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Nova Chance Para Amar – Capítulo 32

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

BEATRIZ

EDILEUSA

ELISA

GABRIELA

GUILHERME

GUSTAVINHO

JOSIAS

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

RAMIRO

REINALDO

RICK

RODRIGO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

HOSTESS e MARÍLIA.

CENA 01. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

REINALDO       —   (Sarcástico) Pensei que você ficaria feliz em me ver.

GABRIELA       —    Quando você chegou?

REINALDO       —    Hoje de manhã.

GUILHERME    —    (P/Gabriela) Quem é esse, Gabi?

REINALDO       —    Permita-me apresentar ao rapaz. Eu sou Reinaldo, pai da Dani.

GUILHERME    —    (Desconfortável) Ah, sim.

Reinaldo estica a mão a Guilherme para cumprimentá-lo. Guilherme olha Gabriela por um instante e aperta a mão dele.

REINALDO       —    Como é que tá?

GUILHERME    —    Tudo bem.

REINALDO       —    Que bom.

GABRIELA       —    O que você veio fazer aqui, Reinaldo? Pensei que você estivesse muito bem na Argentina.

REINALDO       —    Sim, estava. Mas depois de incansáveis ligações sem que ninguém me atendesse, resolvi vim pessoalmente ver o que está acontecendo.

GABRIELA       —    Você deveria ter avisado!

REINALDO       —    (Irônico) Eu avisaria se alguém atendesse telefone nessa casa!

GABRIELA       —    Não pense que vai ficar nesta casa!

REINALDO       —    Eu vou ficar no hotel. Não se preocupe que eu não me interesso nem um pouco em dividir o mesmo apartamento que você.

GABRIELA       —    Ótimo! Assim que tem que ser! Vem, Gui.

O novo casal vai para o quarto. Reinaldo sorrir debochadamente. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa e Rick sentados a conversar.

EDILEUSA        —    Eu tenho certeza que a Vivi Superiora vai arrasar nesse desfile. Perigoso até esquecer esse vídeo dela empurrando o homem na areia.

RICK                  —    Será mesmo, Edileusa? Esses vídeos estão nas redes. Ele nunca vai morrer! Ela pode ser lembrada pelo desfile e por essa bola fora também.

EDILEUSA        —    Mas não pense que isso vai apagar a diva que ela é, que não vai, não!

RICK                  —    E quem tá falando isso aqui, Edileusa? Eu sei que a Viviane é maravilhosa. (Deslumbrado) Com aquele corpo escultural, desfilando na passarela, cabelos voando ao vento.

EDILEUSA        —    (Grita) Ei! Volta pra realidade, meu filho! Aquele corpo escultural já tem dono, tá? Seu Rodrigo!

Elisa, feliz, vem da sala.

RICK                  —    Nossa! Pra quem tava limpando o chão da sala de estar, você tá muito feliz.

EDILEUSA        —    Realmente. Quando era eu que fazia isso, eu chorava muito em vez de sorrir. Aquela sala de estar é imunda!

ELISA                —    E gente, o que foi?! Eu não posso ser feliz durante o meu dia de trabalho?

RICK                  —    Pode.

EDILEUSA        —    Poder até pode. Mas essa felicidade é de agora. Mais cedo você tava nos quartos e não estava tão feliz assim. (Curiosa) Conta pra gente, vai!

ELISA                —    Melhor vocês cuidarem do serviço de vocês, tá bom?

Elisa vai para a área.

RICK                  —    Tá vendo aí, Edileusa? A menina já pegou a sua mania de dar patadas nos outros! Eu sabia que você e Elisa juntas daria nisso!

EDILEUSA        —    (Ofendida) Patadas? Rick, olha como você fala, hein!

CORTA PARA:

CENA 03. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. DIA.

Rodrigo ao volante.

RODRIGO             (P/si) Anos vivendo nesse casamento sem estimativa de quando ia criar coragem e acabar com isso de uma vez por todas! Mas agora acabou! (Pausa) Cansei desses chiliques da Viviane! Vou é ser feliz. A mulher da minha vida na minha frente e eu vivendo nesse casamento infeliz. Quando você tenta mais de uma vez e não dá certo, é porque já se esgotou a fonte. (Pausa) Vou fazer a coisa certa agora! (Determinado) Há quinze anos me impediram, mas agora eu vou sim viver minha história de amor ao lado da Elisa!

CORTA PARA:

CENA 04. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Josias e Marcos sentados.

MARCOS          —    Jô, eu voltei arrependido do que fiz, querendo consertar o meu erro… Mas eu não tenho onde ficar.

JOSIAS              —    Você me volta de Angra sem saber onde vai ficar?

MARCOS          —    É. Eu acabei fazendo tudo na emoção, sabe?

JOSIAS              —    Sei… E agora quer ficar na minha casa?

MARCOS          —    Me ajuda aí, Jô. Você sabe que eu nunca te pedi nada, pô!

JOSIAS              —    Marcos você tá se dizendo arrependido, eu não sei o que aconteceu pra você ter saído às pressas do bairro… Mas eu acho que se você quer mesmo consertar as coisas, deveria conversar com a Elisa. Quem sabe assim vocês dois até não reatam?

MARCOS          —    Não, Jô! A Elisa e eu não tem mais jeito não. (Pausa) E eu quero ficar por aqui sem que ninguém saiba.

JOSIAS              —    Tudo bem então, Marcos. Você pode ficar lá em casa.

MARCOS          —    Valeu, Jô. Tu é o único que eu ainda posso contar.

CORTA PARA:

CENA 05. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Edileusa ensinando como Elisa deve desinfetar as almofadas. Baldes e produtos de limpeza ali.

EDILEUSA        —    Dona Beatriz é muito exigente com isso, Elisa.

ELISA                —    (Preocupada) Ai, meu Deus.

EDILEUSA        —    Se preocupa não. Você vai ver como não tem erro. É só você pegar a almofada, borrifar um pouquinho desse produto e depois passar um pano limpo nela. Mas fica atenta porque a cada quinze dias, tem que trocar a capa. Se dona Beatriz sente cheiro ruim nas almofadas, vai sobrar pra você!

ELISA                —    Tudo bem.

EDILEUSA        —    Agora vamos ver se você entendeu.

Elisa pega uma almofada, pega o produto e borrifa cinco vezes na almofada.

EDILEUSA        —    Não joga muito produto não, Elisa! Desse jeito você pode manchar a almofada.

Elisa pega o pano e passa na almofada rapidamente.

ELISA                —    Ai, Edileusa. O pessoal dessa casa é muito exigente com coisas mínimas! Seu Ramiro com a cama perfeita, dona beatriz com as almofadas.

EDILEUSA        —    Isso é pra você ver as buchas que eu já aguentei dentro dessa casa.

Rodrigo chega da rua.

RODRIGO         —    Oi, Edileusa, Elisa.

EDILEUSA        —    Oi, seu Rodrigo. Está atrás da Viviane? Se for isso, ela está no desfile.

RODRIGO         —    Não é nada disso! Elisa, suba e me ajude a fazer minhas malas, por favor!

ELISA                    Sim, senhor.

Rodrigo sobe a escada. Elisa e Edileusa trocam olhares. Elisa deixa os produtos ali e sobe a escada.

EDILEUSA        —    (P/si, intrigada) Fazer as malas…?

CORTA PARA:

CENA 06. MANSÃO VIEIRA. QUARTO RODRIGO E VIVIANE. INT. DIA.

Rodrigo ali nervoso. Elisa entra.

ELISA                —    Separou da Viviane?

RODRIGO         —    Vou deixar essa casa agora mesmo, Elisa!

ELISA                —    Você tem certeza que quer mesmo fazer isso, Rodrigo?

RODRIGO         —    Meu casamento com a Viviane nunca foi como um casamento deve ser! E depois de te reencontrar então.

ELISA                —    Alto lá, Rodrigo! Eu não quero que você comenta um erro por minha causa.

Rodrigo fecha e tranca a porta.

RODRIGO         —    Elisa, você não tá mais com aquele cara. Eu me separando da Viviane, o que mais pode impedir que fiquemos juntos?

ELISA                —    Rodrigo, você sabe como a Viviane é…

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 07. MANSÃO VIEIRA. CORREDOR. INT. DIA.

Edileusa termina de subir a escada e se aproxima da porta e ouve tudo. Edileusa se mostra boquiaberta a todo momento.

ELISA                —    (OFF) Você acha mesmo que a Viviane vai aceitar isso bem?

RODRIGO         —    (OFF) Não interessa se aquela louca da Viviane vai aceitar ou não! Eu cansei! Depois daquele escândalo no desfile, eu vi que estou na minha cota máxima de aturar esses chiliques histéricos dela!

ELISA                —    (OFF) Rodrigo, pensa bem antes de fazer uma besteira! Você sabe que do jeito que ela é nunca vai aceitar o fato de você deixar essa casa pra ficar com a empregada da família!

EDILEUSA        —    (P/si, horrorizada) Misericórdia!

RODRIGO         —    (OFF) Ela aceitando ou não, Elisa, nós vamos estar juntos nessa!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 08. MANSÃO VIEIRA. QUARTO RODRIGO E VIVIANE. INT. DIA.

Rodrigo e Elisa nas mesmas marcações da cena 06.

ELISA                —    Você sabe que eu preciso desse emprego, Rodrigo! Não dificulte as coisas pra mim também!

RODRIGO         —    Elisa, para de pensar no que os outros vão achar! Você tava infeliz com aquele cara, eu extremamente infeliz com a Viviane! Agora me diz: o que nos impede?

ELISA                —    A minha independência! Fiquei junto com o Marcos por dez anos. E nunca fiquei dependente do dinheiro dele!

RODRIGO         —    Mas emprego você arruma em outro lugar. (Se aproxima dela e tenta beijá-la) Eu não quero que…

ELISA                —    (Recusa) Acho melhor fazermos logo as suas malas.

RODRIGO         —    Tudo bem.

Rodrigo começa a tirar as roupas e coloca sobre a cama. Elisa dobrando. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Edileusa, ainda horrorizada desce a escada.

EDILEUSA        —    (P/si, horrorizada) Meu Deus! Mas o que foi isso que eu acabei de ouvir! Deixa eu até sentar, que eu acho que tô delirando.

Ela se senta no sofá.

EDILEUSA        —    (P/si) Safada da Elisa esse tempo todo dentro dessa casa como se nada tivesse acontecendo… E se deitando com o marido da Vivi Superiora. Meu Deus! Quando a Vivi descobrir isso, a Elisa tá escorraçada dessa casa! Na maior cara de dondoca, e por de trás das costas de todos, se deitando com o patrão! Safada! (Pausa) Seu Rodrigo até que é bem charmoso mesmo! Talvez seja por isso que a Elisa não resistiu! Mas um homem lindo daqueles, trocar a Vivi pela Elisa já é demais! Vivi é muito mais Superiora.

CORTA PARA:

CENA 10. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

Takes da orla do Leblon, Jockey Club. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE.

Nandão e Maurício ali sentados no meio fio. Nandão mexendo no cel.

NANDÃO           —    Cara, essa mulher ainda vai acabar comigo.

MAURÍCIO        —    Edileusa?

NANDÃO           —    Não. Eu a Edi até que estamos bem.

MAURÍCIO        —    Ainda com aquela mulher, Nandão? Eu não vou te falar mais nada! Edileusa é uma mulher batalhadora, ela não merece um cara que nem você!

NANDÃO           —    Qual foi, Maurício! Eu sou homem e tenho necessidades, caramba! Edileusa agora tá na maior palhaçada de não querer mais nada comigo!

MAURÍCIO        —    (Debocha) Talvez ela esteja com repulsa de você!

NANDÃO           —    Repulsa nada! Só eu sei fazer aquela mulher feliz! Já tinha até uma estratégia pra deixar ela feliz sem ter que me esforçar muito.

MAURÍCIO        —    Sei. Não quer se esforçar com a esposa, mas com as mulheres da rua, se esforça pra cacete!

NANDÃO           —    Ah, Maurício! Sendo bem sincero contigo. As mulheres da rua são muito mais gostosas! Esses dias, aquela mesma que às vezes passar aqui pelo ponto de táxi.

MAURÍCIO        —    Sei quem é.

NANDÃO           —    Ela me mandou uma foto com um vestidinho que eu fiquei louco!

MAURÍCIO        —    Sei bem o que tá acontecendo aqui.

NANDÃO           —    Como assim?

MAURÍCIO        —    Você aposta em outras mulheres, porque a Edileusa provavelmente não faz essas suas vontades!

NANDÃO           —    Exatamente por isso! Eu tenho fantasias! Se a Edileusa é uma songamonga que vive na mesmice e acha que tá tudo bem, que tá tudo bom, eu sou diferente!

MAURÍCIO        —    A Edileusa ainda vai achar um cara que a respeite e a faça feliz!

Fecha em Nandão, sério a encarar Maurício. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Beatriz, Viviane, Marcelo e Ramiro chegam do desfile.

BEATRIZ           —    Graças a Deus chegamos depois desse dia cheio!

VIVIANE            —    O dia foi cheio mesmo. (Soberba) Mas no desfile só deu eu!

BEATRIZ           —    Até porque, né, filha! Você arrasou! Não teve pra outra!

VIVIANE            —    É, sempre me disseram que a minha presença no palco é arrasadora!

RAMIRO            —    Mais arrasadora do que o tropeço que você deu?

VIVIANE            —    Esse pequeno detalhe não vai atrapalhar em nada! Pode apostar que até esse tropeço, pode fazer as vendas da Fabristilo aumentarem ainda mais. Bom, agora se vocês me dão licença, eu vou tomar uma ducha e descansar.

BEATRIZ           —    Vai lá, filha.

Viviane sobe a escada.

MARCELO        —    (Feliz) Pai, quase todos os convidados do coquetel me parabenizaram pela música do desfile.

RAMIRO            —    Que bom, meu filho! Eu sabia que ia ser um sucesso!

BEATRIZ           —    A música não era lá grandes coisas! O que ajudou a música ser lembrada por alguém, foi a presença da Viviane.

RAMIRO            —    (Irônico) Claro. Até porque um tropeço como aquele vai ficar eternizado!

VIVIANE            —    (OFF, Grito histérico) Ah!!

BEATRIZ           —    Que isso?

MARCELO        —    Foi a Viviane!

RAMIRO            —    Vamos ver o que aconteceu!

Apressados, eles sobem a escada.

CORTA PARA:

CENA 13. MANSÃO VIEIRA. QUARTO RODRIGO E VIVIANE. INT. NOITE.

Viviane diante do guarda roupa vazio. Beatriz, Ramiro e Marcelo entram.

BEATRIZ           —    O que aconteceu, minha filha?

VIVIANE            —    As roupas do Rodrigo sumiram!

BEATRIZ           —    Mas como? O Rodrigo não podia fazer isso.

RAMIRO            —    Não podia por quê? Depois do que a Viviane fez no desfile, ele deve tá furioso!

MARCELO        —    Calma, gente! Talvez ele só tenha saído pra espairecer!

BEATRIZ           —    Espairecer levando todas as roupas? Larga de ser retardado, garoto!

VIVIANE            —   (Chora) Rodrigo não podia ter me deixado!

RAMIRO            —   Minha sobrinha, você devia ter pensado nisso antes de dar aquele escândalo no desfile. Você sabe como o Rodrigo é reservado!

BEATRIZ           —   Cala a boca, Ramiro! O Rodrigo tá errado de ter saído de casa e ponto final! Fica assim não filha…

Beatriz abraça a filha, que continua a chorar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE

Laura ajudando Gustavinho a fazer o dever de casa.

GUSTAVINHO —    (Reclama) Olha aí, vó. Eu não sei matemática.

LAURA              —    Calma, Gustavinho! Você já tem dez anos e deveria saber muito bem essas continhas de multiplicar.

GUSTAVINHO —    Mas é difícil, vó!

LAURA              —    Sendo difícil ou não, você vai ter que aprender! E vai ser agora! (Pega o caderno e olha) Tabuada de dois, Gustavinho. Como você não sabe isso ainda?

GUSTAVINHO —    Ai, vó! É que é difícil.

LAURA              —    Se você estiver na escola brincando, quando devia está prestando atenção na professora, vai ficar cada vez mais difícil mesmo. Mas não temas, que a sua avó aqui que vai te ensinar um truque.

GUSTAVINHO —    Truque?

LAURA              —    É. Tabuada do um não segue uma sequência?

GUSTAVINHO —    Sim. 1×1=1; 1×2=2; 1×3=3…

LAURA              —    Exatamente. Na tabuada do dois, você vai fazer o seguinte: é a mesma sequência, porém de dois em dois. Você vai fazer assim: 2×1=2; 2×2=4; 2×3=6; 2×4=8; 2×5=10. Agora você continua.

GUSTAVINHO —    (Reclama) Mas vó.

LAURA              —    Tenta Gustavinho! Se você repetir de ano, a Elisa vai te esganar! A mensalidade daquela escola é caríssima pra você ficar repetindo de ano.

Gustavinho tenta fazer o exercício. Severo chega da rua.

SEVERO           —    Laurinha, eu tenho uma surpresa pra você!

LAURA              —    Vê lá, hein, Severo! Da última vez que você me falou isso, chegou aqui com um bilhete de loteria afirmando que a gente ia ganhar e sair do Canarinho… E cadê os milhões que até agora não estão na nossa conta?

SEVERO           —    Não vou nem pedir pra você adivinhar, porque você acabou com todo o clima. Eu reservei uma mesa naquele restaurante que eu te pedir em casamento!

LAURA              —    (Feliz) Não acredito! Naquele restaurante fino e chique?

SEVERO           —    É.

Laura pula de alegria e abraça o marido. Gustavinho a olhar. Laura faz sinal para ele continuar na tabuada e o neto faz cara feia. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 15. MANSÃO VIEIRA. QUARTINHO DE EMPREGADA. INT. NOITE.

Elisa se trocando para ir embora. Edileusa entra.

EDILEUSA        —    Que dia turbado foi esse, né, Elisa?

ELISA                —    Pois é.

EDILEUSA        —    A vida dessa família tá praticamente do avesso! Vivi Superiora na internet, seu Rodrigo saindo de casa. Quem será que acabou com o casamento deles, hein?

ELISA                —    Não sei.

EDILEUSA        —    Seu Rodrigo não falou nada com você?

ELISA                —    Ele disse que cansou dos chiliques da Viviane.

EDILEUSA        —    Só isso que ele falou?

ELISA                —    Sim.

EDILEUSA        —    Ah, sim. Pensei que ele tivesse dito que estava saindo de casa pra ficar junto de você!

ELISA                —    (Reage forte) Como é que é?

EDILEUSA        —    Eu ouvi tudo, tá bom? Como você é sonsa, né, Elisa? Esse tempo todo aqui dentro da mansão e amante do seu Rodrigo?

ELISA                —    Não fala basteira, Edileusa!

EDILEUSA        —    Eu ouvir muito bem a conversa de vocês dois!

ELISA                —    Tá legal. Eu sei que você é do tipinho que não vai perder essa chance!

EDILEUSA        —    Não mesmo, meu amor!

ELISA                —    O que você tá querendo com isso? Extorquir o seu Rodrigo?

EDILEUSA        —    Não, claro que não! Por que eu pediria dinheiro ao seu Rodrigo, quando você pode ficar nas minhas mãos?

Fecha em Elisa séria a encarar Edileusa, que sorrir debochada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 16. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE.

Marília ali sentada. Gabriela vem do quarto.

GABRIELA       —    Ótimo! Estava mesmo querendo falar com você a sós.

MARÍLIA            —    Aconteceu alguma coisa?

GABRIELA       —    Você sabia que o Reinaldo estava voltando e não me avisou por quê?

MARÍLIA            —    Pelo amor de Deus, dona Gabriela! Eu não sabia de nada! Eu juro pra senhora!

Reinaldo vem do quarto.

REINALDO       —    A Marília não sabia que eu estava voltando ao país! Mas ao contrário de você, ela foi a única que atendeu o telefone. E só me contou o que estava acontecendo porque eu exigir saber.

GABRIELA       —    Acho que está na sua hora de ir para o hotel!

REINALDO       —    Eu até ia! Mas não fiz reserva nenhuma.

GABRIELA       —    Esse apartamento não é seu.

REINALDO       —    Eu sei. E pode ficar tranquila que eu não vou atrapalhar em nada você e o seu namoradinho. A minha filha me pediu para dormir aqui, e eu não posso dizer que não. Mas se você preferir, eu posso ir com a Dani para um hotel, já que ela deixou claro na frente da Marília inclusive, que quer dormir comigo.

GABRIELA       —    (Séria) Só esta noite!

Gabriela vai para o quarto.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. NOITE.

Rick sentado a tomar um cafezinho. Viviane vem da sala.

RICK                  —    Dona Viviane, boa noite.

VIVIANE            —    Boa noite não está, não. Tá mais pra péssima mesmo!

RICK                  —    Eu posso ajudar em alguma coisa?

VIVIANE            —    Cadê as outras?

RICK                  —    Estavam no quartinho se trocando.

Elisa e Edileusa vem do quartinho.

EDILEUSA        —    Boa noite.

VIVIANE            —    (Áspera) Parem com esse negócio de boa noite! Eu quero saber do meu marido! Vocês duas que ficam aqui dentro de casa, viram quando o Rodrigo saiu de casa?

EDILEUSA        —    Isso é com você, Elisa.

VIVIANE            —    (Firme) Fala, menina! Estou esperando!

ELISA                —    Ele saiu de casa. Eu só ajudei ele a fazer as malas!

VIVIANE            —    Ele por acaso disse pra onde estava indo?

ELISA                —    Não.       

VIVIANE            —    (Surta) Pra que esse monte de empregados imprestáveis?! Se quando pergunta alguma coisa não sabem de nada!

Viviane vai para a sala.

RICK                  —    Bem que eu vi o seu Rodrigo colocando umas malas dentro do carro.

EDILEUSA        —    Pois é, Rick. Tem mais coisas ocultas por de trás dessa separação do que a gente pode imaginar, não é mesmo Elisa?

ELISA                —    (Nervosa, desconfortável) Como é que eu vou saber, Edileusa? Isso é entre eles!

CORTA PARA:

CENA 18. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Gustavinho ali mexendo no cel. Laura e Severo vêm do quarto arrumados para o jantar.

LAURA              —    Cadê a tabuada, Gustavinho?

GUSTAVINHO —    Já terminei, vó.

LAURA              —    Olha só, não é porque eu e o seu avô vamos sair, que o senhor vai deixar de fazer o dever de casa, tá?!

SEVERO           —    Deixa o menino, Laura. Vamos?

LAURA              —    Vamos. No caminho eu ligo pra Elisa pegar no pé dele pra fazer esse dever, quando chegar.

SEVERO           —    Gustavinho, você vai ficar sozinho até a Elisa chegar. Se comporta e não mexa em nada que não deve.

GUSTAVINHO —    Tá bom.

Laura e Severo saem e trancam a porta.

GUSTAVINHO —    (P/si) Fazer porcaria de tabuada nenhuma! Vou é aproveitar pra ver uns vídeos em alta.

Ele fica ali mexendo no cel.

CORTA PARA:

CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. FRENTE. EXT. NOITE.

Laura e Severo saem.

SEVERO           —    Essa noite vai ser especial, Laura.

LAURA              —    Só pela reserva eu já sei que está especial. Todo aniversário de casamento você/

SEVERO           —    (Corta) Vamos deixar pra conversar no restaurante? Um grande e delicioso jantar está a nossa espera.

Severo abre a porta do táxi e Laura entra. Ele fecha a porta, entra no táxi, dá a partida e o mesmo segue se afastando. CAM mostra Marcos, de dentro do bar, a observar tudo. Ele sai do bar e se aproxima até o portão, mas está trancado.

MARCOS          —    (P/si) Elisa ainda não chegou… O Gustavinho deve tá aqui sozinho.

Marcos pega uma pedrinha na calçada e joga na janela. CAM se ergue até a janela e mostra Gustavinho sentado no sofá, com o cel. em mãos e agora, com fones de ouvidos, ele sorrir do que ver no cel.

MARCOS          —    (P/si, olhando p/janela) Não deve ter ouvido. Eu preciso ver o meu filho.

CORTA PARA:

CENA 20. MANSÃO VIEIRA. QUARTO RODRIGO E VIVIANE. INT. NOITE.

Viviane chorando no colo de Beatriz.

VIVIANE            —    A senhora acha que eu exagerei, mãe?

BEATRIZ           —    De forma alguma, minha filha! O Rodrigo errou em não ter ido prestigiar um desfile lindo como aquele.

VIVIANE            —    Mas sei lá… Eu acho que falei com ele de um modo meio grosseiro, hostil, sabe?

BEATRIZ               Para de pensar nisso, filha. Rodrigo deve tá num hotel pensando em tudo que fez. Não dou dois dias pra ele entrar por essa porta e dizer que fez uma besteira.

VIVIANE            —    Será, mãe?

BEATRIZ           —    Claro, minha filha. Você vai ver!

CORTA PARA:

CENA 21. RESTAURANTE. INT. NOITE.

Local chique. Mesas quase que todas ocupadas. Severo e Laura chegam e são recebidos por uma Hostess.

HOSTESS         —    (Simpática) Boa noite.

LAURA              —    Boa noite.

SEVERO           —    Boa noite. Eu fiz uma reserva.

HOSTESS         —    Eu preciso do nome do senhor para ver qual mesa está reservada para o casal.

SEVERO           —    Severo Borges.

HOSTESS         —    (Checa no tablet) Mesa sete. Me acompanhem, por favor.

Hostess leva o casal até a mesa sete.

HOSTESS         —    Fiquem à vontade.

LAURA              —    Obrigado, querida.

Severo puxa a cadeira para Laura se sentar. E logo em seguida se senta.

SEVERO           —    Tá gostando?

LAURA              —    Até então tá tudo perfeito.

SEVERO           —    Você merece, minha deusa. Tanto tempo que não fazemos um programinha diferente, que dessa vez eu quis que fosse especial. Não tem lugar melhor que este restaurante, que foi aonde eu te pedi em casamento.

LAURA              —    Eu lembro como se fosse hoje.

Um garçom se aproxima e serve champanhe ao casal.

SEVERO           —    (P/garçom) Obrigado.

LAURA              —    Um brinde a esta noite maravilhosa?

SEVERO           —    (Sorrir) Um brinde a esta noite maravilhosa.

Eles brindam.

CORTA PARA:

CENA 22. CANARINHO. RUA. EXT. NOITE.

Ônibus se aproxima e para. Edileusa e Elisa saltam.

EDILEUSA        —    (Suspira) Ai, ai… O dia hoje foi tão produtivo!

ELISA                —    Eu estou exausta. Até amanhã, Edileusa.

EDILEUSA        —    Espera Elisinha, querida.

ELISA                —    Que foi agora?

EDILEUSA        —    Eu quero de deixar a par das suas obrigações a partir de agora.

ELISA                —    Pelo amor de Deus, Edileusa. Chantagezinha barata a essa hora não dá! Tô cansada!

EDILEUSA        —    Vou ser bem direta com você, Elisa. A partir de agora, você vai fazer o que eu mandar! Se você quiser continuar trabalhando na mansão Vieira, este é o preço que você terá de pagar!

Fecha em Elisa que séria, bufa a encarar Edileusa. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO TRIGÉSIMO SEGUNDO CAPÍTULO

 

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POSTADO POR

Ramon Silva

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