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Nova Chance Para Amar – Capítulo 21

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE  CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SÉRGIO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

HOMEM 1, 2 e 3 e  SECRETÁRIA

CENA 01. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE  E RODRIGO. INT. DIA.

Continuação imediata  da última cena do capítulo anterior. Mesmo climão no ar. 

ELISA                —    Eu não mexi em nada!

VIVIANE            —    Ah,  não? Então o que a foto do meu marido que fica dentro do guarda roupa guardada,  estava na sua mão?

ELISA                —    Ela estava caída aqui debaixo da cama.

VIVIANE            —    Você  acha que está lidando com otária. Eu já falei pra você ficar em alerta se quiser  manter esse seu empreguinho medíocre, não foi?

ELISA                —    A foto já estava no chão! Agora, você  acredita se quiser. Não vou perder meu tempo com quem acha que é a dona da  razão!

Elisa sai do quarto,  com Viviane arrematando.

VIVIANE            —    Uma  serviçal, subalterna e metida desse jeito! Pode anotar. Pode anotar que seus  dias nesta casa estão contados! (P/si) Não entendo a obsessão dessa mulher  pelo meu marido. (Olha p/ foto) Nossa! Essa Letícia, mãe do Rodrigo, era  breguíssima! Olha que roupa mais antiquada e ridícula.

CORTA PARA:

CENA 02. PRÉDIO FABRISTILO. SALA  RODRIGO. INT. DIA.

Na sala nova,  Rodrigo e Marcelo sentados. 

MARCELO        —    Finalmente  alguém que não seja um workaholic.

RODRIGO         —    Seu  pai é?

MARCELO        —    Ele  é um pouco. Talvez até pela pressão que a tia Beatriz coloca sobre ele.

RODRIGO         —    Já  você parece não se importar muito com a empresa, né?

MARCELO        —    Não  é nem uma questão de eu não me importar. É mais porque esse lance de  administração não é comigo.

RODRIGO         —    Como  não? Seu pai mesmo me disse que você está cursando administração de empresas.

MARCELO            A parte em que estou cursando  administração porque ele quer, duvido que ele fala!

RODRIGO         —    Mas  então o que você quer da vida?

MARCELO        —    O  que eu quero é viver de música.

RODRIGO         —    Não  acredito! Temos um artista na família e nunca me falaram nada!

MARCELO        —    Todos  são contra! Mas o meu momento ainda vai chegar, Rodrigo. Ultimamente eu tenho  vivido a vida que meu pai quer. Mas ainda vou fazer as minhas próprias  vontades.

CORTA PARA:

CENA 03. MANSÃO VIEIRA. JARDIM. EXT.  DIA.

Elisa caminhando  pensativa, ela para e mexe com as flores no jardim. Rick se aproxima.

RICK                  —    Elisa?

ELISA                —    Oi, Rick.

RICK                  —    Você tá bem?

ELISA                —    Sim, por que a pergunta?

RICK                  —    Eu te vi por aqui andando e pensando na  morte da bezerra. Pensei que você não tava bem.

ELISA                —    Mas está sim.

RICK                  —    Você mora no bairro do Canarinho também?

ELISA                —    Sim, no mesmo bairro que a Edileusa.

RICK                  —    Ah, sim. Você é casada?

ELISA                —    (Estranha) Como assim, Rick?

RICK                  —    Nada. Só estou conhecendo mais um pouco da  minha nova colega de trabalho.

ELISA                    Olha,  Rick. Eu agradeço o seu interesse, mas, sim. Eu sou casada.

Elisa segue  caminhando e Rick arremata.

RICK                  —    (P/si, frustrado) Droga! Por que todas têm  que ser casadas?!

CORTA PARA:

CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO.  EXT. DIA.

Moreira ali armado a  analisar a movimentação. Kléber sai da fábrica e se aproxima.

KLÉBER           —    Tudo  na ordem por aqui, Moreira?

MOREIRA         —    Tudo  na maior santa paz.

KLÉBER           —    Ótimo.  Assim que tem que ser! Eu preciso dar uma saída aí, mas você dá conta de tudo  por aqui, né?

MOREIRA         —    Sim,  sim. Mas você vai aonde?

KLÉBER           —    Vou  resolver umas paradas no centro da cidade. Mas atenção… Se Regina perguntar  pra onde eu fui, você diz que não sabe, beleza?

MOREIRA         —    Beleza.

Kléber vai até seu  carro, que ali está estacionado, dá a partida e sai.

MOREIRA         —    (P/si)  Kléber deve tá fazendo alguma coisa contra a Regina. E agora? Se ela pergunta,  eu devo mesmo acobertar ele?

Moreira fica ali  indeciso, aflito. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Jô a tirar teia de  aranha com uma vassoura das paredes do bar. Marcos invocado, sentado a uma  mesa.

JOSIAS              —    (Irônico) Nossa! Essas teias de aranha já  mostram que o bar anda mais vazio que a fila do SUS. (Olha Marcos invocado)  Iiiih… Já sei. Mais uma vez a Elisa. Acertei, não? (Marcos não responde  nada) E ainda vai me deixar aqui sem resposta! Tá petulante você, hein,  Marcos!

MARCOS          —    (Cai  na real) Ah, o quê? Falou comigo, Jô?

JOSIAS              —    O que aconteceu?

MARCOS          —    É  a Elisa de novo, Jô.

JOSIAS              —    Será que só eu que acho que isso tá  insuportável, já?

MARCOS          —    Ela  não falou nada com a dona Laura sobre o nosso acordo.

JOSIAS              —    Por que será, né, Marcos? Por que será?!

MARCOS          —    Como  assim?

JOSIAS              —    Você melhor do que ninguém sabe que o  (desdém) Severo Borges te odeia. Você acha mesmo que a Elisa iria contar pros  pais dela que entrou em acordo com você?

MARCOS          —    Não  quero nem saber, Jô! A Elisa deu a palavra dela e agora isso? Quando ela chegar  mais tarde, eu vou cercar ela na rua e querer explicações!

JOSIAS              —    Vê e lá o que você vai fazer, hein, Marcos!  Ao invés de correr atrás de um direito que é seu, você pode acabar piorando  tudo como sempre!

Fecha em Marcos ali  indignado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT.  DIA.

Elisa limpando o  armário de parede. Edileusa ao fogão impaciente.

ELISA                —    O que você tem Edileusa? Parece nervosa com  alguma coisa.

EDILEUSA        —    Dei  graças a Deus quando você foi contratada pra me desafogar um pouco, mas a  verdade é que eu tô sentindo falta de fazer outras coisas fora da cozinha.

ELISA                —    Tem certeza disso, Edileusa? Mesmo com seu  Ramiro exigindo a cama forrada sem nenhuma irregularidade?

EDILEUSA        —    Eu  já até acostumei com essas manias do seu Ramiro. Esses dias ele chegou pra  mim, e disse que você não está forrando do jeito perfeito, mas que dava pra  tolerar.

ELISA                —    Sério? Eu passo quase meia hora todo dia  pra deixar aquela bendita cama forrada do jeito certo.

EDILEUSA        —    Então  trate de melhorar, Elisinha. Seu Ramiro é chato com as coisas dele.

ELISA                —    Vou me dedicar mais. Bom, deixa eu trocar  essa água que esse armário tá imundo.

EDILEUSA        —    Vai  lá, querida.

Elisa vai para a  área de serviço com um balde e um pano. Edileusa se certifica de que ela não  está vendo, pega a lata de pó de café, abre a porta do armário e joga dentro  do mesmo. Coloca a lata de pó no lugar e fica a sorrir debochadamente.  Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. CASA LAURA E SEVERO. SALA.  INT. DIA.

Laura sentada a  mexer no cel.

LAURA              —    (P/si) Por que você não responde minhas  mensagens, Elisa?

Severo, sério vem do  quarto.

SEVERO           —    (Sempre  sério) Laura.

LAURA              —    Oi,  meu bem. Indo para o ponto de táxi?

SEVERO           —    Daqui  a pouco. Mas antes precisamos conversar!

LAURA              —    Nossa!  Do jeito que você tá falando até parece que eu estava fazendo alguma coisa de  errado.

SEVERO           —    E  não estava?

LAURA              —    Como  assim, Severo? O que você está insinuando?

SEVERO           —    Não  estou insinuando nada! Não insinuo nada sobre o que vi com os meus olhos.

LAURA              —    Mas afinal, do que é que você está falando,  homem?!

SEVERO           —    De  você conversando com o Marcos na praça. Eu vi tudo da janela do quarto. O que  tanto conversava com aquele canalha, hein, Laura?!

Fecha em Laura.  Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 08. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE  E RODRIGO. INT. DIA.

As sacolas de roupas  ainda ali sobre a cama. Viviane ali pensativa, com a foto em mãos. Beatriz  entra. 

BEATRIZ          —    Subiu  atrás da Elisa e não desceu mais. O que aconteceu?

VIVIANE            —    A  empregadinha que a senhora faz questão de proteger, estava mexendo nas coisas  do Rodrigo.

BEATRIZ          —    Como  assim?

VIVIANE            —    Peguei  ela em flagrante com essa fotografia na mão.

BEATRIZ          —    (Pega  a foto e olha) Quem é essa mulher mal vestida aqui?

VIVIANE            —    É  a mãe do Rodrigo.

BEATRIZ          —    Graças  a Deus que você está na vida do Rodrigo, filha. Assim você pode vestir seu  marido bem. Olha que roupa mais ridícula.

VIVIANE            —    Eu  sei. Mas o que a senhora vai fazer com a serviçal enxerida?

BEATRIZ          —    Ela  estava mesmo mexendo nas coisas do Rodrigo? Você viu?

VIVIANE            —    A  senhora tá me chamando de louca?

BEATRIZ          —    Claro  que não, Viviane! Só quero saber tudo pra não cometer uma injustiça com a  moça!

VIVIANE            —    É  impressionante como a senhora não perde uma oportunidade de defender essa  mulher! Desde que chegamos que eu sinto que ela não é boa coisa!

BEATRIZ          —    Isso  é coisa da sua cabeça, Viviane. A foto poderia muito bem está em qualquer  outro lugar! Pegar ela com a foto na mão, não significa necessariamente que  ela estava mexendo nas coisas do Rodrigo!

VIVIANE            —    (Surta)  Chega! Pra mim, basta! Cansei!

Viviane sai do  quarto, com Beatriz arrematando.

BEATRIZ          —    Aonde  você tá indo, Viviane?

Beatriz meneia a  cabeça negativamente e sorrir com o surto da filha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. CASA LAURA E SEVERO. SALA.  INT. DIA.

Continuação imediata  da cena 07.

LAURA              —    Tinha mesmo necessidade disso tudo só por  que eu falei com o rapaz?

SEVERO           —    Mas  que raio de pergunta é essa, Laura?! Você sabe o quanto esse canalha faz mal  pra nossa filha, e fica de conversinha fiada com ele!

LAURA              —    O  Marcos apenas queria me perguntar uma coisa. Eu não poderia deixar de  responder ele.

SEVERO           —    O  que ele queria?

LAURA              —    Você não acha que tá perguntador demais,  não?

SEVERO           —    Não!  Principalmente quando se trata do meu neto e da minha filha!

LAURA              —    Ele só queria me perguntar se podia ver o  Gustavinho.

SEVERO           —    Nunca!  Aquele desgraçado nunca mais chega perto do meu neto!

LAURA              —    Que isso, Severo?! O Marcos pode ter todos  os defeitos dele, mas é o pai do Gustavinho.

SEVERO           —    Não  interessa! Não quero aquele desgraçado perto do meu neto! Enquanto eu puder,  não vou medir esforços pra afastar meu neto dele!

Closes alternados, Severo  determinado e Laura aflita com a situação. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO.  INT. DIA.

Todas na produção em  massa. CAM vem passando por todas as mulheres trabalhando em ritmo acelerado.  Amanda preocupada para de costurar. Camila estranha o jeito de Amanda.

CAMILA             —    Que  cara é esse, amiga?

AMANDA           —    Tô  preocupada com a Belinha. Ela não apareceu hoje.

CAMILA             —    Verdade.  Será que o Sérgio não viu ela por aí?

AMANDA           —    Acho  que não. Ele teria me falado.

Belinha entra na  área de produção.

CAMILA             —    Olha  quem tá vindo ali.

AMANDA           —    (Abraça  a filha) Graças a Deus você apareceu, filha!

BELINHA          —    Calma,  mãe. Eu só estava andando por aí.

AMANDA           —    Como  assim? 

BELINHA          —    Regina  disse que hoje era um dia cheio no escritório e que eu não poderia ficar lá.  Então eu fiquei brincando no pátio.

AMANDA           —    Filha,  quando for assim você vem pra cá ficar junto com a mamãe. Tem muitas pessoas  aqui que não conhecemos. Uma menina brincando sozinha é alvo fácil. Por favor,  não faça mais isso!

CAMILA             —    Sua  mãe tem razão, Belinha. É perigoso uma menina ficar sozinha por aí.

BELINHA          —    Tá  bom, gente.

Amanda dá outro  abraço na filha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. PRÉDIO FABRISTILO. RECEPÇÃO.  INT. DIA.

Secretária ali  trabalhando. Ramiro e Rodrigo saem da sala de reunião.

RAMIRO            —    Rodrigo,  olha, eu estou muito feliz com o seu engajamento e entusiasmo.

RODRIGO         —    É  sempre bom ter novos desafios, Ramiro.

RAMIRO            —    Do  jeito que já estamos agora é só uma questão de tempo até a Fabristilo dominar  o mercado internacional.

RODRIGO         —    Trabalhemos  duro para que isso aconteça o quanto antes!

Kléber entra.

KLÉBER           —    Licença.  Boa tarde a todos!

RODRIGO         —    Boa  tarde.

RAMIRO            —    O  que você faz por aqui? Não esperava sua visita.

KLÉBER           —    Precisamos  conversar sobre aquele assunto.

RAMIRO            —    Ah,  sim. Venha até minha sala. (P/Rodrigo) Depois continuamos.

RODRIGO         —    Tudo  bem.

Kléber e Ramiro  entram para a sala. Rodrigo fica desconfiado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. PRÉDIO FABRISTILO. SALA  RAMIRO. INT. DIA.

Ramiro e Kléber  sentados frente a frente.

RAMIRO            —    Já  imagino o motivo de sua vinda até aqui.

KLÉBER           —    Justamente  sobre isso que quero conversar.

RAMIRO                Então comece me explicando o que  aconteceu e porque só agora você resolveu me procurar?

KLÉBER           —    Bom,  Ramiro. Eu vou ser bem sincero com você. Eu fiquei com medo de que depois do  meu erro, eu fosse ser demitido. Por isso não vim antes.

RAMIRO            —    Realmente  isso dá demissão por justa causa. Mas eu acho que você e Regina trabalhando  juntos são uma dupla imbatível!

KLÉBER           —    Na  verdade, não mais.

RAMIRO            —    Como  assim?

KLÉBER           —    Regina  ultimamente parece que perdeu o controle da situação, Ramiro. Até a filha de  um dos empregados ela pegou para morar com a gente. Tá parecendo que a menina  é filha dela.

RAMIRO            —    No  meu ponto de vista, isso não demonstra fragilidade na gestão da Regina.

Kléber continua a  falar fora de áudio. Instantes.  Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO.  ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina sentada a digitar  no notebook. Moreira entra.

MOREIRA         —    Licença,  dona Regina.

REGINA             —    Fecha  a porta e sente-se.

MOREIRA         —    (Faz  o que foi mandado) O que a senhora queria falar comigo?

REGINA             —    Moreira,  como você já deve ter notado, o Kléber e eu estamos meio que não nos  entendendo mais.

MOREIRA         —    Sim,  até os empregados já notaram isso.

REGINA             —    (Firme)  Eu falo, você ouve, ok?!

MOREIRA         —    Desculpe.

REGINA             —    Eu  vi o exato momento em que o Kléber falou algo com você e saiu. O que ele  disse?

MOREIRA         —    (Nervoso,  hesita) Olha, dona Regina/

REGINA             —    (Corta)  Sugiro que você pense muito bem antes de me responder! Se você ousar mentir  pra mim, pode ter certeza que será um inimigo a partir de agora.

Fecha em Moreira  super nervoso. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO.  ARMAZENAGEM. INT. DIA.

Sérgio e mais dois  homens ali a armazenar os tecidos com o auxílio de um transpa-pales elétrico.

SÉRGIO             —    (Olhando  p/ nota fiscal) Agora só faltam os tecidos de algodão.

HOMEM 2          —    Vocês  perceberam que tudo tá estranho?

HOMEM 3          —    Como  assim, cara?

HOMEM2          —    Desde que esse novo ‘carregamento’, como  eles falam, de mão de obra chegou, que nada tá como antes.

SÉRGIO             —    Você  quer dizer que tudo parece estar mais calmo, não é isso?

HOMEM 2          —    Isso  aí. Até Regina parou de ficar no nosso pé por causa de produção.

HOMEM 3          —    Verdade,  cara. Deve ter alguma coisa acontecendo aí.

HOMEM 2          —    Pra  vocês verem… Kléber não costuma sair durante o dia e saiu hoje. Tava lá no  recebimento, quando vi ele falando com o Moreira e saindo de carro.

SÉRGIO             —    E  o Moreira acabou de ser chamado na sala da Regina…

HOMEM 3          —    Tá  mais fácil escapar então!

HOMEM 2          —    Mano,  nem pensa em fazer isso. Eles vão te matar, cara. Ou sumir com você. Aquele  cara mesmo que chegou junto com o carregamento novo, nunca mais foi visto.

HOMEM 3          —    É  mesmo. O que será que fizeram com o cara?

Fecha em Sérgio ali  encafifado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. FÁBRICA FABRISTILO.  ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Continuação imediata  da cena 13. Moreira ainda hesita em falar.

REGINA             —    Vamos  lá, Moreira. Eu sei que você quer estar do lado certo!

MOREIRA         —    Dona  Regina, eu juro pra senhora que o Kléber não falou pra onde estava indo. 

REGINA             —    Ele  não deu nenhuma pista de onde pode ter ido?

MOREIRA         —    Só  disse que tinha que ir resolver algumas coisas no centro.

REGINA             —    Não sei se devo confiar em você, Moreira.

MOREIRA         —    Dona  Regina, por tudo que é mais sagrado, eu juro que ele só me falou isso.

REGINA             —    Tudo  bem, Moreira. Só lhe aviso o seguinte: digas com andas, ok?!

MOREIRA         —    Sim,  senhora.

REGINA             —    Agora  pode sair.

Moreira sai e Regina  fica ali séria, intrigada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 16. CANARINHO. PONTO DE TÁXI.  EXT. DIA.

Nandão, Maurício e  Severo ali.

SEVERO           —    Maurício  hoje está em seu estado normal?

MAURÍCIO        —    Estou.  Nandão me falou que vocês me ajudaram e até me levaram pra casa. Obrigado  mesmo.

SEVERO           —    Mas  agora a pergunta que não quer calar: por quê?

NANDÃO           —    Severão,  tu vai ficar surpreso com a história!

MAURÍCIO        —    Eu  comi um bolo que pelo jeito tinha um pouquinho de maconha.

NANDÃO           —    Um  pouquinho não, né, Maurício? Do jeito que tu ficou, o bolo tava era carregado  de fumo, isso sim!

SEVERO           —    Mas  como assim? Quem te deu o bolo?

MAURÍCIO        —    Uma  senhora muito simpática.

NANDÃO           —    Severo,  tu acredita que a véia tava indo pra Bangu visitar o filho no presídio e já  chegou lá toda no feito do fumo?

SEVERO           —    Mas,  Maurício, como você come as coisas que qualquer um te dá, cara?!

MAURÍCIO        —    Como  que eu poderia imaginar que uma senhora tava com um bolo carregado de erva?!  Ela me parecia ser uma senhora de família, séria.

SEVERO           —    E  isso nos ensina uma lição: rosto, a aparência não diz quem as pessoas são de  verdade!

NANDÃO           —    Isso  aí, Severão! Filosofou agora!

CORTA PARA:

CENA 17. PRÉDIO FABRISTILO. SALA  RAMIRO. INT. DIA.

Continuação não  imediata da cena 12. Ramiro e Kléber sentados frente a frente.

RAMIRO            —    Kléber,  eu agradeço a sua visita, mas a Regina não sairá de seu cargo.

KLÉBER           —    Disso  eu já sei, Ramiro. Regina está junto com vocês desde que a empresa começou.

RAMIRO            —    Exatamente!  Por esse motivo e outros vários, que Regina se tornou indispensável na  empresa.

KLÉBER           —    Sim,  sim. Seu Ramiro, longe de mim querer que a Regina deixe o posto dela na gestão  da Fábrica da empresa. Só vim conversar com o senhor, porque eu acho que  alguém aqui da administração tem que falar com ela a respeito.

RAMIRO            —    Não  precisa se preocupar que disso cuido eu!

Rodrigo entra na  sala com um relatório aberto em mãos.

RODRIGO         —    Ramiro,  eu queria que você me explicasse aqui… Opa! Desculpa. Eu não sabia que ainda  estavam em reunião. Volto outra hora.

RAMIRO            —    Não  será preciso, Rodrigo. Kléber já estava de saída.

KLÉBER           —    Tudo  bem. Obrigado por ter me recebido, seu Ramiro.

Kléber sai.

RODRIGO         —    Quem  é esse sujeito, Ramiro?

RAMIRO            —    É  um funcionário da empresa. Mas me fala, qual é a sua dúvida?

RODRIGO             (Aproxima-se de Ramiro com o relatório)  Eu estava dando uma analisada na página  cinco e achei várias irregularidades…

Rodrigo continua a explicar  fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. PRÉDIO FABRISTILO. FRENTE.  EXT. DIA.

Kléber furioso sai  do prédio, encosta-se em seu carro ali estacionado e arremata.

KLÉBER           —    (P/si,  furioso) Inferno! Regina tem que cair! Mas com um administrador palerma desses  não dá! (Pausa) Alguém na administração dessa empresa tem que enxergar as  coisas como elas são!

Kléber entra no  carro, dá a partida e se afasta. CAM mostra Marcelo de longe a observar,  tomando sorvete. 

MARCELO        —    (P/si)  Nossa! Aquele homem parecia furioso!

Ele se aproxima e  entra no prédio. CAM dá um close no Letreiro da Fabristilo e o deixa em  destaque. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT.  DIA.

Edileusa terminando  de preparar a comida. Beatriz vem da sala.

EDILEUSA        —    Ah,  dona Beatriz, queria mesmo falar com a senhora. Parece que aquele tempero que  a senhora compra toda semana, acabou.

BEATRIZ          —    Mas  como assim? Eu comprei dois sachês. Você anda usando demais isso, Edileusa?

EDILEUSA        —    Claro  que não, dona Beatriz. Tô usando na medida que a senhora mandou. Procurei no  armário e não achei.

BEATRIZ          —    Hum.  Você como sempre não acha nada. Aposto que tá aqui no armário.

Beatriz vai para o  armário e o abre em SLOWMOTION, sobe rapidamente a narração de  Edileusa.

EDILEUSA        —    (OFF,  esperançosa, Narrando) É agora! É agora que Elisa dá o fora dessa casa!

BEATRIZ          —    Mas  que caca que tá esse armário, Edileusa! Que imundice é essa?

EDILEUSA        —    Desculpe,  dona Beatriz. Mas eu estou cozinhando. A Elisa que cuida da limpeza!

BEATRIZ          —    (Grita)  Elisaaa!!!

Elisa vem da área de  serviço.

ELISA                —    Pois não, dona Beatriz? O que aconteceu?

BEATRIZ          —    Aconteceu  que deixaram o armário da cozinha chegar ao nível mais podre que eu já vi na minha  vida!

ELISA                —    Mas eu limpei o armário!

BEATRIZ          —    Jura?  Porque a imundice que está por dentro diz o contrário!

Closes alternados,  Elisa nervosa, Beatriz séria, Edileusa discreta, sorrir debochadamente.  Instantes. 

CORTA PARA:

CENA 20. FÁBRICA FABRISTILO. CORREDOR.  INT. DIA.

Belinha vem correndo  distraída, quando para, olha para um corredor com iluminação precária. Curiosa,  ela avança pelo corredor. Local com mofo, infiltração, tinta descascando da  parede. Belinha assustada a olhar tudo. Ela para diante de uma porta de ferro  grande, com um único orifício trancado por um cadeado.

BELINHA          —    (P/si)  Que lugar é esse?

Alguém por de trás  da porta começa a bater e Belinha cai assustada.

HOMEM 1          —    (OFF,  Grita) Socorro! Socorro! Alguém aí pra me ajudar!

BELINHA          —    Quem  é você?

HOMEM 1          —    (OFF)  Pela voz parece ser uma menina. Por favor, me ajude.

BELINHA          —    Tudo  bem. Eu vou te ajudar.

HOMEM 1              (OFF) Eles me espancaram e me prenderam  aqui!

BELINHA          —    Fica  calmo que eu vou te ajudar. (Tenta puxar o cadeado incansavelmente)

Atenção Sonoplastia: Instrumental  Suspense.

CAM mostra um homem  se aproximando, devido à iluminação precária, não distinguimos de quem se  trata. CAM subjetiva: na visão do homem se aproximando de Belinha. O homem  para perto de Belinha, mas a mesma nem nota, pois está determinada a ajudar o  homem. O homem coloca a mão no ombro dela, que se assusta. CAM abre o plano  revelando que o Homem, na verdade, é Moreira.

MOREIRA         —    O  que você pensa que tá fazendo garota?

Fecha em Belinha a  encarar Moreira, com medo. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO VIGÉSIMO PRIMEIRO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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