.

CORTA PARA:

CENA 14. PRAIA DA BARRA. ORLA. EXT. DIA.

Marcelo sentado tomando uma água de coco. Ramiro se aproxima.

RAMIRO            —    Que fique registrado: eu não costumo sair atrás de ninguém como estou fazendo agora.

MARCELO        —    Como se eu não soubesse disso!

RAMIRO            —    O que aconteceu, Marcelo? Eu já não te entendia, agora menos!

MARCELO        —    O que aconteceu…? O que acontece no presente, diariamente, é que eu estou cansado de todos palpitarem na minha vida!

RAMIRO            —    Marcelo, pelo amor de Deus! Isso não é hora pra palhaçada! Nós já tínhamos conversado sobre isso e eu achei que estávamos resolvidos.

MARCELO        —    Mas não estamos, pai! O senhor sabe muito bem que o que eu menos quero pra minha vida é viver atrás de uma mesa de escritório!

RAMIRO            —    Eu sei, Marcelo. Você é idêntico a Maristela. Inclusive quando ela me disse que estava grávida, eu torci para que viesse com um pensamento igual ao meu…

MARCELO        —    Mas não foi o que aconteceu!

RAMIRO            —    Exatamente. Não sei se a Maristela chegou a contar pra você a história de quando nos conhecemos.

MARCELO        —    Ela disse que vocês se conheceram num bar. Ela estava cantando.

RAMIRO            —    Exatamente. A sua mãe ela era amadora. O som dela não agradava a todos. Justo no dia em que nos conhecemos, ela cantou tão mal, que foi vaiada pela plateia.

MARCELO        —    Coitada! Isso ela nunca me falou.

RAMIRO            —    Você acha mesmo que sua mãe era boba pra falar isso?

Os dois continuam a conversar fora de áudio. Marcelo sorrir em alguns momentos. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. MANSÃO VIEIRA. QUARTINHO DE EMPREGADA. INT. DIA.

Elisa sentada na cama chorando.

ELISA                —    (P/si) Será que a errada sou eu? Não é possível essa perseguição toda.

EDILEUSA        —    (OFF, bate na porta) Elisa, dona Beatriz voltou. Melhor você sair desse quarto pra ela não encrencar.

ELISA                —    Já tô indo, Edileusa.

Fecha em Elisa ali séria, pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

Takes da Pedra do Arpoador, o pôr do sol, Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Aviões pousando, outros decolando no Aeroporto Santos Dumont. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Severo e Gustavinho assistindo filme de comédia. Os dois riem muito e alto. Laura vem da cozinha com uma bacia de pipoca.

LAURA              —    Ri mais baixo, gente! Dá pra ouvir tudo lá da cozinha.

SEVERO               Laura, esse filme é hilário.

GUSTAVINHO —    Muito engraçado, vó. O cara é muito burro.

LAURA              —    Tava pensando aqui, Severo… Talvez a gente devia fazer algum programinha diferente.

SEVERO           —    Hoje?

LAURA              —    E por que não? É sexta-feira, meu amor.

SEVERO           —    Deixa pra outro dia que hoje eu tô cansado.

LAURA              —    Ultimamente você tem cansado pra tudo, Severo! É impressionante chegar na velhice e ficar prostrado desse jeito!

SEVERO           —    Que isso, Laura? Quem não me conhece e ouve você falando isso, até parece que eu não faço nada. Eu trabalho. E hoje estou esgotado!

LAURA              —    Tudo bem, Severo.

GUSTAVINHO —    (Rindo muito) Olha lá, vô.

SEVERO           —    Tô vendo, Gustavinho.

Severo olha para Laura, que está a encarar o amado seriamente, ele toma um leve susto pela expressão da esposa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE.

Nandão ali ao cel. Maurício ao lado a olhar para o céu estrelado.

NANDÃO           —    (Ao cel.) Pode deixar, totoza. Vou comprar do jeito que você quer. Mas olha… Depois quero ver você usando ela pra mim. (Pausa) Hum… Para de aguçar minha imaginação que tô em serviço ainda. Depois passo aí pra gente se divertir, pode ser? (Pausa) Mas o boi não foi trabalhar hoje? Que pena. Deixa pra outro dia então. Tchau, delícia. (Desliga, olha Maurício ali viajando ao olhar as estrelas) Tá mamado, Maurício?

MAURÍCIO        —    (Não entende) O quê? Falou comigo, Nandão?

NANDÃO           —    Tá aí concentradão olhando pro céu. O que tá acontecendo contigo, cara?

MAURÍCIO        —    Nada. Às vezes é bom parar e ficar olhado algo lindo, como um céu estrelado e purificar a mente.

NANDÃO           —    Ih… Que papo torto é esse, Maurício do Táxi?

MAURÍCIO        —    Nandão, deixa eu aqui, cara… Deixa eu aqui admirando as estrelas…

NANDÃO           —    Deve ter fumado um, não é possível. Tá doidão. Fica aí que eu vou comprar uma gelada no bar do Jô, há essa hora não vai aparecer mais corridas mesmo.

CAM abre o Plano. Nandão indo ao bar do Jô e Maurício continua a se encantar com as estrelas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. FÁBRICA FABRISTILO. RECEBIMENTO. INT. NOITE.

Sérgio e mais um grupo de seis homens a descarregar a carreta na doca. Kléber se aproxima.

KLÉBER           —    (Grita) Sérgio, chega aqui.

SÉRGIO             —    (P/Homens) Volto já.

Sérgio corre até Kléber.

KLÉBER           —    Quero levar um lero contigo.

SÉRGIO             —    Pode falar.

KLÉBER           —    Eu acho que vamos nos entender… Você como pai, a Amanda como mãe, não devem estar se sentindo bem com essa ideia tosca da Regina de levar a Belinha pra morar com ela.

SÉRGIO             —    Não mesmo, Kléber.

KLÉBER           —    Por isso mesmo eu quero que você dê um jeito de tirar a Belinha da Regina!

SÉRGIO             —    Ficou louco, Kléber? Como que eu poderia fazer isso?

Kléber empurra Sérgio contra a parede, saca arma e coloca debaixo no queixo dele.

KLÉBER           —    Não quero saber! Acho melhor você fazer o que eu tô mandando, ou alguém pode sofrer!

SÉRGIO             —    Não faça nada com a Belinha e nem com a Amanda.

KLÉBER           —    Isso só depende de você campeão! Já sabe: em caso de falha, vou escolher uma das duas que vai pagar! A forma como vai me pagar eu não sei, mas na hora dou um jeito!

Fecha em Sérgio furioso a encarar Kléber. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 20. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: campainha toca. Marcos vem do banheiro enrolado na toalha.

MARCOS          —    (Grita) Já vai! (P/si) Quem será? (Abre a porta, surpreso) Elisa?

Fecha em Elisa séria. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

 FIM DO DÉCIMO SÉTIMO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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