Nova Chance Para Amar – Capítulo 34 (Últimas Semanas)

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NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

GABRIELA

GUILHERME

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCOS

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SÉRGIO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

SEGURANÇA.

CENA 01. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Amanda e Camila trabalhando. Kléber e Moreira surgem e se aproximam. Camila olha para Kléber, que para ela, se aproxima em SLOW MOTION.

KLÉBER           —    E aí delicinha?

CAMILA             —    Me deixa em paz, Kléber!

KLÉBER           —    Paz você não vai ter, mas acho que a sensação que posso lhe proporcionar, pode se comprar com paz!

MOREIRA         —    (Sorrir) Isso aí, Kléber! Mandou bem.

AMANDA           —    Deixa ela, Kléber!

KLÉBER           —    Você não te mete nisso, Amanda! O que é seu tá guardado!

MOREIRA         —    A não ser que ela queira participar.

KLÉBER           —    (Debocha) É, Moreira… Acho que ela tá com ciúmes.

AMANDA           —    Ciúmes? De lixos que nem vocês?! Nunca!

Moreira dá um tapa na cara de Amanda.

KLÉBER           —    Olha como fala que a sua filhinha vive sob o mesmo teto que eu!

Os quatro começam a discutir. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Rodrigo e Ramiro sentados.

Atenção Sonoplastia: ouve-se a confusão vindo de fora, abafada.

RAMIRO            —    O que é isso?

RODRIGO         —    Acho que vem ali de fora.

Os dois se levantam e vão olhar pelo vidro.

RAMIRO            —    Kléber como sempre, arrumando problemas!

Os dois saem.

CORTA PARA:

CENA 03. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Continuação da cena 01.

A discussão segue firme. Ramiro e Rodrigo se aproximam.

KLÉBER           —    (Saca a arma, Grita) Chega! Vou matar essa cadela da Camila! Assim ela vem morta, mas faz o serviço completo.

CAMILA             —    Como você é podre, Kléber!

KLÉBER           —    Podre? Você que vai ficar quando eu colocar uma bala nessa sua testa! Morta, eu me aproveitaria desse seu corpinho e ainda matava a Amanda. (repara o corpo de Amanda) Bem gostosa você, Amanda. Acho que vou querer as duas!

Moreira se vira e ao ver Ramiro e Rodrigo, arregala os olhos, surpreso.

RAMIRO            —    Mas o que você pensa que tá fazendo com a minha fábrica, Kléber?

Kléber de costas para Ramiro fecha os olhos, respira e vira-se.

KLÉBER           —    Seu Ramiro? Não esperávamos a sua visita.

RAMIRO            —    E pelo visto foi bom ter vindo sem avisar.

KLÉBER           —    (Sorrir) Isso aqui que o senhor viu não foi nada demais. A gente tem essa de brincar com elas, né, não, Moreira?

MOREIRA         —    (Sem graça) É.

RAMIRO            —    (Firme) A sua função aqui pelo que eu saiba é cuidar da segurança da fábrica! Não deveria nem estar aqui na produção! Os dois vêm comigo!

Ramiro, Kléber e Moreira sobem para o escritório. Rodrigo com um olhar preocupado observa Camila aterrorizada abraçada com Amanda. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Ramiro, Kléber e Moreira sentados.

RAMIRO            —    Que ceninha foi aquela? Vocês estavam assediando aquelas duas mulheres!

KLÉBER           —    Não era assédio, seu Ramiro! A gente só tava dando um tratamento de choque nelas!

RAMIRO            —    Sei. Sei bem que tratamento de choque você estava querendo dá nas duas! (Imita Kléber) Morta, eu me aproveitaria desse seu corpinho e ainda matava a Amanda.

KLÉBER           —    Seu Ramiro, me escuta/

RAMIRO            —    (Corta) Não quero saber! Isso é inadmissível! Vocês dois estão demitidos!

MOREIRA         —    Eu não posso perder esse emprego, seu Ramiro!

RAMIRO            —    É mesmo? Por que não pensaram nisso antes de querer transformar minha fábrica num bordel?! (Firme) Os dois estão na rua!

KLÉBER           —    O senhor não pode fazer isso com o Moreira, seu Ramiro. O Moreira só tava me ajudando porque eu obriguei! Usei minha autoridade de chefe da segurança para forçá-lo a fazer isso.

RAMIRO            —    Kléber, você está demitido! Moreira volte para o seu posto de trabalho.

MOREIRA         —    Sim, senhor.

Moreira se levanta e sai.

RAMIRO            —    Onde Regina está? Desde que cheguei que não a vi.

KLÉBER           —    Regina está comandando essa fábrica de uma maneira lastimável! Está deixando de ser pulso firme com esses trabalhadores miseráveis! O senhor não acredita pra onde ela foi. Tá num salão de beleza com a filha de um dos empregados. Agora vê se pode uma coisa dessas.

RAMIRO            —    Chega, Kléber! Arrume as suas coisas e dá o fora da minha fábrica!

Kléber encara Ramiro seriamente por um tempo e depois sai.

CORTA PARA:

CENA 05. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.

CAM aproxima-se de um carro vindo em baixa velocidade, o carro estaciona. Guilherme e Gabriela saltam do carro. CAM mostra Maurício e Nandão do ponto e táxi, observando.

GUILHERME    —    É aqui mesmo, Gabriela?

GABRIELA       —    É sim, Gui. (Olha tudo ao redor) Nossa! Como é nostálgico voltar aonde tudo começou.

GUILHERME    —    Espero que com toda essa nostalgia, a gente possa finalmente encerrar esse sofrimento da Dani. Tô tão ansioso!

GABRIELA       —    (Aponta) Ali.

GUILHERME    —    No mato?

GABRIELA       —    Não ali especificamente. Mais pra dentro há uma floresta.

GUILHERME    —    Então vamos. Quero ver essa árvore milagrosa!

Guilherme trava o carro e os dois seguem caminhando. Corta para o Ponto de Táxi:

MAURÍCIO        —    Que carrão desse cara.

NANDÃO           —    Pois é, rapaz. Acho que os motéis de luxo estão todos cheios!

MAURÍCIO        —    (Não entende) Quê?!

NANDÃO           —    Pra eles estarem vindo pro mato, é porque tem algo de errado!

MAURÍCIO        —    Como que pode a pessoa não pensar em outra coisa? Impressionante!

NANDÃO           —    Eu até tento, mas não tem nada melhor do que isso, Maurício! Admita!

Fecha em Maurício que sorrir.

CORTA PARA:

CENA 06. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Edileusa sentada mexendo no cel. Elisa furiosa limpando o armário da cozinha, toda sua raiva, ela desconta na limpeza, esfregando com força.

ELISA                —    Cê não acha que tá se arriscando demais com isso, não?

EDILEUSA        —    (Cínica) Desculpa, Elisinha querida… O que você estava falando mesmo?

ELISA                —    Você não vai parar, né?

EDILEUSA        —    Você está cansada? Porque eu não estou!

ELISA                —    Claro! Olha a pose da madame!

EDILEUSA        —    A única que está se arriscando aqui é você! Se eu mando fazer alguma coisa, você tem que fazer e ficar calada!

Elisa continua a limpar o armário. Rick entra e desconfia.

RICK                  —    Elisa fazendo o trabalho da Edileusa…? O que que tá acontecendo, gente?

EDILEUSA        —    Não tá acontecendo nada. Elisa que tem sido muito boa comigo esses dias…

RICK                  —    Sei… Então ela não tá sendo boa, ela tá sendo trouxa! (P/Elisa) Desculpa falar isso, Elisa. Mas você tava fazendo café esses dias e agora limpando o armário?

ELISA                —    Edileusa tem sido uma colega de trabalho tão boa, que eu revolvi ajudá-la.

RICK                  —    Não seja por isso, Elisa. O carro da família tá imundo de poeira. Que tal você me ajudar a lavar?

EDILEUSA        —    Ah vá procurar o que fazer, Rick!

RICK                  —    O mesmo eu digo pra você!

EDILEUSA        —    Deixa a menina fazer o dela e se manda!

RICK                  —    Não engoli essa história ainda. Vocês estão escondendo alguma que eu sei.

Rick sai.

ELISA                —    Tá vendo como isso é arriscado, Edileusa?

EDILEUSA        —    Continua limpando!

Fecha em Elisa rangendo dentes de raiva. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Moreira conversando com outros seguranças fora de áudio. Kléber sai da casa com uma bolsa cheia de roupas, se aproxima do carro, onde coloca a bolsa. Moreira se aproxima.

MOREIRA         —    Valeu pelo que você fez por mim, Kleber.

KLÉBER           —    De boa, Moreira. Ramiro que me aguarde, que isso na vai ficar assim!

MOREIRA         —    Não é melhor deixar isso pra lá, Kléber?

KLÉBER           —    Deixar pra lá? Até parece que não sabe com quem tá falando! Eu não vou aceitar ser chutado dessa fábrica assim! Dediquei anos pra manter tudo isso aqui como está hoje! Eu não posso agora simplesmente ser chutado daqui!

MOREIRA         —    Tudo bem, Kléber. Você que sabe. Se precisar de alguma coisa…

KLÉBER           —    Na verdade, eu vou precisar mesmo.

MOREIRA         —    Sabia! Quando você assumiu a culpa sozinho, eu soube na hora que ia querer alguma coisa.

KLÉBER           —    Relaxa, Moreira. Não é nada que vá te comprometer. Eu preciso que você fique sendo o meu informante dentro dessa fábrica. Tudo que acontecer, você me liga e avisa.

MOREIRA         —    Beleza. Mas o que você pretende com isso?

KLÉBER           —    Na hora certa todos vão saber!

Kléber entra no carro, dá a partida e sai. CAM segue o carro até o mesmo sair pelo portão principal. Close em Moreira ali intrigado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. RUA DAS LOJAS. EXT. DIA.

Laura e Gustavinho caminhando por uma rua cercada de lojas de roupas, eletrodomésticos, etc. Laura para e olha uma blusa de seu agrado.

LAURA              —    Olha essa blusa Gustavinho. Não é linda?

GUSTAVINHO —    Feia.

LAURA              —    Feia nada! Você que não tem gosto. Vou comprar. Ela é tão a minha cara.

GUSTAVINHO     Feia.

LAURA              —    Tá chamando a sua avó de feia, é?!

GUSTAVINHO —    Não! Feia é a blusa.

LAURA              —    Ah, bem.

Laura pega a blusa e entra na loja.

LAURA              —    Vem, Gustavinho.

Gustavinho entra na loja atrás de Laura. CAM, do lado de fora, mostra Gustavinho perdido dentro da loja, que está cheia de clientes. Ele fica procurando Laura e volta para a porta da LOJA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Suspense.

CAM seguindo os passos de um homem que se aproxima de Gustavinho, que está de costas. O homem coloca a mão no ombro do menino que fica assustado.

MARCOS          —    Não se assuste. Sou eu, filho!

Instrumental cessa.

GUSTAVINHO —    (Surpreso) Pai?

MARCOS          —    Também tava com saudade, filho.

GUSTAVINHO —    O que você tá fazendo aqui?

MARCOS          —    Eu vim te ver.

GUSTAVINHO —    Agora? Faz um tempo que o senhor está sumido.

MARCOS          —    Pois é, filho. Mas agora eu estou aqui.

Marcos acaricia o rosto do filho e o abraça, por de trás das costas de Gustavinho, ele sorrir maquiavélico. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Edileusa andando e um lado para o outro. CAM mostra Viviane na porta de entrada a observar.

EDILEUSA        —    (P/si) Como eu detesto essa dondoca da Elisa! Tenho certeza que ela falou alguma coisa. O Rick não presta atenção nem no que ele comeu no almoço, como pode ter percebido? (Pausa) Ela que se atreva a duvidar do que eu sou capaz, pra ela ver!

Viviane ‘chega’ da rua. Viviane sempre a fazer a simpática e amigável.

VIVIANE            —    Edileusa, querida. Como você está?

EDILEUSA        —    (Estranha) Eu estou bem. Obrigada por perguntar, Vivi Superiora.

VIVIANE            —    Então, menina… Eu ouvi você dizer que odeia a dondoca da Elisa.

EDILEUSA        —    Ai, desculpe. Eu não deveria ter dito isso.

VIVIANE            —    Que nada! Eu também não gosto dessa zinha, não.

EDILEUSA        —    Sério?

VIVIANE            —    É. Eu sempre fui mais você, Edileusa. Minha mãe e o Rodrigo que parecem ter sido enfeitiçados por essa mulher.

EDILEUSA        —    É verdade. Eu tenho muito tempo de casa e dona Beatriz raramente me chamava a atenção. Mas isso mudou desde essa mulher veio trabalhar aqui. Ela virou a santinha e eu a vilã!

VIVIANE            —    Senta, menina.

As duas se sentam e continuam a “malhar” Elisa fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. CANARINHO. FLORESTA. EXT. DIA.

Gabriela e Guilherme se aproximam da árvore.

GUILHERME    —    Então essa é a árvore rara?

GABRIELA       —    Sim. No Brasil, a estimativa é de que só existam menos de dez espalhadas pelo país.

GUILHERME    —    Que árvore é essa?

GABRIELA       —    É uma Handrostrum.

GUILHERME    —    Nunca ouvi falar.

GABRIELA       —    (Passa a mão na árvore) Fique muito feliz de ela ainda estar aqui intacta.

GUILHERME    —    Mesmo que depois de 15 anos.

GABRIELA       —    Pois é. Então, vamos ao trabalho?

GUILHERME    —    Pra isso que viemos. Vamos lá! (tira do bolso um bloco e começa a notar)

GABRIELA       —    A seiva dessa árvore misturada a uma solução química composta por…

Ela continua a falar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.

Ramiro e Rodrigo saem da fábrica.

RAMIRO            —    Eu sei que você deve tá pensando que assédio faz parte do dia a dia dessas mulheres, mas não faz!

RODRIGO         —    Tantas coisas fazem parte da vida dessas mulheres, que eu não posso simplesmente acenar com a cabeça e sorrir fazendo de conta que tá tudo bem. Condições desumanas!

O portão principal se abre e o carro de Regina entra. Ela e Belinha saltam, com visuais diferentes.

REGINA             —    (Surpresa) Ramiro?

RAMIRO            —    Olá, Regina. Então quer dizer que enquanto a minha fábrica vai ao chão, você sai para um dia de beleza com essa menina?

REGINA             —    Como assim?

RAMIRO            —    O que você acha? O Kléber.

REGINA             —    O que ele fez dessa vez?

RAMIRO            —    Melhor conversarmos no escritório.

Os dois se afastam.

BELINHA          —    Eita! Parece que a Regina vai levar uma bronca.

RODRIGO         —    É verdade. E você, menininha? Tá há muito tempo por aqui?

BELINHA          —    Sim.

RODRIGO         —    E você poderia me dizer mais sobre como é a vida aqui?

Um segurança se aproxima.

SEGURANÇA  —    Lamento senhor, mas ela tem que entrar pra ficar com a mãe dela.

RODRIGO         —    Tudo bem.

Os dois se afastam. Fecha em Rodrigo intrigado.

CORTA PARA:

CENA 12. MANSÃO VIEIRA. QUARTINHO DE EMPREGADA. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Edileusa entra, fecha a porta e vai até a bolsa de Elisa, a abre, tira do bolso um par de brincos de diamante e coloca dentro da bolsa. Ela sorrir e sai. CAM dá close na bolsa. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 13. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Ramiro e Regina ali.

RAMIRO            —    Um absurdo o que o Kléber estava fazendo com aquelas mulheres!

REGINA             —    Calma, Ramiro.

RAMIRO            —    Calma? Como ousa pedir que eu tenha calma? A culpada de tudo isso é você!

REGINA             —    Eu?

RAMIRO            —    Sim, você mesma!

REGINA             —    Eu só fui ao salão de beleza dar um trato no visu.

RAMIRO            —    Justamente por isso! E ainda com a filha de um dos empregados… Agora cabe a você ser a única gestora desta fábrica, já que Kléber é carta fora do baralho!

REGINA             —    Ok.

RAMIRO            —    Às vezes eu me pergunto: onde que está aquela Regina pulso firme que eu confiei à administração desta fábrica?

REGINA             —    Ela está aqui.

RAMIRO            —    Não, não está!

CORTA PARA:

CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO. CORREDOR. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Sérgio ainda estirado ali pelo chão. Ele tenta se inclinar para levantar, mas se joga no chão de novo, faz caretas. Instantes. CAM mostra Rodrigo que entra no corredor, ele parece estar perdido, olhando tudo a sua volta.

RODRIGO         —    (Vê Sérgio) Ai, meu Deus!

Ele se aproxima e agacha perto de Sérgio.

SÉRGIO             —    Ajuda!

RODRIGO         —    Tudo bem, eu estou aqui. Mas o que aconteceu?

Sérgio tenta falar, mas não consegue.

RODRIGO         —    (P/si) Meu Deus, a coisa é bem pior do que eu imaginava! (P/Sérgio) Aguenta firme que eu vou procurar ajuda!

Rodrigo se afasta correndo. Close em Sérgio ali com dores. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 15. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Maurício e Nandão ali conversando fora de áudio. CAM mostra Laura se aproximando deles, desesperada, aflita.

LAURA              —    (Aflita) Maurício, Nandão!

NANDÃO           —    Aconteceu alguma coisa?

MAURÍCIO        —    Você parece preocupada, Laura.

LAURA              —    Vocês viram o meu neto?

NANDÃO           —    O Gustavinho? Não, por quê?

LAURA              —    Ai, meu Deus! Eu entrei numa loja pra comprar uma blusa e o meu neto sumiu.

MAURÍCIO        —    Mas como assim sumiu?

LAURA              —    Eu não sei. A loja estava muito cheia. Ele se perdeu de mim.

NANDÃO           —    Talvez ele tenha vindo pra casa, Laura.

LAURA              —    Acho que não. Tô ligando e ninguém atende.

Fecha em Maurício pensativo.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 16. CASA JOSIAS. FRENTE. EXT. NOITE.

Flashback:

Josias e Marcos se aproximam. Marcos com a mesma roupa e a mochila de quando retornou ao bairro.

MARCOS          —    Obrigado mesmo, Jô!

JOSIAS              —    Você tem sido um bom amigo pra mim. O mínimo que eu posso fazer é te ajudar.

Os dois entram no quintal. CAM mostra o táxi de Maurício se aproximando. Vem passando frente à casa de Jô, quando Maurício vê Marcos, que tira o boné e o óculos e entra na casa. Close em Maurício desconfiado.

CORTA PARA:

CENA 17. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.

Continuação da cena 15.

MAURÍCIO        —    Eu vi o Marcos.

LAURA              —    Marcos?

NANDÃO           —    Que papo é esse, Maurício?

MAURÍCIO        —    Era tarde da noite, quando eu vi ele entrando na casa do Jô.

NANDÃO           —    Jô? Mas por que ele daria guarida ao Marcos?

LAURA              —    (Determinada) Isso é o que vamos descobrir agora!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 18. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Bar vazio. Laura, Maurício e Nandão entram.

LAURA              —    (Grita, Furiosa) Jô, cadê você?! Se tiver escondendo o crápula do Marcos, eu quero saber onde esse calhorda está!

Josias vem da cozinha.

JOSIAS              —    Que escândalo é esse no meu bar?

LAURA              —    (Aproxima-se de Jô, intimidadora) Se você tiver escondendo aquele canalha do Marcos, eu juro que acabo com você Jô!

JOSIAS              —    (Medo) O que deu nessa mulher?

MAURÍCIO        —    Acho melhor você cooperar, Jô.

NANDÃO           —    (P/Maurício, debochado) Laura mostrando as garras!

LAURA              —    (Firme) Onde ele tá, Jô?

JOSIAS              —    Quando vim abrir o bar, o Marcos ficou em casa.

LAURA              —    (Nervosa) O meu neto sumiu! Aquele desgraçado pode ter pego o meu neto!

JOSIAS              —    Ele disse que ia ficar em casa.

MAURÍCIO        —    Então vamos lá ver se ele ficou mesmo em casa.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 19. CASA JOSIAS. SALA. INT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Josias, Laura e Maurício entram.

JOSIAS              —    (Chama) Marcos? Marcos?

Josias vai para o quarto.

LAURA              —    Se o Marcos pegou o meu neto, a Elisa vai endoidar quando souber!

MAURÍCIO        —    Calma, Laura. Daremos um jeito nisso.

CAM mostra a mochila de Marcos atrás do sofá. Josias volta do quarto.

JOSIAS              —    Ele não tá em casa.

Laura caminha transtornada arrematando.

LAURA              —    (Transtornada) Meu Deus do céu!

Laura pisa na mochila de Marcos ali pelo chão.

LAURA              —    Que isso?

Ela se agacha pega a mochila, abre e tira algumas roupas de dentro da mesma.

JOSIAS              —    Se ele deixou a mochila, não deve tá muito longe!

LAURA              —    Pra onde esse desgraçado levou o meu neto?

CORTA PARA:

CENA 20. RODOVIÁRIA NOVO RIO. INT. DIA.

Rodoviária bem movimentada. Um ônibus se aproxima e todos saltam. Outros passageiros espalhados pelo recinto. Gustavinho e Marcos se aproximam de mãos dadas.

GUSTAVINHO —    Pra onde a gente tá indo?

MARCOS          —    Vamos para um passeio.

GUSTAVINHO —    Mas onde?

MARCOS          —    Filho, na hora eu tenho certeza que você vai gostar.

GUSTAVINHO —    Eu não quero ir com você pra lugar nenhum! Você é um homem mau. Os gritos da minha mãe, eu nunca vou esquecer.

MARCOS          —    Filho, eu sou um novo homem. Acredite em mim, eu me arrependo todos os dias pelo que fiz sua mãe passar.

GUSTAVINHO —    Então por que ela não diz que você se arrepende do que fez? Talvez porque você nunca se desculpou com ela!

MARCOS          —    (Desconversa) Vem comigo, filho. Tenho uma surpresa pra você.

Os dois seguem caminhando.

CORTA PARA:

CENA 21. RODOVIÁRIA NOVO RIO. BANHEIRO MASCULINO. INT. DIA.

Marcos e Gustavinho entram. Marcos vai para a pia do banheiro e tira algo do bolso.

GUSTAVINHO —    Sério? Uma surpresa dentro do banheiro?

CAM mostra Marcos guardando um vidrinho de amostra grátis num paninho. Ele guarda o vidrinho no bolso e esconde o paninho na mão e a fecha.

GUSTAVINHO —    Chega! Vou procurar um jeito de ir pra casa!

Marcos vem por de trás e coloca o paninho no nariz de Gustavinho, que desmaia. Marcos pega Gustavinho no colo, joga o paninho no lixo e arremata.

MARCOS          —    (P/si) Melhor assim que você não me arruma problemas!

Ele sai do banheiro com o filho no colo. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 22. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Beatriz, Viviane, Elisa, Edileusa, Rick e mais dois seguranças ali. Na mesa estão: três mochilas e duas bolsas (todas dos empregados).

BEATRIZ           —    Eu sei que estamos sendo duras quando pedimos para ver as bolsas e mochilas de vocês, mas o sumiço desse par de brincos é um absurdo! Vocês estão aqui porque até ontem, todos eram de confiança!

VIVIANE            —    Chega dessa falação, mamãe! Vamos descobrir logo de uma vez por todas quem me roubou! Vou começar com os dois seguranças. Mostrem as mochilas.

Ambos abrem suas mochilas e tiram todos os pertences de dentro. Beatriz pega na mochila e a revista.

BEATRIZ           —    Tudo limpo. Peguem suas coisas e voltem ao trabalho.

VIVIANE            —    Sua vez, Rick.

RICK                  —    Tudo bem. Eu sei que não roubei nada mesmo.

BEATRIZ           —    Então nos prove abrindo essa mochila.

Os dois seguranças saem. Rick abre a mochila e a mesma está vazia.

BEATRIZ           —    Não tem nada dentro dessa mochila, Rick!

RICK                  —    Sim, eu sei. Essa mochila é só pra trazer os lanches do dia. Nessa casa a comida é tão pouquinha que eu sempre trago alguma coisa pra comer durante o dia.

BEATRIZ           —    Se quiser comer feito um desvairado, vá procurar um restaurante! Agora vá lavar aquele carro imundo!

RICK                  —    Sim, senhora. Com licença.

Rick sai.

EDILEUSA        —    Pra ir adiantando logo isso aqui que eu ainda tenho essa cozinha toda pra limpar.

Edileusa tira todos os seus pertences da bolsa.

VIVIANE            —    Ótimo, Edileusa! Você é de extrema confiança. Quando dei falta do par de brincos, imaginei que não tinha sido você.

BEATRIZ           —    Vá, Edileusa.

Edileusa pega suas coisas e vai para o quartinho. Elisa receosa abre sua bolsa e tira todos os pertences. Beatriz revista.

BEATRIZ           —    Nada! Você tem certeza mesmo que esses brincos não caíram no chão do quarto?

VIVIANE            —    Não! Não pode ser. Eu olhei tudo. Esse brinco foi roubado.

Viviane começa a mexer nos pertences de Elisa.

VIVIANE            —    Eu sei que esse brinco sumiu do meu quarto!

Viviane acha o brinco enrolado em uma das blusas de Elisa.

VIVIANE            —    Olha aqui, mamãe!

ELISA                —    Quê?! Não! Eu nunca peguei nada de ninguém em toda a minha vida.

VIVIANE            —    (Irônica) Pra tudo tem uma primeira vez, né, queridinha?

ELISA                —    Dona Beatriz, a senhora trem que acreditar em mim! Eu não peguei esses brincos!

BEATRIZ           —    (Desapontada) E de pensar que eu ainda fui contra a minha filha porque acreditava que você era uma moça que só estava aqui pra ganhar o seu e garantir o sustento da sua família.

Elisa olha Viviane, que está com cara de deboche.

ELISA                —    Sei muito bem o que tá acontecendo aqui! Estão armando contra mim! Se tem uma coisa que eu me orgulho, é da minha ética e valores morais!

BEATRIZ           —    Você pode inventar quantas mentiras quiser… Mas você está demitida!

Closes alternados. Elisa perplexa, Beatriz extremamente desapontada, Viviane sorri debochada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

 FIM DO TRIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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