Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on telegram

Nova Chance Para Amar – Capítulo 23

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE  CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

RAMIRO

REGINA

RODRIGO

SEVERO

SÉRGIO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

HOMEM 1 e MOREIRA

 

CENA 01. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Rodrigo ainda a encarar Jô.

JOSIAS              —    Você quer pedir alguma coisa agora?

Rodrigo não responde e continua a encarar Jô, admirando-o.

JOSIAS              —    (Vira-se de costas) Tá legal. Mais um doido que entra no meu bar.

RODRIGO         —    (Cai na real) Ah, sim. Eu quero fazer o meu pedido agora.

JOSIAS              —    Ah, segundos atrás eu pensei que você não tivesse fala ou era maluco.

RODRIGO         —    (Sorrir) Que isso, senhor? É que essa é a primeira vez que eu venho neste bairro há anos.

JOSIAS                  Ah, sim. (Reparando-o) Se era morador, vejo que melhorou de vida.

RODRIGO         —    Não. Eu tinha parentes que moravam por aqui. 

JOSIAS              —    Quem? Não se mudaram tantas pessoas daqui nos últimos anos.

RODRIGO         —    (Desconversa) Cadê o cardápio?

JOSIAS              —    Os cardápios então passando por uma fase de atualização, como o Marcos fala.

RODRIGO         —    Tudo bem. Então traga pra mim um refrigerante e uma coxinha daquelas ali nobalcão que estão me chamando.

JOSIAS              —    Tá bom. Volto já.

Jô vai para a cozinha e Rodrigo fica ali a admirar o bar.

RODRIGO             (P/si) Não mudou nada! Apesar de que há quinze anos atrás, isso aqui era mais movimentado.

CORTA PARA:

CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. NOITE.

Regina e Belinha ali sentadas. Sérgio determinado entra no escritório e arremata

SÉRGIO             —    Dona Regina, eu preciso conversar com a senhora um assunto sério!

REGINA                 Tá legal. Mas isso lá é jeito de entrar no meu escritório?

SÉRGIO             —    Desculpe, mas o que eu tenho pra falar com a senhora não exige educação!

REGINA             —    (Não entende) Como assim, Sérgio? Do que é que você está falando, afinal?

SÉRGIO             —    Eu quero a minha filha de volta! Você não é a mãe dela!

Closes alternados em Regina e Belinha assustadas e surpresas com tal atitude de Sérgio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Viviane e Beatriz ali sentadas. Ramiro e Marcelo chegam da empresa. Marcelo sobe a escada.

VIVIANE            —    Cadê o Rodrigo, tio Ramiro?

RAMIRO            —    Rodrigo teve que ir a outro lugar e disse que talvez chegaria tarde.

VIVIANE            —    Mas o Rodrigo só pode ter ficado louco! Depois de ter sido esfaqueado na orla, eu pensei que ele ficaria com medo de sair na rua à noite.

BEATRIZ           —    Mas ele também não pode deixar de resolver o que tem pra resolver com medo, né, Viviane?

RAMIRO            —    Nisso eu tenho que concordar com a Beatriz. Se fôssemos parar as nossas vidas por causa da violência, o Rio de Janeiro todo parava em peso.

BEATRIZ           —    Mas agora voltando à empresa que nos mantém. Como que vai aquele problema na produção?

RAMIRO            —    (Cochicha) Tem certeza que quer falar isso perto da Viviane?

BEATRIZ           —    Ela é minha filha, eu confio nela.

RAMIRO            —    Você é quem sabe. (Se senta) Hoje um dos responsáveis pela segurança da fábrica foi lá na empresa.

BEATRIZ           —    E?

RAMIRO            —    Conversamos por um tempo e depois ele foi embora. Pelo jeito Regina ainda mantém a fábrica como antes.

BEATRIZ           —    Não sei não! Tenho minhas dúvidas!

Viviane a parte da conversa, distante…

VIVIANE            —    (P/si) Onde é que você se meteu, hein, Rodrigo?

CORTA PARA:

CENA 04. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.

Josias traz o pedido de Rodrigo. 

RODRIGO         —    Obrigado… Jô, não é isso? É o nome do bar.

JOSIAS              —    Isso. Eu sou Josias, conhecido por aqui como tio Jô.

RODRIGO         —    Ah, sim. (Come) Nossa! Mas essa coxinha está muito boa.

JOSIAS              —    Que bom que gostou. Salgados são as especialidades do bar, já que ele anda tão vazio.

RODRIGO         —    É mesmo. Poderia jurar que isso aqui estava lotado de clientes.

JOSIAS              —    Quem me dera, rapaz. Faz muitos anos que esse bar não é mais o mesmo.

RODRIGO         —    E por que o senhor continua?

JOSIAS              —    Ah, como eu sou sozinho, isso aqui me distrai.

RODRIGO         —    Então o senhor não casou?

JOSIAS              —    Não. Desde que minha sobrinha faleceu que…

Jô continua a falar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 02. 

REGINA             —    Ok, Sérgio. Já que você insiste… (P/Belinha) Belinha, você pode nos esperar na produção?

BELINHA          —    Claro.

SÉRGIO             —    (Dá um beijo no rosto da filha) O papai já vai descer, tá bom?

Ela meneia a cabeça que sim e sai.

REGINA             —    Sente-se, Sérgio.

SÉRGIO             —    (Se senta) Então, dona Regina/

REGINA             —    (Corta) Quem te mandou vir até aqui falar isso?

SÉRGIO             —    (Não entende) Como?

REGINA             —    Você é um homem sensato, Sérgio. Sei que nunca viria até aqui e falaria desse jeito.

SÉRGIO             —    É sério, dona Regina! Eu quero a minha filha junto comigo e com a Amanda! Nós somos os pais dela.

REGINA             —    (Caminha e fica atrás de Sérgio) Sim, disso eu sei. Em nenhum momento eu falei pra Belinha que eu era a mãe dela. Vamos lá, Sérgio. Eu sei que você está sendo coagido a fazer isso. (Pausa) Quem?

SÉRGIO                 Se eu contar tudo que sei, a senhora promete que não vai me dedurar?

REGINA                 Pode confiar.

SÉRGIO             —    O Kléber odiou quando a senhora pegou e Belinha pra morar com vocês e me ameaçou.

REGINA             —    O que ele falou?

SÉRGIO             —    Que se eu não desse um jeito da senhora devolver a Belinha pra viver com a gente, que ela ou a Amanda pagariam.

REGINA             —    Desgraçado!

SÉRGIO             —    A senhora não vai contar pra ele, vai?

REGINA             —    Não! Logo que o Kléber anda fazendo joguinhos, nós também vamos planejar a nossa própria estratégia!

SÉRGIO             —    Como assim?

Fecha em Regina que sorri maquiavélica. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Severo de pé. Laura e Gustavinho sentados no sofá assistindo TV.

SEVERO           —    O meu netinho tá com raiva do vovô?

LAURA              —    Ele ficou magoado com você, Severo.

SEVERO           —    Mas por quê?

LAURA              —    Você prometeu vir pra casa e passar a tarde com ele brincando. Mas em vez disso, você ficou no ponto de táxi.

SEVERO           —    Não coloca lenha na fogueira também, né, Laura? Gustavinho, o vovô ia vim pra casa cedo. Mas apareceu uma corrida para o Santos Dumont e o trânsito estava intenso. O vovô voltou agora a pouco.

GUSTAVINHO—    O senhor podia ter avisado.

LAURA              —    Exatamente!

SEVERO           —    Laura se você não vai me ajudar, não fica colocando ele contra mim. (P/neto) Você desculpa o vovô?

GUSTAVINHO—    Tá bom. Mas só se o senhor me prometer que vai comprar uma coxona daquelas de novo!

SEVERO               Quantas você quiser!

Gustavinho corre e abraço o vovô.

LAURA              —    E no fim, tudo acabou como todos imaginavam. Comida!

SEVERO               E a Elisa, já chegou, Laura?

LAURA              —    Ainda não. Deve ser esse trânsito terrível. Daqui a pouco ela tá chegando.

Severo fica ali dando beijos no tosto do neto. Instantes

CORTA PARA:

CENA 07. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Viviane ali sentada a mexer no cel. Beatriz a analisar se os móveis estão com poeira. 

BEATRIZ           —    Até que Elisa está fazendo um bom trabalho. Os móveis estão limpíssimos como nunca!

VIVIANE            —    A senhora sempre exaltando essa zinha aí.

Ramiro desce a escada.

BEATRIZ           —    Para de implicância com a moça.

RAMIRO            —    Que moça?

BEATRIZ           —    Viviane que não perde uma oportunidade de falar mal da Elisa.

RAMIRO            —    Ah, sim. Conheci ela e não achei lá essas coisas.

BEATRIZ           —    Mas o que importa aqui é o trabalho dela!

RAMIRO            —    Sim. Até que ela está progredindo com a arrumação da minha cama.

BEATRIZ           —    Eu não entendo essa sua mania de cama perfeita.

RAMIRO            —    Ué! Cada um tem suas exigências!

VIVIANE            —    O senhor tem certeza que não sabe pra onde o Rodrigo foi, tio?

RAMIRO            —    Não sei, Viviane. Ele não me disse nada.

BEATRIZ           —    Calma, Viviane. Você tá muito afobada com essa história.

VIVIANE            —    Claro, mãe! Vai que o Rodrigo está me fazendo de corna por aí?

Closes alternados em Ramiro e Beatriz que sorriem. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. CANARINHO. RUA. EXT. NOITE.

Rua deserta. Ônibus se aproxima e para. Edileusa e Elisa saltam. 

ELISA                —    Graças a Deus chegamos, hein, Edileusa.

EDILEUSA        —    Pois é, menina. Tô exausta já. Mas ainda tenho que encarar fogão.

ELISA                —    Que isso? Nandão não te ajuda com isso, não?

EDILEUSA        —    Do jeito que eu saio e deixo a casa, quando eu volto, ela tá do mesmo jeito. Nandão é um imprestável. Vou lá, Elisa. Até amanhã.

ELISA                —    Até.

Edileusa se afasta. CAM mostra Marcos se aproximando de Elisa, ele a segura pelo braço com força.

MARCOS          —    Elisa, a gente precisa conversar!

ELISA                —    Que isso, Marcos? Solta o meu braço, você tá me machucando!

MARCOS          —    Vem comigo!

Os dois vão em direção a floresta. CAM mostra Rodrigo que chega a porta do bar e fica ali a olhar.

RODRIGO         —    (P/si) Aquela é a Elisa?

Rodrigo segue os dois. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. FÁBRICA FABRISTILO. CELA. INT. NOITE.

Homem 1 ali na escuridão. Kléber entra.

KLÉBER           —    Ora, ora, ora… Vejam se não é o que sempre me arruma problema.

HOMEM 1          —    (Se protege, com medo) Por favor, não faça nada comigo!

KLÉBER           —    Calma, cara. Só vim conversar com você.

HOMEM 1          —    Segundo que só vem conversar, mas me tirar daqui não tiram. Eu quero sair daqui.

KLÉBER           —    Calma. Seu momento de sair daqui ainda vai chegar. Isso aqui é tratamento de choque que você está passando pra ver do que a gente é capaz!

HOMEM 1          —    Eu já aprendi a lição.

KLÉBER           —    Assim espero! Amanhã você sai dessa e vai trabalhar com os demais. Mas se por acaso chegar aos meus ouvidos que você tá batendo com a língua por aí sobre tudo que fizemos com você… Não teremos outra alternativa a não ser… (Pausa) Você sabe muito bem o quê!

Closes alternados em Homem 1, com medo e Kléber sorrindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. NOITE.

Amanda e Camila ali a trabalhar, porém, aflitas.

AMANDA           —    Tô muito preocupada com meu marido na sala daquela mulher!

CAMILA             —    Calma, Amanda. E a Belinha?

AMANDA           —    Ela foi ao banheiro. (Aflita) Sérgio que não sai daquele escritório!

CAMILA             —    Talvez ela só queira conversar com ele.

AMANDA           —    Mas você viu como o Sérgio subiu essa escada? Ele parecia furioso, que ia colocar tudo a baixo.

Sérgio desce a escada e se aproxima das duas.

CAMILA             —    Olha quem acaba de sair do escritório da Regina.

AMANDA           —    Graças a Deus, Sérgio. Por pouco eu pensei que você sairia morto daquela sala. 

SÉRGIO             —    Não seja exagerada, Amanda.

AMANDA           —    Não é exagero, não! Eu nunca vi você daquele jeito.

CAMILA             —    Deixa ele falar, Amanda.

SÉRGIO             —    Obrigado, Camila. Então, eu fui conversar com a Regina sobre aquele lance que o Kléber tava me pressionando.

AMANDA           —    E ela aceitou, né? Pelo amor de Deus, Sérgio, diz que ela aceitou! O Kléber pode fazer algum mal pra nossa filha.

SÉRGIO             —    Ela não aceitou.

AMANDA               (Aflita)Meu Deus do céu, Belinha não pode ficar no meio disso tudo.

SÉRGIO             —    Regina não aceitou que a belinha saísse da casa dela, justamente pra afetar o Kléber.

CAMILA             —    Desculpa me meter, mas… Como assim?

SÉRGIO             —    Por enquanto é só o que eu posso dizer.

Sérgio sai, deixando as duas curiosas pra saber do que se trata. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. FLORESTA. TRILHAS. EXT. NOITE.

Marcos ainda segurando no braço de Elisa.

ELISA                —    Solta meu braço, Marcos! (Solta-se dele)

MARCOS          —    (Firme) Vem cá, Elisa. Se você acha que vai mesmo conseguir afastar o Gustavinho de mim, eu te mato!

ELISA                —    Quê? Mas que conversa é essa agora? Nós já não conversamos sobe isso antes?

MARCOS          —    Sim, e eu achei que a gente já tinha se entendido. Mas sabe o que eu descobrir hoje? Sabe, sabe?

ELISA                —    O quê?!

MARCOS          —    Que você não contou pra ninguém da sua família sobre o nosso acordo!

ELISA                —    (Lembra-se) Caramba, Marcos. Eu esqueci de falar isso com minha mãe. Me desculpe mesmo!

MARCOS          —    Eu tô cansado disso já, Elisa! Tudo tem um limite. 

ELISA                —    Tá bom, Marcos eu errei! Desculpe.

Marcos dá um tapa forte na cara de Elisa.

MARCOS          —    Não venha pensando que eu vou cair nessa sua desculpinha de que esqueceu… É sempre a mesma coisa.

Elisa ali com a mão no rosto, Marcos ergue a mão para dar outro tapa, quando Rodrigo intervém segurando o braço de Marcos.

RODRIGO         —    Deixa ela em paz, seu covarde!

MARCOS          —    Quem é você?

ELISA                —    (Surpresa) Seu Rodrigo?

MARCOS          —    Vai embora daqui, cara. Tô resolvendo um lance com minha esposa!

ELISA                —    Ex-esposa!

RODRIGO         —    Agredindo ela?

MARCOS          —    E quem o engomadinho pensa que é para se meter na briga de um casal?!

Rodrigo se descontrola e dá um soco na boca da Marcos, que cai no chão. Ele coloca a mão no ferimento, que sangra.

MARCOS          —    Eu vou acabar com você, seu desgraçado!

Marcos avança pra cima de Rodrigo e o empurra contra uma árvore e fica lhe dando socos na altura do estômago. Rodrigo tenta se defender. Elisa desesperada sem saber o que fazer. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. BAR DO TIO JÔ. FRENTE. EXT. NOITE.

Jô abaixando as portas do bar, ele para e fica pensativo.

JOSIAS              —    (P/si) A voz daquele rapaz…

INSERT do áudio da cena 01.

RODRIGO         —    (OFF, sorrir) Que isso, senhor? É que essa é a primeira vez que eu venho neste bairro há anos.

Fim do insert.

JOSIAS              —    (P/si) Parece que eu já ouvi esse rapaz antes. Mas onde?

Ele fica ali pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. NOITE.

Amanda aflita Camila a trabalhar. 

CAMILA             —    Volta a trabalhar, amiga. Se Regina olha do escritório você parada aí, pode dá ruim pro teu lado.

AMANDA           —    Não tô nem aí pra Regina! Tô muito preocupada com essa história do Sérgio.

CAMILA             —    Realmente o Sérgio poderia ter falado tudo, mas fazer o que, né!

AMANDA           —    Camila, eu tô com medo! Com medo do Sérgio está se envolvendo com isso tudo aqui.

CAMILA             —    Amiga, você sabe que o seu marido é um homem do bem, que só faz as coisas certas.

AMANDA           —    Mas sinceramente, Amanda. Depois do que eu vi hoje, tenho lá as minhas dúvidas.

CORTA PARA:

CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. NOITE.

Kléber e Moreira ali.

KLÉBER           —    Ele ficou se borrando de medo.

MOREIRA         —    (Sorrir) O cara tá desesperado querendo sair daquela cela, Kléber.

KLÉBER           —    Eu sei, mas é necessário colocar lenha na fogueira e assustar o cara. Assim quando ele sair de lá, não vai falar nada com ninguém.

Sérgio se aproxima.

SÉRGIO             —    Kléber, preciso falar com você!

KLÉBER           —    Mas que coincidência maravilhosa. Eu também quero falar com você.

SÉRGIO             —    Então fale!

Kléber dá um soco no rosto de Sérgio, que cai no chão. Moreira se surpreende.

KLÉBER           —    (Aproxima-se de Sérgio no chão) Você merece muito mais que um soco. Eu falei contigo pra você tirar a Belinha da Regina, mas você preferiu ficar defendendo aquela quenguinha da Camila!

Sérgio se levanta e tenta avançar pra cima de Kléber. Moreira saca a arma.

MOREIRA         —    Opa! Pense bem antes de agir, Sérgio!

Fecha em Sérgio a olhar para a arma. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 15. FLORESTA. TRILHAS. EXT. NOITE.

Continuação imediata da cena 12. Marcos e Rodrigo ainda a brigar. Elisa desesperada. Rodrigo revira a situação e dá uma joelhada na barriga de Marcos.

RODRIGO         —    Covarde que bate em mulher merece coisa muito pior!

ELISA                —    (Grita, desesperada) Parem vocês dois!

MARCOS          —    Ah é? O engomadinho quer dar um de galo de briga na minha área?!

Marcos avança contra Rodrigo e o joga no chão. Ele fica por cima dando golpes em Rodrigo, que sempre está a se proteger.

MARCOS          —    Você é um nada que acha que pode contra mim!

ELISA                —    (P/si, desesperada) Meu Deus. Ele vai matar o seu Rodrigo desse jeito.

Ela olha para o chão e vê uma padra grande. Ela pega a pedra e aproxima-se de Marcos cuidadosamente e dá uma pedrada fortíssima na cabeça dele. O mesmo cai desmaiado e ela leva a mão até a boca de espanto.

RODRIGO         —    Obrigado, Elisa.

Elisa o encara ainda espantada com o que fez. Instantes.               

CORTA PARA:

CENA 16. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. NOITE.

Continuação imediata da cena 14. 

SÉRGIO             —    (Ergue as mãos para o alto) Tudo bem. Eu realmente deveria ter tirado a Belinha da Regina. Mas foi ela que não deixou.

KLÉBER           —    Como é que é?

SÉRGIO             —    Regina disse que agora, Belinha é como se fosse filha dela.

KLÉBER           —    Aquela garota tem que voltar pra vocês que são os pais dela! 

SÉRGIO             —    Tenta falar isso pra ela, Kléber! Eu tô com um ódio daquela mulher. Ela tá tomando a Belinha de mim e da Amanda.

KLÉBER           —    Ela tá fazendo isso porque sabe que eu sou contra.

SÉRGIO             —    Kléber, deu pra perceber que você não tá bem com a Regina. Eu quero entrar numa contigo pra tirar minha filha dela.

KLÉBER           —    Que isso? O Sérgio certinho agindo desse jeito?

MOREIRA         —    Tem algo errado nisso daí, Kléber.

KLÉBER           —    Também acho!

SÉRGIO             —    Eu só quero a minha filha de volta!

KLÉBER           —    Parece ser uma boa motivação. Mas Sérgio… (Pausa) Você não vai querer se envolver nessa!

SÉRGIO             —    Tudo pela minha filha de volta!

Fecha em Kléber surpreso com a atitude de Sérgio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. QUARTINHO DE EMPREGADA. INT. NOITE.

Viviane a vasculhar as coisas das empregadas. 

VIVIANE            —    (P/si) Aqui deve ter alguma coisa relacionado a essa tal Elisa.

Beatriz entra.

BEATRIZ           —    O que você pensa que tá fazendo, Viviane?

VIVIANE            —    Estou atrás de provas!

BEATRIZ           —    Por quê? E contra quem?

VIVIANE            —    Eu tenho que saber onde essa Elisa mora.

BEATRIZ           —    Meu Deus do céu, mas por que toda essa obsessão?

VIVIANE            —    A senhora não entende, né, mãe? Aliás, a senhora nunca entende! É sempre a mesma coisa. Fica contra mim e a favor de quem nunca nem viu na vida!

BEATRIZ           —    (Firme) Viviane, para de ser ridícula! Só você que não percebe que essa sua ideia de que o Rodrigo pode trocar você por uma serviçal é sem fundamento! Coisa mais ridícula e insuportável! 

Fecha em Viviane séria. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE.

Elisa e Rodrigo saem da floresta. Rodrigo apoiando em Elisa. Se aproximam de uns bancos e se sentam. CAM detalha escoriações no rosto de Rodrigo, terno do mesmo, sujo.

ELISA                —    O que você tá fazendo aqui, seu Rodrigo? O senhor me seguiu até aqui?

RODRIGO         —    Não, Elisa. E não precisa se fazer de desentendida. Todos nós sabemos o que está acontecendo aqui e quem somos de verdade.

ELISA                —    Eu ainda tinha as minhas dúvidas, mas depois de hoje eu tenho certeza que é você.

RODRIGO         —    Sim, sou eu. No momento em que eu te vi assim que cheguei da França, eu nunca esqueci aquela mulher que estava na entrevista de emprego, com aquele mesmo olhar da adolescente doce que eu conheci. É como se meu coração dissesse que já nos conhecíamos. E depois aquele episódio do pingente…

ELISA                    (Mostra o pingente no pescoço)Pois é. Foi tudo se encaixando que como num quebra cabeça.

RODRIGO             É verdade. (Olha para a escultura do Canarinho) Assim que pisei de novo neste bairro, não pude deixar de me recordar dos nossos vários momentos felizes debaixo da asa do canarinho.

ELISA                —    Essa praça sempre foi o lugar em que eu mais gostava de ficar no bairro. Mesmo depois que você foi pra França, eu vinha e ficava ali debaixo da asa do canarinho. Eu acreditava que ali tinha o seu cheiro.

RODRIGO         —    Foi tão difícil ficar longe de você todos esses anos, Elisa…

Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor se Faz. 

Os dois se olham por um instante. Rola um clima. Os dois se aproximam em SLOW MOTION e se beijam intensamente e apaixonadamente. Instantes. Romance.

CORTA PARA:

CENA 19. FLORESTA. TRILHAS. EXT. NOITE.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Marcos desacordado ainda pelo chão. CAM detalha seu ferimento na cabeça. Ele acorda e coloca a mão na cabeça, faz careta de dor.

MARCOS          —    (P/si) O desgraçado quase me mata! Espera… Eu estava quase matando ele… A Elisa que me bateu? (Furioso) Eu vou acabar com esses dois!

Ele permanece ali furioso. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO VIGÉSIMO TERCEIRO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

COMPARTILHAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on tumblr
  • Adorei o capítulo! Estava sedento por esse reencontro definitivo entre Elisa e Rodrigo kkk. E a cena superou as expectativas com essa briga com o Marcos. Ótimo gancho, me deixou ansioso para o próximo capítulo!

  • >
    Rolar para o topo