Nova Chance Para Amar – Capítulo 35

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NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
AMANDA
BEATRIZ
BELINHA
CAMILA
DANIELA
EDILEUSA
ELISA
GABRIELA
GUILHERME
GUSTAVINHO
JOSIAS
LAURA
MARCELO
MARCOS
MAURÍCIO
MOREIRA
NANDÃO

RAMIRO

REGINA
REINALDO
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

MARÍLIA.

CENA 01. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.
Edileusa e Rick ali conversando.
RICK—(Boquiaberto) Edileusa, mas o que foi isso? Elisa não tem cara de quem faz essas coisas.
EDILEUSA—Pois é, Rick. Mas é como dizem, né: quem vê cara, não vê coração.
RICK—Não sei não, Edileusa. Ainda acho que tem alguma coisa de errado.
EDILEUSA—O que pode ter de errado nisso? O par de brincos foi encontrado na bolsa dela!
RICK—Eu sei! Mas você sabe é difícil acreditar!
EDILEUSA—Não fique em negação, Rick. A Elisa ficou dando uma de dondoca todo esse tempo e é uma ladra! Essa é a verdade!
RICK—Cada um acredita no que quiser! Eu ainda acho que a Elisa é inocente!
Elisa vem do quartinho, já arrumada para ir embora.
ELISA—Acho que é um adeus, né?
EDILEUSA—Aqui está. (dá a Elisa um envelope)
ELISA—Que isso?
EDILEUSA—Dona Beatriz deixou aqui. Disse que são os seus dias trabalhados.
ELISA—(Pega o envelope e guarda na bolsa) Tá bom.
RICK—Elisa, eu sei que isso tá errado! Você é de boa. Nunca faria isso.
Edileusa fica de costas para Elisa. Nervosa, ela passa a mão no rosto.
ELISA—Pois é, Rick. Mas parece que a dona Beatriz não acredita nisso. Não entendo como esse par de brincos pôde ter ido parar na minha bolsa. Sempre soube que nunca fui bem vinda nessa casa. (Pausa) Agora é partir pra outra e torcer pra conseguir outro emprego.
RICK—Boa sorte!
ELISA—Brigada, Rick! Tchau, Edileusa.
EDILEUSA—(Séria) Tchau.
Elisa sai.
RICK—Tá na cara que a Elisa não fez isso! Você que mora perto dela, poderia muito bem ir a favor da menina!
EDILEUSA—Me deixa, Rick! Tô morrendo de dor de cabeça e você falando em cima de mim, não dá certo!
Edileusa vai para o quartinho.
RICK—(P/si, sem entender) Credoo! Que bicho mordeu ela?
CORTA PARA:
CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.
Rodrigo ali aflito. Ramiro se aproxima.
RAMIRO—Pronto! Vão cuidar do tal homem!
RODRIGO—(Indignado) Mas o que aconteceu com aquele homem? Além dessa qualidade de vida pífia as quais você os obriga a viver, eles ainda são espancados?!
RAMIRO—Não é esse ensinamento que os nossos colaboradores tem!
RODRIGO—Claro! Afinal, o que é um espancamento pra você diante de tudo isso aqui?
RAMIRO—Rodrigo, você conheceu como tudo funciona hoje. Eu sei que você vai precisar de um tempo pra entender tudo isso!
RODRIGO—Entender? Você acha mesmo que eu vou ficar de conluio com isso aqui? Nunca!
RAMIRO—Você pode não concordar é um direito seu! Mas a boca você tem que manter fechada!
RODRIGO—Ou então o que, Ramiro? Vai mandar me matar?
RAMIRO—(Sorrir debochado) Acho que depois de tudo que você viu aqui hoje, sabe muito bem do que nós somos capazes! Agora entra no carro e vamos voltar!
Ramiro entra no carro. Rodrigo furioso o encara dentro do carro por um instante e entra no mesmo. O carro se afasta e sai pelo portão principal.
CORTA PARA:
CENA 03. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.
Laura tenta ligar para Elisa. Maurício, Nandão e Jô ali.
LAURA—(Aflita) Só cai na caixa postal! Elisa que não atende esse celular, meu Deus do céu!
MAURÍCIO—Calma, Laura. Talvez o celular dela ficou sem bateria!
LAURA—Bendita hora que o celular dela foi ficar assim! Meu Deus, eu não vou aguentar ficar aqui o dia todo nessa aflição sem que a Elisa saiba do que está acontecendo.
JOSIAS—Laura, você não tem o número da casa em que ela trabalha, não?
LAURA—Não!
NANDÃO—A Edileusa trabalha lá! Vou ligar pra ela agora!
LAURA—Faça isso, Nandão!
Nandão se afasta tentando ligar. CAM de dentro do bar mostra táxi de Severo se aproximando. O táxi para, Severo salta. Ele olha para o bar e vê todos ali.
SEVERO—O que a Laura tá fazendo no bar do Jô? Eu já falei que não quero ela de papo com esse Garcia canalha!
Severo atravessa a rua e entra no bar.
LAURA—Severo, graças a Deus você chegou!
SEVERO—O que aconteceu?
LAURA—(Chorando) O nosso neto!
SEVERO—O que que tem o Gustavinho, Laura?
MAURÍCIO—Fica calmo, Severo. (Pausa) O Gustavinho sumiu!
SEVERO—Quê?! Sumiu como?
LAURA—Não sei. Eu entrei numa loja e ele sumiu!
MAURÍCIO—E até agora, as evidências apontam para o Marcos!
SEVERO—(Leva a mão até o peito de dor) Ai meu Deus!
MAURÍCIO—(Acode Severo) Calma, Severo. Senta aqui.
Maurício coloca Severo sentado numa cadeira.
SEVERO—Por isso ele tava tão próximo!
MAURÍCIO—Jô, tem como você pegar uma água com açúcar pro Severo?
JOSIAS—Claro!
SEVERO—Não! Esse daí é capaz de envenenar a água!
LAURA—(Firma) Para de graça Severo! Será que nem mesmo com o nosso neto por aí nas mãos do Marcos, você para com isso?! Coisa mais insuportável, meu Deus do céu!
Jô segue pra cozinha. Severo fica assustado com a esposa. Nandão retorna.
NANDÃO—Só chama! Celular dela deve tá dentro da bolsa!
Closes alternados em todos ali aflitos. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 04. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE. INT. DIA.
Viviane sentada na cama a olhar para o par de brincos, ela sorrir. Beatriz entra, aparentando está angustiada.
VIVIANE—Que cara é essa, dona Beatriz? Eu recuperei meu par de brincos! Deveríamos estar sorrindo!
BEATRIZ—Não sei não, Viviane.
VIVIANE—A senhora ainda se sente mal pelo que fez com a ladra? Pois ela merecia é coisa pior, isso sim!
BEATRIZ—A Elisa não tem jeito de uma pessoa que faria isso!
VIVIANE—Mas a senhora só pode tá de brincadeira comigo! Quer prova maior do que encontrar os meus brincos na bolsa dela?
BEATRIZ—Sei lá, Viviane! O jeito como ela reagiu como se tivesse sido injustiçada.
VIVIANE—Mas isso é o que o pessoal da laia dela mais sabe fazer de melhor! Não se engane, mamãe. A Elisa Ladra, só tinha aquela carinha de dondoca. Quem não garante que ela tenha pegado mais coisas e a gente não percebeu?
BEATRIZ—Você parece está convencida de que tenha sido ela.
VIVIANE—A prova foi encontrada na bolsa dela, mamãe! Agora me admira muito a senhora, que sempre foi firme com os criados, agora querer defender uma ladra!
BEATRIZ—Tudo bem, Viviane! A Elisa já está fora dessa casa. Você conseguiu!
Beatriz sai e fecha a porta. Viviane sorrir vitoriosa. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 05. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.
Camila ali trabalhando. Amanda se aproxima com um copo descartável cheio de água.
AMANDA—Parece que o senhor engravatado mandou o Kléber embora. (dá o copo a Amanda)
CAMILA—(Ela bebe da água) Finalmente!
AMANDA—Pelo menos bom senso nesse ponto ele teve.
CAMILA—Até porque essas condições de vida a qual eles nos obrigam a ter são totalmente desumanas!
AMANDA—Verdade.
CAMILA—O Kléber é um cara sem escrúpulos! Não acho que ele vai simplesmente deixar a gente em paz!
AMANDA—E o que ele pode fazer contra a gente dentro dessa fábrica? Aquele homem que veio aqui parece ser o dono, não viu como ele falou com autoridade?
CAMILA—E você acha mesmo que existe chefe capaz de segurar esse cara?
AMANDA—Pensando bem, até que você tem razão. Aqui na fábrica mesmo ele passava por cima da Regina.
Belinha entra na área de produção e se aproxima da mãe.
BELINHA—Mãe, a senhora viu o meu pai por aí? Fui na armazenagem, recebimento e ninguém viu ele.
AMANDA—Não vi o Sérgio não, filha.
BELINHA—Estranho! Será que ele saiu da fábrica?
AMANDA—Como filha? Impossível sair daqui!  Continua procurando ele, o Sérgio não deve ter ido a lugar algum.
Belinha se afasta.
CAMILA—A gente tem que saber o que aconteceu com ele, Amanda.
AMANDA—Daqui a pouco eu vejo isso. Agora tenho que terminar aqui. Lembra do lema da Regina, né? Produção é o que interessa!
CORTA PARA:
CENA 06. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. DIA.
Sérgio deitado no sofá desacordado, com curativos no rosto, braços e pernas. Ele acorda assustado. Instantes. Regina vem do quarto com um kit de primeiros socorros.
REGINA—Acordou.
SÉRGIO—(Confuso) O que eu tô fazendo aqui?
REGINA—Calma, Sérgio. Parece que o Kléber fez isso com você.
Close em Sérgio pensativo. Instantes.
INSERT-FLASH da cena 21, do capítulo 33 – momento da agressão.
SÉRGIO—O desgraçado quase me mata porque eu não quis ajudar ele.
REGINA—Ajudar ele?
SÉRGIO—Ele queria que eu atraísse a Camila pro quartinho. Ele queria violentar ela. Mas eu não aceitei e ele me espancou.
REGINA—Eu não sabia que induzir você aceitar colar com o Kléber quase te mataria.
SÉRGIO—Eu só me lembro disso. Como vim parar aqui?
REGINA—O genro do Ramiro de encontrou machucado no corredor e te trouxeram pra cá.
SÉRGIO—E o Kléber? Ele é capaz de me matar!
REGINA—Fica tranquilo que o Kléber não é mais ninguém dentro dessa fábrica. Ramiro mandou ele embora. Agora fica quieto que eu tenho que terminar.
Regina se aproxima e coloca band-aids no rosto e braços de Sérgio.
SÉRGIO—Por que você tá cuidando de mim?
REGINA—Eu sou enfermeira.
SÉRGIO—Cada dia nesse lugar é uma descoberta nova!
Fecha em Regina, que dá um leve sorrisinho.
CORTA PARA:
CENA 07. PRÉDIO FABRISTILO. FRENTE. EXT. DIA.
Carro de Ramiro se aproxima e para. Rodrigo e Ramiro saltam do carro.
RAMIRO—Deixar o carro aqui mesmo. Daqui a pouco é hora de voltar pra casa.
RODRIGO—Pelo menos você tem o direito de ir e vir.
RAMIRO—(Debochado) Esse é um direito de todos, meu caro!
Ramiro entra no prédio.
RODRIGO—(P/si) Como pode ser tão frio? Um homem quase morreu e parece que vidas pra empresários que nem o Ramiro não vale de nada.
Atenção Sonoplastia: cel. de Rodrigo começa a tocar. Ele tira o cel. do bolso e olha. CAM detalha a tela do cel. com o nome de Elisa.
RODRIGO—(P/si) Elisa? (Ao cel.) Oi, Elisa.
ELISA—(OFF) Rodrigo… (ruídos de choro )
RODRIGO—(Ao cel., preocupado) Elisa? O que aconteceu?
ELISA—(OFF) Eu fui humilhada, Rodrigo. Encontraram um par de brincos da sua esposa dentro da minha bolsa.
RODRIGO—(Ao cel.) Quê?!
ELISA—(OFF) Armaram pra mim.
RODRIGO—(Ao cel.) Não acredito que a Viviane chegou a esse ponto. Você tá aonde?
ELISA—(OFF) No ônibus voltando pra casa. Nunca mais piso naquela mansão!
RODRIGO—(Ao cel.) Eu vou tomar um táxi aqui e te encontro no Canarinho. Um beijo.
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 08. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.
Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.
CAM subjetiva com a visão turva. Ao fundo, podemos perceber um homem e uma mulher. O som sobe aos poucos e conseguimos ouvir o que eles dizem. As falas se sobrepõem.
SALINA—Você me deve uma explicação, Marcos!
MARCOS—Explicar o quê? Não é óbvio pra você? Meu filho tem que ficar comigo!
SALINA—Larga de ser idiota, Marcos! Não percebe que com isso você corre o risco de não ver o seu filho nunca mais?
MARCOS—Por quê? Eu sou pai! Tenho o direito!
SALINA—Desde o momento em que você sequestra o menino, você perde qualquer razão, se é que tinha!
Salina vai para a cozinha, com Marcos arrematando.
MARCOS—E você acha que é quem pra me ensinar a ser pai?! Cuida da sua vida!
Salina volta da cozinha.
SALINA—(Firme) Quem voltou e bateu na minha porta depois de todo mal que fez a esta família foi você! Não quer que eu palpite sobre as suas burradas? Então não faça merda e não venha procurar a minha casa!
Salina volta para a cozinha. Marcos fica sério. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 09. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.
Reinaldo sentado assistindo TV. Daniela invocada e Marília chegam do colégio.
REINALDO—Filha! E então, como foi?
Daniela vai para o quarto e nem fala com o pai.
REINALDO—O que aconteceu?
MARÍLIA—Não sei. Não fala uma palavra desde que peguei ela no colégio.
REINALDO—Aconteceu alguma coisa no colégio.
Reinaldo vai para o quarto.
MARÍLIA—(P/si) Coitada da Dani.
CORTA PARA:
CENA 10. APART GABRIELA. QUARTO DANI. INT. DIA.
Atenção Sonoplastia: Instrumental – Triste.
Daniela sentada na cama, chorando. Reinaldo bate na porta.
REINALDO—(OFF) Dani, abre essa porta.
DANIELA—Não!
REINALDO—(OFF) Filha, eu só quero conversar!
DANIELA—Não quero conversar! Me deixa sozinha.
REINALDO—(OFF) Filha, se isolar agora não vai adiantar de nada.
Ela não responde. Instantes.
REINALDO—(OFF) Tudo bem, filha. Você precisa de um tempo só pra você e eu tenho que respeitar isso.
Daniela pega um espelhinho e coloca frente a face. Sua pele está levemente ressecada e com algumas fissuras. Daniela chora. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 11. COLÉGIO PARTICULAR. PÁTIO. EXT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
FLASHBACK: Um grupo de cinco meninas com aproximadamente a mesma idade que Daniela, reunidas conversando fora de áudio. CAM mostra Dani com um pacote de biscoito recheado em mãos, ela se aproximando.
As meninas a encaram fazendo caretas de nojo e debocham.
MENINA 1—Olha a pele detonada dela!
MENINA 2—Que horror!
MENINA 3—Sai pra lá! Não quero pegar isso!
As meninas sorriem debochadamente e se afastam. Daniela abaixa a cabeça triste, e segue caminhando para um canto mais isolado do pátio do colégio, se senta e ali come o biscoito. Todos direcionam olhares e comentários para ela fora de áudio. Daniela se sentindo acuada sai correndo e chorando. CAM segue a menina correndo em SLOW MOTION, ao passar pelos demais alunos, registra seus afeições de nojo, desprezo. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 12. APART GABRIELA. QUARTO DANI. INT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Continuação da cena 10.
Daniela chora e meneia a cabeça negativamente para o que vê no espelho. Instantes. Tristeza.
CORTA PARA:
CENA 13. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.
Um táxi se aproxima e para. Rodrigo paga o motorista.
RODRIGO—Pode ficar com o troco.
Ele salta do táxi. E olha ao redor, procurando por Elisa. CAM mostra um ônibus se aproximando de Rodrigo. Elisa e mais alguns figurantes saltam. Rodrigo a abraça.
ELISA—A maior humilhação da minha vida!
RODRIGO—Passou! Vamos focar no agora.
ELISA—Se eu foco no agora, entro em depressão! O agora é incerto!
RODRIGO—Eu sei que você precisava do emprego, mas… A verdade é que aquela casa não é lugar pra ninguém!
ELISA—A família Vieira é difícil de lidar, mas nós pobres, empregados da família, precisamos muito do emprego!
RODRIGO—Elisa pode contar comigo pro que você precisar! Eu nunca vou te deixar!
Rodrigo a abraça novamente. Elisa se aconchega no abraço dele. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 14. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.
Gustavinho se levanta do sofá e fica perdido ao olhar o lugar que está. Instantes. Salina vem da cozinha. Eles falam em tom baixo.
SALINA—Graças a Deus você acordou! Pensei que o Marcos tinha feito alguma coisa de ruim pra você dormir.
GUSTAVINHO—Onde que eu tô? Eu quero ir embora.
Salina olha para a cozinha, certifica-se de que Marcos não está a observar, tira do bolso o celular e entrega ao neto.
SALINA—Fica com meu celular e liga pra sua mãe.
GUSTAVINHO—Mas onde que tô?
SALINA—Você tá na casa da vovó. Só fala isso pra Elisa que ela sabe onde eu moro.
GUSTAVINHO—Tá bom.
SALINA—Liga pra ela agora que eu vou tentar manter o Marcos ocupado na cozinha.
Salina vai para a cozinha. Gustavinho tecla o número e liga.
GUSTAVINHO—(Ao cel.) Mãe, sou eu.
ELISA—(OFF) Oi, filho. Onde você tá?
GUSTAVINHO—(Ao cel.) Na casa da minha avó.
ELISA—(OFF) A mamãe te trouxa de escola direto pra casa dela? Aposto que tá sendo mimando como sempre.
GUSTAVINHO—(Ao cel.) Não, mãe! Eu tô na casa da minha vó. Meu pai me trouxe pra cá.
ELISA—(OFF) Como é que é? Você tá em Angra?
GUSTAVINHO—(Ao cel.) Eu não posso falar muito. Minha vó que me deu o celular dela e pediu que eu te ligasse escondido.
ELISA—(OFF) Tudo bem, filho. Fica escondido que a mamãe já está indo!
Gustavinho desliga e coloca o celular debaixo de uma almofada no sofá.
CORTA PARA:
CENA 15. BAR DO TIO JÔ. FRENTE. EXT. DIA.
Elisa e Rodrigo se aproximam da casa dos pais dela.
RODRIGO—Espera aí… O Marcos sequestrou o Gustavinho?
ELISA—Parece que sim.
CAM mostra Nandão na porta do bar.
NANDÃO—(Gritando) Elisa, seus pais estão aqui!
RODRIGO—Seu Severo Borges no bar do meu tio? Parece que as coisas estão evoluindo nessa vizinhança.
Elisa e Rodrigo ficam parados na porta do bar. CAM permanece no mesmo ângulo que o casal.
LAURA—Graças a Deus, filha! Eu te liguei um monte de vezes!
ELISA—Jura? Não tinha nenhuma ligação da senhora.
LAURA—Talvez na hora do desespero eu tenha ligado pro número que você não usa mais!.
SEVERO—O canalha do Marcos, Elisa!
LAURA—Deixa que eu falo com ela, Severo.
ELISA—O Gustavinho acabou de me ligar. Já sei de tudo.
LAURA—Graças a Deus. O meu neto tá bem?
ELISA—Tá. O Marcos levou ele pra casa da mãe dele, em Angra. E eu vou lá buscar meu filho!
SEVERO—Eu vou com você, filha!
MAURÍCIO—Nada disso, Severo! Você não está em condições de dirigir até Angra. Eu vou com vocês!
ELISA—Então vamos.
RODRIGO—Eu vou com você, Elisa.
Os três se afastam em direção ao ponto de táxi.
SEVERO—Aquele rapaz com a Elisa não é o tal patrão dela?
LAURA—Sim.
SEVERO—E o que ele tá fazendo aqui?
LAURA—Deixa isso pra lá, Severo. (P/si) Só o Rodrigo poderia ajudar minha filha a passar por essa situação.
CAM mostra Jô à parte, só observando.
CORTA PARA:
CENA 16. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.
Marília de pé mexendo no cel. Reinaldo volta do quarto, ela esconde o celular.
MARÍLIA—Ah, seu Reinaldo. Nem vi o senhor aí.
REINALDO—Ela não quis abrir a porta.
MARÍLIA—Ela precisa do tempinho dela, seu Reinaldo.
REINALDO—Eu sei. Mas é que parte meu coração ver a Dani desse jeito.
MARÍLIA—A gente se sente impotente, né?
REINALDO—Sim! E eu sei bem o que ela tá passando.
MARÍLIA—Uma das inspetoras disse que a Dani mudou completamente depois do recreio.
REINALDO—Eu me precipitei ao fazer a Dani achar que estava pronta pra encarar isso.
Fecha em Reinaldo tenso, aflito. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 17. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. DIA.
Regina de pé, séria. Ela olha para Sérgio, que está deitado no sofá a dormir.  E vai para trás do sofá. Moreira entra.
MOREIRA—Licença, dona Regina.
REGINA—Fecha a porta.
Ele fechou.
REGINA—Você pode me explicar por que fizeram essa covardia com o Sérgio?
MOREIRA—Dona Regina, eu sei o que a senhora tá pensando, mas não é nada disso! Tive que fazer isso pro Kléber não desconfiar.
REGINA—Vocês tem noção de que quase mataram o Sérgio?
MOREIRA—Eu sinto muito, dona Regina. Depois quero até me desculpar com o Sérgio pelo que fiz.
REGINA—Escuta bem o que eu vou te falar, Moreira: se você ainda estiver ajudando o Kléber, nós dois vamos resolver isso! E você sabe que quando eu falo, não fico só na ameaça!
CAM mostra Sérgio acordado, só ouvindo…
CORTA PARA:
CENA 18. CANARINHO. FLORESTA. EXT. DIA.
Gabriela e Guilherme sentados a analisar os cadernos dos estudos anteriores.
GUILHERME—Olhando pra essas anotações, eu fico tão confuso.
GABRIELA—Confuso por quê? Minha letra é tão ruim assim?
GUILHERME—(Sorrir) Não é isso bobinha. Tudo parecia ter dado tão certo. E depois de quinze anos parece que simplesmente o efeito da solução cremosa acabou.
GABRIELA—É daí que a gente tem que partir.
GUILHERME—Como assim?
GABRIELA—A solução fez feito tanto no Reinaldo… Temos que descobrir por quê!
GUILHERME—Deixa eu ver se entendi. Você quer analisar uma amostra da seiva e descobrir porque ela fez efeito no Reinaldo e agora a Dani apresentou o quadro de ictiose, é isso?
GABRIELA—Isso mesmo! Como não pensei nisso antes?
GUILHERME—O Jeito mais rápido seria convidar o Reinaldo a participar das pesquisas.
GABRIELA—Por mais que eu saiba que esse é o único caminho no momento, vamos pensar se não há outra alternativa. Tudo que eu menos quero é o Reinaldo participando de algo comigo.
Fecha em Guilherme, que fica sem entender.
CORTA PARA:
CENA 19. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.
Marcos vem da cozinha, Salina vem atrás. Ele se senta no sofá e pega a almofada e acha o celular.
MARCOS—O que o celular da senhora tá fazendo aqui no sofá que o Gustavinho tava dormindo?
SALINA—(Nervosa, mente) Eu devo ter esquecido o celular aí.
MARCOS—(Duvida) Sei.
Gustavinho vem do banheiro.
MARCOS—(Agressivo) Você ligou pra sua mãe, Gustavinho?!
GUSTAVINHO—Não!
MARCOS—Não quer falar? Tudo bem. As chamadas anteriores vão me dizer a verdade.
Ele mexe no cel. por um instante. Salina e Gustavinho se entreolham, aflitos.
MARCOS—Nada. Melhor assim. Eu sei que você não tá entendendo nada, filho. Mas você vai ver que é bom morar aqui no Frade.
Marcos vai para o quarto. Gustavinho gesticula um: “tudo certo” para Salina, que reage aliviada.
CORTA PARA:
CENA 20. FÁBRICA FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.
Ramiro sentado a assinar alguns documentos.
Atenção Sonoplastia: cel de Ramiro notifica mensagem.  Ele pega o cel. e lê.
RAMIRO—(Lê) Espero que esteja aproveitando os seus dias de paz. Breve isso vai acabar. Saiba que seu império corre um grande perigo.
Ele deixa o cel. sobre a mesa.
RAMIRO—(P/si) Kléber desesperado por atenção! Engana-se ele se pensa que vai me intimidar com uma mensagem. Kléber não é páreo pra mim! Antes de pensar em fazer alguma coisa, eu acabo com ele!
Marcelo entra.
MARCELO—Nem pra falar que tinha chegado.
RAMIRO—O que você quer, Marcelo?
MARCELO—Eu me senti traído pelo senhor! Preferiu levar o Rodrigo ao invés do filho! (Bate palmas) Palmas pro senhor.
Fecha em Ramiro que veria os olhos meneando a cabeça negativamente.
CORTA PARA:
CENA 21. ANGRA DOS REIS. STOCK-SHOTS. EXT. DIA.
Takes das praias de Angra, Vistas paradisíacas. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 22. ANGRA/ FRADE. RUA DA CASA BEIRA PRAIA. EXT. DIA.
Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.
Táxi de Maurício se aproxima. Maurício, Elisa e Rodrigo saltam.
ELISA—(Determinada) Quero meu filho de volta!
MAURÍCIO—Melhor vocês tomarem cuidado! O Marcos é perigoso.
ELISA—Não mais do que uma mãe furiosa com seu filho em perigo!
Eles se direcionam a casa de Salina. Presença de alguns curiosos frente a casa.
MAURÍCIO—Marcos transformou mesmo isso aqui num show?!
ELISA—Espero que ele não tenha feito nada com meu filho.
MAURÍCIO—Vão entrando que eu vou ver se descubro mais alguma coisa aqui com eles.
Elisa e Rodrigo entram na casa.
CORTA PARA:
CENA 23.  ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
CAM focada na porta, Elisa e Rodrigo entram.
ELISA—(Chama) Gustavinho! Cadê você, filho?
RODRIGO—Parece não ter ninguém.
Marcos vem da cozinha com uma peixeira em mãos.
MARCOS—Sabia que viriam!
ELISA—O que você fez com o Gustavinho?
MARCOS—(Firme) Vão pro canto!
Elisa e Rodrigo faz o que foi mandado. Marcos fecha a porta, tranca e coloca a chave no bolso da calça.
ELISA—(Gritando) Aonde está o meu filho, seu desgraçado?!
MARCOS—Calma, Elisa. O Gustavinho tá bem. O mesmo eu não posso dizer de você e do seu amante aí.
RODRIGO—(Pacificador) Cara, não precisa disso. Coloca essa faca no chão e vamos conversar.
MARCOS—(Sorrir, debochado) Conversar? Quantas vezes eu tentei ir por esse caminho e a Elisa só queria tirar o meu filho de mim!
ELISA—(Gritando) Isso não é verdade!
Marcos avança com a peixeira para o lado de Elisa.
MARCOS—Tem certeza?
Elisa se encolhe fecha os olhos de medo.
MARCOS—Tudo que você sempre quis foi afastar o Gustavinho de mim! E isso não vai mais acontecer!
RODRIGO—Cara, pensa bem antes de fazer alguma besteira. Os vizinhos estão ali do lado de fora e certamente já ligaram pra polícia.
MARCOS —Ótimo! Assim eu não tenho muito tempo a perder!
Marcos determinado se aproxima de Rodrigo com a faca e tenta perfurá-lo. Rodrigo segura a mão dele e num jogo de força, erguem a faca para o lado.
MARCOS—Desista riquinho!
RODRIGO—Esse jogo só acaba quando alguém morre!
MARCOS—É? Então esse alguém é você!
ELISA—(Gritando) Socorro! Socorro!
Marcos consegue abaixar a faca. CAM detalha uma poça de sangue no chão. Pelo ângulo não vemos de quem se trata o sangue.
ELISA—(Vê o sangue, apavorada) Meu Deus!
CAM dá close em Rodrigo e Marcos. Ambos pertos um do outro. Instantes. Os dois caem no chão.
ELISA—(Grita, desesperada) Nãããão!!!!
CAM abre o plano na poça de sangue e os dois caídos, Marcos por cima e Rodrigo por baixo.  Maurício bate na porta sem parar.
MAURÍCIO—(OFF, Gritando) Elisa! Elisa! O que tá acontecendo?
Elisa ajoelha-se no chão e chora profundamente.
CAM em plano geral. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
FIM DO TRIGÉSIMO QUINTO CAPÍTULO

POSTADO POR

Ramon Silva

Ramon Silva

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